quinta-feira, 5 de dezembro de 2013

O namoro!

CAPÍTULO IV 
FATOS CORRIDOS 1992



Essa é parte de minha vida onde houve várias mudanças, muitas alegrias, como esse presente de Deus que é o meu amor. Entretanto também houve  muita perda e  os nervos foram a flor da pele, o que no meu caso foi de difícil adaptação. Pois enquanto eu estava aos cuidados da minha família tudo parecia mais fácil, no entanto, fui a busca de uma independência que praticamente nem existiu. Comecei a pagar minhas despesas pessoais, passei há ajudar um pouco mais em casa. Mas a creche onde eu trabalhava estava em crise e ocorria um grande corte no quadro de funcionários, eu não havia sido incluída nesta dispensa por possuir grande apreço da diretoria. Tanto a diretora quanto a vice, fizeram várias convocações, naquela semana tumultuada pelas reuniões onde seriam comunicadas as mudanças pelas quais iriamos ter que passar. A cada convocação de funcionários para a demissão, a angustia em meu interior aumentava, e tinha a convicção de que não teria chance contra todas aquelas profissionais experientes. Ao ouvir meu nome, meu coração foi a mil. "Raquely é para você ir à diretoria".


 "Imagem colhida da Web, como todos as imagens deste blog" 


Ao me sentar na cadeira para ouvir o que tinham a me dizer, só pensava no que seria de mim se fosse demitida, pois eu amava meu trabalho e já havia me acostumado com as crianças. Tudo o que ouvi não condizia nada do que imaginara, pois recebi somente elogios a meu trabalho e um único conselho de que deveria ter mais confiança em mim, pois o mundo é dos fortes e se não mudasse meu conceito  ele me engoliria.  
Em um final de semana estava com Denise no portão de casa, falávamos, sobre o dia em em que conheci André, dizia ela: Se fosse eu ficaria com Diego! 
Eu a retruquei: Não tem nem comparação Denise, com que senti ao ver André com Diego, mesmo com todas aquelas investidas dele, nunca me fez sentir nem atraída. Além de lindo, André possui bons sentimentos!
Quando eu terminava de falar isso, parou uma um carro bem em de frente casa, era André com seu primo.
Minha face esquentou, devo ter ficado vermelha como sempre fico, pela minha bem dita timidez que não deixa ficar em oculto meus sentimentos, pensei: Será que nos ouviram! 
Nem conseguia olhar para eles, quanto mais ficar com André frente de casa, o receio de que alguém nos visse juntos era grande, por não ter contado sobre ele minha família. Minha atitude não o agradou nem um pouco, logo foi embora. Ao vê-lo entrar no carro, fiquei triste e preocupada se isso afetaria nosso namoro. Ao entrar em casa me recordei, daquele dia na Zoster, em que Denise apontou para um moço e dizia que queria ficar com ele, era André. Esperta ela né!

    
 "Imagem colhida da Web, como todos as imagens deste blog" 


No dia seguinte eu e Denise combinamos de irmos onde morava André, ela foi porque Diego morava nas proximidades da casa dele e queria falar com ele. No caminho, ela decidiu fazer um "atalho", que não nos ajudou em nada. Denise nunca me dava ouvido, ao atravessarmos uma rua, lembrei, de outro dia quando íamos ao ponto e André subira a mesma rua. Eu disse: Olha, não essa é a rua que...
Raquely, é descendo aqui, vamos. Disse ela, me impedindo de falar o que eu tinha pra dizer. 
Quando estávamos bem distante de onde moravam eles realmente, ela disse: Que droga, não é por aqui! 
Eu posso falar agora Denise. Eu a disse. 
Ela respondeu: Fala Raquely!
Então como eu te dizia e você não deu ouvidos... Lembra, daquele dia em que André nos deixou no ponto lá na rua de cima. Ele entrou naquela rua e virou a direta na terceira travessa. Falei a ela.
Ela disse: Há, que droga, por que não disse antes. 
Ao chegamos no prédio que André morava, Denise disse: Apertar interfone, o namorado é seu. 
Mas pedi que ela fizesse isso, pois era bem mais desinibida, ela deu sorriso irônico e apertou mais do devia o interfone, penso eu, pois de repente escultei um grito estridente: Quem éééé?!
Nos duas ficamos paradas olhando uma para outra, ai novamente: Quem é? Porcaria, será que não sabe que essa droga tá quebrada!
Saímos para fora, olhamos para cima e vimos duas mulheres e uma delas nos falou: Nossa, desculpa moça, o interfone só toca, está quebrado sem comunicação, não ouso nada daqui! 
Perguntei: André está? Em seguida eu o vi com aquele sorriso encantador. E a mulher que havia me atendido, era minha futura sogra pediu que subíssemos, mas André preferiu descer. Então fomos a casa de Diego, ficamos ouvindo musica quase tarde, André decidiu ir a sua casa buscar um disco vinil. (é como o CD de hoje, só com uma enorme diferença de tamanho, o disco vinil é enorme em relação ao CD).  Eu me levantei na intenção de ir junto, Denise disse: Deixa eu ir junto Dé, eu quero conhecer sua mãe! 
Isso me chateou, e  me irritei tal ponto de ficar emburrada com à atitude de André que me disse: Já volto! 
E com um sorriso sínico teve coragem de falar a seu amigo: Cuidado em cara, é minha! Ali senti que não podia confiar em Denise. 
Ao retornarem com o disco, passou-se algum tempo e dessemos. Ficamos por algum tempo conversando em frente ao prédio de Diego, até que apareceu um homem falando alto com André, em meio alguns palavrões: "Cadê o troco do pão..." . 
Ele notando que todos riam daquela situação, se acamou e passou a rir junto e falou que não era mais para André ficar com seu dinheiro. Foi assim que conheci meu futuro sogro.    
Dias se passaram, já era noite estava eu tomando banho, escuto alguém chamar, percebi que Danilo atendera. Escutei umas batidas a porta do banheiro era Danilo: Raquely! Vai logo tem um amigo seu na sala te esperando. 
Gelei, pensei: Meu Deus, será, não pode ser, ele não faria isso sem me avisar! 
E outra o banheiro era num corredor que dava para sala, teria de passar por lá para ir ao quarto. Fique sem ação, me enrolei na toalha e ao sair nem olhei em sua direção, passei correndo para o quarto e bati a porta. Coloquei a primeira roupa que encontrei, mal me arrumei, ao ir a sala vi  que os dois  entrosaram bem e falavam de algo no qual os dois gostam muito, musica, bandas...
Nem o cumprimentei e disse: Vamos! 
Ele se levantou, já estava eu abrindo a porta quando olhei Danilo soltando um largo sorriso sarcástico, sai o mais rápido que podia.  Chegando no portão, André meio que chateado falou: Por que essa pressa toda!
Pedi desculpas a ele e o beijando disse: Você sabe não estou preparada para enfrenta los ainda. Tenho muita vergonha, todos vão caçoar de mim! André não gostou nem um pouco, ficou sem entender o quão eu era infantil neste termo, pois ele era meu primeiro namorado!
Numa manhã, em que chegávamos do Front, o dia nem havia clareado e eu tinha que ir trabalhar. André disse que voltaria, pois tinha o convidado para ir a feira beneficente que teria na creche. O sono me foi um grande e vilão naquele momento, afinal não havia dormido e não tinha tempo nem para um cochilo, no entanto decidi descansar um pouco, doce ilusão, dormi mais do que devia e perdi a hora de ir ao trabalho. No acordar, vi  as hora e dei um pulo da cama de susto. Pensei: Melhor não ir. 
Sabia que o sermão da diretora seria grande, preferi ouvi-lo depois. Mas não tive noção da burrada que fizera. No outro dia fui trabalhar normalmente, ao bater meu cartão de ponto, me disseram que era para comparecer à diretoria, tremi de preocupação, sabia que tivera feito algo completamente fora das normas da empresa. Embora a diretora tivesse sido rígida, sua paciência era nítida, ela me comunicou de que iria dar-me uma carta de advertência. Sai de la completamente transtornada, não tinha nem ideia  do quanto isso me afetaria profissionalmente. Estava com as crianças no pátio, como era de costume naquele horário e duas colegas de trabalho imprudentemente me deram mau conselho, disseram que era melhor me demitir, pois se assinasse a carta de advertência, ao sair de lá não teria mais chance de um novo emprego. 
Na mesma hora, deixei as crianças aos cuidados delas e fui pedir que me demitissem. A diretora extremamente zangada disse: Não farei isso não! Por que quer sair daqui, pela Carta que vai assinar? 
Respondi: Sim, sei que se assinar dificilmente conseguirei outro emprego, então peço demissão. 
Ela me olhava com toda sua reprovação a minha atitude e me disse: Não farei isso e outra, é só uma carta de advertência, filha, isso não irá te prejudicar profissionalmente, quem disse isso a você? 
Não contei, pelo simples fato de não querer prejudicar minhas colegas, nas quais eu pensava que tinham apenas a intenção de me ajudar.
Como a diretora não aceitou seu pedido, procurei o escritório central do estabelecimento e pedi a demissão. Fiquei muito triste por esse fato. A partir daí, eu e André passamos a procurar emprego e  a nos vermos com mais frequência. 
Houve um sábado em que André e Denise apareceram de surpresa em minha casa. Não me incomodei, pois eu já estava me habituando com a presença dele e ele estar em minha casa, já não eram mais estranho. Até então, minha mãe não sabia de nosso namoro. Ficamos algum tempo na sala assistindo TV, enquanto minha mãe estava na cozinha. Nem dei muita atenção a ele, por receio de minha mãe desconfiar de nosso namoro. Até que levantamos para sair, mas Denise se antecipou e foi a cozinha dizendo que iria beber um copo de água. Ao chegarmos no portão, André pegou na minha mão e escutei alguns gritos de Denise: "Corre dona Sandra, eles estão de mãos dadas, corre!" 
Tentei me safar de suas mãos, mas ele me segurou firme, meu rosto deve ter ficado vermelho como um pimentão e minha mãe entrou as gargalhadas voltando para casa. Assim minha mãe ficou sabendo de nosso namoro e André passou a ir em casa com mais frequência.
Neste mesmo dia, ao anoitecer, estávamos no portão de casa e André me questionava se eu já havia namorado, eu disse que não. André insistiu que, segundo Denise, eu tivera gostado de alguém e assim começou nossa primeira briga por ciúme de André que dizia: Foi apenas esse cara que você gostou? Ou teve outros? Com quantos já ficou? Qual é o nome desse cara? Entre outras perguntas. 
Eu falei algumas coisas que o aborreceu, mas já mais tive a intenção de deixa-lo com mais ciúme ou amargura-lo. 
Indo ele embora, no entrar em casa, minha mãe olhava pra mim aos risos e dizia: Esse moço é  mais novo que você.
Respondi: Ele tem 19 anos, é mais velho que eu. 
Ela não acreditou. Passando-se cerca de um mês, estávamos no portão de casa, de onde surgiu aquela primeira discussão e nossa conversa se direcionou ao mesmo assunto gerador de ciúmes por parte de André que disse: Você ainda não me contou tudo sobre suas paixões passadas, pois sei de coisas que Denise me contou. Para piorar a situação, o cara com tive um pequeno envolvimento tolo, passava pela rua naquele exato momento e numa idiotice minha falei: Olha ele ali! 
André ficou furioso comigo e falou várias ofensas, foi onde descobri que ele era muito possessivo, mas ao mesmo tempo, em meio a agressividade de suas palavras, senti que ele gostava de mim de verdade. Assim me senti mais segura com meus sentimentos em relação a ele, nos quais deixara em oculto já fazia bom tempo que sentira algo que de tão puro e intenso não sabia explicar pois nunca tivera sentido aquilo. Desta forma percebi que poderia entender o que acontecia comigo e expressar o que eu sentia por ele, sem medo de perdê-lo. Pois antes disto, eu tinha a concepção de que não era viável demonstrar meus sentimentos a ele enquanto não tivesse certeza de que seus sentimentos condiziam com o meu. Até aquele determinado momento, onde me tranquilizei e pensei em revelar meu amor por ele.       


 "Imagem colhida da Web, como todos as imagens deste blog" 

Numa madrugada em que saíamos mais cedo do Front, André disse: Vamos a minha casa até que os ônibus voltarem a rodar. Pensei, melhor não e disse: Mau conheço sua família, não quero os incomodar, olha a hora? 
No entando com sua insistência dizia: Não irá incomodar e outra, pior se formos a pé à sua casa que é longe, pois minha mãe irá preferir que você vá lá, do que irmos agora para sua casa essa hora a pé.
Ao entrarmos notei que todos dormiam, eu disse: André vamos esperar na praça!
Deixa de bobagem, esta frio, aqui vamos ficar melhor. Respondeu ele. 
E pegando em minha mão me levou a sala perguntando: Esta com fome? Tem bolacha, pão, o que quer? 
Não, obrigada! Respondi, mas ele com todo carinho fez chá e nos alimentamos. Ele comentava sobre as bandas de rock que gostava e colocou um disco onde tocava uma música, My White Devil,  de Echo & the Bunnymen.


   

É da hora, esculta, você vai gostar. Disse ele.
Quando ouvi disse: Linda mesmo!
Ele me beijou e eu disse: Seus pais podem não gostar de estarmos aqui, ainda mais ouvindo música essa hora.
Que nada, os velhos dormem que nem pedra. 
Nos beijarmos, ele me abraçou de uma forma que podia sentir seu coração acelerar e o meu coração disparou, pensei: Acho que estou amando!



E ao mesmo tempo tive uma sensação, inexplicada de não resistir a tal emoção. Percebi que por mais que fosse bom o que sentia não era o momento, nem o local apropriado. Respirei fundo e disse: Acho que melhor pararmos.
E ele paciente como sempre falou, só vamos até onde você querer. Assim descobri que, não conseguia ficar muito tempo sem vê-lo, e todas as vezes que o via lembrava desse momento.





Com o passar das horas, André falou coisas onde acabamos nos excedendo ao falarmos e rirmos um pouco mais alto do que devia. Então falei sussurrando: Psiu... nossa, vamos embora vai! Ele: Não, deixa eu te mostrar só mais essa música... 
Neste mesmo instante a porta do quarto se abriu, e sua mãe disse: Nossa, ta cedo para tanta falação, vocês não acham? 
Eu fiquei sem palavras, logo André respondeu, com olhar de insatisfação a ela: Calma agente já ta indo embora! 
Retrucou ela: Agora podem ficar ai. 
André com um grito repentino disse: Que droga, você não tem educação? 
E entrando no banheiro ele bateu a porta com tudo, dizendo: Depois reclama que não fico em casa. 
Isso me deixou extremamente  envergonhada, nessa hora eu o esperava lá fora, quando escuto alguns soluços de choro, voltei rapidamente para dentro e vi sua mãe em lágrimas e disse: Meu Deus André, ela tem razão. A senhora me desculpa, eu já vou indo. Ela nem olhou para mim e André saiu gritando: Ta vendo o que você faz?
Nisso já eu descia as escadas, quando ele veio e pegou no meu braço e disse: calma, espera, desculpa, essa velh... 
Eu não o deixei que a insultasse novamente, o cortei dizendo: Respeite sua mãe! Nós é que fomos mal educados de estarmos a essa hora incomodando o sono deles! 
Como o céu já clareava, fomos a pé à minha casa, no caminho discutimos sobre o  ocorrido, tentei fazer que com ele a intendesse sua mãe, mas ele persistia no seu erro, aqui conheci seu lado renitente em ter razão.
No final de semana posterior, fui convidada para almoçar na casa de André. Quando íamos para sua sua casa, no caminho, nós deparamos com uma senhora, que se debulhando em lágrimas, parecia estar em grande desespero, dizendo: Meu Deus, eu não aguento mais... eu to com fome! 
E se recostando no muro em frente a casa onde passávamos, ela pôs as mãos sobre sua face. Aquilo me chocou de tal forma que quis bater na porta de uma daquelas casas a pedir ajuda a ela, pois não tínhamos nada para dar naquele instante, nem mesmo uma moeda para aliviar seu sofrimento, mas André, apesar de apiedar-se com a pobre mulher, me puxando disse: Não podemos fazer nada e outra, é claro que ela já pediu algo por aqui, logo alguém irá ajudá-la. Meu coração doeu em deixá-la sem nem mesmo tentar fazer algo!
A única coisa que  fiz foi dizer, Meu Deus! Isso me doe na alma até hoje, por isso quis aqui expressar meus sentimentos de pesar e remorso por não ter feito nada para aliviar tão grande sofrimento, naquela mulher, vi ali, minha mãe, meus irmãos e a mim mesma.   

 "Imagem colhida da Web, como todos as imagens deste blog" 


Ao chegarmos em sua casa, fui muito bem recebida por todos e neste dia conheci meu cunhadinho que de tão simpático me fez sentir-me em casa. No entanto, meu namorado, tristemente esboçou-se de igual forma renitente, como no fato ocorrido anteriormente em que tive na sua casa.(Peço que por favor, não me interprete mal, muito menos a André, pois todos nós possuímos ações inesperadas quando queremos algo, principalmente ao se tratar de agradar a quem amamosAo ver o que tivera feito sua mãe para almoçarmos, ele deu gritos de indignação, esse me foi um ato, mais inoportuno ainda, principalmente naquele momento. Afinal, este não era um almoço comum, pois eu fui conhecer sua família, o que para mim devia ser um momento de alegria e era uma honra estar ali, ainda mais pelo convite ter vindo de seus pais. 
Mas tentei minimizar o estrago de que causara André, agradecendo pelo convite e elogiando D. Selma, que tivera feito tudo com  muito carinho, que era merecedora de tais elogios. 

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