terça-feira, 30 de setembro de 2014

Tempos de alegria... Tempos de sofrimento... Deus me manteve firme e é nele que confio!

CAPITULO X

FATOS CORRIDOS  2005-2008



Era um quinta feira quando comecei a trabalhar na fábrica, fiquei no setor de bombons, o que foi bom pois era o setor mais sossegado da fábrica, bem simples de se trabalhar, havia sim uma grande exigência de rapidez, mais como já disse nada complicado. 
No domingo estávamos saindo para uma daquelas caminhadas que fazíamos nas proximidades de casa. Quando eu fechava o portão no me abaixar pra puxar a alavanca de baixo, para trancá-lo, André rapidamente veio, pegou no meu braço e me levantando, eu disse: Que foi?
Deixa, eu fecho! Ele disse.
Pra que isso André? Falei.
Nada, eu só quis fechar pra você, vamos. Disse ele.
Mais tarde ele disse-me o motivo de sua ação naquela hora que saímos, disse: Raquelzinha, toma cuidado na hora em que sair, tem esses bêbados do bar ai na frente peça pra crianças fecharem o portão e não fique enrolando pra sair lá da frente de casa. 
Alice tão pequena, me impressionou ao sintetizar que o dissera seu pai, ela disse: Mãe, os bêbados olhavam pra você enquanto fechava o portão, pai pode deixar eu cuido do portão!
Que isso? Que foi? Deu um súbito ciúme em vocês! Eu sei me cuidar! E outra, André, fazia tempo que você não tinha esses ataques bobos de ciúme, ninguém olhava pra mim, isso só deve ser coisa de sua apurada imaginação, agora que estou velha vem se preocupar?
Não é ciúme! Só estou te dizendo pra ter mais cuidado com esses pervertidos do bar. Disse ele.
Eu estranhava essa e outras atitudes que vinha tendo André comigo, ciúme do meu passado ele sempre teve, mais esse tipo de atitude dele não era normal, ele vinha me cercando de cuidados como naquele tempo em que namorávamos. 
Isso me fazia sentir se lisonjeada, mais momentaneamente, porque nem sempre meu marido agia com educação pra me dizer tais coisas, era ai que surgiam algumas brigas feias entre nós.
Dias se passaram, eu e mais uma colega trabalhávamos na montagem das embalagens no inicio da esteira, quando a esteira se encheu de embalagens já abertas, onde as meninas que se encarregavam de fecha las não davam conta e esteira parou. Então algumas delas olharam fixamente para mim, não sei se me empolguei de mais, pois eram meus primeiros dias lá, foi ai que começaram a dizer coisas como: Hiiii... Contrataram baratinhas, olha só no que dá!
No dia seguinte tentei fazer meu serviço mais calmamente pra não arrumar confusão, entretanto a encarregada veio até mim e disse: Há! Ontem te admirei por tanta agilidade, agora não me decepcione vamos lá, mais rápido! 
Depois disto, surgiram sérias discussões e uma certa perseguição de uma das minhas colegas de trabalho, Luciana. De inicio eram só indiretas, tentei não dar importância ao que diziam no entanto não adiantou, as coisas só piorarão. Elas começaram a rasgar as caixas e Luciana trocou de lugar com algumas colegas só pra se aproximar de mim e com grande estupidez pegando a embalagem de minha mão sussurrou: Você não vai mais entupi essa esteira de caixa viu!  
Eu a ignorei, como faltavam só alguns minutos pra sair continuei meu serviço naturalmente, neste momento a encarregada chegou próximo a esteira a nos observar, ai as coisas se acalmaram.


                      Imagem colhida da Web, como todas as imagens deste blog.
   
                      
                                      O grande susto!!!
                           "Somente Deus para dar forças"

Ao chegar do serviço, descendo do ônibus, vi Sabrina e Alice no orelhão, elas pareciam muito assustadas e eu as chamei dizendo: O que fazem aqui essa hora?
Mãe o pai não tá bem, ele diz sentir muita dor no peito e nas costas. Disse Sabrina e Alice se explicando disse: Você não chegava, ai agente ligo pra tia Rafaela pedindo ajuda.
Corremos para casa, chegando lá vi André se contorcendo de dor, lhe perguntei o que estava havendo, ele disse: Não sei, mas está doendo tudo, ligue para o SAMU, eu não estou aguentando mais doe muito!
Nisto Rafaela chegou e eu apavorada pedi que ficasse com ele e fui ao orelhão ligar pra SAMU. Voltando eu lhes disse: Daqui quinze minutos eles chegam. 
E Rafaela surto de  nervosa, começou a gritar comigo: O que Quinze minuto, é muito, eu vou lá ligar de novo, você não sabe dizer que é urgente? Meu sobrinho pode tá morrendo, será que não vê que pode ser o coração menina?
Então eu fiquei do lado dele e perguntei: André você está nos assustando, fala pra mim onde doe?
É uma dor que vem das costas para o peito. Disse ele.
Onde a dor mais se intensifica? Perguntei.
Aqui nas costas Raquely! Ele disse.
Bom se é ai realmente que a dor é maior, pode ser os rins, lembra como eu fiquei quando tive cólica renal?
É deve ser isso! Disse ele.
Chegando Rafaela falou: Tá vendo resolvido, tem uma ambulância nas proximidades e eles iram passar daqui a pouco pra pegar ele.
Deve de ser cólica renal Rafaela! 
Eu mal terminei de falar e ela disse: Corre menina me empreste uma roupa eu vou com ele!
Nisto me veio uma angustia mais tive firmeza no falar: Não, me desculpa mais você não vai com ele, eu é que vou! Ele é meu mari...
Antes de ser seu marido é meu sobrinho! Anda, vai logo me de uma blusa por favor! Disse Rafaela.
Neste mesmo minuto a ambulância chegou, eu peguei nos abraços de André o ajudando a se levantar, dei apoio a ele até que veio o socorrista e me ajudou, na hora de entrar na ambulância ele perguntou: Tem algum acompanhante que vai com ele agora?
Ai eu e Rafaela falamos juntas ao mesmo tempo: Eu vou!
Então olhei pra ela e disse: Por favor!
Tá vai então, mais eu não vou  ficar aqui com seus filhos! Ela respondeu.
Mesmo ela tendo me dito isso, eu sei que ela não as deixaria, era mais pra me pressionar, pois sua preocupação era visível. Mas não custava que ela me entendesse, pois se tratava da vida do pai dos meus filhos, eu pensei.
No hospital se confirmou que se tratara de cólica renal, foram dias de grande sofrimento  meu marido vinha e voltava do médico quase que todos os dias, com dores horrendas por causa dessa cólica que só passava enquanto ele estava no soro com os medicamentos no hospital.


                                 Imagem colhida da Web, como todas as imagens deste blog.
    
Estes dias foram de exaustão, acordava no meio da noite vendo o sofrimento de meu marido e não podia fazer nada, a não ser lhe dar o remédio e pedir a Deus que acabasse com todo seu tormento. Passava por toda essa triste condição em minha vida, com tortuosas perseguições no meu serviço, por pessoas que nem se quer me conheciam, tudo por uma bobagem, destruíam com meu trabalho e me insultavam quase constantemente, com tudo isso acontecendo e eu indo trabalhar em desespero, enquanto meu Marido saia numa ambulância para o hospital, eu o via ir só e não pudia acompanha-lo, mais eu tinha que recuperar as forças e ir ao ponto de ônibus pra ir a mais um dia de trabalho.



                                           "vídeo do colhido youtube."                                      
        
No entrar no ônibus da firma e me sentei no banco mais afastado possível de todos,  em uma parada entrou uma amiga que quase sempre sentava ao meu lado e puxa assunto, no me ver lá atras ela veio ao meu encontro e disse: Que foi? Não fique assim, diz pra mim o que ou quem te deixou desta maneira?
Desculpa, mas hoje não da pra te ser uma boa companhia. Eu disse.
Então ela me abraçou e disse: Você sabe que gosto muito de você, já me sinto sua amiga, mesmo sendo pouco o tempo que a conheço,
pode contar comigo tá!
Meu marido, está doente, agora mesmo ele está indo numa ambulância pra o hospital e eu aqui! Eu disse.
Calma, tudo isso vai passar confia no senhor, Deus bom, ore que ele fara sua obra! Ela disse.
Eu confio, mais tudo está sendo difícil de mais pra mim! Respondi e continuei a falar: Sabe, como se não bastasse isso tudo, lá na minha sessão, tem algumas moças que insistem em rasgar as embalagens que monto, dizendo pra ir mais devagar e quando faço isso, vem a encarregada me chamar atenção, não sei mais o que fazer!  
Faça o que a encarregada manda e não o que essas preguiçosas querem! Disse ela!
Falávamos tudo isso, sem notar que mais ao fundo do ônibus estavam dois encarregados e um deles era a encarregada do meu setor. Um pouco antes do almoço, eu passei mal e fui parar na enfermaria da firma estava com a pressão baixa e o médico disse: Você não dormiu bem essa noite, não é mesmo?
Sim, mais é porque meu marido está doente, não fui pra gandaia! Falei para me justificar.
Passado mais alguns dias, André se recuperava aos poucos retornou ao seu trabalho e nossa vida voltava ao normal. No serviço a encarregada me tiro da esteira e me pôs na maquina de embrulhar os bombons, quanto as que me perseguiam, pararam, antes mesmo de ocorrer essa mudança e Luciana do nada me pediu desculpa.
A Jack que olhava as crianças pra mim, não pode mais me ajudar, pois seu  horário na fabrica já não era mais compatível pra me ajudar. Mais ela me indicou uma amiga sua pra ficar com meu filhos. Passado os três meses de contrato, não fui manda embora renovaram meu contrato, onde me deu grande esperança de se efetivar.
  
                             O mundo...  Suas armadilhas e  
                             o inimigo a espreita de um erro                                                                 para destruição!!! 


O dia de assinar a renovação do contrato, com muita alegria eu e mais umas amigas enfrentávamos aquela imensa fila,  não sei porque uma delas me olhava estranho, agia de forma indiferente comigo. Ela chegou a sair da fila de onde estávamos pra ir la trás onde estava a namorada do novo encarregado do setor.
Quando eu entrei na sala pra assinar o contrato ouvi, "...é to vendo, dessa vez fizeram ótimas escolhas."
Sai de lá com a cabeça fervendo, e pensei, meu Deus será que não vou ter paz, pois havia me lembrado de um outro dia no vestiário a mesma menina que estava me estranhando junto a namorada do novo encarregado, olhavam pra mim e diziam... "é essa? Ridícula! ..."é então!..." "ele vai ver só uma coisa!..." 
Não pensem que as coisas que vão ser ditas daqui em diante me são positivas ou de bom grado, pois não são, na minha concepção tudo não passou de uma ousadia do Diabo para transgredir meus caminhos perante Deus. 
Dias antes a este, aconteceram coisas que jamais pensei que fossem acontecer, ainda mais comigo. Numas daquelas discussões da esteira, eu estava tão desesperada por tal perseguição que as lágrimas ensopavam minha mascara de proteção. Até que veio um moço que trabalhava em uma mesa ao nosso lado e disse: Po gente, pra que tanta ignorância? Não precisa disso tudo não!
Então ele começou pegar as caixas que caíram no chão e eu disse a ele: Não precisa, pode deixar eu pego, muito obrigada!
E uma das funcionarias da esteira disse: Caramba Silvio, você não perde tempo mesmo!
Luciana ria e uma das colegas dela disse: Sai pra lá cara, não vem se entrometer onde não foi chamado! Tá atrás de coroa agora é?
Todos deram rizada! E o tal de Silvio que veio me ajudar também rio e saiu meio sem graça de la. Dois dias após isso, no momento em que mudei de local e fui embrulhar os bombons  este mesmo moço veio até a caixa de onde eu pegava aos bombons e começou a embrulhá-los também. 
Ele puxou assunto, conversei umas poucas palavras com ele, assim que a caixa de bombons para embrulhar se esgotou ele saiu, voltando trouxe outra caixa cheia e foi para mesa dele onde soltava os bombons das formas. Passado mais alguns dias e eu estava, cortando as cerejas do recheio dos bombons em um canto ensolado do setor, quando escultei os sussurros da conversa de dois funcionários que estavam numa maquina próximo a porta, diziam coisas de mim que é melhor eu nem cita-las aqui de tão depravadas que são, eu olhei pra trás e eles disfarçaram fingindo trabalhar, quando voltei a atenção para meu serviço, chegou aquele moço, o Silvio, e o encarregado que mandou um dos caras da maquina pra um outro lugar, e o Silvio disse para o que ficou:  Não meche com ela, deixa a mulher trabalhar cara!
E logo ouvi risos, passado uns minutos o Silvio  me perguntou: Quer ajuda ai? 
Não precisa não, muito obrigada! Respondi.
Num outro dia no refeitório eu tomava café, estava só na mesa, quando, o tal de Silvio sentou na cadeira da frente, sorriu  e me disse: Oi! Bom dia moça!
Não sei o que me deu, mais eu vi nos olhos daquele menino que suas intenções não eram de amizade, fiquei muito, mais muito envergonhada, mal lhe respondi o bom dia, praticamente engoli o café que tomava e sai da mesa.
Na hora em que eu estava na sessão uma de minhas amigas me disse: Raquely, o Silvio é uma grande picareta, não caia no papo dele, pois eu já cai, eu era namorada desse sacana e ele tinha mais uma namorada na vila onde ele mora. 
Eu sou casada e  amo  meu marido, quanto esse moleque é uma criança, é um sem noção mesmo! Eu disse sorrindo pra ela e continuei falando: Mas ele me parece ser um menino bacana, deve ser zueira dele, não se preocupe. 
Na mesma hora em que essa menina saiu de perto,  veio novamente esse tal de Silvio limpando a maquina do lado e começou a contar um monte de piadinhas, cada bobeira, que acabei rindo, onde ele pode ter me interpretado errado, ele abriu o sorriso, se aproximando de mim disse: Tá feliz hoje né!
Eu me afastei e falei: Menino o que você faz aqui, vá procurar gente de sua idade, eu não sou companhia pra você, vá trabalhar e me deixa fazer meu serviço vai! 
Nisto ele ficou uns segundos me olhando e saiu, pensei: Meu Deus, o que está havendo com estes homens? Eu não sou uma vagabunda, sou casada e outra o que viram em mim? Porque isso está acontecendo comigo agora? Se quando eu era nova nem cantadas recebia.   
Num dia em que saia tarde do serviço, haviam vários ônibus fretados parados na saída a espera dos funcionários, em nenhum deles tinha descrito a informação de destino, me dirigi ao ônibus em estava estacionado no lugar de costume do qual eu pegava, pois havia visto uma de minhas colegas que pega o mesmo ônibus entrar nele. No entanto quando ia sentando me vi que não havia mais ninguém que conhecesse por ali, perguntei ao motorista ele disse não ser esse que eu deveria pegar,  minha colega vendo isso se levantou e saindo comigo disse: Meu Deus se não fosse você teria pego o ônibus errado e agora onde está o que devemos pegar? 
Ela se virou para o motorista lhe pedindo mais informações e eu descendo as escadas distraída quando pus os pés no chão me virei pra ela no intuito de ouvir as informações que passava o motorista e quando ela desceu dei dois passos pra trás lhe dando passagem, acabei dando um pisão nos pés de alguém, sem nem mesmo olhar em seu rosto eu disse: Nossa perdão!...
Ele respondeu com uma voz grave: Hum!... Não foi nada, não se preocupe!
Desculpa moço! Eu falei indo ao ônibus de trás no qual era o que deveria pegar.
Estando a caminho de casa conversei com essa amiga que falava, o quanto era difícil o serviço do seu setor e eu disse a entender pois já havia ficado dois dias trabalhando lá, quando o serviço do meu setor estava ocioso. Aquele setor o das bolachas, era o mais difícil de se trabalhar e o mais cobrado. Todos os setores eram explorados de forma indevida, mas este em especial os funcionários ultrapassavam os limites, era sub-humano a forma em que eram tratados.
Nestes dois dias em tive lá era plantão da noite, trabalhei das vinte horas ás sete da manhã, cheguei lá bem na hora em que o gerente e os encarregados param as maquinas e a todos funcionários, não para nos dar incetivo e sim grande sermão humilhante, diziam: O que acontece com vocês? Por que o pedido é para daqui três dias, se não dermos conta o comprador cancelara conosco! Vamos parar de moleza! Que preguiça é essa pessoal? Se isso acontecer vou demiti los, estão me entendendo? Se não precisam de seus empregos, tem muitos lá fora a espera de suas vagas! Agora as maquinas vão ser ligadas, conversas paralelas estão proibidas, banheiro só quando for realmente necessário! 
Neste momento tomei grande susto aumentaram a velocidade daquelas esteiras em triplo ao que era de costume. Mesmo tendo conseguido fazer meu serviço, custosamente passei aquelas dez horas ali, chegando a passar mal calada por alguns instantes. No sair pela manhã, fui até o refeitório ver se tomava um cafezinho que as atendentes me negaram dizendo ser só para o turno da manhã, mas ao me verem sair me chamarão, dizendo: Ei volta aqui, você está muito pálida, está se senti bem?  Nos vamos te dar o café mais vá a enfermaria!
Não eu to bem obrigada! Eu lhes disse indo embora. 
Nesta mesma noite cheguei a presenciar gente saindo para enfermaria passando mal e uma mulher minutos antes eu a vi sendo enxovalhada de insultos em oculto, bem do meu lado, após pedir a sua encarrega pra sai, com pedido negado, em segundos ela chegou cair no chão por desmaio. 
Dias após essa confusão dos ônibus, estava eu no meu setor embrulhando os bombons a mão, percebi que estava sendo elogiada pelos encarregados por tal agilidade, isso me dava esperança de se efetivar, mas infelizmente não fui.
Logo me coloram pra limpar as maquinas do setor, e lá estava eu fazendo meu serviço quando escutei aquela mesma voz grave, era o cara do ônibus novamente o novo encarregado no qual eu nem havia tomado conhecimento ainda até vê-lo me dizer com uma voz mansa pegando em minha mão: Cuidado, vai se machucar, vá com calma!
Seu olhar era estranho, não gostei da forma com que ele me olhava. Então lembrei de sua namorada, a qual junto com uma colega minha, olhavam pra mim naquele dia me chamando de ridícula. Bom, pelo menos eu já tinha uma ideia do porque, seria julgada injustamente, por um capricho, uma idiota desconfiança de mim, tudo aquilo não tinha razão nenhuma de ser, era um imbecil assedio não correspondido e então perderia meu emprego. Ela, a namorada do novo encarregado do setor em que eu trabalhava, também fazia parte da equipe dos que comandavam os setores então! 
Passado um mês Rafaela, que já trabalhava um bom tempo também na fábrica, quase sempre pegava o ônibus comigo, numa tarde  em que estávamos de folga, fui em sua casa, conversávamos sobre o que ela estava achando do seu serviço e ela demostrava estar muito contente com seu trabalho. Ai então surgiu uma pergunta inesperada dela que disse: Você que está bem lá, já até renovou seu contrato! E aqueles moleques pararão de te encher?
Eles pareciam nem lembrar de mim, mas ontem aconteceu do encarregado e eles ficarem parados vendo as meninas que mexiam o caldeirão da calda, em seguida fizeram algo que sinceramente achei ridículo passaram a calda para os baldes, que colocaram no centro da sessão e fizeram as coitadas ficarem mexendo a calda ali, como se isso não bastasse o encarregado veio até mim dizendo ser necessário que eu as ajudasse a esfriar a calda. Precisava de ver dava vontade de largar tudo e ir embora.
Mas o que você vê de errado nisto? Perguntou Rafaela.
Rafaela, além de ficarmos de mau jeito, aqueles pervertidos nem trabalhavam direito, quase toda hora tinha um ou dois parando por perto e olhado pra gente. Que falta de bom senso, né? Ainda mais sendo de um cara que comanda uma sessão, cade a ética?
Um bando de palhaço! Você devia era cair na rizada! Disse Rafaela.
Esse homem desde que entrou no setor, ele e seu amigo o Silvio não param de aprontar, percebo também que há uma certa perseguição das meninas do setor das bolachas, toda vez que passam perto de mim ou me olham feio ou me insultam, falando alguma bobagem.
Você deve estar imaginando coisas, só porque a encarrega de lá é namorada daquele pilantra do seu encarregado. Ela não faria isso Raquely, ela me parece ser um pessoa bem legal! Disse Rafaela.
Ocorridos uns quinze dias,  a Jack que pegava o ônibus da firma comigo,  me disse: Oi Raquely! 
Oi você por aqui? Perguntei.
É eu mudei de horário, agora agente pode jogar conversa fora do jeito que esse ônibus está lerdo!
Então rimos, pois  bem na hora que ela disse isso o ônibus quebrou, então descemos e seguimos a pé para o serviço.
No caminho a Jack me alertou sobre em quem confiar na hora de dizer as coisas. Achei que ela exagerava um pouco e ela me falou:
Raquely, você confia demais nas pessoas, sabe aquele tempo em que estive em sua casa cuidando de seus filhos, eu vi que seu marido estava estranho com você, notei que ele desconfiava de tudo, lembra quando você reclamou que nem a pasta dental ele queria que você levasse para o serviço? 
Sim, eu achei um absurdo, pois eu ia ficar sem escovar meus dentes o dia todo, não sei o porque de tanta ignorância. Eu falei.
Ele e a Rafaela conversavam uns dias antes disso, quando eu chegava na sua casa e os dois mudaram de assunto rapidamente. Eu notei que ele está meio alterado com você, está se irritando muito fácil não é? Disse Jack.
Eu já pensei de lhe contar o que acontece na  firma, mas tenho receio de que ele peça para mim sair do meu emprego. Respondi.
Mais você não me disse que sempre contou tudo a ele, que te ouviu calmamente nem se irritou, por ao contrario riu. Então conte logo tudo a ele Raquely. Disse ela. 
Chegando em casa eu contei tudo ao meu marido, temendo que ele viesse a duvidar de mim futuramente no saber pelos outros e não por mim do que ocorrera no meu serviço. Ele como sempre mostrou se calmo, mas a partir do momento em que lhe contava os últimos fatos em seguida me encheu de perguntas, como: Porque não me contou antes? Você sabe que eu não gosto que me esconda nada, eles estão mexendo com você  lá fora né?...
Não! Mas foi só isso não passou destas bobagens e você me conhece né! Sabe como sou! Respondi.
Pela forma como ele me questionou mesmo estando tranquilo, notei que minha amiga tinha razão.
Naquela mesma semana o pessoal da firma organizava uma festa, como procuravam o local ainda e minha amiga conversando isso comigo, eu dei  a tola ideia de fazer em minha casa. Quando digo tola ideia, é porque foi tola mesmo. Imagine, uma casa por mais que espaçosa com uma área ampla no quintal, não é a mesma coisa que uma chaçará alugada, onde tem sua devida segurança. Foi terrível, compraram engradados e engradados de bebidas, veio exatamente todos que estavam na lista. Era vômitos pra todo o canto, queimaram o rádio de Rafaela o pondo em uma tomada de 220 volts. E o fim já podem imaginar né, um a tremenda dor de cabeça, além brigas, roubaram o tênis de uma colega que havia o deixado dentro de meu quarto. Minha casa no fim do dia parecia um lixão.
Uma semana depois e ainda tive aborrecimento com a tal festa, a menina do tênis quis que eu a desse outro tênis novo, Rafaela me acusava de negligente e me pedia seu rádio em perfeito estado, brava comigo, fechou a cara bom tempo pra mim.
Dias depois, eu estava no ônibus indo trabalhar, quando Rafaela passou reto por mim me ignorando, ela  veio até o fundo do ônibus onde estávamos eu e uma colega, então rindo muito disse ao um moço que zoava com ela: Da pra parar! Me entrega aqui o boné dele! 
De repente ela se zangou com o cara e os dois tiveram uma leve discussão. Assim que ela voltou ao seu assento, uma de suas amigas que estavam, lá no fundo olhou para o cara e sussurrando disse: Não liga! Essa dai deve estar na menopausa, velha chata meu! 
Pensei: Meu Deus, essa mesma menina, a beijava e a chamava de tia querida ontem! Rafaela não foi estupida nenhum minuto se quer com ninguém, pro contrario, quem usou da ignorância foi o cara que a chamou de entrometida e outras coisas piores. Me doeu vê-la sendo tratada daquela forma.
Na volta pra casa, o ônibus estava quase vazio, me sentei nos assentos do meio. Cansada, sabendo que a viagem até em casa ia demorar assim que o ônibus começou a sair, pensei em me deitar nos bancos, passados alguns minutos em que estava deitada, escuto a voz dos homens que estavam lá no fundo do ônibus, dizer: Olha lá! Deve ser porque você tá aqui, ser encarregado é bom né cara!
Me sentei rapidamente, encolhendo me na poltrona da janela, fiquei muito nervosa, de tão chateada pedia a Deus que me livrasse de tal sórdida maledicência! 
Dias se passaram, atrasada, eu corria para alcançar o ônibus da firma, no alcança lo entrando me sentei num outro lugar que não era de costume e logo o ônibus parou, subiram Rafaela e umas moças. Rafaela como sempre cumprimentava a todos e fazia suas bricadeiras, onde muitos riam e uma das moças entrou na brincadeira, dizendo: Ai cabeção! Da pra parar de zuar e sentar logo?
Que foi cabeção? Tá com medo, quer que eu conte o que você fez ontem? Disse Rafaela pra moça.
Não precisa sua songamonga, eu já contei! Disse a moça.
Elas e as outras pessoas que estavam lá nos bancos da frente, cairão na rizada, Rafaela rindo muito, disse: Eu songamonga? Nãooo... Senhora, cade a Raquely? Ela que tem esse titulo, a minha sobrinha, aquela mole, nem se quer lembrar de trazer sua marmita ela lembra. Você viu ontem quando... 
De repente ela parou de falar, uma das pessoas que estavam próximas a ela deve ter a alertado de minha presença no ônibus. Passado uns segundos, ela disse: Chiii... Mais não é? Eu só estou falando a verdade!
Em seguida se fez o silêncio e ninguém a mais tocou no assunto! Pensei: Senhor, o que eu fiz pra merecer tanto desprezo! É, bem que a Jack me disse, confiança merece quem nos ama verdadeiramente, nos respeita acima de tudo, e a Jack era uma amiga querida, mal a conhecia e ela mais parecia um anjo, que Deus pos na minha vida, ela quem me socorreu quando precisei de alguém que ficasse com as crianças para trabalhar, ela, quem  me defendeu das maldades que me acusaram após aquela festa estupida, até gastou seu dinheiro pagando dividas que diziam ser minhas, sendo que eu não devia nada a ninguém. Mais Rafaela, pra mim é como uma criança, ela faz suas brincadeiras, faz suas birras de vez em quando, fica de mal, fica de bem, e depois nos diz nos amar incondicionalmente e é nesta Rafaela que eu prefiro acreditar! Pois a amo de todo meu coração, sei que ela nos ama, do seu jeito e verdadeiramente. Eu também errei, ao dizer coisas no calor do momento, coisas, de que me envergonho profundamente, por isso peço que não juguem! Eu a conheço, sei que em seu coração habita grande bondade e somente Deus é  o único ser que pode nos jugar, lembrem disto! 
Era uma quinta feira, Rafaela já havia se esquecido de seu aborrecimento comigo, tudo corria bem, até o momento em que a vi saindo de seu setor e sua feição não estava nada boa, eu a cumprimentei, mas ela cabisbaixa, tristemente saiu sem me notar. No chegar em casa fiquei sabendo que em uma boba discussão com suas colegas, Rafaela, injustamente foi demitida.  
Semanas depois,  na hora em que saia da sessão, passando o cartão de presença, escutei: "Serio!..."  "É cara, vou ter que mandar essa... embora, tentei convencer os outros de deixa-la, mas não deu!"
Bom eu não gostei do que ouvi, pra me certificar de que não era de mim que falavam olhei discretamente em minha volta, não havia mais ninguém além de mim e a uma demasiada distancia no portão da sessão estavam dois homens, o encarregado e um funcionário de outro setor. Como quase sempre o encarregado estando por perto, eu o ouvia dizer a tal vergonhosa palavra e por considera-la desagradável demais e fútil, eu a ocultei dessa frase (essa...), pensei: É, só pode ser eu!       
E o que eu já os contei que vinha desconfiando aconteceu, em uma semana houve um grande corte de funcionários onde eu estava incluída, assim perdi meu emprego.
André começava a se estabilizava na sua nova profissão, professor, nossa situação melhorava gradativamente e em seguidos seis meses se normalizou, onde nosso poder aquisitivo aumentou, assim nos possibilitando uma vida um pouco mais confortável com relação ao que vivíamos anteriormente. No entanto, ao mesmo tempo, num fim de semana, numa inesperada ligação do locatário da casa recebi a triste noticia de que deveríamos a desocupar em dois meses, onde se iniciou uma implacável busca por uma casa nas redondezas de onde morávamos, ao vermos as casas que estavam para alugar,  André, vinha agindo de forma sistemática e quase sempre discutíamos, não entravamos em concordância quanto nossa nova moradia e se tornava cada vez mais difícil permanecermos na mesma cidade, até o momento em que vi que aquela mesma faixa de locação posta a três meses em frente a uma chácara, lembro-me desde a primeira vista através de uma pequena fresta no seu portão e de todo meu encantamento por aquela casa e por seu espaço, era tudo tão perfeito e grandioso que não cabia nos meus sonhos, pensava eu, pois acreditava ser muito caro o valor de sua locação.
Rafaela, também se mudou, foi para um outro município, onde nos distanciamos e raramente nos víamos. Novamente, me sentia um pouco mais solitária, mas essa solidão não durou muito tempo, Jack, que já mantinha uma bela amizade comigo se tornou uma amiga irmã inseparável. E foi ela quem me ajudou a falar com o caseiro da xácara, que me passou algumas informações da imobiliária e sobre a locação. 
O valor do aluguel era relativamente alto, mas eu na época quando gostava muito de algo, era persistente, como tal lutava com toda minha garra e força para alcançar meus objetivos, tinha um bom poder de persuasão, ao me comunicar usava de todo meus dons de negociante, com simpatia e confiança quebrava meus obstáculos obstinadamente até obter exito. Obstáculos estes que foram diversos, alguns parentes que eram contra, diziam, achar um passo muito alto para pernas curtas, acreditavam que quebraríamos a cara ao alugá-la. Precisávamos de fiador, procurei entre os mesmos que obviamente se negaram, entretanto, eu em minha persistência pelejei irrefutavelmente a busca de fiador e quando tudo parecia perdido, em uma conversa com os tios de André, Maria e Laerte, se comovendo com meu pedido onde lhes mostrava com firmeza todas minhas convicções assim lhes passando confiança se proporão a nos ajudar contando com o relativo abate no valor do aluguel.


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Uma linda casa! Muita alegria, fartura, prosperidade... 
E um sentimento de que algo me fazia muita falta! 
Mas o que seria?



No retornar a chácara com a corretora da imobiliária, ao ver toda aquela linda paisagem em volto a casa fiquei mais fascinada do que antes, de lá se avistava as belas chácaras vizinhas, onde se via muitas ovelhas pastando, cavalos, plantações, como também ouvimos o pitar do trem cargueiro que passava frente a chácara, era tudo muito lindo de se ver. A chácara e seus amplos espaços tinham em conjunto com suas dependências uma enorme área, um galpão com churrasqueira, fogão a lenha, forno a lenha, duas grandes mesas de madeira com bancos, pia, banheiro, era um verdadeiro salão de festa. No termino, negociando o preço com a corretora que foi muito simpática me disse: Não se preocupe, eu comunicarei aos donos sobre sua oferta e tenho certeza de que concordaram, a casa já é sua! Só aguarde minha ligação!  
No dia seguinte recebi o comunicado da imobiliária de que os donos haviam aceitado minha proposta, bastava resolver as papeladas do contrato de locação que a chave da casa me seria entregue. Com muita alegria corri para contar a André essa novidade, que ficou meio receoso, mas contente pela aprovação de minha proposta dada aos locatários, aos poucos aceitava o fato, pois eu não iria desistir.
No fim de semana após assinarmos o contrato, nós nos mudamos para nossa nova e maravilhosa casa, posso dizer aqui que mesmo com todos os contra tempos e com os indícios de depressão se intensificando cada vez mais em minha vida naquela época, essa foi casa que mais gostei de morar!       



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Tudo ali era lindo, não sentia falta de nada, eu acordava sedo fazia o serviço de casa, passeava com os cachorros no finalzinho da tarde, pois André havia comprado um boxer, o que nosso vira-lata não gostou nem um pouco, então para que não brigassem nós deixávamos os dois presos, então a tarde íamos andar pela chácara. As crianças a principio gostaram muito, no entanto ao notarem a distancia da escola e de seus colegas de nossa casa, ai começaram as varias reclamações deles, mas eu dizia a eles, que tinham de se conformar pois não havia mais volta, essa era nossa casa e pronto, agora quanto a distancia da escola não teria problema algum, logo eu os cadastraria no ônibus escolar publico.  Isso foi bom por um lado, porque não tinha mais preocupação com meus filhos brincando na rua, quando morávamos na outra casa Antony só queria  brincar na rua com a molecada, as vezes já era noite e ele  não voltava, lá tinha eu que procurar pelo guri espoleta que sumia. 
No fim de semana ou nós íamos a casa de meus sogros ou eles vim com meu cunhado nos visitar quase sempre. Só que agora era tudo numa harmonia fraternal, também visitava meus irmãos com mais frequência e alguns deles até iam nos visitar o que me deixava extremamente feliz. E minha mãe pelo menos um vez no mês passava uns dias comigo em casa, era muito bom tê-la por perto. 
Passado alguns meses, André fez amizade com o caseiro da casa vizinha que morava lá com sua mulher e filha, em seguida fomos todos apresentados e num fim de semana nos reunimos para um churrasco em sua casa, foi legal, eles eram muito simpáticos, bem legais mesmo. Eles também foram a nossa casa umas poucas vezes, nos reuníamos pra jogar conversa fora na companhia das belas pizzas da pizzaria local e ouvíamos musica, eles tinham mesmo o gosto musical nosso. 
Com decorrer do tempo as crianças se habituaram um pouco mais com a nova casa. Numa tarde em que minha mãe estava em casa, nos passeávamos com os cachorros quando um deles avançou em uma das ovelhas do vizinho, foi um corre-corre tremendo, até que o caseiro veio e nos ajudou a libertar com vida a pobre da ovelha. O que foi mais um inconveniente pra nós que tínhamos de nos manter mais em alerta, pois as ovelhas passaram a pastar na nossa chácara com consentimento de meu marido.
Houve um fato que ocorreu neste mesmo tempo meus cachorros sempre que escapavam ficavam esbravejando a cerca com os cães do vizinho, o dono das ovelhas, e numa destas vezes, Boby, o vira-lata foi literalmente puxado pelos enorme cães para o outro lado da cerca, se não fosse por André que estava lá neste exato momento, tudo teria sido muito horrível, pois eu fiquei sem ação, só gritei o nome de meu marido pedindo lhe ajuda e as crianças berraram o tempo todo de assustadas, mais felizmente tudo acabou bem, quando André corajosamente assustou aqueles enormes cães ferozes com um pedaço de tronco de arvore, ele chamou o Boby, que se levantou atordoado e cheio de ferimentos e se aproximando da cerca André o pegou, assim salvando o pobre animal. 
Relato esse fato pois acredito que aqui começou alguns indícios de minhas preocupações exageradas, toda vez que eu ficava só em casa dificilmente saia pra fora de casa, morria de medo que aquelas verdadeiras feras, os cães do vizinho passassem a cerca  para nosso lado. E meus filhos então? Nem se fala, meu pavor era tal que não deixava que eles fossem sós até o portão, sempre que iam para lá a espera do ônibus escolar, eu os acompanhava com um pedaço de madeira em minhas mãos, temendo que os cães fossem nos atacar, na volta era a mesma coisa, eu ficava observando da janela assim que via o ônibus, descia toda aquela enorme ladeira até o portão armada  com algo pra nos proteger.  
Mesmo que nosso simpático vizinho tenha nos dito que não havia com que se preocupar pois eles eram bem doceis e só teria perigo se algum invasor adentrasse em seu quintal sem sua presença, meu medo era tão grande que demorei pra acreditar, com tempo fui me acostumando até que passei a ter um pouco de confiança e as coisas se normalizaram. Mas a questão do "medo" vinha crescendo inevitavelmente em mim, a imaginação quanto a que algo de ruim poderia vir a acontecer se tornava dia a dia mais fértil. Principalmente ao assistir noticiários horrendos no qual se tornava cada vez mais comum nas emissoras de televisão. Em alguns instantes tinha medo de ficar só em casa, sentia uma grande angustia por algumas outras vezes quando André demorava a chegar em casa...   
A partir deste momento vou lhes contar tudo o que penso eu, ser provações divinas, com tentações e emboscadas armadas pelo o inimigo, "o Diabo" . Mas não somente isso, tento aqui mostrar como minha mente já estava se embaralhando entre o que era verdadeiramente real com irreal. E muitas senas como essa que os direi agora irão se repetir com frequência ao longo nos textos. Eu estranhava, mas minha audição parecia estar mais apurada, sentia que podia ouvir o que as pessoas diziam a metros de distancia. Essa "confusão mental" muitas vezes me punham contra as pessoas que eu mais amo.  
Passado alguns meses, estava no mercado fazendo compras e André que ficou de ir me buscar não havia chegado anida. Eu escolhia entre um produto e outro, quando se aproximou de mim um funcionário, ele parecia me olhar, aquilo me incomodou, então peguei qualquer marca de margarina sem nem mesmo verificar o seu valor e sai. No passar pelo setor de hortefruti e pedir para pesarem alguns legumes, senti que mesmo homem estava por perto e me olhava, no pegar as coisas já pesada, empurrando o carinho de compras indo mais adiante escultei dizerem em meio a risos: Nossa, você viu o que eu vi?... É boa né!
Então eu sai rapidamente dali e pensei: Meu Deus, minhas roupas não são escandalosas, o que eu fiz pra que esses desocupados, virem a dizer tal coisa de mim. Bom, pode não ter sido comigo... É devo estar louca mesmo, quem iria olhar pra mim? Se nem quando nova isso me acontecia agora então?... Há deixa pra lá...
Virando para um outro corredor me encontrei com André, que mal me cumprimentou e já fusava nas coisas que estavam no carrinho e o bendito pegou justo a droga da margarina, dizendo: Eu vi uma mais barata lá, porque pegou desta marca se você nem gosta dela? 
Há, tá bom, então vamos lá trocar! Eu disse.
Assim que terminamos de fazer as compras, passamos na casa de Selma para pegar as crianças e fomos para casa.
Numa manhã de sexta-feira que antecedia as ferias escolares, eu lavava a varanda da casa, quando escultei o pitar do trem, parei e comecei a observar sua passagem, olhado em volta admirei toda aquela paisagem que avistava, dizendo: Meu Deus como tudo aqui é verdadeiramente lindo, como gosto deste lugar.
Retornei a lavar o chão no passar pra o próximo corredor no qual  a imensa avaranda fazia um éle, percebi que meus vizinhos faziam uma churrascada onde tinham alguns convidados, pois além de escultar toda aquela falação, no passar para outro corredor avistei o caseiro vindo com as ovelhas que pastavam no terreno de minha chácara. No terminar meu serviço, chamei Sabrina pra me ajudar como os pratos dos cachorros, quando escultei gritos e choro, corri para ver o que acontecia, chegando a porta vi que Alice e Sabrina brigavam, elas se estapeavam, dei um chacoalhão nelas dizendo: Parem já com isso! Suas meninas suas  destrambelhadas!
Mãe foi ela que começo me chamado de preguiçosa! Disse Sabrina.
Mentira! Disse Alice que se explicando continuou a falar: Mãe, eu só falei que ela não fez nada hoje! Eu limpei o chão do nosso quarto, lavei a louça do café e você sua...
E Sabrina começou a puxar os cabelos de Alice.
Para menina! Eu falei, tirando suas mãos do cabelo de Alice que chorava.
Em seguida consegui acalma-las, com uma tarefa bem maior a que eu tinha pedido antes, tarefa essa que teriam de passar juntas a tarde toda dobrando as roupas de seu guarda-roupa e não podiam brigar, pois se não eu lhes passaria uma outra bem mais complicada e demorada. Ao retornar para varanda percebi que o vizinho e mais uns de seus convidados estavam parados olhando para minha casa, pensei: Meu Deus que vergonha! Devem ter escultado tudo!
No servir a ração pra os cães, caminhando em direção ao galpão que se emendava a varanda, percebi que o vizinho também anda em direção aos fundos de sua propriedade onde tinha um pequeno portão para meu terreno, então ele me chamou, eu indo próximo ao portãozinho para ouvi-lo ele disse: Bom dia? O André está? 
Bom dia! Não, mais a tarde por volta das três horas ele chega. Eu Respondi.
Por favor, diga a ele que preciso fala com ele. Disse o vizinho.
Tudo bem, eu o avisarei! Respondi.
E ele com um sorriso, disse: Obrigado!
Passado uns minutos, eu saia em direção ao galpão com um montante de roupas na mão quando esculto vozes que pareciam ser vindas do vizinho: "E é linda, a pobrezinha, confinada neste fim de mundo!"... "Como pode, que desperdício!"... 
Não me perguntem se isso foi ou não real, pois eu não sei, estava muito longe deles, mas que eu escultei claramente, há, isso, eu escultei! No momento me senti, a gata, pois a muito tempo não recebia elogios tão educados e com tanta sutileza. Mas de uma coisa eu não concordava, "desperdiço" por que? Eu amava o lugar de onde morava e era feliz com minha vida e marido.

                                          "De vaidade em vaidade sem a luz de Cristo tudo é vaidade!"    


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No anoitecer, após tomar banho, penteava os cabelos, então parei e olhando fixamente para o espelho me veio um pensamento: Que feia! Não a nada aqui que me agrada, o que realmente viram em mim? Bom, pelo menos estou envelhecendo com saudê, não engordei, mas por outro lado sou só osso, como diz André, estou muito magra mesmo, preciso me cuidar se não perderei meu marido.
Aqui começa a minha saga em busca de uma beleza que sinceramente não existia, fui pelo caminho dos cosméticos, em busca de cremes anti idade, que bobagem, nada para o tempo! Entretanto algo de positivo surgia, eu passei a me preocupar com minha alimentação. A medida que os meses passavam, sentia que meu corpo mudava e pra melhor, já não estava tão magra.
Num fim de semana que antecedia a volta as aulas das crianças e o serviço de André, estamos na casa de Selma e Paulinho nos chamou  pra irmos com ele ao centro da cidade ele queria comprar uns DVDs. No chegar a banca, de DVDs piratas obviamente mais baratos que os originas, paramos ali e compramos. A simpatia  com que nos trataram os vendedores foi tanta, assim como nossa confiança, que nos tornamos cliente fieis. Nós seguíamos o caminho de volta, André soltou minha mão por uns instantes pra ver um dos DVDs, eu estava com pressa de chegar, deixei os dois e continuei caminho, quando Paulinho disse: Hei Raquely, calma ai espera a gente, pra que tanta pressa!
E eu me virei pra eles e disse: Pra que olham isso aqui na rua? Se já estamos perto de casa.
Nisto eles comeram a caminhar, ventava muito parecia que ia cair mais uma chuva, então eu parei puxando meu casaco para frente e André do nada me puxou e me abraçou dizendo: Para vai, vamos andar todos juntos!
E Paulinho Olhou para nós dois e disse algo que me deixou sem graça, disse ele: Caraca André, você viu o cara, não tirou os olhos da Raquely!
E André dando um sorriso me apertou com seus braços. Eu vi o homem realmente percebi que ele olhava pra mim, por isso mesmo eu esperei meu marido, pra que não se chateasse comigo. 
Neste mesmo fim de semana houve uma festa era aniversario da Jack, filha de Cristina prima de André, fazia tempo que eu não os via e Viviana mãe de Cristina disse: Nossa Raquely você mudou em?
Para melhor ou pior? Perguntei a ela.
Filha, você está muito bem, deu uma engordadinha né! Disse Viviana, que anos antes sempre me punha pra baixo vendo meus defeitos e fazia questão de cita-los em alto e bom som, agora me elogiava com muito carinho.
Passados uns minutos, notei que Cristina e Viviana que estavam a uns passos de mim, diziam uma pra outra: "Ela está bem melhor agora"... "É mesmo, passou a se cuidar mais, está bonitona agora!"
Isso me  dava uma sensação de bem estar, qual mulher não gosta de elogios principalmente vindos de outras mulheres, isso significava que a concorrência estava em baixa, e eu em alta, não perderia meu marido. Me desculpem essa forma pretensiosa que utilizei aqui para expressar meus pensamentos na época com relação a minha aparência, muitos ao lerem esse trecho poderão pensar que eu quis ir a forra com meu "passado feio" imaginando-se estar passando para um futuro glamoroso, mas não, isso são só palavras de alguém que estava perdido no seu ser querendo se encontrar. Encontrar paz, a alegria, o amor e acima de tudo o amor próprio, aquele no qual jamais deveria ter perdido, pois é nele que encontramos o caminho certo, o que nos guia a uma paz interior onde não somente amamos a nós mesmos, esqueçamos a esse amor egocêntrico, para nós encontrarmos como um só perante Deus. Beleza externa não supre a coisa alguma! Agora, quanto a beleza interior, é dessa de que realmente necessitamos e se a mantermos firme, convicta em nosso ser, se transbordara de forma contagiante em bons sentimentos e sustentara nossa alma.


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Para uma melhor explicação do que eu sentia nesta tempo, vou ter que retornar ao passado, em 1999, neste ano eu havia iniciado no curso de informática, fiz amizade com algumas pessoas do curso nem todas eram tão moças mais havia duas meninas no grupo. Num dia em que em saíamos do curso eu as companhava até o ponto de ônibus pois ficava no percurso que eu fazia para minha casa que era bem próximo dali. Conversamos, era uma bagunça falávamos todas juntas e quase que ao mesmo tempo, com conversas paralelas, no momento em que me calei, escutei Priscila dizer: Não! Não acreditcho, Vanessa tem 29 anos! Eu jurava que ela  tinha seus 20 anos.  
Pois é,  o que não faz o dinheiro! Disse Daiane sorrindo.
E Priscila retrucando disse: Ela é  bonitcha porque nasceu assim.
Ai começou a surgir  o assunto de qual era a idade de cada uma, no eu dizer: Tenho 25 anos. 
E Priscila, parando de andar me olhou com um sorriso zombador, erguendo sua mão, balançando seu dedo indicador em sinal de negação, dizendo: Tu tem coragem de se dizer mais nova que Vanessa, não senhora, fala logo a verdade!
Credo Priscila, eu estou tão ferrada assim pra você me dizer isso. Eu falei.
E as meninas, as adolescentes, se doeram mim dizendo. Que ignorância é essa Priscila! Elaine disse. 
É concordo! Muito feio o que estão fazendo com ela, coitada! Disse Giovana.
E uma outra mulher do grupo disse: Você vai me desculpar Raquel, porque não nos diz sua idade verdadeira?
Bom, eu não preciso provar nada, mas se querem a verdade! Eu as disse tirando meu RG do bolso. 
Elane segurou a minha mão antes que eu desse o RG a Priscila e disse: Raquel, eu não preciso de prova alguma e ninguém tem direito de fazer tal coisa com você!
E Giovana disse com ar de pena: Raquel você tem sua beleza seu valor, não precisa disto.
E Priscila disse: Há, mais eu quero ver pra crer!
Ai eu fiz questão de que Priscila visse e no ela ver minha identidade, disse-me: Desculpe, mas eu so sincera, tu precisa se cuida mais, está com cara de mutcho acabada, visse! 
Está foi a pior das críticas que eu podia ter recebido naquele tempo, já nem gostava de olhar no espelho, imagine após isso como me senti.
Sem contar que Viviana penso eu que inocentemente dizia coisas que me magoava, a ponto de me fazer sentir se um nada perto de André, que pra mim era muito lindo pra ser meu marido. Ela dizia coisas do tipo: "Minha nossa Raquely, nesta foto você tá parecendo uma sapa de branca, da até pra ver suas veias."... Em outro momentos dizia: "Não reparta seu cabelo no meio, não fica bem pra você! Está muito magra menina, o que houve?" 
Neste mesmo tempo, lembro, que em um passeio onde estávamos somente eu e meu marido na praia, ele abria o a porta do carro e eu lhe perguntava: Meu cabelo tá muito bagunçado?
E ele com um sorrido sínico disse: Não Raquely! Tá bom assim!
No entrar no carro, eu olhei para o espelho, estava parecendo um caminho de rato meu cabelo. E eu muito brava com ele disse: Que droga! Você não consegue ser sincero em nenhum só minuto comigo André?  
Então iniciamos uma pequena discissão, até que ele me pediu desculpas, dizendo me achar "bonita" de qualquer jeito. Essa foi a desculpa mais esfarrapada que meu marido podia me dar. Saindo do carro, conversando mais calmamente eu lhe dizia: Amor onde está a bolsa, eu não acho?
E neste momento passavam duas moças, que percebi, não tiravam os olhos de meu marido e as duas abusadas tiveram coragem de dizer num tom alto: "Nossa que gato!".... "É,  mais olha que pena, vê quem tá com ele."... "Bicha feia!" ...


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Meu nervoso foi tal que fiquei por mais de um hora emburrada com ele, eu pensava: Essas pilantras zombam de mim e o desgramado de meu marido ainda olha pra elas!
Eu contei isso a Viviana que me aconselhava com sábias palavras: Lembre se disto Raquely! Homem nenhum quer mostrar o que tem em casa, quanto mais desarrumada você estiver no sair, pra ele, melhor! 
Fechando essa história de como eu mesma me depreciava e me magoava com tolices tipo essas que ouvia dizerem sobre minha aparência, lhes digo, Viviana de certa forma me ajudou e muito, as vezes precisamos sofrer pra aprender certas coisas. 
Retomando a minha história de vida, na primeira semana de aula das crianças choveu muito e na rua frente nossa casa estava um grande lamaçal, as crianças não foram para escola naquele dia. Fazia muito frio de tarde após assistirmos um filme senti muito sono, deixei as crianças assistindo TV na sala e fui para o quarto. Passado alguns minutos eu dormia num sono profundo, e não me recordo de estar sonhando. Tudo que lembro é de que ao acordar não conseguia abrir os olhos e senti muito repentinamente que caia um grande peso sobre mim, tentava me mexer, mas não conseguia, chamei as crianças, pensei: Meu Deus, o que é isso!
Fiquei assim por mais ou menos um minuto, não dá pra descrever o medo que senti, era como se tivesse alguém em cima de mim segurando meus braços e pernas, no tentar abrir novamente os olhos escutei a voz de Sabrina: Mãe, para com isso tá me assustando... Mãe?
E Alice disse: Acorda mãe!
E de repente não senti mais aquele peso, no conseguir abrir os olhos senti  que minha visão estava um pouco turva e lentamente conseguia me mexer.



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Olhando para Sabrina, disse: Que houve aqui?
Nossa mãe você chamou a gente, quando eu entrei aqui, você mexia a cabeça, mas não dizia nada. Disse Sabrina.
Credo mãe, que foi isso? Tá sentindo alguma coisa? Disse Alice.
Não, não é nada filha, eu devia estar tendo um pesadelo. Eu disse. 
Por favor, não me pesam para explicar sobre tal coisa, pois não conseguirei, pode ter sido o consciente lutando contra inconsciente ou "um fenômeno paranormal como dizem por ai", não sei dizer o que, mais foi sinceramente uma experiencia horrível para mim.
Passado alguns meses, fazia a janta, quando André me chamou, chegando ao quarto onde ele estava, no computador, ele disse me: Olha a Clarisse mando um recado pelo o orkut, ela disse que todos estão lá na casa deles, pois eles iram comemorar o aniversario de sua mãe  lá hoje.
Caramba André por que não me avisou antes? Eu disse.
Há, eu só entrei no orkut  agora! Disse André.
E que hora ela te mandou isso?
Agora de tarde. Respondeu ele.
Então vamos pra lá agora, eu pensava que essa reunião seria amanhã, droga.  Eu disse Chateada.
Desliguei as panelas da janta que fazia, nos arrumamos e fomos para casa de Luiz. 
Chegamos lá umas nove horas e todos estavam lá desde as seis da tarde, no entanto tive tempo de ver todos. Faziam churrasco, ligaram o karaokê  onde as crianças se divertiam, a casa deles era bem espaçosa e comportava nossa grande família.
Passado uns instantes eu pegava os pratos para servir André e as crianças, quando ele se aproximou e eu disse: Me ajuda, serve seu prato e o de Antony, que eu sirvo as meninas.
Há serve para mim vai? Ele disse.
Nosso que preguiçoso é esse meu marido! Eu disse.
Aqui começou aquele mal, "o de pensar ouvir alguém dizer algo negativo sobre mim, sem dizer exatamente nada sobre mim realmente," no qual eu já os disse em textos anteriores, isso me a fastava das pessoas nas quais mais amo.  
Servindo os pratos das crianças, conversávamos eu, Luis, Moni  e Clarisse, de como as crianças nos deixam loucas com suas travessuras, depois disto sai da sala de jantar e fui até a cozinha pegar alguns talheres que faltavam, voltando passei por dois de meus sobrinhos, Alexandre que já tinha sua família formada e Tânia que era solteira ainda, eles falavam sobre alguém de quem não achavam muito legal. Acreditei que falassem de mim, tudo isso devido a minha mente que já confusa pela doença, me embaralhava em erros, imaginei ter ouvido dizerem, "Que coisa mais sem graça né, só sabe reclamar e não vê os seus próprios defeitos!"  
"Sabe, eu acho que ela se comporta de uma forma ridícula, não gosto do seu jeito nem de como trata as crianças e seu marido, tudo nela me irrita!" 
Ao "escultar" isso me senti um lixo, desprezada e sem qualquer chance de defesa, pois não teria coragem de lhes perguntar porque me "odiavam" tanto, se pouco convivíamos juntos, o que realmente me entristecia pois eu os amo muito. Isso flutuou em minha mente atrapalhada pela depressão de forma destruidora por um bom tempo. Mas hoje eu sei que nada disto foi dito realmente, tenho certeza de que eles falavam de uma outra coisa de que não tinha exatamente nada haver com falar mal de ninguém. Eles são pessoas justas que jamais fariam tal coisa.
Passado uns dias, André comprou um aparelho de DVD, o que me deixou muito feliz, porque os discos vinil não existiam mais para a venda e nós queríamos comprar alguns CDs e DVDs novos das bambas musicais de que gostávamos, pra ouvir em casa. 




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Onde também se inciou nossos divertidos fins de semana com o Karaokê, todos queria aproveitar essa nova atração em casa, inclusive eu. E durante a semana ouvíamos musica quase que o dia todo, porque eu ouvia em quanto fazia meus serviços de casa e quando me sentia só era nas musicas que me apegava, onde me sentia bem. Já a noite, eu queria assistir aos programas de TV, mas como André ao chegar do trabalho queria usufruir do novo privilégio do novo DVD.  Então ficávamos nós, assistindo aos Shows das nossas bandas preferidas e umas outras poucas vezes assistíamos filmes.   

  

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Com decorrer do tempo, começaram acontecer coisas inexplicáveis, a partir deste momento vou lhes relatar como foi se desenvolvendo os sintomas de minha depressão onde talvez dará para se ter ideia se foi uma doença física mental ou espiritual, assim os permitindo que tirem suas próprias conclusões, mas lembrem se de que a depressão tem tratamento e é importante acreditar nisto, a medicina está ai pra nos auxiliar, assim como devemos também ter bom ânimo e fé. Tenha força, tenha bom ânimo e siga com o Pai. Não importa qual seja o seu problema hoje, Deus é contigo, é conosco e nos trará sempre e sempre a vitória! Por nosso senhor Jesus Cristo, amém! 
Era um manhã de domingo, fazia café, quando Sabrina se levantou e vindo até mim disse: Mãe, quando eu acordei essa noite tive vontade de ir ao banheiro mais não fui...
Que foi menina? Vai me dizer que seu novo quarto está mal assobrado como ao antigo! Lhe falei com um sorriso.
Deixa eu te conta, depois me diz se tenho ou não rasão? 
Fala filha! Eu disse.
Bem na hora, que abri os olhos, senti que alguém me observava da porta... Falou ela com olhar assustado
Hum... Continua, e ai? Perguntei.
Senti que este alguém sentava nos pés da minha cama e tive a impressão de ouvir dizer algo, mãe eu nem fui no banheiro de tanto medo cobri a cabeça com o lençol até que dormi. Essa casa tá mal assombrada sim! Disse Sabrina
Assim com eu Sabrina sentia coisas, ouvia e via, tinha também pesadelos horrendo.
Então colocamos a mesa para o café e logo chamei André, Alice e Antony.
No André terminar de tomar café foi ver nossa horta e Antony o acompanhou. Alice saia para o quarto e Sabrina disse: Mãe como é mesmo a letra daquela linda musica do Teatro Magico que ouvimos ontem?
Qual? Perguntei.
Cuida de mim, enquanto finjo... Há eu não lembro! Você Sabe? Disse Sabrina.
Sim é assim...  Eu a disse cantado um trecho da musica quando...


  "vídeo youtube" 

Eu ouvi que outras vozes entraram no nosso cantar e Sabrina começou a rir, olhando pra mim disse: Viu mãe, até eles gostaram!
Não creio! Você também ouviu isso? Eu disse. 
Vozes desafinadas cantando conosco? Sim. Disse Sabrina.
Parecia vir da janela né? Eu perguntei, então caímos na gargalhada.
E Alice pobrezinha, saiu do quarto toda assustada dizendo: Que droga, parem com isso vocês estão me assustando!
Semanas se passaram, André tinha uma festa dos professores pra ir, antecipadamente ele me comunicou dizendo: Raquely, nesta sexta haverá uma reunião onde será comemorado o dia dos professores, eu irei.
Como assim eu irei? Eu lhe perguntei.
O que foi? Falou ele que dando uma breve pausa se explicando disse: Qual o problema de eu ir a uma simples comemoração em uma pizzaria? Lá só terá mesmo meus amigos de trabalho e outra... 
E eu não posso acompanha-lo? Por que? Nervosa eu perguntei. 
Raquely tenta me entender, ninguém lá ira levar familiares e também como eu estou tentado te explicar e você não está deixando, sera contato como cumprimento de meu horário na escola.
Como assim? Eu perguntei.
Não haverá os HTPCs (horas de trabalho pedagógicas coletivo) de sexta, mas umas sete horas, estaremos nesta pizzaria, este foi o combinado não se preocupe Raquelzinha antes das onze eu chegarei em casa. Ele disse.
E por que não posso ir se será num lugar publico, André? Eu Disse.
Que coisa mais chata! Dá pra você me entender? Já disse estarei cumprindo meu horário de trabalho! Ele disse.
Onde eu tive que me conformar, pois também pensei, quem ficaria com as crianças? Entretanto aquela velha desconfiança retomava todas as minhas imaginações possíveis, de uma traição, devido ao duro golpe e decepção de um passado que não conseguia esquecer, a tal festa de confraternização de seu antigo emprego onde ele foi só, mentido pra mim, dizendo ir trabalhar. Episodio - Um fato lamentável, quando tudo parecia perfeito veio a grande decepção! Capitulo VIII. http://amarilislirios.blogspot.com.br/search?updated-max=2014-07-24T11:00:00-07:00&max-results=7 
Então chegada a sexta-feira, André já havia saído de casa para tal reunião de professores. Angustiada, me sentindo impotente diante daquela situação, ficava em volto a pensamentos do que meu marido poderia estar fazendo realmente. Pensava: "Meu Deus, não permita que mais uma vez eu seja enganada! ... Será que aquela professora na qual vi André tendo uma longa conversa pelo MSN naquele fim de semana, vai estar lá?... Se tiver me enganando outra vez... Eu mato esse troglodita!... Matar, não, mas que desta vez lhe darei o troco na mesma moeda, há, isso vou... Droga, isso jamais teria coragem, sou tão torta em minhas ideias que chego a ficar perdida em minha consciência só de pensar em vingança, me tremo, não consigo! É mais fácil fazer o que é correto, me separo e pronto! Mas sem ele o que faço de minha vida? Eu o amo muito... Meu Deus...
Em seguida as lágrimas cobriram minha face! 




Texto com conclusões minhas baseando-se no texto deste site:
 http://www.significado.origem.nom.br/nomes/torta.htm 

Em meio todo esse meu sofrimento desnecessário, angustiava-me em tolas aflições de modo que fiquei transtornada. Fui até a geladeira pegando a pinga e o limão fiz uma caipirinha pra ver se esquecia ou  se parava de sentir todo aquele tormento, enchi o copo de pinga. E irresponsavelmente tomei o copo de bebida quase que em uma só vez. Assistia TV tentando distrair me com um filme.



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Em seguida vendo que as crianças já dormiam, no parar de beber e olhar o relógio notando que já se passava da meia noite, fiz outro copo de caipirinha e o mesmo bebi dando grandes goles, pensando: Ele vai ver, quando chegar não irá me encontrar!
Sentindo tontura pela bebida alcoólica já consumida, abri a porta e sai em direção ao soton, foi com grande dificuldade que subi os quinze degraus de escada que ficava no galpão, nos fundos da casa até entrar lá, trancando o trinco da porta, praticamente cai na cama, sem nenhum lençol. 
Não dá pra explicar o que foi, mas ouvi uns ruídos estranhos que pareciam vir de fora e logo ouvi como se estivesse no interior do soton ao sentir um frio inexplicável, me encolhi, em seguida tive a sensação de ouvir: Ela não vai aguentar por muito tempo... Vai ser fácil de separá-los... Eu vou tomar ela dele... Ela irá...
Eu abri os olhos e levantando a cabeça olhei em minha volta e não vi exatamente ninguém. E mais uma vez ouvi vozes que me soavam com som de éco: Tá vendo ela consegue nos ouvir, quem sabe não a fazemos que nos veja também?
Me levantando com dificuldade sentei a cabeceira da cama e outra vez não vi nada, lá só estava eu mesmo, pensei: Que droga, nem essas drogas de assombrações me dão paz agora?
Com isso apaguei, dormi num sono tão pesado que mais ou menos um hora depois, André chegou, ele me chamou, chamou e chamou, vendo que eu não o atendia, começou a gritar meu nome e por quase doze minutos me procurou pela chácara e eu não o ouvi, até ele vir a escada do soton e bater na porta aos gritos dizendo: Raquely eu sei que você está ai! Abre está porta logo! Raquely pare com isso, olha se não abrir, eu vou arrombar está porta.
Então eu levantei a cabeça e disse: Me deixe quieta aqui, eu não quero falar com você! 
Não sabia como, mas ele conseguiu entrar e indo até mim disse: Porque veio pra cá? Você bebeu?
Há se  você pode, porque eu não... Eu disse. 
Com um curto sorriso ele disse: Pra que fazer isso Raquelzinha? Vem vamos para nosso quarto. 
Tudo que lembro foi de ele me levantar, segurando me até a porta de casa.  
          

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De manhã eu acordei com as crianças me chamando, Mãe... Mãe, acorda! Disse Alice.
Mãe eu to com fome, quem vai comprar pão Mãe... Disse Sabrina.
Mãeeee.... As duas gritavam ao mesmo tempo.
Tá a mãe já vai, mais parem de gritar por favor! Eu disse.
E elas foram pra sala, quando eu me levantei vi que André dormia, pensei: Por que não me deixou lá? Eu ficaria melhor sem sua falsidade.
E Antony veio aos gritos em meio lágrimas: Quem vai comprar pão mãe? Eu to com com fome, a bolacha acabou.
Calma filho! Eu disse e chamando as meninas pedi para elas irem ao mercado comprarem o pão.
Nisto André se mexeu de um lado pra o outro, eu sai rapidamente em direção a cozinha. Lava a louça  dos copos da noite passada, no pegar aquele copo com as rolas de limão embebecidas pela pinga, me deu um grande nojo e pensei: Aqui ponto eu cheguei!
Arrumando a mesa, Sabrina pegava a margarina na geladeira e Alice me olhava fixamente enquanto eu punha  as xícaras na mesa, seu olhar era de indignação, então eu perguntei: Que foi Alice?
Você nos deixou, nós seus filhos, sozinhos de noite! Disse Alice.
Pare com isso a mãe não os deixou, eu estava bem aqui... Eu disse.
Eu sei no soton, mais quem de nós ai ter coragem de ir ao soton te chamar no escuro lá fora! Alice disse. 
Desculpa filha! Não era minha intensão, eu não estava me sentindo bem, estava triste. Eu a falei.
Por isso mesmo, eu sou sua filha, por que não fico comigo então? Disse Alice.
No sentir que uma lágrima escorria do meu olho, sem a responder fui pra pia e ao retorna eu a abracei.
E ela disse: Não mãe não chore, desculpa eu não quero te ver assim.
Eu a soltando, segurei seus bracinhos com olhar fixo lhe disse com um sorriso: Eu não to chorando!
Há sua boba! Disse Alice sorrido.
E André ao ouvir o pitar do microondas, se levantou, sentando na cadeira disse: Tá melhor?
Eu nem o direcionei o olhar e Antony disse: Vixe! A mãe tá brava com o pai!
Mãe o pai acordou a gente aos gritos nessa madrugada, não sabia onde você estava, a porta tava trancada quando e eu vim pra abrir, eu não achava a chave! Ai a sorte foi Alice vir do quarto e ver que a chave estava no chão! Disse Sabrina.
É e ela tava no soton com porta trancada também, imagina! Disse André. 
E Sabrina rindo disse: Pai a mãe bebeu dois copos de caipirinha ontem, antes ...
Fica quieta Sabrina. Disse André.
É bebi mesmo e dai? E como que você conseguiu entrar no soton se eu havia trancado com o trinco a porta? Eu o peguntei.
Há eu te chamei, vi que não conseguia abrir a porta e você não me respondia, então bastou dar um Chute de leve e ela se abriu! Disse André.
Como assim você arrombou? Não era para quebrar com trinco seu abusado! Eu falei.
Não Raquely, não quebrou nada! Como eu já havia dito, eu só dei um pequeno chute e a porta se abriu facilmente! Você não deve ter trancado direito.
Tá esquece, mas me conte, como foi seu encontro? Ironicamente eu o peguntei.
Que encontro? O de professores, no qual eu nem queria ter ido, você sabe! Eu... Disse André.
Mais parecia estar bom, qual foi a hora que chegou? Duas da manhã né! Já altera em meu nervo eu falei.   
Há e você que bebeu caipirinha, pra que aquilo? Ele disse e continuou a falar jundo comigo que lhe dizia: Eu aqui nervosa...
Eu tive que ir naquela droga se não... Ele disse.
E você me cobrando coisas enquanto... Eu o disse.
Eu não estou cobrando, só acho que não precisa ter se escondido. Ele disse.
Qué sabe? Esquece fica na sua e me deixa arrumar a cozinha. Eu disse.
Passado uns quarenta segundos, André sentou-se no sofá da sala e disse: Raquely vem aqui!
Não agora eu não posso e nem quero conversar com você. Eu disse. 
Ele se levantado e se aproximando de mim, começou a falar: Eu não queria mesmo de verdade ir lá, ainda invetaram o tal de amigo secreto de que eu podia participar, mais pra não ficar feio tive de aceitar, e você sabia, foi onde eu demorei Raquelzinha.
Cade seu presente ou só você a presenteou? Eu o perguntei.
Eu não dei presente pra mulher, foi para um outro professor que eu tirei no amigo secreto. Agora quanto ao meu presente está aqui hó! Falou André me mostrando uma caseta.
E quem te tirou neste amigo secreto? Eu disse.
Há você não conhece Raquelzinha pra que quer saber? Perguntou ele.
Não faz mal, diga o nome e sem mentir! Eu falei.
Raquel, foi a Raquel! Ele disse.
Raquel! A sua amiguinha do orkut, com quem toda vez que você fica naquele computador, ela ta lá de bate papo.  Eu disse.
Calma, foi só uma coincidência, e eu não fico de bate papo toda vez com... Ele disse.  
Há, fica sim! Como naquele fim de semana em que firam a tarde toda lá. Lembra? Eu disse.
Estávamos falando sobre assunto de escola e ela que puxou conversa sobre onde moramos, dizendo gostar lugares assim. Você lembra, nesta hora você estava comigo vendo tudo. O que quer? Que a exclua do Orkut e do MSN? André se explicava. 
Não, mas não precisa ficar dando trela pra ela né! Eu disse.
Passado aquele dia no domingo a noite estávamos no computador quando a tal da professora, Raquel, iniciou a conversa. E André a respondeu. Então eu disse: Há vai ficar conversando com essa desfrutável?
O quer? Que eu seja mal educado? Ele disse.
Eu me levantei da cadeira e saindo para a sala André veio atrás dizendo: Tá bom, eu vou excluir ela do MSN, ai você fica contente Raquelzinha?
Retornamos ao computador e ele numa educada conversa lhe disse: Desculpa, mas minha mulher é um pouco ciumenta e não da pra conversarmos a todo momento, melhor pararmos com isso.
Ela disse: Nossa, pra que tudo isso? Diga pra ela que eu a peço desculpa, eu também sou casada, somos só amigos. O que houve com ela? Eu falei com ela outro dia até ficamos amigas no orkut!
Tá mais é melhor parar! Desculpe mais eu vou ter que sair, ela foi pra sala. Ele disse. 
Nisto ele fechou a conversa e com um sorriso disse pra mim que estava ao seu lado: Pronto satisfeita! 
Assim se encerrou nossa discussão!
Dias se passaram, e...



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Coisas sem explicação...
 Vultos... Vozes... Fantasmas ou Pessoas...
 Ou Frutos de uma mente Depressiva?
O que foi Real? 

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Era umas seis horas quando, Alice e Antony entraram correndo para o quarto,  eu os disse: Dá para parem com essa bagunça? Parem já com isso se não...
Nisto eu ouvi risos vindos lá de fora da janela da cozinha, risos que não eram com certeza de meus filhos pois todos estavam calados neste momento dentro de casa e André estava trabalhando.
Sabrina que saia do banheiro, deu um grito, no eu olhar pra ela percebi que olhava pra janela, perguntei que foi menina?  
Mãe tem alguma coisa lá fora. Assusta ela me disse.
O que você viu na janela? Eu perguntei.
Parecia uma mulher, mãe, ela tava passando na janela do lado de fora indo sentido ao galpão!
Então eu abri a porta e não vi nada, eu disse para Sabrina: Não tem nada aqui! Você fica assistindo filmes de terror e depois fica com essas palhaçadas menina!
Não eu vi e desta vez foi bem nítido! Ela me disse.
Há vai logo por uma roupa, a janta está pronta. Eu disse pra ela que saiu em direção ao quarto olhado para a janela da sala.
Nisto eu pensei: Que foi isso? Será que tem uns engraçadinhos zombando de nossa cara?
Eu abri a porta da sala a unica que tinha de saia pra fora de casa, dei a volta em torno, fiz o caminho que Sabrina havia me dito ter visto tal coisa, passei pelo galpão e na lavanderia parei frente a janela da cozinha do lado de fora, onde eu achei ter escultado os risos. E nada, não tinha nada lá.
Depois da janta eu perguntei pra Sabrina: Filha você disse ter sido bem nítido, o que desta vez você viu?
Mãe eu saia do banheiro e eu ia te perguntar onde tava minha blusa que eu não achava, quando vi a tal mulher, eu já tinha a visto mas antes era como um vulto, mas desta vez vi até a cor de sua roupa, foi horrível, aquilo não era humano mãe! Ela disse.
É agente precisa fazer umas preces, rezas pra ver se isso para! Eu disse. 
Você ouviu algo mãe? Ela Perguntou.
Por que você ouviu? Eu disse a ela.
Sim, mas parecia estar muito longe não dava pra entender direito! Ela respondeu.
Filha é como a mãe sempre diz, pare de assistir esses  filmes bobos de terror. Isso te deixa assim assusta, e fica vendo coisas que não existe. Eu disse.
A noite no deitar na cama, tive a impressão de que André me chamava na sala. E eu perguntei a ele que estava vendo um filme: Que foi André?
Que foi o que? Ele perguntou.
Você me chamou! Eu disse.
Eu não te chamei Raquely! Ele disse.


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Crenças da linha espirita de Kardecismo.
           
Como eu já estava com a bíblia em mãos, decidi antes de ler fazer uma oração. Após isso, como eu já os disse em textos anteriores, eu acreditava no espiritismo de Allan Kardec. Como em reencarnação, carma, assim imaginava que estávamos passando por algum tipo de experiência mediúnica, pensava: Sabrina deve ser de médium!


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Crenças da linha espirita de Kardecismo.
           
Isso é estranho, porque na época apesar de passar a ouvir coisas como ela via, não havia percebido que aquilo me afetava e muito mais do que a ela, no fundo eu tinha um pouco de incredulidade quanto a isso, tinha fé no catolicismo no entanto com a educação protestante que recebi de meus pais, eu não acreditava nos santos, tinha convicção de que o espiritismo era o caminho e nos dava uma lição de amor incalculável, entretanto pensava, no que poderia ser aquelas coisas? E todos aqueles fenômenos, anormais acontecendo em minha casa, o que seria de verdade tudo aquilo? Espíritos de almas desencarnadas perdidas ou Deus me livre, o que dizem os protestantes demônios, provações, atribulação... Qual era o real sentindo disto? Eu me perguntava.                



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Tempos depois,  o mato tomava conta de nosso terreno e o nosso vizinho nos indicou seu antigo caseiro, o Edmílson, que agora trabalhava num sitio próximo a nossa chácara. Era o mesmo que tempos antes me atendeu quando eu havia lhe pedido informações sobre a imobiliária da chácara, assim que nos mudamos pra lá em poucos dias, ele saiu, onde meu vizinho contratou o outro caseiro, o Jessé, que passou a morar com sua família na chácara dele, o qual fizemos amizade. Com isso contratamos os serviços de Edmílson que limpava o mato do nosso terreno junto ao caseiro vizinho e um parceiro de trabalho.
Antony descia até o portão para o abri lo as meninas que chegavam da escola, eu o olhava em quanto ele descia aladeira até lá. Percebendo que ele estava com dificuldade para abrir o portão, fui auxilia-lo.  Ao Abrir o portão, Alice pegou em minha mão me puxando, dizia: Vamo mãe!
Que foi menina por que essa pressa? Eu a disse.
Eu quero te mostrar um trabalho de minha escola! Ela disse.
Chegando em casa, fui a cozinha ver o arroz que estava cozinhando para o almoço e Alice largando a sua mochila no sofá disse: Mãe custava andar mais rápido pra casa?
Filha tem a tarde toda e o resto da noite pra eu ver seu trabalho, pra que toda essa pressa? Agora eu estou ocupada! Eu disse.
E Sabrina Olhando pra nós duas disse: Será que não se toca mãe? Aquele Edmílson toda vez que ti vê não tira olho de você, é por isso que Alice te apressou. 
É você não se toca, custava andar mais rápido, não vê que aqueles caras falavam coisas e te olhavam? Disse Alice.
Mais respeito menina! Eu a disse e continuei lhes dizer: Vocês que são sem noção, nem sabem o que aqueles homens diziam e ficam de disse me disse...  Vocês que devem se tocar, eu já não sou mais uma mocinha onde homens vão se interessar em olhar. 
E Alice ciumenta disse: Mesmo que não os ouvimos, eles olhavam sim pra senhora.
Eu caindo na rizada, disse: Eita que meu bebe é ciumento! Filha se eles não olharam ou olharam, coisa que não acredito que tenham feito, qual o problema? Eu não estou dando a minima, isso que importa, você não acha?
Nisto ela fez um bico e foi para o seu quarto!
Neste mesmo dia minha mãe veio nos visitar. Ela chegou de surpresa. E Alice vendo que eu pegava a chave, antes que eu a desse para que fosse com Antony abrirem o portão pra vó, ela  tirou a chave de minha mão pensando que eu fosse até lá abrir o portão e disse: Há, pode deixar eu é que vou!
Tá então vá logo menina! Eu a disse.
E lá subiam a ladeira até em casa com a vó, notando que minha mãe trazia muitas sacolas e sua bolsa, fui ao seu encontro pra ajuda la. E mais uma vez Alice foi inconveniente, disse num tom alto: Que faz aqui?
Cala essa boca menina! Eu disse.
Cumprimentando minha mãe eu a disse: O mãe, pra que todas essas sacolas, me de aqui eu levo pra senhora!
Mesmo que eu não a contasse nossa real situação, minha mãe esperta, quase sempre captava muito fácil quando tínhamos algum problema financeiro, ela sabia que não passávamos por um período muito bom, por isso ela trouxe naquele dia varias coisas de mantimento pra nos ajudar. É incrível como Deus trabalha, neste mesmo dia Selma, fez o mesmo veio até em casa nos ajudar com uma pequena quantia em dinheiro, são duas mães maravilhosas se preocupando justo conosco, que deveríamos de estar as auxiliando e não elas a nós.  
Selma no mesmo dia retornou a sua casa e minha mãe ficou conosco até o dia anterior e eu chateada com nossos problemas me desabafei com ela a contando um fato de que eu havia me entristecido muito, dizia: Mãe, não precisava de trazer todas essas coisas não, André receberá logo, mas mesmo assim muito obrigada! Agora estamos bem, mais a senhora precisava ter visto na semana passada, eu não queria nem te dizer isso, mais eu preciso desabar se não vou enlouquecer! 
Filha a mãe trouxe essas coisas de bom coração, mas me diga o que está te afligindo? Disse ela.


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Contraímos dividas muito pesadas neste mês passado, quando vimos estávamos quase que completamente sem dinheiro, não dava nem pra comprar o gás, teve uns dias que que tive de cozinhar no fogão a lenha, quando André estava em casa era até fácil, ele cortava as lenhas para mim, mas teve um dia, na hora da janta, em que eu tive que fazer isso, foi um suplicio, passei um nervoso só! 


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Serio filha? Comovida ela perguntou.
Eu fui até onde guardamos as madeiras e não havia mais lenha cortada, então fui no terro onde temos uns pequenos troncos, galhos de árvore e no tentar cortar aquelas madeiras macicas, soei e não consegui corta nada, fiquei ali tentando corta inutilmente por quase duas horas, e nada. Eu a disse.
O que você fez? Como arrumou a janta? Ela disse.
Tive de esperar André chegar em casa, as crianças, meu Deus, só reclamavam de fome até ele chegar, foi um Deus nos acuda! Eu da disse.
Nossa filha, como vocês deixaram as coisas chegar neste ponto? Ela perguntou.
Há, a senhora sabe né, compramos mais um carro junto a meus sogros, então, este mês passado atrasamos com algumas dividas, foi onde neste mês ficamos quase que totalmente sem dinheiro. Eu a expliquei. 
E por que não falou nada, naquele dia em que eu te liguei? Ela disse.  
Mas agora está tudo bem mãe, eu não queria te preocupar! Eu disse a ela.
Peço a vocês que não nos julguem antecipadamente, comprar o carro naquele momento sei que não era apropriado, admito que foi sim uma atitude precipitada, sei passamos por muita dificuldade nos primeiros meses, mas nós as superamos, graças a Deus, com auxilio dos bondosos pais de André e também com a ajuda de minha mãe. Mais tudo isso era necessário acontecer e decisivo pois a compra deste carro que nos proporcionou a realizar com o antigo sonho, de termos nossa casa própria. A qual moramos hoje! 
Continuando a conversa com minha mãe, passado alguns instantes, eu fazia um chá para tomarmos, quando eu entrei no assunto sobre aquelas coisas esquisitas que vinham acontecendo em casa. Eu a dizia: Eu gosto muito desta casa, mas vem acontecendo coisas muito estranhas por aqui, Sabrina ouve e vê coisas que segundo ela, não são deste mundo.
Como assim? Perguntou minha mãe.
Ela vê vultos, vozes e o mais estranho é que isso vem se tornando mais frequente dia a dia, e comigo também vem acontecendo o mesmo. Eu a disse.
Há, não seria coisas da imaginação dela? Que te impressionou com tais coisas fazendo assim com que você sentisse o mesmo. Ela disse.
Não mãe, eu te contando você não acredita, mas se visse isso acontecer, até a senhora se assustaria de tão evidente que parece ser! De inicio eu duvidava dela, pensando ser coisas de uma imaginação fértil de uma criança assustada atoa, com bobagens do tipo, ventos na janela, ou confusões com sons vindos de nos mesmo em casa. Mas não, você não tem ideia do quão horríveis evidencias de que isso seja real tem ocorrido por aqui.
Serio, mais que tipo de evidencias sãos estas? Perguntou minha mãe.
Eu a explicando disse: Sabrina um dia destes acordou no meio da noite sentindo que alguém sentava nos pés de sua cama e a observava. E quase que ao mesmo tempo eu me levantei pra ir ao banheiro aquela noite, no passar pela porta do seu quarto foi muito estranho mãe, tive a sensação de ter visto algo ali nos pés de sua cama, no mesmo instante voltei direcionando meu olhar pra lá, não vi nada. E na manhã seguinte, sem que eu não a dissesse nada, ela me contou isso, que sentiu ter alguém sentando nos pés da cama. 
Já teve momentos onde senti que algo rondava nossa casa, até escutei meus cachorros latirem, no ouvir como se alguém os chamassem por seus nomes e de forma assustadora Sabrina, em uma destas vezes, na mesma hora, impressionantemente, ela me disse assustada, tem alguém mexendo com os cachorros! Em seguida ela perguntou se podia ser André chegando, ai lembramos que as ovelhas poderiam estar no terreno, pensamos que devia de ser o caseiro,  Jessé, que estava la fora levando as ovelhas pra seu lado. Com a insistência de Sabrina pra ir ver o que era e por notar o medo estampado em sua face, fui ver, imaginando também que os cachorros poderiam ter realmente escapado, preocupada, pensei que os cachorros deviam sim de estar atrapalhavam o caseiro. E no sair lá fora, os cachorros que continuavam presos num repente param de latir, não tinha nada lá fora, nenhuma movimentação no nosso terreno nem na casa da chácara vizinha, nada, além da escuridão noturna e daquele silêncio que se fez após eu sair lá fora.


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Nossa filha, você tem feito suas orações pra Deus? Ela me perguntou.
Sim. Eu a respondi, sabendo que não orava com tanta frequência e pra falar a verdade sentia se em faltam com minhas obrigações com Deus, isso me fazia sentir se num vazio sem fim. 
Semanas depois, os olhares dos homens, as cantadas, se tornavam cada vez mais frequentes, aquilo passou a me ser um incomodo, posso dizer lhes que de inicio, achei ser normal pois eu já não me sentia tão feia a ponto de não ser percebida, estava quase me acostumando, pois nas varias conversas que tive com irmãs, amigas, e até mesmo minha mãe. Algumas delas sempre me diziam que tal vez fosse pela idade em eu estava e como no mundo de hoje, com "o relacionar liberal" que vem se tornando cada vez mais comum entre homens e mulheres, alguns homens devem pensar que todas as mulheres têm a mesma ideia definida desse relacionar no qual vivenciam o agora, devem pensar que toda mulher está em sintonia com está mesma ideia. E outras tinham uma reação diferente, quando eu lhes fazia a mesma pergunta, do porque aquilo ocorria comigo só agora e não antes, elas pareciam olhar de uma forma como se me julgassem pessoa altiva, que literalmente se achava, "a mulher", mas não, elas estavam enganadas, eu realmente não me sentia bem com aquela nova condição.
Em  meio a tudo isso, na falta de atenção, na carência, me sentia só, e pensamentos de onde eu jamais pensei de ter vieram a minha mente, num súbito flagelo mental me sobre veio a culpa, pensava: Não, como você pode ter ideias tão erradas? Olha o amor não é algo que se joga fora e se encontra em qualquer pessoa! Se Deus uniu, é por ai, não da para separar! Mas dá para ser uma pessoa melhor!
Em seguida me veio as boas lembranças e tudo que já vivi com meu marido, logo refleti um pouco mais e tudo que fiz de errado me veio atona, como, as brigas por meu ciume exagerado ou por qualquer outra circunstancia banal, as brigas por os seus pais, os quais sempre nos ajudavam com tanto amor que nem pediam nada em troca, mesmo que nosso convívio fosse um pouco difícil as vezes por falta entendimento de ambos. E meus destemperos fúteis, André, sei que é humano que como eu erra, entretanto está sempre ao meu lado, quem mais aguentaria tal pessoa como eu? Ha não ser um grande amor, o qual André provavelmente sentia por mim.


Neste exato momento senti uma angustia só de pensar em perde-lo. Não porque ele era pai dos meus filhos ou nos dava sustento, pois eu me sentia capaz de me virar financeiramente, definitivamente, dinheiro, não tinha nada haver com o que eu sentia, era uma imensa dor só de pensar que de repente o perderia, ou poderia acordar  e ver que ele não estava mais comigo.



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Então olhei para o céu e disse com coração transbordando em verdade: Senhor... Senhor Deus, se o senhor está ai e pode me ouvir, não deixa pai, não permita, que eu pense tais coisas, esses pensamentos, não me pertencem, isso não é eu! Me livra desta ideias insanas, corruptoras! Senhor me faz ver a verdade... Mostra me o caminho e que sua vontade se cumpra na minha vida!...
     

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Com o passar do tempo iniciou se a sensação estranha de que as pessoas na rua me olhavam, não importava o local nem a pessoa, mas era assim que me sentia, vigiada.     
Dias após isso, numa noite onde estávamos somente eu e as crianças em casa, era mais ou menos umas sete horas da noite onde o céu estava límpido estrelado, Sabrina pedia a Alice que fosse com ela a lavandeira pegar umas roupas no varal, as duas tiveram uma pequena discussão que logo cessou. Quando Sabrina abriu a porta da sala e foi só lá pra fora, eu a lembrei que tinha algo a mais para trazer da lavanderia, o rodo, minutos se passaram e ela não voltava. Fui até a porta e a vi ali na varanda estagnada, olhando fixamente para o céu, eu a chamei uma, duas, três vezes e a guria não se movia continuava parada ali olhando para cima, eu me aproximando dela peguei em seu braço e disse: Que isso menina? Tá surda, não vê que estou te chamando?
E ela meio que atônita e sem olhar para mim me disse: Olha lá! Que aquilo? 
Olhei no sentido de onde ela observava o céu e vi uma luz forte pairando sobre as imensas arvores que cercavam nossa chácara, espantosamente aquela luz parecia se aproximar mais e mais. 

"Esta imagem lembra  a luz  que vimos, eu e Sabrina no céu aquele dia"
           
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Em seguida eu puxei minha filha para dentro e ela curiosa com aquilo persistia em voltar para fora, eu não permiti que ela fosse, trancando a porta, todos nós ficamos assustamos com os estrondosos dos barulhos que sentíamos como se passassem por cima de nossa casa. Alice e Antony sem entender assustados com o barulho, perguntavam: Que barulho é esse mãe?... O que vocês virão lá fora? 
Bom depois disso, quando comentei o que havia ocorrido naquele dia com as pessoas, alguns riram dizendo ser um helicóptero a tal luz estranha, outros acharam o fato tão esquisito que se puseram em duvidas do seria aquilo. Pois para mim não era um helicóptero e nem um outro tipo de aeronave, aquilo flutuava a uma significante altura, mas dava para se ter uma ideia se fosse realmente um helicóptero ou qualquer outra aeronave. Tudo que posso dizer é que foi muito espantoso e não dá pra dizer o que era aquela luz estranha, não sei nem como descrever, foi tão assustador o barulho que o telhado parecia tremer. 
Passado alguns dias era uma quinta feira, eu fazia uma faxina no quartinho que ficava próximo ao galpão lá estava muito barrota bugigangas que não nos pertenciam, partes de armários, ferros, madeiras com pregos pontiagudos, alguns pisos, latas de tintas velhas e um grande espelho como estava inteiro apesar da armação velha decidi reaproveitá-lo o lavei e pus para nosso uso dentro de casa.


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Quanto as bugigangas depois de lavar o comodo eu guardei somente as coisas que estavam inteiras e algumas madeiras de construção com também a que estava com os pregos, pois aquelas coisas deviam pertencer ao dono da casa. 
Após isso fui ao galpão, quando lavava o chão escutei risos, como estava só pois as crianças estavam na escola e André trabalhava, olhei volta, quando vi de relance lá na chácara vizinha estava o caseiro com mais uma outra pessoa. Peço que não levem em consideração o que vou dizer, pois a distancia deles tinha grande relevância, de lá não tinha de forma alguma como eu os escutar.
Escutei: "Olha, ela tá lavando o chão com um pedaço de vassoura!"
Em seguida mais risos e de novo ouvi: "Pobre coitada, esse cara não a merece! Nem pra consertar o cabo de um vassoura..."
Fiquei extremamente nervosa, pensei: Que droga! Porque em tudo o que faço sempre tem um fulano dando pitacos? É mais bem que está na hora de comprar outra vassoura mesmo. 
No termino, quando acabava de puxar toda água pra fora, escutei: "Que vê, ela vai pegar o pano!" 
Nesta mesmo instante eu erguia meu braço pra pegar o pano de chão no muro. E mais uma vez olhei em volta e desta vez não tinha nada, ninguém além de mim e na chácara vizinha não se via ninguém que eu pudesse culpar por tal dizer. Pensei: Devo estar ficando louca! 
No entrar em casa, senti um enjoo e um pouco de tontura, como eu não havia comido nada desde a hora que acordei, pensei: Preciso, parar um pouco!
Ao me sentar na cadeira pegando a xícara pra por o café, me veio novamente o enjoo, fui ao banheiro, e não consegui por nada pra fora, pensei: Meu Deus, estou... Será? Não, gravida? Não, isso não! 
A noite contei o mal estar que vinha sentindo para André, que dizia acreditar ser só um mal estar mesmo. Aquilo martelava em minha cabeça, eu entrei em grande preocupação pois não tínhamos condições suficientes pra criar mais um filho. E estranhamente os sintomas não sumiam, surgia em mim uma provável gravidez psicologia, fiquei assim por dias.


"Imagem colhida da Web, como todas as imagens deste blog. Só que com algumas alterações"
           
Até que, numa manhã, eu limpava a sujeiras que os cachorros faziam onde ficavam presos, bem nesta hora me veio o maldito enjoo, corri para o tanque da lavanderia e nada, pensei: Preciso ir ao medico isso tá muito esquisito...
Mal eu acabava de pensar isso e eu escutei em meio a risos: Ela tá gravida agora!
Não havia ninguém por perto que eu pudesse ter ouvido algo, como isso, nem dentro de minha casa, estava só. Então comecei a imaginar que aquelas vozes que ouvia poderiam ser as almas penadas de que Sabrina dizia pressentir.
Neste dia fiz um teste de gravidez daqueles de farmácia e os sintomas de gravidez, sumiram junto ao resultado negativo. 
Nesta semana fomos a casa de Luiz e Clarisse como sempre muito cordial nos preparou uma bela mesa de café, passamos uma agradável tarde com eles. Conversa vai conversa vem entramos no assunto, as assombrações da chácara, André quanto ateu não entrava no assunto, já Luiz e Clarisse acharam estranhos os tais acontecimentos. 
Nesta mesma semana como se aproximava o mês de natal, eu estava conturbada por tanta coisa a se fazer, tinha de arrumar todo aquele imenso galpão como banheiro de lá fora, a escada, soton, área da churrasqueira, lavanderia... Meu Deus a lavanderia! Estava uma verdadeira de bagunça, fora que as minhas duas maquinas de lavar antigas que ganhara a pouco tempo de meus irmãos estavam paradas e já não conseguia mais lavar as roupas nelas. A tarde quando eu lavava as roupas no tanque, após encher o balde de roupa fui as estender no varal e no retornar, tive a impressão de escutar sussurros vindos da escada do soton, no olhar pra cima de onde dava pra se avistar o muro do corredor que dava acesso ao soton, vi duas pessoas nitidamente, elas pareciam se incomodar com minha percepção, desviavam os seus olhares de mim no eu as vê-las. Pode parecer loucura, mas eu não tive medo, recordo-me de desviar minha atenção a aquilo e pensar: "Devem de ser os nossos amiguinhos!" Agora eu não tenho tempo de me preocupar... Há... 
Na hora não me dei conta do que acontecia comigo, entretanto essa imagem ficou marcada em minha memoria, só depois que avaliei quão bizarro foi aquilo e se eram pessoas realmente? O que faziam ali? Ficou tão claro a imagem daqueles meninos, não poderiam ser fantasmas ou era coisa de minha mente, o que seria? Eu me perguntava. 
Na noite do dia seguinte fomos fazer compras, no chegar em casa, ao André estacionar o carro, tirávamos as compras do carro, no termino faltavam duas sacolas no instante que eu voltava para o galpão onde o carro estava, quando André se dirigiu a entrada da casa, eu abaixava a porta do porta malas do carro, escutei: "Olha ela tá com a blusa amarelinha..." "Não aquela que você disse..." "Fala baixo se não vão nos ouvir!"  
Nisto não sei o que me deu mais eu acabei rindo da situação, pois eu pressentia que aquelas vozes só podiam ser de espíritos desencarnados, que procuravam viver a vida que não lhes pertencia, foi o que eu imaginei no momento. No mesmo instante que ri, escutei: "Olha ela! Não parece que nos ouviu?" "Ela tá olhando pra cá." Essa mulher...
Eu olhava em direção da lavandeira, saindo de la, entrando em casa, perguntei a Sabrina que já estava acostumando com aqueles sons sobrenaturais, eu disse: Filha você ouviu alguma coisa? 
Desta vez não mãe! Ela respondeu e perguntando me disse: O que foi?
Nada esquece! Deve de ter sido impressão da mãe! Eu lhe respondi.
E Sabrina falou: Tá vendo, vocês dizem que eu os incomodo a noite como um bebê medroso, agora você já sabe que não estou inventando ou imaginando coisas nessa casa tem assombração!
Passado alguns dias, num fim de tarde, como sempre bem na hora em que ia tomar banho lembrei do rodo que estava na varanda, ao abrir a porta tive a impressão de que me observavam, no entrar fechei a porta e fui em direção ao banheiro, após tomar o banho fui para o quarto, desenrolando me da toalha, escutei:  "Gostosa, você vai ser minha!" 


  "Imagem colhida da Web, como todas as imagens deste blog. Só que com algumas alterações"

Olhei rapidamente para a porta, não vi nada, me enrolando rapidamente na toalha, eu abri o vidro da janela, não vi nada, fui em direção a sala e disse: Alice o pai chego! 
Não, porque mãe? Ela me respondeu.
Nada, eu pensei ter ouvido ele! Eu a disse.
Deste dia em diante quase que o dia todo todas as janelas de casa eu deixava fechada, se alguém pensasse de abri-las, eu não permitia, a não ser que se meu marido estivesse em casa, mas mesmo ele estando lá, toda vez que eu ia trocar de roupa ou algo assim, fechava a veneziana da janela até o vidro, não da para explicar o medo que sentia, tinha convicção de que algo estranho acontecia mas não sabia o que, do que se tratava?


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André percebendo isso me disse: Raquely, o que está havendo com você? Ninguém vai te ver aqui! Estamos a uma grande distancia dos nossos vizinhos, deixa de ser boba!
Há, André, nunca se sabe a hora em que o caseiro e o nosso vizinho iram estar  por ai no nosso terreno atrás destas ovelhas! Eu já os vi passando do lado da nossa varanda. 
Passado alguns dias, num fim de semana, estávamos andado por nossa chácara, André vendo o coberto que tinha nos fundos do nosso terreno disse: Vamos sentar um pouco aqui?
No sentarmos começamos a conversar sobre o mato que novamente começava a crescer e principalmente naquele local, tínhamos de fazer uma limpeza rápido ou não teríamos mais o livre acesso a esse espaço para nosso uso.  


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André e eu começamos a arrancar as "vassouras de bruxas", a praga, como nosso vizinho as chamava, pois esse mato se alastrava tão rapidamente, que mal o arrancávamos, logo, em dias nasciam novas mudas no mesmo local de onde tiramos. Percebendo a dificuldade em arrancar aqueles galhos encrostados na terra, eu fui buscar a enxada e a foice, enquanto as crianças e André me aguardavam lá. Descendo a ladeira em direção de casa, senti que alguém me olhava da cerca vizinha, no olhar disfarçadamente pra lá, vi que algo se movia entre a cerca e a plantação, continuei a andar, até que escutei: "Você viu?"  "É ela..."
Olhei novamente para o lado da cerca, vi que um homem de camiseta branca e bermuda cáqui andava tão rapidamente entre as moitas que não deu pra ver quem era direito. Pensei: Quem é?... Deve de ser do sitio, aonde rola uma festa... Mas, o que ele faz aqui? 
Nisto escutei risos, comecei a andar mais rápido e olhando na direção de onde eu o vi  em fração de segundos sumiu, pensei: Não era uma pessoa! 
Aqui eu começava a perceber que em alguns momento tinha visões e que nem todas aquelas pessoas estranhas que via caminhando próximo a chácara de vez em quando eram reais.
Num dia desta mesma semana fui a casa da Jack, minha amiga que fazia uns bicos de cabeleireira de vez em quando, ela fazia escova no meu cabelo, pois eu ia sair a noite com André. Nós falávamos sobre a correria que se tornava minha vida, pois eu não estava dando conta de limpar aquela imensa casa assim como o mato que crescia em sua volta, em seguida entramos em acordo e ela combinou de me ajudar, em troca, eu lhe dei um pagamento simbólico em dinheiro, se tratava mais de um ajuda de uma amiga do que um serviço contratado.
No ela me perguntar se eu estava gostando de morar lá eu a disse: Sim, eu amo aquele lugar, mas só está havendo um problema, Sabrina, diz que a casa é mal assombra, muitas vezes ela fica com medo de dormir em seu quarto e acaba levando seu colchão para o nosso quarto para dormir perto de nós, pode? Com isso Jack, Antony e Alice fazem o mesmo pois acabam se assustando com as bobagens de Sabrina. Acredita nisto? 
Mas o que ela vê? Ela já te disse algo sobre isso? Com olhar intrigante me disse a Jack. 
Há, ela já me disse sentir que alguém entra no seu quarto e pressenti que se senta nos pés de sua cama, as vezes diz ouvir coisas, como sussurros que acredita serem de espíritos. Eu a respondi.
Raquely, isso não é normal, ela já é uma mocinha pra se assustar atoa. Sabe porque eu te digo isso? Eu já trabalhei nesta chácara quando lá funcionava uma creche. Neste tempo aconteciam coisas inexplicáveis que até hoje ninguém sabe dizer o que eram aquelas coisas. Ela me dizia com uma expressão bem preocupante. 
Mas que tipo de coisas? Eu a perguntei.
Algumas pessoas que trabalhavam lá diziam ouvir vozes enquanto estavam sós, outras viam vultos e as crianças então, elas são bem sensitivas a essas coisas, não sei você já ouviu falar, geralmente quando elas falam sozinhas ou reclamam de ter medo de alguns lugares por sentirem que ali tem algo que as assusta, na maioria das vezes realmente tem. Isso acontecia quase sempre por lá. Disse Jack.
Serio, mas quanto aos funcionários, eles acreditavam ser o que? Eu a perguntei.
Não eram todos que tinham tais pressentimentos, nem todos tinham a mesma crença com relação a isso, mas que aconteciam coisas estranhas, há isso eu acredito Raquely e grande parte da equipe de funcionários diziam crer que fossem almas perdidas, espíritos que não conseguiram se desvencilhar da matéria, deste mundo! Jack me contou.
Jack, você tá me assustando, pois eu tenho as vezes impressão de que Sabrina esteja realmente vendo essas coisas. Eu adisse.
Não é minha intenção te por medo Raquely, só quero te alertar, pois eu sei do mal que se passou com uma de minhas colegas, que era caseira lá. Ela nós dizia que quando estava só naquela casa se sentia vigiada, ouvia vozes que lhe diziam, " a tomarei pra mim"... "será minha", coisas deste tipo, a pobre quase chegou a loucura...
Mas o que houve com ela? Você sabe? Eu há perguntei, lembrando dos últimos episódios ocorridos comigo.  
Uns descrentes acham que ela ficou louca mesmo e alguns acreditavam que ela precisava de ajuda espiritual, mais eu não, eu acredito que só Deus pode nos livrar de um troço desse. Disse Jack. 
E você tem noticias da tal colega? Eu a perguntei.
Há Raquely, depois que ela saiu de lá, só ouvi boatos de que foi interna numa clinica, foi pra casa de parentes em um outro estado. Eu não bem ao certo. Respondeu Jack que continuando a falar me contou: Sabe aquela capelinha cheia de santos bem na entrada da chácara? Dizem que foi posta lá antes de ser creche, pra proteção, pra evitar que coisas como estas acontecessem! Eu não te contei nada antes, pois sabia que você não acreditaria em mim. Até pensei em lhe contar naquele dia quando fomos lá a procura do caseiro, pra alugar a chácara, lembra? Não te contei com medo que você me interpretasse mal.


Tenha fé!


        
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Bom na época eu achava que Jack, era um tanto pouco dramática demais, exagerada, pra mim ela era sensitiva e emocionalmente muito preocupada com tudo, por isso o exagero. 
No entanto hoje, quando recordo me disso, penso, ela tentou sim me ajudar e não haviam exageros naquelas palavras que só demonstravam o mal que nos rondava, sendo uma doença física, mental ou espiritual eu precisava de ajuda e rápido! 


Acredite na medicina!!!

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A noite eu sai com André. Na maioria das vezes em que saíamos consumíamos bebidas alcoólicas ao que eu sou extremamente fraca, pois muito rapidamente o álcool me sobe a mente e André, sem maldade, achando fazer bem em me descontrair mais,  pedia que eu o acompanhasse nos drinks e inconscientemente acho que acabei  aceitando, pois sempre fui muito retraída em certas circunstancias, no entanto ao beber me sentia uma outra pessoa, ficava mais leve e descontraída sim, deste modo fazendo com que nossa noite fosse muito mais agradável entre nós.    
Nós fomos ao salão Aramaçá, onde se realizava um evento e com o pagamento das entradas tínhamos consumação livre para bebidas a noite toda. O que me gerou grande desconforto, de inicio estava tudo muito bom, mas entre um copo e outro passei muito mal e o meu bem estar passou de muito bom para o nada legal, aqui fica a dica, não importa o que as pessoas pensem de você, seja autêntico, não se deixe levar por drogas, como aqui cito no meu caso o "álcool desinibidor" o qual não me trouxe nem um beneficio nessa noite, garanto que ser autêntico e de forma consciente ou tratar do seu psicológico, se necessário, é bem melhor do que tomar qualquer atitude precipitada, pare e pense nisto, seja autêntico e não tenha medo, aceite-se, isso te trará um contentamento inigualável tanto interno como externo trazendo assim a real alegria pra si e os seus. 
Era um domingo fazíamos uma visita a os pais de André, neste dia Carolina, percebendo nossa presença na casa de Selma, também foi lá, onde podemos matar a saudade e conversamos sobre nosso dia dia, ela nos contava as novidades, como, o porque de sua intensa alegria naqueles dias, Sandra, sua filha, deu a luz a primeiro seu netinho... 
De repente não me recordo quem começou com o assunto, iniciou se uma falação sobre o significado dos sonhos, inclusive Selma, tinha um livro que tratava sobre esse tema. E Sabrina não perdeu tempo, pegou o livro e olhou criteriosamente o significado de cada coisa com que sonhou, até que eu entrei na brincadeira. Nesta hora eu lhes contava sobre um pesadelo que tivera em noites anteriores, Carolina atenciosamente me ouvia dizer: E o pesadelo que tive esses dias, foi tudo muito esquisito, parecia tão real que ao acordar pensei mesmo ter vivenciado a aquilo, mais em segundos voltei a si percebendo que se tratava de um simples um pesadelo.
Carolina aguçada pela curiosidade me disse: Conta Raquely, é bom, pois pesadelos não é faz bem guardar, sempre é bom expô-los, pois se guardamos eles pesam em nossa memoria e atraem energias negativas.
Eu a contei: Primeiro, eu estava na varanda de casa e um homem me trazia flores que eu não aceite, em seguida ele começou a chorar e senti que ele me traria uma noticia da qual eu não queria saber, o mandando ir embora, tive uma sessação muito ruim! Como se eu pressentisse que alguém que eu amo muito corria grande risco de vida. Depois lembro me de não mais o ver , vi  as flores caídas no chão e todas elas estavam muchas. Ao acordar no meio da noite, percebi que ainda não havia amanhecido voltei a dormi, novamente tive mais um pesadelo onde eu e as crianças encontrávamos um comodo do qual não tínhamos conhecimento de ter em nossa casa, entramos e curiosamente vimos que tinha quase tudo do que nos faltava em casa,  as crianças corriam entre as coisas dizendo olha mãe que legal, neste instante eu vi um colar com pedras que brilham, eram verdes como as de esmeraldas.


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Do nada senti grande agonia, era um desespero tão grande, lembro, que naquele exato momento mandei as crianças saírem de lá, então corríamos pra fora, quando um deles me perguntou o porque, na hora em que eu ia lhe responder acordei. 
E Carolina com feição serena disse me: Você não aceitou, né? Isso é bom.
Ao ouvir as suas palavras, ditas com tanta serenidade, me fez refletir, não sobre os sonhos, mas sobre as novas circunstancias em que minha vinda se enrolava; as vozes, as visões, meu pedido a Deus... "Pra me mostrar a verdade, o caminho..."
Passados alguns dias, na hora em que entrei no banheiro para tomar banho, aquela voz que já não me era estranha veio para meu tormento, sim tormento, pois como eu iria tomar banho, ouvindo tais coisas, ainda mais vindas de um homem ou espírito, seja lá o que fosse, se tornava cada vez mais frequente, escutei... "Olha só..." E de repente uma outra voz menos conhecida... "To vendo..." "Ela, não parece que nos ouviu?" 
No dia seguinte Jack me ajudava com os a fazeres de casa como havíamos combinado, no primeiro dia foi um corre corre, já no segundo dia terminamos cedo com o serviço e fomos tomar um café na cozinha, quando eu me desabafei com ela, dizendo: Jack eu não aguento mais, preciso desabafar com alguém se não vou enlouquecer ou já esteja louca quem sabe?
Que foi? Ela me disse com ar de preocupação.
Me sinto como num big brother, sinto me vigiada em todos os cantos desta casa, sei que parece loucura, mas já até pensei que há cameras ocultas espalhadas nesta casa. Eu a disse.
Não são cameras! Ela me disse com firmeza.
Como assim? O que pensa que é? Eu a perguntei lhe explicando: Jack, até quando vou ao banheiro, estranhamente já senti que me observam, inclusive ouvi dizerem coisas sobre mim.
Ela me disse com olhar assustado: Raquely, não são cameras, nem tão pouco pessoas deste mundo.
Então como ouço estas vozes e sinto que me vigiam? Perguntei.
É porque verdadeiramente te observam, mas não são pessoas, eu te digo isso porque desde muito nova eu tenho visões de pessoas que já se foram. Disse Jack.
Serio? Eu a perguntei.
No mesmo instante eu escutei o ladrar de meus cachorros e aquela mesma voz de sempre os chamando: Boby!... Totó!... Nero!... 
E Jack muito assustadoramente me perguntou: Qual o nome de seus cachorros?
Não acredito, o nome deles é Nero, Totó e Boby! Você também ouviu? Eu a disse muito surpreendida de ver que mais alguém podia ouvir aquela voz.
Sim eu ouvi! Ele chama por seu cachorros.  Ela me respondeu.
Eu a perguntei: Mais o que eles querem de mim? O que faço?
Falou Jack: Não faça nada... 
Nada! E como eu me livrarei disso? Devo fazer uma oração pra que encontrem a luz, a passagem ou o que? Eu a disse achando estranha sua resposta.
Nada mesmo, nem oração, só por Deus Raquely, não adianta fazer mais nada. Ela me disse resignadamente.
Com isso me pus um pouco em duvida ás coisas que Jack me dizia, pensei que ela poderia estar se embaralhando com meus problemas, se sentindo impressionada talvez, a ponto de imaginar coisas. 
Eu a disse: Meu Deus Jack, se não a nada a se fazer... 
Raquely com tempo tudo sumirá, só não fique dando importância ao que eles dizem, evite de comentar tais coisas, como o que dizem essas vozes ou se viu algo, porque isso os atrairá, mas de seus pensamentos eles não tem conhecimento. Ela me disse. 
Eu fiquei observando a tudo o que dizia Jack, me recordando de alguns fundamentos espíritas de Allan Kardc, de que, se espíritos de almas desencarnadas te procuram, ou você está em divida com eles ou procuram por ajuda. Em seguida, ela olhou em minha direção fixamente. E eu escutei a voz do espírito que me perseguia: "Não tem como eu te deixar! Se você não quiser ser minha, vou matar aquele cara, vou matar...
Raquely, Não de atenção! Disse Jack que após dar uma pausa continuou a me falar: Eles não tem poder nenhum sobre nossas vidas, não acredite nas ameaças, se ele dizer que vai matar André ou ameça fazer mal as crianças, não acredite!
Meu Deus o que é isso? O acontece aqui? O porque disso? Eu pensei extremamente assustada e com muita preocupação.
Jack o que ele quer? Se eu não descobri talvez você consiga, eu preciso saber, se não como vou me livrar disto? Eu a perguntei. 
Me olhando extremante assustada, ela me respondeu: Sangue! Raquely, presta atenção, lembra que eu te disse que teve uma colega que trabalhou aqui quando funcionava uma creche?
Sim! Eu disse.
Este "homem"(o espírito) procura em te fazer o mesmo, ela ficou tão transtornada que quase isso a levou a loucura, este tipo de espírito, como costumam dizer é um espírito obsessor, geralmente querem que você se juntem com eles, querem que você cometa suicido. Mas de nada eles tem poder pra te matar ou fazer mal as pessoas que você ama, faça o que eu te disse, não de atenção, não faça nada mais, basta não lhes dar importância que logo somem. 
Com isso fomos nos sentar na varanda quando mudávamos de assunto, Jack me mostrou as marcas de desenhos e os resquícios de cola na parede, o que vinha confirmar com o que ela dissera antes ali realmente funcionou uma creche.
Passado algumas horas, Jack havia indo embora, a noite antes de dormir eu elevei meus pensamentes a Deus, lhe pedindo muito intensamente que nos ajudasse: Senhor, não sei o que está havendo por aqui, peço pai que nos livre de todo o mal! Sei que em ti terei meu refugio. Guarda meus caminhos, mostra me que posso fazer e que diante das portas desta casa esteja gravada a santa cruz de nosso senhor Jesus, leve embora senhor estes que procuram fazer mal a minha alma! Amém por nosso senhor Jesus Cristo! 
No mesmo instante que disse amém, notei que lá fora fazia grande ventania, os ventos que sopravam nas janelas faziam sons como de um assobio e as venezianas tremiam. Alguns instantes depois Nero, nosso cachorro que ficava amarrado a pouca distancia da janela de nosso quarto latia ferozmente, de repente escuto como se alguém jogasse algo na direção de Nero que começou a ladrar com muito mais fúria. Chamei a André, dizendo: André que será que está havendo com esse cão?
Há, deve de ser um daqueles esquilos! Volte a dormir, não é nada! Disse André.
Passado mais alguns minuto Nero parou de latir e aos poucos as rajadas de vento parecia estar se cessando, quando eu escuto mais uma vez o som de como se algo fosse lançado sobre Nero e novamente seus latidos, e aquela mesma voz de sempre, daquele homem (o espírito obsessor como eu julgava ser naquela hora) escutei em meio a gemidos de um choro desesperado: Droga! Nem esse cachorro imprestável, me serve de ajuda agora!
Fiz como Jack havia me aconselhado, não dei importância,  fechei olhos e logo me veio o sono. Na Manhã  seguinte, enquanto eu coava o café. Alice veio correndo lá de fora em minha direção, dizendo: Mãe, olha só essa bolinha da raquete de Antony estava guarda, eu perguntei para Antony e Sabrina se eles pegaram, ninguém pego ela da caixa! Como isso foi parar lá com Nero? Ele a estraçalhou junto ao papai noel de pelúcia que também tava no meu quarto.
Filha, provavelmente alguém deixou lá perto e não se lembra. Eu a respondi. 
André escutando isso a disse: Para de dizer bobagens pra sua mãe, é claro que foi um de vocês que esqueceu disto lá!
Não pai, eu vi isso na caixa no nosso quarto ontem a noite, tava lá sim! Disse Sabrina.
Sua mãe e você já deliram com essas bobagens de que há fantasmas por ai, agora vai me dizer que o fantasma que pegou! Falou André em meio a risos. Assim se encerrou aquele assunto.
Passada a noite de natal que foi comemorada na casa de minha irmã Nair, com toda família reunida, foi uma alegria muito grande em poder estar lá!


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E na véspera de ano novo, minha mãe, meus sogros e meu cunhado  foram a nossa casa, tudo ia muito bem até eu perceber que minha mãe não se alimentava direito e o pior foi ver que ela gastou seu dinheiro comprando coisas que já tínhamos em casa,  eu a disse: Mãe a senhora já não se alimentou direito essa manhã, precisa se cuidar mãe! 
Eu estou bem não se preocupe! Disse ela que abrindo as sacolas que estavam na mesa me falou: A mãe comprou as laranjas pra fazer a vimina pra tomar meu remédio! 
O que? A senhora compro laranjas? Mãe tem um saco grande de laranjas na geladeira pra que isso? Eu disse inconformada por sua atitude.
Filha, eu não quero dar gasto a vocês. Ela respondeu.
Gasto! Eu disse com dor em meu coração e continuei a dizer: Mãe eu por a caso te cobrei algo? Você é minha mãe jamais deveria pensar deste modo. Não faça isso comigo, senhora me magoa grandemente, onde já se viu?
Nisto Alice se doendo por minha mãe gritou: Para mãe! Coitada da vó, ela só quis ajudar!
Alice não se meta onde não foi chamada, a sua vó tem que entender que eu sou sua filha e que minha casa é sua casa! Nervosa eu a disse.
Então Alice disse com uma voz de choro: Você tá fazendo a vó chora mãe!
Eu fui em direção a minha mãe e lhe pedindo desculpas disse: Mãe para e pensa, a senhora não precisa se preocupar em nos dar gasto, pois eu lhe dei gasto a sua vida toda agora é minha vez, minha obrigação em te cuidar. 
Após isso, entre os bicos de descontentamento com bobagens vindas do nada, eu notei que Selma e seu Leonel estavam de cara trancada pra mim. Lembro me que na noite anterior onde havia tido um queda de energia elétrica, e eu e minha mãe ficamos sozinhas cuidando de fazer a janta que se atrasou um pouco mais que o normal, no colocar a mesa notei que meus sogros se recusaram em jantar. Até hoje não descobri o porque de tanto disse me disse. Tudo aquilo estavam sinceramente me chateando muito, é muito difícil mesmo agradar a gregos e troianos! Eu pensava.
Passada as horas, minha mãe quis ir embora, e eu sem saber porque daquela atitude descabida pois era véspera de ano novo, eu estava conturbada preparando as coisas para noite, pensei que eu havia de exagerado em lhe ter dito aquelas coisas pela manhã. Pedi lhe desculpas novamente e muito triste com aquela situação, perguntei: Mãe que foi então? Porque não quer ficar conosco, é véspera de ano novo?
Filha a mãe tá lembrando agora que Marília e Nelson estão sozinhos pensei em passar com eles. Disse minha mãe.  
E se eles não estiverem lá? Eu a perguntei.
Não faz mal, a mãe não liga pra essas festa mesmo. Respondeu ela.
Notando que não adiantava eu a pedir que ficasse, eu a disse: Espera só um pouco, deixa eu me arrumar e nós te levamos de carro.
Não precisa filha vocês tem tanta coisa a se fazer, o ônibus passa aqui em frente, rapidinho estou em casa! Ela disse.
Isso me doeu mais que um tapa, pensei: Poxa eu sou filha dela como que eu vou deixar ela, minha mãe, uma senhora, que pegue um ônibus que demora mais de uma hora pra chegar a seu destino. Eu a disse: Mãe para, espera ai eu já venho.
Quando nós estávamos a caminho me bateu uma crise de choro e eu disse: Ou eu fui uma peste em vidas passadas ou eu devo de ser uma pessoa muito ruim mesmo pra merecer tudo isso,  meu Deus!
Não fala assim filha! Disse minha mãe.
E André disse: Calma Raquelzinha, é véspera de ano dia de alegria, pare com esses argumentos sem sentido pra desculpar a todos esses seus destemperos, sabe o que é dona Sandra ela inventa de fazer um monte de coisas e depois não da conta e fica assim! 
Ou deve de ser o coisa ruim, que vocês deixam se interver causando tudo isso a nós. Disse eu.
Para menina!Com firmeza disse minha mãe.
É sim, a senhora, minha mãe me trata como a uma estranha, Selma e Leonel ficam fazendo aquelas caras e bocas,  deve de ser o Diabo mesmo, querendo acabar comigo!
Minha mãe tentando me acalmar disse: Meu Deus filha não diga essas coisas! Não fique assim, a mãe vai lá na sua casa semana que vem! É que lembrei que eles estão lá sozinhos mesmo, por isso quis ir pra lá. 
Então eu chorei e muito por tudo aquilo que veio a acontecer naquele dia. Só consegui manter o controle quando eu e André retornávamos para casa.


 " Tenho-vos dito isso, para que em mim tenhais paz; no mundo tereis aflições, mas tende bom ânimo, eu venci o mundo." João 16:33
Palavras do Senhor.



Dias se passaram, Jack que havia ido me fazer uma visita, me pedia conselhos, pois passava por problemas muito sérios, seu casamento que estava em crise já a algum tempo, parecia ir rumo ao divorcio, fiz o que pude para acalma la, tentei a ajudar no que pude, estando ela mais calma ao anoitecer após ela ir embora, eu e as crianças assistíamos a uma reportagem, onde as noticias não eram nada boas, havia acontecido uma tragédia nas obras da linha do metro de São Paulo. 




Ao assistir aquele terrível fato que acontecia, pensei: Senhor que tragédia? Quando sofrimento pai! 
No ir para meu quarto peguei a bíblia e aleatoriamente a abri, após ler um pequeno trecho me deitei e elevei meus pensamentos a Deus:  Meu senhor, tendes misericórdia de nós, perdoa me pois sei que não sou digna de tuas bençãos, tenho por muitas vezes agido imprudentemente, mas sei que senhor tem me mostrado coisas que me conduzem a verdade, pai misericordioso obrigada por todo seu amor! Peço te humildemente que não nos abandone, pois sem ti não somos nada, ajuda pai aos que estão em sofrimento, nos guia ao teu caminho. Amém por Jesus Cristo.
Em seguida dormi e tive um sonho, sonhava que em volta de minha casa haviam muitas pessoas a maioria jovens e crianças, depois olhei para o alto de nosso terreno e vi que tinham pessoas com pás e escavadeiras trabalhando, e em seguida estava num outro local e vi algo como fosse catatumba e uma pessoa me dizia: Vá e veja, ela precisa de auxilo!
No olhar para o fundo daquele buraco, vi uma pessoa que não me era estranha, tomei um susto, ela olhando em minha direção se mexeu e disse: Que faço aqui?
Senti como se lágrimas escorressem sobre minha face, eu a disse como alguém que quer dar conforto por tanto sofrimento: Tenha paciência vão te achar! E percebi que haviam mais duas pessoas inconsoladas ao meu lado, eram seus pais.
Ao acordar senti me angustiada, era como se aquele sonho não fosse um sonho, parecia mesmo que eu tinha vivenciado a tudo aquilo. Hoje sei que não passou de um pesadelo, pois em tudo que creio são nas palavras de meu senhor Deus por Cristo. 
Numa noite da mesma semana, ouvíamos musica, lavava a louça quando senti que aquelas mesmas vozes de sempre vinham, como se estivesse aproximando do vidro da cozinha, começavam num tom baixo como se cochichassem até sentir pela primeira vez, como se a voz do espirito obsessor, o que eu creditava ser na época, falasse do lado de fora do vitro da cozinha e adentrasse falando ao pé de meu ouvido, foi assim, escutei num tom baixo: "Ela me ouvi! Vou lá"... "Não cara, melhor não!"
Depois escutei cada vez mais e mais perto até ouvir aquela voz nitidamente próximo ao meu ouvido: "Ei, eu sei que me ouve!"... Ei! Não adiante fingir... Raquely... Raquely... Hooo.... Raquely! 
E do lado de fora escutei como se fosse uma voz apreensiva dizendo: Esse cara é louco! 
A partir daqui, eu não tinha mais duvidas, definitivamente aquelas vozes que escutava quase que diariamente não eram pessoas vivas. 
No fim de semana meu cunhado nos trouxe um DVD para assistirmos, era de documentário, que falava sobre uma teoria positivista sobre um modo de vida visto de um ponto muito diferente do qual somos acostumados.  No documentário dizia que os pensamentos teoricamente tem força, que os pensamentos eram como imãs que atraíam prosperidade se fossem positivos ou que atraem problemas se negativos. Continham conceitos, como nada se cria, tudo se copia, Rhonda dizia se acreditar que descobrira o grande segredo da vida, como um grande tesouro, a teoria que podia mudar na prática a vida de bilhões de pessoas e é obvio, como a dele também. Na época impressionada pela manipulação do vídeo e sem notar a toda aquela displicência generalizada da ideia estereotípica no seu real sentido, baseando se na vida como quem tem poder mesmo de mudar seus rumos, obtendo pesamentos positivos, eu acreditei, que talvez poderia sim mudar, grande ilusão. Deus nos criou por tanto só o senhor tem poder.     


 vídeo youtube

No acreditar em tais conceitos não me dei conta da gravida com que tudo aquilo não dava a menor importância sobre a fé que devemos ter em Deus. Recordo me das ideias que vieram a minha mente, que eu poderia sim; ser feliz, poderia sim melhorar de forma social, sentimental e financeiramente minha vida! Como também a apartar de vez, quem sabe, com aquela loucura que invadira minha alma, tirar aqueles espíritos de minha vida. Comecei a exercer pensamentos de forma a nutrir ideias e sentimentos positivos, que ilusoriamente me ajudaram por um pouco de tempo. Mas de nada resolveu pra me livrar do grande mal que é essa doença, a depressão. No exercício destes pensamentos ao ouvir as vozes eu dizia a si mesmo: Não é real... Não é real... 
E forçosamente tentava me lembrar de todas as atividades a fazer durante meu dia, calculava de forma positiva tempos possíveis de termina-las, imaginava também me realizando em tempos futuros em questões do tipo social, afetivo e financeiro! 
E quando tudo parecia estar fluindo normalmente, aqueles mesmos pensamentos perturbadores como a voz daquele homem, "o espirito obsessor e sua legião" voltaram  para aflição de minha carne e espírito.


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Era uma quinta para sexta-feira e como sempre estava na correria pra fazer o almoço e dar conta de tudo em casa, naqueles dias eu vinha tomando uma postura na qual André não gostou nenhum pouco, passei a me preocupar em me deitar cedo, lia a bíblia atentamente antes de dormir e elevava meus pensamentos  a Deus. E ao anoitecer não importava o que ele me dissesse ou me pedisse nesta hora, eu lhe dizia metodicamente: André preciso dormir, a manhã tenho muita coisa para fazer e se o almoço atrasa de quem a culpa?
Numa dessas noites eu arrumava a cama, quando escutei... "Raquely!"... Parando, notei que aquela voz não podia ser de alguém de casa, peguei a bíblia e comecei a ler. E  André veio ao quarto me dizendo: Você não disse que ia dormir? Porque lê esse livro?
André não é um livro qualquer é a bíblia, respeite minha fé! Eu o respondi.
E passado alguns segundos que André havia saído, escutei suas reclamações vindas da cozinha: Olha só essa casa... Está tudo fora do lugar, cade meu livro e meu óculos que eu havia colocado na mezinha da sala? Sabrina vem pegar seus cadernos e arruma essa bagunça que deixou aqui! Sua mãe diz que vai dormir cedo pra dar conta das coisas, no entanto, olha só nem meus livros se salvam dessa bagunça que vocês fazem... E o almoço de hoje estava uma droga!
Isso me enfezou a tal forma que me levantei rapidamente da cama no intuito de falar pocas e boas a ele, quando escutei aquela voz na qual havia dito meu nome minutos antes, era aquele espirito, ele não havia sumido como eu imaginava, estava lá e não era pra me ajudar, dizia a voz... " Ta vendo que canalha, ela faz de tudo pra ele e ele não a da o verdadeiro reconhecimento que merece!..."
Chegando a sala vi que André discutia com as crianças na porta do quarto deles, dizia ele: Seu bando de preguiçosos, olha a baderna que fazem! Alice coloca esse cachorro pra fora! E cade meu livro? Estava na mezinha onde você deixou suas bagunças Sabrina? Onde pos meu livro?
Nisto eu falei: O porque de tanta ignorância? Seu...
André nem se deu conta do que eu havia falado, parecia trastornado, quando escutei a voz do espirito em meio a revolta e ofensas: "Seu escroto... Estupido... Esse cara é um otário se enche de revolta por tolices e joga a culpa toda nela... Vai fala mais alguma bobagem? Você vai ver só uma coisa! 
Eu me calei, diante do que ouvi. Era como se meu nervoso acabasse instantaneamente, fiquei paralisada e desprovida de palavras, por mais nervoso que ele estivesse, meu marido jamais era merecedor tais insultos, só pensei: Que é isso meu Deus?
André vindo até mim perguntou: Raquely onde está o livro?
E eu o respondi: Não sei, mas já olhou na comoda do quarto?
Então assim se encerrou a discussão, o livro de que André tanto procurava estava em uma gaveta da comoda.  
Ali percebi quanto mal rondava minha vida. Essa e muitas outras discussões, foram geradas do nada. Nosso relacionamento estava se tornando insustentável em alguns momentos, mas de uma coisa hoje eu tenho certeza, nosso amor foi mais forte que tudo isso e como Deus é amor, sei que ele nunca nos abandonou.     
De certa forma André tinha razão de se chatear, pois eu realmente estava me isolando, mal lhe dava atenção, pouco conversávamos e eu meditava muito sobre a vida, as vezes entrava em meu quarto, não importava a hora, lá ficava em meio a pensamentos sem fundamento algum. 
André sempre muito carinhoso e preocupado tentava saber o que estava acontecendo comigo, fazia perguntas como: Raquely, o que está havendo com você? Vai dormir todo dia antes de todos nós, você sabe que temos pouco tempo para nós, é só de noite que temos tempo de ficarmos juntos, você nem está se alimentando direito, para de se isolar e me diga o que está te deixando assim Raquelzinha? Estou muito preocupado com tudo isso!
Eu desconversava lhe dizendo: Não nada de erado comigo André, simplesmente estou tentando me organizar mais, isso não bom?
Sim, mas dá para você se organizar sem nos deixar de dar atenção?Perguntou André que continuando a falar me disse: Agora você deu pra fazer isso, todos os dias, mal chego em casa e você já está se preparando para ir ao quarto ler aquele livro e nunca termina de lê-lo, já não lhe ocorreu que somente um dia desta semana você tirou apenas uma hora para ficarmos juntos na sala com as crianças e que o resto dos outros dias, você nem se quer assistiu aquela novela estupida que gosta de assistir, coisa que eu sempre detestei mas para tê-la um pouco de tempo comigo permaneci na sala no entanto, a novela mal acaba e você vai dormir.  
Nossa tudo isso só porque vou dormir um pouco mais cedo!Qual o problema? Perguntei.
Muitos! Disse André
Nervosa, eu o lhe respondi: Para de querer ser o manda-chuva, somos casados, não sua subordinada para fazer tudo como seus conformes. Só estou indo dormir um pouco mais cedo, se quer ficar comigo um pouco mais porque não se organiza você e arruma um tempo para isso?
Mal eu havia acabado de lhe perguntar André, alteradíssimo disse: Deixa de ser egocêntrica Raquely, eu tenho horários a cumprir no trabalho, trago serviço pra casa, são provas e provas... Atividades e atividades pra organizar...  Sou professor lembra? Meu trabalho não fácil  e você sabe disso!
André não quero brigar com você ou te chatear estou tentando ser uma mulher e mãe melhor. E basta você se organizar sim, por que não vem dormir mais cedo também? Eu lhe perguntei.
Dormir cedo? Nunca fizemos isso e tudo sempre ocorreu bem, mesmo com suas trapalhadas que faz de vez em quando, prefiro isso, do que ter a sua ausência e falta de amor. 
Tá bom, se isso está te chateando tanto assim, vamos entrar em um acordo, ficarei mais tempo com vocês a noite, mas não dormiremos em horários absurdamente tarde como tem acontecido nos finais de semana! Eu lhe disse.
Com um pouco de resistência da parte de André, chegamos a um consenso.
Passada algumas semanas fui a casa da Jack, passamos uma tarde agradável com as crianças, ela e eu preparamos alguns salgados de forno, cuja eu havia prometido  lhe passar a receita dias antes. Sua irmã Jose, que era umbandista, estava lá conosco, eu gostei muito dela, a achei uma pessoa extremamente bacana e agradável, apesar de suas crenças não serem nada convencionais pra mim e de não concordar em alguns assuntos de religião permaneci cala e não a deturbei com meus conceitos religiosos. 
No entanto conversa vai  conversa vem... Entramos nos assuntos de espiritismo, encarnação, almas desencarnadas, espíritos obsessores, bruxaria, macumba. Foi onde eu lembrei de uns daqueles passeios em volta do trilho de trem que tinha frente a nossa chácara. André que se diz cético ao ver trabalhos de macumba próximos a trilha, tirava o sarro, caçoava muitas vezes até pegando os objetos posto nas macumbas dizendo a nós: Há parem de serem bobas, quer dizer que se eu pegar as moedas ou uma flor daqui to ferrado, tudo bobagem! Que palhaçada! 
Sua mãe, D. Selma, esteve conosco num desses momentos e seu nervoso por ele era tanto que o fazia rapidamente jogar tudo no chão. Mesmo que ele não tenha nunca levado nada disso para nosso casa, a superstição minha e de minha sogra era tanta que morríamos de medo de cair em desgraça.
Contei isso com Jose, que preocupadíssima me alertou: Não deixe que isso se repita mexer em macumbas atrai mal agouro! Espíritos das trevas que se alimentam de maldade e do medo podem segui-lo. Trazendo grandes transtornos não só para ele como a todos de sua casa. 
Isso me atemorizou grandemente, então perguntei: Será que esses espíritos que rondam minha casa são vindos desta ação de meu marido Jose?
Olha isso eu não posso te responder, mas eu posso fazer uma visita a sua casa se você quiser, ai eu vou ver se posso te ajudar. Respondeu ela.
Ajudar como? Eu a perguntei já imaginando que ela tivesse a intenção de exorcizar ou fazer uns daqueles ritos de umbanda, coisa de que eu jamais quis ter participação em minha vida.
Não se preocupe eu não te cobrarei nada, até mesmo porque eu já a tenho como uma amiga querida. E te digo mais, vou te fazer uma mandala de proteção.Tudo vai sumir, tudo vai ficar bem!
Assustadoramente Jack, que era crente e se opunha a tudo aquilo,   antes que eu pensa se em recusar disse a sua irmã Jose: Há não para! Isso não tá certo, eles vão tudo pra ela.
Jose rapidamente disse: Eu só estou tentando ajudar, ela precisa de proteção!
Proteção! Preciso é de Deus, socorro! Eu pensei. 
Com isso mudamos de assunto e passados uns minutos fui para minha casa.


"Deus é teu refúgio, fora dele não há paz!"

Como eu não tive coragem de negar ajuda que Jose irmã da Jack para não a magoar, me calei e como dizem por ai quem cala consenti, tudo foi se ajuntando; medo do desconhecido, medo da tal mandala, medo de um futuro incerto, temor do que Deus pensava sobre isso.

No dia seguinte Jack e Jose foi a minha casa, eram  umas 18hs do fim de tarde, quando elas entraram em casa tudo parecia normal, até a hora que fui a cozinha e escutei sussurros que não pertenciam a nenhuma das pessoas que estavam ali. As crianças brincavam no quarto com os filhos delas. No retorna a sala, vi que as duas me olhavam meio estranho, permaneci incógnita, falávamos sobre as bolachas que acabava de tirar do forno receita que Jack  me passou, quando vi que duas moscas voando em direção a mesa  me virando para meu lado direito, puxando um pano de prato para tampar as bolachas escutei a risada do espírito obsessor, no me virar novamente e calmante como se não ouvisse nada, Jack disse: Raquely! E você ainda olha?
Olha o que Jack? Eu perguntei atônita, por tal coincidência.  
Jose que estava no banheiro, no retornar começou a me contar uma historia: Sabe Raquely, eu tenho uma história muito triste para te contar, sei que não é o melhor momento, mas acho que vai te servir de exemplo e poderá ajuda-la a intender melhor o que está havendo em sua casa. É sobre uma família, onde um casal que tinham filhos com uma doença rara de pele, os quais não podiam tomar sol de maneira nenhuma e sempre a mãe deles gritava com seus empregados se alguma porta ou janela fosse deixada aberta. E conforme seus filhos foram crescendo queriam sair mas ela não os permitia de modo algum, até que um dia descobriu-se sendo traída por seu marido, transtornada, indignou se tanto por tal ação, pois se sentiu injustiçada, por tantos anos de dicação que dara a sua família, transtornada a pobre mulher cometeu atrocidades, matou seu marido e seus filhos em quanto dormiam e depois se suicidou. E até hoje ela anda dentro desta casa imaginando se viva e cuidando de seus filhos e toda vez que vê alguma janela aberta, ela faz de tudo para que a fechem. Mas o que ela não sabe é que já foi perdoada e está morta e deve perdoar e seguir a luz, caminho para o plano espiritual.
Enquanto Jose contava está história observei seu olhar, era como se ela tivesse falando comigo mas no intuito de uma entidade a ouvir, no caso essa mulher, para que saísse de minha casa e de nossas vidas, assim procurando o caminho da luz. 
E logo Jose disse: Não sei se funcionou mas, acho que iniciamos um progresso. Agora quanto a esse homem que você diz escutar se trata de algo mais serio é um espírito obsessor, você sabe o que é um espírito obsessor?
Não. Respondi pra ver sua resposta.
São espíritos desencarnados de vidas passadas que não aceitam sua atual situação, estão mortos, vidas passadas essas Raquely, cuja você em outra encarnação sua viveu com eles, muitas vezes ou você está em divida com eles ou simplesmente eles não querem te deixar. 
E que posso fazer para que tudo isso acabe? Perguntei a Jose.
Não se preocupe, como eu te disse vou fazer uma mandala de proteção pra você. Disse Jose.
Passado alguns minutos em que conversamos,vi as crianças saindo para varanda da casa. Sabrina e a filha de Jose retornaram para dentro de casa, Sabrina foi a cozinha e a menina foi no banheiro. No momento em que a menina saia do banheiro, Sabrina olhou em sua direção assustada deu um grito: Mãe!...
E Jose se levantando segurou nas mãos de Sabrina e disse: Calma filha, o que foi?
A filha de Jose correu assusta em sua direção dizendo: Eu vi mãe! Tinha um homem de palito no quarto sentado  na cama de Sabrina. 
E Sabrina se tremendo e desviando seu olhar da direção de onde viera menina, disse: É esse homem eu já tinha visto e minha mãe não acreditou quando falei, mas o que eu vi agora foi outra ...
E Jose indo em direção a porta do banheiro a fechou, abraçando Sabrina disse: Eu acredito em você minha linda, não tenha medo pois você é possuidora de um dom e tem uma grande proteção dos anjos.
Nisto Sabrina em meio as lágrimas disse num tom alto: Eu vi de novo!
Eu sei, mas ela não pode te fazer nada, credita em mim? Disse Jose tetando acalmar minha filha.
O que você viu filha? Eu perguntei a Sabrina.
Uma mulher mãe! Disse Sabrina que olhando para Jose a falou: Você viu? Ela saiu do banheiro depois que fechou a porta... 
Eu sei, é uma velha estranha e cabelos longos parece brava né, mas não ligue ela só quis te por medo! Disse Jose.
É mas eu só vi seu vulto assustador! Disse Sabrina.
Como eu já te disse você é uma menina muito valiosa com um grande dom, mas como é novinha não está preparada ainda, seu anjo da guarda a protegi por isso não a viu claramente. Fique calma, acredita em mim? Você tem grande proteção! Disse Jose a Sabrina.
E Sabrina mais calma balançou a cabeça em concordância ao que dissera Jose.
Então retomando nossa conversa, Jose pegando uma caneta que estava na mesa e umas folhas de caderno que lhe dera Sabrina escreveu uma oração a um santo, cujo o nome não me lembro agora, penso que talvez fosse São Jorge. Dizia me ela que era uma oração muito forte ao uma Santo guerreiro que não perde nenhuma batalha! E que ele nos ajudaria, bastava fazer a oração com fé. Ela também introduziu uma oração ao anjo da guarda de Sabrina, a pedindo  que orasse todos os dias antes de dormir. 
Passado mais minutos, Jack disse: Eu acredito que tudo é só por Deus!
Jose se opondo ao que disse Jack, falou: Não é bem assim Jack, nós somos muitos pequenos para se chegar a Deus, só através da interseção dos santos temos ajuda.
Se virando pra mim disse Jose: Raquely eu não queria te dizer isso pra não te assustar, mas diante do que vi aqui, tenho que te dizer. Eles são muitos, essa casa minha amiga, está precisando de um descarrego.  Amanhã eu volto aqui, vou te trazer umas ervas para vocês se banharem.
Nisto elas se levantaram, nós despedindo fomos a porta, saindo para fora Jose me passava mais umas instruções cuja ela achava ser bom fazer, indo a ladeira que levava até ao portão da chácara,  não sei se foi pelo pavor que sentia diante de tudo aquilo que aconteceu dentro de minha casa, se era uma alucinação ou um aviso, vi próximo a Jose pontos luminosos. Em seguida Jose nervosa disse: Tão me xingando, não adianta me enxovalhar de insultos eu vou ajudar ela! 
Eu perguntei a Jose o que seria os tais posto luminosos e ela me disse ser seu guia protetor.
Jack disse: Ta vendo! Fica se metendo onde não deve Jose? 
Eu não tenho medo meu guia é poderoso! Disse Jose.
Nisto a filha de Jose disse: Nossa! Aquela velha tá nos seguindo mãe.
Deixa ela! Disse Jose, que olhando pra Jack a falou: Hiii... Minha nossa, Jack ela tá bem atras de você!
Credo Jose! Assustada e andando rápido até o portão disse Jack.
Agora é agente que precisa de um banho descarrego! Falou Jose. 
Chegando ao portão disse Jose a mim: Sei que está assustada, desculpa, não era nossa intenção! Mas eu tinha que te alertar, afinal eu vim aqui para te ajudar. Lembre se! Faça as orações com fé, amanhã  eu te trago as ervas para o banho. 
No trancar o portão eu corri aquela ladeira como se fosse igual as crianças, meus filhos, que corriam junto a mim para casa tremendamente assustados. 
Entrando eu tranquei a porta, pensando: Meu Deus o que será de minha família agora? O que fiz para está coisa horrorosa estar acontecendo comigo? E estas orações para santo, anjos... Não, é como disse Jack, só Deus na nossa vida! E somente com Jesus para nos livrar!
Em seguida comecei a ver vultos pela sala e em alguns momentos o som de vozes, como se um grupo de pessoas falassem juntas e ao mesmo tempo. Meia hora depois, sem falar nada as crianças para não assusta las, tentando assistir TV, tudo parecia acabar minha "alucinação" ou "o tormento causado por aqueles espíritos", ouvi o latido de meus cachorros, indo a porta a abri olhando em direção ao portão notei que alguém chamava. Fui até lá, era Jose com as ervas e um pouco de sal grosso, me dizendo: Eu te trouxe hoje as ervas, é melhor que faça isso ainda hoje, assim dormiram em paz, vi que Sabrina está muito assustada é só dar o banho nela com as ervas que vai se acalmar e dormir bem! Coloque as ervas e o sal grosso em fria, veja bem é importante que seja um banho frio, não esquente a água, deixe agir por uns minutos e jogue sobre sua cabeça dizendo a nossa senhora...
E eu a ouvia dizer aquele rito de cura, até que ela se despediu,  eu agradecendo fechei o portão e subindo a ladeira não sabia mais o que fazer, transtornada, pensava... Se fazia ou não o tal banho de ervas? 
No chegar em casa peguei um vasilhame e fiz conforme disse Jose, chamando Sabrina a disse: Filha a Jose pediu que você se banhasse com essas ervas e sal grosso pois seria bom para ter uma noite mais tranquila.
Não vai esquentar a água mãe? Disse Sabrina.
Há, ela me disse que tinha de ser frio! Eu a respondi pensando... Meu Deus, se isso for contra tua vontade me perdoe, não sei mais o que fazer!


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E Sabrina indo ao banheiro, pobrezinha, meu medo de que aquelas coisas a atormentassem como faziam comigo era tão grande que decidi fazer o tal banho, que de nada serviu a não ser por mais medo em minha filha. Pois no jogar a água sobre sua cabeça vi que se tremia de frio, afinal era uma noite de mês de inverno. No Dizer as tais palavras que Jose havia dito pra falar em quanto jogava água sobre ela, Sabrina disse: Chega mãe, já ta bom!
Nisto ouvi as vozes dos espíritos, dizendo coisas obscenas e zombavam de nós. Então joguei mais e mais água sobre minha filha, imaginando que fosse resolver em alguma coisa. No olhar para seu rosto assustado, parei, lhe pedindo que ligasse o chuveiro para se aquecer.  Sabrina me disse: Não mãe, a Jose disse que não podia tomar banho depois das ervas, é só amanhã que vou poder.
Filha você quem sabe, mas se quiser pode tomar um banho quente sim!
Me sentindo culpada pelo sofrimento que causara a minha filha sai do banheiro, muito triste e sem intender porque passava por aquilo, só pedia a Deus que tudo acabasse logo. 
No André chegar as crianças dormiam no sofá da sala, como já era tarde eu as acordei para irem deitar no quarto delas. E Sabrina logo começou a contar para André que riu do fato dizendo: Parem com essas bobagens, isso é loucura, não existe filha.
Olhando para meu marido disse lhe metaforicamente: Há... Então o que ocorreu aqui foi uma Histeria em grupo! Deixa você de ser incrédulo!
Passado uns dez minutos em que estávamos em nossos quartos, veio Sabrina que trazendo seu colchão disse: Mãe eu vou dormir aqui!
Em seguida Antony e Alice fizeram o mesmo. André nervoso com a situação disse: Volta já para o quarto de vocês! Tá vendo Raquely para com essas loucuras, o que vocês precisam é se tratarem bando loucos!
Chega! Deixa eles ai, vamos dormir! Eu falei.
E se fez o silencio, passado uns minutos André disse: Para de dizer tolices a essas crianças e de dar manha a eles, senão não vão mais nos dar sossego de noite, você e essas suas amigas, tá vendo!   
Passado alguns dias, era uma tarde de sábado,  André dormia no sofá da sala, eu estava sentada ao seu lado, refletia sobre o que havia ocorrido nos últimos dias, lembrando daqueles horrores, pedia a Deus me livrasse daquele mal. Quando escutei a voz do espírito: Para, Deus... Deus não, me escuta...
Em seguida eu disse: Meu Deus!!!
André me ouvido, disse: Que foi Raquelzinha? 
Nada!Respondi.
Nada... O que está havendo com você Raquely? Disse André que dando uma pausa, olhando nos meus olhos continuou a falar: Você não se alimenta direito mais, chego em casa mal me dá um beijo direito se quer, só fica cala com essas suas ideias de jerico na cabeça, fala logo o que está havendo ou então vou achar que você está louca mesmo! 
Credo André para de exagero! Respondi
Exagero? Perguntou ele.
O que você quer que eu faça para parar com essa conversa boba?
Perguntei.
Tente ser mais comunicativa, alegre... Volte a ser o que era! Disse André.
Tá bom amor não se preocupe, está tudo bem! Vou tentar mudar, agora vamos mudar de assunto. O que acha de irmos a casa de meu irmão Luiz?
Vamos, mas tem que ser agora a tarde, amanhã minha mãe... Eles vão vir, lembra?
Em seguida fomos visitar meu irmão e sua família. O que foi bom pra mim, tomar novos ares, ver meus familiares me fazia muito bem e o mais importante saindo de minha casa não ouvia "aquelas perturbadoras vozes do além".  No retornar para casa, não ouvi nada, descendo do carro fui em direção a porta da sala no abri-la, eu escutei vozes como vindas da lavanderia, no entanto não falei isso a ninguém, sabia que se tratava daquelas coisas tentando me desestruturar. Entrando vi que nos esquecemos do Totó, nosso cachorrinho, dentro de casa que fez uma tremenda bagunça e muita sujeira no chão. Saindo em direção a lavanderia para pegar o pano de chão, Sabrina vindo comigo disse: Mãe tá escutando?
No eu olhar para ela antes que eu a respondesse, ela  correu para dentro de casa levando o rodo, eu sabia do que ela estava falando, quase sempre tínhamos a mesma percepção sobre aqueles efeitos sobre naturais. Pois antes de sua pergunta como eu já havia dito, eu ouvi as vozes, que naquele exato momento era como se pessoas andassem atras de mim e todas falando juntas em tom alto, no sair em direção da porta de casa senti que me seguiam, até André falar algo de que não me lembro e senti como se as vozes se afastassem indo parar na lavanderia de novo. Sem dizer nada a Sabrina, limpando o chão e tive de ir buscar um produto de limpeza que havia esquecido lá fora e de novo aquelas vozes se aproximaram de mim e em meio a elas aquela voz que já não me era estranha, do espírito obsessor: Não adianta já sabemos que você nos ouvi...
E uma voz feminina surgiu dizendo coisas que eu não entendia direto, mas parecia dizer palavras cheias de ódio. Pegando o produto sai rapidamente em direção a porta. Entrando Sabrina disse: Mãe você ouviu? Parecia que tinha um monte de gente na área da lavanderia, como se falassem todos juntos ao mesmo tempo?
Parando de passar o rodo no chão, olhei para Sabrina disse: Você ouviu?
Sim, não parecia ser um monte de gente falando né? Disse Sabrina.
Você viu alguma coisa também filha? Eu a perguntei.
Não só escutei! Ela me respondeu.
Nesta hora as vozes haviam sumido e só ouvia o som de quem realmente estava ali. Então eu disse a Sabrina não de atenção, não de não importância a essas coisas filha, ligando a TV, começamos assistir, André que estava lá fora fazendo algo no carro, em seguida vinha em direção a porta com Antony e Alice. No Alice passar pela janela, vi... Nas grades da janela, vi uma mão que adentrava passado por cima do CPU que estava bem próximo a janela, foi tão nítido que parecia que era de um deles que estava lá fora, no entanto rapidamente cada um deles passaram em minha frente entrando na sala e em seguida vi que aquela mão que estava na horizontal ficou na vertical entrando para dentro do CPU. Muito assustada, fiquei paralisada por ver algo tão estranho, coisa que nunca tinha visto antes. Não falei exatamente nada, fiquei ali parada por muitos minutos, tentando intender aquilo, pensei: Não! Eu só posso estar ficando louca mesmo, que isso meu Deus?  


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No dia seguinte, eu tentei esquecer do tal fato horrendo, nesse dia não ouvi nada, tive um pouco de paz, mas o medo de um futuro incerto me rondava e o pior foi eu esconder isso das pessoas, principalmente de minha família. 
Durante a semana como quase sempre vinha acontecendo, ouvi por algumas vezes as tais vozes, Sabrina graças a Deus parecia estar em paz, agora quanto a mim foram dias obscuros, as vozes faziam ameaças de morte, como eu já vinha ouvindo tais ameaças, antes mesmo da Jack me avisar, as vozes ameaçavam as pessoas que eu amo, principalmente meu marido. E por mais que minha amiga Jack me tivesse dito que de nada tinham poder para isso, me afligi a tal ponto de começar negar coisas importantes em minha vida. 
No fim de semana, estava conversando a só com meu marido quando ele começou a me beijar, escutei a tal voz, "o espirito obsessor": Sai de perto dele, eu vou acabar com esse cara!
Então sai em direção a sala, André sem entender minha atitude falou: O que houvi?
Nada, eu preciso ver a panela que está no fogo! Respondi.
Dias depois... Numa noite, assistia TV tranquilamente, as crianças dormiam, e para meu tormento ouvi as vozes: "E ai como vai ser? Vai aceitar se ajuntar a mim ou prefere que mato seu marido!..." "É isso mesmo vamos matar, ela não vai ceder, mata..."  "Cara ela não sabe, mas hoje eu vou dar um fim nele!"
Nisto o DVD que assistia, pauso sozinho, loucura ou não curiosamente digo, o controle estava longe de mim seguro sobre a mesa. No me levantar para pegar o controle, escutei a tal voz:  Ele não vai voltar, ...
Vendo o relógio notei que era tarde, André já devia ter chegado, se antes eu me preocupava com seus atrasos, imagina ouvindo tais ameaças, mesmo que vindas dessa forma, sendo loucura ou realmente espíritos, foi terrível passar por isso sem ter com quem falar ou pedir ajuda!
Poucos minutos depois escuto o som do carro entrando na garagem, era  André que chegava tranquilo e bem. 
Passado alguns dias, numa noite, havíamos acabado de nos deitar, conversávamos, dizia André: Você está estranha, mal me aproximo de você e se afasta de mim, que foi não me ama mais?
Claro que te amo André! Respondi lhe dando um abraço.
No começarmos nos beijar, ouvi em meio a insulto e ameças, a voz do espirito obsessor: Sai de perto! Não tem jeito de escapar, você sabe o qual vai ser o fim disso! Eu odeio esse...
Em seguida ouvi outras vozes balbuciando coisas amedrontadoras para nós, então comecei a chorar, apavorada sem saber o que fazer ou dizer a meu marido que disse: Que foi Raquelzinha?
Então simplesmente lhe disse em meio a lágrimas: Não dá! Não aguento mais isso... 
E ele me abraçou fortemente e tentando me acamar disse: Não fique assim, eu não sei o que está havendo, mas quando quiser me dizer eu te ouvirei, prometo te entender, mas acho melhor pensarmos, opinarmos por você ir a um psiquiatra! Você anda muito nervosa, se estressa muito facilmente, chora quase que todos dias, como posso te ajudar se não me fala nada, seu silencio quanto a esse seu temperamento difícil, está me preocupando.
Assim dormeci após muitas lágrimas nos braços de meu marido. No outro dia mais calma fui a casa da Jack, falávamos de assuntos do nosso cotidiano, sem tocar em falar nos meus nos problemas atuais, estava tudo fluindo normalmente, em seguida chegou Jose, ela sempre muito amigável me fazia rir com suas brincadeiras, como também nos falou de coisas nas quais se mostrou crer piamente, coisas, que para mim eram como dizeres de uma criança que acredita em lendas, mitos históricos, dizia Jose: Sabe nos tempos antigos, as bruxas eram perseguidas mesmo se fizessem ações boas aos outros eram consideradas do mal, mas hoje se tem bem mais liberdade para falar dessas coisas, mas se fosse naquela época com certeza seria presa só de estar aqui falando sobre elas. Sabrina, sabe você tem um dom e uma força, basta você querer, os ruivos são predestinados e de um poder inexplicável para resolver problemas. Todo o ruivo tem poder de ser um bruxo e suas magias são dificilmente quebras. 
Brincando, com Jose eu disse em meio a rizada: Bruxa! Porque não fada?
Você tá brincando, mas é verdade e digo mais fadas não existem mas bruxas boas e ruins, pode ter certeza existem! Disse Jose.
Nisto começaram acontecer coisas inexplicáveis na casa de Jack de que ninguém irá me dar credito em minhas palavras, mas que ocorreram realmente e foram sinceramente de apavorar. Alguém viu um vulto na janela e na mesma hora eu senti aquela mesma sessão de quando ouvia as vozes, com se alguém nos olhasse da janela. E Jose disse: Não se assuste Raquely ele é um dos meus guias, está aqui pra nos proteger.
Minutos de pois ouvi como se alguém me chamasse no portão da casa de Jack. Antes que fosse ver Jose me alertou: Não vá, não é quem você pensa!
Como assim? Tem alguém lá fora me chamando Jose! Eu disse.
Não tem não! É um daqueles espíritos. Disse Jose.
Jack disse: Há para de bobagem, eu vou la ver Raquely!
Voltando Jack com ar de assustada disse: Gente não há ninguém lá fora!
E eu escutava aquela voz gritando cada vez mais e mais alto, parecia enfurecido! Perguntei se Jack havia ouvido, ela me disse com um ar de apavorada: Não, eu não ouvi nada, Jose para de dizer essas coisas, isso atrai coisas ruins, como já disse eu creio em Deus e nada mais! E eu não quero mais essa historia de bruxaria gente vamos parar!
Neste momento Jack pegava o liquidificador de cima do armário e do nada o liquidificador começou a funcionar sozinho, pois segundo  Jack  o fio não estava ligado na tomada e lá não tinha mesmo nenhuma tomada, como o aparelho funcionou sem a sua fiação conectada a uma tomada? Não sei explicar, mas que eu vi isso acontecer há isso vi!
Em seguida senti uma leve tontura e sentia como se um vento  frio soprasse sobre meus cabelos, no me levantar da cadeira o filho mais novo de Jack de apenas quatro anos, se aproximou de mim me pedindo algo que estava sobre a mesa, Jose olhava em minha direção com ar de assustada e vendo que o menino encostava suas mãos em minhas costas, rapidamente ela disse: Jack! Meu Deus...
E Jack puxou o menino pelos os  braços como quem o protege de algo terrível, dizendo: Crianças vão para o quarto brincar!
Indo todas as crianças para o quarto. Disse Jack: Gente me esqueci da tolha lá no quarto vou buscar.
Você está muito ocupada Jack, não quer que eu vá e peço a sua filha? Eu a disse, pois vi seu embaraço com seus afazeres e quis ajuda-la.
E Jack olhou para Jose que rapidamente disse: Raquely fica aqui, me ajuda com essa louça, por favor, ponha na pia pra mim que eu vou lavar. 
Saindo Jack, Jose disse: Preciso falar algo com você, por isso te pedi que ficasse, sabe, todas essas pertubações com que vem passando vão sumir você precisa acreditar, eu posso te ajudar, crê nisto? 
Eu acredito que Deus irá me ajudar Jose, oro para o senhor todos os dias, mas como você pode me ajudar? Eu a perguntei. 
Só me diz que acredita, eu quero seu bem Raquely, responda, crê que eu posso te ajudar?
Como? Insisti na pergunta a ela.   
As vezes não temos força espiritual necessária para isso, é onde recorremos aos santos para interceder por nos, precisamos unir forças através de uma pessoa mais fortalecida espiritualmente. Você crê que podemos fazer isso? Ela me perguntou.
Em meio a duvidas a respondi sem pensar: Sim, mas como...
Ela me cortou dizendo: Ótimo... Senta, eu vou aceder uma vela...
No acender a vela, ela começou a andar em linha reta de um lado para o outro da cozinha, com a vela em suas mãos, dizendo: Eu apelo para o senhor... Eu apelo... São Jorge guerreiro, cavaleiro do senhor que não perde nenhuma batalha... E seus anjos... Leva os daqui... Agora, expulsa esses que procuram o mal mande os para as trevas de onde vieram... Manda!
Parando perto de mim pondo a vela próximo a meu rosto disse: Acredita irmã! Deus irá bani-los...
E levantado a vela acima de minha cabeça, começou a fazer um movimento em círculos sobre mim, falando e falando... Até esse momento pra mim estava tudo normal, mas no ouvi-la dizer coisas como... " A pelo as forças de cima e de baixo..." Isso me assustou, pois tenho temor a Deus, se já não acredito em santos quanto mais nas trevas. Somente Deus é o Senhor todo poderoso e por seu filho amado, Jesus Cristo que temos a verdadeira salvação, por mais que Jose tivesse boas intenções, tudo isso que disse não me traria bem nenhum!
Passando alguns segundos Jose largou a vela e mudou de assunto como se nada tivesse acontecido. Jack que havia sumido da cozinha naquele instante voltou sem comentar nada do que ocorrera. E a renitente voz do espírito obsessor desapareceu momentaneamente, pois no decidir ir embora para minha casa, Jose fez questão de nos acompanhar até uma parte do caminho, ela me dizia coisas muito positivas querendo me animar para reagir contra meus problemas, dizia ela: Faça coisas novas, saia mais de casa, quem sabe até arrumar trabalho, tenha mais iniciativa não deixe que as coisas saiam do controle, faça suas orações de forma a acreditar que tudo ficará bem.  
Eu sei, que preciso mudar um pouco esse meu conceito de vida, mas as vezes me sinto tão desamparada, despreparada, é como se eu não tivesse condições para enfrentar novas situações e até mesmo nas experiencias que adquiri no decorrer de minha vida sinto que não sou mais capaz de atuar. Eu a disse.
Neste exato momento, vinha um ônibus em nossa direção, escutei aquela voz de novo, só que sem intender com muita clareza ouvi: Não....  morre...
Jose pegando em meu braço me puxou pra a beira da rua, assim que o ônibus passou por nós ela pegou uma pequeno galho de arvore, pediu que eu continuasse a caminhar e ela veio atrás riscado o chão de terra onde eu pisava, dizendo: Daqui você não passa, saia, pois a vida dela não te pertence! Raquely irá viver muito! Seu coisa ruim você quem vai para onde nunca devia ter saído! 



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Então eu lhe perguntei o que ela teria ouvido, se ouviu a voz do espírito, ela me respondeu: Nada que deva dar importância, Raquely! Eu queria muito que fosse a minha casa mais tarde, queria conversar um pouco com você.
Tudo bem, eu vou Jose, umas oito da noite pode ser? Eu disse.
Sim, oito está bom! Ela me respondeu.
Chegando em casa fiz algo para comermos, André trabalharia até mais tarde naquela noite, então fomos a casa de Jose.
Chegando em sua casa, fomos bem recebidos por ela que me dizia: Raquely, te conheço a pouco tempo mais já gosto muito de você, se eu soubesse o quanto era legal, teria feito amizade antes. Tanto tempo morou aqui perto de minha casa, é amiga da minha irmã a um tempão e eu que te achava arrogante, hoje te vejo com uma simplicidade e de um carisma. Tá vendo como são as coisas!
Não tem nada não Jose, eu também já gosto muito de você amiga e até te entendo, eu sou uma pessoa muito difícil de se relacionar com os outros, principalmente quando não os conheço muito bem, se tenho que lhes falar algo pouco olho em seus olhos, sou muito tímida. E na rua então, quantos conhecidos eu já não passei por eles sem nem mesmo lhes dizer um oi, além de desatenta passo por uma pessoa sem consideração. Eu a disse.
Não pense assim, isso é normal muitos agem assim hoje em dia com o corre-corre que é a vida nestes dias, você não é a unica. Eu é que me precipitei em te julgar, sem nem mesmo te conhecer. Ela me falou.
Minutos depois em que conversarmos, as crianças brincavam no quintal e Jack chegou nos acompanhando na conversa. Quando entramos no assunto dos espíritos, encarnação, reencarnação, dividas das vidas passadas, dizia eu: Se existe mesmo essa história de reencarnar eu devo estar com uma divida muito grande com meus antepassados. Se não o porque de tudo isso? Minha filha a quem amo tanto, Sabrina, pensa que eu não a amo, assim como minha sogra acaba acreditando que eu não a trato com amor e esses espíritos que me atormentam, então...
Jose respondeu: Sabe Raquely, no passado havia uma mulher que morava numa casinha pequena com seu marido, de repente sua sogra que adoeceu já idosa não pode mais morar só e a mulher teve que se encarregar de cuidar de sua sogra. Numa noite, onde essa mulher teve muitos contra tempos, nervosa com sua sogra por todo o trabalho que lhe dava, não aceitando mais a sua atual situação, tomou uma trágica atitude deixou o portão de sua casa aberto, para que assim sua sogra saísse. Sem rumo certo a pobre senhora foi atropelada. Muitos anos depois essa mulher morreu e reencarnou, agora, é onde hoje as coisas se complicam pra ela ...     
Eu digo a vocês, que disso que Jose me contou até hoje não entendo, como agora digo também veementemente, não acredito em reencarnação, não acredito em vidas passadas e nem em espiritismo. Acredito sim que há um Deus, que um dia trará ao juízo de todos nós tudo o que fizemos em vida, como também mudará este mundo, o transformando no que era seu objetivo desde o principio.
E neste tempo como já disse em outros trechos deste capítulo, eu acreditava em meio a duvidas no espiritismo de Allan Kardec, e como fui batizada e catequizada na igreja católica e criada com fundamentos protestantes, foi muito difícil pra mim discernir minha fé.       
Bom continuando a relatar os fatos, Jose perguntou algumas coisas de que eu não me lembro agora, mas lembro de ter me queixado a ela de que na maioria das vezes que ouvia musica era onde se intensificava o ouvir das vozes e o pior se as companhava cantando... E ela  me disse que era para tomar cuidado com as musicas que cantava, pois segundo ela, nós mulheres atraímos com encantamento feminino na voz e por tais palavras ditas, não só aos homens como aos espíritos que estão em trevas. E pediu que eu evitasse tais musicas. E também comentou sobre a tal mandala que faria por aqueles dias.
No sair de sua casa senti uma estranha tranquilidade. Não contei nada disso ao meu marido muito menos minha família naquele momento, mas passado algum tempo comentei com minha irmã Nair que tinha simpatia por  Allan kardec. Que me disse, que essa tal de mandala não surtia muito efeito e que devia sim fazer um acompanhamento num centro espírita, assim tentando solucionar meu problema. Não fiz nada do que disse Nair, mas continuei firme em meus propósitos com Deus, lia a bíblia e fazia minhas orações todas as noites, até que aquelas vozes dos espíritos pareciam sumir gradativamente, não ouvi mais as musicas cuja Jose me disse não ser bom canta-las, mesmo me chateando pois eu gostava de suas mensagens de amor, eram letras muito bonitas sem nenhuma sensualidade. Passei a viver normalmente como antes das tais vozes. Mas claro que sem o devido tratamento psiquiátrico eu ainda as ouvia de vez em quando. 

O dia em que quase surtei!

Passaram se vários dias, até aquela fatídica noite, assistíamos um DVD, quando Alice e Antony dormiam, Sabrina acabava cochilar no sofá,  eu sem notar isso falei com ela algo sobre o filme: Filha esse homem age de forma esquisita, né?
E rindo daquela sena do filme, olhei para eles e vi que todos dormiam, quando ouvi a voz  daquele espírito, foi tão real era como se ele estivesse do meu lado, ouvi com tanta clareza como nunca tivera ouvido antes: É...éééé...
Apavorada, pois havia alguns dias que não ouvia aqueles espíritos, olhei na janela da sala onde ficava o sofá em que estava sentada, não vi nada la fora, me levantando, abri a porta e nervosa gritei: Se tem alguém ai é melhor aparecer logo, deixe de sacanagem!
E ninguém apareceu ou falou algo era só minha voz e aquele silêncio perturbador, entrando, vi que meus filhos continuavam dormindo, tranquei a porta, me sentei no sofá. Sem saber o que fazer em meio aquela difícil situação, fui a cozinha pegar um copo de água para beber, retornando ouvi rizadas vindas do vitro do banheiro e da cozinha, senti como se tivessem muitas pessoas lá fora nos olhando, irritadiça acreditando serem realmente pessoas, corri para o banheiro, abaixei na tampa do vaso sanitário que acabou se rachando com meu peso no eu subir nela para ver o que tinha lá fora.  E nada.
Voltando a sala sentei novamente no sofá e comecei a chorar compulsivamente, tentando não fazer barulho para que meus filhos não me vissem naquele estado. E ouvido as vozes vindas de um lado e do outro, seguidamente, diziam: "Não te disse, ela ouve a gente!" ... "Ta fácil, cara!" ... "É eu já sei o que fazer com ela!" 
Nisto André chegava e eu nem notei sua presença no entrar em casa, estava encolhida no canto do sofá exatamente como nesta imagem, só senti suas mãos em meus ombros, que preocupado no me ver naquele estado disse: Que está havendo com você Raquely? O que foi? Fala? 

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Todos os dias ouso essas benditas vozes... Agora mesmo ouvi como se tivessem pessoas la fora zombando de mim e você não faz nada! Você é um covarde! Eu falei a André.
Ele me respondeu: Porque está assim comigo eu não te fiz nada e essas vozes já te disse, são frutos de sua imaginação, você ta precisando...
Psiquiatra? Não, não venha me dizer que estou louca, outras pessoas os ouvem também. Eu o disse.
São tudo umas piradas! Para de acreditar nas bobagens que te dizem e vê se me ouve, você precisa se tratar. Nervoso disse meu marido! 
O que eu ouvi hoje não foram fantasmas, André, deve de ser alguém tentando me prejudicar, me enlouquecer, é uma pessoa, pois o que aconteceu aqui a poucos minutos atrás, foi muito real, não sei mais o que fazer, me ajuda. Falei isso a meu marido em meio a muitas lágrimas encolhida no canto do sofá como daquela mesma forma de antes com cabeça abaixada, me balançando transtornadamente e praticamente fora de si.
Ele saiu la fora, olhou cada canto do espaço da lavanderia, a área churrasqueira como o soton. Voltando e me abraçando ele disse: Não há nada lá fora com que você deva se preocupar, eu vou marcar o psiquiatra e você tem que admitir que precisa de tratamento Raquelzinha. Eu te amo e não gosto de vê-la assim!
Enquanto André me dizia essas coisas, eu ouvia quase que constantemente junto a sua voz, as vozes daqueles espíritos falando e zombando de mim. Escutei em meio a rizos: "Há tá chorando!"... "Que nada, é um a fingida!" ... "Deixa, ela não sabe o que está para acontecer... Pobre coitada!..." "Ele não é o que você pensa, seu marido é um mentiroso!"
Após isso, passada uma hora eu me acalmei e fomos dormir. Eu pedi muito a Deus que me livrasse de tudo aquilo, como sempre elevando meus pesamentos ao senhor. Bom, hoje eu acredito que não só minha mente estava doente precisando de cuidados médicos, como também, meu espiritual, eu precisava da luz de Cristo para ter a paz de Deus.
Com decorrer do tempo, dias se passaram, tive uma melhora, não sei dizer como ocorreu isso, eu não ouvia mais aquelas vozes que praticamente haviam sumido, mesmo não tendo ido ao psiquiatra, o que eu achava desnecessário na época, no entanto era de extrema que importância cuidar de minha saúde, isso foi um grande erro. 
Neste tempo André vinha pesquisando na internet possíveis lugares onde nos interessava morar e que pudesse transferir seu cargo de professor, visando num futuro não muito distante a oportunidade de adquirirmos nossa casa própria. E ele tinha grande interesse numa cidade na qual pessoas de seu convívio escolar comentaram ser um verdadeiro paraíso, era uma cidadezinha pequena do interior de São Paulo, não muito distante de onde morávamos, o que nos gerou grande interesse em morar nela, pois ambos não queríamos ficar longe de nossos parentes.



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No vermos as imagens desta cidade em seu site, além de à acharmos linda, percebemos que se tratava de um município muito tranquilo, em "Formosa", encontramos paisagens dignas de apreciação, a começar pelo fascinante centro histórico que é sem dúvida, um dos pontos turísticos mais importantes da cidade, pois não só tem um maravilhoso acervo histórico como também representa renovação e força. Na "cidade de Formosa", como estou a nomeá-la aqui já que não posso expor o local verdadeiro por segurança de todos os envolvidos na história deste blog, vimos que teríamos a segurança de criamos nossos filhos ainda pequenos, obtendo uma vida de mais qualidade.  No entanto existiam muitas dúvidas, onde opinamos por ter mais cautela com a escolha, pesquisamos vários outros lugares como São Luiz do Paraitinga-SP Natividade da Serra- SP no vale do Paraíba Paulista, Ubatuba-SP, Bertioga-SP, Itanhaém-SP, Peruíbe-SP, Cananeia-SP, toda faixa litorânea entre litoral norte e sul de São Paulo, como quase todos municípios do interior Paulista. E por termos muito tempo ainda não nos preocupamos em ter pressa na escolha, afinal faltavam mais ou menos sete meses, para que meu marido pudesse pedir remoção de seu cargo para um outro local.
Meses se passaram, assim como as vozes dos espíritos, meu medo de ficar só em casa havia acabado, mas aquela paz não iria durar muito tempo. Era um fim de semana, André e as crianças haviam ido buscar minha sogra que iria passar uns dias em conosco. Como eu estava com muitas coisas a fazer em casa, decidi ficar. Passada algumas horas, terminando meu serviço olhei no relógio e vi que eles estavam demorando. No ligar para casa de Selma, meu sogro atendeu me dizendo que eles iriam demorar um pouco mais do que haviam de chegar, pois iriam fazer as compras que André não tinha feito ainda. Então me sentei no sofá ligando a TV coloquei um DVD de musica e para minha distração, como eu gostava, comecei a acompanhar as letras das musicas as cantando. Quando escutei: Ela sabe... Olha como ela canta!
Eram as vozes dos espíritos, pois eu estava absolutamente só e na casa vizinha não havia ninguém circulando no quintal. Aqui eu já sabia discernir o que eram vozes de pessoas vivas como aquelas de que eu achava serem vozes do além. No as ouvir continuei reagindo normalmente não dando minima importância aquilo. Entre uma musica e outra eu as ouvia: "Canta aquela musica..." " Larga este papel e me ouve!..." "É pelo visto você não a irá convencer..."
Vencida pelo cansaço, com grande sono que sentia me deitei. E escutei mais uma vez: "Olha! Ta como soninho"... "Há se ela dormir vou entrar lá"... "Não faça isso, poderá assustar ela."... "Isso dorme e você vai ver!"
Fechando meus olhos dormi por alguns segundos mas não demorou muito tempo para ser perturbada por moscas que insistentemente pousavam sobre minha face e braço, quando acordei assustada com o grito raivoso do espírito: Você não vai dormir sua vadia... Por que parou de canta? Eu não permito!  



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Em seguida me recuperando do susto e como se nada tivesse acontecido, fui a cozinha fazer café, a cada passo que eu dava indo para lá, pedia a Deus em pensamento que fizesse com que eu não ouvisse mais aquelas vozes. No por água para ferver escutei mais umas poucas palavras, que foram sumindo gradativamente, ao arrumar a mesa, escutei o barulho do carro entrando na garagem eram eles que chegavam com compras. 



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No dia seguinte após o almoço, eu fui lavar roupa e as crianças e Selma se reuniram a conversar na varanda, passado uns minutos Alice veio a lavanderia a me dizer que sua vó chorava. Ouvindo o que dissera minha filha fui a varanda ver o que estava havendo com Selma, ela chorava compulsivamente, chateada por vê-la naquele estado, eu disse: Selma, porque está assim, o que houve?
Nada Raquely, só me deixa eu chorar um pouco. Disse Selma com sua feição bem abatida.
Deixa eu te ajudar, por favor, me diz por que chora? Faz bem desabafar Selma! Eu adisse.
Eu não sei porque, mas isso vem acontecendo com frequência, sinto uma angustia sem sentido, uma dor no peito como se algo de ruim fosse acontecer. Disse ela soluçando de tanto chorar.
Eu a disse: Mas por que se angustia? Está tudo bem! Ou eu falei algo que te magoou, se for isso me desculpa, hoje pela manhã eu me estressei, mas não tinha nada haver com você, pelo ao contrario...
Não! Raquely é como eu já te falei é uma angustia repentina e  uma tristeza, não pra explicar como começou e você não irá me entender! Disse Selma.
Eu a disse, tentando acalmá-la: Como eu estava falando antes, e você me cortou, pelo ao contrario estou muito feliz por você estar aqui, você sempre é muito atenciosa com as crianças, não sabe o quanto me ajuda! E seus filhos estão indo de bem a melhor, assim como seus netos e irmãos, você não tem nada para se chatear, está bem de saúde como seu marido também está e não te falta nada Selma! Seja feliz! E agradecida a Deus. Nós te amamos!
Disse Selma: Não adianta sabe, eu acho que a depressão que tive a muitos anos atrás está voltando, você não sabe o quanto eu sofri, depressão Raquely, é uma  doença devastadora, onde a vida parece não ter mais graça e ser sem sentido algum. Uma hora você quer morrer, e em outras horas te dá um medo da morte como se você fosse morrer a qualquer momento.
Mas você não disse a André noutro dia, que havia ido ao psiquiatra e que estava já tomando sua medicação? Eu a perguntei.  
Eu parei de tomar, aquilo estava me dando um revertério, não estava me fazendo bem! Falou Selma.
Eu a disse: Não faça isso, Selma, se o médico te receitou é porque você precisa! Tome sim e certinho, você vai ver tudo ficará bem!
Após Selma se acalmar fomos dar uma volta pela chácara. Quando lembro desta situação de minha sogra, penso, porque eu não notei que o mesmo acontecia comigo e em bem maior intensidade?
Dias depois, eu continuava a ouvir as vozes só que com menor frequência e a minha vida seguia seu curso quase que normal. E após André muito pesquisar o local no qual transferiria seu cargo, opinamos por Formosa, no interior de São Paulo, pois antes que a escolhêssemos fomos conhecê-la e vimos que a cidadezinha além de pacata tinha algo de que nos agradou muito ao saber, a praia ficava só à alguns poucos quilômetros distante do centro cidade, a mais ou menos uma hora de distancia dali.


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Em um dia muito atrapalhada como os afazeres, nervosa com o almoço atrasado pois meus filhos iriam pegar o ônibus em 50 minutos e nem havia acabado de cozinhar o macarrão, com pressa, ao abrir a lata de molho a pegando para despejar na panela, desastrosamente a lata deslisou de minha mão indo parar sua lamina da tampa cortante no meu pulso, onde se abriu um corte e saiu uma boa quantidade de sangue. Muito assustada com o ocorrido e sem saber o que fazer só tive tempo de enrolar um pano sobre o corte, preocupada com o almoço pedi ajuda as minhas filhas, que com meu auxilio terminaram de fazê-lo. Com medo de que o sangue em meu pulso não fosse estancado, liguei para Selma a pedindo sua opinião de como agiria com relação ao que me acontecera e ela me disse: Fique calma! Faça o seguinte tire o pano de seu braço bem devagar e veja se parou de sair sangue! 
Eu não tenho coragem de ver, o corte  não é pequeno, na hora que me cortei saiu muito sangue. Eu a disse.
Como foi acontecer isso Raquely? Quanto tempo faz que se cortou? O sangue está transpassando o pano?
Eu a respondi: Foi agora pouco, espera, eu vou desenrolar o pano pra ver.
No tirar o pano vi que havia sangue em meu braço ainda, rapidamente o enrolei novamente e neste exato momento meu marido chegava para o almoço, vendo que ele chegava me despedi de Selma agradecida por sua ajuda. No André me ver naquela situação me perguntou: Quanto tempo já faz que se cortou e está com esse pano?
Mais ou menos 8 minutos. Respondi
Há então não é nada grave, não se preocupe, se tivesse cortado alguma veia esse pano estaria ensopado de sangue. Disse me André.
Me perturbei com sua calma no vê-lo servir o seu prato de comida, então eu o disse: Nossa, você não tem a minima preocupação comigo, eu corto meu pulso fazendo essa droga de almoço pra você e não me dá a minima atenção!
Calma Raquelzinha, eu já te disse não é para tanto, vamos almoçar, daqui a pouco vamos ao hospital. Quer que eu te sirva o almoço? Ele me falou.
Não estou com fome, obrigada! Chateada com sua atitude respondi.
Peço aqui que não se precipitem em julgar meu marido, porque realmente ele tinha razão não era pra tanto, não foi nada além um corte e um susto mesmo, que não me causou grandes danos.   
Após ir ao hospital levei uns pontos falsos no corte que por pouco não pegou uma veia de meu pulso.





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Faltavam uns dois meses para nossa mudança para cidade de Formosa, e eu sentia grande tristeza de sair daquela chácara, mesmo com todos os problemas espirituais enfrentados ali,  meus sentimentos eram de amor por aquele lugar, eu lutei muito para estar morando nela e agora teria que deixá-la. Não sei como mas desde a primeira vez em que vi a faixa de aluga-se, eu me sentia parte daquela chácara, mesmo tendo a devida consciência de que jamais poderia comprá-la, pois seu valor era alto demais para nosso orçamento. Foi com ressentimento no coração que tive que sair dela, entretanto hoje percebo que se apegar a bens materiais é pura aflição de espírito, pois até mesmo o que realmente nos pertence, casa, carro, roupa, sapatos, tudo o que temos em vida, nada poderemos levar após a morte, a não ser o amor que deixamos nos corações das pessoas, por isso digo com convicção, Deus é amor deixe ele habitar em ti e terás a luz Jesus Cristo por toda a sua eternidade! 
Numa quinta feira deste mesmo mês, fomos a cidade de Formosa, procurar uma casa para alugar, andamos quase que um dia inteiro e nada, até que fomos a uma imobiliária no centro, onde rapidamente tudo ficou resolvido no mesmo dia conseguimos uma casa, a tempo dar entrada nas papeladas do contrato da casa, que por sinal era muito linda e nos cedia o conforto de ser no centro, próximo a escola  e comércio.

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No retornar a chácara, me vi em meio a muito trabalho com a mudança, a arrumação da chácara ficou praticamente toda em minhas mãos como também a preparação para a mudança, pois até poucos dias da mudança André trabalhou e não teve tempo para me ajudar. Fiquei em polvorosa, praticamente enlouqueci de vez, tinha o mato em toda a volta daquele terreno, eu tive que cortar com uma tesoura de jardineiro e uma enxada que de nada valia, mesmo que tivessem me ajudado por um fim de semana, não foi o suficiente sobrou muito mato pra arrancar e muito trabalho a fazer naquela casa que por mais que fosse pequena em seu interior, tudo em sua volta era muito grande e trabalhoso de limpar.
Num dia deste onde eu jogava algumas traqueiras para fora do quartinho de bugigangas que ficava próximo ao galpão, aquela mesma a madeira cheia de pregos pontiagudos, a qual já havia citado antes, no eu pegá-la para jogar no fogo onde queimava o lixo, a madeira deslisou de minha mão, passando as pontas pregos sobre meus pulsos, quando escutei uma voz feminina de um espírito, dizendo: Morre vagabunda! 
Isso me foi horripilante, sei que não vão me acreditar, mais foi exatamente assim que aconteceu. Caindo a madeira no chão olhei rapidamente meus pulsos e não tive nenhum arranhão se quer em meus braços. Eu acredito que foi por Deus que aqueles pregos milagrosamente transpassaram meus braços sem me machucar.
Passado alguns dias, era véspera de natal e como sempre nos reunimos na casa de minha irmã Nair, estavam quase todos lá. 


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Teria sido uma bela e perfeita noite se não fosse pela confusão estabelecida em minha mente devido a depressão! Eu estava num estágio da doença onde a desconfiança me tomava conta, acreditava que muitos não gostassem de mim, isto não só me prejudicava socialmente, como afetivamente afetava e de forma negativa as pessoas em minha volta. Sem notar meus próprios erros, achando estar correta, lhes fazia perguntas impertinentes, como também muitas vezes me mostrei estupida diante delas, o que estragava meus relacionamentos com elas.
Lembrando-me de uma outra ocasião, como já citei em trechos anteriores deste Capitulo...  " Tempos antes em uma reunião familiar passando por dois de meus sobrinhos, Alexandre e Tânia, tudo isso me ocorreu devido a minha mente que já confusa pela doença, que se embaralhava em erros, imaginei ter ouvido falarem mal de mim. Recordando-me disso naquele dia de natal, olhava para Alexandre e me perturbava em pesamentos tolos, tolos pois, hoje eu sei que nada de mal foi dito realmente, tenho certeza de que eles falavam de uma outra coisa que não tinha exatamente nada haver com falar mal de ninguém. Eles são pessoas justas que jamais fariam tal coisa. No entanto naquele dia de natal, cometi a displicência de incomodar meu sobrinho com minhas bobas perguntas, o chamando em particular com meus olhos lacrimejando de tristeza, disse:  Eu só queria saber porque me odeia tanto?
E ele sem me intender, obviamente nervoso e com razão me disse: Tá louca ou que? Porque faz essa pergunta imbecil?
Me explicando a ele disse: Eu vi Ale, você falando com outra pessoa em uma outra ocasião em que estávamos na casa de Luis, que não gostava de absolutamente nada em mim e que eu era irritante.
Eu não sou nenhum fofoqueiro, falso que fica falando mal nas costas dos outros! Jamais diria tal coisa de você ou qualquer outra pessoa. Para de ser demente! O que eu tiver interesse em lhe dizer Raquely, te direi sua na cara! Disse meu sobrinho.
Então eu o falei: Me desculpa Alexandre! Mas eu pensei mesmo em ter ouvido isso. 
Eu não guardo ódio ou qualquer outro tipo magoa por ninguém, sou verdadeiro e só tenho amor em meu coração, quem é você pra me julgar? Está sendo injusta, não percebeu isso ainda?
Nisto Liliam minha irmã, veio ao nosso encontro tentando acalmar os ânimos me abraçando disse: Que isso aqui gente? Hoje é natal, dia de paz e amor!
No Alexandre tentar falar mais alguma coisa, Liliam o cortou dizendo: Alexandre você não sabe mais essa minha maninha aqui, vai morar muito longe de nós, e já a conhecemos muito bem né? Para saber que os sentimentos dela estão a flor da pela, ela é muito família e nos ama com paixão, imagina como está o coraçãozinho dela agora?
Então mais uma vez eu o pedi desculpa, ele meio triste comigo e com razão, me deu um abraço. Avaliando essa história pudi notar que alguns de meus familiares já viam que algo não ia bem comigo. Liliam fez com que meu sobrinho entendesse isso.
Dias e dias naquela correria tremenda, o dia para mudança se aproximava, tinha horas que não sabia mais o que fazer, fiquei tão atribulada que cheguei a entrar em desespero.


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Na semana seguinte minha mãe, veio passar uns dias conosco para me dar uma ajuda. Foi onde eu me acalmei e consegui aos poucos retomar com os afazeres de casa como os preparativos da mudança.
Neste dia eu cortava a grama em frente de casa, quando minha mãe disse: Raquely para um pouquinho, o almoço está pronto venha...
Espera um pouco, já vou! Eu disse. 
Disse ela: Sai logo deste sol, isso vai te fazer mal Raquely, mais tarde quando estiver menos calor você faz isso!
Após o almoço, passados uns quinze minutos, eu retornei a cortar o gramado. Mas vendo que minha mãe se preocupava por eu estar exposta naquele sol escaldante, parei e a disse: Não posso deixar isso pra depois, porque André está no trabalho, não podemos pagar pelo serviço e o tempo está cada vez mais escaço, se sairmos daqui sem limpar o mato deste terreno pagamos multa a imobiliária mãe. 
Então peguei um guarda-chuva, me sentei no chão e com tesoura cortei quase toda a grama naquela tarde. Na manhã seguinte era umas oito horas, quando terminava de cortar o gramado e meus vizinhos ficavam olhando em minha direção, isso me incomodava para que ficavam observando meu trabalho? Por acaso os donos da casa que eram amigos deles pediram para que avaliassem meu serviço? Eu pensava. 
Então ouvi: " Não é uma pena!"... "A coitada está ali desde ontem!"
Isso não foi legal de se ouvir, pois não sou nenhuma coitada! As vezes as pessoas precisam ter cuidado com que dizem. Eu sou da seguinte opinião se me apiedar por alguém, não ficarei observando sua dificuldade e sim tentarei ajudá-lo de alguma forma, se não pedirei a Deus que lhe de forças!


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No fim de semana,  André começou a pintar a casa quando seus pais e seu irmão chegaram para nos ajudar. No que cortávamos o mato da viela, Paulinho me falou: Foi você quem cortou todo esse gramado? 
Sim, por que Paulinho? Eu o disse.
O pouco tempo em que você trabalhou com meu pai te rendeu experiência hem? Com um sorriso disse meu cunhado.
Todos nós caímos na rizada, pois tendo experiência ou não, não havia escapatória eu teria que aprender a marra.
Passado algumas horas em que cortávamos o mato, eles estavam a uma certa distancia de mim quando eu escutei: "Você virou escrava agora?"...  "É ela não tem ideia do desgaste e tudo inutilmente! Ele não te merece!"
Olhei em minha volta e não vi ninguém por perto, foi onde notei que os espíritos não haviam me deixado, ainda era perturbada por eles. Eu não tinha nenhum tipo de ressentimento ou magoa por estar ali fazendo o que era de minha obrigação, por mais que fosse um esforço tremendo, afinal eram muitas coisas a se fazer, acredito que Deus me dava forças e André também teve que trabalhar um dobrado nos últimos dias, eu  amo meu marido e sei exatamente quem ele é, então lembrei do que disse Jack, que eles queriam o fim de meu casamento nem que fosse acometida até a loucura ou ao suicídio.  


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A poucos dias antes da mudança, estava quase tudo pronto, era noite eu e as crianças guardávamos utensílios nas caixas quando André trouxe algumas ferramentas para dentro, dizendo: Que droga! Eu já não disse que é pra deixar as ferramentas aqui? Você sabe Raquely que se as esquecermos teremos prejuízo, porque pós lá fora?
Eu o respondi: Me desculpe, mas será que você precisa por até esse machado aqui? Deixa na entrada da garagem, não vê o reboliço que se formou, aqui já tem muitas coisas empilhadas, na garagem tem várias coisas nas quais levaremos, não tem como esquecer André!
E ele teimosamente deixou o machado atrás da porta de nosso quarto. No irmos nos deitar para dormir, não sei porque, me lembrei de uma terrível reportagem sobre um assassinato horroroso que havia assistido uns tempos atrás, me veio um medo sem sentido nenhum e mesmo orando pra Deus me tirar tal angustia, demorei a dormir. De madrugada eu acordei, me sentei na cama.



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Vendo que da janela vinha luz, me levantei indo sentido a cozinha, ao tentar abrir a porta de meu quarto não consegui abri-la e senti grande pressão em meu braço como se alguém me puxasse, dizendo: Você não vai, você  fica!
No eu me virar pra ver quem ou o que me segurava, não vi nada além do machado atrás da porta e senti-me outra vez pressionada contra a porta como se me empurrassem, assustada, só lembro de ter dito: Meu Deus não!
E do nada, me vi na cama sentada, foi tudo muito repentinamente, talvez tudo aquilo tivesse sido um pesadelo e eu acordasse com o próprio som de minha voz, mas eu acreditava que os espíritos se aproveitaram de minha fraqueza, medo e toda aquela negatividade que rondava em meus pensamentos, pra me fazer mal. A sessação foi de como meu espírito tivesse saído de meu corpo e num golpe repentino voltasse muito bruscamente. Não me lembro de como fui parar sentada em minha cama, nem se ouvi algo realmente que me acordasse, não sei até hoje o que aconteceu realmente. Mas se levando em conta o estudo psíquico, pode mesmo ter se tratado de uma luta do consciente com inconsciente, como se uma parte de minha mente acordasse. "Se durante o estado de sono, o tecido nervoso ficar agitado, frequentemente devido a uma causa física ou a calor cerebral causado por pensamento intenso, as células nervosas também são ativadas e perturbadas. Esta agitação cria na esfera mental desejos semelhantes às impressões acumuladas nas células nervosas. Logo, a citta agitada (a mente subconsciente) toma como real o fluxo de pensamentos que surge de uma ou mais destas impressões. Uma vez que os órgãos sensoriais deixaram de funcionar, estes desejos idênticos que surgem dos desejos adquiridos previamente não parecem ser imaginários, mas sim bastante reais. Estes sonhos raramente se tornam verdade, pois são pura imaginação ou uma simples sequenciação de pensamentos diferentes e desconexos." (http://bau.anandamarga.pt/sonho-visao-telepatica-e-clarividencia/ )

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emocional desagradável que vai do vago desconforto ao medo intenso. A pessoa ansiosa costuma ter uma sensação de desastre iminente, mesmo não havendo nenhuma ameaça real, e certos sintomas físicos e psi­cológicos. Uma certa dose de ansiedade é normal e serve para melhorar o desempenho. Mas se, a ansiedade torna-se um sintoma quando começa a inibir o pensamento e a perturbar as atividades normais do dia-a-dia (...) Com freqüência, a ansiedade leva a um aumento da dependência em relação aos demais, irritabilidade, sensação de cansaço e uma tendência a frustrar-se com facilidade, a incapacidade de relaxar pode levar a dificuldades para adormecer e a uma vigília constante durante a noite. Onde os pesadelos ocorrem com freqüência. (...)  Sintomas estranhos, mas comuns, são a despersonalização (a sensação de estar separado de si mesmo), ou a sensação de irrealidade (a pessoa sente-se separada do mundo). Estes sintomas podem sur­gir de repente e durar muito tempo, le­vando algumas pessoas a sentirem medo de estar ficando loucas."
No dia seguinte, fazendo o café naquela manhã silenciosa, todos dormiam e aplicava-me a lembrar do que faltava a se fazer, pois restava somente um dia para nos mudar. Após todos acordarem, Sabrina e Alice foram comigo comprar algo, enquanto Antony ficou com André e Selma, que se propôs a cuidar do cachorro que já era preparado para ser levado a nova casa naquele dia. E antes de irmos ao mercado, aproveitamos e demos uma passadinha na casa de Jack, que disse se sentir chateada com nossa mudança porque seria quase que impossível nos vermos novamente, afinal moraríamos muito longe dali. Jose que também estava em sua casa, disse estar triste, pois sentia grande amizade por mim assim como eu também sentia por elas. Em meio a nossa despedida Jose me perguntou: E aquelas coisas sumiram? Tem ouvido os espíritos?
Respondi: Muito raramente os ouso, mas sinto como se eles não tivesse me deixado em paz ainda.
Então Jose me aconselhou: Raquely, essas coisas nos seguem, se não se desconectar deles, não importa pra onde você vá, lá eles estarão, faça o que eu te disse, não leve nada daquelas objetos encontrados na casa, se foram deixados lá por os outros morados lá devem ficar! Deixe tudo o que encontrou na chácara, pratos, talheres, espelho... Tudo, nem mesmo a vassoura, o rodo, o pano de chão que você comprou e utilizava por lá, pois se levar  utensílios de limpeza, como também utensílios que já faziam parte da casa, isso os fortalecerá fazendo que não se desvencilhem de você. 
Se despedindo delas e agradecendo o concelho fomos ao mercado. 
Era a ultima noite na chácara, passei grande preocupação com André, que levando o cachorro para nossa nova casa, disse, retornar cedo naquele mesmo dia, no entanto já passava da meia noite e ele não havia chegado ainda. Após algumas ligações em seu celular sem obter resposta e eu ter passado muito nervoso, ele chegou, me dizendo que chovia muito, o por isso de sua demora. Pela manhã, depois de um grande atraso do caminhão da mudança, começamos a nos organizar para irmos embora, André teimoso, quis levar algumas coisas, nas quais Jose havia me alertado que as deixasse, depois de muita discussão, vencida por sua persistência, ele pós sua alguns daqueles pratos antigos em nosso carro. E lá estamos nós indo para um novo destino, tomando novos rumos para nossas vidas. 


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