quarta-feira, 11 de dezembro de 2013

Tudo o que estava em oculto veio a tona, a realidade desse mundo é dura e você tem que acordar!!!

CAPÍTULO V
FATOS CORRIDOS 1992-1993 


O mundo não se divide em pessoas boas e más. Todos temos Luz e Trevas dentro de nós. O que importa é o lado o qual decidimos agir. Isso é o que realmente somos.

J.K. Rowling



 "Imagem colhida da Web, como todos as imagens deste blog"



Esse tempo, foi de grandes transformações em minha vida, onde ocorreram vários episódio marcantes, alguns bons dentre outros que de tão ruins, por muitas vezes até entrei em desespero, por desgostos com atitudes nas quais eu não sabia lidar ainda, pelo fato de não ter conhecimento até aquele exato momento, de como agir diante de situações sufocantes como a de ouvir de pessoas, que por mais que você tente entendê-las, elas nunca te intendem ou simplesmente te ignoram, jamais sedem, sempre esperam que você seda, para o bem si mesmas. Tive que me acostumar as malicias, que por muitas vezes me prejudicou,  já era a hora de erguer a cabeça e dar um basta, e aprender a dizer: "NÃO!"
Não, ao cinismo! Não, egoísmo! Não vou mudar, eu sou o que sou! Não, grite! Não, aceito palpites no meu namoro! Não minta, pois não sou a tonta que conheceu! Não quero! Chega de dizer, "SIM", só para agradar os outros, melhor um não sincero, do que um sim que me prejudique a ponto de afetar um relacionamento de amizade, de irmãos, de namoro...
Aqui fica registrado a minha primeira reação de ciúme, André quase sempre ia me buscar na escola e neste dia, eu o aguardei por mais de dez minutos em frente a escola, como ele demorava decidi ir embora pensando na possibilidade de nos encontramos no no percurso que faziamos, mas não vi, virando a esquina de minha rua, percebi que Denise estava na calçada de sua casa com alguém, só que estava longe, então só me dei conta de que era ele ao chegar próximo a minha casa.
Eles riam muito e estavam um de frente para o outro, pensei: Muita frescura para serem apenas amigos, isso ta me cheirando da traição! Já estava chateada por sua mancada no fim de semana quando quis ir embora e, me deixando em casa, retornou a porta da danceteria, assim haviam me contado: "Olha, desculpa, mas eu acho uma tremenda palhaçada o que o Zóio fez com você, por isso estou te contando. Ao ver seu namorado ontem, abraçado com a Lí, e sabendo que os dois já tiveram um caso no passado, pensei muita trairagem a dele, pobre Raquely!" 
Agora vejo estes dois, Denise e André, se rindo, só faltam pegar um na mão do outro. Ao me aproximar eu dei um sorriso irônico dizendo: Muito lindo, minha amiga quase beijando meu namorado, ou devo dizer meu ex! 
Ambos olharam ao mesmo tempo, pareciam assustados e Denise se exaltou: Como pode? O que pensa de mim?
Retruquei: Há o pior, pois você já quis ele antes de mim, lembra? E você André? Nem foi a escola, sendo que nesses dias mesmo me pediu que eu sempre te esperasse, fiquei lá de boba! 
Denise se enfezou a tal ponto de gritar e me ofender dizendo: Sua besta! Só estávamos conversando! 
Retruquei: O Cham vai saber disso!
Discutimos por mais de vinte minutos, André só nos observava, o que me irritava ainda mais! Eu o expulsei dizendo: O que faz aqui ainda? 
Ele falou: Porque? 
Vai embora! Respondi. 
E ele foi embora. Em seguida, Denise começou a chorar, eu me comovi com suas lágrima e pedi desculpa dizendo que não contaria nada a seu namorado, assim nos entendemos. 
Foram tempos de crise em nosso namoro, André além de possessivo se tornou muito agressivo em suas palavras e como eu nunca tinha namorado antes, pensei que poderia ser passageiro, mas não foi.
Ele discutia por eu querer ir as festas de minha escola, pela roupa que tivera usado em outros momentos, onde eu nem sabia de sua existência. Tudo era motivo de briga, então pensei: Se isso é namoro, prefiro ficar só. 
Em meio meu sofrimento decidi, pedir um conselho de minha amiga e confidente Elem, mas antes disto, em um fim de tarde, Denise estava em casa, assistíamos a uns clipes, nós tínhamos quase o mesmo gosto para musica, com uma diferença ela curtia sertanejo, coisa que na época não curtia nem um pouco. André me chamou no portão, Denise se antecipou, antes que me levantasse, lá estava ela, o cumprimentando e aos risos, me falava em um tom ironia:  Nossa Raquely, se não quer, fala logo! Porque eu to afim! 
O ciúme me doeu como um tapa e afastando ela dele peguei em sua mão e disse: Vai falar isso para o Cham Denise, acho que você deveria se preocupar com que é seu! 
Nesta hora, André se enchera de graça, deve ter se achado " O CARA!" Então ela ficou nervosa pelo que eu disse e com mais ironicamente ainda do que na primeira vez, respondeu:  Hum... Sei! No mesmo instante, André arregalou os  olhos como de uma coruja em minha direção, com isso mais uma vez André e eu  brigamos, No entanto, Denise Esperta como sempre falou : Calma gente, Dé... "Como ela irritantemente chamava meu namorando",  to brincado! Depois de muitas explicações os ânimos se acalmaram. No Denise ir embora, André novamente me questionava sobre o ocorrido, assim ele foi embora e eu não o segurei, simplesmente deixe o ir. No outro dia, decidida a terminar tudo fui a casa de Elem, contei fato de ele ter ficado abraçado na porta da Danceteria com Lí e de nós dois não nós entendermos, mas Elem me surpreendeu dizendo: Não, faça isso, não tome nem uma atitude precipitada. Pensa bem Raquely! Eu percebo que você está gostando dele. 
No entanto eu falei: Não dá mais!
Disse elaEntão, responda! Você não gosta dele? 
Eu a deixei no vaco, com isso ela me segurou uma tarde inteira, acabei não falando com ele. Mais tarde, ao sair da escola lá estava ele no portão, a minha espera, eu estava decidida. Até que... Bem dito, pensei! Tinha que dar a aquele sorriso no qual eu não resistia! 



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Não consegui falar nada, do que vinha planejando dizer, pensei: E agora, o que faço? Se nem consigo me impor, nas suas ações que me incomodam.
Tivemos muitas outras discussões depois disto, mas a pior delas estava por vir.
Quando saíamos com o Cham e a Denise, diziam quase o tempo todo um ao outro de uma forma repetitiva "te amo",  não sei se por uma brincadeira, mas ao fazerem isto, fixavam os olhos em nós, como que esperassem que esboçássemos alguma forma de sentimento entre nós. Como eu não tinha coragem ainda de expor meus sentimentos com relação a ele, fiz uma brincadeira, olhei fixamente nos olhos de André, disse com um largo sorriso, e carinhosamente falei: Nooossa... Como eu te odeio meu lindo.
E ele respondeu em seguida: Serio, eu idem
Seu riso era completamente irônico neste momento. E Denise implicando com nosso modo bobo de se safar daquela situação, falou: Credo, da para vocês dizerem a verdade. E olhamos um para outro e falamos quase juntos: Como eu te odeio! Como eu te odeio! Todos caíram na rizada.
Dias se passaram e em um dia chuvoso de uma quarta feira estávamos na sala da minha casa, no acabar de um longo beijo nós olhávamos  fazia mais de três minutos silenciosos, quando eu sussurrei uma palavra e André, com um largo sorriso, perguntou persistentemente: O que? Repete eu não entendi.
No entanto rapidamente me levantei e disse: Nada, eu vou pegar um copo de água, ta com sede? 
Ele segurou fortemente meus braços e insistentemente: Há... Agora eu quero ter certeza do que disse. Fale em voz alta o que acabou de dizer em tom baixo, eu não ouvi direito. 
Eu mudei de assunto, assim fazendo com que ele desisti-se de perguntar o que eu havia dito.
Nesta época nosso relacionamento estava se tornando algo muito serio para mim, e  surgiam assuntos de que eu jamais teria coragem de comentar com ele, entretanto não havia mais como escapar, André começou a entrar em tais conversas que me constrangiam seriamente, como: Quando vamos poder nos amar de verdade? Você não gosta de mim? Porque namoramos?
Isso tudo me assustou de verdade, como lhe diria algo se nem mesmo tinha certeza dos seus sentimentos com relação a mim, como poderia responder o que havia me perguntado. E, sobre veio a mim as outras questões de minha infância, que de tão assombrosas começaram flutuar em meus pesamentos. A única resposta que pude  lhe dar era sobre aquela palavra, que tinha sussurrado num outro dia a ele, amo! E disse: Eu te amo André! Chega, de perguntas nas quais não irei te responder agora, por favor. Ele com seus olhos brilhado de alegria disse: Tá bom, falamos depois. Eu também te amo. Assim nossas emoções foram a flor da pele, me deu um inescapável alivio e alegria de poder dizer o quanto o amava, devia estar estampada em minha face. 


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Aqui fica meu desabafo, em relação a um péssimo comportamento de mim quanto filha, me doe na alma, grande vergonha me invade, mas sinto a necessidade de contar. Saímos de casa e estávamos com pressa para ir a algum lugar,  não lembro o porque, no entanto não esqueço de tão horrível atitude que tive com minha mãe. Ela estava no sofá da sala e aparentava sentir muita dor, embora se fizesse de "fortona" sempre, desta vez não disfarçou, até me pediu ajuda, dizia: Raquely, a mãe tá travada de tanta dor na coluna, passa esse creme para vê se alivia, por favor?
E eu não fiz nada, só disse: Há, mãe eu estou atrasada, daqui a pouco o Danilo chega, está tão ruim assim? 
Ela nervosa me respondeu: Vai!
Essa foi a forma mais terrível e covarde de reação que pude ter feito, com a pessoa mais importante de toda minha vida, por isso muitas vezes quando percebo o mau comportamento de meus filhos, "olho para dentro de mim"...  E penso, é o espelho que se reflete de um passado triste para o agora! Deus tenha piedade de nós, piedade pai por meus filhos. Pois mal sabem a dor que arde no nosso ser, ao lembrar da dor que causamos em nossa mãe por nossas más atitudes, misericórdia senhor, em nome de Jesus Cristo, Amém!
Meses se passaram eu e Danilo brigamos muito, por várias motivos em situações nas quais na maioria das vezes ele tinha razão. Entretanto ele tinha uma paquera com uma vizinha, a  moça se intervia muito nas coisas de casa, isso prejudicou não só nosso relacionamento de irmãos, como uma de minhas irmãs mais velhas, Nair detestou tal forma como ela agia conosco e tudo em casa. Eu confesso que fui arrogante e mesquinha por algumas vezes, mas ela me pressionava de certa que forma irritante, que eu pensava: Com que direito me perturba? Se não é nada minha, porque se entromete em nossas vidas, se não passa de um caso do Danilo! 
E em outras vezes me parecia tão amigável que até pensei, em dar razão a ela. Mas ao mesmo tempo em minha conspeção tais ordens só cabiam a minha mãe, então eu não lhe dava nem chance para se explicar. Houve uma reunião em casa organizada por Nair, que já não suportava aquela situação e todos os problemas que vinham ocorrendo com a presença da moça em nossa casa. Na reunião, segundo a mãe da moça,  ela  tinha distúrbios de humor. Após este dia a moça não foi mais à minha casa.  Sempre que me recordo desse fato, me sinto triste por ter sindo tão ignorante com alguém que parecia querer nosso bem, apesar de tão errada decisão tomada na sua ação para nos ajudar.
Dias se passaram e meu relacionamento com André não ia nada bem. Ele dizia não acreditar que eu o amava e que nosso relacionamento não tinha razão de ser. Eu não entendia, o porque tanta cobrança. Pois para mim estava tudo bem. Denise como sempre me enchia as paciências com seus conselhos torpes, dizia: Olha, você parece estar ultrapassada em suas ideias. O que significa namoro para você? Como acha que ele se sente, de ficar com você sem sexo? Se é assim que você pretende levar seu namoro, ele vai acabar logo logo! 
Isso era muito difícil para mim, eu o amava muito e não queria perdê-lo, no entanto, não estava preparada para assumir tão séria relação, na qual só teria razão de ser quando estivesse casada, segundo os preceitos de uma rígida educação que recebi.
Depois de uma grande discussão sobre esse assunto, André me coagiu dizendo: Eu não vou mais te esperar, ou ficamos juntos de verdade ou está tudo acabado. 
Respondi: Esta sedo para isso, não da para ser agora. Ele retrucou: Então, vou procurar outra que queira dar o que quero e você me nega. 
Eu o respondi: Como assim? Ta falando em minha cara que vai me trair? Ta certo, antes terminamos nosso namoro!
Desta forma terminou nossa conversa, ele me pediu desculpas,  mas me disse que aquele assunto não havia acabado ali.  
Mais tarde, em minha casa, estávamos na cozinha lanchando enquanto o  Cham e a Denise discutiam, eles saíram para fora, eu e André falávamos assuntos corriqueiros, ao vê-los saírem ele me perguntou porque eu tinha medo de falar sobre sexo, eu pensei: E agora meu Deus! Como vou lhe contar o que aconteceu em minha infância (CAP. A infância) . Em minha ignorância sobre o que realmente havia ocorrido, eu pensava, que naquele dia diante da estupidez da ação daquele menino, imaginava que pudesse não ser mais virgem. Entretanto não havia acontecido nada que me fizesse perder minha virgindade, hoje sei disso. Como eu tinha muita vergonha do real fato ocorrido, acabei dizendo que havia acontecido um acidente quando eu era criança e que talvez tivesse perdido minha virgindade. Sorrindo, André perguntou: É como foi que isso aconteceu? 
Então constrangidamente o respondi: Se sabe que esse tipo de conversa me incomoda, por favor, esqueça isso! Pelo menos até que eu me sinta bem para te contar tudo. 
Ele insistentemente pedia que eu o respondesse sua pergunta, no entanto não falei mais nada sobre aquele assunto. 
Ao acompanhá-lo até ponto de ônibus, novamente me fez aquela mesma pergunta e eu inventei uma história sem pé nem cabeça, o que agravou ainda mais a situação, fazendo com que sua confiança em mim ficasse abalada. Denise notando o que falávamos, disse: Nossa, vocês só sabem discutir! 
Neste momento ficamos em silêncio e Denise começou a falar em minha defesa: Este tipo de acidente é normal acontecer e francamente André, que bobagem, ela não teve culpa e mesmo se tivesse você não teria nada com isso! 
Esta versão errada sobre o real fato somente atrapalhou nosso relacionamento e até pouco tempo, nos dias atuais, me perturbou a consciência, por tão boba mentira sem sentido que inventara. André sempre me pôs sobre questionamento sobre tal assunto, assim me enrolei num emaranhado de enganos sem possibilidade de desatar. Em sua desconfiança, André vinha a me falar as piores formas de interpretação, do que imaginava ele que poderia ter acontecido. 


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Na vida quando se entra em um grande dilema e temos de tomar uma decisão muito importante existem duas saídas, A de opinar pela verdade que é de difícil percurso, entretanto de rápida solução ainda que seja dolorosa e de um alivio lento, é a postura mais correta; mas quando opinamos por aquela saída onde de início o percurso é livre, largo e de fácil acesso, o alívio parece ser imediato. Hooo, doce engano, é como dizem, a mentira tem pernas curtas, e por isso ao seguirmos o caminho da mentira, os cinco primeiros passos é como se flutuássemos por todo o lixo que produzimos, no entanto, quando chegamos no sexto passo, o caminho fica estreito, tropeçamos e caímos não só no lixo no qual deixamos de limpar, como na podridão que ficou por enorme inconsequência e descaso com os outros.
Sim descaso, pois se para sairmos ilesos escolhemos a saída na qual nos convêm,  assim esquecendo a dor que podemos causar aos outros, pois ao cairmos, eles caem conosco nas nossas armadilhas que inconscientemente armamos e o pior acontece,  não só a nós que se machucamos como também ferimos gravemente as pessoas que amamos.
É assim que exatamente me sinto agora, pois se eu tivessem tomado a primeira opção, a de dizer a verdade, que em minha infância mesmo que inconsciente da parte do menino, sofri um abuso sexual, (quero deixar claro que como eu não tinha noção de que a ação daquele menino me prejudicaria, ele também fora inocente. Pois ambos eramos crianças sendo assim, como eu, ele era completamente leigo do mal que me fizera)  talvez  André teria confiança na real história. Na qual só tive coragem de lhe contar vinte anos depois, após seu questionamento. Até quem sabe na época, ele me ajudaria a entender que aquele fato ocorrido de nada havia me afetado. 
Semanas se passaram, estávamos em um festa junina na escola que eu estudava, André não gostara de estar ali, e me chamou para irmos embora, com insatisfação concordei, quando chegávamos ao portão de saída  encontramos com a  Liliam e sua mãe, pessoas de quem tenho grande estima, amigas e irmãs de coração, em quanto eu as cumprimentava eu olhava para a movimentação da festa na qual eu não queria perder, pois todo ano eu curtia estar lá com minhas amigas de infância. André em sua desconfiança desacerbada deu um grito comigo: O que tem de tão precioso que você deixou por lá? 
Ele soltou de minha mão e saiu em disparada deste modo me deixando completamente envergonhada, diante delas, eu as pedi desculpas e fui atras dele. Quando o alcancei, perguntei o por que de tudo aquilo. Ele permaneceu calado, em meu nervoso disse: Você tá louco ou o que? Rapidamente ele rispidamente me respondeu: E você pensa que sou o que? Um idiota? Quem você procurava quando olhava para dentro do portão?
Respondi: Nada demais André,  eu só queria ficar mais um pouco lá, ainda mais quando vi a Liliam chegando. 
Ele não ficou satisfeito com minha resposta, assim cessou nossa discussão. E neste mesmo momento ele me disse: Você não gosta de mim, nem tem respeito por minhas opiniões.
Como, eu não te amo André? Eu respondi o explicando: Não sei mais o que fazer, eu já perdi contato com minhas melhores amigas por sua causa, nem faço mais coisas de gostava de fazer, só para não te chatear. Eu te amo sim! Da para ver o quanto sofro com sua desconfiança. 
Ele retrucou dizendo: E eu? Da para você perceber que não aguento mais estar com você, meu amor e não tê-la de verdade! 
Assim vi que para ter a paz em nosso amor,  deveria ama-lo como ele merecia, e na forma que me pedia. Decidi mostrar o quanto o amava. Em um primeiro momento em que estivemos a sós depois disto, fizemos amor pela primeira vez. Eu fiquei extremamente preocupada, sentia uma mistura de medo com alegria, pois ao mesmo tempo que o queria, eu pensava será que ele me ama, ou tudo o que ele quer é sexo? Com isso me veio uma sensação de desconforto por tão insensata ação tomada, pensava eu, pois em minha concepção  na época deveríamos termos nos casado antes. E o que era para ser, romanticamente, lindo, bom e puro ao meu ponto de vista, como eu imaginava, se tornou meio incrédulo. No entanto, acredito eu, que apesar de sentir uma leve dor, o ato não se concretizou neste dia e sim somente após outras tentativas, onde tudo foi como eu queria que fosse, me senti mais confortável, ouvíamos musicas agradáveis e num clima de romance tudo aconteceu lindamente e de forma pura e mais natural possível nos amos sem medo. E assim nos tornamos um só, no nosso amor não cabia mais as antigas brigas e sim cumplicidade, alegria e ternura onde eu o desejava mais que tudo. Não conseguimos mais ficar longe um do outro, passamos a nos ver todos os dias.



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Com esse turbilhão de emoções acontecendo em minha vida, meus irmãos notaram que nosso relacionamento estava se tornando mais sério do que realmente minha mãe desejava. Alguns deles por preocupação, penso eu, ficaram extremamente irritados comigo, já a Moni fez o que era mais correto a fazer,  tomou a atitude na qual minha mãe que deveria ter tido, me aconselhou, sobre a responsabilidade dos métodos do uso de pirolas anticoncepcional e preservativos.  Com isso pode perceber o amor que minha irmã tinha por mim e como ela me conhecia  muito mais do que eu própria me imaginava.


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Essa foi me uma fase muito complicada, eu não tinha noção dos riscos nos quais assumiria ao tomar decisões precipitadas e sem nenhum planejamento. Como ser livre para fazer escolhas na vida sem que se prejudique ou que fira com os sentimentos de alguém?
Meses depois, eu e André começamos a procurar emprego juntos, em um desses dias fomos a várias fabricas e em um mercado que ficava próximo a casa dele, havíamos andado muito, o sol estava escaldante e o cansaço  era aparente. Então ele  me convidou para ir almoçar em sua casa. No caminho, passamos por um prédio, como ele já me conhecia o bastante para saber sobre o meu comportamento de timidez diante de pessoas desconhecidas,  me fez uma brincadeira, ele me deu um puxão repentino nos braços e disse: Vamos ver se alguém tem dó de nós e nos da algo para comermos? 
O mais rápido possível tentei soltar minhas mãos, dizendo-lhe: Não, não faça isso! E ele com grande sorriso sarcástico respondeu me: Deixa de ser boba, eu conheço, ela é legal! Você vai gostar dela. Eu o perguntei, tem certeza do esta falando? Não esta me enganando né? Mais o quer ai? 
Ele respondeu, é minha tia! E com essa falação toda eu nem havia percebido, que estávamos frente a porta da casa dela e só escutei suas risadas ao abrir a porta dizendo: O que está acontecendo aqui? 
André a cumprimentou as rizadas dizendo: Oi tia, eu zoei dizendo, que ia pedir esmola na casa de alguém, agora ela não está acreditando que você é minha tia! 
Em seguida ela disse: Para com isso, não vê que está deixando a menina sem graça! 
E sorrindo para mim  disse: Oi, eu sou a tia desse palhaço, não ligue para tudo o que ele diz, pois ele gosta de fazer brincadeiras sem graças como essa. 
Respondi: Oi, desculpa a forma com que chegamos a sua porta, assim a conheci. Ela que foi me desde esse dia e é até hoje uma pessoa muito importante, querida aponto de eu considera-la minha tia Rafaela. 
Dias depois em uma entrevista de emprego, André conseguiu um trabalho em um restaurante próximo a vila em que ele morava. Quando recebeu seu primeiro salário me levou ao Habib's. Esse dia foi muito especial, cheio de alegria e ele me tratava com tanto carinho, mesmo que nós nos conhecêssemos a exatos cinco meses, para mim me pareciam anos.  Mas após alguns dias, eu comecei a trabalhar na casa da minha irmã Mary e ele saiu do restaurante onde trabalhava.  
Em um final de tarde, cheguei em casa e ao entrar na cozinha me deparei com um lindo buque de flores na mesa, pensei que fosse da Moni, que até pouco tempo havia voltado a morar conosco. Minha mãe, sempre brincava comigo contando algumas historinhas bobas só para me enganar e para rir de mim depois, quando me disse a verdade, bem neste dia não acreditei, falou ela, com grande sorriso: Você viu as lindas rosas que ganhou de seu namorado! Eu sorri, pensei: Há se fosse verdade, mas não é, André jamais teria tal atitude, para ele qualquer ato romântico é cafonice.


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Quando anoiteceu estávamos na sala, conversamos sobre meu trabalho na casa da Mary, ele  dizia ser ruim eu estar lá, pois era muito longe de minha casa e muitas vezes eu tinha que dormir na casa de minha irmã o que o chateava, por não estarmos mais nos vendo com a mesma frequência de antes. Principalmente por meu sobrinho ser adolescente, onde quase sempre levava seus colegas para casa, isso fez com que aquele velho e chato ciúmes de André voltasse a prejudicar nosso namoro. 
Eu não sabia o porque de tanto nervoso de André, se eu não tinha feito nada, esse foi o grande problema daquele dia "eu não fiz nada", até que minha mãe se levantava para ir a cozinha e ele me perguntou: Você não gostou do que eu te dei? 
Eu disse: Do que? 
Minha mãe falou: Das flores Raquely, eu disse que eram suas! 
Nossa! Serio Amor, que aquelas rosas são minhas? 
Ele me respondeu com ar de chateado: Claro! 
Então fiquei sem palavras, lhe dei um beijo e o agradeci de forma acanhada por tão enorme gafe que cometi. Isso somente fez piorar minha situação com ele pois ficou tão chateado, que por muito tempo não me deu mais flor alguma.
Mary, minha irmã se recuperava de uma cirurgia, por isso eu estava trabalhando na sua casa até que ela arrumasse uma empregada. Eu não fiquei trabalhando por muito tempo na casa dela, pois eu não estava acostumada com tantos afazeres e responsabilidades de uma casa como aquela, que por sinal, não dava conta. 
E eu fiquei desempregada por um bom tempo, até que me surgiu a oportunidade  de trabalho onde arrumei um serviço na fábrica que ficava próxima a minha casa. Infelizmente não permaneci por muito tempo trabalhando lá, devido a constantes brigas entre eu e André. Nós brigávamos pelas minhas amizades, pelo meu emprego, por minha escolha de padrinho de formatura, que no caso, era meu sobrinho que muito antes de conhecê-lo eu já havia convidado.   
Meses depois, André começou a trabalhar em um mercado próximo a vila de onde eu morava. Nesta mesma época havia um rumor de teríamos que nos mudar de casa. André e eu não nos conformávamos com a triste ideia de termos que morar longe um do outro. Vivíamos praticamente quase sempre juntos, se ele não dormia em minha casa, lá estava eu em sua casa. Com isso, não sei se por obra do destino ou por um grande vacilo meu e descuido da parte de André,  ao me sentir estranha e passar mal por algumas vezes imaginei estar grávida, mas não, foi um alarme falso.
Logo após este ocorrido, em uma de nossas idas e vindas de sua casa para a minha André me perguntou: O que acha de ficarmos noivos? 
Respondi: Está falando serio?  
Claro! Respondeu ele.
Isso me surpreendeu, pois não esperava que me fizesse está pergunta naquele momento, estávamos fazendo apenas sete meses de namoro, eu o amava, mas tínhamos brigas constantes e por isso eu não tinha certeza de seus sentimentos com relação a mim. Então perguntei: Você me ama a ponto  de se casar comigo, mesmo sendo eu chata e cheia de coisas nas quais não concorda? 
Nervoso me respondeu: Se não quer é só dizer não!
Desculpa amor, eu gostaria muito de ser sua noiva, sim!  Respondi.
No dia seguinte ele encomendou as alianças, que em 15 dias nós colocamos em nossas mãos. Num dos dias desta mesma semana aconteceu um fato que me entristeceu muito, estávamos na sala da casa de André e seu pai reclamava sobre uma tia dele que morava na garagem de sua casa, dizia: Quando essa cara, vai sai de lá? Se já tem uma casa quase pronta é só se muda, do jeito que está as obras da casa dela, já poderia ter ido esta semana para lá, assim a nossa garagem ficaria livre.
André sorrindo disse: E o que vai fazer por lá velho? 
Vou guardar minhas ferramentas e toda essa bugigangada que sua mãe guarda. Respondeu seu pai.
André olhou para a aliança em minha mão e as gargalhadas disse ao seu pai: O senhor está muito enganado, se a tia sai de lá, não ira demorar muito para que eu vá morar lá. 
Seu Leonel fechou a cara, com grande irá perguntou: Por que? 
E seu pai ao perceber a aliança em nossas mãos disse: O que é isso? Vocês estão loucos? 
Logo chamou Dona Selma, que ao saber que usávamos alianças disse: O que significa isso? 
André disse: Estamos noivos! 
Não pode ser, pois se nem ao menos nos contaram? Perguntou  ela.
André se chateou tanto pelo comportamento de seus pais, que disse: Isso só diz respeito a mim e a ela, vocês não tem nada haver com isso!
Ai foi uma discussão só, eu permaneci calada, mas com grande tristeza por ver que eu casava grande atrito entre eles. Quando param eu disse: Não se preocupem são somente alianças de noivado, não significa que vamos casar logo. 
Sua mãe me pediu desculpa e dizendo, que só achava deveríamos ter feito uma reunião de família para anunciar nosso noivado.     
No entanto um mês depois, repetimos a mesma irresponsabilidade de antes, onde senti os reais sintomas de quem está grávida, por medo não contei a mais ninguém se não ao André que comprou um teste de farmácia, para grande surpresa nossa, deu positivo e o susto me foi grande, mas eu tinha a esperança de que aquele teste tivesse falhado. Decidi ir a um ginecologista que me passou uma serie de exames. Quinze dias depois, no retorno da consulta, eu mal me sentei na cadeira de frente ao médico que via os resultados daqueles exames, ele disse sem nenhuma pausa: Deu positivo! 
Antes que ele falasse mais alguma coisa, perguntei: Estou grávida? Ele: Sim, agora precisa se preparar para o pré-natal. 
Não sei definir muito bem o que senti mas aquele medo passou a significar nada diante da alegria de poder ser mãe, eu estava só, André trabalhava, minha mãe não sabia o que se passava comigo naquele exato momento. Somente me preocupei com sua reação, pois não queria  desapontá-la a tal ponto que fizesse ela desabar em lágrimas, entretanto já era tarde. O que ela tanto temia havia acontecido.
Esse me foi um momento de reflexão: Como será que André reagiria diante desse importante fato em nossas vidas? E minha mãe, meu Deus? Não quero machucá-la mais do que sua própria vida já havia se encarregado de fazer. Meu coração batia de alegria e ao mesmo tempo em minha mente vinha a barra na qual eu pensava que enfrentaria sozinha. 



No termino da consulta, peguei um ônibus para o local de onde trabalhava André. Aguardei sua saída para o almoço, ao vê-lo fiquei sem ação, não sabia o que dizer, em suas perguntas, me surgiu uma péssima sensação de que ele não aceitaria minha gravides e para mim estava fora de cogitação conta-lo devia interceptar, o que eu já amava? Meu filho, não! Então disse: Esquece, não foi nada!
E ele me olhou tão seriamente persistindo: O que? Deu negativo então?
A aflição de minha consciência era tão grande que despejei tudo de uma só vez:  Estou grávida!
Ele abriu um sorriso como quem já sabia antes que eu o contasse o resultado, disse: Serio! 
Ao ouvir está palavra de sua boca me veio a mente mil e um pensamentos, a ideia que ficaria comigo pela gravides ou talvez não ficaria comigo e só assumiria o bebê...
Então me precipitei em dizê-lo: Olha a responsabilidade é minha, se não aceitar minha gravidez e não querer estar comigo, eu te entenderei. 
Com ar de indignação André falou: Por que me diz isso?
Respondi: Eu te amo André, mas não quero que fique comigo somente porque estou gravida! 
Disse ele, rapidamente: Não diga isso! Raquey eu te amo e outra a responsabilidade é nossa estamos juntos e já estávamos noivos, eu tinha em meus planos de que casaríamos daqui uns dois anos, agora o que mudou foi somente a data de nosso casamento. E ai ? Quer casar comigo? 
Com um largo sorriso o respondi: Claro que sim amor!


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Com um forte abraço ele me ergueu dizendo: Estou pegando as duas pessoas mais importantes para mim. Ambos sorrimos um para o outro! Ali pude ver que nosso sentimento ia além de conveniências, nada, nem ninguém mudaria isso. Realmente estamos juntos, unidos por um laço forte chamado, amor! 
Neste tempo, ficar gravida antes de casar, ainda  mais  tendo a idade que eu tinha, para muitos era o fim da picada, ainda existia muito preconceito quanto a isso, o que se tornou um grande tormento para mim. Me sentia como uma ré diante de alguns olhares condenadores de quem me julgava severamente sem causa, pois isso só se dizia respeito a mim e André,  não tenho ideia como, pois se nem barriga aparente eu tinha para desconfiarem, mas faziam comentários maldosos, nos quais sempre vinham aos  meus ouvidos muito rápido. Essa situação prejudicou não só a mim e minha gestação, como também minha mãe, a quem eu nem mesmo havia comunicado sobre minha gravidez. Ela até sabia que estávamos noivos, no entanto sua preocupação era grande e aparente, mas a minha covardia em lhe contar o fato era maior. Agora, minha sogra, dona Selma, soube da pior forma possível.


"A vida, é como desenhar sem borracha"

Na semana seguinte, ocorreu a pior de todas as discussões que já havíamos tido. Era um fim de tarde, e eu fui na casa de Carina. Sua mãe fazia café, estávamos conversávamos tranquilamente com a Elem e os namorados delas. Havia um bom tempo que não via meus amigos. Quando de repente, ouvimos André me chamar, eu sai a porta da cozinha e o chamei para entrar, ele entrou. Mas não demorou para ele dizer que fossemos embora, sem que eu notasse sua impaciência, pedi que ficássemos mais um pouco. E ele em um impetuoso movimento se levantou dizendo: Vamos!  
Me indignei diante de sua ação, continuei sentada e pedi que se acalmasse, mais meu constrangimento estava começando. Ao se sentar novamente ele ficou olhando para mim, enquanto continuamos a conversar,  do nada ele disse pra mim: E ai como vai ser hoje? Na sua casa ou na minha? 
Minha revolta foi tanta que o expulsei, nem pensei nas pessoas em minha volta ou me preocupei pelo fato de não estar em minha casa, me levantei, puxei-o pelo braço e levei-o em direção a porta, ele saiu sem dizer um palavra. Em seguida D. Josefa a mãe de Carina fechou a porta, ai veio um silêncio repentino, o que mais me envergou, todos olhavam em minha direção. E D. Josefa disse: Não está certo o que vimos, aqui Raquely. Nós te vimos crescer, temos um imenso carinho por você e sua família e vou te dizer, não deixe esse menino falar com você assim, faça ele ter o devido respeito por ti, não aceite isso!
No terminar de dizer isso, André voltou e gritando como um louco no portão: Raquely... Raquely... Não me deixa aqui, por favor, vamos conversar! Raquely!...  
Eu me levantei e fui em direção a porta, mas fui impedida de sair, D. Josefa me segurou dizendo: Não seja boba!
E Carina nervosa me falou: Você tem coragem, vai dar atenção a quem não te respeita, nem ao menos percebe o desplante dele em falar tal coisa para você na frente de todos!
Elem me levou para o quarto e fechou a porta, dizendo: Fica aqui até pelo menos as coisas se acalmarem. 
Ao escutar o desespero de André e os gritos da D. Josefa o expulsando, meu coração ficou a mil, a cegueira da preocupação me tomou, só pensava em sair de lá, não da para explicar tal sensação ruim que senti. Percebi  que a janela estava aberta, pulei, e corri em direção ao portão, ao sair encontrei André e fomos em direção de minha casa, ficamos sem palavras. Logo todos vinham em nossa direção, ai foi uma discussão generalizada. Que logo se cessou, ao entrarmos pelo portão de casa, ele me pedia desculpas, mas a minha revolta era tanta que eu nem conseguia olhar em seus olhos. E do nada ele me deu um beijou forçado, que se resultou em empurrões, de resistência minha, vi que não parava, no desespero o mordi. Ele se irritou a tal ponto de me xingar me meretriz, palavra que eu nem sabia o que significava na época            
Numa noite após isso acontecer, frente ao prédio onde morava André, conversávamos sobre as causas de nossas brigas constantes como, seus ciumes exagerados, principalmente com relação ao meu passado que de nada me condena e minhas amizades, ali discutíamos algumas decisões, que teríamos de tomar, afinal não poderíamos continuar com aquele relacionamento conturbado como o nosso. André não gostava de minhas amigas, devido a algumas vezes em que brigamos e elas terem tomado as dores por mim, assim reagiam em minha defesa. Mas o que  mais o intrigava era um fato ocorrido no inicio de nosso namoro, onde eu e minhas amigas estávamos reunidas em casa e ele chegou de forma que não percebêssemos sua presença. 



"vídeo  colhido do  youtube" 

Conto este fato por ser parte de meus conflitos passados, mas não deem relevância aos nossos atos, pois eramos todos muito novos e tínhamos muito o que aprender ainda! Eu não culpo nem julgo a ninguém, como se diz: Águas passadas não movem moinho! Hoje a paz entre todos os envolvidos neste episodio  já é estabelecida e meu convívio com eles é cheio amor e alegria, ambos reconstituirão o que jamais devia ser perdido, a amizade! Graças a Deus!" 


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Nessa ocasião elas me convidavam para irmos a algum lugar, como eu estava aguardando que ele chegasse, principalmente por estar chateada pelo modo como o tratei na ultima vez em que o vi, e sendo assim, não aceitei. Carina que tinha um gênio forte, falou algo de que ele acabou ouvindo lá de fora, o que lhe irritou imensamente. Dizia ela, "nossa Raquely, tu é muito boba mesmo, ele briga contigo por cada coisa sem sentido e você ainda o espera quietinha em sua casa, nós somos suas amigas de sempre, lembra? E ele é só um namoradinho". Ele entrou inesperadamente aos gritos e muito nervoso com todas nós. Assim se iniciou uma das principais causas de nossas brigas. 
Deste modo, varias outras brigas surgiram, como naquela conversa na qual havíamos iniciado frente a seu prédio, passou a ser uma terrível discussão, onde muitos nos ouviram, inclusive D. Selma. Dizia André, com ar de autoridade: Não quero que continue com essas suas amizades, que só nos divide, fazendo com que nosso relacionamento se torne uma turbulência, suas amigas só tendem a fazer mal ao nosso relacionamento. 
Em seguida eu o retruquei dizendo: Como pode julgá-las, se nem ao menos as conhece direito? Não vou perder amigas nas quais considero irmãs, por um simples capricho seu! 
Ainda mais nervoso com seus lábios trêmulos, gritou: Elas não passam de umas desocupadas, que não querem que ficamos juntos, o intuito delas é de você me deixar! Escolha, eu ou elas, então? 
Assim começamos a nos ofender gravemente e num tom de voz severo, gritamos um com outro, como nunca havíamos feito antes. Com isso sua mãe apareceu nas escadas do prédio, de onde ele tinha me levado forçosamente, porque eu havia decidido ir embora para minha casa e ele não queria que eu fosse embora sem que resolvêssemos, quando sua mãe nos viu naquela situação onde eu chorava e implorava que me deixasse ir, para depois voltarmos a conversar com mais calma, ela ficou extremamente irritada com André e disse: Seu ignorante, o que acontece aqui? 
Ela pegou em minha mão e pedindo que eu me acalmasse, pediu que subíssemos ao apartamento para conversar. Mas eu disse, que queria ir!  Então André deu um grito estridente: Não vai não! Ela está gravida!   




                
D. Selma tomou um tremendo baque, penso eu, pois sua feição era de quem estava surpreendida com grande decepção com seu filho, olhando diretamente para mim, Perguntou! Verdade? Eu somente abaixei minha cabeça, pois não conseguia encará-la, por tão enorme vergonha, não por minha gravides e sim pelo tão horrível rumo que a levou saber de meu estado. Segurando em minha mão, subimos as escadas até seu apartamento. Lá com os ânimos mais calmos, as coisas foram resolvidas, deste modo a família de André, tomou conhecimento sobre o que acontecera conosco. Sua mãe me perguntou: Sua mãe já sabe Raquely? Não, respondi. Ela me disse, olhando com ar de preocupação: Tem que contar logo, sua mãe tem o direito de saber!
Com isso, dias depois, numa noite antes do almoço, que haveria em minha casa, para que nossas famílias se conhecessem onde anunciaríamos que marcamos a data de nosso casamento. Estava eu na casa de André e por estar tarde sua mãe pediu que eu dormisse  lá. Ao acordar no meio da noite, André não estava, então fui a porta da cozinha que dava para o corredor de acesso as escadas, olhando pelo vitro da cozinha, vi o malandro do André lá embaixo com seus colegas, deu até para eu ouvir suas rizadas. A raiva foi tanta, me senti enganada, não pensei duas vezes em ir embora, mas ao pegar no puxador percebi que a porta estava trancada e a chave não estava por lá, neste momento me veio uma angústia na qual fazia tempo que não a sentia. Fiquei andando de um lado para o outro pesando como faria para sair dali. Meia hora depois ele chegou e ao ver que a porta se abria corri diretamente com o intuito de ir para fora, rapidamente ele me segurou, eu pedi que me soltasse, ele disse: o que foi? Por que tá saindo desse jeito?
Retruquei imediatamente: Fique com seus amigos, porque eu vou embora. 
E Ele com sorriso que me fervilhou os nervos me disse: Você não vai, e outra, eu estava lá a pouco tempo não fui longe, só fiquei conversando com eles aqui  em frente, se você pode ter suas amizades eu posso ter as minhas!
Respondi num tom de voz mais alto que devia: Nunca sai na madrugada sozinha para estar com elas e te deixei só! 
Sua mãe se levantou e disse: Vocês não tem jeito mesmo! 
Quando eu ia saindo, ele disse: Espera, vou com você. 
Eu disse: Não, fique, eu vou só. 
Assim ficamos uns quinze minutos discutido até que nos acalmamos e dona Selma, não sei se pelo nervoso que a fizemos passar, falou que não iria mais ao almoço, então nós dois pedimos a desculpas. 
Ela fez uma torta para levar, depois fomos para minha casa, onde seus pais e seu irmãozinho conheceram parte de minha família. Esse dia foi bom apesar do chato episódio daquele amanhecer.                   


quinta-feira, 5 de dezembro de 2013

O namoro!

CAPÍTULO IV 
FATOS CORRIDOS 1992



Essa é parte de minha vida onde houve várias mudanças, muitas alegrias, como esse presente de Deus que é o meu amor. Entretanto também houve  muita perda e  os nervos foram a flor da pele, o que no meu caso foi de difícil adaptação. Pois enquanto eu estava aos cuidados da minha família tudo parecia mais fácil, no entanto, fui a busca de uma independência que praticamente nem existiu. Comecei a pagar minhas despesas pessoais, passei há ajudar um pouco mais em casa. Mas a creche onde eu trabalhava estava em crise e ocorria um grande corte no quadro de funcionários, eu não havia sido incluída nesta dispensa por possuir grande apreço da diretoria. Tanto a diretora quanto a vice, fizeram várias convocações, naquela semana tumultuada pelas reuniões onde seriam comunicadas as mudanças pelas quais iriamos ter que passar. A cada convocação de funcionários para a demissão, a angustia em meu interior aumentava, e tinha a convicção de que não teria chance contra todas aquelas profissionais experientes. Ao ouvir meu nome, meu coração foi a mil. "Raquely é para você ir à diretoria".


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Ao me sentar na cadeira para ouvir o que tinham a me dizer, só pensava no que seria de mim se fosse demitida, pois eu amava meu trabalho e já havia me acostumado com as crianças. Tudo o que ouvi não condizia nada do que imaginara, pois recebi somente elogios a meu trabalho e um único conselho de que deveria ter mais confiança em mim, pois o mundo é dos fortes e se não mudasse meu conceito  ele me engoliria.  
Em um final de semana estava com Denise no portão de casa, falávamos, sobre o dia em em que conheci André, dizia ela: Se fosse eu ficaria com Diego! 
Eu a retruquei: Não tem nem comparação Denise, com que senti ao ver André com Diego, mesmo com todas aquelas investidas dele, nunca me fez sentir nem atraída. Além de lindo, André possui bons sentimentos!
Quando eu terminava de falar isso, parou uma um carro bem em de frente casa, era André com seu primo.
Minha face esquentou, devo ter ficado vermelha como sempre fico, pela minha bem dita timidez que não deixa ficar em oculto meus sentimentos, pensei: Será que nos ouviram! 
Nem conseguia olhar para eles, quanto mais ficar com André frente de casa, o receio de que alguém nos visse juntos era grande, por não ter contado sobre ele minha família. Minha atitude não o agradou nem um pouco, logo foi embora. Ao vê-lo entrar no carro, fiquei triste e preocupada se isso afetaria nosso namoro. Ao entrar em casa me recordei, daquele dia na Zoster, em que Denise apontou para um moço e dizia que queria ficar com ele, era André. Esperta ela né!

    
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No dia seguinte eu e Denise combinamos de irmos onde morava André, ela foi porque Diego morava nas proximidades da casa dele e queria falar com ele. No caminho, ela decidiu fazer um "atalho", que não nos ajudou em nada. Denise nunca me dava ouvido, ao atravessarmos uma rua, lembrei, de outro dia quando íamos ao ponto e André subira a mesma rua. Eu disse: Olha, não essa é a rua que...
Raquely, é descendo aqui, vamos. Disse ela, me impedindo de falar o que eu tinha pra dizer. 
Quando estávamos bem distante de onde moravam eles realmente, ela disse: Que droga, não é por aqui! 
Eu posso falar agora Denise. Eu a disse. 
Ela respondeu: Fala Raquely!
Então como eu te dizia e você não deu ouvidos... Lembra, daquele dia em que André nos deixou no ponto lá na rua de cima. Ele entrou naquela rua e virou a direta na terceira travessa. Falei a ela.
Ela disse: Há, que droga, por que não disse antes. 
Ao chegamos no prédio que André morava, Denise disse: Apertar interfone, o namorado é seu. 
Mas pedi que ela fizesse isso, pois era bem mais desinibida, ela deu sorriso irônico e apertou mais do devia o interfone, penso eu, pois de repente escultei um grito estridente: Quem éééé?!
Nos duas ficamos paradas olhando uma para outra, ai novamente: Quem é? Porcaria, será que não sabe que essa droga tá quebrada!
Saímos para fora, olhamos para cima e vimos duas mulheres e uma delas nos falou: Nossa, desculpa moça, o interfone só toca, está quebrado sem comunicação, não ouso nada daqui! 
Perguntei: André está? Em seguida eu o vi com aquele sorriso encantador. E a mulher que havia me atendido, era minha futura sogra pediu que subíssemos, mas André preferiu descer. Então fomos a casa de Diego, ficamos ouvindo musica quase tarde, André decidiu ir a sua casa buscar um disco vinil. (é como o CD de hoje, só com uma enorme diferença de tamanho, o disco vinil é enorme em relação ao CD).  Eu me levantei na intenção de ir junto, Denise disse: Deixa eu ir junto Dé, eu quero conhecer sua mãe! 
Isso me chateou, e  me irritei tal ponto de ficar emburrada com à atitude de André que me disse: Já volto! 
E com um sorriso sínico teve coragem de falar a seu amigo: Cuidado em cara, é minha! Ali senti que não podia confiar em Denise. 
Ao retornarem com o disco, passou-se algum tempo e dessemos. Ficamos por algum tempo conversando em frente ao prédio de Diego, até que apareceu um homem falando alto com André, em meio alguns palavrões: "Cadê o troco do pão..." . 
Ele notando que todos riam daquela situação, se acamou e passou a rir junto e falou que não era mais para André ficar com seu dinheiro. Foi assim que conheci meu futuro sogro.    
Dias se passaram, já era noite estava eu tomando banho, escuto alguém chamar, percebi que Danilo atendera. Escutei umas batidas a porta do banheiro era Danilo: Raquely! Vai logo tem um amigo seu na sala te esperando. 
Gelei, pensei: Meu Deus, será, não pode ser, ele não faria isso sem me avisar! 
E outra o banheiro era num corredor que dava para sala, teria de passar por lá para ir ao quarto. Fique sem ação, me enrolei na toalha e ao sair nem olhei em sua direção, passei correndo para o quarto e bati a porta. Coloquei a primeira roupa que encontrei, mal me arrumei, ao ir a sala vi  que os dois  entrosaram bem e falavam de algo no qual os dois gostam muito, musica, bandas...
Nem o cumprimentei e disse: Vamos! 
Ele se levantou, já estava eu abrindo a porta quando olhei Danilo soltando um largo sorriso sarcástico, sai o mais rápido que podia.  Chegando no portão, André meio que chateado falou: Por que essa pressa toda!
Pedi desculpas a ele e o beijando disse: Você sabe não estou preparada para enfrenta los ainda. Tenho muita vergonha, todos vão caçoar de mim! André não gostou nem um pouco, ficou sem entender o quão eu era infantil neste termo, pois ele era meu primeiro namorado!
Numa manhã, em que chegávamos do Front, o dia nem havia clareado e eu tinha que ir trabalhar. André disse que voltaria, pois tinha o convidado para ir a feira beneficente que teria na creche. O sono me foi um grande e vilão naquele momento, afinal não havia dormido e não tinha tempo nem para um cochilo, no entanto decidi descansar um pouco, doce ilusão, dormi mais do que devia e perdi a hora de ir ao trabalho. No acordar, vi  as hora e dei um pulo da cama de susto. Pensei: Melhor não ir. 
Sabia que o sermão da diretora seria grande, preferi ouvi-lo depois. Mas não tive noção da burrada que fizera. No outro dia fui trabalhar normalmente, ao bater meu cartão de ponto, me disseram que era para comparecer à diretoria, tremi de preocupação, sabia que tivera feito algo completamente fora das normas da empresa. Embora a diretora tivesse sido rígida, sua paciência era nítida, ela me comunicou de que iria dar-me uma carta de advertência. Sai de la completamente transtornada, não tinha nem ideia  do quanto isso me afetaria profissionalmente. Estava com as crianças no pátio, como era de costume naquele horário e duas colegas de trabalho imprudentemente me deram mau conselho, disseram que era melhor me demitir, pois se assinasse a carta de advertência, ao sair de lá não teria mais chance de um novo emprego. 
Na mesma hora, deixei as crianças aos cuidados delas e fui pedir que me demitissem. A diretora extremamente zangada disse: Não farei isso não! Por que quer sair daqui, pela Carta que vai assinar? 
Respondi: Sim, sei que se assinar dificilmente conseguirei outro emprego, então peço demissão. 
Ela me olhava com toda sua reprovação a minha atitude e me disse: Não farei isso e outra, é só uma carta de advertência, filha, isso não irá te prejudicar profissionalmente, quem disse isso a você? 
Não contei, pelo simples fato de não querer prejudicar minhas colegas, nas quais eu pensava que tinham apenas a intenção de me ajudar.
Como a diretora não aceitou seu pedido, procurei o escritório central do estabelecimento e pedi a demissão. Fiquei muito triste por esse fato. A partir daí, eu e André passamos a procurar emprego e  a nos vermos com mais frequência. 
Houve um sábado em que André e Denise apareceram de surpresa em minha casa. Não me incomodei, pois eu já estava me habituando com a presença dele e ele estar em minha casa, já não eram mais estranho. Até então, minha mãe não sabia de nosso namoro. Ficamos algum tempo na sala assistindo TV, enquanto minha mãe estava na cozinha. Nem dei muita atenção a ele, por receio de minha mãe desconfiar de nosso namoro. Até que levantamos para sair, mas Denise se antecipou e foi a cozinha dizendo que iria beber um copo de água. Ao chegarmos no portão, André pegou na minha mão e escutei alguns gritos de Denise: "Corre dona Sandra, eles estão de mãos dadas, corre!" 
Tentei me safar de suas mãos, mas ele me segurou firme, meu rosto deve ter ficado vermelho como um pimentão e minha mãe entrou as gargalhadas voltando para casa. Assim minha mãe ficou sabendo de nosso namoro e André passou a ir em casa com mais frequência.
Neste mesmo dia, ao anoitecer, estávamos no portão de casa e André me questionava se eu já havia namorado, eu disse que não. André insistiu que, segundo Denise, eu tivera gostado de alguém e assim começou nossa primeira briga por ciúme de André que dizia: Foi apenas esse cara que você gostou? Ou teve outros? Com quantos já ficou? Qual é o nome desse cara? Entre outras perguntas. 
Eu falei algumas coisas que o aborreceu, mas já mais tive a intenção de deixa-lo com mais ciúme ou amargura-lo. 
Indo ele embora, no entrar em casa, minha mãe olhava pra mim aos risos e dizia: Esse moço é  mais novo que você.
Respondi: Ele tem 19 anos, é mais velho que eu. 
Ela não acreditou. Passando-se cerca de um mês, estávamos no portão de casa, de onde surgiu aquela primeira discussão e nossa conversa se direcionou ao mesmo assunto gerador de ciúmes por parte de André que disse: Você ainda não me contou tudo sobre suas paixões passadas, pois sei de coisas que Denise me contou. Para piorar a situação, o cara com tive um pequeno envolvimento tolo, passava pela rua naquele exato momento e numa idiotice minha falei: Olha ele ali! 
André ficou furioso comigo e falou várias ofensas, foi onde descobri que ele era muito possessivo, mas ao mesmo tempo, em meio a agressividade de suas palavras, senti que ele gostava de mim de verdade. Assim me senti mais segura com meus sentimentos em relação a ele, nos quais deixara em oculto já fazia bom tempo que sentira algo que de tão puro e intenso não sabia explicar pois nunca tivera sentido aquilo. Desta forma percebi que poderia entender o que acontecia comigo e expressar o que eu sentia por ele, sem medo de perdê-lo. Pois antes disto, eu tinha a concepção de que não era viável demonstrar meus sentimentos a ele enquanto não tivesse certeza de que seus sentimentos condiziam com o meu. Até aquele determinado momento, onde me tranquilizei e pensei em revelar meu amor por ele.       


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Numa madrugada em que saíamos mais cedo do Front, André disse: Vamos a minha casa até que os ônibus voltarem a rodar. Pensei, melhor não e disse: Mau conheço sua família, não quero os incomodar, olha a hora? 
No entando com sua insistência dizia: Não irá incomodar e outra, pior se formos a pé à sua casa que é longe, pois minha mãe irá preferir que você vá lá, do que irmos agora para sua casa essa hora a pé.
Ao entrarmos notei que todos dormiam, eu disse: André vamos esperar na praça!
Deixa de bobagem, esta frio, aqui vamos ficar melhor. Respondeu ele. 
E pegando em minha mão me levou a sala perguntando: Esta com fome? Tem bolacha, pão, o que quer? 
Não, obrigada! Respondi, mas ele com todo carinho fez chá e nos alimentamos. Ele comentava sobre as bandas de rock que gostava e colocou um disco onde tocava uma música, My White Devil,  de Echo & the Bunnymen.


   

É da hora, esculta, você vai gostar. Disse ele.
Quando ouvi disse: Linda mesmo!
Ele me beijou e eu disse: Seus pais podem não gostar de estarmos aqui, ainda mais ouvindo música essa hora.
Que nada, os velhos dormem que nem pedra. 
Nos beijarmos, ele me abraçou de uma forma que podia sentir seu coração acelerar e o meu coração disparou, pensei: Acho que estou amando!



E ao mesmo tempo tive uma sensação, inexplicada de não resistir a tal emoção. Percebi que por mais que fosse bom o que sentia não era o momento, nem o local apropriado. Respirei fundo e disse: Acho que melhor pararmos.
E ele paciente como sempre falou, só vamos até onde você querer. Assim descobri que, não conseguia ficar muito tempo sem vê-lo, e todas as vezes que o via lembrava desse momento.





Com o passar das horas, André falou coisas onde acabamos nos excedendo ao falarmos e rirmos um pouco mais alto do que devia. Então falei sussurrando: Psiu... nossa, vamos embora vai! Ele: Não, deixa eu te mostrar só mais essa música... 
Neste mesmo instante a porta do quarto se abriu, e sua mãe disse: Nossa, ta cedo para tanta falação, vocês não acham? 
Eu fiquei sem palavras, logo André respondeu, com olhar de insatisfação a ela: Calma agente já ta indo embora! 
Retrucou ela: Agora podem ficar ai. 
André com um grito repentino disse: Que droga, você não tem educação? 
E entrando no banheiro ele bateu a porta com tudo, dizendo: Depois reclama que não fico em casa. 
Isso me deixou extremamente  envergonhada, nessa hora eu o esperava lá fora, quando escuto alguns soluços de choro, voltei rapidamente para dentro e vi sua mãe em lágrimas e disse: Meu Deus André, ela tem razão. A senhora me desculpa, eu já vou indo. Ela nem olhou para mim e André saiu gritando: Ta vendo o que você faz?
Nisso já eu descia as escadas, quando ele veio e pegou no meu braço e disse: calma, espera, desculpa, essa velh... 
Eu não o deixei que a insultasse novamente, o cortei dizendo: Respeite sua mãe! Nós é que fomos mal educados de estarmos a essa hora incomodando o sono deles! 
Como o céu já clareava, fomos a pé à minha casa, no caminho discutimos sobre o  ocorrido, tentei fazer que com ele a intendesse sua mãe, mas ele persistia no seu erro, aqui conheci seu lado renitente em ter razão.
No final de semana posterior, fui convidada para almoçar na casa de André. Quando íamos para sua sua casa, no caminho, nós deparamos com uma senhora, que se debulhando em lágrimas, parecia estar em grande desespero, dizendo: Meu Deus, eu não aguento mais... eu to com fome! 
E se recostando no muro em frente a casa onde passávamos, ela pôs as mãos sobre sua face. Aquilo me chocou de tal forma que quis bater na porta de uma daquelas casas a pedir ajuda a ela, pois não tínhamos nada para dar naquele instante, nem mesmo uma moeda para aliviar seu sofrimento, mas André, apesar de apiedar-se com a pobre mulher, me puxando disse: Não podemos fazer nada e outra, é claro que ela já pediu algo por aqui, logo alguém irá ajudá-la. Meu coração doeu em deixá-la sem nem mesmo tentar fazer algo!
A única coisa que  fiz foi dizer, Meu Deus! Isso me doe na alma até hoje, por isso quis aqui expressar meus sentimentos de pesar e remorso por não ter feito nada para aliviar tão grande sofrimento, naquela mulher, vi ali, minha mãe, meus irmãos e a mim mesma.   

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Ao chegarmos em sua casa, fui muito bem recebida por todos e neste dia conheci meu cunhadinho que de tão simpático me fez sentir-me em casa. No entanto, meu namorado, tristemente esboçou-se de igual forma renitente, como no fato ocorrido anteriormente em que tive na sua casa.(Peço que por favor, não me interprete mal, muito menos a André, pois todos nós possuímos ações inesperadas quando queremos algo, principalmente ao se tratar de agradar a quem amamosAo ver o que tivera feito sua mãe para almoçarmos, ele deu gritos de indignação, esse me foi um ato, mais inoportuno ainda, principalmente naquele momento. Afinal, este não era um almoço comum, pois eu fui conhecer sua família, o que para mim devia ser um momento de alegria e era uma honra estar ali, ainda mais pelo convite ter vindo de seus pais. 
Mas tentei minimizar o estrago de que causara André, agradecendo pelo convite e elogiando D. Selma, que tivera feito tudo com  muito carinho, que era merecedora de tais elogios.