quinta-feira, 21 de novembro de 2013

A infância!


CAPÍTULO I
FATOS CORRIDOS 1974-1983 



Musica de Renato Russo - Legião Urbana
"Vídeo com imagens colhidas da Web assim
 como todas as imagens deste blog"

A partir deste momento vou contar fatos, ocorridos em minha vida desde a minha infância até os dias atuais assim sintetizando o que talvez possa ter ocasionado neste mal, “problemas”, não somente de decepção com os outros, como comigo mesma,  é claro que tive muitos momentos de alegria, autos e baixos como qualquer ser humano. Só faço aqui um meio de pesquisa para que médicos, pesquisadores ou aqueles que procuram assim como eu, um meio de entender está terrível doença e desta forma, talvez fazer que se a reconheça antes que domine alguém! 
Tive uma infância bem tumultuada, sou 10° filha de meus pais, nasci em RS. Canoas, aos 3 meses de vida fomos para interior de São Paulo, passamos por muitas dificuldades, e nesta época 5 de meus irmãos mais velhos já trabalhavam e não moravam conosco. Quando fiz mais ou menos 4 anos fomos para  AM. Manaus, a primeira lembrança que me vem é de estar um caminhão que sacolejava muito, minha mãe me dando água. Passamos por estradas onde havia fazendas, sítios muito afastados um do outro, paramos em um terreno onde tinha uma casinha de palha onde seria nossa moradia por um bom tempo. Ao passar alguns meses ou um ano não sei ao certo, foi feita uma casa de madeira, me lembro de só fatos bons, como brincadeiras com meus irmãos e amigos, meus animais de estimação,  meus primeiros anéis... Um de pedrinha azul e outro  de pedrinha vermelha, que ganhei de meu irmão José que viera morar conosco, quando  chegou eu nem o reconheci mas o seu carinho era tanto conosco que logo me acostumei com sua presença. Recordo me, de uma boneca que perdi num lago isso me é inesquecível. Lá minha mãe lavava roupa, e como eu brincava muitas vezes sozinha fazia das arvores amigas e falava com elas como se fossem pessoas. “Tinha uma imaginação fértil!”
Havia momentos em que meu pai viaja a trabalho e demorava muito tempo para voltar. Nossas dificuldades eram muitas, que às vezes tínhamos somente sopa de mandioca para comer e algumas poucas frutas que minha mãe colhia da plantação de nosso sítio. Eu não lembro, mas minha mãe conta que nesta época em algumas destas viagens de meu pai, houve momentos em que todos ficamos muito doentes com malária, hepatite... Enfim, foi tudo muito ruim, mesmo sendo a guerreira que foi, minha mãe sofreu muito, chegamos num momento até dependermos da ajuda de nossos gentios vizinhos, que graças a Deus se comoveram com nossas más condições,  nos auxiliaram com mantimentos.
Lembro-me de uma das chegadas de meu pai, quando trouxe sacos e sacos de pães,  muitas coisas na carroceria de uma caminhonete e provavelmente muita esperança e alegria. A partir dai então nosso sitio começou a progredir  mais, começou se  criar de frango, porco e a plantação de mandioca se tornava imensa e farta, que chegou a se produzir a farinha, mas não sei o porque mas saímos de lá, para a casa de conhecidos de meu pai em uma cidade vizinha, logo depois fomos para SP na casa da minha irmã mais velha, lá ficamos com minha mãe, meu pai retornou ao sitio para resolver coisas e  quando voltou bem, não tínhamos mais o sitio, ai ele começou a fazer bicos até arrumar um trabalho,  nos mudamos todos para mais duas vezes de casa até irmos morar numa casa que foi nos alugada por  nosso cunhado que havia se casado pouco tempo com minha irmã Nadir. 
Nesta casa tivemos bons momentos, passeávamos em lugares onde nunca tivéramos ido antes, como, a praia e parques. Degustamos várias guloseimas nas quais nunca havíamos tido a oportunidade de apreciarmos antes, como por exemplo, também uma simples bebida como o refrigerante, que para muitas crianças era habitual ter em suas refeições, para nós que ficamos tanto tempo confinados naquela  sítio, quase tudo  era uma  grande novidade inclusive o refrigerante. Mas, no entanto essa alegria durou pouco, também ali ocorreu um dos piores os fatos de minha vida! Depois de vários problemas tanto financeiros quanto de relacionamento, coisas que até hoje sinceramente não entendo, pois na época era muito nova (tinha apenas oito anos) meu pai sairá de nossas vidas sem nem mesmo uma despedida ou dar explicação, isso foi uma grande dor para todos, principalmente para minha mãe que o amava e  ama com tanta intensidade que até hoje não sente magoa ou qualquer tipo de rancor. Dias antes, ele comprou presentes, conversou muito com os filhos mais novos, participou de uma reunião familiar na páscoa, eu e ele tivemos um momento no qual para mim haverá sido muito especial. Estávamos na sala e ele com muito carinho me dava, um vestidinho, sapatinhos, meias e um ovo de páscoa. Por mais que juguem isso tudo como errado,  foi muito bom tê-lo comigo naquele momento, repleto de carinho e amor,  no qual seria o ultimo de nossas vidas e que me recordo com tanto amor.


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Também nesta época houve acontecimentos, nos quais para uma criança na época não se eram bem compreendidos, ainda. Numa tarde de um final de semana em que tínhamos visitas em casa, brincava com as crianças de casinha num dos quarto e um menino fez algo comigo no qual me foi tão estranho e assustador que gritei, a tal ponto de meu irmão escutar. Eu  não tinha  a menor ideia do porque de toda aquela ação, tanto do menino, como muito menos intendi o nevoso de meu irmão ao nos ver. Para mim de inicio era só uma brincadeira, no entanto quando fingíamos que estávamos dormindo do nada o menino subiu encima de mim, foi ai que gritei e José me ouvindo, rapidamente veio e o menino ao ver meu irmão tão irado, assustado saiu correndo, assim nossa brincadeira acabou. 
Ao José contar a minha mãe sobre o ocorrido, ela que na época por certas formalidades, não dissera nada que deveria ser explicado corretamente, ao contrario só me assustou com algumas bobagens que de nada me ajudou, como: Isso é feio, é errado! E que se ocorre-se novamente nunca mais poderia se casar ou ter filhos. Quando lembro disso penso pobre de mim, mal sabia o que estava por vir. Pois num certo dia em que estava na casa de uma coleguinha, seu avô que estava sentado numa cadeira na varanda de sua casa, ao chamar a menina e falar algo em seu ouvido e pegou em seus braços a rodopiou, logo ele disse para mim: Vem cá! Eu em minha santa inocência fui,  ele, fez o mesmo comigo, mas no momento em que estava de costas para ele colocou sua mão entre minhas pernas, com assusto e sem intender,  me desprendi dele rapidamente, perguntei a ela porque ele havia feito aquilo, no entanto ela só me falou: Vamos para sua casa!
Esses dois acontecimentos me perturbaram significadamente até a fase da adolescência, mesmo que de nada me afetassem da forma que me foi dita, a ignorância que eu tinha com relação a sexo, só fez me prejudicar, afinal eu acreditava piamente em tudo que a mãe falava.

      



Mudanças repentinas assustam e a saudade corrói!  

FATOS OCORRIDOS EM 1983 - 1987

Com o passar do tempo, após aquele triste dia, em que meu pai havia desaparecido, me vinha sempre à minha mente às perguntas: Para onde ele tivera ido?  E o porquê não havia retornado ainda? Lembro que com todo aquele alvoroço e comoção em que se encontravam todos naquela uma manhã conturbada, ninguém conseguira me explicar a real circunstancia do que tinha se sucedido com ele, até aquele presente momento.  Só me recordava de uma imagem, a mãe com seu rosto se debulhando em lágrimas e continuamente dizendo: Ele foi embora, ele nos tratou como a um papel que se amassa e joga fora! Recordo me, de minha irmã vir até mim  neste mesmo instante, me puxando falando para minha mãe, ela não intende. Quando acalmaram os ânimos, me contaram uma estória que não condizia com a realidade. De que, ele havia sido preso.
E em poucos dias estávamos dentro de um caminhão baú rumo a SC. Araranguá, para casa de uma tia. Foi uma mudança um tanto muito louca, alguns foram na cabine com o motorista e outros dentro do baú, junto com as poucas coisas que conseguimos levar. Foram meus irmãos a Moni de 10 anos, o Danilo de 12, meu irmão José com sua mulher, eu e a mãe. O Luiz que tinha 16 anos, por estar namorando, acabou ficando na casa de minha irmã Nadir. E o Umberto de 18 anos também ficou por estar a um bom tempo trabalhando em uma firma.
Ao chegarmos, fomos recebidos com muito carinho e alegria por meus tios e primos. Tia Leu era uma anfitriã maravilhosa, havia preparado praticamente um baquete, na mesa, que foi muito bem posta por sinal, tinha desde variadas geleias, bolos, pães, sucos dentre muitas outras coisas. Foi uma verdadeira festa.

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Meus irmãos logo fizeram amizade com meus primos e os vizinhos. Já eu por ser muito apegada a mãe ficava a maior parte do tempo com ela e a tia Leu.
Com essa mudança, perdi minhas amizades, não tinha mais todos meus irmãos por perto e o pior, não sabia areal situação do que haverá acontecido ao meu pai. Meses depois o José e a minha cunhada Mary se mudaram para uma vila próxima.
Quando comecei a estudar, na escola me perguntavam de onde viera, porque havia vindo de tão longe para morar lá e quando me perguntavam sobre o pai respondia a ultima estória que ouvira, de que ele tinha sido preso. Mas logo me contaram outra versão na qual diziam que havia viajado, mas logo iríamos encontra-lo. 
Como não se bastasse tudo que passara, ainda sofri,  bullying, uma expressão que não era usada na época, mas como sempre existiram atos agressivos verbais ou físicos de maneira repetitiva como os que sofri, na escola por parte de um menino, posso dizer que resumiram tudo isso para a palavra ,  “bullying”!
Quando chegava da escola ia brincar com duas meninas, Maísa e Fernanda, vizinhas de minha tia, mas como é normal em uma relação de crianças acontecer brigas, teve um dia que a Fernanda fez intrigas entre eu e Maísa, talvez por minha ingenuidade, não sabia como me safar daquela situação, Maísa por ser a mais compreensiva, soube me intender, já Fernanda ficou bom tempo sem falar comigo. Por mais que seja uma bobagem eu estar relatando esse fato, penso que seja bom citar para se ter um ideia de como sou pouco determinada em situações deste gênero, até hoje não consigo tomar as rédeas de um problema que possa surgir em minha vida, dificilmente consigo contrariar alguém mesmo que esteja erado e geralmente sou tomada pelas emoções o que não é bom para qualquer tipo de relacionamento.
Com o passar do tempo fomos morar com meu irmão, como a casa era relativamente pequena, logo alugamos para casa dos fundos por ser maior e nos acomodarmos melhor. E meus irmãos mais velhos sempre nos auxiliavam com dinheiro no qual nos enviavam mensalmente.
Sempre nos reuníamos para as festas de fim de ano, com a tia Leu, em uma dessas festas, numa noite natal, tive uma grande surpresa. Eu estava dormindo, sentia as mãos da mãe sobre minhas costas que me erguendo dizia algo, mas eu só ouvia o barulho dos fogos, mau podia abrir os olhos de tanto sono e ouvi: Olha o que papai Noel te trouxe filha! Era uma boneca, na qual eu vinha a tempos pedindo e enchia as paciências  de minha mãe para que a comprasse.   
Também em outras ocasiões nas férias escolares, vinham tios e primos que moravam no Sul nos visitar. Recordo-me, uma vez que o tio Neco decidiu ir a pé a praia, que por sinal era longe, tinha de caminhar uns oito quilômetros até chegar lá. Foi tão divertido que chegou a ser cômico, somente ele  de adulto com aquela criançada toda e um monte de bugiganga, pedindo carona na estrada.
Em 1985 voltamos para SP, foi muito bom poder rever meus irmãos, mas lá ficou o grande apreço que tínhamos de meus tios e primos, e uma imensa saudade e grande gratidão pela atenção recebida por eles.

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Quando Chegamos, todos nos aguardavam numa amistosa recepção com um imenso carinho na casa que  já estava preparada e pronta para morarmos. Mais uma vez, nova escola, perdi minhas amigas, coisa que para mim não era fácil. 

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No primeiro dia de aula, estava eu fazendo a lição quando, escuto uma gritaria, mas permaneci sentada, nem me preocupei com o porque de todo alvoroço, em seguida  fui para o recreio, fiquei num canto do pátio, quando a Luci veio  falar comigo. Fizemos amizade em poucos dias. Ia quase sempre a sua casa que ficava do outro lado da rua enfrente minha casa.  Houve um dia onde vínhamos da escola, Luci apertou a campainha de uma casa, achando que ela conhecesse a pessoa fiquei parada, de repente ela saia gritando corre, corre...  Eu  sem intender, fiquei sem ação e recebi a bronca que era para ser dela.
No inicio a mãe dela me tratava muito bem, entretanto talvez  por minhas frequentes visitas a casa dela, teve um dia ao cair da tarde, ela mandou que a menina me acompanhasse até o portão, dizendo: Chega! É melhor ela ir embora! 
Então chamei Luci para me acompanhar até o farol, pois eu não tinha costume de andar só naquele horário, mas sua mãe disse: Não! Ela não vai!
Então insisti e pedi novamente. Mas sua mãe indo conosco ao portão não a deixou me acompanhar e disse: Travesse daqui mesmo! Quando ameacei de ir ao farou, ela pôs a mão em minhas costas e disse: Não, vá  por aqui mesmo, vamos atravesse!
E eu fui,  passando entre os carros, quando estava perto de alcançar os pés na calçada, um carro freio tão bruscamente em minha direção que cheguei a por minhas mãos sobre o capo, com susto, e os gritos de indignação do motorista, eu retornei de onde viera, e corri grande risco novamente. 
Ao pisar com meus pés naquela calçada, meu coração parecia que saltaria pela boca e quando vi o rosto empalidecido da Luci e coberto por suas lagrimas, vi que esta era uma amiga de verdade e que Deus pôs em meu caminho não foi em vão, quanto a este triste fato, melhor esquecê-lo!  Apesar de isso ter me prejudicado, pois fique bom tempo com medo fora do comum, de atravessar rua.
Meses depois me deparo com a mesma situação de sempre, mais uma mudança, nova casa, nova escola e sem a companhia das pessoas que de quem tanto me apegara às professoras e as amizades. Como tínhamos nos mudado quase no fim daquele ano, permaneci estudando o resto do ano naquela mesma escola. No dia em que fui sozinha ao voltar, passei batido por minha casa, fui parar no fim da rua, aquilo foi tenso, no entanto mantive a calma e pedi ajuda em uma casa onde me receberam de bom grado e me acompanharam até minha casa, que não ficara longe dali.





O fim deste ano foi muito divertido, estavam quase todos em casa, a felicidade só não foi completa porque meu irmão José e a Mary não estavam conosco, haviam se mudado para longe em outro estado.
No começo do ano comecei a estudar em uma escola perto de casa.
Eu sempre gostei de observar o céu, e neste dia estava no portão contemplando aquele lindo e admirável dia, o céu que de tão azul brilhava como uma pedra preciosa, mas como nem todo mundo entende ou tem esse tipo de atitude, uma menina que passava rua, ria muito daquela sena, e dizia num tom de gozador: O que está vendo? O disco voador?  
Neste momento só pensei em entrar para dentro de casa, fiquei muito envergonhada. Dias depois essa mesma menina  falou comigo na escola, rapidamente nos tornamos grandes amigas.  A Re morava na mesma rua que eu. Logo também conheci a Elaine que havia se mudado a pouco frente a minha, essa menina me fez tanto bem que a considero como uma irmã. Nós morávamos nos fundos e meu irmão Umberto e a minha cunhada Leila que já tinham a minha sobrinha Talita a moravam na casa da frente. Nesta época não sei se por tantas mudanças como por descuido de minha parte com os estudos, meu desempenho nos estudos estava ruim. A Elaine me ajudava, periodicamente todas as tardes nos reuníamos para estudar, isso me ajudou  muito, só que como toda a criança nos gostávamos de brincar, e justo numa tarde em que já havíamos acabado estudar, no momento em que começamos a brincar, o Umberto  viu que brincávamos e contou para a mãe que não me permitiu mais ir lá. Meses se passaram e Umberto e sua família se mudaram e a dona Naty a proprietária da casa se mudou para a casa da frente.
D. Naty era uma senhora muito legal, ela e a minha mãe fizeram amizade rapidamente, a neta dela ia com frequência visita-la, Fabiana e eu sempre brincávamos. Teve uma vez em a Re estava conosco e  a Fabiana era num tanto pouco temperamental, quando vi as duas estavam aos gritos e pediam que eu escolhesse de quem seria amiga, como eu não sei fazer escolha entre pessoas, me calei mas infelizmente os ânimos não se apascentaram  e a Re foi embora, e ficou um bom tempo sem falar comigo, isso me chateou muito pois gostava muito dela, penso que deveria ter feito algo, mas não fiz.
Aqui conto algo que acho de extrema importância, não sei se foi a imaginação de criança na época, mas tive minha primeira visão, era como se o "sexto sentido" aflorasse em mim. Em um dia chuvoso, eu e Re tínhamos retomado nossa amizade, ela estava comigo conversando no portão, mas logo teve que ir a sua casa e disse que já voltava, então decidi esperá-la em frente de casa. Olhava para o fim da rua que naquele momento era absolutamente deserta, vi algo parado na esquina. Estranhei e fixei meus olhos para ver do que se tratava, era um homem só que não  parecia humano, pois a princípio estava de costas e ao fixar meus olhos para vê-lo, ele se virou rapidamente e vinha com uma velocidade fora do comum, como se flutuasse, seria um espírito, não sei mas, para mim foi muito real! Assustei me a ponto de correr para dentro de casa.


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Na época não contei a ninguém o que vira, devido ao simples fato de alguns me chamarem de louca, por estar em tratamento psicológico para controle dos nervos.
         

      

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