quinta-feira, 28 de novembro de 2013

Meu grande Amor!!!


CAPÍTULO III
FATOS CORRIDOS EM 1992






Aqui começa minha história de amor, o dia em que conheci quem viveria comigo com as bênçãos de Deus! 
Estava eu na escola e uma amiga meio louquinha  me convenceu  ir a uma danceteria, no entanto teríamos de sair da sala de aula e irmos a secretaria convencer a diretora para nos liberar antes do intervalo.  Inventamos uma estória sem pé nem cabeça, mas deu certo, fomos liberadas.





Chegando em casa, mais uma vez menti para a minha mãe: As aulas acabaram mais cedo mãe!
Isto havia se tornando um habito, coisa que nunca soube fazer direito. E ela desconfiava, mas já  tinha tantas coisas a que se preocupar, no entanto, não conseguia conciliar trabalho, casa, filhos e principalmente Moni, que não morava mais conosco, ela era nova demais para tanta responsabilidade. Me arrumei as pressas porque o convite só seria cortesia até a meia noite!



Na danceteria,  Fernanda encontrou seu namorado, coisa de que eu nem sabia. Se adivinhasse  não teria ido, mesmo que lá estivessem várias pessoas conhecidas, todas estavam acompanhadas e acabei ficando por mais de um hora sozinha.    




Até que encontrei Amanda, como nós havíamos nos distanciado e já fazia um bom tempo que não nos falávamos, acabamos conversando por alguns instantes, ela pediu para que eu segurasse sua jaqueta que acabei aceitando, até porque estava frio por estarmos em uma área aberta da danceteria e aproveitei para me aquecer. Ao levantar, Amanda falou: Já volto!
Olhava para ela enquanto saia e atrás dela vi um menino que com seus colegas sentava  no mesmo banco em que estava, falavam num tom auto e  riam muito. Ele olhou em minha direção, seu sorriso era de quem parecia estar muito feliz, não da explicar o que senti, mas podia ver em seu olhar algo que nunca tivera visto antes, achei seu sorriso tão lindo e a forma com que me olhou parecia pura e amigável. 
Então veio um de seus colegas e se sentou ao meu lado dizendo: Oi, eu acho que te conheço! 
Ao ver melhor a sua feição, percebi não me era estranha. Ai eu disse: Também  acho que te conheço! 
Conversa vai, conversa vem e acabei lembrando: Eu te vi na Zoster. Ele: Há, lembrou, então, vamos voltar aquele assunto mal resolvido? Vai me deixar na mão de novo ou vai ficar comigo hoje? Sorri, com tom de brincadeira lhe disse: Ah, hoje não dá, vai ficar pra próxima!
E ele me perguntou: Por que não? Por acaso meu jeito não te agrada? 
Não, não quis dizer isto! Quem sabe um outro dia. Respondi.
Ai ele me deu um beijo no rosto e saiu.
O menino do sorriso bonito sentou-se no lugar do outro que havia saído e começou a falar comigo: E aí, está com frio? 
Eu não! O respondi.
Mas Parece que sim. Disse ele. 
E me fez outra pergunta: Não quis ficar com meu amigo? 
Eu sorri! No conversamos lembrei de que ele também estava naquele dia na Zoster, e a Denise que era uma beijoqueira, louquinha que só, pois naquele dia já havia ficado com três e queria ficar com mais um, no qual me mostrara. Eu o tinha o visto de longe curtindo uma música, pensei, só podia ser ele.
                         


Seu amigo (Diego) o viu no lugar em que estivera antes, e disse: Heee... O que está fazendo ai Zóio!
Ele riu e respondeu num tom irônico e olhando pra mim: Ela está conversando comigo agora! Não é?
Então uma moça do meu lado direito se levantou e Diego foi ligeiro e sentou-se no lugar dela e falou: Nossa, vai fazer isso comigo? Fazer o que? Perguntei.
Ele ergueu seus braços sobre meus ombros e me abraçou! E eu o tirei  pondo o em uma distancia confiável. Ele levantou-se e disse: Você vai ver, daqui a pouco volto com outra! 
Zoio, como seu amigo o chamava riu, riu tanto a ponto de me fazer rir também. Neste momento, até seu amigo Diego saiu rindo. 
Ao ver seus olhos e aquele lindo sorriso, ele fixou seu olhar em mim e voltamos a conversar. Agora com os ânimos mais controlados, ele me fez o pedido: Quer ficar comigo?
Eu permaneci em silêncio, pensei, "ele deve ser mais novo que eu", fiquei na dúvida e então respondi: Talvez, vamos conversar mais um pouco. 
Ele pegou minha mão e disse: Quer que eu te abrace para passar o frio. Então nos demos os braços, até que veio novamente Diego, coisa que eu não queria naquele momento e disse: Ah... também posso? 
Fiquei ali como uma boba sem saber o que dizer ou fazer. O Zoio me abraçou e seu amigo disse: Eu também consigo te aquecer! 
E eu o retruquei, dizendo: Não é preciso, tenho a jaqueta da minha amiga pra aquecer me.
Ele saiu novamente e o Zoio tentou me beijar, virei o rosto. Ele disse: Por que não? 
Falei então o que me incomodava, o fato de aparentar ter menos idade que eu.
Ele tinha o porte de um menino de 15 anos,  era lindo! 
Tenho 19 anos, vai fica ou não comigo? Se estou aqui só para te aquecer, vou embora! 
Talvez! Eu respondi, com um sorriso que não cabia em mim. 
Nesse instante, um outro colega dele, que estava com um moça ao nosso lado, disse: Talvez, quem sabe!... É sim cara! 
Assim foi nosso primeiro beijo! Senti que ele me abraçava com muita ternura, eu nunca senti o que tivera sentido com seu beijo. Ficamos pouco tempo juntos, mais foi muito bom estar com ele naquela noite, além de lindo era educado e paciente. 




      
No outro dia, após esse acontecimento, fui trabalhar normalmente, achava que não o veria mais, em minhas ilusões de uma menina pensei: Se o encontrar, será que vai falar comigo? Será que vamos ficar? Acho que ele nem vai lembrar de mim! 
No entanto, na saída das crianças da creche, eu olhava para o portão, pois aguardava os pais delas. Vi que tinha um moço lá fora e sorria para mim. Sem entender, me surgiu a duvida. Além de uma inexplicável  vergonha das colegas de trabalho, pensei: Porque veio aqui? Seria mais fácil vê-lo no Front, ai meu Deus, e se querer ir em casa!
O que mais me encabulava era uma colega na qual trabalhava com a mesma turma de alunos que eu, ela me dispensou, dizendo: Acho melhor você ir subindo, vá se arrumar não o deixe esperando, em seguida eu a disse: Não o conheço!
Toda aquela situação era completamente nova, inesperada para mim, simplesmente não tinha ideia de como agir com todos aqueles olhares em minha direção. Ela persistiu: Deixa de ser boba! Só faltam três crianças, pode ir eu fico com elas!
Então subindo as escadas indo sentido ao vestiário, a alegria por poder vê-lo novamente alentava, mas ao mesmo tempo havia o sentimento de receio, pois nunca tinha levado nem menino para casa, até esse exato instante minha família só conhecia as meninas de quem tinha amizade! E como eu poderia encará-lo, se nem tive coragem de retribuir seu sorriso? Parei em frente à porta, me recostei à parede e meditei: Senhor Deus, se este for o que esperei, me de forças para que minha timidez não atrapalhe. 
Enquanto pegava meus pertences no armário, olhei uns poucos segundos para o espelho do vestiário. Pensei: Ele vai me achar feia, que cabelo, que roupa, nem um batom tenho para dar uma disfarçada, que droga!
Foram os 8 minutos mais longos de minha vida, desci a escada com minhas pernas bambas, passando por algumas fusionárias do refeitório que subiam dizendo: "Heee... Vocês viram o gatinho que está esperando Raquely"! Meu rosto esquento, devia estar vermelha como um tomate! Nem dei atenção a elas, passei rapidamente para o pátio que dava acesso ao portão onde ele me aguardava. Faltavam cinco passos para vê-lo de perto, meu Deus, não o vi, sai em disparada, quando escuto: Ei... Oi!
Me virei e ele estava do outro lado do portão, com o mesmo sorriso lindo da primeira vez que o vi.
Ah oi,  respondi com um sorriso tímido! 
Nas poucas palavras, que nos falamos até a esquina de minha rua, não sabia se o levava para minha casa ou pedia para marcarmos de nos encontrar mais tarde. Eu disse: Eu mora aqui nesta rua!
A frase mais tola, a ser dita a alguém, que me procurou com tanto empenho, pois nem sabia o nome da creche, só que eu morava por ali, e trabalhava em uma escolinha! Mas me achou! Eu deveria ter tido o bom senso, mas infelizmente essa forma que o tratei. Não sabia qual sentimento esbocei a ele com minha tola atitude! Combinamos de nos ver mais tarde e na hora, que foi embora me deu um selinho (beijo) e se foi sem nem mesmo olhar para trás. Pensei, que droga, ele deve ter me achado uma débil! 
                           

     



Chegando em casa, a mãe pediu que eu fizesse algumas coisas, este tempo foi o que dei mais trabalho a ela, coisa que é normal na fase, que vinha passando, como no dito popular e a própria palavra em si diz tudo, "aborrecencia" (adolescência). Não cumpri com exatamente nada, dando a desculpa que tinha compromisso, nem mesmo tive a decência de dizê-la qual, também era óbvio que não a diria por receio de como iria reagir.  Me arrumei e fui na casa de Elem, com medo de tomar um bolo, pedi que fosse comigo até o shopping , local do encontro. 
Entrando  no portão de principal acesso, disse ela: Não seria melhor ter deixado você vir só? 
Respondi: Ele  não vai vir! 
Na primeira volta no interior do shopping, vinha ele em nossa direção, abri o sorriso, já Elem fechou a cara com um ar de insatisfação, pois não queria ficar de vela! 
Então fomos comprar algumas coisas, real motivo pelo qual Elem tivera ido junto. Ao entrar na loja, vi uns bigudinhos, (bóbis) de enrolar os cabelos, me interessei e comprei. O Zóio, apelido pelo qual eu o conhecia, disse: Para que servem? É para cachear os cabelos. Eu respondi.
Não, não faça isso, você está bem assim, seu cabelo já é bonito, disse ele e Elem concordou!
Como quase ninguém nunca está satisfeito com o que tem, ambos possuem cabelos cacheados, que por sinal não gostam, preferiam lisos, já eu o contrário tinhas cabelos lisos e os queria cacheados.
Fomos com Elem até ponto de ônibus, em seguida, fomos no sentido ao centro da cidade. Por não ter me dito nada, estranhei o percurso no qual fazíamos, perguntei: Onde estamos indo?  
Dar uma volta, não quer? Respondeu ele. 
Mas onde? Persisti, para que desse uma resposta mais óbvia. 
Na minha casa! Ele respondeu e continuou a falar: No caminho, podemos nos conhecer melhor! 
E ele me perguntava coisas do tipo: Se eu tinha irmãos, quantos, onde estudava...  .
Eu o questionei da mesma forma. Quando eu disse a ele que tinha nove irmãos, ele se surpreendeu e fez uma brincadeira dizendo: Há... Então eu ganhei de você, pois tenho doze.
Nossa, sério, onde moram? Por aqui? Eu o perguntei
Não tenho, estou te zoando, minha família é pequena, tenho tias que moram bem próximo à minha casa e lá em casa, moramos somente eu, meus pais e meu irmão. Ele respondeu. 
Quando estávamos chegando a sua casa, pedi a ele para que me deixasse esperar do lado de fora, no entanto, ele insistiu: Vamos, meus pais estão  em casa.
Então eu disse: Melhor não, não sei se devo! Acho que fica chato, me soa invasão. 
E ele percebendo o quão tímida eu era, entrou dizendo: Tá bom, espera ai.
De repente escuto alguns gritos, me assustei, pensei que poderia estar os incomodando, quando ele saiu, eu disse: Seu pai tá bravo? 
Ele disse: Não ligue, aqui só tem louco, o pessoal tem o mau costume de falar auto mesmo!
Ao irmos embora, notei que andávamos em círculos, então falei: Nossa já não passamos por aqui? 
Ele caiu na rizada: Já! Umas três vezes! 
Há, para de zoeira, preciso ir pra casa se não minha mãe me mata! Ela já está furiosa por eu não ter feito algumas coisas que ela tinha me mandado fazer, pensa, se chegar tarde minha situação em casa vai fica feia! 
Que infantilidade! Ele deve ter pensado.
Quando chegamos ao portão de minha casa, conversamos um pouco mais e logo ele foi embora, pude observar ele indo até o fim da rua aponto de sumir ao virar a esquina, pensei: E agora? O que ele quer? Será que sou mais uma ou me levará a sério? 
Entrando em casa preferi pensar no pouco tempo em tivemos juntos: Se for só isso, valeu! 
Dias se passaram, nos encontramos mais algumas vezes na danceteria Front. E Num final de semana,  Elem me chamou para irmos em uma outra danceteria, aceitei. No momento que subíamos as escadas rumo ao interior do salão, escuto: Ei... moça, hoje loiras não pagam! 
Continuei andando, Elem disse: É mesmo, hoje você não paga, deixa de ser boba! 
Já pagamos os bilhetes de entrada e meu cabelo nem se quer é louro. Eu a respondi
Há, claro que é, são tingidos mas valem. Você não viu quanta oxigenada entregando o cupom de entrada franca para louras. Tomei coragem e  falei com o mesmo homem que havia me chamado para me entregar o bilhete de cortesia, troquei o bilhete e consegui recuperar meu dinheiro na bilheteria. Após esse ocorrido, tempos mais tarde, na pista de dança, o amigo do Zoio, Alexandre, no qual tivera nos apoiado em ficarmos naquela primeira vez, me cutucou dizendo, o que faz aqui? 
O mesmo que você, respondi. 
Nossa, vou falar para o André, viu! Respondeu ele num tom caçoador. 
Rapidamente falei: Pode contar
No final de semana seguinte, no Front, eu e Amanda bebíamos refrigerante, vi alguns amigos de André e um deles me contou: O André está lá fora!
E por que não ele entra? Perguntei.
Ele está sem money para a entrada. Ele respondeu.
Então entreguei o dinheiro a eles e pedi que desse para o André. 
Ao nos encontrarmos André, o Zoio, me beijou, pensei novamente: O que exatamente está acontecendo conosco? Que pensa ele? O que significa isso tudo? Pra me beijar sem nem mesmo pedir, pois para mim o certo seria me dizer o que quer? É namoro ou só mais uma aventura? 
Eu lhe ofereci refrigerante, mas ele observava seus colegas comprando bebida, então perguntei: E ai, entregaram o dinheiro para sua entrada?
Com grande riso me disse: Não, mas eles estão fazendo bom proveito, compraram até bebidas! 
Eu não sabia se ria ou se ficava brava, era o pouco dinheiro que restava em meu bolso. Passado umas duas horas, uma amiga da turma de André que comemorava seu aniversário chamou a todos. Na hora em que o bolo estava sendo distribuído, o Ale me contou que André tivera escrito um poema que levava meu nome, achei fofo. E ele nos perguntou: O que rola entre com vocês? Estão namorando? 
Não! Eu respondi.
André ficou calado e fechou a cara, seu silêncio me deu esperança, isso me fez acreditar que talvez gostasse de mim. Se levantando, pegou minha mão e saímos da mesa de onde estávamos e me disse: Quer dizer que não sou seu namorado?
E você disse a mim alguma vez que sou sua namorada? Eu perguntei.
Depois de um longo beijo, ele disse: Isso não te diz nada? 
Sim, que nós gostamos de estarmos juntos! Respondi. 
Ele disse: Nossa! Não quer namorar comigo? 
Este foi o momento que meu coração palpitava tanto, fiquei sem palavras e só conseguia olhar fixamente em seus olhos. E disse ele: Então?
Eu o perguntei: Serio, estamos namorando? 
Ele disse: Deixa de formalidades, claro que estamos, para mim desde a segunda vez em que nos vimos! 
A alegria me era tão grande, que o beijei como nunca havia beijado ninguém e o disse: Tá certo então estamos namorando!       
               
   
 "Imagem colhida da Web, como todos as imagens deste blog" 

    
       
     

segunda-feira, 25 de novembro de 2013

Mãe o Danilo disse que não posso ficar de Vela!


CAPÍTULO II
FATOS OCORRIDOS EM 1987 - 1990


Com passar do tempo minha mãe começou a trabalhar, e eu tive que cumprir com algumas obrigações da casa e como meus irmãos também já trabalhavam não tinha a quem recorrer. E dona Naty muito bondosa como sempre, me ensinou a fazer arroz, neste dia a Fabiana estava em casa, e quando a vó dela saiu, tive que me ausentar da cozinha e pedi para  que ela olhasse o arroz para mim, ao retornar a cozinha, a Fabiana abriu a  tampa da panela e me mostrando o arroz  vi que estava cheio de cabelos, claro que aqueles bolos e bolos de emaranhados de cabelos não estavam lá por um descuido.
Em seguida que minha mãe chegou e ficou irritadíssima com o que acontecera, algumas horas mais tarde a minha cunhada Leila mais safa, que a mãe falou em minha defesa: Impossível D. Sandra, está óbvio que isso tudo de cabelo não foi parar ai do nada. Raquely, como pode deixar que te façam de boba dessa forma? Até suas melhores amigas se afastaram de você, tem noção disto? 
No entanto sabia o quanto chato é não ter ninguém, para compartilhar  as alegrias, brincar, enfim Fabiana não tinha, isso me comovia, e sabia de que ela precisava mais de minha amizade do que as outras meninas. Mas com o tempo nos afastamos.
Em 1987, devido as baixas notas na escola, acabei que retornando a antiga escola. Com o começo das aulas, percebei que deveria ser mais responsável com meus estudos, principalmente pelo sermão que recebera de minha irmã, o que me deu relevante auxiliou, para uma educação exemplar, mesmo diante de todos aqueles fatos rins ocorridos nos anos anteriores.
Na primeira semana de aula fiquei isolada, não conversava com ninguém, havia sido duro voltar aquela mesma escola de antes pois lá minha mãe acreditava que eu a predera mais, ao ver que as professoras não eram as mesma de antes e nem uma de minha colegas estavam no mesmo período que eu.  Em um determinado dia, estava fazendo um exercício de matemática, quando de repente, ouvi gargalhadas descontroladas, mais a minha atenção com aquela lição era maior do que minha curiosidade, ao sessar todo barulho, a professora: Não vai para o recreio, tenho que fechar a sala!
Então ela me acompanhou até o pátio, estava la uma aluna nova que veio falar comigo,  Beatriz, que por sinal era muito legal, nós criamos uma finidade e cumplicidade que poço dizer, melhor amiga que ela não tinha naquele momento. 
No instante que retornamos a sala, vi que uns meninos que diziam palavras que me eram desconhecidas na época: Para de zoar meu, não  veio, que isso! Notei que conversavam sobre o ultimo episodio que haverá acontecido na sala.
Semanas depois,  entrei para o reforço escolar, que tinha após as aula e a professora no intuído de promover incentivo a nos organizou um teatro, no qual cada grupo de alunos iria apresentar o seu. Como tinha varias crianças de diferentes salas neste reforço, e cheguei bem depois deles, não tinha grupo, então a professora percebeu que eu era muito reservada para decidir que grupo ficaria, então ela mesma escolheu. 
Gostei tanto daquele dia, pois aquilo tudo era muito divertido participar de um grupo de teatro.  Entretanto as meninas de meu grupo, mesmo com toda boa recepção que me fizera e confiança ao me dar o texto para ler em casa, tinham um espirito de liderança e não aceitavam erros. No dia seguinte, eu me atrasei e ao chegar percebi que tivera esquecido o texto e devido um tumulto que já vinham ocorrendo a vários dias nos grupos desde aulas anteriores, a professora disse que desistiria do teatro, caso não parassem com certas atitudes. 
Ao final da aula essas meninas foram me acompanhando na rua e uma delas me ameaçava me agredir se eu esquecesse o texto novamente. Com pressão exercida por elas e o nervoso que vinha sobre mim, falei um palavrão a menina que me intimidava (Coisa que era condenável falar pela a educação dada em casa). Bom na aula seguinte o texto não foi esquecido, no entanto o teatro foi cancelado, pois a professora havia descoberto o que fizeram comigo.  Ai começou meu calvário a menina que me ameaçara disse: Te pego na saída! 
Não sei se pela a educação que recebera ou por um sentimento de culpa naquele conflito, não consegui agredi-la e ela veio com tudo para cima de mim. Minha mãe ao perceber que demorava, foi ao meu encontro. E no caminho nos viu e notando tudo que acontecia e disse as meninas que fossem para suas casas e pegou em minha mão dizendo: Vamos embora!  Mas por não querer ser taxada de medrosa, não queria sair dali até que se resolvesse aquilo, mas devido ao respeito por ela e por sua ordem dada com firmeza a obedeci, fomos embora e ouvia rizadas das meninas caçoando dizendo: Arrego... Arrego! ...         
No meio deste ano numa tarde que vinha da escola, ao chega em casa, vi um moço que saia de la. Quando entrava na cozinha me deparei com a mãe as rizadas. O que foi ? Perguntei.
E ela disse: Esse menino, veio pedir a mão da Moni em namoro, ele tremia como uma vara, coitado! E a Moni, com tanto medo de minha de minha recusa permaneceu o tempo todo la fora.
Ao ouvi la dizer isso, me veio a mente será que um dia isso vai acontecer comigo? Não, não vai não!
Frequentemente o namorado de Moni vinha em casa, e a minha mãe pedia que de vez em quando ficasse por perto. O Danilo percebendo o incomodo que eu causara a eles, disse: O que faz aqui? Sua vela? 
Então fui para dentro de casa disse: Mãe o Danilo disse que não posso ficar de Vela! 



Entretanto na maioria das vezes lá estava eu de prontidão, os em comodando. Houve um dia que estava assistindo TV, e recebi ordens para ficar no quintal com eles e avisasse que o café estava pronto. Mas falei: Há! Mãe estou assistido filme! Graças a Leila que estava lá aquele dia, não precisei ir, ela fez a mãe entender que não tinha nada de mais, pois eles estavam no quintal. Era um cuidado desacerbado da parte de minha mãe, mas intendo pois a educação dela fora de tempos antigos.



Mesmo assim uma vez ou outra lá estava eu, pobre de minha irmã, eu a irritava aponto de ela nem falar comigo. Até que num outro dia, o Danilo novamente disse: Se toca sua vela! 
Perguntei porque me chamava daquilo, vela, a resposta foi quase que imediata e com grande sorriso irônico: Se ficar aqui, vai virar uma vela! Sua boba!
Com isso percebi que não era bem vinda, e não os em comodei mais. Danilo e seu amigo organizaram um bailinho em casa, onde convidaram seus colegas. A casa ficou cheia, dançávamos eu e o meu sobrinho, quando começou a tocar uma musica lenta paramos para beber refrigerante, um moço me convidou para dançar, olhei para o Danilo que ria daquela situação e disse: Vai. 
No dançarmos, meu irmão dançava com uma moça que vinham se aproximando de nós e ele disse algo só para me deixar mais encabulada ainda: Cuidado cara, essa é minha irmã eh! Apesar desse ocorrido que me envergou, foi muito divertido o bailinho. 
No começo do ano nos mudamos para uma vila próxima, e voltei a escola estudar na escola da vila, em período noturno. Bom, eu já conhecia algumas meninas que eram minhas vizinhas da estuda e estudávamos no mesmo horário, também me sentia mais desinibida e comunicativa. No entanto eu era desprovida de malicias algo que não é positivo para uma adolescente. 
Sempre tive muita vontade de ter e aprender andar de bicicleta, meu irmão tinha uma, até tentei andar mas infelizmente não consegui. Quase sempre saia com minhas amigas, íamos ao Shopping, parques e ficávamos andando pela vila quando não tinha o que fazer ou conversado em frente de casa.                             
Fui uma adolescência normal como qualquer outra pessoa. Cheguei a trabalhar de babá em varias casas, em uma dessas passei por um mau bocado, com bebê que sofria de leucemia, vivia nos médicos. Não fiquei por muito tempo trabalhando ali pois era muita responsabilidade em minhas mãos. Com o decorrer dos meses comecei a trabalhar em uma fabrica onde a namorada do Luiz. Nesta tempo conheci muitas pessoas, comecei ter mais independência para certas decisões em minha vida onde me encontrei e me encontrei como nunca havia me sentido antes, incluída na sociedade.



Em um fim de semana, Amanda veio em casa, me convidar para ir em uma danceteria, não foi fácil, mas ela conseguiu a permissão  de minha mãe para eu ir. Como era a primeira vez que fomos em uma danceteria, ficamos o tempo todo sentas no canto do salão, foi uma boa experiência, para quem nunca havia andado de ônibus sozinha principalmente entrado em um lugar como este.  
Acho que não foi somente culpa de minha mãe toda essa redoma em fiquei por tanto tempo protegida, foi pura ilusão acreditar em tal proteção, era comodo ser cercada por todo o carinho e cuidado, talvez pela perda de meu pai, ela via em mim a companhia, de alguém que sempre estava la, por outro lado meus irmãos já eram bem mais independentes desde pequenos. Mas como este mundo é cheio de armadilhas, malicias e enganos. Me prejudicou e muito, de nada sabia para driblar o mau que estava por vir. Fazendo cair sobre o mais profundo poço e escuro de onde somente a fé e a esperança no amor pode libertar. Passei por coisas inimagináveis, já mais havia tido a ideia do caus que seria a vida, precisava reagir, embora que já tinha aprendido com os vários tombos que tomei, era só o começo!
Aqui fica o primeiro tombo, sempre tive muito apreço pelas pessoas que tinha em meu convívio, mas rapidamente aos trancos e barrancos descobri. Confiança é uma joia rara, e não da para tê-la sempre conosco, amigos cometem erros, maldades, nem todos que nos parecem  falsos são. 
Então passei a fazer coisas que até eu mesmo condeno como omitir fatos, muitas vezes a arrogância estava em minhas palavras,  e o pior que tinha nas pessoas passou a ser um manual de sobrevivência, isso só fez piorar a situação. 
Bom mudando um pouco de assunto, nesta época correu um triste fato, o nenê quem eu havia sido babá e que tinha leucemia, de quem havia cuidado por pouco de tempo, viera a falecer. Fazia um bom tempo que não o via, recebi a noticia de supetão, na saída da escola de lá mesmo fui ao velório. Não sei explicar tal dor que foi ver, aqueles pais consternados pela perda de seu filho. E também aquela criança que cuidei com tanto carinho e que tivera sido o serzinho que amava como se fosse meu, dentro de um caixãozinho, olhei seus lábios roxo seu rosto, sem vida. Nunca tivera a coragem nem de chegar perto de um caixão, mas ali meu coração dizia que eu tinha que tocá-lo, pus a mão em seu rostinho gelado, só tive força  para chorar, até que seus pais choraram comigo. Conto esse fato, por achar importante relatar, porque no dia anterior ao seu falecimento sonhei com ele, esse fato me marcou muito, fiquei dias lembrando do tempo em que pude tê-lo comigo! Deus tenha este inocente em sua memoria! Por honra e mérito de nosso Senhor Jesus Cristo, amém! 





Na minha concepção o amor é divino e provem de Deus, por tanto é imaculado, devia se ter respeito, ser honesto, e acima de tudo ser único. Mais nada disto se compõe a este mundo de agora, hoje beijo é só pegação, abraço um forma de se aproveitar, caricias para se chegar simplesmente ao sexo e muitos usam do motivo "namoro" para ir para cama. Eu sempre preferi o que haviam  me ensinado, e não mudei de opinião. 
Ai foi só esperar, para entender, tudo tem seu tempo certo, no entanto agi muitas de forma fútil e irresponsável. Então essa foi forma, que naquela tempo encontrei para ser incluída nessa sociedade cruel e excludente que é até hoje, "o meio termo", nem um tanto vulgar, como nem um pouco trouxa, boba, aqui posso dizer que minha genuinidade com as coisas do mundo estava sumindo. E se acabando a partir de brigas, pecuinhas, mentiras, falsidade que se envolveram em minha  vida. Isso tudo veio como uma bomba, na fase da adolescência para adulta. Sofri muito, até entender que devo dar paz para ter a paz, não devo procurar ter vantagem e sim sabedoria para resolver problemas!
Comecei a me preocupar mais com minha aparência, o que de certa forma podia ser um ponto positivo, se não fosse pelo fato de me apropriar das roupas da pobre Moni. Ela poderia ter me emprestado se pedisse, mais como qualquer irmãs que brigão muito, particularmente na fase em que nós encontrávamos, tentei uma vez só, quando ia falar, nem mal abri a boca, ela disse: Essa não! 
A foi o fim, não tinha mais dialogo, passei a esconder as roupas na mochila da escola. Com isso, nosso relacionamento se tornou uma guerra, sempre amei minha irmã, entretanto devido as circunstancias, nem nos falávamos direito, e o pior foi seu novo namorado, a punha contra mim.
Em um determinado dia vinha eu da escola com sua jaqueta preferida, como de costume ia ao varal, e a pendurava. Danilo,  que sempre teve muita finidade com a Moni. Neste dia eles me aguardavam de surpresa, o Danilo a espreita no vitro que dava para lavanderia Gritou: Hiiiii... Moni! Peguei, ela tá com sua jaqueta! Fiquei paralisada! No mesmo instante, a Moni  veio aos gritos: Sua trouxa, quantas vezes tenho que te dizer, Nãooo, pega minhas coisas! 
Felizmente não me agrediu, mas foi por pouco tempo. Ao entrar, tudo parecia estar uma calmaria só. Mas eu fui tomar Café e na mesa tinha um bilhete no qual destruiu com a minha paz interior, dizia, "você pegou o dinheiro da comoda, devolva!" Aquilo doeu de uma forma, que poderiam me espancar que não doeria mais que aquelas  palavras. A unica ação que tive, foi correr para quarto em que minha mãe dormia, e dizer: Não foi eu, não sou ladra!
Meus irmãos vieram com toda a fúria em minha direção! A Mãe disse: Devolve! Sei que foi você! 
Até quando vou pagar, por um erro de quando era apenas uma menina! Disse eu! 
Ao ver que os dois me agrediam minha mãe se desesperou!  Com um cinta espantou os, e assim se sessou todo aquele atrito! No entanto o ardor de todas aquelas palavras me desmontou. Simplesmente, sai de casa pulei o muro, e chorando muito, fui na casa da Carina, e fiquei la. A minha mãe concordou, pois ela não tinha mais controle sobre Moni e Dalilo.
Com o decorrer dos dias, descobriu se que o dinheiro que sumira, estava, em uma bolsa na qual minha a mãe não usava a algum tempo.  Houve uma reunião em casa, onde estavam todos meus irmãos, menos o José que não pode comparecer. Minha Cunhada Leila que mais parece um anjo que veio a interceder por mim e meu irmão Luiz que morava conosco, foram os que mais se indignaram com tal rumo que tomara  as coisas, devido ao sucedido comigo. Luis ficou  dias fora de casa, mas neste dia estava lá, eles diziam como podem deixar uma criança como ela na casa de estranhos, esses dois que já são praticamente independentes aqui, como puderam fazer o que fizeram com ela. 
Se alguém tomar dores por mim, peço não, não tomem, pois não sou nem nunca fui santa, cometi  vários erros, como a um tempo antes deste, em que eu era bem mais nova, teve no dia que peguei o único dinheiro que tínhamos, para comprar doces. A desconfiança não era vã! Não jugue, o que não teem nem o real conhecimento. Voltei para casa, a Moni foi morar numa pensão o que me chateou e muito, queria simplesmente que a situação se resolve , e ela era menor não foi certo, não deveria ter saído de casa por tal tola briga.



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O Danilo passou a ser mais compassivo e amoroso comigo. Ele sempre demostrou muita preocupação comigo. E desde muito novo foi como um pai. A Moni sempre foi muito carinhosa, e minha cunhada Leila, ao fazer um infeliz comentário, de que não havia amor da parte de minha irmã por mim, fez só se formar tristeza, Moni é uma irmã querida, que teve um susto muito grande e mudou na suas ações, não somente por mim, como desde de muito nova teve que batalhar e se responsabilizar por sua vida. Assim como eu eles também sofreram com a ausência de meu pai. Com isso minha a mãe passou a ter mais confiança em minhas palavras.


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Meses depois, a Moni conversou comigo de forma muito amorosa, ela trouxe o irmão do namorado dela, para me apresentar. Eles chegaram de surpresa, isso me envergonhou pois nem arrumada estava. E mau conversei com ele. Tentei ser educada, e  logo sai da sala, e fui se arrumar. De nada adiantou, quando vi ele  foi embora.
Um ano depois, comecei a trabalhar na creche o que  me foi como um sonho realizado, afinal sempre tive desejo de fazer uma faculdade e me formar professora,  exercia a profissão de assistente social,  professora do maternal de crianças de 4 a 6 anos. 
Neste fim de ano, minha mãe viajou para a casa de meu irmão José. Ficamos só eu e o Danilo em casa, ele teve que trabalhar e passei as festas deste fim ano com Carina e sua família.  O que para mim foi estranho, pois nunca havia passado as festas de fim de ano longe de minha família, apesar de todo o carinho e acolhida que recebi da família de minha amiga, me senti só e com muita falta daquelas antigas reuniões onde todos meus irmãos quase sempre estavam presentes, eram momentos de muita alegria e união. 

quinta-feira, 21 de novembro de 2013

A infância!


CAPÍTULO I
FATOS CORRIDOS 1974-1983 



Musica de Renato Russo - Legião Urbana
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A partir deste momento vou contar fatos, ocorridos em minha vida desde a minha infância até os dias atuais assim sintetizando o que talvez possa ter ocasionado neste mal, “problemas”, não somente de decepção com os outros, como comigo mesma,  é claro que tive muitos momentos de alegria, autos e baixos como qualquer ser humano. Só faço aqui um meio de pesquisa para que médicos, pesquisadores ou aqueles que procuram assim como eu, um meio de entender está terrível doença e desta forma, talvez fazer que se a reconheça antes que domine alguém! 
Tive uma infância bem tumultuada, sou 10° filha de meus pais, nasci em RS. Canoas, aos 3 meses de vida fomos para interior de São Paulo, passamos por muitas dificuldades, e nesta época 5 de meus irmãos mais velhos já trabalhavam e não moravam conosco. Quando fiz mais ou menos 4 anos fomos para  AM. Manaus, a primeira lembrança que me vem é de estar um caminhão que sacolejava muito, minha mãe me dando água. Passamos por estradas onde havia fazendas, sítios muito afastados um do outro, paramos em um terreno onde tinha uma casinha de palha onde seria nossa moradia por um bom tempo. Ao passar alguns meses ou um ano não sei ao certo, foi feita uma casa de madeira, me lembro de só fatos bons, como brincadeiras com meus irmãos e amigos, meus animais de estimação,  meus primeiros anéis... Um de pedrinha azul e outro  de pedrinha vermelha, que ganhei de meu irmão José que viera morar conosco, quando  chegou eu nem o reconheci mas o seu carinho era tanto conosco que logo me acostumei com sua presença. Recordo me, de uma boneca que perdi num lago isso me é inesquecível. Lá minha mãe lavava roupa, e como eu brincava muitas vezes sozinha fazia das arvores amigas e falava com elas como se fossem pessoas. “Tinha uma imaginação fértil!”
Havia momentos em que meu pai viaja a trabalho e demorava muito tempo para voltar. Nossas dificuldades eram muitas, que às vezes tínhamos somente sopa de mandioca para comer e algumas poucas frutas que minha mãe colhia da plantação de nosso sítio. Eu não lembro, mas minha mãe conta que nesta época em algumas destas viagens de meu pai, houve momentos em que todos ficamos muito doentes com malária, hepatite... Enfim, foi tudo muito ruim, mesmo sendo a guerreira que foi, minha mãe sofreu muito, chegamos num momento até dependermos da ajuda de nossos gentios vizinhos, que graças a Deus se comoveram com nossas más condições,  nos auxiliaram com mantimentos.
Lembro-me de uma das chegadas de meu pai, quando trouxe sacos e sacos de pães,  muitas coisas na carroceria de uma caminhonete e provavelmente muita esperança e alegria. A partir dai então nosso sitio começou a progredir  mais, começou se  criar de frango, porco e a plantação de mandioca se tornava imensa e farta, que chegou a se produzir a farinha, mas não sei o porque mas saímos de lá, para a casa de conhecidos de meu pai em uma cidade vizinha, logo depois fomos para SP na casa da minha irmã mais velha, lá ficamos com minha mãe, meu pai retornou ao sitio para resolver coisas e  quando voltou bem, não tínhamos mais o sitio, ai ele começou a fazer bicos até arrumar um trabalho,  nos mudamos todos para mais duas vezes de casa até irmos morar numa casa que foi nos alugada por  nosso cunhado que havia se casado pouco tempo com minha irmã Nadir. 
Nesta casa tivemos bons momentos, passeávamos em lugares onde nunca tivéramos ido antes, como, a praia e parques. Degustamos várias guloseimas nas quais nunca havíamos tido a oportunidade de apreciarmos antes, como por exemplo, também uma simples bebida como o refrigerante, que para muitas crianças era habitual ter em suas refeições, para nós que ficamos tanto tempo confinados naquela  sítio, quase tudo  era uma  grande novidade inclusive o refrigerante. Mas, no entanto essa alegria durou pouco, também ali ocorreu um dos piores os fatos de minha vida! Depois de vários problemas tanto financeiros quanto de relacionamento, coisas que até hoje sinceramente não entendo, pois na época era muito nova (tinha apenas oito anos) meu pai sairá de nossas vidas sem nem mesmo uma despedida ou dar explicação, isso foi uma grande dor para todos, principalmente para minha mãe que o amava e  ama com tanta intensidade que até hoje não sente magoa ou qualquer tipo de rancor. Dias antes, ele comprou presentes, conversou muito com os filhos mais novos, participou de uma reunião familiar na páscoa, eu e ele tivemos um momento no qual para mim haverá sido muito especial. Estávamos na sala e ele com muito carinho me dava, um vestidinho, sapatinhos, meias e um ovo de páscoa. Por mais que juguem isso tudo como errado,  foi muito bom tê-lo comigo naquele momento, repleto de carinho e amor,  no qual seria o ultimo de nossas vidas e que me recordo com tanto amor.


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Também nesta época houve acontecimentos, nos quais para uma criança na época não se eram bem compreendidos, ainda. Numa tarde de um final de semana em que tínhamos visitas em casa, brincava com as crianças de casinha num dos quarto e um menino fez algo comigo no qual me foi tão estranho e assustador que gritei, a tal ponto de meu irmão escutar. Eu  não tinha  a menor ideia do porque de toda aquela ação, tanto do menino, como muito menos intendi o nevoso de meu irmão ao nos ver. Para mim de inicio era só uma brincadeira, no entanto quando fingíamos que estávamos dormindo do nada o menino subiu encima de mim, foi ai que gritei e José me ouvindo, rapidamente veio e o menino ao ver meu irmão tão irado, assustado saiu correndo, assim nossa brincadeira acabou. 
Ao José contar a minha mãe sobre o ocorrido, ela que na época por certas formalidades, não dissera nada que deveria ser explicado corretamente, ao contrario só me assustou com algumas bobagens que de nada me ajudou, como: Isso é feio, é errado! E que se ocorre-se novamente nunca mais poderia se casar ou ter filhos. Quando lembro disso penso pobre de mim, mal sabia o que estava por vir. Pois num certo dia em que estava na casa de uma coleguinha, seu avô que estava sentado numa cadeira na varanda de sua casa, ao chamar a menina e falar algo em seu ouvido e pegou em seus braços a rodopiou, logo ele disse para mim: Vem cá! Eu em minha santa inocência fui,  ele, fez o mesmo comigo, mas no momento em que estava de costas para ele colocou sua mão entre minhas pernas, com assusto e sem intender,  me desprendi dele rapidamente, perguntei a ela porque ele havia feito aquilo, no entanto ela só me falou: Vamos para sua casa!
Esses dois acontecimentos me perturbaram significadamente até a fase da adolescência, mesmo que de nada me afetassem da forma que me foi dita, a ignorância que eu tinha com relação a sexo, só fez me prejudicar, afinal eu acreditava piamente em tudo que a mãe falava.

      



Mudanças repentinas assustam e a saudade corrói!  

FATOS OCORRIDOS EM 1983 - 1987

Com o passar do tempo, após aquele triste dia, em que meu pai havia desaparecido, me vinha sempre à minha mente às perguntas: Para onde ele tivera ido?  E o porquê não havia retornado ainda? Lembro que com todo aquele alvoroço e comoção em que se encontravam todos naquela uma manhã conturbada, ninguém conseguira me explicar a real circunstancia do que tinha se sucedido com ele, até aquele presente momento.  Só me recordava de uma imagem, a mãe com seu rosto se debulhando em lágrimas e continuamente dizendo: Ele foi embora, ele nos tratou como a um papel que se amassa e joga fora! Recordo me, de minha irmã vir até mim  neste mesmo instante, me puxando falando para minha mãe, ela não intende. Quando acalmaram os ânimos, me contaram uma estória que não condizia com a realidade. De que, ele havia sido preso.
E em poucos dias estávamos dentro de um caminhão baú rumo a SC. Araranguá, para casa de uma tia. Foi uma mudança um tanto muito louca, alguns foram na cabine com o motorista e outros dentro do baú, junto com as poucas coisas que conseguimos levar. Foram meus irmãos a Moni de 10 anos, o Danilo de 12, meu irmão José com sua mulher, eu e a mãe. O Luiz que tinha 16 anos, por estar namorando, acabou ficando na casa de minha irmã Nadir. E o Umberto de 18 anos também ficou por estar a um bom tempo trabalhando em uma firma.
Ao chegarmos, fomos recebidos com muito carinho e alegria por meus tios e primos. Tia Leu era uma anfitriã maravilhosa, havia preparado praticamente um baquete, na mesa, que foi muito bem posta por sinal, tinha desde variadas geleias, bolos, pães, sucos dentre muitas outras coisas. Foi uma verdadeira festa.

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Meus irmãos logo fizeram amizade com meus primos e os vizinhos. Já eu por ser muito apegada a mãe ficava a maior parte do tempo com ela e a tia Leu.
Com essa mudança, perdi minhas amizades, não tinha mais todos meus irmãos por perto e o pior, não sabia areal situação do que haverá acontecido ao meu pai. Meses depois o José e a minha cunhada Mary se mudaram para uma vila próxima.
Quando comecei a estudar, na escola me perguntavam de onde viera, porque havia vindo de tão longe para morar lá e quando me perguntavam sobre o pai respondia a ultima estória que ouvira, de que ele tinha sido preso. Mas logo me contaram outra versão na qual diziam que havia viajado, mas logo iríamos encontra-lo. 
Como não se bastasse tudo que passara, ainda sofri,  bullying, uma expressão que não era usada na época, mas como sempre existiram atos agressivos verbais ou físicos de maneira repetitiva como os que sofri, na escola por parte de um menino, posso dizer que resumiram tudo isso para a palavra ,  “bullying”!
Quando chegava da escola ia brincar com duas meninas, Maísa e Fernanda, vizinhas de minha tia, mas como é normal em uma relação de crianças acontecer brigas, teve um dia que a Fernanda fez intrigas entre eu e Maísa, talvez por minha ingenuidade, não sabia como me safar daquela situação, Maísa por ser a mais compreensiva, soube me intender, já Fernanda ficou bom tempo sem falar comigo. Por mais que seja uma bobagem eu estar relatando esse fato, penso que seja bom citar para se ter um ideia de como sou pouco determinada em situações deste gênero, até hoje não consigo tomar as rédeas de um problema que possa surgir em minha vida, dificilmente consigo contrariar alguém mesmo que esteja erado e geralmente sou tomada pelas emoções o que não é bom para qualquer tipo de relacionamento.
Com o passar do tempo fomos morar com meu irmão, como a casa era relativamente pequena, logo alugamos para casa dos fundos por ser maior e nos acomodarmos melhor. E meus irmãos mais velhos sempre nos auxiliavam com dinheiro no qual nos enviavam mensalmente.
Sempre nos reuníamos para as festas de fim de ano, com a tia Leu, em uma dessas festas, numa noite natal, tive uma grande surpresa. Eu estava dormindo, sentia as mãos da mãe sobre minhas costas que me erguendo dizia algo, mas eu só ouvia o barulho dos fogos, mau podia abrir os olhos de tanto sono e ouvi: Olha o que papai Noel te trouxe filha! Era uma boneca, na qual eu vinha a tempos pedindo e enchia as paciências  de minha mãe para que a comprasse.   
Também em outras ocasiões nas férias escolares, vinham tios e primos que moravam no Sul nos visitar. Recordo-me, uma vez que o tio Neco decidiu ir a pé a praia, que por sinal era longe, tinha de caminhar uns oito quilômetros até chegar lá. Foi tão divertido que chegou a ser cômico, somente ele  de adulto com aquela criançada toda e um monte de bugiganga, pedindo carona na estrada.
Em 1985 voltamos para SP, foi muito bom poder rever meus irmãos, mas lá ficou o grande apreço que tínhamos de meus tios e primos, e uma imensa saudade e grande gratidão pela atenção recebida por eles.

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Quando Chegamos, todos nos aguardavam numa amistosa recepção com um imenso carinho na casa que  já estava preparada e pronta para morarmos. Mais uma vez, nova escola, perdi minhas amigas, coisa que para mim não era fácil. 

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No primeiro dia de aula, estava eu fazendo a lição quando, escuto uma gritaria, mas permaneci sentada, nem me preocupei com o porque de todo alvoroço, em seguida  fui para o recreio, fiquei num canto do pátio, quando a Luci veio  falar comigo. Fizemos amizade em poucos dias. Ia quase sempre a sua casa que ficava do outro lado da rua enfrente minha casa.  Houve um dia onde vínhamos da escola, Luci apertou a campainha de uma casa, achando que ela conhecesse a pessoa fiquei parada, de repente ela saia gritando corre, corre...  Eu  sem intender, fiquei sem ação e recebi a bronca que era para ser dela.
No inicio a mãe dela me tratava muito bem, entretanto talvez  por minhas frequentes visitas a casa dela, teve um dia ao cair da tarde, ela mandou que a menina me acompanhasse até o portão, dizendo: Chega! É melhor ela ir embora! 
Então chamei Luci para me acompanhar até o farol, pois eu não tinha costume de andar só naquele horário, mas sua mãe disse: Não! Ela não vai!
Então insisti e pedi novamente. Mas sua mãe indo conosco ao portão não a deixou me acompanhar e disse: Travesse daqui mesmo! Quando ameacei de ir ao farou, ela pôs a mão em minhas costas e disse: Não, vá  por aqui mesmo, vamos atravesse!
E eu fui,  passando entre os carros, quando estava perto de alcançar os pés na calçada, um carro freio tão bruscamente em minha direção que cheguei a por minhas mãos sobre o capo, com susto, e os gritos de indignação do motorista, eu retornei de onde viera, e corri grande risco novamente. 
Ao pisar com meus pés naquela calçada, meu coração parecia que saltaria pela boca e quando vi o rosto empalidecido da Luci e coberto por suas lagrimas, vi que esta era uma amiga de verdade e que Deus pôs em meu caminho não foi em vão, quanto a este triste fato, melhor esquecê-lo!  Apesar de isso ter me prejudicado, pois fique bom tempo com medo fora do comum, de atravessar rua.
Meses depois me deparo com a mesma situação de sempre, mais uma mudança, nova casa, nova escola e sem a companhia das pessoas que de quem tanto me apegara às professoras e as amizades. Como tínhamos nos mudado quase no fim daquele ano, permaneci estudando o resto do ano naquela mesma escola. No dia em que fui sozinha ao voltar, passei batido por minha casa, fui parar no fim da rua, aquilo foi tenso, no entanto mantive a calma e pedi ajuda em uma casa onde me receberam de bom grado e me acompanharam até minha casa, que não ficara longe dali.





O fim deste ano foi muito divertido, estavam quase todos em casa, a felicidade só não foi completa porque meu irmão José e a Mary não estavam conosco, haviam se mudado para longe em outro estado.
No começo do ano comecei a estudar em uma escola perto de casa.
Eu sempre gostei de observar o céu, e neste dia estava no portão contemplando aquele lindo e admirável dia, o céu que de tão azul brilhava como uma pedra preciosa, mas como nem todo mundo entende ou tem esse tipo de atitude, uma menina que passava rua, ria muito daquela sena, e dizia num tom de gozador: O que está vendo? O disco voador?  
Neste momento só pensei em entrar para dentro de casa, fiquei muito envergonhada. Dias depois essa mesma menina  falou comigo na escola, rapidamente nos tornamos grandes amigas.  A Re morava na mesma rua que eu. Logo também conheci a Elaine que havia se mudado a pouco frente a minha, essa menina me fez tanto bem que a considero como uma irmã. Nós morávamos nos fundos e meu irmão Umberto e a minha cunhada Leila que já tinham a minha sobrinha Talita a moravam na casa da frente. Nesta época não sei se por tantas mudanças como por descuido de minha parte com os estudos, meu desempenho nos estudos estava ruim. A Elaine me ajudava, periodicamente todas as tardes nos reuníamos para estudar, isso me ajudou  muito, só que como toda a criança nos gostávamos de brincar, e justo numa tarde em que já havíamos acabado estudar, no momento em que começamos a brincar, o Umberto  viu que brincávamos e contou para a mãe que não me permitiu mais ir lá. Meses se passaram e Umberto e sua família se mudaram e a dona Naty a proprietária da casa se mudou para a casa da frente.
D. Naty era uma senhora muito legal, ela e a minha mãe fizeram amizade rapidamente, a neta dela ia com frequência visita-la, Fabiana e eu sempre brincávamos. Teve uma vez em a Re estava conosco e  a Fabiana era num tanto pouco temperamental, quando vi as duas estavam aos gritos e pediam que eu escolhesse de quem seria amiga, como eu não sei fazer escolha entre pessoas, me calei mas infelizmente os ânimos não se apascentaram  e a Re foi embora, e ficou um bom tempo sem falar comigo, isso me chateou muito pois gostava muito dela, penso que deveria ter feito algo, mas não fiz.
Aqui conto algo que acho de extrema importância, não sei se foi a imaginação de criança na época, mas tive minha primeira visão, era como se o "sexto sentido" aflorasse em mim. Em um dia chuvoso, eu e Re tínhamos retomado nossa amizade, ela estava comigo conversando no portão, mas logo teve que ir a sua casa e disse que já voltava, então decidi esperá-la em frente de casa. Olhava para o fim da rua que naquele momento era absolutamente deserta, vi algo parado na esquina. Estranhei e fixei meus olhos para ver do que se tratava, era um homem só que não  parecia humano, pois a princípio estava de costas e ao fixar meus olhos para vê-lo, ele se virou rapidamente e vinha com uma velocidade fora do comum, como se flutuasse, seria um espírito, não sei mas, para mim foi muito real! Assustei me a ponto de correr para dentro de casa.


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Na época não contei a ninguém o que vira, devido ao simples fato de alguns me chamarem de louca, por estar em tratamento psicológico para controle dos nervos.