terça-feira, 18 de março de 2014

Grávida novamente! A vida, suas diversidades, suas memorias, seu convívio e os deveres com os outros!

CAPITULO VII

FATOS CORRIDOS  1995-1997



No decorrer do tempo, as coisas  começaram a se complicar para mim, no  precisar sair só com Sabrina já sentia as dificuldades de estar grávida e com um bebê nos braços. As vezes minha sogra me acompanhava quando íamos medico,  entretanto numa manhã em que ela não pode  ir conosco, aconteceu algo que eu não esperava. Na ida não ouve problema algum, mas ao voltar, eu caminhava a passos largos, pois tinha pressa de chegar a tempo de fazer o almoço e contar as novidades do bebê. Passava em uma rua onde tinha feira, no horário em que não haviam mais barracas em compensação, muito lixo pelo chão onde o pessoal da prefeitura limpava.
Ao passar sem perceber, por cima de uma grade do boeiro, minha sandália enroscou, no notar que cairia segurei forte minha filha  até o quanto pudi e vi que iria bater minha barriga se não a soutasse, então estiquei o braço direito que a segurava apoiando-a sobre meu pescoço e cabeça, com o braço esquerdo protegi minha barriga batendo meu cotovelo no chão. Assim protegi meu bebê e minha filhinha Sabrina que não teve nenhum arranhão, graças a Deus. Tudo isso aconteceu com varias pessoas nós assistindo e nenhuma delas chegou a perguntar se eu queria sua ajuda, muito triste mesmo! 


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Me levantei calmamente, pegando Sabrina que estava bem, mas um pouco assustada, no entanto eu estava com  mão, braços e joelhos todos esfolados pelo tombo desastroso.  


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Então ao me certificar disto, fui em direção a casa da tia Rafaela que ficava próximo dali, ela me ajudou com todo seu carinho e preocupação pelo ocorrido. Passando algumas horas, André me levou ao medico, que não constatou nenhum risco para mim ou para o bebê. 
Algum tempo depois, as coisas estavam se engrenando, André com um emprego melhor, passamos ter uma vida mais regrada e não nos faltava nada, até surgir a tentação do cartão de credito, que viria futuramente nos prejudicar. 
Com isso, começamos a conversar na  possibilidade de André fazer um curso superior, por haver o importante benefício no qual a firma em que trabalhava fornecia 50% de bolsa para se fazer faculdade, era uma oportunidade que ele não poderia perder. Dias depois, André passou a se preocupar em terminar o ensino médio, como ele se aplicou intensamente para isso e lhe faltava só o ultimo ano, rapidamente obteve seu diploma em um provão dado pelo estado, logo se preocupou em fazer vestibular, assim surgiram as duvidas de qual curso faria. Em um dia estava ele consultando alguns manuais sobre os cursos de varias faculdades, e me perguntou: Raquely, se fosse você qual curso teria vontade de fazer? 
Bom, respondi: Eu sempre tive um grande sonho em ser professora! Mais quanto a você André, qual curso pensa em fazer? 
Ele respondeu: Biologia, geografia, administração, talvez história o que acha? Com o curso de administração posso obter um bom cargo  na firma, mas sinceramente não sei se quero, isso para mim.
Então André! Eu falei e o aconselhando disse: Percebo que não gosta do seu trabalho, por isso te digo que deve escolher a área na qual mais te atrair, pois trabalhar a vida todo numa coisa que não te realize como pessoa e profissional, deve ser terrivelmente desgastante. 
É você tem razão, como eu gosto de química e biologia, penso que seria bom tentar um desses cursos, afinal além de gostar deles, posso atuar na área da educação, o que seria muito bom para nossa renda mensal, e outra ao conseguir o cargo publico, nunca mais terei a preocupação em ser demitido. Respondeu ele.
Assim que ele iniciou o curso, passamos por algumas dificuldades, mas nada que não desse pra resolver, também obtemos ajuda de meus sogros e grande apoio de toda nossa família.
Nessa mesmo tempo ocorreu um fato muito ruim, foi num fim de tarde em eu havia feito limpeza minha casa, minha sogra passava frente de casa, eu a chamei, para ver algo que não me recordo agora, mas lembro que ela ao me ver disse: Nossa filha, tua aparência é de cansada, porque não vai dormir um pouco? Eu fico com Sabrina, sente alguma dor? 
Respondi: Não, é só cansaço mesmo, mas acho que vou aceitar sua ajuda, preciso muito descansar.
Com isso Selma levou Sabrina para sua casa e eu fui me deitar. Momentos mais tarde, senti uma leve dor em minhas costas que não passava, pensei ser melhor ir ao medico. Então  fui a casa de Selma, avisá-la de que não me sentira bem, que iria ao medico. Encontrei Viviana nas escadas, que me vendo disse: Não suba, eu mesma a aviso, espere ai. 
Minutos depois minha sogra veio e decidiu ir comigo ao hospital. Ao chegarmos lá pensávamos ser uma pequena indisposição, terrível engano, ao passar pela consulta e no ser examinada, devido aos sintomas que sentia e a imensa dor após uma pequena batidinha que a medica me deu nas costas, para certificar se de que poderia ser os rins.  Na mesma hora fui levada para o quarto de onde ficaria pelo menos quatro dias internada, pois com a cólica renal, correria grande risco de perder meu bebê se não ficasse de observação tomando as medicações que a medica me indicara.
Foi muito ruim ficar lá sem nem ao menos, poder dar um beijo em minha filha, falar com meu marido ou dizer até logo para Selma. 
Foram longos e tristes dias para mim, mesmo com as visitas que mal conseguia acompanhar pois ficava dopada pela medicação que tomava, o que me deixava ainda mais com saudade, de meu marido e filha, que não a vi, por não ser permitida a entrada de crianças.
No meu quarto haviam duas mulheres internadas, uma tinha perdido seu bebê e a outra estava de observação. No segundo dia em que estive lá, chegou mais uma moça, que em poucas horas começou a ter uma hemorragia muito grande, ela estava no seu oitavo mês de gestação, quando a levaram para a sala de parto, fiquei sabendo que se tratava de um aborto, foi horrível ver a tudo aquilo. Principalmente quando me disseram que a pobre mulher, foi lá para passar por simples uma consulta, por não sentir seu bebê mexer e constatou que o bebê estava morto.
Ai me recordei do primeiro dia em senti meu bebê mexer, estávamos eu e Sabrina, eu lhe dizia, olha filha sua irmãzinha está se mexendo! E fiquei tão  comovida com aquela mulher que perdera seu filho daquela terrível maneira, me impressionou a tal forma que passei a ficar quase que todo momento pondo as mãos em minha barriga,  pensava senhor Deus proteja meu bebê!      
Lembro que quando cheguei em minha casa, minha felicidade foi tanta que se multiplicou ao ver minha mãe que ficaria comigo alguns dias. E ao ver minha filha dei lhe um grande e entusiasmado abraço,  foi muito estranho, sentia  como se não a visse a meses.
Em um outro dia, eu estava só e assistia TV, lembrei daquela mãe que vi perder seu filho, e orei: Senhor meu Deus, permita que minha filha nasça saudável, não me importo se é menino ou menina, eu já o amo muito, meu pai! Então chorei muito e disse, desculpa, meu bebezinho por todas as vezes em que disse que queria um menino, pois para mim o que importa é que  você nasça com saúde e  que tenha uma vida plena de felicidade.  
  


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O nascimento de Alice!


Numa madrugada de segunda para terça-feira,  me levantei para ir ao banheiro e quando voltava para a cama senti uma forte dor, pensei, vou esperar um pouco, se não passar eu o chamo, no entanto após uma pausa sem dor as contrações se intensificaram então o acordei: André... André! Estou sentido contrações, nosso filho vai nascer!!!
Ele disse: Tem certeza, não é melhor esperar, talvez seja alarme falso!  
Respondi: Nãooo! Está piorando, e não está sendo igual, quando fui ter Sabrina as contrações eram fracas, agora está doendo muito, como na ultima hora em que a tive! André se levantou e foi para cozinha, dizendo: Vamos! Levante, cade a bolsa  do bebê?
Respondi: Calmaaaa!... Não é pra tantooo, espere mais um pouco. Não vou ficar como da outra vez, horas sentindo essa dor só, em uma cama de hospital!!!
Respondeu ele: Há, então por que me chamou? Deixasse eu dormir mais um pouco.  
Nervosa com sua atitude, disse: Que droga! Dá para me dar um pouco de atenção, estouuu... Precisandooo... do... seu, apoiooo.
Você não está bem Raquely, melhor irmos já! Respondeu André. 
Não vou agora espera está passado André! Eu respondi.
André disse, que iria contar os minutos entre cada pausa, ao fazer isso, nem me falou nada, rapidamente tomou o café que havia feito naquele momento, e disse: Chamei minha mãe, nós vamos agora, chega disso de esperar, suas contrações estão de dez em dez minutos. 
Ao André pegar em minhas mãos para me ajudar a levantar respondi: Nãooo... Vou ficar lááá, passando o que passei como quando tive Sa... Sabrinaaa...  Fiquei com essa mesma dor horaaas! Com aquela gente estupida!
Selma que acabara de chegar me escutando da cozinha disse, pare com isso filha, você tem que ir já  nenhum parto é igual a o outro, se não for agora as coisas podem se complicar! 
Olhando para André Ela disse: Pablo está vindo pra levá-la com o carro dele.
E André, não sei se foi na  intenção de fazer-nós rir, falou com um largo sorriso: Ebah!  Não vou trabalhar hoje!
Mais nem mesmo sua mãe riu, disse Selma: Para com isso filho! Não é hora para brincadeira.
Mas logo ela viu que ele não parava de rir e sorria com tanta alegria que acabou soltando sorriso tímido.


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Entrando no hospital, que desta vez era do convênio fornecido pela firma que André trabalhava, notei que o atendimento fora muito melhor que no público, havia mais respeito, compreensão e de uma atenção que não houve onde tive Sabrina. Mesmo com a aspereza da médica que me recepcionou, pois ao atender-me, indo em direção à porta, disse: Por que demorou para vir! Não deveria ter feito isso, mais um pouco teria seu bebê em casa. 
Assim ela me deixou só na sala dela e ao voltar me perguntou: O que faz aqui ainda?  
Virando-se a porta mais uma vez, chamou as enfermeiras que me levaram para sala de parto onde fui atendida por outros médicos, foi tudo muito rápido. Bastou me colocarem na mesa de parto que em menos de dez minutos Alice nasceu, com três quilos e quatrocentos gramas e cinquenta e um centímetros.
Após ouvir seu choro não demorou muito para a colocarem nos meus braços dizendo, é uma linda menina mãe, já sabia?
Respondi com grande emoção: Não!
Ela era bem cabeludinha, linda e muito parecida com o papai, falo isso, pois eu tinha uma foto de André bebezinho e ela era indentica a ele.



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Horas se passaram, tive um ótimo almoço, bem diferente da sopa rala que me ofereceram no hospital onde Sabrina nasceu, meia hora depois trouxeram  Alice, que com muita alegria pude ficar com ela até ao entardecer e chegar a visita, assim tia Viviana e vovó Selma que tiveram a mesma oportunidade de vê-la. Elas ficaram Alguns minutos em seguida veio André, que se encantou ao ver nossa filha Alice.


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Na manhã seguinte, após o café, veio a enfermeira que com todo carinho, me entregava meu bebê. Horas mais tarde um fotografo que passou nos quartos ofereceu seus serviços,  assim dando me a oportunidade de ter uma foto de Alice aos seu segundo dia de vida. Alguns instantes depois, estando só com minha filha, sussurrando ao seu ouvidinho lhe dizia: Sabe Alice você tem uma irmãzinha linda, que está esperando em casa, ouviu minha bonequinha linda! Pensei: Que saudade!



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Pela  manhã no quarto dia em que estive, a médica me deu alta, ao chegar em casa, Selma, minha mãe e as tias de André nos aguardavam e nossa recepção foi de uma alegria sem tanho. Quando vi Sabrina, dando-lhe um abraço forte disse: Oi meu amor, a mãe estava com uma saudade, ela deu um lindo sorriso. E quando lhe mostrei sua irmãzinha, ela sem entender muito ainda a situação, devia pensar ser um brinquedinho para ela, pois segundos em que deixei  Alice na cama e fui a cozinha, escutei seu choro, era Sabrina que a puxava pelos pezinhos. Então foi com muito carinho que calmamente a explique, que não devia pegar sua irmã no colo,  vi no seu olhar assustado que se surpreendera com choro do nenê e percebi que Sabrina havia entendido.   
Horas mais tarde, estávamos eu e minha mãe assistido TV, e chegou mais algumas visitas para ver o bebê e em seguida Selma e Tia Viviana, vinham entrando em casa todas entusiasmadas com a chegada de Alice, e vi Sabrina, que fazia biquinho e cruzava os bracinhos, para mim era  muito lindo, mais ao mesmo tempo me doeu o coração de ver sua chateação. Então chamei a atenção de todos para Sabrina e foi uma risada só ao verem ela daquele jeito, todos queria abraçá-la, no entanto seu maior ciúme era da vovó Selma, que ao pegar o nenê chamou Sabrina e assim à abraçou. Confesso que na época tinha um pouco de ciúmes do amor pegajoso de Sabrina por minha sogra. 



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Alguns meses depois, Alice estava muito precoce aos seus três meses sorria e olhava para tudo com uma esperteza, era como se já querê-se falar, "eu quero", seus dentinhos estavam começando a nascer. Foi onde os atritos com minha sogra, começaram a piorar!   


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só que com algumas alterações"

Sabrina gostava de ficar com de sua irmãzinha, quase sempre estava por perto, pegava seus brinquedinhos e os colocava no carrinho de Alice, numa dessas vezes Alice mordeu Sabrina, machucando seu o dedinho, isso se repetiu por mais algumas vezes.
Quando Alice chegava ao seu quinto mês, ocorreu um fato que me chateou muito, estávamos com visita em casa, um amigo do serviço de André, tomávamos café, Alice dormia, e Sabrina estava na casa de minha sogra. Quando menos esperamos minha sogra, D. Selma, abre a porta de minha casa, nem chegou a entrar e despejou toda sua indignação, pelo machucado que causara a mordida de Alice em Sabrina:Vocês já virão como está a mão de Sabrina? Não se deram conta das mordidas! Não? O que vão fazer quanto a isso? 
André inconformado com a atitude de sua mãe, falou num tom de ironia: O quer que façamos? Por que fala assim? As duas são suas netas!
Então Selma muito nervosa num súbito gesto, levou sua mão varias vezes em direção a sua boca dizendo: Vocês tem que ensiná-la a não morder mais, da uns tapas assim oooh!  E... 
André, a cortou, furioso com essa atitude descabida de D. Selma, gritou: E você, da pra ter mais paciência e ter mais educação na casa dos outros? Se não sabe, sua neta é um bebê ainda, ho! 
E eu também me irritei muito com tudo aquilo, e concordando com André, disse: Isso mesmo!  
Quanto mais André falava mais sua mãe o retrucava, ele foi um pouco mais longe do que devia e a expulsou. Na hora do nervoso eu nem me dei conta do exagero dele, mas depois mais calma pensei, por mais que sua mãe estivesse equivocada ao nos dar aquele mau concelho, onde seus ânimos estavam alterados, não deveríamos ter a trato daquela forma, além de uma vó zelosa, ela é muito amorosa com seus filhos e  não mede esforços para nós ajudar. Não foi correto, teríamos de termos mais complacência com ela, claro que jamais iria bater na boca de Alice, pois aplicar esse método arcaico não funcionaria, principalmente, com um bebê de apenas cinco meses. D. Selma estava certa e de certa forma, deveríamos ter mais cuidado, quanto a isso.  
Algum tempo depois, as filhas de carolina passaram a brincar com Sabrina, elas quase sempre estavam em casa, o que foi muito bom pois elas distraiam Sabrina, assim acabavam me ajudado e muito. Carolina muitas vezes aparecia com aquele sorriso amigável e convidativo para uma conversa, eu passei a ter tanta confiança nela que a tinha como uma irmã, passei a me desabar e a lhe pedir conselhos pois sabia que nela encontraria  mais discernimento para lidar a vida. Pois ela sempre se mostrou uma pessoa calma, complacente, não julgava a ninguém, na maioria das vezes me dava uma sensação de paz, pois temos fé num mesmo Deus, e é onde senti que podia contar com ela. 
Numa dessas visitas tomei um susto, as meninas, filhas de Carolina brincavam no quarto com Sabrina e uma delas sem me pedir pegou Alice no colo a trazendo para cozinha, vendo isso corri e a tirei dos seus braços, dizendo: Não querida, você é muito pequena para pegá-la! 
Carolina disse: Não se preocupe, ela gosta tanto de bebês, que vive pegando a filha de minha vizinha no colo, já está tão acostumada, que nem me preocupo mais com isso! 
Dando uma pausa no que falava, com um sorriso completou, dizendo: As vezes até a mãe do bebê a chama pedindo sua ajuda.
Com isso, Sandra sua filha mais velha, frequentemente ia em minha casa querendo brincar com Sabrina e Alice, ela passou a me ajudar, mesmo que não notasse o bem nos fazia sua companhia e por mais que fosse uma menina de apenas dez anos, ela era de uma responsabilidade admirável e merecida de grande reconhecimento por tanto cuidado que tinha com Alice.

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Cristina voltou a nos visitar, ela se apegou tanto com Alice que toda vez que podia dava uma passadinha em casa só para vê-la. Percebi que seu carinho por minha filha era de um amor puro que faria bem para ambas. 
Meses se passaram, Alice fazia seu primeiro aninho de vida.


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Neste dia, quando as ouvi gargalhadas da Alice, porque Sabrina lhe fazia coceguinhas em sua barriguinha, pensei:
Meu Deus, que lindo, obrigada meu pai,  por eu poder ver minhas filhas saudáveis, brincalhonas e felizes.

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Comecei a trabalhar com vendas de Yakult de porta em porta, o que foi muito desgastante pra mim, devido aos vários calotes e a humilhação em que fui submetida. Pois neste serviço se o cliente não paga, a conta fica com o revendedor que é intitulado autônomo, entretanto é manipulado a cumprir uma meta, onde as notas fiscais dos produtos fornecidos a ele são emitidas em seu nome sendo assim, as notas são lançadas semanalmente sem seu devido pedido ou consentimento e com valores muito superiores a equivalência do numero de vendas do seu setor. Assim o "revendedor autônomo" é praticamente obrigando a cumprir a tal meta. 
Não generalizando, mas na hora da venda era até que fácil, por se tratar de uma marca conhecida. No entanto ao cobrar, recebia muita porta na cara, hostilidade ou simplesmente o cliente sumia e ao tentar procurá-los era um suplicio, quase sempre não morava mais no local da venda ou não trabalhava mais no local em que havia efeituado a venda. Isso se repetia quase que todos os meses, porque eu trabalhava no centro da cidade e o forte da venda era nos comércios. Além dessas dificuldades e da pressão exercida pela supervisão do departamento da empresa, eu tinha minhas filhas e devia de pagar a alguém para ficar com elas e o lucro que conseguia com as vendas dos produtos não valia o sacrifício, então não demorou muito e eu parei de trabalhar, assim novamente fiquei desempregada.


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Num fim de tarde, estava eu terminando de limpar a cozinha e me preocupava com outros afazeres de casa que eram muitos pois naquela ultima semana em que trabalhei, acumulei muito o serviço em casa e estava atribulada, com Sabrina e Alice o serviço era dobrado. Sabrina havia pego o mau costume de andar descalça, coisa que eu não gostava, ainda mais por ela querer brincar frente a porta de minha casa que dava direto a rua do prédio onde muita gente passava por ali, o que me era preocupante. Ao começar a guardar alguns sapatos, Sabrina insistiu em por uma sandália que nem lhe servia, na qual ganhara da tia a pouco tempo, como era complicado fazer com que não andasse descalça, eu a deixei que usasse. Alguns minutos depois ela começou a reclamar que a sandália soltava de seus pés, peguei o seu chinelinho e coloquei em seus pés, então ela começou a fazer birra e eu fiquei nervosa com a situação, peguei a sandália novamente e colocando nos seus pés lhe dizia: Não tira, você quer ficar com esse trambolho grande fica, mas não ande descalça!            
Nisto a vovó Selma, vinha na esquina e viu tudo. Nervosa com minha atitude não deu outra, discutimos mais uma vez, até tentei me explicar, mas ela não quis conversa e disse: Sua estupida, porque faz isso com a menina, coloca esse sandalhão que nem serve nela coitada! Se ela não quer por o chinelo é melhor que fique descalça.
Neste momento não sei como, mas mantive a calma e permaneci em silêncio e deixe que ela levasse Sabrina para sua casa, pois seria melhor do que me preocupar com minha filha que ficava em frente da porta de casa, eu achava perigoso e isso fazia que eu parasse meu serviço para vê-la.
Também estava acontecendo algo que me entristecia muito, André quase diariamente mal chegava do trabalho e ia a casa de seus pais me deixando sozinha com Alice, pois nas muitas vezes em que Sabrina não estava na vó, estando em casa também ia junto com o pai e demoravam muito para voltar, chegavam tarde da noite. Mesmo que ele me convidasse para que fosse com eles, eu não achava certo, eu tinha em minha concepção de que ao casarmos, a família seria eu ele e nossos filhos, por tanto queria minha privacidade e isso só conseguiria no conforto de meu lar e é evidente que queria meus filhos e marido comigo. Por mais que eu tivesse me bebê comigo, sentia falta de conversar com meu marido, pois ele era meu melhor amigo e minha unica companhia adulta de casa. Sofri muito com isso.
Tempos depois, comecei a trabalhar com meu sogro no seu trabalho de jardinagem, o que me rendia alguns trocados.   

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No entanto não era sempre que podia, pois eu dependia de arrumar alguém que ficasse com minhas filhas e eu só acompanhava meu sogro em serviços grandes.
Num dia de semana Selma atendeu uma ligação muito estranha de minhas irmãs, elas pediam que eu ligasse com urgência pois tinham algo muito serio para me falar. Assim que ela me avisou, perguntei a ela se eu podia ligar do seu telefone, após isso liguei para minha irmã, Maria que disse: Que todos nós deveríamos ir na casa da Marília, para uma reunião de família, onde iria ser comunicado algo muito importante para todos nós, ela nem quis me adiantar do que se tratava. Isso me intrigou seriamente, logo comecei a imaginar mil e um coisas: O que será meu Deus? Por que tanto mistério? "Será que aconteceu alguma coisa de ruim, alguém está doente? Ou se acidentou? Há, lembrei! Meu Deus! O Roberto, meu sobrinho, filho de José, havia passado por uma cirurgia na perna naqueles dias, meu susto foi tão grande, que não parava de pensar nele, foram longos os dias até o fim de semana em que cheguei na casa da minha irmã Marília.
Bom lá estavam; minha mãe,  Moni,  Liliam,  Maria e alguns de meus sobrinhos. E muitos não haviam chegado ainda,  ao me verem elas perceberam minha aflição, a Moni disse: É melhor contar logo a ela!
Eu disse: Por favor! Só me digam que não se trata do Roberto, né?
Nãooo! Está tudo bem com ele. Disse minha mãe, que com um sorriso meio tímido continuou a dizer: Não se preocupe, ninguém está doente e nem sofreu algum acidente!
Eu falei: Há, que bom! Graças a Deus! Eu tava muito preocupada.
E ao verem as lágrimas em minha face, decidiram me contar. A Liliam disse: Fala logo, o que tem pra falar gente, ela precisa saber!
Fala Marília! Disse a Moni.
Não! Quem tem contar é a mãe. Disse Liliam e Marília em concordância olhou para mãe e falou: Fala mãe!  
Eu? Peguntou ela. "Como minha mãe tem a mesma dificuldade que eu, em se comunicar, hoje intendo porque me disse tudo de supetão". E eu nem havia me recuperado direto ainda daquela preocupação ao ouvi-la  dizer: Seu pai! Apareceu!
Senti como se uma bomba pensada caísse e trouxesse todos os meus fantasmas do passado, me recordei: De todos aqueles anos sem tê-lo conosco, onde as pessoas nos perguntavam: E o seu pai, cade? Ou seu pai, morreu?
E Principalmente na escola, passava dias e dias dos pais em que via minhas coleguinhas da escola cheias de alegria levando seu presentinhos  para seus pais e eu com aquele desenho, sem poder si quer pitá-lo com aquele mesmo entusiasmo delas, pois para quem entregaria, se nem ao menos sabia onde meu pai estava.

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A revolta tomou meu coração, neste mesmo momento na repulsa em revê-lo, com os olhos debulhados em lágrimas, disse:
Não tenho pai! Aquele homem que dizia ser meu pai, nos deixou a anos, nem sei como pode ele se dizer nosso pai se nem conhece seus próprios netos!  
E minha mãe disse: Não importa, você deve perdoar, ele é seu pai!
A Moni se irritou e disse num tom irônico: Pai! Não mesmo, está certa Raquely, ele não é nosso pai! É isso ai, não seja boba.  
E Maria viu meu desespero e comovida pediu que minha mãe parasse e pensasse: Se para os filhos mais velhos, já criados que ele havia deixado sem dar nem mesmo noticias se estava vivo ou morto, é doloroso, imagina para as quatro crianças que tinha seu pai carinhoso, amoroso que de repente ele sumiu por anos e do nada surgiu, quando esses mesmos já estão adultos e independentes? Tenta entender a dor deles mãe!
Nisto, Sabrina olhando pra mim e sem entender, pondo sua mãozinha em minha perna, disse: Mãe! E Alice começou a chorar. Minhas irmãs disseram: Raquely olha como suas filhinhas te amam! Não fique assim maninha!

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Então elas me contaram que uma pessoa havia ligado dando noticias dele, dizia que ele estava bem, desejava muito nos reencontrar e queria nos pedir perdão, pois nos amava muito e sentia nossa falta.  Mas nesta hora Liliam, que falava ao telefone com essa pessoa, começou a criticar o pai e a pessoa veio em defesa dele, pedindo, Para se pensar com calma, afinal se tratava de nosso pai, que é uma boa pessoa, religioso de muita fé em Deus e que apesar de seus erros estava muito arrependido!
No voltar para minha casa, vim pensando: O que faço meu Senhor, quando ele chegar todos vão a casa de Marília para vê-lo, não vou!
Lembrei que a revolta não estava só em mim mas em outras duas irmãs minhas, a Nair e a Moni, que nem queriam saber dele.
Hoje posso dizer o que eu sentia, era uma ansiedade sem tamanho, medo do que para mim era fato consumado, "não tinha pai". E agora ver que todos os meus sonhos em rever meu pai desde criança veio se tornar algo real, era tarde de mais! Doía muito, queria no fundo do meu coração, abraçá-lo, olhar dentro dos seus olhos e perceber que nós fizemos falta a ele,  a mesma que sentimos dele por estes pesados e dolorosos treze anos, sem poder dizer: Te amo muito, pai! 
Deixei que o medo me tomasse conta, ao mesmo tempo que queria vê-lo, sentia um pavor que não dá para explicar, jamais teria coragem de cobrar algo dele, mas meus sentimentos me diziam: Ele não foi pai, ele nunca te amou, nem se quer se preocupou em que situação deixaria sua mãe, seus irmãos, ele te abandonou.   
Por isso digo, Deus é perfeito e nos conhece intimamente, somente ele para jugar. Todos nós possuímos falhas sem tamanho, devemos confiar de alma no que  disse Jesus Cristo: Perdoar setenta vezes sete, sempre, pois na mesma medida em julgarmos seremos jugados. Tive a oportunidade de me redimir, de minha arrogância em não querer ver meu pai. Em uma outra ocasião, em que ele estava na casa de minha irmã Maria, minha mãe ligou dizendo que viria a minha casa com ele, e eu sem saber que ele me ouvia na outra linha da casa, disse coisas que jamais deveria ter dito: Não quero mãe! Por favor, eu já sofri o bastante, não sei o que é ter pai, ele não é meu pai!
Quando me recordo disto, doí na minha alma, por mais que ele tenha errado, eu fiz pior, ele não merecia isso! Pois mesmo sendo nova demais para entender, no tempo em que meu pai esteve conosco, lembro, foi um pai muito amoroso, preocupado, atencioso! Queria poder dizer isso a ele, mas hoje,  não posso mais. Deus sabe o quando estou arrependida.       
Quando ele viajou com minha mãe para a casa de José, lá ocorreu um triste fato que só piorou ainda mais a situação de nossa família.
Minha mãe entrava na sala e meu pai pegava alguns documentos em sua mala, sem querer ele deixou que caísse um papel que foi parar bem nos pés dela. Era uma carta, que ele tentou tirar das mãos da mãe, no entanto ela leu um trecho que dizia: Querida esposa e filhos estou bem e  sinto muita saudade...   
Que isso? Nervosa perguntou ela.
Disse ele: Me devolva, por favor Sandra!
Disse ela: Você tem outra família? Por que não nos disse?
Esse foi um longo e desgastante dia para todos daquela casa, minha mãe se sentiu ofendida, desprezada, traída. Mesmo que ela não o tesse mais por marido, ela queria sua sinceridade e por ele ter omitindo este importante fato, de que havia reconstituído outra família, só gerou mais sofrimento. Meu irmão se revoltou, falou a ele: Pai, o que você fez? Presta atenção, minha mãe não merece isso! De o divórcio pra minha Mãe! E se tem outra mulher, principalmente filhos, vá ficar com eles! Nós estamos todos já criados, adultos! Eles não, são crianças, precisam do senhor ou quer repetir a história?
Nisto ele tentou se justificar, mas não houve entendimento e ele foi embora com o pouco dinheiro que meu irmão pode lhe dar. Ele viajou até sua casa de carona em carona, o que foi dificultoso, pois sua saúde já não estava boa, passou por todas aquelas emoções e ter que aventurar-se na idade de sessenta anos, foi um fardo muito pesado pra ele. Só Deus sabe o quanto me preocupei com ele, após saber disto.

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Tempos depois, num fim de semana em que fomos almoçar na casa na casa de meus sogros, mal acabamos de nos sentar a mesa  e o telefone tocou, era minha mãe que com a voz tremula me disse: Oi filha, tudo bem?
Tudo mãe, graças a Deus! Respondi, e  percebendo a tristeza em sua fala, eu a perguntei: E a senhora? Mãe... Que foi que aconteceu? Você parece estar nervosa! Mãe?
Então ela me disse: Raquely a mãe recebeu noticias de seu pai... Filha ele está internado e seu estado de saúde é grave.
Falei: Grave? Mas o que aconteceu?
Consternada, ela me disse: Ele está em coma, tá muito mal filha.
E Eu já pressentindo o mal que estava por vir sobre nós, perguntei: Mas como mãe? O que houve para ele para estar doente assim?
E ela me explicou: Ele está com leucemia. Segundo o pessoal de lá, ele pegou malária por duas vezes, uma após outra, o que pode ter resultado nesta doença, a leucemia.
Assim que ouvi ela dizer isso, uma grande tristeza me abateu, senti uma intensa dor, dor na qual não conhecia e  pensei, se tudo o que viverá até li sem presença do meu pai foi doroso, como viveria agora? Sabendo que perdi a unica chance de revê-lo? E ao pedir para minha mãe ter calma que tudo haveria de ficar bem, desliguei o telefone, entrei em choque desesperada, disse: Meu Deus! Não, meu pai não senhor, me perdoa pai!

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Todos se comoverão e André preocupado me disse: Calma!
Tia Viviana disse: Dá um copo d' água pra ela, receber uma noticia desta assim é horrível!
D. Selma em sua revolta por me ver naquele estado, falou algo sem pensar, que só intensificou meu sofrimento, disse: Bem feito! Vai morrer no meio do mato, sem os filhos, ninguém, sozinho! Foi esconder lá longe sem... 
André a cortou dizendo: Para de fala bobagem, cala essa boca! Não vê que está fazendo piorar ainda mais a situação!
Mesmo depois disto D. Selma continuou a dizer: Isso mesmo, sem pensar na mulher, nem nos filhos! Bem feito! Olha mal que esse homem causou, coitada da menina!
E todos a olharam com indignação  ao que ela dissera, foi onde Selma se calou.
Quando comecei a me acalmar decidi ir para minha casa, esse foi um longo e penoso fim de semana. Fiquei muito aflita, tinha esperança de que meu pai se recuperaria, que ficaria bem, mais infelizmente não ficou. Na terça-feira, estava eu frente a minha casa quando vi chegando carro de minha irmã Nair, que nem precisou falar nada, bastou seu olhar, para saber, meu pai havia falecido.

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Não da para explicar tal sentimento, quão terrível  é a perda, saber que nunca mais vou poder falar, abraçar ou ver meu pai que amei mesmo não o tendo comigo por todos aqueles anos, eu o amarei por toda minha vida.

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Agora só sinto muito remorso, um arrependimento sem fim e peço a Deus que nos guarde no amor de cristo, para que algum dia eu possa dar o abraço que eu não dei no meu pai.  

  
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Então fui com Nair a sua casa, lá foi realizada a nossa despedida, desse homem Batalhador, Guerreiro, irmão, pai amoroso. Sim, por mais que digam que não, ele realmente foi um ser de muita luz, que levou a palavra de Deus não somente aos nossos corações, mas a muitos outros irmãos em cristo. "E quanto a sua falta no dever não só conosco mas com Deus, vão dizer". Mais qual dentre nós não temos faltas, falhas e pecados que de tão vergonhosos ficam em oculto, planados sobre nossas mentes, pesando nossa consciência que fica carregada em culpa. Culpa essa que somente Deus conhece e a ele cabe nos julgar. ( O LAMENTO DE NADA RESOLVE, MAS O REAL ARREPENDIMENTO O CONSOLARÁ NA GRAÇA DO DIVINO ESPIRITO SANTO ).


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Todos que puderam compareceram, mesmo que não pudéssemos estarmos no seu velório que acontecera naquela mesma tarde na cidade de onde ele morava, estávamos em espírito com Cristo, orando, pedindo a Deus o consolo na Santa paz de Cristo e por nosso pai.

  vídeo do youtube 

Penso que um dos motivos mais profundos de tristeza em minha alma foi por sua morte, principalmente quando lembro, da má ação que tive em não aceitar revê-lo em quanto vivo. 
As primeiras semanas me foram tortuosas, me tranquei para o mundo. Eu não falava com ninguém, somente dizia o necessário quando preciso, chorava compulsivamente quase toda hora, não saia mais de casa e se já não me alimentava bem antes com este ocorrido nem conseguia pensar em comer. 
Quando comecei a tentar fazer algo em casa, voltar a rotina da vida as pessoas  inocentemente sem perceber,  me faziam lembrar do meu sofrimento, vizinhas diziam: Oi filha, como você está?  
Eu nem conseguia responder direto, dava um sorriso tímido e nada mais. As vezes André reclamava de  minha falta de atenção com ele e as crianças o que aumentava ainda mais minha dor, numa destas vezes disse ele: Você não se deu conta, que precisamos que você, saia desse sofrimento inútil, por alguém que nem merece suas lágrimas. 
Ao ouvi isso doeu muito, ainda mais sendo palavras vindas dele, cai num renitente choro e uma profunda tristeza.
Não conseguia cuidar mais dos meus afazeres em casa, raramente saia e se saia, sempre tinha alguém pra dizer: Meus pêsames! 
Isso tudo só tendia a me por mais para baixo, pois se eu precisa de força para aguentar meu sofrimento, não era falando dele a todo instante que iria resolver.
Quinze dias depois, minha mãe e meus irmãos haviam decidido se reunir na casa de Marília.  Foi um fim de semana agradável, pois ali só se falou coisas boas, mesmo que se citassem o meu pai eram só de lembranças boas que se falava. E ao ver minha mãe  bem, senti que era ela que deveria meu carinho e atenção. Porque todos nós estávamos fartos de todo aquele sofrimento. 
E no decorrer do tempo em que todos já não comentavam nada sobre aquele triste dia, eu me acostumava com minha dor, em alguns instantes chorava, mais já não como antes, outras horas retomava a vida e assim foi indo. E quando tudo parecia ter voltado ao normal, comecei a ter pensamentos muitos negativos; como morte, me senti uma pessoa inútil, tive pesadelos do tipo; "via uma mulher com uma criança em seu colo que me dizia: Você não serve pra ele, sua tonta, ele é meu amante e esse é nosso filho".
Minha desconfiança no amor de meu marido atenuo meu ciúme, o que atrapalhou significativamente nosso relacionamento, a ponto de deixá-lo tão descompensado, que em alguns momentos me chamava repetitivamente de chata, dizia ele: Não te aguento mais, você é muito chata, sabe, chata mesmo, chega ser irritante até! 
Eu admito, eu o perturbei, tinha uma desconfiança sem tamanho; não gostava de vê-lo conversando com mulheres, não importava qual fosse, especialmente em seu serviço e se ele atrasava uns trinta minutos do horário de costume que chegava em casa, era briga na certa. Muitas vezes  eu até ia buscá-lo no serviço.  
Também voltei a ficar em volto a meus pesamentos, como na minha infância, me perdia em minha imaginação, só que agora eram pensamentos horríveis.

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Eu estava tão perdida pelo meu sofrimento, que sem perceber deixei a desejar os cuidados com a casa e minhas filhas. Eu acordava tomava café, dava o leite para crianças e se sentava em um cadeira frente de casa. Ali eu ficava por uma, duas horas pairando sobre minhas ideias, a procura de uma solução para  meus problemas, muitas vezes me surgiam pensamentos muito negativos, pensava: Se eu morresse, será que alguém sentiria falta de mim? Quem sabe assim perceberiam o quanto sofro por toda essa insatisfação com está vida,  por que estou aqui? Se nem de minha casa e de meus filhos consigo cuidar direito! Me Deus eu não aguento mais tantas críticas, todas essas reprovações no modo que conduzo minha vida e vindas daqueles que sinceramente, não tem direto algum de se interverem em nada e só fazem com que meu marido se revolte comigo, se fosse para o bem não agiriam desta forma, falariam comigo, talvez eu ouvisse seus concelhos. 
De palpite em palpite eu me sentia a mais prejudicada. Cheguei a tentar conversar com André, pedindo que me ouvisse, me entendesse. Eu queria que percebesse o mal que fazia ao nosso relacionamento, todo aquele envolvimento com seus pais, não dizia isso por não gostar deles, eu tinha muito carinho por eles. Mas desejava ter momentos onde eu, meu marido e meus filhos tivéssemos a sós e decidíssemos nossa vida por nós. Mais ele não me deixava nem começar a falar e sem dar a minima ao que eu falava, dizia: Para com isso, larga de dizer tanta bobagem. 
Quando ele falava assim a minha vontade era de ir embora, fujir de tudo aquilo, eu não tinha autonomia nem na hora de fazer uma compra para casa, quase sempre minha sogra ia junto, se eu pegasse alguma coisa na marca que gosta lá vinha minha sogra: Eu não compro esse sabão, além de não prestar é caro. 
Ou o André, que tirava o produto do carrinho dizendo: Esse não, tá caro Raquely! 
Sei que não tínhamos um poder aquisitivo bom, mas aquilo não era necessário. Ele faziam toda aquela economia e quando chegávamos em casa, o sabão da marca que eu havia insistido em comprar duas caixas pela promoção e que D. Selma disse não gostar e achou caro, ela colocava em sua sacola e se eu comprasse duas bandejas de carme, André lhe dava uma. Não que eu me negasse em dar a ela,  mas eu sabia que aquilo mais sedo ou mais tarde nos faria falta e eu teria que pedir a ela, coisa que eu não gostava de fazer.     
Como em toda família que se vive com um pouco mais de um salário minimo, começávamos o mês economicamente instável, razoavelmente bem, entretanto no decorrer dos dias em que a dispensa ia esvaziando, o dinheiro ficava escasso para poder repor o que faltava muitas vezes tínhamos que pedir a meus sogros, que nos ajudavam de todo coração. Ao receber seu salário André pagava as dividas de casa e nem sempre conseguia devolver a seus pais o que havíamos tomado por empréstimo, isso não era nada bom, pois a culpa vinha cair sobre mim, me chamavam de esbanjadora. Então quando surgiam reclamações do tipo; um aumento no valor da conta de luz, que por sinal era conjugada com a casa deles, diziam: A Raquely fica com a luz acesa o tempo todo e a TV quase toda vez que vou lá está ligada, precisa parar com isso.
E como eu ficaria naquela garagem escura, se não tinha janela no quarto e na cozinha tinha um vitrosinho onde mal entrava vento e eu era obrigada a deixar a porta de casa que dava direto para rua, aberta quase todo tempo.

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Todos esses problemas foram se agravando tanto que com passar do tempo, todo o final de mês André e eu discutíamos constantemente para pagar as contas de água e luz . Pois eu não queria que ele deixasse de pagar o que era de direito aos seus pais. No entanto estávamos muito endividados era onde vinha a desculpa para não pagar as dividas com eles. 
Sei que tudo que disse com relação dinheiro, dividas, empréstimos e envolvimento de familiares, podem ser encarados como assuntos banais, mas o que digo é por experiência própria as vezes cometemos erros que devem ser consertamos por nós mesmos, a "dita ajuda" pode facilitar nossa vida ou deixar tudo mais difícil e não importa de qual lado da família veio o auxilio, se da mulher ou do marido. Claro que recorrer a parentes possa ser necessário, contanto que saiba que isso não pode se tornar um costume. Pois isso tudo não só me prejudicava no relacionamento com os outros como também o meu casamento se desgastava.
Nessa tempo, quando minha mãe vinha me visitar, ao vê-la eu a abraçava como alguém que pede socorro, era uma sentimento que não dá pra explicar,  me recordo de uma destas vezes, onde eu estava naquela mesma forma triste , sentada a porta de casa envolto a meus pensamentos, quando ouvi alguém dizer: Olha, aquela não é sua mãe?
Então eu a vi vindo com um grande sorriso, na minha ansiedade em abraça-la, dei passos largos e rápidos em sua direção e abraçando-a fortemente, disse: Mãe, que bom mãe, a senhora não tem ideia do quanto me faz bem, tê-la aqui comigo. 

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Ela sem intender me dizia: Que foi filha? Não faz tanto tempo assim que não nos vemos! Está tudo bem?
E eu a respondia: Tá sim, é só saudade, mesmo mãe. 
Era como se ela me trouxesse a paz interior que a tanto tempo eu havia perdido.  
E também naquelas poucas vezes em que recebia visitas de Carolina, que me dava alegria em saber que podia contar com sua amizade, nela eu não via só alguém para dividir minhas frustrações, mas alegrias. Houve um dia em que ela estava em casa e lhe contei um pesadelo que havia tido naquela noite anterior, e por Carolina ser uma pessoa muito espiritualista e mistica, disse acreditar que podia ter algum sentido aquele pesadelo e segundo a sua crença me explicou: Sonhar com dentes não é bom, mas ver um rio de água poluída e logo depois ver o mesmo rio com água limpa cristalina significa que tudo ficará bem!  

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E eu na minha curiosidade sobre o assunto, lhe disse: Nossa, é mesmo lembrei, a Selma acredita muito no significado dos sonhos, até tem um livro que traduz sonhos.  E para cada coisa tem seu significado, o dente por exemplo, "dente podre ou caindo é morte."
Carolina disse: Não se preocupe ou se encasquete com isso, eu te disse que a água limpa significa pureza, tudo o que estava ruim já passou e agora a vida toma seu curso natural, talvez possa vir a acontecer algo de que você muito deseje.  
Na época eu acreditava muito na doutrina espírita, mas tinha minhas duvidas pois mesmo tendo sido batizada na igreja católica, a educação que foi-me dada por minha mãe tinha fortes fundamentos evangélicos protestante, o que dá aversão total a isso. No entanto por outro eu me encantava com a doutrina espírita, na qual transmite a ideia de amor como um bem valioso regido por Deus de forma singular, só que com crenças que vão além de nosso imaginação como a reencarnação. 
Eu disse a Carolina: Eu perdi meu pai a pouco tempo, você sabe né?
Ela disse: Sim, eu fiquei sabendo.
Continuei a lhe falar: Eu não o vi e me arrependo. Tenho pedido a Deus que me perdoe, me ajude de alguma forma, as vezes até penso que se existir mesmo a reencarnação, queria muito tê-lo comigo de novo.  
Ela disse, acreditar em reencarnação, mas que isso não o traria de volta e que eu deveria sim me preocupar com minha vida e minhas filhas pois isso é o que realmente importava no momento.
Meses depois,  André havia conseguido um cargo melhor em seu serviço. Ele e Selma decidiram pesquisar nos jornais preços de carros, cogitavam comprar um carro juntos. Isso me deixou extremamente preocupada, afinal  mesmo tendo assumido um cargo que lhe dera condições salarial um pouco melhor, como íamos comprar um carro se mal conseguíamos pagar as contas, isso gerou serias brigas entre nós, isso fazia com que nos distanciássemos, assim prejudicando ainda mais meu relacionamento com meu marido e meu convívio com sua mãe.
Todas as vezes em que André chegava em casa do serviço, passava em casa, mal tomava seu café e ia a casa de sua mãe e lá ficava até tarde. E não adiantava eu  lhe pedir para ficar em casa, ele dizia: Por que você não vem comigo? Você sabe que eu preciso ver com minha mãe a questão do carro, isso será bom pra nós Raquely e você não apoia. 

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Com isso nossas brigas se tornaram constantes. Mas André safo sabia me manipular, e eu acabei me conformando com tudo aquilo. 

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Então cabei retornando a trabalhar com as vendas de Yakult, e novamente foi muito desgastador, passei por aquelas mesmas humilhações de sempre e claro obtive muitos calotes. Era um serviço que se o cliente não pagasse, a conta ficava comigo, que era intitulada revendedora autônomo, no entanto me manipulavam a cumprir com uma meta e as notas fiscais dos produtos fornecidos eram emitidas semanalmente e vinham em meu nome com valores superiores a quantidade de vendas do setor, assim eu era praticamente obrigada a cumprir com a tal meta.
Teve meses em que eu vendia bem, o que de certa forma nos dava um pouco mais de sustentabilidade. Eu  me esforçava ao máximo para que tudo desse certo, era onde eu resistia aos momentos ruins. Com passar do tempo minha sogra que olhava as crianças, não pode mais me ajudar e  tive procurar alguém que ficasse com elas. A tia Viviana falou que sua filha, Ana as olhava, a menina foi muito legal comigo e me ajudava muito, no entanto não deu muito certo, isso trouxe muitos transtornos para mim, por uma conversa que tive com a Selma, sobre algumas coisas de que eu havia ficado chateada com Ana, pelo fato de Viviana, sua mãe, dizer a mim que sua filha não a ajudava mais em sua casa, isso a irritou e disse querer que ela ficasse com as crianças em sua casa. O que eu não concordava, porque Viviana tinha muito carinho por Alice, mais se zangava fácil com Sabrina e por mais que Ana recebesse uma pequena quantia em dinheiro de mim, era o dever dela ficar em minha casa pois desde de o inicio o combinado era esse. E nisto tia Viviana escultou tudo por traz da porta, onde surgiu uma grande discussão entre nós e a prima Ana não as olhou mais. 
Logo me apresentaram Luciana, uma moça que morava próximo de casa, apesar de uma adolescente, ela era muito responsável aos cuidados com minhas filhas e muito amorosa, o que me dava tranquilidade para trabalhar.
Houve um mês que não consegui fechar meu debito com a empresa e André teve desembolsar o que faltava. E todos começaram a criticar, mas nós dois sabíamos dos consumos dos produtos gastos em casa, como também o dinheiro pego antecipado do lucro do mês. Que já não era lá aquelas coisas, pois além disto eu tinha que pagar os serviços prestados por Luciana. Com o tempo começou acontecer coisas estranhas, o dinheiro que eu guardava em casa sumia e eu tinha convicção do valor que deixa em casa, todas as vezes em que eu chegava do serviço contava os produtos vendidos e anotava a quantia que tinha em dinheiro, como também o que tinha por receber. Mas mesmo assim não culpei a ninguém, só passei a ter mais cuidado, todo o dinheiro que eu recebia no dia depositava direto na conta da empresa e deixava em minha bolsa somente o dinheiro contado para o troco das vendas. 
Mesmo tendo todo esse cuidado, notei que até mesmo as moedas começaram a sumir sem que eu as pegasse. Pois eu fazia da seguinte forma, eu vinha em casa para almoçar e quando eu via que estava com uma quantia alta em dinheiro contava, separava e deixava em uma bolsa em casa.
E ao retornar sempre contava novamente, foi onde percebi que algo de errado estava acontecendo. Bom eu não julgo a ninguém de roubo, mas tenho que ser franca, numa manhã de sábado em dia de pagamento coloquei no bolso de uma saia quinze reais e a coloquei sobre o monte de roupa que estava para dobrar e sai. Ao retornar vi a roupa dobrada, em seguida peguei a saia e o dinheiro não estava mais lá. Então pensei ser melhor guardar o que havia recebido na casa de minha sogra. E ao  pedir a ela que guardasse o dinheiro, tia Viviana que já não estava muito bem comigo pelas discussões anteriores, disse: Você é muito boba, como pode confiar nesta menina? Se tivesse me ouvido nada disso estaria acontecendo, sua tola. Minha filha só não te ajudou mais com as crianças, porque eu vi que não a dava valor. Agora fica ai, sua besta,  com essa ladra em sua casa.
Em seguida a respondi, não sei como eu pude falar tão duras palavras a Viviana, pois nunca tive coragem de destratar a ninguém daquela forma, por mais que ela tivesse sido estupida comigo, deviria ter tido mais paciência, respeito e compreensão. Hoje quando lembro deste dia sinto que aquela não era eu, pois nos meus sentimentos jamais cabia tão horrorosas palavras, eu a disse: Você não tem o direito de dizer nada disso pra mim. Não dirija mais palavra alguma a mim, esqueça que um dia me conheceu, faz de conta que morri, me deixa em paz por favor, eu não tenho nem nunca tive nada contra Ana, mas você não merece meu respeito... Assim ficamos sem nos falar, isso me deu um arrependimento muito grande, nunca agi desta forma com ninguém, eu pedia perdão a Deus todos os dias e para que me desse a chance e coragem para pedir desculpas a ela.       
Dias se passaram, Paulinho meu cunhado falava com André sobre o passeio que havia feito no fim semana com seus amigos. Dizia Paulinho: Nossa, foi muito louco! Você precisa ir lá, a montanha russa é de tirar o folego. O que você acha de irmos neste final de mês? Meu, é diversão pra todas as idades, lá tem também brinquedos que Sabrina pode ir, ela vai gostar.  
André sorrindo lhe disse: Claro, vamos sim, eu sempre tive muita vontade ir no Playcenter, deve ser muito legal. 
Assim André falou com suas tias que ficaram felizes em ir conosco, até D. Selma e seu Leonel se alegraram e aceitaram o seu convite.
Nesta mesma semana, eu fique doente tive um pouco de febre e enjoos, por estar com uma gripe muito forte nem me dei conta do meu atraso menstrual, alguns dias se passaram a gripe cessou no entanto os enjoos não, quase todas as manhãs eu ficava apática e mal humorada. Assim notei que sem duvida estava gravida novamente.


E meu medo e vergonha do que iam pensar, não deixou que eu contasse a ninguém.
No fim de semana, na manhã em que íamos ao  Playcenter,  tia Rafaela percebeu meu mal estar! E ela muito brincalhona como sempre, as rizadas disse: Há, que isso Raquely? Dá para sair logo desse banheiro! Raquelylyly!... Você está gravida? Já sei que sua gripe se foi! Sabrina, mamãe vai te dar mais um irmãozinhooo... Ai vem mais um bebêêê!...  
Chegando ao parque, todos se espalharam cada um se divertiu a sua maneira, eu e André levamos Sabrina e Alice nos brinquedos de acordo com suas idades. Algumas horas mais tarde, André inventou de ir na monha russa, eu não quis acompanha-lo, entretanto bastou ele voltar de lá, correu em minha direção e disse: Vem Raquely, vamos, você vai gostar!
Respondi: Não, vá você eu estou com as meninas e outra eu não tenho coragem, esse brinquedo é muito alto! O que você achou? Como foi? 
E ele me disse: Muito loco, da hora deixa de ser boba, minha mãe fica com as crianças, vem!
Quando tia Viviana escutou ele dizer isso preocupada, falou: Selma, se ela está gravida, acho melhor não em?
Mas André em sua insistência me convenceu e vovó Selma ficou com suas netinhas.

                
E nós entramos na fila que andou e ficamos no primeiro lugar para a próxima rodada, tentei trocar de lugar com as pessoas de traz, mas antes que me respondessem André disse: Há, não!  Desculpa, é que eu quero ir lá na frente!
Em seguida nós chamaram, eu disse: Se quiser vá lá, mais eu não, vou aqui no terceiro lugar, pra mim tá bom! 
E mesmo com a concordância das pessoas que estavam atrás, os técnicos em acordo com André pediram que eu fosse na onde era de meu direito, no primeiro acento. E eu fui.
Na hora que o trenzinho lentamente começou a subir, não senti nenhum medo, mas com aquela violenta descida que deu e no rodar naquele circulo de cabeça para baixo, me apavorei, gritei e minha sensação era de ser lançada pra fora, quando o brinquedo completava sua volta, eu estava completamente atônica, André me chamava e eu não esbocei nenhuma ação ou movimento, permaneci na mesma posição, de cabeça baixa,  ao sentir o toque de suas mãos em meu braço e ouvi-lo falar meu nome pela terceira vez, ergui a cabeça, nervosa disse: Meu Deus André, eu nunca mais vou te dar ouvidos!
Depois deste dia comecei a sentir pequenas cólicas que se intensificaram no decorrer do tempo, me deixando preocupada com a possível gravidez, então decidi ir ao medico e no pedir para que minha sogra ficasse com as crianças, Viviana vendo que eu pedia ajuda para Selma, disse a ela: Deixa que essa tonta se vire! 
E se virando para mim disse VivianaSe vira! É uma mole mesmo! Você não tem nada, minha irmã não está bem, leve as crianças  com você, se quiser ir!
Eu não a respondi, não dei importância para suas palavras agressivas. Entrei em minha casa, arrumei minhas filhas e fui ao hospital com elas. Passei quase que cinco horas esperando para ser atendia, até que D.Selma foi ao meu encontro no hospital e no instante que ela chegou o medico me chamou. Mal me sentei e ele me disse: Você parece estar muito mal, está pálida, o que sente?
Então lhe contei que suspeitava estar grávida, sobre as cólicas que sentia e o incidente no parque. Ele respondeu-me: Você não podia ter feito isso, bom agora o mal está feito, vamos ver qual é sua situação, vamos fazer alguns exames.

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Fiz o exame de gravidez que  confirmou o que suspeitava, estava gravida de dois meses e segundo o médico deviria ter cautela pois a placenta estava descolando, devido ao susto ou a algum esforço muito grande que fizera. 
Sendo assim, me vi obrigada a parar de trabalhar, por descrição médica eu não poderia fazer nenhum tipo de esforço, pois minha gravidez era de risco.                 

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