segunda-feira, 10 de fevereiro de 2014

O casamento!

CAPITULO VI

FATOS CORRIDOS  1993-1994

“Não queira para teu casamento a felicidade dos os contos de fada, porque nestas estórias os apaixonados só são felizes no final e ninguém vê.” (Augusto Branco)O verdadeiro sentido de amor se encontra nas atitudes, onde a vida que é constituída a dois,  terá seus momentos bons e ruins. Deve se aproveitar intensamente os bons e estar unidos nos ruins! 


Um mês depois do nosso Jantar de noivado, começaram os preparativos para o casamento. Marcamos a data no religioso, depois de algum tempo no civil e convidamos os padrinhos. Num fim de tarde desta semana, eu e minha mãe escolhíamos o feijão para a janta e conversamos sobre as pessoas que convidaria para o chá de cozinha e de como andava a arrumação de minha futura casa. Eu via em seus olhos grande preocupação, eu sabia, que ela não era boba para não perceber minha gravidez, então ai que criei coragem, mas claro que foi com grande receio que falei e com cuidado para não magoa-la, perguntei: Mãe, eu tenho algo para te dizer, mas não sei nem como e por onde começar.  Foi então que ela, com aqueles lindos olhos, azuis da cor do céu brilhando e um sorriso afetuoso respondeu-me: Eu já sei! 
Fiquei de cabeça baixa olhando fixo para a mesa, senti vergonha, pois ela já tinha me dito bem antes de tudo isso acontecer, que ficar grávida antes do casamento é procurar grandes problemas para si e o bebê, fora as críticas da sociedade. Falei: A senhora sabe, eu estou gravida!


 "Imagem colhida da Web, como todos as imagens deste blog" 


E ela deu um grande sorriso dizendo: Para mim não é novidade filha, sofri de preocupação a principio pois vocês são muito novos, mas agora percebo que vão ficar bem, e o pré-natal?      
A partir dai fiquei mais calma, comecei falar,  das consultas, dos exames que já haviam sido realizados, sobre roupinhas para o bebê que haviam sido dadas por uma amiga da tia de André e de como eu estava contente em ser mãe.  
No fim de semana organizamos o chá de cozinha, que acabou sendo realizado em duas reuniões distintas, por alguns familiares de André que não queriam ir em minha casa, pelo fato de acharem mais comodo fazer na casa da tia dele, no qual foi organizado carinhosamente por sua prima Cristina.  Já o outro foi organizado por minha irmã Moni e algumas amigas, os dois foram significativos para mim, foi uma imensa alegria de rever pessoas queridas em minha casa. Nesta ocasião, percebi a chateação de Moni por não contá-la o que quase todos já sabiam, decidi contar a ela que estava grávida, em seguida ela deu um grande sorriso irônico, dizendo:  Sua boba! Bem que eu te avisei, falta de instrução não foi, pelo menos de minha parte! Mas logo tudo acabou em grandes rizadas e alegria.
Também, no chá de cozinha que ocorreu na casa da tia de André pude ter a oportunidade de conhecer as pessoas que fariam parte de minha vida,  os parentes e as amigas da família de André, que por sinal foram muito atenciosas comigo.
Dias depois muitos amigos e familiares foram entregar presentes, onde seria nossa casinha, foram recepcionados por meus sogros que faziam questão de contar criteriosamente quem havia ido lá, não por interesse sim por euforia com nossa união e a festa, ai onde surgiu mais uma de nossas polemicas discussões devido a alguns destes presentes terem sindo dados por Elem e Carina, nas quais André não suportava a ideia de serem minhas amigas. Aqui pude perceber que morar próximo a casa de minha sogra não seria fácil, bom ela se interviu em defesa de seu filho e não foi só isso, ofendeu gravemente a elas que nem conhecia muito estavam ali para se defender. Isso tudo aconteceu uma noite antes de meu casamento.    
UM DIA LINDO E ESPECIAL
24/04/1993


Este dia foi um dia cheio de decisões importantes. Ao acordar antes de fazer qualquer coisa fui ver meu vestido de noiva no qual uma vizinha de minha antiga casa havia me emprestado carinhosamente  e por tê-lo pego da lavanderia sem vê-lo, queria checar se o serviço tinha sido bem realizado, olhava detalhe por detalhe, minuciosamente, pensei:  Perfeito! ( Por mais que o sonho de toda mulher seja ter seu próprio vestido novo num dia especial como este, o que me importava lá no fundo de minha consciência era sermos felizes pois meu amor era maior que tudo).
Então me dirigi a cozinha, minha mãe coava o café e ao me ver disse: Apresse-se menina, daqui a uma hora e meia você vai estar se casando ou pretende ir de pijama! Ela abrindo o sorriso, que me fez rir, respondi: Ta bom mãe, mas antes eu precioso de seu abraço e seu cafezinho. Em seguida, minha irmã chegou a cozinha e disse: Vocês são loucos hem? Raquely, nem se arrumou ainda, André dorme na sala, vá acordar ele! 
Corri para acordá-lo e vi que ele não estava mais no sofá. De repente o vejo saindo do banheiro e passando frente ao quarto que estava meu vestido, superstição por superstição, pensei, melhor não arriscar, rapidamente fechei a porta e ele caiu na rizada. 
A Moni tinha razão, foi uma loucura, após nos arrumarmos saímos as presas para o cartório. Chegando lá, além da fila de pessoas que tinha para casar, nossos padrinhos e os pais de André já nos aguardavam. Meia hora se passou, entramos na sala do juiz de paz e durante a cerimonia haviam pessoas nos filmando e gravando nossas vozes em fita cassete. Não os contratamos, mas estavam lá para fazerem suas vendas. Compramos a fita cassete. Quando começou os cumprimentos, no abraçar minha mãe, se passou muitas coisas em minha mente, lembrei de meu pai, que não estava presente, de todo o cuidado e carinho que havia recebido de minha mãe, de seu esforço para nos criar praticamente só e dos desentendimentos e ideias que não batiam entre eu e André, que agora, perante a justiça, era meu marido. (Tudo isso porque eramos muito novos e sem perspectiva de vida, pois teríamos que construí-la do zero, com um filho a caminho). 
Nesta hora a emoção e alegria era grande entre eu e minha mãe e em todos que ali estavam.  Ao sairmos fomos para o centro da cidade, pois tínhamos um cheque dado por minha irmã Mary de presente e íamos comprar a mesa que era a única coisa que nos faltava. Tínhamos ganhado quase tudo para nossa casinha, por a benção de Deus e desses queridos parentes e amigos que tínhamos. Quando eu ia saindo do carro, D.Selma disse: Melhor você ficar com sua mãe hoje, vocês vão ter a vida toda para ficarem juntos. Ela tinha razão, por mais que eu quisesse escolher a mesa, devia estar na minha casa ao lado da mãe, afinal foi a melhor coisa tê-la próximo de mim num dos momentos mais importante de minha vida e outra, já era o momento de eu me arrumar para o casamento na igreja. 
Chegando em casa começou a correria. Bom a cabeleireira estava para chegar em minha casa, eu e minha mãe arrumávamos a cozinha, dizia ela: Menina vai tomar banho! A cabeleireira chegou.
Assim cai em si, pensei, nossa falta pouco! Meu Deus, permita que ocorra tudo certo! 
No terminar o banho e sentar na cadeira, a cabeleireira disse: O que deseja? Tons fortes ou claros em sua maquiagem? Respondi: O mais natural possível, prefiro maquiagem discreta. E ela riu dizendo: Aí não dá, como uma noiva vai casar-se sem uma bela maquiagem? Você é ou não a noiva? 
Alguns minutos depois ela pediu para ver meu buquê de flores, no qual tinha sido dado com carinho por meu sogro que exercia a profissão de jardineiro. Ao ver as flores, ela se admirou pela beleza e as cores suaves  das  mini rosas que o compunha e disse ser lindo e pediu-me o véu para terminar o arranjo da coroa, foi então que Danilo, com uma brincadeira sem graça aos risos, me constrangeu dizendo: Véu? Para que?
Com grande nervoso minha mãe o disse: Vai logo comprar o tule para o véu menino e deixe sua irmã em paz!   


                   "Imagem colhida da Web, como todos as imagens deste blog" 

Tudo pronto, pensei: Meu Deus, como será que estão as coisas por lá? O nervosismo me tomou conta, mas logo me acalmei com as palavras de carinho de meus irmãos, (Moni e Danilo)  e a minha mãe. Em seguida o namorado da Moni chegou com o carro que me levaria. Ao sair de casa sentia uma mistura de nervosismo, alegria e ansiedade. Era como se fosse um filme em minha mente, lembrei dos momentos em que passei ao lado de minha família e a imensa falta que fazia meu pai, naquele momento, remoía a dor em minha alma.
A chegada na igreja me foi emocionante, eu e André chegávamos quase que ao mesmo tempo, por pouco os carros se encontram lado a lado, se não fosse pela Viviana, a tia dele que acenou em sinal de que esperássemos.
No sair do carro e ver as pessoas que estavam lá fora entrarem e meu irmão Humberto pegar em minha mão, que suava frio, ele me disse: Tudo bem? Então sorri e o som da música começou soar em meus ouvidos e meu coração ficou  a mil.




Só me lembro neste instante de ter visto no altar André com seu lindo sorriso, estava tão garboso que cheguei a pensar: Nossa que lindo, está meu noivo!
Já havia percorrido meio caminho no corredor da igreja e olhava para as pessoas, que sorriam afetuosamente para mim e de repente vejo minhas amigas, por mais que André não as quisesse por lá, eu havia convidado, minha alegria foi tanta que me emocionei. Ao se aproximar de André meu coração acelerou de emoção, senti que era reciproco nosso amor e estávamos verdadeiramente felizes por estar ali juntos. 





E no altar senti um pouco de tontura, a Moni percebeu e preocupada olhou para mim sussurrando: Está bem? Então sorri com um ar positivo. Terminado a cerimonia, na hora dos cumprimentos aos pais e aos padrinhos, foi onde a angustia me tomou ao abraçar meu sogro, pensei: Pai, onde está você... Meu pai!


  
Na saída da igreja no cumprimento aos convidados, houve um momento de tensão ao Carina, minha amiga, nos cumprimentar, mas graças a Deus tudo ocorreu bem.  
Tivemos uma pequena comemoração, onde foram convidados somente parentes e amigos íntimos da família. No dia seguinte fizemos uma breve viagem ao litoral. E assim iniciamos nossa vida de Casados. 
             
Na alegria e  na tristeza... 
Na riqueza e na pobreza...
Na saúde e na doença...
Até que a morte nos separe! 
Que Deus nos permita ficarmos juntos 
na vida eterna, amém!



vídeo youtube


Nossa primeira semana de casados foi muito feliz, nos sentimos como se fossemos o casal mais perfeito do mundo. Morávamos em uma casinha bem humilde, como já havia dito era a garagem do apartamento de meus sogros que passou por uma pequena reforma, onde encontramos todo conforto necessário para se tornar nosso lar. Mas era como se tivemos em um paraíso. 
Dias se passaram e como nem tudo é um mar de rosas, voltamos a realidade da vida, comecei a ter algumas dificuldades com os deveres de casa, devido ao fato de não ter costume de lavar roupas e lidar com a cozinha então, me senti um pato fora da água sem minha mãe, fora que não era só isso, como a saudade apertava todas as vezes que acordava e não sentia o cheiro do seu café e ao chegar na cozinha não poder dizer, bom dia Mãe!  Me doía.
Bom aqui conto meu primeiro fiasco com o almoço, sabia fazer o arroz, o feijão, fritar um ovo... Mas ao ver a couve-flor pensei: Vou fazer a milanesa de como André disse gostar. Só que esqueci de um pequeno detalhe não a cozinhei antes de fritar. Aí com a convicção de estava tudo certo, nem perguntei a minha sogra que lavava sua roupa, no seu tanque elétrico que ficou em minha cozinha.
Com a chegada de André  fiquei super nervosa com suas críticas ao almoço no qual eu tinha feito com tanto carinho, assim surgiu nosso primeiro conflito depois de casados.  Me senti tão mal que desisti de tentar fazer coisas nas quais não tinha conhecimento, fiquei desmotivada. Passei a fazer experiencias, coitado de André. 
A prima dele gostava de inventar coisas novas então me contou que fez torta de batata frita, lá fui eu fiz a "torta de batata frita" e decidi me arriscar ainda mais , inventei fazer o bolo de chocolate com bolachas rechiadas. Poço dizer que a torta estava comível, agora quanto ao bolo pude ver que teve aprovação de quase todos que estavam em casa. Este dia foi uma bagunça em minha casa estavam alguns amigos e a Cristiana, prima de André, até minha sogra gostou do bolo e o que me surpreendeu foi ela ter dito que a "torta de batata frita" estava boa, provavelmente queria me agradar.



 "Imagem colhida da Web, como todos as imagens deste blog" 


Bom eu e Cristina passamos a sermos grandes amigas, eu via nela minhas irmãs pois além atenciosa, era uma companhia muito agradável, mas não durou muito tempo, por ter grandes conflitos de minha sogra com Cristina. As duas não se davam bem, em  uma manhã que ela estava em minha casa nos conversávamos, ela sentia dor em suas costas e pedia me ajuda para passar um gel para aliviar sua dor, no momento em que eu a ajudava minha sogra entrou em minha casa aos gritos:  Há te achei né, sua folgada! Quero o dinheiro da conta luz, trata de me pagar!
Com isso as duas se alterarão em suas palavras, eu permaneci calada, até escutar minha sogra expulsa-la, senti que aquilo não estava certo e disse: Calma,  não é para tanto gente!
E D. Selma com ar autoritário, olhou me dizendo: Eu não a quero mais aqui, tá me entendendo! 
Nesta hora vi que não teria paz morando ali pois se nem dentro de minha própria casa tinha liberdade para receber as pessoas de quem gostava. E foi assim que Cristina e eu nos distanciamos. 
Também outro inconveniente, todas as vezes em que saia, ao chegar, meus sogros contavam a André ou faziam questão de perguntar me onde eu havia ido, bem na frente dele. Isso me enfezava pois o meu dever estava apenas com meu marido e não com sua família,  isso tudo foi de difícil adaptação para mim. André passou a observar onde estavam meus causados ou a chave de casa, pois segundo a concepção dele se estavam fora de ordem é porque eu havia saído, para mim soava com uma privação de liberdade. Não ter o direito de sair ao mercado, ir a casa de meu irmão Humberto, que morava ali perto sem contar a eles onde ia. Pois se meu marido me perguntasse eu acharia normal, agora  meus sogros não tinham nada haver com isso, essa ação deles prejudicava meu relacionamento com André.
Teve algumas vezes em que me arrisque em visitar minhas amigas e justamente por este mau comportamento "bisbilhoteiro" da parte deles, pensava eu na época, numa destas visitas André e eu nos desentendemos, ocorreu também grande discussão por eu ter ido a casa de Humberto a noite, num dia em que  André ficou de plantão trabalhando até a manhã seguinte e chegando ele em casa me acordou aos gritos: Como pode fazer isso comigo? Vim do meu serviço ontem e não a encontrei, pode me explicar? 
Respondi: Calma! Você perdeu a educação? Eu fui a casa da Leila... 
Ironicamente ele me  interrompeu: Há, foi a casa de seu irmão Humberto, mas custava ter ficado aqui?
Não,  não me venha com suas ironias! Eu o respondi.
Ele falou quase que instantaneamente comigo: Eu vim em casa só para vê-la, antes do plantão, chego aqui cade minha mulher?
Eu o pedi desculpa e disse: Não a motivo para tanta irritação, André, a Leila é minha cunhada e não vejo problema nenhum em ir vê-lá de vez em quando, digo isso por que meu irmão trabalhar muito e quase não o vejo.
Mas de nada adiantou, começamos a nos insultar e aí surgiram  nossas agressões, tanto verbal como física, que conflitosamente se descadearam em desentendimentos intermináveis, o sofrimento nós tomou, pensei ser melhor e fui passar o sábado distante de tudo aquilo, com minha mãe. Bem que ela ficou desconfiada,  pois a tristeza era estampada em minha face, mesmo assim não a disse exatamente nada, sabia que isso só levaria a mais sofrimento, além do mais recebi o tapa em minha face após eu ter feito isso primeiro. Me senti culpada, mas o grande vilão desta historia seria a forma como se interviram as pessoas em nossas vidas. 
Meses depois, eu comecei a ficar muito sensível emocionalmente, creio que pela gravidez, tudo me irritava facilmente, chorava atoa e não fazia minhas refeições corretamente. André demostrava grande preocupação, carinhosamente procurava comprar coisas nas quais eu gostasse  de comer, no entanto não adiantava,  já passava para o oitavo mês de gestação e estava com o mesmo peso do inicio. O  que seria um agravante para o parto, segundo o medico.
Também passei a ficar preguiçosa, afinal minha sogra quase sempre estava comigo quando não em casa, me chamava para ficar na sua. Eu não achava legal ter e este tipo de relação, por pensar que se casamos deveríamos, eu e André, cuidar de nossas vidas, houvesse o que fosse. Entretanto não foi bem assim, a ligação de minha sogra com seu filho era forte demais,  para ela André, era o menino dela e nada iria mudar isso. ( Hoje poço dizer que a entendo em parte, mas seus cuidados conosco passaram dos limites, já era hora de sermos independentes para começarmos a viver de maneira responsável.)
Não me esqueço de um dos finais de semana daqueles em que íamos almoçar na casa de meus sogros e antes de subirmos as escadas para casa deles comecei a me sentir mal, com fraqueza, provavelmente minha pressão estava baixa e disse a André: Não estou me sentindo bem. 
Nevoso com isso, me disse: Há, o almoço está pronto vamos logo, vai!
Eu o larguei falando sozinho e fui sentido a minha casa, ao entrar procurei o que beliscar antes do almoço, devido a minha pressão estar baixa teria que comer algo ou poderia ficar pior, peguei algumas bolachas salgadas. Em seguida André veio e mais bravo ainda e me criticou: Você não come direito, agora fica aí né? Comendo bobagem, larga isso, vamos! 
Eu disse: Dá pra ter um pouco de paciência, se eu não por nada na boca vou desmaiar, é isso que você quer? 
Neste momento chorei, sentimentalmente. Isso me abalou profundamente, pois eu esperava seu carinho e não sua revolta.

O NASCIMENTO DE  SABRINA

                    
Um dos momentos mais importante de minha vida, era noite minha irmã Nadir que veio nós visitar, ela percebeu que em minha feição que haveria de nascer logo, no entanto não creditei, por não sentir nada, nem um sinal quanto a isso. Assim que ela tirou algumas fotos de nós foi embora pedindo que a chamássemos se fosse preciso.
Minutos depois a Tia Viviana, nos pediu que ficássemos com Camile, sua filha e prima de André. André demonstrou não achar uma boa ideia, afinal eu já havia completado o nono mês de gestação, mas eu insisti que deixasse, por pensar que não haveria problema algum, assim a menina ficou conosco.
Ao passar das horas, conversávamos na cozinha, comecei a sentir um cansaço estranho, fui me deitar e ao sentar-me na cama, senti contrações fraquinhas. Permaneci deitada, André quis chamar sua mãe para perguntar o que ela achava, mas eu disse que não poderia ser, pois não passava de uma leve dor.  
Mesmo assim ele a chamou e veio ela e sua tia Rafaela, as duas assustadas em concordância disseram: Sua barriga está baixa e por mais que as contrações sejam fracas é melhor se prevenir!   
André irritadíssimo por eu ter aceitado ficar com Camile, falou: Olha só o rolo que você me enfiou, que faço com a menina agora?
Logo ele se acalmou, a menina ficou com a tia Rafaela, chamaram Pablo tio de André, que tinha carro para nos levar ao hospital.         
Essa foi a noite mais longa de toda minha vida, além da ansiedade, as dores se intensificaram, meu desespero era tão grande que fiquei alucinada, cheguei a pensar que não aguentaria.
Na época eu não tive noção do descaso das enfermeiras daquele hospital público, mas hoje sei que foi total. Provavelmente não teria sofrido tanto se o atendimento tivesse o mínimo de dignidade. E a amargura foi mais terrível ainda por ver o sofrimento de todas as outras mulheres que estavam lá para terem seus filhos. Uma delas deu a luz sozinha, bem na cama ao meu lado e ainda chegou tomar bronca de uma enfermeira, que dizia, "você deveria ter segurado mais".  
Eram onze horas da manhã, minha bolsa só tinha se rompido com a ajuda da enfermeira, ai as contrações fortes não paravam mais, pensei: Meu Deus, vou ter meu bebê agora, sozinha! Neste momento, a enfermeira examinava outra paciente e estupidamente disse a ela: Se você não se ajudar não podemos te ajudar! E olhando para mim ela disse a  pobre mulher: Ela vai primeiro e você faça força ou ficará ai com sua dor! 
Ao ouvir isso me veio uma mistura de sentimentos como alivio e indignação, pois não havia nem mesmo compaixão naquele lugar, muito triste mesmo. Chegando na sala de parto, as enfermeiras zombavam de algumas pacientes, inclusive de mim, mas como Deus é bom tinha uma boa alma que se compadeceu de mim dizendo: É o primeiro bebê dela gente, vamos ter mais calma!
Com isso uma delas se apoiou com os braços em minhas costelas e praticamente empurrando o bebê  para fora. Em seguida, olhei para o bebê que não chorava e a enfermeira o chacoalhou, assim logo escutei os primeiros sons produzidos por minha filha Sabrina.
Foi com grande emoção que a vi; parecia uma bonequinha Linda! Tão pequena, tão frágil mas sua face rosadinha mostrava saúde, mesmo tendo nascido com dois quilos e quinhentos gramas, com quarenta e cinco centímetros, perfeita, graças a Deus! 



            

Ser mãe!

Ao sair do hospital, me aguardavam minha sogra e minha Irmã Nair que havia ido me buscar. Ao entrar no carro me faziam muitas perguntas e perguntas, pois Nair e André se surpreenderam com demora do nascimento de Sabrina,  pois haviam ficado horas frente ao hospital em uma ansiedade por noticias minha e do bebê, no entanto como já disse ali o atendimento do hospital era precário. Chegando em casa fiquei feliz por ver a minha mãe, eu a abracei e senti o imenso amor que nos rodeava e me veio a paz interior na qual eu havia perdido naquelas horas de dor onde não tive o minimo de carinho ou generosidade, se não fosse por aquela enfermeira que apiedou se de mim e pela grande alegria que senti de ver minha filha bem,  minha dor teria sindo muito pior, por isso digo, a maravilha dessa dadiva que é ser mãe, supera todo e qualquer sofrimento, é uma benção de Deus. 


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Com o passar de alguns meses ocorreu o batizado de Sabrina,  a escolha dos padrinhos foi feita de forma dramática, pois meses antes de me casar, quando minha sogra soube de minha gravidez fez pedido assíduo de que a sua irmã (tia Viviana) fosse a madrinha, por ela almejar isso a muitos anos e não ter tido essa alegria ainda, eu e André aceitamos em fazer sua vontade, mas infelizmente não deu certo, assim que as duas tiveram uma daquelas brigas bobas como de costume,  D. Selma perdeu as estribeiras  e exigiu que não a dessemos seu neta em batismo. Para não ocorrer mais desavenças decidimos convidar  minha Mãe e meu Irmão Danilo. 
No dia do batizado veio minha irmã Moni e alguns parentes de André, foi um feliz dia, apesar dos elogios recebidos de minha irmã com relação ao meu cuidado com Sabrina, pude notar que ela e minha mãe perceberam de que eu tinha muita noção de como cuidar da casa, isso me chateou afinal eu queria muito ser capaz de cumprir com minhas responsabilidades e mostrar isso de forma humilde. Neste tempo eu já me sentia inapta e muito pra baixo quando alguém percebia algo de errado no modo com que condizia as coisas, principalmente se me criticavam, me sentia muito triste, pois eu me esforça para fazer tudo de forma correta no entanto não tinha a experiência necessária para isso, era muito atrapalhada e desorganizada.
E com o passar do tempo o caldo entornou mais ainda, não conseguia conciliar a casa e minha filha. Toda vez que decidia fazer uma faxina na casa ficava tudo pela metade, era terrível ver que nada dava certo. Uma vez André chegou em casa e tava tudo de pernas pro alto, eu com Sabrina no colo e desesperada por ver que ele  havia chegado e não ter conseguido fazer nada. Ao me ver ele riu e disse: Calma, logo você ira se acostumar e vai dar tudo certo.
Mesmo com todos meus esforços, tinha os horários completamente atrapalhados, isso se deu ao fato de que desde o inicio de meu casamento, André tinha  um costume de acordar tarde e dormir mais tarde ainda, quanto a mim antes disso, quando era soteira, dormia sedo e acordava sedo, penso eu que isso foi um dos fatores que causaram tanta desordem em minha obrigações.
No começo eu até acordava cedo, mais André pedia que eu não fizesse isso pois atrapalhava seu sono. Então ficávamos na cama até quase onze horas da manhã, tomávamos café, ele ia trabalhar e eu ficava  com todos os afazeres de casa. Quando ele chegava já eram onze horas da noite, ficávamos até uma hora e as vezes até duas horas da manhã acordados, nem conseguia controlar os horários de sono de Sabrina. 
Quase constantemente recebia visitas de, minha sogra e alguns parentes de André que por sinal eram nossos vizinhos. Por mais que fossem agradáveis estas visitas, elas me complicavam nos afazeres, devido aos pedidos para pegar o bebê que dormia no do berço, isso também não somente desorganizava meus horários como o sono de Sabrina, onde não tinha tempo para mais nada a não ser ficar com ela no colo. 
Eu já sou lenta e para falar a verdade não gosto de afobação para realizar qualquer tarefa, sinceramente não consigo mesmo que se esforçando para ser ágil, isso me deixa desolada pois sempre que tentava fazer as coisas com agilidade me atrapalhava, pensava: Sua incompetente! Nem para cuidar de uma casa, eu sirvo que droga! 
Com o passar dos dias as coisas foram se organizando um pouco mais. Em uma noite de sexta-feira para sábado, estava eu como de costume na porta de casa esperando por André,  neste dia estava tudo impecavelmente pronto; casa limpa, café, pão caseiro, bolo, mesa arrumada. E nada do meu marido chegar, ai comecei a imaginar tudo quanto era tipo de bobagem: Será que foi assaltado? Será que saiu com alguém, safado, deve estar com outra!
Nisto D. Selma veio a minha casa e perguntou por André, quando falei que não havia chegado ainda, ela ficou muito preocupada e o aguardou comigo. Uma vizinha que passava na rua notou nossa preocupação e perguntou: Porque estão aflitas? 
Ao explicarmos o motivo, logo veio o marido dela, que nos ouvindo disse, com um sorriso irônico: Hiii! Melhor ir se acostumando, não se preocupe, normal, daqui a pouco ele chega, é a cervejinha! 
Ouvindo essas palavras torpes, me fervilharam mais as idéias de que era traição, neste momento o nervoso me queimava por dentro. Saindo os dois, minha sogra se zangou com o homem e disse: Meu filho não é como você! Não ligue, ele é um bêbado sem eira nem beira, não sabe o que fala! 
Mesmo assim não me acalmei, já eram quase duas horas da madrugada e nada de André chegar. Minutos depois o vi chegando no começo da rua, não sei dizer o tal sentimento de angustia e revolta que me tomaram, pois só me vinha a mente ele num bar com seus colegas e pior acompanhado por mulheres. 
Ao vê-lo com sua cara deslavada, com aquele sorrisinho sem graça, a vontade era de enche-lo de tapa, mas me controlei e fui logo perguntando: Onde Estava? Porque chegou essa hora, se sai do serviço as dez e meia da noite?
Respondeu ele: Calma! Eu sai com uns colegas. Não ia aceitar mas eles insistiram, desculpa!
Foi onde enxovalhei o com minha raiva: Seu canalha, não tem consideração, nem pra ligar para avisar. E se fosse eu, o que faria em? Seu cretino... Seu hipócrita... Seu... Nisto minha sogra e a tia   Viviana havia se juntado a nos, gritaram: Nossa da pra ter calma, ele chegou bem e isso que importa!
André disse: É assim que ela me recebe depois de um dia cansativo de trabalho.
Retruquei o dizendo: Trabalhando? Você tava era na farra!
Nisto eu entrei deixando-os do lado de fora, em seguida André entrou, sua mãe e a tia Viviana haviam ido embora. Eu passei dias chateada com ele. Posso dizer que aqui começou a minha desconfiança em André e o meu ciúme desacerbado por ele se multiplicava, onde trouxe desavenças que passaram a ser comuns no nosso dia dia.


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Eu já vinha sentido ciúmes de André desde nosso namoro no qual se intensificou após o casamento, penso que foi não só por tê-lo como meu marido amado e além da imensa paixão que sentia, também o via como meu melhor amigo, o único companheiro que podia contar. E por minha filha sentia um amor incondicional, o que seria saudável, se não fosse por todas atitudes impensadas que tomei com incalculável ciúme que sentia por eles, dificultando ainda mais meu convívio com as pessoas. Neste tempo eu via pouco minha mãe e as pessoas de minha família com relação ao que via antes o que era normal entretanto,  também perdi o contato com minhas amigas até mesmo com Denise de quem André havia cativado grande amizade. Por mais que tivesse toda atenção de sua mãe e tias de quem eu já tinha muito apreço, não era a mesma coisa. Se houvesse algum desentendimento, eu estava só, era muito difícil ficarem ao meu favor, talvez por eu ser um membro novo na família, não tinham tanto afeto por mim ainda. Mas de uma coisa eu tenho certeza André sempre me amou e não importa todas as dificuldades que passamos nós sempre permanecemos juntos.


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Um dia sai para uma loja que ficava próximo de minha casa para comprar uma tiara para Sabrina e a deixei  dormindo, por ela ter acabado de cair no sono pensei que fosse dar para voltar a tempo, antes que acordasse, isso foi uma grande irresponsabilidade, atitude mais tola que havia tomado nos últimos tempos. Estava eu na loja fazendo o pagamento da compra. Quando sinto as mãos do meu sogro nas minha costas dizendo num tom bem nervoso de preocupação:





Caramba Raquely, como pode deixar o nenê sozinho chorando? Por que não a deixou lá em casa? Vamos logo! Estão todos te procurando, a porta está trancada menina, como íamos entrar para pegar Sabrina.
Com isso corremos para casa, ao chegar passei por uma grande vergonha pelos olhares de julgo dos que lá estavam a porta de casa me aguardando para socorrer Sabrina. Ao ouvir o choro de minha filha me senti muito mal eu só queria correr em direção a ela e abraça-la e mesmo que ela não entendesse a pedir perdão, entretanto D. Selma a pegou antes que eu pudesse chegar ao berço e me disse: Não faça mais isso por favor! Se querer sair e ela estiver dormindo me avise, que eu cuido. 
Isso doeu profundamente, sabia que minha sogra estava com a razão e de nada iria adiantar eu me explicar, então permaneci calada. E quando pensei de pedir que me desse minha filha para que eu pudesse acalmá-la,  ela  foi em direção a porta dizendo:


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Eu quero ficar um pouco com ela, ontem quando cheguei do serviço não tive tempo de vê-la. 
Foi uma terrível forma de aprender que nunca se pode deixar o bebê sozinho, mesmo que por alguns minutos dormindo.

Em uma noite estava com Sabrina no colo e olhava para ela e pensa: Meu Deus como é linda! Quando chegar aos seus 15 anos como ela vai ser? Alta... Baixa... Será que seus olhos irão mudar o tom da cor ou vai continuar com este azul celeste e seu cabelinho, ficará parecido ao Danilo, ruivo vermelho fogo? Ou ruivo claro como da Marina minha sobrinha? Talvez fique loira como a mãe! 




Espero que seja mais centrada, coisa que nunca fui, perspicaz como seu pai e bondosa como a vovó Sandra, claro que sem perder sua essência.
Nisto esculto batidas na porta, era a Selma que vinha fazer mais uma visita como sempre. Nós conversamos muito sobre a bebê, e ela  me perguntava: Ela já parou um pouco com aquela manha? Que não te deixa fazer nada? 
Respondi: Estou tentando equilibrar os horários de sono, amamentação, mas está muito difícil ainda.   
Selma disse: Sabe, eu acredito que foi por sua própria culpa, você a mimou e outra muitas vezes em que venho aqui, você está à amamentado e outras está trocando suas fradas, sabe, parece que sempre procura inventar algo para que não possamos pegar ela no colo.
Busquei uma forma de me explicar, mas foi inútil, ela não me ouvia. "Hoje quando lembro disto percebo que ela tinha parte da razão, no entanto na maioria das vezes a Sabrina era acordada por ela e outras pessoas que lá iam pra vê-la. Houveram ocasiões  onde eu estava terminando fazer algo as pressa para não deixar passar a hora de amamentar, entretanto em seguida lá chegava alguém querendo pega la, então eu dizia: Espera  deixa eu dar mama pra ela, tá na hora. 
Mas renitentemente diziam: Há! Para com esse ciúme bobo vai? Deixa eu pegar ela um pouquinho! 
"E esse pouquinho rendiam muitos minutos, até mais de uma hora."
Bom voltando a visita da vovô Selma, nossa conversa havia mudado de rumo, começamos falar sobre alguns conflitos dela com suas irmãs. Foi ai que me lembrei de todo o aprendizado que tive desde muito nova, também dos bons concelhos que tive naquela creche espirita. "Paciência, Amor e não julgo, pois o único Juiz é Deus!"  
Peguei um caderninho que tinha anotações evangélicas, onde havia um fundamento espirita, entretanto eu sentia que haviam respostas relevantes para uma vida com paz espiritual.  Então eu a perguntei: Poço ler alguns trechos, destes dizeres que apreendi? Ela aceitou. 
Falamos sobre; precipitações, nervoso inútil, atitudes desnecessária, o amor próprio,  como amar ao próximo na forma qual disse Jesus, e quando eu citei sobre paciência, D. Selma disse: Olha paciência eu até tenho, mas não sou boba, ninguém me engana. Eu já deixei me levar, passar muitas coisas que me prejudicaram só pra não entrar em confusão, mas agora vi que é oito ou oitenta, não deixo mais que me façam de trouxa!  
Com isso eu li mais algumas folhas, ela estando mais calma, me pediu desculpas, pois teria que ir para sua casa e se levantando disse, que gostaria sim, em uma outra hora conversar pouco mais sobre o assunto no qual falávamos.  
Essas conversa me fez refletir, sobre mim, lembrei do que muitos me diziam: Nossa como você é boba! Como pode aguentar? Te tratam assim e permanece calada, reaja Raquely, lute por seus direitos! Mas no meu interior sentia que era errado contestar algo que poderia prejudicar um relacionamento. Melhor é a paz  do que o ganho em uma disputa fútil.

A primeira discussão com minha sogra

Passado alguns dias, aconteceu um acidente com André no serviço, ele havia cortado se dedo em uma maquina de frios e precisava ir ao medico. E ao chegar em casa, pediu que eu procurasse seus documentos para ir ao medico. Não me lembro direito o porque, mas D. Selma  subiu as escadas do prédio com André em quanto eu procurava os documentos. E Eu vi que um brinquedo de Sabrina pelo chão, estava desmontado, tentei arrumar e pensei meu Deus, o documento onde está? Na hora em que eu revirava a gaveta, eles entraram e viram que eu não tinha achado o documento, André nervoso falou: Que droga, nem nestas horas eu posso contar com você! 
E D. Selma com grande grito disse: Há, esquece é uma inútil mesmo, será que não dava pra larga as coisas de Sabrina no chão e e ajudar seu marido que precisa ir no medico! 
Me senti tão ofendida, que falei num tom mais auto: Da para ter mais calma, caramba, eu estou procurando. Nisto vi o documento, estava na gaveta de baixo, em seguida a mãe de André, puxou-o de minha mão e entregando para André, falou: Ela não achou antes porque é enrolona, é muito mole mesmo! 
Nunca havia me sentido tão humilhada como naquele momento, me irritei a ponto de ir em sua direção e dar um grito estridente dizendo: Quem é você? Que pensa pra falar assim comigo? Eu exijo respeito,viu!  
André mandou que eu me calasse e entrando entre nós duas disse para mim: Você quem deve ter mais respeito por aqui, minha mãe tem razão. Há, qué sabe? Fica ai  suas duas loucas, eu vou ao medico sozinho!
Eu disse : Espera, eu vou com você! 
E ele retrucando: Não fica ai!
E D. Selma rapidamente disse: Não filho eu vou com você lá, espera! 
Mas ele acabou indo com meu cunhado. E nós duas ficamos discutido,  pedi para ela parar e ainda mais ela falava. Foi ai que peguei  Sabrina e fui a casa da Cristina, no entanto ela me seguiu até lá. E não parava de falar, Cristina vendo que as coisas não estavam bem  me puxou para dentro de sua casa , ficando do lado de fora fechou a porta e acalmava D. Selma, dizendo: Calma, da para se acalmarem, o que acontece? Por que estão assim?
É essa mole, que não da conta nem de procurar um documento que meu filho precisava para ir ao médico, ele cortou dedo coitado. Disse Selma
E a tia Viviana falou, a ela que tivesse mais calma pois eu era muito nova, logo as coisas entrariam no eixo. Cristina veio em meu favor e disse: Claro a coitada não tem o minimo de liberdade em sua própria casa! Deixem os dois viverem a vida deles, vocês só atrapalham!
Nisto notei que começaram a falavam só defeitos meus, ai chorei inconsolavelmente,  quando elas entraram, eu me levantei do sofá e pedi que D. Selma  me deixasse em paz, mas ela disse: Estou na casa de minha irmã  menina, não saiu não! 
Fui em direção a porta na intenção de sair mas Cristina pediu que eu ficasse, passando alguns minutos D. Selma se acalmou e foi embora. Fiquei um bom tempo  na casa de Cristina, me sentindo mais calma fui para minha casa.
Não julguem por favor as pessoas, pois além  de mim, minha sogra a ficou extremamente chateada com o ocorrido. Quando sai de perto dela, não foi por medo e sim por mal aguentar suas  palavras, que de certa forma em minha concepção algumas delas faziam sentido. 
Com o passar do tempo fiz amizade com uma pessoa muito bacana, que hoje é tão especial e digo que é minha amiga e irmã de coração.



  "Imagem colhida da Web, como todos as imagens deste blog" 


Estava eu  no varal comunitário do prédio recolhendo as roupas, assim que Carolina me viu, muito simpática, começou a puxar papo comigo, de lá ela olhava suas duas filhas Raisa e Sandra que brincavam no Playground da praça que ficava frente ao prédio.  Logo percebemos que tínhamos algo em comum, ela era muito amiga da família de André e há anos que ela os conhecia. 
Eu precisava ir para casa, pois Sabrina podia acordar, então ela quis vê-la, chegando próximo ao berço a bebê dormia como um anjo, disse Carolina: Muito linda, parabéns!
Foi deste modo que passamos a ser grandes amigas, assim quase sempre nos víamos e tínhamos agradáveis conversas, onde recebia muitos conselhos bons nos quais me ajudaram em muitas coisas.
Numa manhã em que tomávamos café, eu e André falávamos sofre a data do aniversário de Sabrina que se aproximava, como minha casa era pequena demais para receber as pessoas para uma festa e a Moni havia dado a ideia para fazê-la na casa de nossa mãe e eu curti muito isso, pois ficaria muito mais cômodo para todos, aceitei. Deste modo começou os preparativos e nesta mesma manhã Danilo veio buscar as coisas que eu havia comprado para a festinha e ele demostrou preocupação com a crítica que ouvira alguém mencionar, que a organização da festa ficou por conta e que eu contribuíra pouco, mas ele ao ver que minha mesa estava abarrotada de coisas que tirava do armário disse: Nossa, mais esse povo não tem mais o que fazer, falam o que não sabem mesmo.
Ele com grande carinho tinha comprado algumas coisas pra me ajudar e pedia que eu dissesse que fora eu que as levei. Entretanto no outro dia, ao chegar a casa de minha mãe,  me disseram: Você comprou bastante coisa, não precisava tantos ovos! 
Como eu não consigo enganar ninguém, disse, foi Danilo quem comprou, com isso deram risada, até mesmo eu. 
Eu estava tão empolgada com o aniversário de um aninho de Sabrina que fiquei dias planejando a sua primeira festinha, eu fiz os convites a mão, peguei os desenhos de uma caixa de gelatina, na qual a estampa era dos personagens da disney os copiei.





 "Imagem colhida da Web, como todos as imagens deste blog" 


Olhando detalhe por detalhe consegui desenhá-los em papel de almaço, assim tive a ideia de xerocá-los e colorir a lápis, me senti orgulhosa com meu trabalho e resignada por não comprar os convites da loja, como também a decoração da festa, que eu mesma confeccionei. Foi um dia de muita alegria e união onde consegui finalmente reunir minha família e aos pais, tios e primos de André, que agora eram meus parentes queridos.          

  Essas imagens não são da festinha em si, que por sinal foi muito mais simples, mas me lembra um pouco do que tentei realizar naquele tempo.

Um Bolo parecido com este, foi feito com muito carinho por minha cunhada Ana Cláudia, com quem Luiz havia se casado a pouco tempo, nesta época ela estava com quase nove meses de gravidez, Sabrina ia ter mais um priminho.  Nosso família que já era grande se multiplicava ainda mais. 
Dois meses depois, numa manhã de sábado ao me levantar da cama, senti uma tremenda náusea, tontura como nunca havia sentido, pensei que poderia ser uma indisposição, devido ao jantar da noite passada. Fiquei assim por duas longas semanas, até que percebi o atraso menstrual, foi onde imaginei estar grávida, mas pensei: Não pode ser! Se já vinha tempos desregulando o ciclo menstrual, não é!


   "Imagem colhida da Web, como todos as imagens deste blog" 

Com correr dos dias, senti que não havia mais duvidas, todos aqueles enjoos, a fome desacerbada que sentia em horários inadequados, os desejos repentinos. Pensei: Meu Deus estou grávida!





Não me lembro da reação de André ao contar, mas me recordo que ele ficou feliz quando lhe entreguei o resultado no qual eu  havia pego naquele mesmo mês onde minha gestação já chegava ao terceiro mês e por mais que tínhamos muitas dificuldades ainda, e nossa renda mal dava para despesas do mês e a preocupação aumentasse, nós ficamos muito felizes! 
O Natal passamos na casa de minha mãe, lá estavam todos meus irmãos, cunhados e sobrinhos. Até José que morava em outro estado, esteve conosco, foi um dia muito bom, repleto de alegria para todos nós.

 "Imagem colhida da Web, como todos as imagens deste blog" 

E o ano novo, ficamos na casa de meus, sogros. As tias Viviana e Rafaela e seu filhos estavam lá, a principio fiquei muito triste pois senti muita falta de estar com minha mãe e irmãos, no entanto, sentia-me contente porque estava com minha nova família que só vinham a somar com aqueles que amo, eles foram muitos atenciosos comigo, me deixaram feliz por estar ali naquele momento no qual eu considerava muito importante.


  
Meu irmão Danilo quase sempre ia nós visitar o que me dava uma imensa alegria. Neste mesmo ano Danilo e Olga haviam se casado. Olga estava grávida também, eles aguardavam com ansiedade a chegada de seu primeiro filho, por receio as críticas que com certeza surgiram da parte minha família não os contei que teríamos nosso segundo filho. Entretanto em uma dessas visitas, não dava para esconder o que já era visível. Ao me virem disseram:
Heee.... Dona Raquely grávida! Já tínhamos nossas duvidas, mas com essa barriguinha não precisa nem nós contar!  
Eles demostram se preocupados de como iríamos viver, pois se criar um filho já é muito difícil, especialmente para nós que eramos novos, que iniciávamos nossa vida naquele momento, com mais um filho então! Mas logo eu os falei sobre o novo emprego que André arrumara naquele mês, em uma boa firma onde tanto a condição salarial era melhor como também alguns de seus benefícios que receberia, o qual em seu ultimo emprego não possuía nenhum. 
Assim  eles ficaram mais positivos e alegres por mais um sobrinho na família.

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