sexta-feira, 16 de maio de 2014

Críticas construtivas fortalecem a alma mas as críticas desconstrutivas a enfraquecem para destruição!

CAPITULO VIII


FATOS CORRIDOS  1997-2002


O perdão!

No decorrer dos meses... Eu passei a me lembrar quase que diariamente do que havia prometido para tia Viviana,  havia dito, que se tivesse mais um filho lhe daria em batismo. Como não nos falávamos mais por aquele estupido incidente, não sabia como lhe comunicaria isso, por mais que ela tenha me deixado nervosa e eu tenha me exaltado de forma a dizer-lhe tais asneiras naquele dia, jamais disse de coração. Sabia que devia diante de meu Deus me redimir e lhe pedir perdão.
Numa tarde,  que vi  Selma e Viviana conversando frente ao ao prédio pensei, essa é a hora tenho que cumprir com o prometido, e fui em sua direção como quem ia passar reto, parei e olhando em seus olhos disse: Viviana... Você seria capaz de me perdoar?
Ela com grande sorriso me disse, perdão se pede a Deus, eu não tenho que te perdoar, mas é claro que aceito suas decupas! 
Sendo assim lhe fiz o convite tão esperado por ela: Você quer ser madrinha de meu filho?
No súbito abraço que recebi dela, emocionada me disse: Quero sim!... Obrigada, minha querida!  


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Neste mesmo dia eu havia feito uma ultrassonografia, onde obtive boas noticias sobre a saúde do meu bebê e tive a grande felicidade de saber que era um menino, o que deixou Viviana ainda mais feliz, porque não tinha filhos homens, somente filhas que não haviam lhe dado netos ainda.
Passado alguns meses, D. Selma e André finalmente compram o carro. 



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A Principio as prestações não pesarão na nossa renda, no entanto com decorrer tempo não conseguíamos mais  nos manter como de antes. Ficamos com enormes dividas com o banco, contas atrasadas e o pior dependentes do cartão de credito o que nos endividava ainda mais.
Lembro-me que algumas vezes em que me vi obrigada a pedir ajuda para minha sogra, as tias de André e até mesmo vizinhos. Vou contar sobre uma manhã onde eu preparava a mesa para o café, bem não tinha dinheiro, então me virei com o que tinha, o pão amanhecido e algumas bolachas, mas ao me deparar com a caixa de leite vazia, pensei: Meu Deus, e agora que faço? Se pedir aos meus sogros, vão me dar de boa vontade, entretanto não aguento mais suas críticas com relação a mim, me chamam de esbanjadora! Se eu pedir para tia Viviana, me dará com aquele “olhar de vai me fazer falta” e a tia Rafaela nossa, que vergonha, já pedi-lhe pedi arroz nesta semana. E não dá para deixar minhas filhas sem o leite.
Sendo assim apele por pedir a minha vizinha mais próxima. Bati em sua porta e com grande timidez lhe disse: Oi Izabel, posso te pedir um favor?
E ela com um sorriso amigável me respondeu: Claro Raquely! Se estiver ao meu alcance?...  
Daria por favor, para me arrumar um copo de leite para minhas filhas? Eu perguntei, lhe explicando: É que o André levou o cartão e eu não tenho dinheiro em casa.
E com toda a sua generosidade Izabel encheu o copo com leite e me deu dizendo: Se precisar é só pedir!



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Com grande gratidão lhe disse: Não já está bom, muito obrigada! Deus te abençoe!
Sem eu perceber minha sogra via tudo do corredor do prédio e quando eu esquentava o leite para as meninas, D.Selma entrando em minha casa, indignada com minha atitude disse: O por que de disto? Pra que vai lá e pedi leite pra minhas netas na casa dos outros?
Tentei me justificar, mas ela não me deu tempo e logo me fez mais uma pergunta: Se os avós delas estão tão perto, como pode fazer isso? Isso é, que é ser tola, que ignorância menina! Prefere se humilhar, a pedir a mim, sua sogra. Essa mulher irá espalhar que vocês estão passando fome, coisa que não é verdade.   
Me enfezei grandemente com D. Selma e lhe falei num tom alto: Se almenos tivessem esperado um pouco mais na compra desse carro, eu não estaria fazendo isso! E agora você se acha no direito de me criticar? Há... Vá cuidar de sua vi...
Ela me Cortou dizendo: É você sua ingrata, quem abusa na água, abusa na luz e esbanja demais as coisas! Coitado do meu filho! Agora não venha nos culpar por causa do carro, pois bem que você se beneficia dele né? 
E desta forma surgiu mais uma longa e desgastante discussão entre nós. O que também afetava circunstancialmente meu casamento.


Dias difíceis!

Eu já passava pelo sexto mês de gravidez, o desanimo me tomou conta, sentia um cansaço sem sentido e qualquer nervo que passasse me fazia um profundo mal. Peguei um grande resfriado e tive ataques de tosse conturbadoras que ao passar no médico,  só não fiquei internada, por prometer me cuidar em casa.
Alguns dias depois tive uma forte cólica, senti que meu bebê nasceria antes do tempo estimado. 


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Estava me levantando quando senti uma leve dor que em segundos foi aumentando de tal forma que mal conseguia me levantar, esperei alguns segundos... Gradativamente a dor foi passando, assustada fui até a porta  e vi que Izabel minha vizinha passando e pedi-lhe ajuda. E ela chamou a Selma, que rapidamente veio ao meu encontro, e disse: Que foi?
Izabel assustada falou: Está menina não está bem, é melhor leva-la ao médico. 
Então expliquei-me a ela dizendo: Quando me levantei senti uma forte dor mas parece estar passando agora, acho que não é nada, vai passar.
Izabel falou: Olha só a barriga dela esta baixa! De quantos meses está?
E Selma disse: Será mesmo? Mas se já passou a dor... Basta ela descansar, ficar um pouco de repouso, não vou chamar meu cunhado de novo e se não for nada?
É mesmo melhor não incomoda-lo.  Respondi, lembrando de outro momento em que passei mal e pedimos ajuda a ele, percebi que o incomodava, também Selma e alguns parentes de André me tinham como dengosa, que reclamava à toa.
Mas em seguida as dores voltaram, onde pedi a Selma que telefonasse para minhas irmãs, que vieram rapidamente.
D. Selma preocupada disse: Não é melhor avisar o André?
E eu pensando não ser tão grave, achei melhor não atrapalha-lho em seu serviço, disse a ela que não precisava. Essa foi a mais boba ideia que tive, quando André soube que eu havia ido ao hospital e não o comunicamos ficou muito chateado, nervosíssimo com minha atitude. E quando ele foi ao meu encontro no hospital, eu não estava mais lá, tinha sido transferida para outro hospital, isso o irritou ainda mais pois minhas irmãs Maria e Moni já haviam ido embora.
Fiquei interna, o médico disse, que eu devia ficar de repouso absoluto e medicada, pois se ficasse em casa perderia meu bebê.
Quando André conseguiu falar comigo, estava transtornado e mal conseguia olhar para mim, hoje não tiro a razão dele ter ficado tão chateado, percebo quão imprudente foi minha atitude, além de mim o nosso filho corria risco de vida, óbvio que deveríamos tê-lo comunicado.
Nestes cinco  dias em que estive internada, vi  mulheres com seus filhos prematuro e o  quanto elas sofriam com isso, pedi muito a Deus para ampara-las e que eu não passasse pelo mesmo.
Retornei a minha casa bem, graças a Deus, como sempre minha mãe atenciosa, ficou comigo por alguns dias e tive algumas visitas de amigos e familiares.
Bom, me recuperei rápido, logo estava eu com meus afazeres e preocupação com os preparativos dos aniversários de Alice e Sabrina, que são consecutivamente de um mês seguido ao outro. Doces... Salgados... Bolo... Decorações... Convites.... E toda preocupação possível com as crianças e a casa ficava comigo, André sempre fazia questão de me lembrar que quem trabalhava e dava o sustento para nós era ele e não tinha tempo de me ajudar. Isso me deixava muito triste, pois não se tratava somente de sua ajuda, queria muito que ele participasse desses momentos comigo, mesmo considerando uma bobagem, pra mim fazia grande sentido era essencial estarmos juntos naqueles momentos e decisões.




Essas imagens não são da festinha em si,  festa essa que  foi muito mais simples, mas me lembra um pouco do que tentei realizar naquele tempo.

Apesar do cansaço e da conturbada organização da festa, ver à alegria que estava estampada nos rostinhos de minhas filhas e ver que meus irmãos, que pouco me visitavam, estarem lá participando daquele momento conosco, foi de uma felicidade sem tamanho.

  O nascimento de Antony!


Este dia aconteceram coisas inusitadas, foi tudo muito rápido. Era madrugada ainda, ao me levantar da cama senti que deveria acordar André, pois percebi que a hora de ter meu filho estava chegado e ao avisa-lo, ele disse: Há... Este sinal você já teve antes! Vamos esperar um pouco para ter certeza.  
Me deitei... E ele mal havia terminado de falar e a bolsa gestacional se rompeu, assim molhando toda a cama, André assustado disse: Que isso!
A bolsa rompeu, André! Nosso filho vai nascer temos que ir já para o hospital! 
André falou: Tem certeza Raquely!!!
Não, eu me mijei... Seu bobo, é claro que é a  bolsa!!! 
Apesar de não sentir dor alguma, lembrei-me do que diziam, se abolsa estourar logo logo o bebê ira nascer. Assustada sem ação, permaneci na cama. E quando tio  de André chegou com o carro para irmos, não demorou nem cinco minutos e já estávamos a caminho do hospital, chegado lá fui direto para sala de pré parto, sentindo uma leve dor e sem intender a atitude do médico que me examinou, dizendo: Levem ela e a preparem! 
E olhando pra mim, me disse: Seu bebê vai nascer.
Então perguntei a enfermeira: Não estou sentindo as contrações, é normal?
Ela me perguntou: Nada mesmo, nem uma leve dor? 
Sim, respondi: Estou sentido dor, mas muito pouco, não foi assim da outra vez.
Ela me explicou: Normal! Não se preocupe, daqui a pouco você vai ter seu bebê! Vai dar tudo certo Mãe!
Desde este momento a hora do nascimento de Antony, não deve ter levado nem quinze minutos para eu ver seu rostinho e me emocionar ouvindo seu chorinho.
Passado dois dias recebei noticias não muito boas, Antony não pode ficar comigo no quarto pois tiveram que coloca-lo numa incubadora que emitia luzes para o fortalecimento de cálcio e também recebia medicamentos que só podiam ser administrados pelas enfermeiras. Isso me deixou preocupada mas eu não tinha ideia do que eu iria passar nos próximos dias. Na manhã seguinte quando fui ao berçário ver meu filho, ao pegar ele para amamentá-lo, me sentei perto de outra mãe que passava por uma situação bem pior.  Ela havia ganho alta mas seu filho não, era nítida a tristeza em seus olhos. Tentei acalma-la, conversamos por alguns minutos até a hora que ela foi embora. No dia seguinte aconteceu o mesmo comigo, eu teria que ir para casa sem meu filho e pra piorar estando no berçário presenciei de perto, a correria nos corredores do hospital e o desespero de uma equipe médica inteira para salvar a vida de um menininho de apenas dois anos, que infelizmente morreu ao termino deste mesmo dia. O meu Sofrimento era tão grande que não sai de perto do berçário o dia todo. Até o momento em que a médica viu meu desespero, eu estava em prantos amamentava meu bebê, não conseguia conter minhas lágrimas que escorriam pela minha face molhando minha roupa. A médica comovida comigo e triste com o ocorrido daquele terrível fim de tarde, disse-me: Mãe... A senhora não pode ficar todo tempo, sua alta acabou de sair, seu bebê vai ficar bem, são apenas três dias e ele irá para casa!


"video do yuotube"

Foi onde que meu sofrimento se transformou em uma dor incalculável sem explicação, fiquei tremula e sem palavras só abraçava meu filho o balançado, vendo meu sofrimento a enfermeira disse a médica: Se o remédio dele é via oral e os tratamentos com a luz já cessaram, porque não deixa-lo ir com ela? 
A médica me autorizou que o levasse, mediante a assinatura de um documento me responsabilizando pelos medicamentos de Antony. Me veio um alivio tão bom e tive grande gratidão por elas terem tido a benevolência e confiança nos meus cuidados com meu filho. Deus é um pai maravilhoso, que nunca desampara os que nele confiam e sempre estão atentos dando graças as bençãos recebidas de forma a dar testemunhos por tão grande alegria! 
Poucas horas após isso, estamos ido para casa com nosso carro pela primeira vez e no volante o louco do meu marido, André, que nem havia tirado sua carta de motorista ainda, fique preocupada de inicio, mas fizemos o percurso tranquilamente e chegamos bem.


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Assim nos reunimos nós os cinco e minha felicidade ficou completa.


recaída pós-parto
e um anjo em minha casa!

Dois dias se passaram, era um fim da tarde, estávamos só eu a Alice e Antony em casa, eu não passava bem. Tinha arrumado a casa pela manhã e a tarde ao terminar de lavar algumas roupas sentia dores por todo o corpo, então fui me deitar. Alice assistia TV sentadinha no tapete ao meu lado da cama e Antony dormia, do nada comecei a sentir calafrios e tremia muito, até que dei um pequeno cochilo e acordei com as caricias da mãozinha pequenina de Alice em minha face, ao abrir meus olhos e vê-la, ela me parecia um anjo de Deus, uma criança, que mal sabia falar direito e queria cuidar de mim, sua mãe, que devia estar cuidando dela, disse-me ela com seu dedinho na boca: Mãe, oce num tá bem, pecisa di memedio! Qué qui eu chamu  vovó?


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Não filha! A mãe ta bem. Lhe falando isso me levantei, percebi que precisava tirar aquela camiseta úmida que usava, porque quando terminei lavar aquela roupa, meu desanimo havia sido tanto que ao me deitar nem pensei em tirá-la. 
Então pedi que Alice pegasse o remédio em cima da mesa para que eu tomasse. Assim que me deitei de novo, escultei o barulho da porta da cozinha se abrir era dona Selma, que entrando disse: Raquely! Nossa, você dessa vez você se superou, já arrumou a casa! Hum... Da outra vez, quando teve as meninas demorou para se recuperar. Bom! Dando pausa com grande sorriso exclamou minha sogra: Agora você está mais forte, mais experiente, né!
Ela falou mais algumas coisas de que eu não me lembro e alguns minutos depois foi embora. E em seguida André chegou do serviço, ao me dar um beijo, disse: Você está quente, já mediu pra ver se está com febre?
Não, mais não é nada, já vai passar, só estou cansada, preciso descansar. Respondi.
Então faz um cafezinho pra gente? Perguntou André.
Ao me levantar, senti-me com tontura e falei: André, não estou muito bem você sabe, dá pra você fazer o café?
Ele que havia ido pra cozinha retornou ao quarto, dizendo: Deixa de bobagem, você não mediu essa febre ainda né? E Já tomou algum antitérmico?  
Sim, por favor me deixe aqui, quieta! Respondi. 
Então eu adormeci e alguns minutos depois esculto, uma voz, que num tom bem baixo que calmamente me chamava: Raquely acorda... Raquely... Era meu marido: Vem tomar café comigo, eu fiz o café.
Mas meu desanimo era tanto que disse: Não quero, desculpa, mas estou com estomago embrulhado André.
André se levantou rapidamente e disse: Tá vendo, você não está bem mesmo. Vou pegar o termômetro!



"Imagem colhida da Web, como todas as imagens deste blog, só que com 
algumas alterações" 


Quando ele voltou além do termômetro trouxe um copo de leite quente, e fez questão que eu tomasse e foi o mesmo que eu vomitei alguns segundos depois. Com isso André ficou muito preocupado e disse que me levaria ao médico, eu disse não ser necessário, mas bastou mais três horas para eu ficar atordoadamente, fora do ar, quando ele falava comigo eu não entendia nada e não conseguia responder nada com nada. No medir minha febre ele viu que era de quarenta graus e meio. Não lembro direito, mais sei que ele me levou ao médico que disse ser uma recaída pós-parto e precisava repousar e tomar alguns remédios.
Ao chegar em casa estava bem, mas infelizmente dois dias depois tive uma forte cólica renal. E quando André falou que pediria a sua mãe que ficasse com as crianças para irmos ao médico, eu disse, que não precisava pedir nada a Selma, pois eu não queria mais ter que ouvir suas ferozes criticas a mim. Porque na maioria das vezes em que eu ficava doente, Selma, pensado ser manha minha e achando ela que eu não percebesse seu pouco caso, dizia baixinho: Será?... Está com dor mesmo? Ou é umas daquelas frescuras? 
Eu preferia a dor ao ver o rosto de indignação de minha Sogra. 
Mas ele não dando importância ao meu pedido, fez o que achou ser certo, chamou sua mãe. E de novo tive que me resignar em ir ao hospital. Lá fiquei sabendo que teria que fazer um tratamento com urologista pois tinha cálculo renal.  
Com aquele pequeno gesto de carinho e preocupação que teve minha filha, Alice, vi que nossos filhos estavam crescendo, eles eram e são minha alegria.          
Tempos se passaram e a família cresceu,  não só por Sabrina, Alice e Antony, como também nasceram neste tempo... Marina, Barbará, Vinicius, Victória, Gabriela, Gabriel e Bianca todos sobrinhos meus e não esquecendo é claro a prima de André, Cristiana que havia se casado a pouco tempo e três anos mais tarde teria uma menina, Jaqueline. 
      
   
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Passado alguns meses. Era fim de ano e nos preparávamos para o natal, eu  terminava de arrumar as crianças para irmos ao mercado. André e Selma conversavam na cozinha,  percebi que Selma não gostou de saber que eu e as crianças iríamos junto, dizia ela: Pra que vai esse monte de gente, só pra fazer uma comprinha de natal? Ela podia ficar aqui com as crianças, não tem necessidade de irem todos!
Mãe... Deixa ela ir caramba, qual o problema? Falou André que chateado continuou a dizer: Você diz isso né? Mais  por que não fica você e o Paulinho então?  
Essa discussão deles me deixou muito nervosa, Selma, devia ter um pouco mais de consideração, poxa, pensava eu, afinal eu quase não saia de casa, André estava trabalhando muito, o seu serviço o prendia tanto que pouco nos víamos.
Ele ia bem sedo trabalhar e também a noite fazia sua faculdade ao chegar, muito cansado, praticamente já era hora de dormir e quando tinha uma folga na maioria das vezes, ficávamos na casa de seus pais. Coisa que eu não achava muito bom para o nosso relacionamento, claro fazer uma visita de vez enquanto seria bom e eu gostaria, mas precisamos de um tempo livre para nossas vidas. 
Bom voltando ao assunto das compras, acabou que fomos todos, passamos em dois mercados, ao passarmos no segundo mercado André acabava de estacionar o carro e todos falavam juntos e ao mesmo tempo, não se intendia nada e por eu estar triste com aquela atitude de minha sogra  em casa permaneci calada.
Quando todos já haviam saído do carro e eu ia levantando do banco traseiro com Antony nos  braços, irritadiça não sei porque, minha sogra disse: Por que está se levantando? Fica ai... 
André num súbito grito, a fez parar de falar, depois disso só lembro de ter me revoltado em silencio, o que fez-me muito mal, tive  vontade de dizer poucas e boas, mas para evitar atritos permaneci calada, meu nervoso foi tanto com aquela situação que me veio uma angustia sem tamanho. Hoje eu até entendo minha sogra e tinha também muitas discussões bobas como, quem ia no banco do lado do motorista, era raro as vezes em que eu me sentava lá, pois tinha que segurar meus filhos e quando me sentava, era um tal de dizerem: "Há! Raquely, é você quem tem que ficar com as crianças no carro! Agora sou que vou na frente!"... "É isso mesmo Raquely! Mais pera ai fulano, você já foi, sou eu que vou no banco da frente!"
Parecíamos crianças numa tola discussão, talvez fosse esse o motivo de Selma ter implicado tanto comigo naquele dia. Talvez ela tivesse receio que eu ficasse no banco da frente, coisa que eu nem pensava de fazer naquela dia.
No mercado eu nem tive animo para as compras. Houve um momento em que uma funcionaria do mercado se dirigiu a mim dizendo: Oi, quer tirar uma foto do bebê? Na promoção das compras até determinado valor, você tem direito a uma foto!
Eu estava tão transtornada que nem percebi, André vendo isso, falou: Claro, obrigado! 
Ai que eu me liguei e disse: Desculpa, eu não havia te ouvido estava com meus pensamentos longe! 
E me virando para André erguendo os braços para entregar lhe o bebê pedi que ele fosse tirar a foto com Antony, mas André em sua persistência fez com eu fosse tirar a foto.  
Não era um bom momento para eu tirar aquela foto, foi muito difícil pra mim tudo aquilo!           
  

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Bom peço que não se precipitem em julgar o comportamento de Selma, apesar de não nos dar bem no principio, não era somente por culpa dela. Como minha sogra, eu também errei muito e até o André agiu mal, teve comportamentos muitas vezes inadequados. Hoje quando eu a vejo e lembro-me das varias dificuldades em passamos, lá estava D.Selma sempre disposta a nos ajudar e nunca nos faltou, era  nas horas mais necessárias que essa mãe, avó e minha amiga tirava forças não  sei de onde para que não nos faltasse nada. Agora quanto a nossas brigas, penso, se eu e André tivéssemos planejado nossas vidas, antes de nos casarmos, talvez teríamos tido a chance de futuro sem tantas adversidades, dificuldades, além de sermos duas pessoas completamente diferentes no modo de pensar, também tivemos uma educação completamente desigual, cada família vem de uma cultura que dificilmente irá coincidir com a outra, isso para mim é claro. Talvez se tivéssemos sido independentes desde o inicio e não sobre carregássemos tanto seus pais, mas não fomos, esse foi o grande mal.
Se já é problemático para um casal no inicio de seu casamento mesmo que apaixonadíssimos se acostumarem um com o outro, com todas suas manias e cada um ter que mudar seu ritmo de vida antigo para um novo, que contrastante com suas novas condições de maneira a unir suas ideias numa só para que aja intendimento, quem dirá se esses morarem a próximos ou juntos de seus familiares que com certeza na maioria das vezes pensando ajudar se intervem nos seus problemas que deveriam ser solucionados somente pelos os mesmo, que são a parte mais interessada "o casal", e não por seus parentes.  
Um casamento para se ter o minimo de equilíbrio no incio precisa ter alicerces resistentes, onde aja muita paciência somada com uma base de muita confiança e amor. 
Meses depois, numa manhã em que íamos a festa junina da escolinha que Sabrina estudava, como sempre tudo estava meio que atrapalhado, tinha que alimentar as crianças, trocar as fraudas de Antony, arrumar Sabrina e trocar as roupas Alice, para andar dois quilômetros até a escolinha. Quando de repente ouvi a porta se abrir, era Selma que disse: Nossa Raquely, você nem arrumou a Sabrina ainda! Já faltam uma hora para festa, até chegarmos lá...
Deixa que eu arrumo Sabrina,  vá cuidar dos outros dois!
Quando ela disse isso era para se ficar grata, mais o meu ciume exagerado por Sabrina com minha sogra me deixou transtornada, que eu fechei a cara, mal conseguia olhar para ela, só vinha em meus pensamento: O que ela pensa que é? Mãe de minha filha? E eu sou o que dentro dessa pocaria de casa! Eu quem deveria arrumar minha filhinha de caipirinha, porque ela não se ofereceu para trocar Alice? Afinal esse dia é importante para Sabrina eu que queria arruma-la.
Nisto ela disse: Cade sua maquiagem? Precisa pintar o rostinho dela.
Ta lá! Apontado pra comoda, Nervosa respondi.
Lá onde memina? Pergunto Selma. 
Em cima da comoda, respondi.
Você é muito ingrata mesmo! Disse Selma, que num tom mais alto continuou falando: Além de estar te ajudando, sua grossa, fica ai gritando comigo! Quem manda ser preguiçosa, já é mole, ainda acorda atrasada, quer o que em? 
Nisto começamos a discutir aos gritos, de forma a atrasar mais ainda para sair de casa e ela de tão nervosa que ficou disse: Agora você que se vire leve as crianças sozinha! Eu não v...
Eu não preciso que me ajude, obrigada! Respondi impedindo que ela continuasse a falar, ela saiu batendo a porta com força.
Logo que eu terminei de arrumar as crianças peguei Antony e falei: Sabrina, a mãe vai ter que ir com vocês sem a vó, então segure na mão de Alice e não saia de perto da mãe.
Tá! Mais a vó...? Falou Sabrina.
Vai menina! Estamos atrasadas! Respondi.
Neste momento estávamos na esquina e Selma vinha logo atrás dizendo: Espera, eu vou!
Alguns minutos depois voltamos a discutir incessantemente... Até que eu desisti de ir e disse: Olha, eu estou cansada dessa lenga lenga, já que você não para de me criticar e gritar, não vamos mais. E não á mais tempo de chegar lá, pra mim... 
Nossa... Agora quem paga a conta é a pobrezinha da menina? Disse ela.
Nisto eu voltei pra casa, chegando lá olhei pra minha filha, vi seus olhinhos de tristeza e me veio o arrependimento no instante.
Uns cinco minutos depois Selma veio em casa com a chave do carro e a sua carta de motorista comprada, sei que parece irônico o que vou dizer, mas eu sempre a incentivei que ela aprendesse  a dirigir e eu tinha mais confiança nela do que ela propiá, mais neste momento seu nervoso foi tão grande comigo que ela disse: Eu vou leva-la de carro, pode deixar. 
Ao eu pegar na mão de Alice chamando Sabrina, Selma disse: Fica ai, Viviana vai comigo! 
Eu poderia ter a impedido no entanto, comecei a perceber que Selma tinha razão, eu havia exagerado e minha filha, uma criança não podia pagar por duas loucas desvairadas.
Aqui fica minha vergonha, um sentimento que jamais pensei sentir. Ao ver D. Selma entrar no carro com minha filha e Viviana, pensei: Não tem o minimo consideração comigo, é ela quem torna tudo uma droga pra mim!
Neste exato momento Selma tentava sair o carro de ré, eu pensei de auxilia-la com saída entre o carro de traz e a moto da frente mais ao ver sua cara trancada pra mim, vi que seria inútil eu ajudar e foi ai que ela bateu com tudo no carro que estava estacionado a traz, por questão de segundos eu poderia ter impedido, com um grito de alerta, mais meu egoismo não me deu tempo e ao momento em que gritei, cuidado! Já era tarde.
Ninguém se machucou, graças a Deus, mas tenho muito remorso por não ter conseguido alerta-la antes, sei que talvez não desse tempo, mas poderia ter tentado evitar a batida.
Depois disso levamos Sabrina, e o que era pra ser um dia feliz se tornou um pesadelo. Horas mais tarde Selma só fazia chorar em sua casa e eu pensava: Senhor, o que eu to fazendo? Não posso agir desta maneira! Isso tudo tá errado, mesmo que me tratem mal eu não sou assim, mas ela também não me dá um tempo, caramba!
Hoje, sei que eu estava totalmente errada, tinha perdido a razão e tudo aquilo era por um simples capricho tolo, eu estava cansada de ser insultada, mais jamais deveria ter copiado o que a de mais podre no ser humano a maldade. Só Deus sabe o quando sofro de arrependimento. 
Passado algum tempo, André conseguiu-me uma vaga de promotora de salgados, em uma firma que vendia seus produtos para o mercado onde ele trabalhava. No inicio foi muito bom, eu tinha uma boa sociabilidade com todos os colegas trabalho e clientes, trabalhava em uma área que sinceramente eu gostava, lidava com o atendimento ao balcão, auxiliava as meninas do café, como também algumas poucas vezes na cozinha. No entanto não deu muito certo, pois a empresa que me contratara não me pagava corretamente, era uma firma de salgados onde eu trabalhava para ela dentro do mercado.
Minha sogra já não trabalhava mais e passou a cuidar as crianças pra mim. 


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Lembro, que também nesta mesma época eu havia retornado aos estudos, fazia o ensino médio, foi tudo muito corrido pra mim. Trabalhava quase o dia inteiro, de domingo a domingo com uma folga na semana, de noite ia para escola e além disto tinha que dar conta de todos os afazeres de casa. 
Eram tantas coisas na cabeça, nem tinha tempo de parar alguns segundos e respirar. Passei aficar descuidada com minha aparência. Um dia eu saia as pressas do serviço e no caminho soltei meus cabelos na intensão de ajeita-los, enquanto eu passava a os dedos entre os fios, ouvi alguém dizer: Nossa!...
E outra responder: Vichi! iiii... Pobre coitada, tava melhor amarado! E caíram na rizada.
Na hora nem me importei, mas no momento que cheguei em casa ao entrar no banheiro e me de parar com o espelho soltando novamente meu cabelo, vi que estava realmente feio e armado, pensei: Credo! Estou só o bagaço.
Minha auto estima estava lá embaixo, que pensei: Há, que se dane! Quando der eu corto.
Um mês após isso cortei um chanelzinho bem curto, coisa que nunca gostei de fazer.
Em um fim de semana, em que eu  havia saído uma hora mais cedo, liguei para casa e disse a André, (que já havia ido embora a três horas antes de mim): Já estou saindo, não precisa me buscar, vou de ônibus mesmo.
Eu sabia que o transito estava terrível naquela hora, não iria ajudar muito se ele viesse de carro, pensei em ir a pé para casa, no entanto André insistiu em ir me buscar, até que me convenceu e eu o esperei. Entrei no mercado por alguns minutos, ao sair e ver o carro, notei que meu cunhado com sua namorada que tinha vindo me buscar. Até ai tudo bem, mas quando meu cunhado disse: Espera um pouco ai, dentro do carro, vou comprar algumas coisas. Isto me irritou de tal maneira, que ao entrar no carro calada sentia com se engolisse um bonde. Esperei... Esperei... Esperei... E nada de eles voltarem, ai meu nervo foi tanto que comecei a esmurrar o banco da frente e pensava: Que droga... Que droga! Não tenho mais vida, não tenho tempo para meus filhos e com meu marido pouco converso... Não aguento mais este serviço que nem se quer me pagam o que é de direito! 
Comecei a chorar e ao passar a mão na rosto para enxugar as lágrimas, olhei para o espelho do carro e comecei a ver que minha mocidade estava indo embora, pensei, a vida é agora, e o que estou fazendo dela?
Nisto eles chegaram, após quarenta minutos de espera, e fomos para casa. Um semana e meia depois parei de trabalhar lá, pois não estava sendo-me de maneira nenhuma recompensador. 

O aniversário de um ano de Antony!  






Era um dia chuvoso e por não termos as mesmas condições que tivemos para fazer a festa das meninas e para Antony, e por ele não intender o verdadeiro significado de um aniversário ainda, optamos por fazer uma pequena reunião familiar. Onde compareceram; meu irmão Luiz com minha cunhada e meu sobrinho, alguns tios de André, seus pais com meu cunhado e umas crianças do prédio. 



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Alguns meses depois... Eu voltei a  trabalhar  com as vendas de yakult, trabalhei um ano e meio, meus filhos ficaram aos cuidados de uma vizinha, que Carolina havia me apresentado como sua amiga.
Foram tempos difíceis pra mim, sofri por ter que deixar meus filhos pequenos e indefesos, mesmo que a moça fosse legal e responsável, eu sentia que as crianças não estavam sendo tratadas com carinho e paciência. Ela tinha uma aparente tranquilidade, entretanto em alguns momentos notei sua impaciência com o choro de Antony, mais tive que suportar pois eu precisa trabalhar e nossas condições financeiras iam de mal a pior.
Também neste tempo fraturei o cóccix, ( o cóccix, "pronuncia-se có-kcis", é um pequeno osso da parte inferior da coluna vertebral) em um desastroso tombo numa festa de aniversário, além da dor, me senti com muito envergonha pois todas, exatamente todas as pessoas me viram naquela constrangedora situação. E o que mais me chateou foi que na hora do tombo, se André tivesse um pouco mais de atenção poderia ter evitado que eu caísse, a festa tinha sido realizada na garagem da casa de sua prima e a entrada era muito inclinada, como eu estava de salto e uma de minhas filhas esbarrou na minha mão fazendo com que eu derrubasse todo o licor do copo que segurava sobre meus pés e assim que isso aconteceu comecei a deslizar, chamei André que se afastava de mim, mas não me ouviu e eu caí com tudo com as costas no chão.    


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Fiquei dias, sem poder trabalhar, o que nos prejudicou seriamente, para pagar as contas. Por mais que fosse pouco o dinheiro que recebia, nos ajudava de certa forma e outra num trabalho informal como de revendedora de yakult, se não trabalhava não ganhava, mesmo que o motivo seja doença. 
Passado o pesadelo, dois meses depois, as vendas iam bem e com isso consegui dar um bom auxilio com as contas de casa, e André estava conseguindo equilibrar nossa situação. E as coisas iam se engrenando, estavam indo bem, graças a Deus. 
Nesta mesma época, minha sogra me presente-o com uma surpresa, no dia do meu aniversario, ela compro um presentinho para cada uma das crianças me darem, fiquei muito feliz com seu gesto de carinho, grata, pois ela sempre foi muito amorosa com meus filhos e isso pra mim não tem preço.  
Passado os meses, a amiga de Carolina não olhava mais as crianças, que passaram a ficar na casa de minha sogra enquanto eu trabalhava.  Era fim de tarde, dia de receber dos clientes e de fazer o deposito para firma, demorei muito para voltar para casa, já eram passadas duas horas e meia do horário em que eu acostumava chegar em casa. 
No momento em chegava aviste dona Selma no muro do corredor do prédio,  muito nervosa ela me disse: Meu Deus onde você estava? Porque não me ligou? Não faça mais isso...
Logo eu a respondi: Eu tive que ir na casa de alguns cliente que me pedirão para retornar, nesta hora e...
Custava me ligar? Disse Selma.
Respondi: Há, foi um dia muito corrido, você sabe Selma, me desculpe!  
Não faça mais isso, por favor, quase morri de preocupação! Disse ela.
Na hora eu não havia intendi o porque de todo aquele nervoso, mas no dia seguinte quando eu contava isso para minha supervisora, a dizendo: Minha sogra ontem ficou uma arara comigo, ela tinha que sair e eu não cheguei no horário combinado, foi um troço! 
E Disse-me a supervisora: Serio, mas ela não sabe que esses dias são terríveis pra nós? É um corre corre!
É... Respondi e continuando falar: Mas eu também nem lembrei de ligar para avisá-la que chegaria mais tarde.
Há, será que ela não se preocupou com você, coitada! Disse a supervisora. 
Como eu não me dava muito bem com Selma, não pensava que ela gostasse de mim a ponto de se preocupar comigo, mas neste dia senti que a supervisora tinha razão eu precisava avaliar um pouco mais meus conceitos com relação a minha sogra, que além de uma mãe e vó dedicada em fazer o bem, por mais que implicasse comigo, já era hora de reconhecer meus erros.


"Cuidado, pois sem que percebamos o
 pior inimigo pode nos tomar o que á de mais 
valioso para nós, a paz de espírito!


Neste tempo, eu vinha me atrapalhando mais ainda com os horários de almoço, a escolinha das meninas e o meu serviço. Algumas vezes, no nervoso e por querer que as meninas aprendessem a se organizar, as mandava que arrumassem suas camas, guardassem seus brinquedos e pegassem seus uniformes escolares antes de tomar banho.  Mesmo que  não fizessem de forma correta e isso não me ajudasse e elas fossem pequenas para intender, sentia que era necessário começar a estimulá-las a terem autonomia, eu acreditava que desta forma poderia evitar que passassem pelos mesmos problemas que passava, assim lhes daria a oportunidade de um futuro mais independente e com maior destreza para lidar com as coisas da vida.   
Infelizmente na maioria das vezes não dava muito certo, ou elas sumiam com um sapato ou com uma blusa e assim ai. Isso me irritava de tal forma que na ultima hora lá estava eu aos gritos procurando o que elas haviam perdido, dizendo: Ta vendo ali, seu sapato Sabrina! Quantas vezes a mãe tem que dizer coloque os pares juntos no lado da comoda, e agora, cade o outro par, você vai só com um pé? Cadê o outro? Há, vai de chinelo mesmo, estamos atrasadas! 
Podia estar o frio que fosse, elas nunca queriam por suas blusas de frio era uma trabalheira para convence-las. E quando conseguia por o agasalho da escola nelas, em alguns momentos, minha sogra dizia, cade as blusas de frio dessas crianças? O agasalho é pouco? 
E quando eu tentava me impor, não conseguia ter autoridade com meus próprios filhos, pois não tive liberdade pra isso, sempre meu marido ou minha sogra me contrariavam frente a eles. Diziam: Não faça isso, se ela não quer deixa... Coitadinha da menina... Calma, ela não tem noção ainda que não pode gritar com você!
Ou se eu as chamava a atenção, as colocava de castigo por alguma arte, eu era estupida, impaciente...   
Nesta mesma semana, não me lembro qual foi o motivo do começo da discussão, mas tive uma briga horrorosa com Selma, recordo-me de estar fazendo o almoço, de vê-la chegando aos gritos em minha casa, sei que eu a respondi rispidamente e em seguida vieram seus insultos: Você não merece meu filho! Você não devia ser mãe, pobre dos meus netos, nem se quer faz um almoço decente pra eles! Sua imprestável, você...
Calasse! Gritei, dizendo-lhe: Com que direito, você me diz estas coisas?
Ai surgiram outros descontentamentos de Selma comigo, que dizia: Olha essa luz acesa nesta hora do dia, pra que me diz?
Com lágrimas rolando em minha face, respondi: Eu estou em minha casa, da pra você ir embora por favor, você já conseguiu o que queria!  
Disse Selma: Eu não saio não! E outra...
Respondi: E outra?... Some daqui e não me atormente mais, eu não aguento seus insultos e esse seus olhos de raiva! Sua Ignorante! 
A verdade doí né? Respondeu Selma, que depois de falar mais uns monte de desaforos sobre tudo o que sentia se retirou, me deixando sem chão, sentia como se meu coração tivesse sido arrancado com suas mãos. Era uma dor sem explicação, pensava: Senhor... Senhor, não aguento mais, meu Deus!
Ai surgia um grande desejo, de desistir de tudo, separar me de André não era uma opção, pois eu o amava, pedir para sairmos dali para uma outra uma casa muito menos, pois antes de nós ajeitarmos financeiramente, ele não queria... Só me restava as sombrosas palavras na mente... Sua inútil... Imprestável... 
Pensava: Meu Deus, por que sou assim? Por que não herdei as habilidades de meus pais e irmãos? Que vida é essa? Não tenho paz!
Bom com isso as coisas foram se complicando ainda mais entre nós. Tivemos muitas outras discussões, como no dia em que André havia saído de férias, eu estava trabalhando quando começou a chover e eu liguei pedindo que ele fosse me buscar, pois estava num ponto de ônibus em uma rua próximo de casa e minha sogra, que havia atendido minha ligação desligou o telefone na minha cara, dizendo que eu fosse a pé pra casa. Quando cheguei foram só gritos meu e dela, eu disse: Nossa, custava me buscar André? 
Ela: Sua folgada, olha meu marido ali chegando na chuva, por que se acha melhor que ele?
Eu só pedi que me buscassem! Nervosa a respondi.
Eu nem preciso continuar a dizer o que ocorreu, já dá pra se ter uma ideia do bafafá, né!    
Todos esses transtornos, nervosos, toda aquela atribulação, me trouxe os piores dos sentimentos, rancor, angustia, minha auto estima estava sumindo, até que me vi a beira do ódio.  
Em uma seria discussão que tive com meu marido por causa de sua mãe, desabafei minha angustias todas num só momento em cima dele.
Dizia ele: Por que você está fazendo toda essa ruindade com minha mãe? 
Eu! Respondi. Fazendo ruindade? É ela quem me atormenta dia e noite!
André: Há, mas você está dando motivo não acha? Não quer mais que ela fique com as crianças, hoje quando você foi para escola deixou as crianças em casa sozinhas me esperando! O que quer?
Respondi: Ela não tem o minimo respeito por mim, não deixa eu educar meus filhos... Se intromete em tudo por aqui! Até quando estamos juntos na cama, ela entra sem bater na porta, isso não é vida André!
Você está sendo ingrata Raquely! Gritou André, dizendo: Dá pra ter um pouco mais de gratidão, quem é que nos ajuda todo mês?
Respondi: Ela ajuda você, porque é filho dela não por mim, quanto a mim ela só faz  me enlouquecer de ódio.
Mesmo antes do revide  de meu marido, só essa palavra ÓDIO me desmontou, sentia como se um peso de uma tonelada caísse sobre mim... Nunca havia pronunciado essa palavra com tanta enfase, meu peito doía em uma dor sem fim... Não dá pra descrever como tal horroroso sentimento nojento que é o ÓDIO, mata tudo que há de bom no ser humano e era isso que senti naquele momento. 
André na sua irá, mal percebia o quanto eu sofria naquele exato momento e disse-me: Eu tenho ódio também por algumas pessoas nas quais você diz amar! E assim começou a falar mal avidamente de cada um deles.  
Tudo o que posso dizer é que oro todos dias, para que essa palavra (ódio) já mais adentre em nossas vidas, pois só o amor trás a verdadeira paz!
Com isso aprendi que antes de mais nada, mesmo que qualquer coisa venha acontecer de mal pra mim, não interessa de onde vier, nem quando, nunca vou acordar esse inimigo adormecido, que é existente em todos (o ódio), mas ele só acorda se o chamarmos, então não  o chame
Chame a Deus e ele irá te instruir. É no amor que encontramos nossas melhores virtudes e com maior intendimento e paciência conseguiremos avivá-lo todos os dias, será como as chamas de um fogaréu e se você quiser nunca se apagará, assim seja para todos, por nosso Sr. Jesus, amém!


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A reconciliação!

Dias se passaram, e eu refletia sobro os assombrosos problemas que vinham acontecendo em minha vida, pensava: Meu Deus, quando será que vou poder ter um pouco de tranquilidade? Quero tanto ter um emprego seguro, onde eu possa ajudar a pagar essas dividas. 
Quando será que meu marido irá intender que todos esses passeios realizados quase que de mês em mês estão nos trazendo mais dividas? São cheques, cartões de crédito e tantos empréstimos com seus pais... Que de modo inocente, sem perceberem colaboram com isso, porque nunca dizem não, quando André os convida para irmos a praia mesmo que seja longe e a gasolina como também todos os gastos sejam pagos no crédito e em varias parcelas. Mesmo que eles fazem sua parte, no dividir os gastos do passeio conosco, para nós não fica fácil pagar tudo isso depois, estamos nos excedendo mais do que podemos pagar! 
E quando que teremos nossa casa? Morar aqui, de favor, por um tempo era o combinado e não a vida toda! 
Nisto, lembrei de toda a ajuda dada por Selma, que por mais cobrasse ou não cobrasse, eu me sentia em divida, e eu também tinha que reconhecer, mesmo com as suas criticas acerbadas, no fundo algumas delas tinham razão de ser, eu tinha que rever meus conceitos com relação a isso. Pensei... Pensei... E disse a mim mesmo, quem sou para julgar alguém?
Deus me de paciência... Entendimento, porque estou aflita.


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Então comecei a escrever cartas de agradecimento a minha mãe, ao meu marido e a minha sogra. Minha mãe nunca soube de tal carta, meu marido nem teve conhecimento, mas ouviu involuntariamente enquanto eu a lia para minha sogra em uma ligação telefônica de quinze minutos, onde nos emocionamos e nos perdoamos.





"vídeo do yuotube "

A viagem dos meus sonhos!

André, com suas férias na faculdade e no trabalho, decidiu que poderíamos nos arriscar em fazer uma viagem, ir na cidade onde morava meu irmão José. A principio fiquei receosa de gastarmos mais do que podíamos, entretanto já era hora de se ter um descanso, não só do serviço, mas daquela vida que pra mim se tornara entediante e triste. Bom...  Apesar d e nossa conciliação ainda tinha muitas diferenças com minha sogra, meu marido parecia mais um visitante em casa do que meu marido,  eu e ele estávamos estudando e trabalhando, pouco nós  víamos e quase sempre, ele, ao termos um tempo de folga, queria ficar na casa de seus pais, e tínhamos discussões intermináveis muitas vezes horrorosas por isso,  já era hora de ter uma alegria!  
Então fomos, desde a viagem de ônibus até a estadia na casa de meu irmão, senti uma paz que a muito tempo não sentia e uma imensa felicidade de poder ver meu irmão, minha cunhada e meus sobrinhos, sendo que um deles conheci neste tempo. Fomos recepcionados com grande alegria. Aquele ambiente interiorano era um remédio para mim, quando voltamos deu um pesar em ter que vir embora pois sabia que iria demorar muito até que pudesse vê-los novamente. Mas voltei revigora pronta para enfrentar a correria do dia a dia.


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O Trabalho faz bem a alma!
E Com lealde, justiça e liberdade
não se brinca!!!


Eu retornei a venda de yakult, mas não demorou nem uma semana e parei, pois havia sindo chamada para trabalhar em uma floricultura de uma simpática cliente, que por ver meu bom desempenho com as vendas de yakult, se interessou por meu serviços e me contratou dizendo, que faria experiência de um mês e que após isso me registraria.
Nas duas primeiras semanas primeiras semanas foi tudo bem, apesar de notar seu abuso de autoridade com todos os funcionários pensei que fosse só um momento de nervoso dela, mas não, ela era exatamente assim... Quando ela ia pedir algo, não importava  quem ou o que ia pedir, geralmente usava tons irônicos ou gritos. 
Na terceira semana, numa tarde ela havia pedido que eu cuidasse de alguns arranjos de flores no qual eu não tinha a menor ideia de como faria, pois ninguém havia me passado as instruções de como fazê-los, por mais que eu já tivesse acompanhado alguns trabalhos e arranjos aquele em especial havia sido o primeiro que faria só e eram muitos. Eu já sabia que a patroa era exigente e não tolerava erros. 
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Fiquei muito nervosa e me atrapalhei, quando de repente D. Lucila, a patroa, despejou todo seu incontentamento comigo e minhas colegas em mim, sua irá era tanto que seus olhos se arregalavam, suas críticas foram tão duras a minha pessoa que eu senti grande pressão no peito. 
A partir dali, as lágrimas em meus olhos me segaram, eu só pensava: Sua inútil o que você pensou? Que era capaz? Sou mesmo uma inútil, nunca vou conseguir fazer algo sem que me critiquem, meu Deus porque sou assim? 
Nisto D. Lucila fez um olhar de grande arrependimento e disse: Meu Deus Raquely, eu que fiz rolar todas essas lágrimas no seu rosto? 
Ao terminar de falar isso, mais calma, ela saiu dizendo a outra funcionaria que me ajudasse e me pediu que organizasse alguns papeis de seu escritório. Passaram-se uns minutos quando eu organizava os papeis, pensei: Vou embora, não há mais nada o que fazer aqui, falhei com Lucila, com minha família e pior comigo mesma.
Tirei o avental, passando pela recepção, sai falando a uma das colega de trabalho: Desculpa tá? 
Onde você vai? Não deu sua hora ainda. Disse a colega.
Eu estou indo embora, diga a Lucila que lhe pedi desculpa pelo meu descontrole emocional, sou assim mesmo, mas sinto que não estou nos níveis dos padrões trabalhísticos exigidos por ela. Tchau! Fique com Deus. Respondi.
Deste modo fiquei desemprega e tentei voltar ao yakult, mas antes que isso acontecesse, arrumei meu primeiro emprego de verdade,  após eu ter me casado. Digo isso porque as vendas de yakult, era mais um trabalho informal, ajudou muito, mas ganhava pouco e o ganho era incerto,  era mais um bico e quanto ao serviço de promotora e a floricultura nem conto.
O novo trabalho era em uma loja, de copeira, sem registro, mas com salário fixo, já me era de grande ajuda para mantermos nossa casa, afinal agora eramos em cinco. 
Minha sogra ficava com as crianças pra mim, eu lhe dava um valor simbólico em dinheiro.  
Passei dois meses e meio com grande alegria em poder trabalhar lá, mas logo surgiu uma nova e melhor oportunidade de emprego. Por indicação de uma amiga consegui participar de uma entrevista para concorrer ao cargo de operadora de caixa no mercado onde ela trabalhava.  




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Me surpreendi com meu  próprio desempenho, devido ao fato de eu ser muito tímida e de ter pouca confiança em si mesma, foi estranho, mas neste dia em especial fui bem desenvolvida ao responder as perguntas do entrevistador que por sinal, eu não sabia, era o gerente da loja. Ao sair daquela sala, apesar de não acreditar que conseguiria a vaga, me senti bem por ter vencido uns dos meus piores pesadelos, minha timidez e baixa auto estima. Creio eu que foi em parte pela simpatia e respeito com que me trataram os dois entrevistadores.
Passadas três semanas, estava eu no meu serviço de copeira, quando me ligaram na recepção da loja, ao atender aquela ligação jamais imaginava o que estava por vir, era minha sogra, dizendo: Raquely ligaram do mercado e pediram que você entre em contato com eles o mais rápido possível e que compareça ainda hoje com seus documentos pois a dois dias estão ligando e não te contactaram. Se você não for lá perderá a vaga!
Minha alegria foi tanta  que mal conseguia pensar no que dizer aos meus patrões, como sairia dali antes do horário? Que diria? E se eu chegar no mercado e já perdi a vaga, também corro o risco de perder meu emprego atual, que faço? Bom, optei por o que disse Selma, "inventar algo", só que não menti, simplesmente omiti dizendo-lhes que tinha algo muito importante para resolver e não podia ser depois. Como eles eram antes de patrões, bons amigos compreensivos com todos os funcionários,  permitiram que eu que saísse.  
Assim em menos de uma semana estava eu indo ao meu primeiro dia de trabalho, com minha amiga que me ajudou indicado-me, quando me veio uma angustia, o medo e a de  falta de auto confiança. Onde tinha pesamentos do tipo: "E agora? Como vou lidar com os clientes e o corre-corre nos dias de movimento? E toda aquela movimentação de dinheiro, cartões, tickets vale alimentação e como vou decorar todos aqueles os códigos, cujo as hortaliças, pães e algumas produtos não possuem a etiqueta do código de de barra? 
Uma profunda tristeza me abateu, tentei me controlar e logo que cheguei  fui posta a observar o trabalho de uma de minhas colegas do setor, passei uma tarde inteira assim, até ela perguntou se eu queria passar as compras do próximo cliente, eu aceitei, em seguida percebi que tudo estava dando certo e que meu novo trabalho não era um bicho de sete cabeças como imaginava. Aos poucos não olhava mais a tabela de código, o movimento de clientes era tão intenso naquele momento que nem me dava conta de quantos clientes já havia atendido, e "a timidez?" Muito menos, passou despercebida. 


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Na saída,  minha amiga perguntou: Como foi? Gostou?
Sim, a principio não me senti bem, não tive muita confiança em mim, pensei que faria tudo errado e passaria um carão, mas tudo deu certo graças a Deus. Respondi.  
Com um sorriso ela disse-me: É, eu percebi, pensei que fosse desistir até! Deixa de ser boba menina, tenha mais confiança em si! 
Assim caímos na rizada de minhas bobagens! E fomos pra casa.
Em um mês, nos mudamos da garagem dos meus sogros para um apartamento do prédio, foi difícil convencer meu marido, ele que não concordou com nada mas disse:  Tá bom, se quiser faça você a mudança, eu não irei ajudá-la em nada e fique sabendo que o aluguel ficará por sua conta!
Meu marido sempre teve receio de sair de lá para uma casa que não fosse nossa, sentia que correria o risco de ter que pagar aluguel pelo resto da vida, ele acreditava que seria melhor esperar até ter mais condições e comprar nossa casa, pois o dinheiro do aluguel não tem retorno, fica perdido. Eu concordava em parte com ele, mas não aguentava mais viver naquele aperto, com as crianças e ele. E outra precisamos de ter mais liberdade e naquela "casa" que eu não tinha nenhuma. 
Em quatro dias, resolvi toda a papelada para documentação do aluguel e com a ajuda dos tios de André, Maria e Laerte que foram nossos fiadores, consegui finalmente ter minha casa, alugada, mas minha.
Eu e Selma que praticamente fizemos toda a mudança sozinhas com o pouco de ajuda de vizinhos que se compadeceram de nós. Quando terminávamos de levar as coisas para o apartamento, André que chegava do serviço e já conformado, desmontou o que faltava, o guarda-roupa.
Com tudo em ordem pensei, meu Deus, consegui! Obrigada!


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Dois meses se passaram e venci a barreira da experiência, me sentia segura de que neste trabalho eu conquistaria alguns objetivos que até então estavam escusos de minha vida. Como, pagar todas as nossas dividas assim nos dando mais liberdade de escolha em nossas compras, como também reconstituir velhos sonhos meus, fazer a faculdade e ter nossa casa própria. É claro que meu salário não ia dar conta de tudo isso de uma só vez, mas poria dar o passo inicial, pagar as dividas.
No entanto ao receber um dinheiro a parte de meu salário, o PIS, não tive liberdade alguma de escolha, André tinha uma mensalidade de sua faculdade em atraso e estamos com o dinheiro contado para nos manter naquele mês.  No momento em eu disse que compraria uma lavadora de roupas, pois não dava mais para conciliar o trabalho e a arrumação da casa. Ele disse: Não, não faça isso Raquely! Eu preciso muito pagar a mensalidade do curso, já está em atraso e o IPVA do carro tem que ser pago neste mês.
Que droga André! Respondi, questionando o :  Quando vamos ter nossa vida livre dessas dividas? Tudo aqui é em fusão de você e sua mãe, vocês é quem decidem o que vai fazer no fim de semana passear e passear sem termos condições, compram um carro que sinceramente eu não aprovei a comprar, agora sou eu quem paga o pat...  
Muito nervoso, ele disse: E você, não se tocou ainda que também vai nossos passeios, os curte bastante e o carro você não utiliza para ir ver seus parentes? 
Nisto chega Selma, dizendo: Calma pessoal, lá de fora se esculta seus gritos!
Então ao ver lágrimas correndo no rosto de meu marido, me senti muito mal, resolvi deixá-lo falar. E em seguida do Selma se ofereceu para comprar a lavadora a prestação, claro que só nos emprestaria seu nome, o dinheiro das prestações viria de nós. Isso era o que eu mais temia, não queria mais dividas, ainda mais usando o nome de meus sogros.
André disse: É Raquely tá resolvido, vamos fazer isso!
Respondi: Então você se encarrega de pagar a lavadora, porque eu vou dar esse dinheiro a você como se tivesse a comprado a vista, que era o que pretendia. Não podemos fazer mais divida, pensa André! Olha, melhor pagar o que tem a pagar e não comprar nada.
Contra minha vontade, a lavadora foi comprada, eu sabia que o rolo que viria cair, cairia em mim. 
No dia de meu pagamento eu fazia minha contas, separava o dinheiro do aluguel, da compra para coisas pra casa e o pouco que sobrava tentava segurar até quando eu podia mas era difícil, Selma sempre vinha me cobrar o que tínhamos a pagá-la, as contas de manutenção do carro, contas de luz que por sinal era em conjunto com o prédio todo. Isso porque nossas dividas eram tão altas que só o salário de meu marido ia quase tudo para pagá-las.
E o que eu temia aconteceu Selma num fim de semana veio a minha casa mandado que eu pagasse a lavadora. Isso me irritou pois era obrigação de André e não minha, não preciso dizer o barraco que foi, né! 
Quando ela saiu, tive uma ideia que me reconfortou, pensei: Bom se é assim, vou pegar o que nos sobra em dinheiro e pagar duas prestações assim só faltará uma e dessa eu dou conta. 
Quando André soube, bravo com minha atitude, disse: Porque não pagou só a deste mês, você sabe, este dinheiro nos fará falta! 
Mas eu preferia passar um pouco de aperto do que aguentar aquilo.
No outro dia, eu estava refeitório de onde trabalhava e uma de minhas amigas me disse: Você não passa nem um batonzinho, está um pouco pálida. 
É, estou ficando um pouco relaxada né! Respondi.
Não estou te criticando, é que você é branquinha, é jovem para não pensar em passar uma maquiagem. Disse ela.
Nisto todas as pessoas que estavam na mesa começaram a falar sobre ter boa aparência no serviço, algumas relatavam fatos como fim de relacionamentos e outras até se culpavam pelo fim do seu casamento por não terem se preocupado com a aparência. Fiquei envergonhada, sabia que ha tempos não me preocupava com minha aparência, era hora de me preocupar. 
Passei a me maquiar com o que tinha em casa, eram umas maquiagens antigas, não resolvia muito. Então quando recebi comprei batons, sombra, delineador... E isso aguçou o velho ciume de meu marido.


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Ao André ver eu me arrumando para ir trabalhar, disse: Para que tudo isso? Quando você sai comigo não se arruma tanto. Só quero ver, se na próxima vez que sairmos você irá se arrumar assim.
O meu serviço já exige ter boa aparência, coisa que eu não tenho, imagine se eu não me preocupar em melhorá-la um pouco. Agora quanto a você, saia comigo a sós que eu me preocuparei em dobro em te agradar. Respondi.
E com um sorriso meigo ele me abraçou, dizendo: Tá, mas não precisa de toda essa maquiagem para trabalhar.
Eu sorri, lhe dei um beijo e ao sair em direção a sala e pegar minha bolsa escutei seu sussurro vindo da cozinha: Tá estranho isso...





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Ao mesmo tempo que me senti feliz por sua preocupação, me senti ofendida por sua desconfiança, em fim, pelo menos demostrou um pouco de seu amor por mim, coisa que pensava eu ter perdido.
É estranho mas eu e meu marido nos tornávamos mais amigos, parceiros, do que amantes. Nossa relação já não era mais a de quando namorávamos. 
Muitas vezes eu praticamente implorava que conversássemos sobre nós e ele me escapava como água entre os dedos. Dizia ele: Eu te amo! Deixa de ser boba, pra mim está tudo bem e pra você não está? Não há do que reclamar Raquely.
E Era assim que eu ficava, somente eu e meu silêncio, minha dor por saber que nada estava como devia ser. Se antes nossa relação não ia bem pois pouco tínhamos tempo para nós, imagina, naquele momento, onde trabalhávamos cada um em município distantes do outro, sua folga raramente coincidia com a minha e fora aquela mesma mania irritante que André tinha de ficar indo todos os dias após o serviço na casa de seus pais, continuava, mesmo que tivesse reduzido suas visitas, em alguns dias da semana ele persistia, o que nos afastava ainda mais. 
Tempos depois eu já vinha me habituando com toda aquela correia que se tornara minha vida. No entanto, me sentia como um pato fora da água ao lidar com as pessoas de meu serviço, pois estava despreparada, nem tinha noção das maldades, malicias e arrogância  que surgiriam no meu caminho.
Era o fim do expediente, já havia fechado meu caixa que graças a Deus, desta vez não faltou nenhum comprovante de pagamento como no dia anterior, onde sumiu um taf. de debito (comprovante da compra no cartão de debito)  isso foi muito frustante, eu não sabia como recupera-lo, ninguém me auxiliou como proceder e todos ficaram em silêncio, até entrar uma colega na sala e explicar, que era só tirar a cópia da bobina, onde ficam registrados todos os pagamentos do caixa, isso foi um alivio e me senti muito grata pela ajuda dela. Bom voltando ao fim daquele expediente, eu já me preparava para ir embora quando um dos ficais de caixa me chamou, dizendo: Hei, Raquely espera!... É para você pegar os alarmes que firam dos produtos vendidos nos todos os caixas.
Então peguei um carrinho e comecei a retirar todos os alarmes que estavam nos caixas. Não sei explicar como mas, escutei alguém dizer: Ela tá tirando os de CD também, não obrigação d...
E logo depois o fiscal disse: Fica quieta!
Eles estavam muito longe de mim não pensei que fosse comigo pois haviam mais duas funcionarias fazendo isso. Assim que terminei, ao levar o carrinho para o caixa central, começaram a rir e me disseram: Não eram todos os alarmes, os de CD ficam no caixa, a turma da manhã que vê isso!
E agora? Perguntei.
Devolva-os para os caixas. Disse o fiscal.





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E essa não foi a unica vez que zombaram de mim ou me fizeram de boba. Em uma outra ocasião ao passar o código de um produto erado e acionar a luz para que o fiscal estornasse a compra, assim me possibilitando de passar o produto novamente, veio ele, além de não resolveu o problema jogou a culpa em mim, dizendo ao cliente que não podia fazer isso no meu caixa e o indicou que passasse em outro caixa. Só lembro dos olhos fervilhantes de raiva que fez o cliente pra mim. Claro que o fiscal podia ter estornado a compra assim resolvendo o problema, mas eu não queria entrar em conflito, então permaneci calada.  
E naquelas horas de almoço onde eu deixava o caixa nas mãos de outra operadora minha preocupação aumentava, não estou julgando ninguém, mas eu havia sido alertada por uma de minhas colegas que tomasse cuidado com os tafs. de debito e de credito, (comprovantes de pagamentos) pois haviam indícios de que algumas das auxiliares de caixa e até mesmos os ficais, estavam os jogando fora deste modo prejudicando alguns funcionários substituídos para o almoço. Dizia ela, que vinha acontecendo uma grande concorrência entre todos os operadores de caixa, para permanência em seus empregos, pois sempre havia uma limpa no setor dos caixas e os que mais davam quebrava eram os primeiros a serem demitidos num corte de funcionários, daí onde surgia a ideia deles de se prejudicarem uns aos outros.    
Passado alguns dias, num fim de semana, no chegar ao refeitório descobri que muitas de minhas colegas já não trabalhavam conosco, pois naquela semana muitos operadores de caixa haviam sido demitidos, eu conversava com duas colegas sobro o assunto até elas saíram, e eu fiquei só na mesa quando sentaram dois funcionários e uma colega do meu setor, eles puxaram o assunto comigo e conversa vai... Conversa vem, um deles começou a falar de um modo estranho comigo, seu jeito de me olhar incomodava, então coloquei mão sobre a mesa, na qual eu tinha o anel de compromisso na intenção que ele visse que sou comprometida. No entanto não adiantou, quando eu menos espera ele pegou a minha mão, eu a puxei rapidamente e ele disse: Calma, eu só queria ver seu anel!
Eu sou casada, por favor, mais respeito! Eu disse.
Na hora em que levantei para sair, ele sorriu e me disse: Desculpa a brincadeira, mas serio, é uma  pena!
Então minha colega deu uma grande gargalhada e disse: Hiii... Cara, com a Raquely, você não irá conseguir nada! 
E todos na mesa começaram a rir, menos ele que ficou me olhando fixamente em quanto eu saia. Além de muito envergonhada, fiquei extremamente chateada, eu estava cansada de tanta zuera. E o pior, não foi somente neste dia, num outro dia quando ia em sentido ao ponto ônibus, com medo de o perder, fui me ajeitando no caminho e no tentar arrumar meus cabelos com uma mão e a outra puxar minha blusa para dentro da calça, um engraçadinho disse: Tá bom assim, sua barriguinha é linda!
Eu fiquei muito, mais muito constrangida, minha face começo esquentar, deve ter ficado como a um pimentão de tão vermelha. Ao chegar no ponto, uma colega de trabalho, a Gisele, disse: Que houve Raquely?
Um homem falou bobagens pra mim, ele não deve ter o que fazer, aquele desocupado, safado, e fica perturbando os outros na rua!
O que ele te disse, pra você ficar deste jeito? 
Há, mexeu comigo! Respondi.
Te deu uma cantada né? Perguntou ela sorrindo e disse: Calma, deixa de ser boba! Normal.
Gisele, eu não tenho paciência com essas coisas, quando eu era mais nova, era muito difícil disso acontecer. Agora, que sou casada e  uma coroa, acontece isso. 
Normal, você não é coroa e vai ver que isso sempre te aconteceu e você que não se dava conta. Disse ela.
Eu a falei: Lembra, da aquele discurso do encarregado noutro dia na reunião? Então, a panaca de quem ele falava e não citou o nome era eu, a quem viram dois caras passando uma cantada, tentando desviar a atenção, no intuito de confundir para roubar mercadorias. 
Disse Gisele: Há, foi você, mas ele não te chamou de panaca, por contrario, te deu um grande elogio, no dizer que a funcionária não deixou se  levar por dois golpistas assim evitando um grande roubo.
É mais eu me senti uma ultrajada, no ver aqueles dois tentavam me engrupir daquela maneira, pra roubar. Devo ter cara de trouxa e tem louco pra tudo né?  Eu a falei. Ai caímos na rizada. 
  

Um fato lamentável!
Quando tudo parecia perfeito
Veio a grande Decepção!!!

Era um dia de inverno estava tudo indo bem, apesar da distancia entre eu e André, por mais que nos esforçássemos para ter um tempo só nosso, estava muito difícil conciliar nossos horários e as folgas do serviço. E neste dia em especial tive uma boa e agradável surpresa, estava eu indo embora para casa quando vi André me esperando com o carro na saída do serviço. Fiquei tão feliz que o cumprimentei com um grande abraço e um longo beijo.


                      "Imagem colhida da Web, como todas as imagens deste blog" 

Então ao entrarmos no carro ele me disse: O que você acha de irmos para o parque Duque de Caxias?
E as crianças? Perguntei.
A minha mãe fica com elas, quando sai de lá elas estavam todas dormindo. Falou André.
Então com grande sorriso concordei. 
Ao chegarmos no estacionamento e eu abrindo a porta do carro, ele segurou minha mão dizendo: Não! Vamos ficar aqui um pouquinho.
Pensei que fossemos andar pouco, ficar aqui dentro do carro não acho legal André, o segurança do parque pode nos ver e nos expulsar. Respondi.
Calma, relaxa! Disse André me explicando: Neste estacionamento, pode ver, ta cheio de carro parado com gente dentro. Deixa de ser boba. 
Em seguida, ele me beijou, dizendo: Que saudade! 
Assim ficamos uns dez minutos, até André passar dos limites e eu o segurar dizendo: Calma amor, aqui não é lugar para isso.
Ai começamos a conversar sobre o que aconteceu durante o dia, mas não durou nem cinco minutos e lá estamos nós beijando novamente, com isso pedi que fossemos para casa, pois com certeza as crianças já estavam pregadas no sono e sua mãe precisava descansar, ele concordou comigo.
Ao chegar em casa, minha sogra não estava mais lá, havia levado as crianças para dormirem em sua casa e quando fomos pegá-las vimos que as luzes estavam todas apagadas e havia profundo silêncio, a alegria foi tanta que saímos de fininho e entramos correndo para dentro de nossa casa, como duas crianças que tentam ocultar uma arte. 
Foi uma noite de amor como a muito tempo não tínhamos, pra dizer a verdade, depois de nosso terceiro filho, essa foi a segunda vez que podemos nos amar de verdade, não tínhamos quase tempo e nem oportunidade de sairmos a sós, pois com quem deixaríamos as crianças. Lembro-me, também de um outro dia antes desse acontecimento, onde tivemos a chance de sairmos, só eu e André, viajamos para praia, tudo isso porque a tia Rafaela que percebera nossa real situação e vendo isso ela decidiu nos ajudar, dizendo ela a Selma: Nossa Selma! Você fica com as crianças até quando não tem precisão, ai não tem problema né? Agora quando eles te avisam que vão sair, você não fica com elas e ainda manda que eles as levem? Que custa ficar um pouco com as crianças para os dois terem um tempo pra eles?
Assim tia Rafaela decidiu ficar com elas, porque Selma não aceitou! E essa foi a primeira vez em sete anos de casados que podemos saímos a sós.  
Apesar desses momentos, nosso casamento não ia bem, mais parecíamos irmãos que marido e mulher. Além de termos nos casado novos demais, minha educação sexual não me ajudava muito, pois a ideia transmitida a mim foi de que o sexo pode ser "puro ou imundo". E eu tinha a mente muito trancada para falar disto com meu marido. 
No entanto isso foi fluindo naturalmente com o decorrer do tempo tudo vinha se modificando e lentamente íamos nos conhecendo na arte de amar, que não se tratava somente de sexo, mas de um pouco mais companheirismo e cumplicidade entre ambos no entretanto o respeito que acima de tudo deveria ser a base para uma relação perfeita estava se acabando.
No dia seguinte a essa noite maravilhosa veio a grande decepção, ao acordar vi, que André já tinha ido trabalhar e no eu ir para o serviço senti algo estranho, pensei: André não é tão carinhoso, a muito tempo ele não me dava a atenção como a que me deu ontem. O que será que está acontecendo?
Trabalhei o dia inteiro pensando nele, na nossa noite de amor e nas coisas que vida nos trazia tanto boas quanto ruins. Chegada a hora de ir embora fiz o máximo para chegar em casa a tempo de vê-lo antes que fosse fazer a hora extra em seu serviço, pois um dia ou as vezes até dois dias do mês ele tinha que ficar a noite toda trabalhando o que coincidiu de ser após aquela noite cheia de atenção e carinho.
No chegar em casa e abrir a porta da sala, corri para a cozinha imaginando encontrá-lo lá, mas infelizmente não estava mais em casa,  minha sogra se despedindo foi embora pra sua casa e quando as crianças dormiram eu pensei: Meu Deus, dava pra ele ter me esperado, ele saiu sedo de mais, porque não me esperou?
Então tive uma ideia, pensei vou esperar, meia noite vou ligar para ele!  
Liguei e me veio uma enorme e desagradável surpresa, a pessoa que atendeu o telefone disse: Desculpa, mas no momento ele não pode atender o telefone!
Então eu insisti dizendo ser serio o que eu tinha que comunica-lo e o homem ficou meio que gaguejando, como quem não estava conseguindo explicar e disse-me a verdade: Olha, a senhora me, me perdoa! Mas, eu não voo... não vou mentir, o pee... O pessoal, decidiu fazer uma festa da qual eu não concordo, muitos casamentos poderão ser desfeitos essa noite...
Então eu com grande dor e ressentimento o interrompi dizendo: O que? Você tá me dizendo que meu marido não está trabalhando e sim numa festa?
É isso mesmo, eles vieram aqui trabalharam algumas horas e foram a festa que organizou a turma do setor dele, na casa de um dos nossos colegas. Disse o homem.
Isso foi o fim, senti uma enorme pressão no peito,  agradecendo a sinceridade daquele homem desliguei o telefone. Com isso vários sentimentos ruins me dominaram,  a magoa era tanta por ele ter me enganado daquele jeito, que pensei: Traidor... Traidor, que canalha sem escrúpulos, nem teve a decência de terminar nosso casamento para fazer essa sacanagem! Ainda ontem ele mesmo que dizia-me coisas tão doces e cheias de amor, era tudo falsidade, foi só para sucumbir sua traiçoeira noitada a ocultando mim. Filho da pu... Não vou me torturar, chega,  isso não vai ficar assim! 
Sai em direção a casa de minha sogra na intenção de lhe pedir ajuda, mas meu nervoso era tão evidente que não pude esconder meus sentimentos de revolta. Olhando para ela disse: Sabe onde está seu filhinho querido?
O que? Disse Selma
Ele foi para uma festa, agora me explica, porque ele fez isso comigo? Como ele pode ter sido tão canalha? 
Meu filho não é canalha, deixa de ser tonta menina! Eu vou ligar pra lá e você vai ver! 
Liga! Pode liga, eu vim aqui pra isso pra te contar a peça que é seu filho.
Ligando ela para o local onde trabalhava André, confirmou o que eu acabara de lhe contar. Desligando o telefone ela disse: Que idiota, que cretino!... 
Eu nem esperei ela terminar de falar e sai dizendo: Eu vou nesta festa também.
Calma! Espera ai...  
Então fui pra casa para me arrumar para sair e minha sogra veio atras de mim, dizendo: Não faça isso! 
E eu num ato desesperado olhando pra ela, falei ironicamente: Coitadinho dele né, deixa ele curtir a noite! Olha, que sabe? Cansei de ser trouxa! Se você não ficar com as crianças, elas vão ficar aqui sozinhas, eu vou pegar esse filho da... Desculpa, e´ modo de dizer, você não tem culpa! Mas vou sim, pegar esse sacana no flagra, você vai ver!   
Disse Selma: Eu não vou ficar aqui...
Não, não precisa eu vou chamar a minha amiga, Carolina com certeza me ajudará! Respondi com os olhos debulhados em lágrimas.
Disse Selma: Não envolva nossa família com estranhos, não vá contar... 
Sai a deixando falando sozinha, chegando a casa de Carolina, bati a sua porta que logo se abriu e chorando muito eu não conseguia nem falar direito e ela preocupada disse-me: Que foi? Meu Deus, Raquely, conta o que está acontecendo?   
Eu não aguento... Não aguento mais essa porcaria vida... Está tudo uma droga... Me ajuda? Por favor...
Então Carolina pegando na minha mão, disse: Senta aqui, eu vou buscar um copo d' água, Raisa fique com ela!  
Dando-me copo d' água ela falou: Acalme-se, e fale o que houve? 
Então falei: O André, ele não passa de um pilantra, saiu dizendo que ia trabalhar, mas eu descobri que ele foi é... Para uma festa! E o pior Carolina, é que eu já sabia, ele havia comentado que neste mês fariam a tal festa, dizendo que iríamos, entretanto ele não me contou nem quando e nem onde seria, mentiu pra mim e foi sozinho ou está com alguma mulher, quem sabe? Talvez esteja me enganado a tempos  .
Vai com calma Raquely, primeiro você precisa ouvi-lo. Disse Carolina.
Levantando-me disse: Obrigada, mas eu vou lá no local de trabalho dele e vou perguntar onde é essa festa, porque eu vou lá pegá-lo na pulo.  
Nisto eu sai e Carolina e Raisa foram comigo em casa, chegando lá, Selma, indignada com minha atitude, disse: Que isso, para que sair contando pra todo mundo sua vida! 
Nisto Carolina disse: Calma, ela não está bem, não se preocupe amigas são pra essas coisas, eu só quero ajudá-la.
Então Selma mais calma falou: Raquely eu não estou contra você e sim ao seu favor, sei que André está errado mas...
Não lhe dei atenção, e saindo em direção a porta, eu disse: Estou indo lá!
Como você vai? Perguntou Selma acrescentando: Não tem mais ônibus essa hora! 
Vou a pé mesmo, não tem problema Raisa disse vai comigo.
E sai naquela frenética busca por meu marido, quase que chegando ao meu destino, me veio uma sensação de impotência, solidão e uma angustia sem fim. Ao entrar no estacionamento daquele mercado vi que fechavam já as portas, no nervoso fiquei tão fora de mim que fui em direção a porta e a segurei entrando quase que forçadamente pra dentro até eu ouvir: Que isso?! Pare ai! O mercado está fechando, a senhora não pode entrar!  
Olhando para o funcionário eu disse: Bom, me desculpe, mas eu quero falar com André, o encarregado do setor de frios, é muito importante.
O que a Senhora é dele? Perguntou o funcionário.  
Sou irmã dele. Respondi. 
Ele não está aqui! Disse o funcionário.
Tem certeza? Em nenhum lugar da loja, ele não está mesmo? Nem no estacionamento?
Não! Respondeu.
Nisto um outro funcionário disse: Ele e os funcionários do setor dele foram a uma confraternização.
Onde, por favor, eu preciso falar com ele com urgência. Eu disse.
E os dois Homens olhando um para o outro, responderam: Não sabemos!  
Claro que sabiam, omitiram pois é claro que ficaram desconfiados, pois mesmo que não tenham me visto, alguém de lá sabia quem eu era realmente.
E deste modo foi que percebi, não adiantava eu insistir, ninguém ali iria me ajudar. E André conseguiu o que queria sua livre diversão naquela noite. Mas ele também mal podia imaginar como seria a sua chegada em casa e seus próximos tormentosos dias.
Ao chegarmos em casa, Raisa foi para sua casa e sua mãe, a Carolina e minha sogra ficaram comigo um pouco mais. Me deram concelhos que sinceramente, eu mal conseguia ouvi-las, ouvia só as coisas que vinham na minha mente: "Não, ele não te ama! Ele está com outra!" Por que será que se casou comigo? O que sinceramente sente por mim? Sempre demonstrava um ciúme exacerbado por mim! "Só capricho, pura arrogância!" Talvez nunca me amou, casou-se porque tinha uma filha a caminho. "É isso, ele nunca te amou de verdade". 
Então Raquely, faz isso quando ele chegar! Dizia Selma, onde Carolina completava dizendo: Entendeu Raquely? Mantenha calma, tenha fé tudo vai se resolver, vocês dois se amam muito e precisam se entender, você está nos ouvindo?
Selma disse: Nós te amamos muito e se ele tiver te traído, coisa que não acredito ser, ele é um trouxa!
Sim. Respondi, como quem tivesse prestado atenção em tudo mas só lembro de ter ouvido essas únicas palavras.
Em seguida Selma se levantou e saiu dizendo: Vou pra casa, fique em paz! Se precisar de mim é só chamar?
Carolina Disse: Você não ouviu nada do que dissemos né?
Não tudo, algumas coisas sim, eu prestei atenção. Eu a respondi, concluindo: Você me intende, né Carolina! Ele não está sendo correto comigo, sei que não sou a melhor das mulheres, me sinto as vezes até uma mulher e mãe relapsa com os afazeres e obrigações. Mas também eu luto todos os dias contra minhas imperfeições, faço de tudo pra agradar gregos e troianos. 
Eu sei, você é maravilhosa, é uma lutadora e não se rebaixe assim viu! Falou Carolina.
Sabe, eu amo tanto esse troglodita que muitas vezes pensei em até não merece-lo. Tal vez seja isso mesmo eu não o mereço, eu não sou boa o baste pra ele e quem sabe a minha aparência não o agrade, por isso procurou se divertir sem mim, deve ter vergonha de mim.    
Não! Não fale isso Raquely! As palavras tem força e podem atrair coisas ruins, ele não te traiu e deve ser sido influenciado pelos seus colegas para ir na tal festa, essas coisas acontecem, sempre tem uns engraçadinhos, que não estão contes com suas vidas e tentam estragar as dos outros. Falou Carolina, que minutos depois se despedindo com um terno abraço, pediu que eu me entendesse com ele, explicando, pois você o amo e ele com certeza ele também e  claro que ele se arrependera do que fez.
Então eu a acompanhei até o fim do corredor do prédio onde ficavam as escadas, ela se foi e eu permaneci ali no muro olhando para a esquina da onde surgiria o carro do mentiroso, traidor, pensava eu. E a minha maior companhia era o frio gélido daquela madrugada de inverno, onde me sentia imensamente angustiada e uma terrível solidão me envolvia em todo meu sofrimento. 
Ao avistar o carro vindo, freneticamente desci as escadas e fui em direção ao o carro que estava em movimento ainda, André freou e pondo a cabeça pra fora do carro sem intender minha atitude disse: Que isso?


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Corri para a porta e batendo no vidro falei: Sai!... Sai!... Vai logo, seu filho d!... 
Que foi? Ta louca!
Abrindo a porta do carro eu o puxei pelos os braços, dizendo: Onde você tava seu mentiroso duma figa!
Calma, você sabê! Trabalhando...
Mentira! Fala logo a verdade, que tava na gandaia seu canalha, seu, seu...
Deixa de se doida... Vai acordar todo mundo! Fala baixo... Falou ele.
Cala a boca, agora você vai me escutar! Eu disse.
Deixa eu estacionar o carro? Espera droga! Ele falou.
Então eu me afastei o deixando estacionar o carro e fui em direção a praça. Pois não queria ir pra casa, para que as crianças não nos escutasse ou visse toda aquela porcaria.  
Ao estacionar o carro ele veio correndo atrás de mim, dizendo: Da pra explicar porque está agindo como uma louca?
Você não tem ideia do mal que está me fazendo. Eu sei que está mentindo, diz a verdade André! Eu falei.
Tá! Eu fui numa confraternização, desculpa, mas eu só fiquei sabendo hoje quando cheguei lá. Disse ele.
Neste momento me alterei de tal maneira que não conseguia falar só o estapeei e ele me segurou dizendo: Tá vendo com você não tem conversa! Deixa de ser estupida!
Por que?... Por que?... Se não quer mais saber de mim, separa, não me engane, não tem necessidade de me fazer de boba, não! Eu Falei.
Há, outra hora a gente conversa, estou vendo que você não vai me ouvir mesmo! Retrucou ele.
Assim vi que ele ia se distanciando de mim indo para casa, enquanto eu me sentava no banco da praça desconsolada pelo feito de meu marido. 
Pensei: O carro!... Deve ter algum vestígio lá de sua malandragem. Corri ao apartamento e peguei a chave do carro e ele ouvindo eu entrar em casa falou: Vem aqui, cheira minha blusa, você diz ter com cheiro de outra! E se levantando me disse mais: Eu nem bebi cerveja, nada! Cheira vê se minha boca está cheirando cerveja. 
Não liguei para o que ele dizia e  fui ver o carro, ao abri-lo lá não havia nada que o condenasse, então abri o porta malas e vi o que eu jamais desejaria ter encontrado. Preservativos, coisa que não usávamos e pastilhas de cepacol.
Ai o susto me foi tão grande que só peguei as coisas e já ia saindo de perto do carro sem nem tranca-lo, ao perceber retornei para fecha-lo vi  que e em cima do banco do passageiro tinha uma blusa de frio de André e ele, com o frio que fazia chegou só com uma camiseta.
Subi numa rapidez aquelas escadas que parecia flutuar os degraus, mal abri a porta do quarto e joguei  as provas de sua traição na sua cara, dizendo: Olha só a prova de você não vale nada! Por que, não me diz logo que não me ama e está com outra?
Nãooo, isso não é meu! Respondeu ele com lágrimas nos olhos.
É de quem então? Está óbvio agora, não adianta mais, você não me engana mais.
Deve ser do meu irmão, você sabe ele tem namorada e dirige o carro também! 
Eu o deixe falando sozinho e fui a casa de minha sogra.  Entrando sem bater a porta,  eu a vi, passei batido por ela e fui em direção ao quarto onde meu cunhado dormia e o acordei dizendo: Paulo! Paulo, por favor, não minta, seja honesto comigo! Eu encontrei estes preservativos no carro e cepacol são seus?
Não! Respondeu.
E Selma assustada disse: É sim, são dele Raquely!
E Paulo retrucou: É Mentira dela, isso não é meu, o que está acontecendo aqui meu?
Não precisa ter vergonha de mim Paulo, se  forem seus isso é normal. Eu preciso saber a verdade, pois seu irmão disse que eram são seus, mas sei que deve estar mentindo, porque ele me enganou dizendo que ia trabalhar mas foi para uma festa. Eu o contei. 
Selma tentou impedir que Paulo falasse mas ele gritou: Pare com isso, não da vê que eu não mentir só pra ele se safar, não é meu!
Eu o agradeci e sai em prantos, por pensar naquele momento que desvendara o fato, que meu marido não passava de um covarde e não se importava com meu sentimentos. 
Entrando em casa, fiquei na sala onde dormiam as crianças e fiz o máximo para não fazer barulho, sem perceber que Alice estava acordada e me olhava, sentei no sofá com as mãos no rosto chorava compulsivamente. Até ouvir Alice dizer: Mãe!
Enxuguei as lágrimas e como quem coçava os olhos disse: Dormi! Dormi filha.
Eu quero leite to com fome, por que você tá chorando mãe? Disse ela.
Não, não é nada, vou esquentar o leite tá! Respondi e logo em seguida André veio a sala e disse: Você ainda está duvidando de mim? Sabia que aquilo não é meu viu!
Chega! Vai dormir, você deve tá casado da festinha né? E me deixe em paz! Eu disse. 
Não é pra tanto Raquely! Disse ele.
Eu o retruquei: Há, é do seu irmão né! Eu já sei, que não são dele aquelas coisas, ele me contou! Chega!   
Ele ficou parado ali sem ação e eu indo a cozinha esquentar o leite pensei: E agora meu Deus!
André vindo atrás de mim me disse: Não pense ser dona da razão, viu! Não precipite em me julgar! E eu te disse a verdade não são minhas aquelas coisas e sei que não agi certo ao falar que são de meu irmão, mas foi por receio de que não acreditasse no que é a mais pura verdade, eu tinha medo que não me entendesse e já vi que não... 
Eu disse o interrompendo: Entender o que André? Que você estava naquela festa por um acaso e que seus amiguinhos o obrigaram ir lá! Nossa pobrezinho, pelo menos foi prevenido né, quanto a doenças sex...
Então ele disse: Não são meus Raquely,  foi um de meus amigos que foram de carona comigo que comprou essas porcarias antes de sairmos de lá, eu falei a ele, cara, não deixe essas coisas aqui, se minha mulher ver isso não irá entender, isso pode me ferrar! Coloque no porta malas mas depois vê não se esqueça de pegar,viu!
Ele se esqueceu e eu também, não estou mentindo e sei que difícil para de aceitar, mas essa é a verdadeira versão dos fatos. Era uma confraternização, ninguém levou parentes e lá estavam somente somente funcionários, desculpa, mas é verdade, eu só fiquei sabendo que festa seria hoje quando cheguei lá. 
E ele foi se aproximando querendo me abraçar e dizendo: Não fique brava comigo, por favor, me perdoa, eu te amo! 
Nisto eu o empurrei dizendo: Olha eu não sou idiota tá! Eu vou sair não me impeça e nem me siga, as crianças iram comigo, mas não se preocupe a noite estaremos de volta.  Precisamos de um tempo André!
Não faça isso comigo! Eu te amo! Fica em casa, eu saio, se quiser vou na minha mãe. Se sair assim não terei sucesso um só minuto, ficarei muito preocupado, me perdoa! Disse André.
Eu não dei atenção ao que ele me dizia, arrumei as crianças e fui a casa de minha irmã Liliam e deste modo então deixamos aquela discussão para um outro momento. Eu não tinha cabeça pra similar, como ia conseguir digerir tudo aquilo que ele me disse? Seria bom que conversaremos com a mente mais centrada, serena e eu estando calma poderia pensar melhor com relação aos fatos ocorridos naquela madrugada de sábado para domingo.... 
Quais circunstancias nos levaram a esse ponto? Era melhor a todos nós e principalmente para nossos filhos, que eram crianças inocentes e não tinham ideia do que acontecia naquele momento com nossas vidas, que nos entendêssemos.  
            




    

Quando chegamos a casa de Liliam era tão aparente minha angustia que logo perceberam, minha mãe que se encontrava por lá, consternada com meu sofrimento, ficou sem palavras e me deu um longo abraço. Liliam ficou sem ação até me dizer: Pare! Pare com isso, olhe para seus filhos é neles que você deve pensar, como pode dizer perdi meu amor? Por acaso seus filhos não significam nada pra você?
Respondi: Eles são tudo que tenho, são minha vida, o ar que respiro!
Liliam falou: Então, pense, um pouco mais, antes de se  martirizar por algo que já foi, olhe para frente e resolva seus problemas de cabeça erguida! Eu sei minha irmã, que você ama muito seu marido, está sofrendo e com razão. Ou pretende agir como uma criança ofendida e dizer que o deixo de amar tão repentinamente por um passo infalso dele, em?
Naquele momento eu nem subi responder a tal questão, o grande ressentimento que sentia, ocupava a maior parte no meu coração, mas em minha alma por toda minha espiritualidade em minha fé, que tenho em Deus, sabia que Liliam estava certa. E não adiantava culpar aos amigos de André, nem a ele, muito menos a mim mesma. Devíamos olhar para dentro de nós mesmos e tirar nossas conclusões, onde erramos? Qual foi a ultima vez que nos ouvimos de verdade? O amor é como uma semente que se plantou, precisa de ser regada todos os dias e iluminado pela luz da sabedoria, para que não se perca na escuridão. Assim matando toda a alegria existente em nosso ser.   
Passei um dia inteiro na casa de Liliam pensando... Pensando e pensando, horas sentia uma grande repulsa, nojo e dor pelo que achava ter sido uma ardilosa traição e ao mesmo tempo sentia que André poderia estar dizendo a verdade, tal tenha ido somente a uma confraternização mesmo, com seus colegas e nada tenha feito de errado, a não ser ter omitido de mim sua ida lá para não me levar por conveniência de alguns que organizaram a tal festa.
Ao chegar em casa mal conseguia olhar para André e assim fiquei por dias, como quem está numa montanha russa cheia de altos e baixos, com um grande desespero para descer e abacar com todo aquele sofrimento. 
Toda vez que eu saia do serviço era como se eu carregasse uma tonelada de peso em minhas costas. Recordo me, que ao entrar no ônibus eu sempre procurava um lugar onde não houvesse muitas pessoas, devido a grande tristeza e ressentimento que me envolviam, duramente o trajeto, quase constantemente lá estava eu em um riu de lágrimas com pessoas a me observar. Houve um momento que até escutei um  sussurrando de uma pessoa falando para uma outra:  O que? Tá chorando? Olha, é mesmo pobrezinha! 
Isso me trazia um desconforto, maior do que eu realmente já sentia.
Chegando em casa, se André estava na sala eu ai para o quarto e se eu fosse pra cozinha e desse de cara com ele lá eu não permanecia no mesmo local que ele. 


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Eu o evitava o quanto eu conseguisse, pois se abríssemos a boca, era para ofensas, e todos elas vim de mim.