CAPITULO XI
FATOS CORRIDOS 2008-2010
Nem que recebesse toda a riqueza deste mundo...
Nem que tivesse toda sabedoria existente na terra...
Nada neste mundo poderia me livrar do mal
eminente!
Se não minha confiança em Deus!
E a graça concedida por ele aos seres humanos...
O dom da medicina!
E a graça concedida por ele aos seres humanos...
O dom da medicina!
Chegando a nossa nova casa e após
o caminhão ser descarregado Paulinho, tia Viviana e meus sogros que haviam ido
até lá nos ajudar, partiram para suas casas. Foi onde bateu um certo vazio em
nós todos, até mesmo André encheu seus olhos de lágrimas, afinal sabíamos que
daquele instante em diante éramos somente nós e as crianças e que não teríamos
mais nossos parentes por perto. E a vida seguindo seu curso normal, teríamos
que retornar ao nosso dia a dia em um lugar novo.
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Um semana se passou, estava muito nervosa com arrumação da casa e com a empáfia, o pouco caso de meu marido, que me dizia com ar de autoridade no eu lhe pedir algo: Calma! Para que tanta pressa com essas coisas Raquelzinha, vamos dar um voltinha na cidade, depois agente vê isso... Relaxa, temos as férias toda pra ver isso!
E lá ficava eu, só em casa com quase tudo a se fazer, enquanto eles passeavam, entretanto, surpreendentemente parecia que era disso mesmo que eu precisava, ficar só, porque antes mesmo que retornassem, as prateleiras do armário embutido da cozinha foram todas fixadas, a louça como todos utensílios de cozinha limpos e guardados em seus respectivos armários ...
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Cozinha organizada... Banheiros limpos, Sala limpa, quartos arrumados com todos os pertences de meu marido guardados em um armário embutido que ficava entre os quartos no corredor, o que me foi de grande auxílio, porque para mim ter que desmontar todas aquelas caixas onde tinham pilhas e pilhas de papeis, documentos, livros e livros... Sem a ajuda de André, seria quase impossível e tomaria muito meu tempo, terminando, ao pegar a caixa de brinquedos das crianças que estava próximo a entrada do quarto, a levando para o corredor de costas, no me virar para o armário sem notar a minha aproximação aos degraus da escada, cheguei muito perto de rolar sobre eles, o que seria um tombo e tanto, mas graças a Deus percebi o perigo antes me estabacar escada abaixo. Guardando está caixa neste armário, pensei: Está resolvido! É aqui que acaba meu problema!
No me deparar com toda aquela casa limpa e organizada o alivio e alegria me eram tanto, que tive animo ainda pra fazer um pudim e pão caseiro, quando eles chegaram!
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E eu não me acreditava, mesmo com a pouca ajuda que tive pela manhã de minhas filhas e todo meu empenho em arrumar tudo aquilo em um dia só, jamais pensei que conseguiria terminar naquele fim tarde. Mas consegui, coisa que anos antes talvez nem parte da metade teria feito no tempo estimado.
Ao anoitecer André acessava a internet, quando me chamou: Raquely... Vem aqui, olha quem está te adicionando ao orkut, você a conhece?
Serena, não! Há, não aceite, eu não conheço! Eu o disse ao ver a tela do PC.
Não sei quem possa ser, mas deve ser conhecia por sua família pois seus irmãos estão quase todos no orkut dela. Disse André.
E o que você faz em meu orkut André? Eu o perguntei.
Você quer ou não adicionar ela? Perguntou André.
Após pesquisar a página de Serena no orkut, pude notar em seus comentários que não se tratava de uma pessoa qualquer, ela era nada mais nada menos... Que minha irmã por parte de pai na qual não conhecia ainda. Então pedi que André a adicionasse e neste mesmo instante a internet caiu, me pondo em grande preocupação e ansiedade, pós se tratava de uma irmã a quem sempre tive grande desejo em conhecer, assim como os outros dois meio irmãos, David e Tereza. Emocionada, lágrimas escorreram pelo meu rosto, pensei: Meu Deus, muito obrigada por essa segunda chance e a alegria que sinto em meu coração!
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Pelos sonhos que eu ocultei...
Pelo encontro que...
Mais esperei!!!
Sai em direção a cozinha e André vindo atrás me disse: Tá chorando? Se soubesse que ficaria assim não a contaria.
São lágrimas de alegria André! Eu me justifiquei.
Passado alguns minutos André e eu fomos a uma Lan house, onde consegui, aceitar o pedido de minha irmã para adiciona-la ao meu orkut. Dias depois, tive minha primeira e emocionante conversa com Serena pela internet. Falávamos sobre nosso pai, que para nós duas foi de muita pouca convivência, pois se para mim que o tive presente por breve oito anos de minha vida e mesmo com toda a esperança de revê-lo, foi difícil, imagina para ela que muito menos o teve por perto, pois aos seus seis anos nosso pai faleceu.
O mês de fevereiro se aproximava e por se tratar de uma cidade turística, era realizado um pequeno festival de verão no centro da cidade, onde podemos apreciar aos shows e ao artesanato dos artistas locais, como também já era anunciado o popular carnaval de Formosa.
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Falo sobre este festival pois aqui já se notava o grande desconforto que eu sentia ao me ver em meio a uma certa quantidade gente. Sentia como se muitos na rua me olhassem com olhares críticos, obviamente que isso se tratava de um dos distúrbios causados pela depressão que invadia minha alma traiçoeiramente e sem pré aviso, fazia-me adoecer a cada dia mais e mais aflorando em minha mente uma tórrida confusão. Numa destas vezes que estivemos assistindo a estes shows, tive a ligeira impressão de ouvir duas moças que passavam por nós dizerem... "Essa mulher é ridícula, dá só uma olhada"... "Horrorosa! E sem noção né!"
Peço que não se apressem em julgar tal situação, pois essas moças poderiam ter simplesmente falado de uma outra pessoa ou provavelmente nem terem dito tais palavras e a chance de terem dito realmente algo sobre mim eram quase que nula, porque alguém diria algo tão grotesco de alguém sem nem mesmo o conhecer? Ficava claro que minha mente já vinha passando por um processo psicótico, onde a pessoa começa a relacionar o real com irreal. Segundo o site, (http://www.cerebromente.org.br/n10/doencas/psicoses.html) "A psicose, de acordo com alguns autores, é uma doença mental caracterizada pela distorção do senso de realidade, uma inadequação e falta de harmonia entre o pensamento e a afetividade."
Na quinta-feira de carnaval a cidade lotava de turistas, a noite fomos ao centro onde se realizava o evento e vimos que não se tratava de um pequeno evento pelas muitas de pessoas que chegavam.
Já na sexta-feira quando chegaram meus sogros e meu cunhado em nossa casa, ao entardecer indo para local do evento notamos que a cidade era tomada pela multidão e realmente se tratava de um dos eventos mais grandiosos de Formosa.
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Como já disse aqui, me sentia mal
no meio daquela multidão e entre um instante e outro enquanto estive no evento,
ouvia coisas que me encabulavam, escutava coisas como, uma voz feminina dizendo... "Ela se
acha, ridícula!"... Em seguida uma voz masculina, dizendo em meio a
risos... "Há ela pode!"
Minutos depois, sinto um pisão em
meu pé dado por uma mulher que estava ao meu lado e tive a impressão de ouvi-la
dizer... Toma! Hoje é meu dia!
E quando íamos embora para casa,
todos estavam conversando em polvorosa, gostaram tanto do carnaval de Formosa
que só sabiam elogiar a cidade e seu evento! Eu permanecia calada, quando me
perguntaram: E você o que achou do carnaval?
Muito bacana! Respondi.
Nisto meu cunhado quis parar em
uma lanchonete, quando escutei como se alguém dissesse... É ela?
No olhar em minha volta vi no
outro lado da rua, que um grupo de homens falavam em um tom alto e riam muito,
em seguida pareciam olhar em nossa direção, no sairmos da lanchonete... Ouvi
mais uma vez aquela mesma voz masculina dizendo... "Cara é ela sim! Nem
parece ter a idade que tem, está inteirona ainda!"...
E ouvi como se outro o
respondesse dizendo... "Daqui parece uma moça né, mais chega lá perto, é
uma coroa cara!"
Logo depois nos distanciando
dali, ouvi gargalhadas vindas deles. Aqui expus a vocês, o que se passava em
minha mente naquele momento e não o que realmente se passava em minha volta,
pois se observarem não tinha o porque destas pessoas estarem falando realmente
de mim e se tivessem falando algo que tivesse o mínimo de relação comigo, em
uma situação normal, eu não deveria me sentir abalada por um fato tão
irrelevante como este, eram muitas as vezes que eu relacionava comentários
ditos em nossa volta comigo, não era possível que tantas pessoas se dispusessem
a notar minha insignificante presença, num enorme evento como aquele em uma
cidade que até pouco tempo eu nem a tinha em conhecimento, minha mente já estava
muito conturbada pela depressão mesmo!
Dias se passaram, eu entrava no
banheiro para tomar banho, minutos depois ouvi vozes como se fossem vindas do
telhado vizinho... “Já conseguiu?..." “Não, espera ai!..."
Então fechei o vitro, no entanto
não adiantava fecha-lo, aquela voz já me era conhecida, era a voz do espirito
obsessor, percebi assim que me virei para pegar a toalha a ouvi mais uma
vez... "Acho que agora ela sabe que estou
aqui, fechou o vitro? Não adianta eu te vejo do mesmo assim..."
Neste instante pedia em
pensamento a Deus que tirasse esse espirito de minha vida. Em seguida pensei:
Não, não é real, até aqui, isso é um sobrado sua tonta, não tem ninguém do lado
de fora! Para de loucura Raquely!
Abri o vitro e indo para meu quarto senti como se alguém me
seguisse, olhei para traz e não havia nada, após isso escutei passos na escada
era Antony que corria em direção ao seu quarto.
E sem que eu percebesse André entrou no quarto me dando um grande susto.
Que droga! Para que entra de
forma tão silenciosa? Quer me matar de susto é? Eu o perguntei.
Que foi Raquelzinha? Eu só queria
te perguntar uma coisa mais agora... Disse André.
Agora o que? Fala logo o que veio
me dizer, antes que eu me aborreça e te expulso deste quarto. Nervosa eu o
disse.
Para de inventar brigas pra fugir
de mim! Disse André.
Há... Por que entrou de forma
sorrateira neste quarto? Você sabe que me assustou e outra minha bronca por sua
ignorância essa tarde com relação a meu pedido pra dar um jeito nesses
cachorros irritantes, não passou! Eles acabaram se matando neste quintal e você
ai, não faz nada, achando estar tudo bem. Não aguento mais essa bagunça! Eu o
disse.
Calma, você disse que era para eu
me livrar de Nero, coisa que não pretendo fazer de forma alguma. Disse André.
Então André, de um jeito de
separa-los, coloque uma cerca, tampe a passagem dos fundos, você sabe que um
não tolera o outro. Todo dia é um Deus nos acuda! Eu não quero o mal deles só
quero minha paz de volta. Agora para você, parece que nem eu, nem esses pobres
animais valem alguma coisa. Eu disse.
Tá bom, então amanhã fechamos a
passagem do corredor, agora vem aqui! Para de briga, eu te amo!
Então paramos com aquela boba
discussão e fomos passear com as crianças no centro da cidade. Cito essa
discussão, pois não foi à única que tivemos, eu e André tínhamos conflitos diários
nesta casa. Hoje percebo, que na maioria das vezes em que discutimos não
tínhamos uma conversa respeitosa de forma a resolver nossos problemas e também
por estar eu com os nervos a flor da pele, muitas de nossas brigas se dava por
meus destemperos.Pouco tempo depois, um dos atendentes da imobiliária de nossa casa nos ligou pedindo que comparecêssemos lá, pois tinham algo muito importante a tratar conosco. No instante em que recebi este telefonema, sentindo grande preocupação, rapidamente fui ver do que se tratava. E me disse o atendente: A senhora não nos leve para o lado pessoal, mas temos reclamações por parte de seus vizinhos com relação a barulho e de seus cachorros.
Respondi: Olha, eu posso até entender eles, até certo ponto e tentar amenizar isso, no entanto, respeitamos o limite de emissão sonora, as dês da noite não há barulho algum em nossa casa, assim como também não houve proibição em nosso contrato com relação aos meus cães.
Sabemos disto, a entendemos também e pedimos desculpas, mas infelizmente não está em nossas mãos, pois essas mesmas pessoas que fizeram as queixas são diretamente ligadas ao dono da casa, que foi intimado pelos mesmo para a retirada de vocês da casa.
Surpreendida por tal intolerância, eu o disse: Nossa já chegou a esse patamar de intolerância, mais morar perto de pessoas que quase diariamente brigam em tons altos, exorbitantes em horários que excedem o limite de emissão sonora, também nos prejudica e nem por isso, reclamei deles!
Entendo! Disse o atendente.
Tá então eu lhe peço encarecidamente que nos de um tempo para procurarmos outra casa, pois será melhor para ambos de nós que não apliquem a tal multa explicita no contrato afinal são vocês que estão quebrado com o mesmo. Eu disse ao ele.
Assim entrando em acordo com o atendente que gentilmente, disse:
Se a senhora nos permitir podemos te ajudar, temos uma casa nos limites de Formosa, fica na vila de Florença a uns três quilômetros daqui centro, é uma casa boa e vocês não teriam problemas com o seus animais de estimação.
Sim eu gostaria de vê-la, quando posso ir lá? Eu o perguntei.
É só o tempo de agendar a visita com a dona da casa, então a comunicamos o horário. Respondeu o atendente.
Com isso passamos por uma penosa procura por outra moradia como também um desgastante o processo de mudança. A casa que a imobiliária nos indicou, ficava na periferia de Formosa e era ampla e bonita, no entanto meu marido exitou aceitar a oferta da imobiliária, pois não gostou da localização da casa e por a rua não ser asfaltada. Com isso ficamos aguardando o contanto dele que se proporão a nos mostrar outras casas. Mas felizmente, Alice que brincava com suas novas amiguinhas, ficou sabendo de uma casa nas proximidades que estava para locação e veio rapidamente me avisar sobre a tal casa, dizendo: Mãe a Luana me disse que tem uma casa pra alugar perto da avenida, vamos lá ver mãe?
Calma filha, agora não espere seu pai chegar ai vamos lá! Respondi.
Mais mãe eu passei enfrente no portão tem o telefone do dono. Disse Alice, preocupada, pois não queria morar longe de suas novas amizades.
Então fomos na rua onde ficava a tal casa que por sinal não era longe de onde morávamos.
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Anotei ao numero de telefone que tinha no cartaz de locação, realmente era uma casa boa, por ser contactada direto com o dono e sendo nas proximidades nos facilitaria um bocado aluga-la.
Bastou uma ligação para a simpática dona da casa, tudo foi fácil e ligeiramente resolvido, que na mesma semana nos mudamos, tivemos alguns empecilhos pois o caminhão de mudanças não levou a todos nossos pertences, o que grande parte levamos dificultosamente em nossos braços.
Digo a vocês, não foi fácil, ver aquela casa na qual tinha acabado de me mudar, toda desorganizada novamente e depois de tê-la posto nos eixos a tão pouco tempo, sendo toda desmontada sua arrumação para ir para a uma outra e ter que repetir todo o processo de mudança de novo, num espaço tão curto de tempo, foi extremamente maçante pra mim.
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Algum tempo depois, casa organizada e lá estamos nós seguindo com a vida, as crianças indo as aulas, André indo a seu trabalho e eu seguia meu dia a dia sem ouvir aquelas vozes. Tudo parecia fluir normalmente, até que senti uma grande solidão, pois todas as tardes era só eu e aquela casa vazia, sem ter nem uma de minhas amigas por perto, em um lugar que era completamente estranho pra mim ainda. E mesmo que André me desse toda a atenção possível ao chegar em casa, não era o suficiente, nossos filhos cresciam e era normal que minha relação com eles mudasse, entretanto eu sentia a falta de meu controle sobre eles, o que me foi preocupante pois já não me obedeciam em quase nada.
Essa foi a fase onde tive que me desprender de certos conceitos tradicionais que contrapunham com sociedade moderna e os conceitos contemporâneos de meu marido que dizia: Deixe de ser essa mãe super protetora e se conforme, seus filhos estão crescendo, eles só precisam de espaço, vê se entende isso!
Sabia que em parte André tinha razão, era hora sim deixa-los seguirem seus passos em algumas situações assim os permitindo que crescessem, mas como todos os adolescentes normalmente se rebelam nesta idade dando trabalho a seus pais, conosco não foi diferente. E por tal situação muitas vezes me via em desespero de ver que nem com os horários combinados de entrada em casa, antes que anoitecesse eram cumpridos por meus filhos, como o respeito no falarem conosco, seus pais, havia praticamente acabado. Isso foi terrivelmente doloroso pra mim, chegava a pensar: Onde foi que eu errei meu Deus? O respeito um pelo o outro sumiu nesta casa, não vejo paz entre nós cinco, somos uma família, isso não pode continuar.
Eu sinto que realmente eu errei em certos pontos, tanto como mãe como mulher, muitas vezes em eles queriam minha atenção e eu não os dei de forma substancial, a qual necessitavam realmente. Vivia em meio a pesamentos fúteis, também hoje percebo, que nessa época a depressão, já vinha atrapalhando meu relacionamento com as pessoas, o que pode ter causado a revolta de meus filhos em alguns destes momentos. Eles sentiam falta da mãe que pouco conversava, que pouco lhes dava a devida atenção. Eu começava a me isolar, deixando minha própria vida em segundo plano, para um universo vazio de alegria e amor próprio.
Com isso tudo acontecendo, me vi na necessidade de ter alguém que conversasse comigo nas horas vagas da tarde, pois nem a TV eu tinha pra assistir, estávamos sem antena, o que fez eu pensar em procurar novamente uma amizade pela internet, alguém que me ouvisse. Então abri um messenger fake com nome de Luciana Morais e na mesma tarde comecei a falar com pessoas nas salas de bate-papo de 20 a 30 anos.
Procurei alguém que tivesse afim de uma conversa amigável, sem segundas intenções, procurei... Procurei, até que encontrei um tal Rodrigo que mais parecia estar disposto a vender produtos de sua empresa do que ter uma conversa.
Passei a procurar mais uma vez na sala de bate-papo, iniciando a conversa com Luis, que parecia ser pelo menos um cara engraçado, que me fazia rir, coisa que a muito tempo não fazia, então passamos a conversar no messenger, de forma amigável.
Duas semana depois, após terminar o serviço de casa, fui ao computador, acessando ao messenger vi que não tinha ninguém de meus contatos online, então decidi ver o que rolava nas salas de bate-papo, iniciando uma conversa comum tal Fernando, vi que seria possível uma amizade, adicione-o ao messenger pois ele conversava de forma educada.
Digitou Fernando: Oi de onde você é? Qual sua idade?
Respondi: Gramado RS, tenho 31 anos e você de onde fala?
Disse ele: São Paulo SP, é casada?
Respondi: Sim e você é casado? Qual sua idade?
Disse Fernando: Sou sim, tenho 28 anos. O que você realmente procura aqui?
Respondi: Uma amizade, alguém que possa conversar nada a mais que isso, você concorda?
Digitou Fernando: Sim concordo, tem filhos?
Respondi: Sim e você?
Digitou Fernando: Não, mas pretendo ter.
Digitou ele: Posso te fazer uma pergunta indiscreta? rsrsrs...
Digitei: Depende, o que?
Ele perguntou: Você gosta de seu marido?
Respondi: Claro que sim eu o amo, olha eu só quero conversar!
Ele disse: Há... Eu estou aqui, pois não tenho certeza se gosto realmente de minha mulher, ela está muito distante, então, procuro alguém que fique mais próximo a mim... rsrs...
Respondi: Olha eu já te disse não procuro namorar por aqui, eu não sou uma traíra...
Perguntou Fernando: Calma, eu também não sou traíra, tem como você me mandar uma foto sua?
Respondi: Não, acho melhor pararmos com essa conversa!
Digitou ele: Mas porque? Só quero saber com quem estou falando?
Nisto vi um mensagem de Luis, o cara engraçado, que disse: Oi Luciana, está ai?
Como o tal de Fernando havia levado a conversa para um rumo que eu não queria e gostei, fechei a conversa com ele.
Ai o tal de Fernando persistente, começo a me mandar um monte de mensagens, e mesmo lhe dizendo que estava ocupada, ele não parava, o bloqueei. Depois vendo que Luis havia me mandado várias mensagens dizendo: Não que fala comigo hoje? ... Poxa eu não sou seu confidente mais... O que eu fiz de errado?
Digitou novamente Luis: Oi Luciana, está ai?
Respondi a Luis: Oi, aqui é Luciana, tudo bem?
Luis Respondeu: Tudo e você, que fez de bom hoje?
Respondi: Nada de importante, diferente, o mesmo de sempre... Casa, filhos, marido... Não tenho o que dizer hoje, não estou num dia bom me desculpe!
.
Digitou Luis: Nossa, achei que você tava brava, porque não falou comigo, com quem conversava?
Eu digitei: Não, era só alguém que não parava de falar bobagens...
Digitou Luis: Deixa esse tarado amiga, vamos conversar! Fala o que você fez de bom hoje?
Respondi: Eu já te disse...
Digitei: Nada de novo o de sempre, casa, filhos marido...
Passando alguns segundos Disse Luis: Como nada de importante garota? Você tem tudo o que eu queria e eu não tenho! Agora se você puder faça uma magica pra eu arrumar alguém, rsrsrs...
Respondi: Seu bobo! Só você pra me fazer rir num momento deste, rsrsrs...
Digitou Luis: Há mais eu não estou falando a verdade?
E ele continuando a digitar disse: Eu já disse para de se martirizar, olhe para as coisas boas da vida.
Digitei a Luis: Eu sei você tem razão, mas tá difícil!
Digitou Luis: Hoje você vai atender aquele me pedido?
Perguntei: Qual?
Digitou Luis: Há garota... Não me passe pra traz de novo, eu estou com minha foto no perfil desde que fizemos amizade, cade a sua?
Então lhe enviei uma foto onde eu estava junto a mais cinco pessoas.
E ele me perguntou: Quem é você nesta foto? rsrsrs...
Respondi: A ultima da direita!
Ele perguntou: Quantos anos você tinha, quando tirou essa foto?
Respondi: 30 anos.
Ele digitou: Há para de tentar me enganar, você devia ter no mimo 20 anos.
Digitei: Obrigada amigo, por tentar elevar meu ego, kkkk... Mas faz um ano só que tirei essa foto.
Ele disse: Você está muito bem, tá vendo, tanta mulher queria ter o que tem e você ai reclamando.
Digitei: Chega vai, vamos mudar de assunto!
Ele disse:Tá, mais você não me disse ainda o que fez de bom hoje?
Digitou ele: Fez o bolo... o pão, há eu queria estar ai!
Digitei eu: Estou fazendo canjica. rsrsrs...
Digitei: Sua mãe não faz bolo pra você?
Digitou ele: Eu não moro com minha mãe, já a alguns dias.
Digitei: E sua namorada não sabe fazer bolo? rsrsrs...
Digitou ele: Eu já te disse, eu terminei com ela, brigávamos muito.
Digitei: Faz você o bolo, eu te passo a receita!
Digitou ele: Agora percebo que você esqueceu seu dia não muito bom né?
Digitou ele: Tá até fazendo piada comigo, eu não faço nada, ou compro pronto ou peço pra minha mãe fazer quando ela vem me visitar.
Neste momento escutei o barulho do portão eram as crianças chegando da escola. Como eu tinha que fazer a janta me despedi dele que disse: Tá bom vai lá amiga, beijos!
No dia seguinte, pela manhã Sabrina me contava um estranho pesadelo, no qual ela tivera naquela noite, dizia Sabrina: Mãe essa noite eu senti que tinha alguém no corredor vindo pra sala em direção a porta de nosso quarto, pensei que fosse o pai, chamei o pai e de repente vi que não era ele, mãe, era um espirito de um homem.
Filha você estava sonhando! Eu a disse.
Não, não era sonho, pois eu ouvi pai me responder lá do quarto de vocês... Dorme menina! Disse Sabrina.
No ela falar isso, lembrei que aquilo havia realmente acontecido, pois ouvi mesmo André falando algo com as meninas naquela noite. Então falei: Imaginação sua filha, deve ter cochilado e acordou assustada!
Disse Sabrina: Eu vi mãe, era um homem com a aparência física igual a do pai, só que quando ele se aproximou da porta do nosso quarto, vi que ele parecia flutuar. Passei muito medo até que dormi e tive um pesadelo muito estranho com você.
Conta, como foi o pesadelo? Eu a perguntei.
Disse Sabrina: Senti como se eu tivesse acordada, foi tão real, que não dá pra explicar tal sensação mãe. Lembro de abrir meus olhos e ver você, Alice e Antony sentados na cama de Alice, olhando para mim. Quando vi que na porta tinha um moço muito alto e cabeludo, eu gritei mostrando pra você e você se levantou e foi em direção dele, dando tapas nele e ele foi se aproximando mais e mais de nós, até que ele parou e você olhando pra mim disse, que não era pra ter medo porque ele não nos faria nenhum mal! Então ele sentou na cama do lado e me disse... Sabrina eu preciso te mostrar algo que aconteceu! Então ele pegou na minha mão, em seguida senti como se tivesse em uma rua, quando vi que esse mesmo homem dirigia um carro, que bateu num outro onde morreram todos. E do nada me vi novamente no quarto, e ele me explicou dizendo, que a culpa não foi dele, que ele não se matou pois havia sido realmente um acidente.
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Como minha fé no espiritismo de Allan Kardec não havia se extinguido ainda, eu acreditei que minha filha pudesse, ter realmente sido visitada por um espirito a procura de ajuda, emociona com o que ela tivera me contado, eu a abracei dizendo: Você tem um dom filha! Deus trabalha de formas inexplicáveis com o tempo você irá entender isso.
Só pra ser honesta e frisar com o que eu já disse em capítulos anteriores, não acredito em mais nada disto, a não ser em Deus e no que dizem suas palavras na bíblia, pois tive provas disso, não há religião verdadeira, há um Deus chamado Jeová, que nos enviou seu filho amado Jesus Cristo, para nos moldarmos a ele, para podermos nos redimirmos dos nossos erros, assim obtendo a salvação em Cristo. Ele perguntou: Quantos anos você tinha, quando tirou essa foto?
Respondi: 30 anos.
Ele digitou: Há para de tentar me enganar, você devia ter no mimo 20 anos.
Digitei: Obrigada amigo, por tentar elevar meu ego, kkkk... Mas faz um ano só que tirei essa foto.
Ele disse: Você está muito bem, tá vendo, tanta mulher queria ter o que tem e você ai reclamando.
Digitei: Chega vai, vamos mudar de assunto!
Ele disse:Tá, mais você não me disse ainda o que fez de bom hoje?
Digitou ele: Fez o bolo... o pão, há eu queria estar ai!
Digitei eu: Estou fazendo canjica. rsrsrs...
Digitei: Sua mãe não faz bolo pra você?
Digitou ele: Eu não moro com minha mãe, já a alguns dias.
Digitei: E sua namorada não sabe fazer bolo? rsrsrs...
Digitou ele: Eu já te disse, eu terminei com ela, brigávamos muito.
Digitei: Faz você o bolo, eu te passo a receita!
Digitou ele: Agora percebo que você esqueceu seu dia não muito bom né?
Digitou ele: Tá até fazendo piada comigo, eu não faço nada, ou compro pronto ou peço pra minha mãe fazer quando ela vem me visitar.
Neste momento escutei o barulho do portão eram as crianças chegando da escola. Como eu tinha que fazer a janta me despedi dele que disse: Tá bom vai lá amiga, beijos!
No dia seguinte, pela manhã Sabrina me contava um estranho pesadelo, no qual ela tivera naquela noite, dizia Sabrina: Mãe essa noite eu senti que tinha alguém no corredor vindo pra sala em direção a porta de nosso quarto, pensei que fosse o pai, chamei o pai e de repente vi que não era ele, mãe, era um espirito de um homem.
Filha você estava sonhando! Eu a disse.
Não, não era sonho, pois eu ouvi pai me responder lá do quarto de vocês... Dorme menina! Disse Sabrina.
No ela falar isso, lembrei que aquilo havia realmente acontecido, pois ouvi mesmo André falando algo com as meninas naquela noite. Então falei: Imaginação sua filha, deve ter cochilado e acordou assustada!
Disse Sabrina: Eu vi mãe, era um homem com a aparência física igual a do pai, só que quando ele se aproximou da porta do nosso quarto, vi que ele parecia flutuar. Passei muito medo até que dormi e tive um pesadelo muito estranho com você.
Conta, como foi o pesadelo? Eu a perguntei.
Disse Sabrina: Senti como se eu tivesse acordada, foi tão real, que não dá pra explicar tal sensação mãe. Lembro de abrir meus olhos e ver você, Alice e Antony sentados na cama de Alice, olhando para mim. Quando vi que na porta tinha um moço muito alto e cabeludo, eu gritei mostrando pra você e você se levantou e foi em direção dele, dando tapas nele e ele foi se aproximando mais e mais de nós, até que ele parou e você olhando pra mim disse, que não era pra ter medo porque ele não nos faria nenhum mal! Então ele sentou na cama do lado e me disse... Sabrina eu preciso te mostrar algo que aconteceu! Então ele pegou na minha mão, em seguida senti como se tivesse em uma rua, quando vi que esse mesmo homem dirigia um carro, que bateu num outro onde morreram todos. E do nada me vi novamente no quarto, e ele me explicou dizendo, que a culpa não foi dele, que ele não se matou pois havia sido realmente um acidente.
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Como minha fé no espiritismo de Allan Kardec não havia se extinguido ainda, eu acreditei que minha filha pudesse, ter realmente sido visitada por um espirito a procura de ajuda, emociona com o que ela tivera me contado, eu a abracei dizendo: Você tem um dom filha! Deus trabalha de formas inexplicáveis com o tempo você irá entender isso.
Na tarde do mesmo dia, as crianças não foram para escola, pois teria reunião de pais e mestres. Alice vendo que eu não me lembrava disto disse: Mãe, porque você está ai ainda? Já são três horas e reunião já vai começar?
Hiii... Minha nossa, filha você tem razão, eu tenho que ir neste coisa, que droga, vai atrasar todo meu serviço! Respondi a Alice.
Porque você fala assim mãe? Perguntou Alice.
Falei a Alice: Porque é uma porcaria, quando se chega nessa tal de reunião, lá vem eles falando coisas que já sabemos... Regras da escola e tara tara... Ao invés deles irem direto ao ponto como estão meus filhos nos estudos e suas notas!
Isso não foi bom de ser dito a minha filha, tenho consciência de meu erro, mas eu temia em mostrar a ela minha fraqueza, meu medo e a timidez que já não eram normais em virtude de minha depressão, eu me sentia atormentada em ter que falar com pessoas que não fossem de meu convívio. Sei que vão pensar... "E porque o medo e a timidez dela, não a incomodavam no falar com pessoas completamente estranhas pelas redes sociais na internet?"... Bom o que posso dizer quanto a isso, é que ali eu sentia uma confiança, na qual a pessoa não tinha acesso ao meu verdadeiro nome, como também jamais lhes dizia meu verdadeiro endereço. Era onde eu sentia a "tranquilidade" para dizer tudo o que estava dentro de minha mente sem exceção alguma, expor meus desgostos com a vida, por exemplo, grande engano! Hoje sei mais do que nunca, que essa tranquilidade é falsa e a confiança é devida a um só ser no qual não nos é falho nunca, Deus! Agora quanto ao que disse a minha filha, foi absurdamente errado, afinal era minha obrigação zelar pela educação de meus filhos, não tem como me desculpar, o que dizer?
A doença vinha a cada dia mais e mais de forma perturbadora atrapalhando minha vida e meu relacionamento com as pessoas.
Dias se passaram, Alice fez amizade com uma menina de sua escola, a família dessa menina frequentava uma igreja evangélica, na qual Alice decidiu visitar após o convite de sua amiga. Mesmo com a recusa de meu marido, eu a dei todo meu apoio pra ir a tal igreja.
Num dia desta mesma semana Sabrina trouxe uma coleguinha da escola pra fazer um trabalho escolar. Quando elas chegaram disse Sabrina: Mãe eu to com fome o que tem pra gente comer?
Espera filha, uns minutos a mãe já faz um lanche pra vocês. Eu disse.
Enquanto eu preparava os lanches Sabrina me pediu ajuda pra seu trabalho de educação artística, Eu a disse: Filha, eu não posso desenhar por você, o estudo é seu, a nota tem que ser sua e não de sua mãe!
E sua amiguinha rindo disse: E pior é que sua mãe tem razão Sabrina!
Há mãe, eu não sei desenhar, como vou desenhar uma imagem que represente a abolição da escravatura, a Lei Áurea?
Então arrumando a mesa para elas lancharem as disse: O que vem a mente de vocês se pondo num cenário do passado como este?
Não dá mãe, como vou desenhar a libertação de um escravo se nem uma flor eu consigo desenhar direito. Disse Sabrina.
Tá, desenhe as correntes sendo quebradas dos pulsos de um escravo! Agora faça o que tem que ser feito. Eu falei, indo para o o quarto ligando o computador.
E lá estava eu acessando o messenger, quando o tal de Fernando me mandou uma mensagem dizendo: Oi, podemos conversar?
Digitei: Oi, tudo bem?
Sim, porque você me deixou falando sozinho aquele dia? Digitou Fernando.
Digitei: Bom, eu te disse, quero somente sua amizade e você veio com aquele papo estranho...
Digitou ele: Desculpa, mais acho que você interpretou mal...
Digitou ele: Eu só queria te conhecer melhor mesmo, ai eu fiz uma brincadeira, sei que foi de mal gosto, desculpe...
Digitou ele: Você aceita minhas desculpas?
Digitei:Tá bom então...
Digitou Fernando: Vamos começar do começo rsrsrs...
Digitou ele: Qual sua idade mesmo?
Digitei: 30 e você?
Digitou ele: 28 anos, de onde você é mesmo?
Digitei: ABC São Paulo e você?
Digitou ele: MG Belo Horizonte...
Digitou ele: É casada?
Sim e você? Digitei.
Sou casado e essa foto do seu perfil... Digitou ele.
Qual destas é você na foto? rsrsrs...
No eu ver que não havia tirado a tal foto, que pus no perfil dias antes pensei: Que droga! Esqueci de tirar a foto!
Digitei: A de blusa verde.
Digitou ele: Envia ela pra mim poder ver melhor.
Digitei: Você já está vendo ai no meu perfil, dá pra ver!
Digitou Fernando: Se fosse só sua até que dava pra ver um pouco... Digitou ele: Mais a foto parece ter sido tirada a uma distante que não da nem pra te ver direito...
Digitei: Outra hora eu te envio tá bom?
Digitou ele: Qual a cor de seus olhos?
Digitei: Castanho, porque?
Digitou ele: Nada só pra eu ter uma melhor definição de como é...
Digitou ele: Como eu já te disse eu gosto de saber com quem eu falo.
Digitou ele: Aqui tem muito filho de uma mãe, dizendo ser o que não é...
Digitei: No que você trabalha?
Digitou ele: Sou gerente de um loja e você trabalha?
Digitei: Não, estou a dois anos dependente de meu marido.
Digitei: Coisa que não está sendo nada fácil...
Digitou ele: Por que?
Digitei: Não dá pra aguentar essa vidinha medíocre, onde até pra se comprar um presente para meu próprio marido, tenho que...
Digitei: Ajuntar escondido o dinheiro dele pra comprar!
Digitou ele: O que vale é sua intensão...
Digitei: As vezes me sinto como um peso na vida dele...
Digitou Fernando: Seu casamento não vai bem?
Digitei: Não é por ai, mas tem horas que sinto que eu não o mereço.
Digitei: Me sinto uma inútil!
Digitou ele: Olha você faz o que? Provavelmente você cuida de tudo em sua casa não é?
Digitei: Sim, mas eu queria ser mais útil, fazer o almoço para ele e meus filhos arrumar uma casa, é minha obrigação, mas me diz como posso me realizar como pessoa com isso?
Digitou ele: Você tem filhos... quantos?
Digitei: Dois e você tem?
Digitou ele: Não tenho, você é mãe e cuida do bem estar de sua família, não acha que isso seja de uma grande importância?
Digitei: Sim, mas...
Digitei: Queria ter uma profissão onde eu pudesse ter minha independência, assim ajudando a pagar nossas dividas que não são poucas...
Digitei: Ser um ser humano melhor, ajudar aos necessitados ou quem sabe fazer algo de bom que não seja só me preocupar com minha casa e família.
Digitou ele: Você não pode mudar o mundo, as coisas são o que são e pronto.
Digitou ele: Você é feliz?
Digitei: Tem dias que sim, mas os ruins vencem os bons!
Digitei: Eu estou morando em um lugar bem isolado, aqui faz um silencio que sinceramente me incomoda...
Digitei: Então as vezes coloco musica pra me distrair, hoje minha vizinha cuja a casa é colada com a minha ficou disputando quem punha o som mais alto.
Digitou ele: Serio! rsrsrs...
Digitei: É... E como eu não gosto de encrenca, abaixei o volume!
Digitei: As vezes parece que essa mulher me odeia, mas eu não fiz nada, tal vez eu esteja a incomodando...
Digitou ele: Eu queria ver sua foto, manda uma só sua, vai?
Digitei: Outro dia!
Digitou Fernando: Qual o tipo de musica que você curti?
Digitei: Rock e MPB.
Depois de alguns segundos paramos com a conversa, eu fui até a cozinha, vi que Sabrina e sua amiguinha acabaram com a atividade. Eu as disse olhando seu desenho: Tá vendo, ficou lindo!
Há... Se não fosse por Talita, ficaria uma droga! Disse Sabrina.
Não fale assim Sabrina o que você fez no trabalho? Perguntei a ela?
Ela fez o desenho e eu pintei! Disse Sabrina.
Eu falei: Então filha vocês fizeram juntas e ficou bem feito! Ganharam uma boa nota!
Sabrina estava com seus 15 anos, aquela fase difícil da vida, pois ser criança e ter que partir a adolescência, é onde surgem muitas duvidas e ansiedades, mas que para mim era um grande momento, onde eu queria participar de cada alegria, descobrimento, a poiá-la nos momentos de desapontamentos que eu sabia que surgiram pois se tornar adulto não significa só liberdade, tem o descobrimento de si mesmo, como o começo de muitas responsabilidades e decepções nas quais eu não poderia livrá-la, mas como mãe queria estar presente para aliviá-la de qualquer sofrimento que surgisse. No entanto minha doença, a depressão me privou de tudo isso.
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Deixa eu fica mais um pouquinho mãe? Disse ele.
Eu deixo voltar, mas antes você vai jantar, vamos!
Eu não to com fome! Disse ele.
Então eu peguei no seu braço e disse: Você vai pra casa agora moleque, me obedeça!
Que droga! Deixa de se chata mãe! Respondeu meu filho que pegando sua bicicleta foi em meio a birras pra casa.
Após a janta, Antony pedia a André: Pai posso ir na rua de traz brinca!
Vai, mas antes das nove horas quero você aqui em casa! Disse André.
Não vai não! André esse menino anda muito respondão, eu já disse que ele não iria mais pra rua hoje! Falei a meu marido.
Há mãe deixa? Disse Antony com lágrimas nos olhos.
Não! Respondi.
Então Antony fez birra, chorando e aos gritos convenceu seu pai que passou por cima de minha autoridade, me deixando furiosa e antes que eu o impedisse de sair, Antony correu pra rua. Isso foi um erro da parte de André, pois a cada vez que ele tirava minha autoridade de mãe sobre meus filhos, isso fez com que eles fossem gradativamente perdendo o respeitando por mim, até o dia em que dificilmente me obedeciam.
Numa tarde solitária em que não tinha mais nada a fazer, entediada, comecei assistir uns DVDs de musica.
Então comecei, a me lembrar daquele dia em Sabrina me contou o sonho que tivera com um homem, que ela julgava ser um espirito lhe pedindo ajuda. Pensei: Meu Deus, eu queria tanto ajudar essas pessoas, que por algum motivo se perderam na escuridão, eu queria pai ser útil, mas não passo de uma mulher comum e sem o minimo de conhecimento, não quero isso pra mim, se nem educar meus filhos consigo, porque estou aqui? Não sou nada!
Essa não foi uma boa forma de me dirigir a Deus, pois quem sou para ajudar seres perdidos em trevas, Deus é o senhor de todas as coisas, por tanto só senhor sabe o que acontece no além vida. Se eu soubesse que fazer a esse pedido, ia me trazer todo mal que me trouxe, jamais teria o feito, mas fiz infelizmente.
Dias depois, passei a frequentar um centro espírita kardecista. Acreditava que podia pelo menos poderia ajudar Sabrina entender o que se passava com ela, praticamente eu a obrigava ir comigo ao centro espírita, o que nunca deveria ter feito, pois isso a envolveu no meu problema espiritual.
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Na mesma semana que cogitei em ir ao centro espírita, voltei a ouvir as vozes. Estava lavando a louça quando ouvi: "Será que ela vai me escutar!"
E mais uma vez ouvi: "Que nada! Já tentei... Cara até pouco ela tava sobre meu domínio, mais agora...
Então tentei fazer com que não notassem que os ouvi, seguindo conselhos dados tempos atrás por Jack, uma amiga, que havia dito... Não fale nem ore, para essas coisas, pois não temos controle nenhum sobre isso!
Passados mais uns dias, fiquei sabendo de um concurso público na cidade de Formosa, fiz a inscrição, mas já pensando de forma negativa: São tantos os concorrentes não terei a mínima chance.
Mesmo com todos os pensamentos negativos que revoam minha mente, tentei me concentrar nos estudos, mas tristemente não conseguia me concentrar em nada, tudo o que vinha em minha mente era: Você é uma burra! Jamais conseguira a tal vaga!
Então nervosa jogando o livro que lia no chão, escutei a voz zombadora de um espírito: Volta estudar!
Uns minutos depois fui lavar roupa, escutei mais uma vez: "É burrinha coitada, que vê..."
Nisto eu senti que alguém me olhava do muro vizinho, olhei e nada! Logo em seguida vi vultos, em cima do telhado da lavanderia que pareciam ser iguais a essa imagem abaixo, me senti vigiada, não tinha mais com fugir, aqueles espíritos voltaram e meu tormento com a vida, que se tornou ainda maior.
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Andando pelo corredor do quintal indo para cozinha, vi mais uma vez, em cima do muro e no telhado da casa, foi assustador, no entanto na época, isso parecia que se tornava a cada vez mais corriqueiro. Passei a contrariar os sábios conselhos de minha amiga Jack, e para meu próprio prejuízo, fiz orações ao que eu achava ser almas perdidas na escuridão.
Decorrido alguns dias numa manhã, eu dormia quando fui praticamente acordada pela voz que me chamava: Raquelzinha... Raquelzinha! Acorda! Você precisa acordar!
Então me lembro de me virar de um lado pra o outro da cama e me espreguiçando, ouvi mais uma vez: Deixa de preguiça Raqueliznha, levanta!
No erguer a cabeça vi que André já tinha se levantado, virando minha cabeça lentamente olhando em minha volta, vi de relance algo como uma sombra, silhueta de um homem, que fez um pequeno e rápido movimento com os braços, escutei: Acordou linda!
Abaixei minha cabeça contra o travesseiro, pensei: Que isso?
E rapidamente me sentei na cama olhando novamente para o canto onde vi tal coisa e nada, pensei, que deveria ter sonhado e acordado muito abruptamente! Mas depois, refletindo um pouco mais sobre o ocorrido, pensei: Aquela voz não me é estranha! A voz não era do André que já tinha ido trabalhar, só pode ter sido aquele espirito, o mesmo que me rondava ou teria realmente sido sonho?
Então demos um passo para traz e quando Alice se pós frente ao espelho para passar o lápis de olho! Senti como se algo mais tivesse conosco naquele banheiro e escutei mais uma vez o espirito: Oi!
E surpreendentemente sem que ninguém dissesse nada a ninguém, vi Sabrina erguer sua cabeça olhando para o lado vazio do banheiro ela respondeu com um sorriso: Oi!
Passados mais uns dias, fiquei sabendo de um concurso público na cidade de Formosa, fiz a inscrição, mas já pensando de forma negativa: São tantos os concorrentes não terei a mínima chance.
Mesmo com todos os pensamentos negativos que revoam minha mente, tentei me concentrar nos estudos, mas tristemente não conseguia me concentrar em nada, tudo o que vinha em minha mente era: Você é uma burra! Jamais conseguira a tal vaga!
Então nervosa jogando o livro que lia no chão, escutei a voz zombadora de um espírito: Volta estudar!
Uns minutos depois fui lavar roupa, escutei mais uma vez: "É burrinha coitada, que vê..."
Nisto eu senti que alguém me olhava do muro vizinho, olhei e nada! Logo em seguida vi vultos, em cima do telhado da lavanderia que pareciam ser iguais a essa imagem abaixo, me senti vigiada, não tinha mais com fugir, aqueles espíritos voltaram e meu tormento com a vida, que se tornou ainda maior.
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Decorrido alguns dias numa manhã, eu dormia quando fui praticamente acordada pela voz que me chamava: Raquelzinha... Raquelzinha! Acorda! Você precisa acordar!
Então me lembro de me virar de um lado pra o outro da cama e me espreguiçando, ouvi mais uma vez: Deixa de preguiça Raqueliznha, levanta!
No erguer a cabeça vi que André já tinha se levantado, virando minha cabeça lentamente olhando em minha volta, vi de relance algo como uma sombra, silhueta de um homem, que fez um pequeno e rápido movimento com os braços, escutei: Acordou linda!
Abaixei minha cabeça contra o travesseiro, pensei: Que isso?
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E rapidamente me sentei na cama olhando novamente para o canto onde vi tal coisa e nada, pensei, que deveria ter sonhado e acordado muito abruptamente! Mas depois, refletindo um pouco mais sobre o ocorrido, pensei: Aquela voz não me é estranha! A voz não era do André que já tinha ido trabalhar, só pode ter sido aquele espirito, o mesmo que me rondava ou teria realmente sido sonho?
E quando você menos espera... O inacreditável acontece e sem pré aviso toma toda sua perspicácia e quietude!
Era uma noite de sexta feira, eu e as meninas estávamos nos arrumando pra ir ao centro da cidade passear, André nos apressava dizendo: Vamos logo! Já são nove horas, daqui a pouco eu desisto de ir e compro a pizza pra comermos em casa mesmo!
Calma pai espera só mais um minuto, nós já vamos! Disse Sabrina que passava o batom frente ao espelho do banheiro.
Nisto eu entrei no banheiro e pedi licença a ela que se afastou para o canto do espelho. Passados uns segundos escutei vozes como vindas do vitro do banheiro, eram os espíritos, ouvi... "É muito linda..." "Espera ai..." "Aonde você vai?..."
Alice entrando no banheiro, disse: Ainda estão ai? Eu quero passar o lápis!
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E surpreendentemente sem que ninguém dissesse nada a ninguém, vi Sabrina erguer sua cabeça olhando para o lado vazio do banheiro ela respondeu com um sorriso: Oi!
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Olhando fixamente para Sabrina eu disse: Não acredito! Você ouviu?
Aos risos falou Sabrina: Sim, ele disse oi eu o respondi!
Credo filha! Eu a disse abismada com o ocorrido.
Há, eu não quis ser mal educada mãe! Falou Sabrina.
Neste instante eu e ela caímos na rizada, Alice assustada disse: Que droga! Vocês só sabem me deixar com medo!
Calma filha! Já passou, não foi ... Eu falei tentando acalmar Alice que saiu do banheiro indo para sala dizendo: Vocês só sabem falar disto! Sabem que tenho medo, porque falam?
Volta aqui filha! Eu a disse.
Eu já acabei de passar o lápis mãe! Disse Alice.
E quando eu ia saindo do banheiro, parei na porta e virando para Sabrina perguntei: Filha, o que mais você ouviu? Você chegou a vê-lo?
Respondeu Sabrina: Não vi nada, só o ouvi dizendo "oi"! Por que mãe? Você viu alguma coisa?
Não vi, mas antes que você respondesse, senti a presença, de que mais alguém estava conosco no banheiro, então, o ouvi dizer, oi, e para meu panico em seguida que você respondeu! Eu disse a Sabrina.
Estranho né! Me disse Sabrina.
E o pior filha é que antes disto, naquele momento em que cheguei aqui eu havia escutado uma conversa que parecia vir lá do corredor de fora em frente ao vitro do banheiro, sentia que nos observavam. Eu disse a Sabrina.
Ela me Falou: Parece que eles querem se comunicar, né mãe.
É melhor a gente parar com essa conversa! Eu disse e indo para sala ela me acompanhou.
Chegando ao centro, ficávamos maravilhados com a arquitetura dos prédios históricos da cidade. E o que mais nos impressionava eram as datas que víamos desenhadas artesanalmente frente a elas, datas do ano 1870 ... 1930.
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No outro dia pela manhã, nos preparávamos para ir a praia, Alice e Sabrina não queriam nos acompanhar, mesmo com minha insistência em leva-las André disse: Deixa essas bobas ai, vão ficar atoa, ai elas vão ver o que é bom!
Não acho bom deixar elas sozinhas em casa André, melhor levar mesmo que não queiram, elas tem que nos obedecerem. Eu disse.
Nisto Sabrina disse: Eu não vou para droga de uma praia me queimar o dia todo naquele sol forte!
É mesmo mãe a gente vai lá e fica se queimando, nem guarda-sol tem! Disse Alice.
Eu disse tentando convence-las a ir: Tá, então vamos todos mais tarde quando o sol estiver menos forte!
Há, mãe eu não quero ir, isso já enjoo! Disse Alice.
Eu não vô! Disse Sabrina.
André Falou: Deixa essas tontas ai, vamos agora e vocês meninas não saiam de casa, já que querem ficar, é aqui que vão permanecer!
E Antony ansioso disse: É mãe vamos agora, vai?
Com isso fomos somente André, eu e Antony para a praia.
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Teria sido um dia maravilhoso se não fosse pela falta que fizeram minhas filhas e principalmente por um péssimo fato ocorrido naquela noite em casa. Ao chegar notei que as meninas se arrumavam para sair, vindo Alice em minha direção disse: Mãe Juliana me convidou pra ir na igreja com ela, posso?
Pode sim filha! Respondi.
Em seguida André falou num tom alto lá do quarto: O que? Onde você vai Alice?
André, não vejo problema algum em ela ir com a amiguinha dela em uma igreja! Eu disse.
E não é só ela que vai mãe eu também vou. Disse Sabrina.
Fiquei contente de ver que minhas filhas tinham interesse em ir a casa de Deus, não me importava qual religião era, com tanto que fosse cristã e levasse a palavra do senhor ao coraçãozinho delas.
Instantes depois que elas foram, disse André: Eu não acho bom que nossas filhas passem a ir num lugar desses, onde a manipulação pode as deixar elas alienadas e sem perspectivas fazendo as viver em função de um mito.
André é só uma visita, logo elas estão em casa, é melhor que elas estivessem na rua, você não acha? Eu perguntei e ele se calou.
Uma hora mais tarde Sabrina entrou em casa correndo e muito nervosa, seus olhos pareciam lagrimejando, disse: Que droga! Droga de vida!
Que foi filha? Cade sua irmã? Eu perguntei.
Respondeu Sabrina: Ela tá vindo ai, mãe, eu nunca mais saio com Alice e aquela insonsa da Juliana, falsa! Eu sou uma boba mesmo, o pai tem razão todo o crente não presta, são um bando de ...
Para! Não faça conclusões precipitadas, eu sou crente minha filha, pois eu acredito em Deus você não? Eu a disse.
Acredito! Mais essas igrejas que dizem ser evangélicas julgam as pessoas como se elas fossem melhores que qualquer um que não seja da religião delas. Mãe... A mãe dela e aquele pessoalzinho de um figa da igreja, me acusaram de fumar e a levar pro mal caminho a falsa da Juliana! Sendo que eu tenho nojo dessa droga de cigarro...
Nisto Alice entrou na cozinha e Sabrina olhando pra ela disse: Sua desengonçada, vai lá com aquela falsa e aquele povinho, sua...
Eu não fiz nada, eu até te defendi! Disse Alice.
Percebendo a conversa que tínhamos, André se aproximou de nós e silenciosamente parou na porta entre a sala e a cozinha, quando eu disse: Filha você não experimentou essa porcaria?
Com lágrima rolando em seu rosto disse Sabrina: Nossa até você...
Isso me cortou o coração porque eu sabia que minha filha dizia a verdade, mas o meu medo era maior, de que alguém pudesse ter a oferecido tal coisa e ela na curiosidade aceitasse, perguntei: Essa menina a Juliana fuma?
Não mãe, mas teve um dia que a gente brincava e alguém tava com um cigarro e ela pós na boca, quando alguém viu, e essa mesma pessoa contou que era eu a influenciadora de fazê-las fuma! Disse Sabrina.
Mas você não pós a porcaria do cigarro na boca né? Eu perguntei.
André deu um grande grito: Tá vendo o tipo de gente elas se envolveram!
Eu vendo que Sabrina não parava de chorar, disse: Eu sei filha que você não faria tal coisa, quem foi o mentiroso ousou mencionar que você fumava e deu cigarro as outras?
Não sei mãe, pois quando chegamos elas já estavam com o cigarro, e hoje essa falsa dessa menina, que diz ser amiga de Alice praticamente pós a culpa em mim! Disse Sabrina.
É dessa vez acho que André tem razão mesmo, essas igrejas que se dizem evangélicas se acham melhores que nós e só fazem julgar os outros sem nem mesmo ter certeza da verdade, agora eu me arrependo de tê-las deixando ir a essa igreja. Indignada e sem pensar, generalizei e disse isso, se fosse hoje, jamais diria tais palavras felinas, pois quem sou eu para os julgar, eu, um ser humano que como qualquer outro só sabe errar e errar... Digo de coração, me arrependo amargamente de ter aberto minha boca aos que só fazem procurar a Deus.
André ouvindo essas minhas sandices, ficou mais enfurecido, e jogou toda sua revolta contra aquelas pessoas, disse barbaridades que tenho até medo de repeti-las em palavras neste texto, mas não se precipitem em julga-lo, me perdoem, mas acredito que eu sem notar o excitei a agir daquela forma incoerente.
Depois tentando acalma-lo eu disse: Chega André, isso não se pode nem pensar quanto mais dizer! Eu temo a Deus, pelo menos respeite minha fé!
Agora peço perdão a Deus e a todos irmãos, mas acho que é de meu dever e extrema importância dar esse meu testemunho, acredito piamente que Deus me guia em cada palavra dita ou escrita quando se trata de mostrar o quando Deus é imprescindível em nossas vidas, sem Deus, não a vida. Como um reles ser humano pode ter coragem de repetir uma blasfêmia na qual foi dita por outro reles ser, não teve noção do grande mal que traria para si mesmo, mas infelizmente ele disse, "deus está morto", a partir do mesmo segundo em que ouvi essas palavras, minhas pernas estremeceram, meus braços ficaram sem força, senti grande dor em meu peito, cheguei a ficar paralisada por alguns instantes. A sensação foi de perder o ar, não da pra descrever mais nada além de lhes contar, que no conseguir andar até a pia pegando um copo de água pra beber disse: Misericórdia!
Isso não foi obra de um reles ser humano, acredito que todos somos a cada minuto provados, testados e muitas vezes atormentados até a loucura, se não nos redimirmos de nossos pecados e humildemente pedir a presença de Deus em nossas vidas, quem nos livra do mal que não vai descansar até consumir ao nosso ultimo folego de vida?
Eu já vinha passando pelo que eu acredito ser uma grande provação e na minha fraqueza pela imperfeição encontrada em qual ser humano cai em desgraça, mas Deus é justo e benevolente, é um ser tão maravilhoso que é lento em se irar, deixou que eu mesma visse o mal que nos rondava.
Na manhã seguinte, eu estava procurando um disco vinil para ouvir e revirando de capa em capa vi num dos discos o nome de uma da banda de metal na capa a seguinte palavra, possessed, continuei a procurar o disco no qual queria ouvir, não achando, fui a cozinha, Sabrina falava algo pra mim que lembro, mas lembro com clareza e grande pavor o que ouvi um espírito dizer naquele mesmo momento: Vamos... Está possuída, está possuída...
Senti fraqueza em minhas pernas que tremeram, me segurei na pia. Pensei: Esses espíritos querem me enlouquecer mas não vão conseguir!
Como já os disse em textos anteriores, eu na época acreditava que eram almas de pessoas já falecidas, desencarnadas, perdidas na escuridão. E pensava que talvez eu tinha que ajuda-los a encontrar a luz.
Minutos depois, Sabrina que estava no quarto gritou e ao mesmo tempo senti uma presença espiritual frente a janela a qual nunca tinha sentido ou ouvido antes, dizendo meu nome e de forma apavorante, era como se fosse uma voz desesperada engasgada, Ra... Raaaque... Raquelyyyy...
Neste mesmo instante me virei pra trás e vi Sabrina pálida de tão assustada, dizendo: Mãe... Mãe!
Que foi menina? Eu a perguntei.
Eu tava lá no seu quarto, vi um coisa com capa preta que parecia flutuar passando pela janela no corredor do lado de fora vindo pra cá e ouvi um gemido horrível! Respondeu Sabrina.
Temendo que pudesse ter acontecido alguma tragédia, pois sempre ouvi crendices de que se ouvirmos o chamar de nosso nome do além, pode ser a morte te chamando ou algo de muito ruim está pra acontecer, liguei para minha sogra, eu a disse: Oi tudo bem ai?
Sim porque? Ela perguntou.
Então a contei sobre o ocorrido e ela me disse algo que me deixou mais impressionada que já estava, ela disse, que a pouco tempo antes de minha ligação, passou por uma situação semelhante, disse que fazia algo quando escutou uma voz estranha chama-la, ela foi a porta e não tinha ninguém lá fora, como ela estava completamente só em sua casa, pensei: Meu Deus o que é isso?
Passados alguns dias pela manhã após tomarmos café, as crianças assistiam TV e eu estava na lavandeira, fazia muito frio, fui até a cozinha e peguei meu casaco que estava na cadeira e voltei a lavanderia, após uns minutos escutei: "Ela tá lavando roupa!"
E novamente escutei: "Essa louca só sabe ficar ouvindo musica..." "Por que chama ela de louca?" "Porque é!..."
Então olhando para a parede que dava para a vizinha pensei: Você não viu a louca ainda!
Nervosa fui até a sala, mandei que as crianças fossem tomar banho para se arrumarem pois logo teriam que ir a escola, peguei o controle do DVD e ligando pus a musica no ultimo volume e cantando do meu jeito desafinado voltei a lavanderia. Logo escutei risos e em seguida ouvi: "Canta cantora!..." "Tá vendo, é louca ou não é?..."
Depois de recolher a roupa que estava no varal fui em direção a janela do quarto jogando as roupas em cima da cama, senti calor tirei o casaco e o joguei na cama também, fazia um sol forte naquela hora, retornando ao tanque, escutei uma voz como vinda do telhado: "Cala a boca sua vadia!..."
Ao eu erguer a cabeça vi algo estranho no telhado da lavanderia e como se fosse um fleche, logo sumiu, como uma silhueta mais ou menos igual a essa imagem a baixo.
Com o susto, falei: Credo!
E escutei uma voz como fosse vinda da casa vizinha: Vai atrás de centro espírita, sua louca!
Acabando de lavar a roupa indo até a janela do quarto para por mais umas roupas que tinha recolhido, ouvi: "Quer ver..." "Agora você tá com frio, vamos, sente frio!... "
E subitamente senti um frio gélido em minhas costas, vendo que Alice entrava no quarto, pedi a ela que pegasse meu casaco, no eu por, não passou nem um minuto e me subiu um súbito calor. Bom, estou relatando estes fatos, pois acredito também que depressão já afetava muito meu sistema nervoso, pois até hoje não sei se as vozes vindas da casa vizinha eram realmente dela ou de um dos espíritos ou simplesmente em meu transtorno, imaginei ter ouvido.
A tarde quando as crianças já haviam ido para escola, tentei assistir TV mais a imagem só chuviscava, perdendo a paciência com isso, fui ao computador, abrindo o MSN, Luis me mandou uma mensagem: Oi Luciana!
Digitei: Oi, tudo bem?
Luis digitou: Tudo e você?
Digitei: Estaria ótimo, se não fosse pela má atitude que tive hoje de manhã!
Digitou ele: O que foi?
Digitei: Nada deixa pra lá...
Ele digitou: Agora você me deixou curioso garota, conta...
Digitei: Eu me irritei com algo que ouvi, sabe quando a casa é geminada com a do seu vizinho...
Ele digitou: Hum...
Eu digitei: Muitas vezes se ouve eles falarem, mesmo que não se queira ouvir, ouvimos...
Digitei: E hoje a vizinha falava mal de mim, reclamava, que ouço musica, e me chamava de louca...
Ele digitou: Serio!
Digitei: É mas eu to no meu direito, pois estou em minha casa e só ligo o som no horário limite permitido lei.
Ele digito: Está certa!
Eu digitei: No momento em que ouvi ela falar mal de mim me irritei ao extremo e fiz algo que não devia...
Ele digitou: Você tem o pavio curto né rsrsrskkk...
Digitei: Liguei a musica no ultimo volume e fiquei cantando que nem uma louca mesmo, queria irritar ela assim como fez comigo, mas...
Ele digitou: kkkkk...
Digitei: Me arrependi, eu não gosto de confusão, não sou vingativa, isso foi uma babaquice, devia ter mais consciência, pois talvez eu esteja realmente a incomodado.
Ele digitou: Mas você está no sei direito e se sua vizinha tivesse mais educação ela poderia ter falado com você...
Digitei: Não, eu que fui a sem educação, deveria ter se tocado e posto a o som mais baixo.
Ele digitou: Mas ela não foi estupida?
Eu digitei: Ela devia estar muito brava comigo e com razão... Luis digitou: Você tem o coração bom.
Digitei: Não me acho um ser humano bom, eu vivo errando queria ser uma pessoa melhor.
Ele digitou: Mas você é, pelo pouco que conversamos aqui notei isso!
Ele digitou: As vezes perdemos as estribeiras é normal!
Eu digitei: Não é não, eu tenho fé em Deus, acredito Cristo passou uma grande lição de amor, não sei se você é uma pessoa religiosa, mas vou te dizer, Jesus disse, se alguém lhe der um tapa em sua face, vire o outro lado da face para que se faça o mesmo...
Ele digitou: Mas você não é Cristo, ele é um ser superior a nós!
Digitei: Por isso mesmo, ele nos deu exemplo que deveríamos ter seguido, ame ao teu próximo como a ti mesmo...
Ele digitou: Há... Não é pra tanto foi só uma rincha momentânea com sua vizinha.
Digitei: Não é só por isso, eu as vezes faço coisas que fogem ao meu controle, falo o que não deve e me arrependo tarde de mais.
Ele digitou: Olha nem em tudo perdemos a razão, as vezes tem pessoas que merecem ouvir o que temos a dizer.
Digitei: Temos que medir bem o que vamos falar, já fui bem paciente, mas hoje eu não sou mais assim, me irrito facilmente e outra não devemos julgar os outros.
Ele digitou: E nem se pode julgar a si mesmo e pelo jeito, por tudo o que me disse que passou, você perdoa com facilidade!
Ele digitou: Eu não sou assim, se o sujeito pisou na bola eu lhe dou um pisão maior ainda.
Digitei: Não faça isso com você, perdoar não faz bem só a quem é perdoado, o bem maior é de quem perdoa verdadeiramente.
Luis digitou: Calma moça rsrsrs... Eu estou de brincadeirinha, perdoar eu perdoo, mas depende se a pessoa merece mesmo minha confiança intende?
Respondi: Sei, mas como eu já te disse o perdão é uma dadiva e tem que ser para todos, mesmo que isso não lhe traga um bom retorno, lembre se só Deus sabe o que se passa em nossas mentes é dele o poder de julgar.
Ele digitou: Hoje você está muito sentimental, me sensibilizou viu, poetiza rsrsrs...
Digitou ele: Linda!
Eu digitei: Estou falando serio Luis, não estou de brincadeira.
Luis digitou: Tá eu vou tentar...
Ele digitou: Ser uma pessoa melhor!
Eu digitei: Não estou dizendo que você não é bom. Pelo pouco que te conheço, nas poucas vezes que nos conversamos na net, vi em você um verdadeiro amigo com que posso contar.
Ele digitou: Obrigado, mas você é quem me faz senti bem amiga.
Ele digitou: Pra se ter uma ideia, sempre que conversamos eu fico imaginando o quanto seria bom te conhecer pessoalmente.
Eu digitei: Também, eu queria muito que você conhecesse minha família.
Eu digitei: Se não fosse pelo ciúme de meu marido até te convidaria pra um almoço em casa rsrsrs... Se tivéssemos nos conhecido numa outra ocasião ou situação talvez vocês fossem bons amigos.
Ele digitou: Ele é ciumento é rsrs...
Eu digitei: As vezes parece ser e em outras vezes parece nem me notar, fico pensando... Se ele me ama realmente, se é feliz comigo, não sei?
Ele digitou: Claro que ele é, não tem como ele não gostar, você especial!
Eu digitei: Para com isso, se você me conhecesse de verdade saberia o porque de minha duvida.
Digitei: As vezes me sinto um nada do lado dele.
Ele digitou: Para você de ser boba garota!
Ele digitou: Eu estou num relacionamento complicado, como eu já te disse, as vezes penso em largar tudo, mas se meu relacionamento complicado fosse com alguém como você, não teria duvida alguma de que seria a pessoa certa.
Eu digitei: Melhor pararmos com essa conversa, se meu marido vê, ira interpretar mal, e somos amigo, não quero perder sua amizade.
Nisto coincidência ou não André chegou, era umas quatro horas da tarde ele vinha tomar café, no intervalo que tinha entre as aulas que dava. No ouvir a batida da porta da sala, temendo que ele visse a conversa e a interpretasse de forma errada, fechei rapidamente a conversa, mesmo que nada de mais tenha sido dito, percebia que se fosse comigo não gostaria de ver tais palavras ditas a meu marido por outra, o ciúme me iria falar mais alto.
Indo para a cozinha comecei a arrumar a mesa, e André disse: Você tava no computador?
Sim. Respondi.
Ele disse: O que fazia lá?
O mesmo que você faz quando vem pra casa! Eu respondi.
Então ele olhou pra mim e dando um sorriso sarcástico, disse: Tá de novo, naquelas conversas do MSN.
Há, você não fica, então? E outra arruma essa TV, a tarde fico só não tenho com quem conversar, é um tédio! Eu disse.
Tá Raquely, neste fim de semana arrumarei! Ele disse.
Após tomarmos o café, André voltou para seu trabalho.
E eu retornei ao computador, e vendo que Luis estava online ainda, digitei a ele: Luis me desculpa, tive que sair.
Ele digitou: Me deixou no vaco...
Eu digitei: Desculpa, fui fazer o café pro meu marido.
Ele digitou: Tá, certo!
Neste momento não sei como, mas eu escutei uma falação frente a minha casa, ouvi... "Ela cara!..." "Eu não te disse..." "Te peguei..." "Agora eu sei onde você mora!..."
Então eu digitei a Luis: Espera!
Ele digitou: Onde vai... De novo!
Olhando pela janela do quarto, que dava para o quintal da frente no portão, vi que crianças passavam correndo. Pensei: Bobagem devo estar imaginando coisas.
Voltando ao computador, digitei a Luis: Voltei!
Ele digitou: Não tem mesmo como nos conhecermos?
Eu digitei: Desculpa Luis mas acho que você está levando nossa conversa para um outro nível, que é quase que impossível de ser...
Ele digitou: Por que?
Digitei: Eu sou casada, pensa se fosse sua namorada que fosse conhecer uma amigo da internet o que iria pensar?
Ele digitou: Tá! É com pesar que digo, você tem razão!
Despedindo dele, disse: Vou ter que sair logo as crianças chegam da escola e eu tenho que fazer algumas coisas.
Ele digitou: Se cuida, beijos!
Então eu acessei o orkut, passado uns segundo, Luis mandou uma mensagem: Luciana, está ai?
Respondi: Sim!
Ele digitou: Beijos!!! Até logo amiga!
E seu logo status ficou off.
As crianças chegavam da escola, quando eu fechava as paginas da net, em seguida ouvi aquelas mesmas vozes, que ouvi no portão pouco tempo antes, só que desta vez pareciam estar dentro de casa, escutei... "Quero que seja minha!..." "Sai perto dela você já está morto, deixa ela viver a vida dela!..." "Não, ela vai fica... "Vadia!..." "Eu vou fazer ela excluir este MSN, esse orkut, tudo..."
Então me levantado, olhei para a janela não tinha nada lá fora, saindo do quarto, pensei: O que realmente se passa com esses desencarnados? Que divida tenho? Como posso ajudar?
E mais uma vez ouvi: "Ela vai ver..." "Deixa ela, não sabe o que a aguarda na vila de Florença!..." "É lá agente dá um jeito nela..." "Lá nós conseguiremos!"
Umas horas depois, lembrando da conversa que tive com Luis, sobre o perdão, pensei: É se tem algo que posso fazer de bom, quem sabe não seja isso, talvez estou aqui para pregar a paz no coração das pessoas ou dirigir a palavra de Deus. O que tiver ao me alcance, seja o Deus quiser!
Pensar assim parecia me fazer bem, no entanto sem saber, eu estava muito doente, a depressão não me deixava racionar direito, vivia em torno de ilusões pelos transtornos causados por ela, e o pior que não era só o meu físico que estava mal, o espiritual estava grandemente abalado, me via em trevas, precisava muito de Deus e da medicina. Caminhava num caminho estreito e escuro, sem poder enxergar o que vinha pela frente!
Felizmente meu Deus não me abandonou e mesmo por todo o mal que tive que passar para entender isso, o inacreditável estava para Acontecer!
No dia da prova do concurso público, acordamos bem cedo, pois a prova seria pela manhã e não podia me atrasar, em quanto eu me arrumava pra sair, escutei aquelas mesmas vozes de sempre... "Ela não vai conseguir!..." "Quem sabe eu não a ajude, é só ela pedir..."
Entrando no carro pensei: É acho que não vou conseguir mesmo!
Nisto André me passava uns conselhos: Seja rápida com a leitura, não fique tentando decifrar as questões, caso tenha dificuldade para responder passe para a próxima questão, sempre procurando responder as que sabe de forma rápida e objetiva. E ao acabar, ai sim você pode tentar responder as que deixou em branco.
Há, você fala isso com conta que eu tenho alguma chance, coisa que acredito não ter nem um por cento de chance! Desanimada eu disse a André.
Então ele falou: Deixa de ser pessimista Raquely! Você tem grande chance sim, o povo de hoje são tudo uns perdidos, mal sabem responder a questões simples como as do ensino fundamental, quanto mais ao um concurso como este e...
Para de julgar as pessoas desta maneira, não subestime a quem você não conhece André! Sou eu quem a muito tempo parou de estudar, que não lê nada... Eu o disse.
Eu estou falando sério, Raquely! Falou André, que continuando a me explicar dizia: Eu sou professor e como tal vejo a ignorância e o descaso com que o governo e as próprias pessoas tratam a educação, é de uma ignorância total. Você não, você estudou numa época, ainda que a ditadura tentasse nós segar, os que tinham visão se revoltavam contra ela em prol de seus direitos, como também havia uma certa preocupação pelas pessoas com os estudos, que hoje é quase nula.
Eu o disse: Mesmo assim, não boto fé que será fácil, são muitos concorrentes!
Deixa de ser pessimista Raquelzinha! Disse André.
Ao chegar ao portão de acesso na escola que faria a prova, entrei e passando pelos corredores, vi na porta da sala a monitora, na qual me pediu que assinasse um papel antes de entrar, me abaixando para assinar, nervosa perguntei: Onde eu assino mesmo?
Aqui nesta linha onde pus o X. Ela respondeu.
Então a mulher me observava escrever, coisa que eu não me senti confortável. Ao entrar não vi que as carteiras estavam numeradas, me sentei e logo veio alguém me dizendo que a carteira era sua, envergonhada lhe pedi desculpa, me dirigi a monitora perguntando qual era o numero da carteira que seria minha, após ela me dizer que era seis, na ânsia em me sentar olhei pra carteira de numero nove e novamente cometi uma gafe me sentando nela, então ouvi uma voz irônica: A letrada, a qual se diz possuir curso superior, parece mal saber escrever, olha a carteira que a pobre se sentou!
Percebendo meu erro, rapidamente me corrigi e fui a de numero seis a qual era correto estar.
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E novamente ouvi meio a risos... "To vendo!..." "Então boba, não tenha medo a vaga é sua!"
Me ressentindo com o que acreditava ter ouvido, envergonhada, pensei: Sou uma burra mesmo!
Folhando os papeis da prova, passado uns segundos comecei a responder, vendo que tinha dificuldade em um questão passei a próxima, ouvi a voz do espírito: Quer que eu te ajudo?
Pensei: Não sou trapaceira! Meu Deus me ajuda, nem aqui tenho sossego!
Minutos mais tarde, tentava responder a uma das questões que deixei em branco, quando ouvi a voz do espírito... "Alternativa C!"
De questão em questão não conseguia o mínimo de concentração, passados umas horas pouco tempo para acabar o prazo da entrega do gabarito assinalado. Perdi a paciência e praticamente chutei a quase todas as alternativas restantes. E entregando o cartão de respostas a monitora sai ao encontro de André, que me aguardava frente a escola, ao me ver ele disse: Como foi?
Respondi: Uma perfeita porcaria!
Aposto que nem se esforçou né? Saiu antes de quase todos correntes. Ele me disse.
Há esquece isso vai! Eu o disse, de forma desanimada, desapontada comigo mesma, por saber que realmente não teria um bom resultado naquele concurso.
Entretanto, Deus é bom, é justo, só senhor para saber o que é verdadeiramente bom para mim, talvez passar naquele concurso não seria tão bom assim, não estava nos planos do senhor. Mas neste mesmo dia aconteceu algo surpreendente, no caminho para nossa casa vimos uma pequena casinha a venda, cuja a placa especificava o interesse do dono em troca-la por um carro.
André que a viu primeiro, me mostrando disse: Olha!
Na placa diz que troca por um carro, vamos a notar o numero? Interessada eu o perguntei.
Não sei não em... E se o documento estiver irregular? Disse André.
Mesmos com todo o negativismo de meu marido anotei o numero do telefone.
Era quinta feira, corria com a organização da casa, pois meus sogros viriam neste fim de semana de pascoa nos visitar. Na hora do almoço discutíamos, sobre aquela casa que estava a venda, dizia eu: Eu vou ligar, não acredito que o valor seja tão alto!
Não ligue, eu não a comprarei! Disse André.
Por que? Eu o perguntei.
Você viu o localidade dela? Eu não gostei nem um pouco, acho melhor esperarmos um pouco mais e acharmos algo melhor. Disse André.
Nossa! Inconformada eu falei, dando uma pausa continuei a lhe dizer: Não foi você quem me disse naquele dia que era uma casinha boa, admirou o tamanho terreno e até disse que se localizava numa avenida, o que achava bom, pois ficava nas proximidades de onde trabalha? Por que não quer que eu ligo agora?
Ele me respondeu rispidamente: Presta atenção, eu não vou comprar uma casa onde se tem que reformar quase toda ela, os gastos nos serão alto e outra foi você quem disse naquela época em que procuramos uma casa pra alugar, que não moraria em Florença por achar ser num local distante de tudo e porque acreditava ser um lugar perigoso!
Eu o disse: E você me falou que não era para eu ter preconceito só por ser um bairro humilde, e disse ainda que pelo pouco tempo em trabalhava lá, gostou de estar naquela escola.
Não ligue! Será inútil, já sabe que não estou de acordo, não comprarei e está acabado! Nervoso disse André.
Ironicamente eu o disse: Há já sei, você está com medo de ficar sem seu lindo carrinho!
Deste modo que nossa discussão passou para uma tremenda briga. E quando ele saiu passou-se horas, até que eu comecei a imaginar, pensei: O quanto seria bom não ter mais preocupação com aluguel, porque não é fácil para nós que temos três filhos viver só com o salário de meu marido, ainda mais estando desemprega, morando em numa cidade pequena interiorana como esta, com a remota possibilidade de emprego, o que mais devo fazer? Tenho sim que convence-lo a comprar aquela casa, por mais que seja pequena e precise de reformas, não podemos perder uma oportunidade como aquela!
Liguei para o dono da casa, ao saber o valor e as condições de pagamento facilitada por ele, não tive duvida que a compraria. Na manhã seguinte em que meus sogros chegaram, contei a Selma sobre a casa, pois sabia que ela me apoiaria de bom ânimo, ao me ouvir, ela me disse: Não devem mesmo perder uma chance desta, o carro praticamente paga pela casa, você está absolutamente certa Raquely! Carro, podem comprar outro futuramente, casa não fácil de se achar no valor ao qual estão pedindo.
É Selma, mas o cabeça dura de seu filho não quer nem fazer uma visita a casa, para vê-la melhor. Eu a disse.
Então saímos de onde estávamos e fomos a sala onde André e Paulinho meu cunhado, conversavam e Selma disse: André porque não vai ver a tal casa que a Raquely me disse ser uma boa casa? E o preço parece estar bem acessível meu filho!
Eu já disse a teimosa da Raquely, que não trocarei meu carro por um barraco como aquele mãe! Disse André.
Pensa bem André, vocês podem reformar depois, é melhor do que pagar aluguel por uma vida inteira! Disse Selma.
André em silencio ouvia sua mãe, que tentava convence-lo, quando meu cunhado se interviu dizendo: Quando um não quer dois não faz, e se André não gostou do lugar e nem da casa é melhor pensar bem Raquely, vocês tem três filhos, não dá pra viver em um local violento, como você mesmo me disse que te contaram que é.
Nisto Júlia disse: Paulinho, mas também é melhor que os dois se entendam, e se Raquely tiver razão? E a casa estiver em um bom lugar, nós mal conhecemos a cidade direito, as vezes as pessoas exageram um pouco demais ao falarem as coisas.
Assim iniciou se uma discussão que felizmente foi bem racional, e brevemente chegamos todos ao consenso, de que ir visitar a tal casa, antes de julgar ser um mal negocio, era o melhor a se fazer.
Minutos depois liguei para dono que se prontificou de mostrar a casa e no mesmo dia após a visita, André que não aceitava fazer a negociação com o carro, mudou de opinião. Pois mesmo que a casa não fosse a dos nossos sonhos, ali vimos a grande oportunidade de uma vida com mais qualidade.
Um tempo depois, a tarde descansava em um sono justo pela corria daqueles dias, quando acordei com o barulho vindo da cozinha, uns minutos se passaram escutei o abrir da porta da geladeira e uma voz que já não me era estranha, no entanto não pertencia a nenhuma das pessoas que estavam em casa só podia ser o espírito que rondava minha vida, ouvi: Você quer? Vai e pergunta pra mamãe se pode comer Alice.
E no mesmo instante Alice veio ao meu quarto dizendo: Mãe eu posso comer o resto do doce que sobrou de ontem?
Pode filha! Eu a respondi.
Aquelas vozes se intensificavam a tal maneira, que pra mim já não fazia sentido me assustar, entretanto, isso afetava grandemente o meu lado emocional e sem que eu percebesse iniciou-se a minha falta de controle sobre minhas próprias atitudes, o que transtornava meu relacionamento com meu marido, que sofria por todas minhas loucuras e impaciência sem sentido algum. Diariamente eu o conturbava com minhas frustrações, tristeza e incontentamento com a vida, e tudo isso num momento em que não havia nada de errado, ao contrario, tudo fluía a uma forma significadamente positiva.
Obviamente que tudo isso fragilizava nossos sentimentos, André mesmo com toda a paciência que tinha comigo, como ser humano, por algumas vezes perdia as estribeiras, e agia de forma errada. Num fim de semana ao arrumar a mesa para o almoço, servi o prato de Antony e me sentei frente a TV, esperando e todos os outros se servissem. E do nada André ficou alteradíssimo, extremamente nervoso, disse: Cadê meu prato?
Está na mesa, vá se servir! Eu o disse.
Que mulher folgada! Sua mórbida, dá pra me servir? Ele disse.
Você tem mãos, se sirva você! Ressentida com ele eu disse.
Que droga, eu trabalho, faço de tudo aqui, nem pra se ter um pouco de sua atenção, custa servir um prato de comida para seu marido?
Não nos julguem por favor, essa briga se deu devido a todos os transtornos que passávamos por causa de minha depressão, como já os disse, André muitas vezes teve que suportar situações muito desagradáveis, como, meus destemperamentos e a tristeza que me vinha por alguns instantes sem pré aviso, fazendo meu marido pensar coisas nada reais, ele sem entender o que realmente me acontecia, acreditava que minha tristeza se dava por achar que eu não o amava mais. E sem que eu pudesse lhe explicar o real sentido pois nem eu mesma sabia, me vi acoada, sem ter o que dizer, em constantes pertubações alucinantes e preocupações inúteis.
Passado uns dias, uma noite antes de assinar o papéis de compra e venda da casa, preocupada, por ter feito André a comprar e algo desse errado, orei ao Senhor: Meu Deus, se a compra dessa casa for realmente de sua vontade pra nossa vida, que de tudo certo, se ela não estiver em seus planos para nossa vida, que nada se consuma, só se cumpra vossa vontade e não a minha.
No dia seguinte, perguntei a meu marido: André acho melhor esperar e pensar um pouco mais antes de assinarmos aquelas documentações!
Sorrido ele perguntou: Por que?
Não tenho certeza de seremos felizes com a compra, ao comprá-la não terá mais volta, perderá seu carro, a casa precisa de ser toda reformada e se não termos condições de arrumá-la? Eu o perguntei.
Para de pessimismo Raquelzinha! Já está tudo certo para comprar! Ele disse.
Melhor não! Eu disse.
Rindo de minha atitude tentando me acalmar, ele disse: Nós dois somos do contra mesmo, se eu não quero você quer, se eu quero você não quer, vamos parar com isso estamos juntos nessa, vai dar tudo certo!
Assinando ao contrato de compra da casa, mais calma e feliz, pensei: Se deu certo, foi porque tinha que ser!
Na mesma semana esperando para liberação da casa, ansiosa, liguei pra meus familiares lhes contando a novidade, eles ficaram felizes por nós. E numa tarde desta semana o tédio me tomava, pois as crianças iam pra escola e da escola iam brincar, André ao chegar do serviço ou corrigia atividades de seus alunos ou ficava no computador, me sobra assistir TV, então naquela tarde solitária decidi ir ao computador ver o que rolava na sala de bate papo, ao adicionar um cara ele começou com uma conversa estranha insinuando que me conhecia, chegou até perguntar a roupa que eu usava, o achando um individuo abusado, entrei no jogo dele e ousei em lhe dizer que eu sabia quem ele era. Pra se ter uma ideia da mania de perseguição que eu tinha, acreditava que seria meu meu próprio vizinho na conversa. Depois de alguns segundos conversando com aquele homem ouvi risos, como se fossem vindos da parede vizinha e em seguida houve um estrondo igual a um murro dado na parede e nos instantes seguintes comecei a ouvir mais risos e vozes sarcásticas... "Que burra cara!..." "É uma perfeita idiota!..." "Ela é sem noção, eu não te disse será fácil..."
Irritada fechei a conversa com o tal cara, quando Luis me mandou uma mensagem: Oi garota!
Eu não o respondi e ele digitou: Oi Luciana! Tudo bem?
Respondi: Oi, Luciana, tudo e você?
Ele digitou:Tudo bem, o que fez de bom no fim de semana?
Digitei: Um passeio com a família a praia e você?
Ele digitou: Fiquei em casa atoa rsrsrs...
Ele digitou: Só com a net pra distração!
Digitei: Nossa você só fica no PC e os amigos... As baladas?
Luis digitou: Eu trabalho a semana toda e no fim de semana não tenho muito ânimo pra balada.
Digitei: Você é jovem curta a vida menino!
Ele digitou: Mudando de assunto, por que demorou a me responder Oi? Não quero te atrapalhar! rsrsrs...
Digitei: Eu já te disse que meu marido gosta de zoar com o MSN e como ele, pode acontecer o mesmo com alguém dai.
Digitei: Você me cumprimentou de maneira diferente rsrs...
Ele digitou: A gente não faz nada de errado, relaxa garota, como você mesmo diz somos amigos. Se alguém duvidar disto será uma bobagem!
Digitei: Meu marido tem acesso as minhas conversas, de vez em quando ele dá uma sondada aqui, ele sabe que não passam de conversas, não a dúvidas por parte de meu marido quanto a isso...
Ele digitou: O que te preocupa então?
Digitei: Ele sabe que meu coração é dele, o que verdadeiramente me preocupa, é que ele lhe diga asneiras se passando por mim e você acredite.
Luis digitou: Para e pensa, eu sei a forma com que você digita e conduz a conversa, ele não me engana...
Ele digitou: Não se preocupe.
Digitei: É porque você não conhece a peça, é esperto, aqui ele leva qualquer um no papo.
Digitou ele: Como assim? Que tipo de asneiras ele fala?
Digitei: Ele começa com uma conversa bem igual a forma conduzo minha, depois parte para uma conversinha de baixo calão...
Digitou ele: kkkk... Mas o que ele diz rsrs...
Digitei: Só sacanagem, desta forma ele sabe que eu não terei mais coragem de conversar com a pessoa na qual ele diz tais coisas...
Ele digitou: Ele não vai me enganar, não deixe de falar comigo amiga, se isso acontecer eu fecho a conversa rsrsrs...
Luis digitou: E quando isso acontecer saberei...
Digitei: Não sei não em... Ou ele pode te levar no papo ou pode te deixar com grande raiva rsrs...
Ele digitou: Nunca que eu ficaria bravo com você...
Ele digitou: Sinto que te conheço, sem nem mesmo tendo a visto pessoalmente.
Ele digitou: Pelo pouco que conversamos, vejo que você não só linda fisicamente, como em seu interior existe uma pessoa maravilhosa.
Digitei: Obrigada mas não é para tanto...
Ele digitou: As vezes acordo e fico pensando o que ela faz a está hora?...
Digitei: Luis tá louco ou o que?
Ele digitou: Calma amiga, deixa eu terminar...
Ele digitou: Ai penso, deve estar preparando o café para o marido, cuidando da casa, dos filhos...
Ele digitou: Luciana não tem como eu me enganar com você!
Eu digitei: Agora você me deixou assustada!
Digitou ele: Não se assuste!
Digitei: E eu não sou esse poço de perfeição que você descreve.
Ele digitou: É sim.
Digitei: E você não se preocupa que sua namorada veja essa conversa e a interprete como uma traição?
Ele digitou: Que namora?
Digitei: Vocês terminaram?
Ele digitou: Ela me abandonou...
Digitei: O que houve?
Ele digitou: Já não nos entendíamos mais...
Ele digitou: Como eu te disse meu relacionamento com ela estava no fim.
Digitei: Você parece estar confuso, terminar um namoro serio como o seu não deve ser fácil.
Ele digitou: Esquece ela, vamos falar de você...
Digitei: Cara, eu sou casada, não estrague nossa amizade!
Ele digitou: Calma gata, não é pra tanto...
Ele digitou: Eu só estou dizendo o quanto gosto e conheço você amiga.
Digitei: Me desculpa amigo, mas acho que você está confuso sim!
Digitei: Espero que você seja feliz, fique com Deus.
Com isso fechei a conversa e bloquei Luis, pensei: O que está havendo com esse cara? Meu Deus, isso já passou dos limites, está errado. Se André ver isso vai encarar como uma traição, preciso excluir ou dizer o houve aqui pra ele.
Conhecer pessoas pelas redes sociais não é a mesma coisa que pessoalmente, cuidado, sei que eu não sou a pessoa mais indicada para dizer isso, devido a essas atitudes que tive no passado, atitudes que se fosse hoje eu jamais o teria feito, confiar a minha vida a um desconhecido não foi bom para mim e acredito que não seja bom a ninguém, por se tratar de pessoas ocultas, onde para quem se envolve são completamente estranhas, não generalizando, mas tanto pode se fazer uma boa amizade pela internet como não, é muito mais provável de se encontrar pessoas tendenciosas, cuja suas intenções não são para o bem e sim para praticas obscuras. Hoje tenho consciência disto! E não digo isso só por Luis, eu procurava por uma amizade, nunca levei nossa conversa para outro lado, no entanto, ele me parecia ser um homem solitária a procura de um amor, acho que ele me interpretou de forma errada, e vendo isso deixei de conversar com ele por respeito a meu marido, somente isso.
Sei que podem pensar, e o que ela faz neste blog, não é se expor? Sim, sei que de maneira oculta, mas posso sim até estar me expondo, só faço isso como a descrição de meu blog mesmo diz... "Este blog tem como objetivo auxiliar aqueles que sofrem ao se depararem com parentes, amigos ou até mesmo conhecidos que tenham depressão..."
Uma semana se passou, após eu ter contado a André de forma cuidadosa o que ocorria em algumas conversas ele me disse: O que você queria? Amizades sinceras...
Eu disse: Eu sei André que muitos ali não me levam a serio...
Dando um curto sorriso de forma irônica, ele disse: Sabe?
Eu disse: Teve um deles agia de forma educada, nunca levou a conversa de maneira inconveniente, mas...
Mas... Você é ingenua ou se faz de boba? Ele me disse com uma expressão seria.
Calma! Eu disse a André e dando uma pausa continuei a falar: Ele não me disse nada de mais, eu só estava percebendo que ele mudou sua forma de fala comigo, disse que queria nós conhecer... Depois disto eu fechei a conversa e o bloquei.
Você tem é que excluir esse cara, já fez isso? Ele disse.
Eu sei que você tem razão, mas também eu sei me cuidar não falarei mais com ele. Eu disse.
Para com essa palhaçada de acreditar que pode ter amigos no seu MSN! Esses caras só procuram azarar mulheres, marcar encontros e porque você não tenta conversar com mulher? Ele perguntou.
Eu sei que tem razão em ficar bravo, mas e você o que me diz de toda safadeza que faz no sei MSN ... Eu o disse.
Você sabe que não faço mais isso, é rará as vezes em que entro nessas conversas e vou te dizer, já estava tão nervoso de te ver neste tipo distração, como você diz, que já tentei até procurar por mulheres, o que é muito difícil, ou estão acompanhadas procurando por outro casal ou são gays se fingindo de mulher. Ele me disse.
Ele disse: Para com essas conversinhas Raquely! Exclua essa conta. Bom, eu não exclui pois ele não fecho a dele também, no entanto eu não tinha mais mesmo tempo para essas bobagens, a minha vida estava muito corrida, faltava um mês para mudança, no pegarmos a chave de nossa casa começamos a arruma-la da maneira que nos foi possível.
"Imagem colhida da Web assim como todas as imagens deste blog"
Dias depois, as crianças foram passar uns dias na casa de minha sogra, André e eu tivemos um tempo para nos dois. Além do que, precisamos de um descanso de toda aquela correria para reforma e mudança, que finalmente seria para a nossa, nossa casa própria.
Naquela noite fomos num evento cultural no centro da cidade, aconteceu algo muito estranho, tive a sensação de algumas pessoas nos observavam de longe. Passado uns minutos, algumas moças passaram do nosso lado falando horrores de alguém, e mais uma vez a mania de perseguição me afetava, acreditei falarem de mim, o que era extremamente desconfortável, afinal não é fácil ouvir criticas tão felinas pois eu acreditava veementemente que eram pra mim. Minutos depois quando íamos, embora, mais uma vez fui perturbada pela "tal perseguição", escutei: "É ela!..." "Não viaja!..." "Eu tenho quase certeza..."
E no mesmo instante um moço que passava de bicicleta bem próximo a mim, "disse" duas palavras, na qual eu somente havia dito a André e pouco tempo antes de sairmos de casa. Então o medo me tomou. E todas as vezes em que estive só, trancava a toda casa. É obvio que tudo isso se tratava de alucinações causadas por minha doença. Mas a vida fluía, não dava pra parar mesmo com o medo que tinha de sair, eu tinha que ir ao banco, pagar contas, ir a reunião da escola das crianças, ajudar na reforma da casa... Tinha que viver, o que estava cada vez mais difícil para mim.
Num fim de semana, fomos até a casa, pintar as portas, tinha muito ainda a se fazer, André precisava terminar de por os pisos do quarto coisa que na cozinha nem havia começado, a pintura da casa mal havia sido começada, vendo que tudo ali estava muito crú, falei a André: Precisamos acelerar essa reforma, faltam menos de vinte dias para mudança!
É por isso que eu te falei, se não vir aqui adiantar essa pintura durante a semana, vamos acabar entrando aqui sem nem mesmo por o piso da cozinha. Disse me André preocupado.
Mas será que eu darei conta? E se eu não souber e a pintura não ficar da forma que você deseja? Eu o perguntei, tentando convence lo de que eu não seria capaz, mas o que realmente me atrapalhava era o receio de sair nas ruas, como já disse, a mania de perseguirão provocada pela depressão sem tratamento, começava a me impedir de viver normalmente.
André me respondeu: Você sabe sim, não viu ainda como ficou a parede da sala que pintamos aquele dia? Ficou boa a pintura, e você praticamente a pintou sozinha Raquely!
Com isso todas as tardes após as crianças irem a escola, eu ia a casa para fazer o que estava ao meu alcance para a reforma. Houve uma tarde, em que eu fechava o portão indo embora, senti que algumas pessoas na rua me olhavam, pensei: Eu devo estar parecida a uma andarilha, por que ficam me olhando?
Virando a esquina frente ao um campo onde homens jogavam bola, tinha muitas pessoas na rua assistindo ao jogo, pensei: Meu Deus, que faço? Se eu voltar pra trás, vou demorar a chegar em casa, fazer a outro caminho não é uma boa opção...
Neste instante dois homens vinham na mesma calçada que eu em minha direção, desviando deles sem necessidade passei a andar pela bera da rua quando ouvi risos. Em seguida andando um pouco mais a diante vi que a bola vinha a parar próxima a rua, com receio de tomar uma bolada, me desviei para o meio da rua, dando passos mais rápidos, escutei: "Você viu?..." " Ela que tá pintando a casa cara..." "É?..." "E no fim do dia mesmo com toda aquela tinta continua linda!..."
Então no ouvir risos senti minha face esquentar pela vergonha e acelerei os passos. Provavelmente ouvi tais coisas pela precipitação em pensar que alguém poderia me ver daquele jeito e rir de mim, como também o medo que sentia no estar perto a muitas pessoas, eu acreditava em alguns momentos que um daqueles amigos virtuais poderiam estar no meio deles, tudo isso creio que se deu por minha doença e tal vez nem tivessem dito nada daquilo que pensei ter ouvido.
Claro que não descarto também a perturbação espiritual que me circundava, era constantemente afligida "pelas vozes que ouvia dos espíritos" onde surgiam as preocupações sem sentido, o mal humor que se tornava cada vez mais frequente, a confusão mental pré estabelecida carregada de constrangimentos que faziam me entrar em constantes conflitos com meu ser interior, me pondo em questionamento:
Hoje sei, que com o tratamento médico e a confiança que tenho em Deus, mesmo com todas as dificuldades causadas pelos transtornos mentais devido a depressão e as atribulações espirituais que foram impostos a minha vida nesse mundo, sei que posso, tenho forças, para lutar e viver de uma forma digna e feliz.
Meia hora depois, eu ouvia uma falação em frente a casa, algumas pessoas brigavam e ferozmente se insultavam, triste de ouvir tantas palavras de ódio, me lembrando também do atrito que tivemos em casa, pedi a Deus: Senhor, por favor pare com essa terrível briga, sei que somos todos falhos e não somos merecedores de teu amor, mas é em nome de teu filho amado Jesus Cristo, que te peço, traga a paz a nossos corações... E que se cesse todas as palavras e os sentimentos ruins!
Nisto André me chamou pedindo que pegasse alguns pisos que estavam na sala, chegando a cozinha ele me disse: Olha, falta pouco! Você não está com fome?
Não! Eu respondi.
Raquely, você nem almoçou hoje! Como não está com fome? Ele me perguntou.
Eu lanchei antes de sair de casa amor, não se preocupe! Eu o disse.
André disse: Eu vou no mercado comprar algo pra comermos, o que você quer que eu traga?
Há sei lá, compre o que achar melhor! Respondi.
Tá chateada comigo ainda né? Ele me disse.
Não, está tudo bem, não se preocupe! Respondi.
Quando André saiu, o silêncio se fez e a briga lá de fora parecia ter acabado. No entanto neste mesmo minuto, comecei ouvir as vozes de quem eu acreditava ser de pessoas próximas a minha casa, ouvi: "Você já viu filha dela?..." "Não vi, é bonitinha é?..." "Uma gatinha!..." "E o Fulano, cara, ficou loco quando viu essa mulher, até disse que a tomaria dele!..." "A mulherada daqui tava dizendo que iam bater nela!..." "São um bando de invejosa!..."
Não sei dizer como, mas senti um medo inexplicado, não de apanhar e sim por que temia pela vida de meu marido pois muitas das vezes em que ouvia coisas desse tipo lembrava das ameaças de morte feitas pelos espíritos, como já disse a vocês, acredito que muitas dessas vozes que escutava, como o pânico que nutria por causa da doença e as coisas estranhas que aconteceram em vida neste tempo eram obras do maligno e sendo ou não pessoas que tivesse falado isso, era só para o tormento de minha alma.
E quando André chegou, paramos um pouco para lanchar e ficamos conversando sobre alguns assuntos corriqueiros por uns minutos, onde me distrai e mais calma voltei ao serviço.
No dia seguinte acordamos cedo e fomos casa, restava pouco para acabar com o que havíamos sido combinado de fazer na casa, neste dia as crianças foram conosco. Fazia um lindo dia ensolarado, no caminho vimos um fenômeno inusitado no céu, vimos círculos em volta e próximos ao sol, ao mesmo tempo que me deslumbrei com o que via, senti uma certa estranheza no ver um fenômeno no qual nunca presenciei antes.
Admirada com o que via eu disse: Olha o que será que é aquilo? Que lindo!
André de forma sarcástica, vendo toda aquela minha admiração, soltou um sorriso e falou: É um aviso, que o mundo pode estar no fim!
Para de chacotas André! Eu disse.
E aos risos ele disse: Brincadeirinha Raquelzinha, mas que vai ter gente dizendo essas bobagens há, isso vai!
Chegando na casa, eu finalizava a pintura externa, André colocava os poucos pisos que restavam na cozinha. Pela tarde eu pintava a frente da casa e André parou e ficou observando meu serviço, então lhe perguntei: Já acabou lá?
Ele disse: Faltam uns cinco pisos acho que vou deixa pra amanhã.
Mas amanhã você não disse que tinha de ir a escola? Eu perguntei.
Então, mas tarde estarei livre. Ele respondeu.
Eu o disse: Hum... Mas não será mais cansativo deixar isso para amanhã? Falta pouco André, porque não termina hoje? Será algo a menos pra se preocupar!
E você tá difícil ai? Ele perguntou.
Por que diz isso? Está tão ruim assim a pintura? Eu perguntei.
Não, tá bom só que você demora muito, não precisa dar tantas demãos de tinta assim, lembre-se que não fizemos a pintura da cozinha ainda e a tinta já está pouca. André falou.
Tá, mas olha só esta parede está toda irregular! Eu o disse.
Nisto André foi pintar a área de serviço e no mesmo momento em fique só ali ouvi: "Sua burra, não tem nada irregular, é só virar o rolo!"
Não era a voz de André, olhei para rua e não vi ninguém parado ali na frente, pensei que pudesse ser que alguém da casa ao lado. E o pior foi que no eu endireitar o rolo, consegui melhor resultado. Pensei: Devo ser uma idiota mesmo!
Algumas horas depois fomos pra casa, no entrar no banheiro pra tomar banho, escutei vozes que pareciam estar longe, como se fossem um coral, cantavam um hino de uma forma estranha, que aos poucos parecia ter um o som mais e mais perto, até que ouvi meu nome na tal musica, diziam: Nãooo... Não tenha medo! Sou eu Raquely!
Ao ouvir isso, me lembrei de uma outra noite onde havia ouvido algo parecido em meu quarto, cheguei a pegar um papel e anotar algumas frases no intuito de entender a mensagem passada pelos espíritos, parecia ser a mesma musica, no entanto não conseguia entender o que diziam as vozes se embaralhavam com sons de instrumentos. Acredito que pode ter sido o cansaço e o stress daqueles dias somados aos sintomas depressivos que tivessem me feito ouvir tal coisa. E diante de tal fraqueza, os espíritos viram uma porta aberta e entraram em sintonia com a minha mente para a deixar mais confusa do realmente já estava. A porta pode ter sido minha curiosidade ao anotar tais frases pra tentar as decifrar. Nunca tente decifrar o além da vida, você não tem controle nenhum sobre isso.
Mais tarde fui para o quarto dormir, no me deitar não conseguia dormir de minuto em minuto ouvia as vozes, até que abri a cortina e comecei a observar o céu e pedi a Deus que se cessasse com aquelas vozes, quando ouvi: "Eu não vou embora? Se é isso que você quer..."
Pensei: O que você quer de mim?
E mais uma vez ouvi: "Você não sabe, mas você sempre foi minha, esse cara não presta!... Ele quis tirar você de mim... Eu não a deixarei... Não a deixarei... "
Pensei: Porque esse espírito não me deixa em paz meu Deus o que eu fiz?
E ouvi vozes de mais um espírito, pareciam discutir: "Eu não vou..." "Porque?..."
Pensei: O que você quer de mim? Deixa eu viver minha vida, siga a luz de Deus. Talvez nos veremos em outras vidas, mas agora me deixa em paz!
Ouvi Risos e neste momento nem havia percebido que André estava entrando no quarto, no ele deitar na cama, escutei a uma voz, só que de uma forma bem mais clara das que já tinha ouvido, era diferente e próximo a cabeceira num tom alto ouvi: Essa mulher não presta André!
E senti como se tivessem passado de um lado para o outro do quarto, e de repente associei a tal voz com a de um falecido amigo de André.
O silêncio se fez e só horas depois que fui conseguir dormir.
"Me desculpem o desabafo, mas eu precisava dar uma resposta ao que me pôs em questionamento e em duvida a quem realmente sou.
Agora vou retornar a minha história..."
No dia seguinte pela manhã, ao acordar senti uma tristeza sem sentido e só me vinham pesamentos como: "Você não merece estar viva... Você não tem valor algum!" Por que estou aqui ainda? Se não sou útil a ninguém, não faço nada que tenha sua devida importância, não tenho nenhuma profissão, não trabalho em nada a não ser cuidar desastrosamente de meus filhos, mal consigo lhes dar a devida atenção... As pessoas na rua zombam de mim por minhas atitudes descabidas. Meu marido parece não me amar mais... Que faço de mim? Se em minha covardia não consigo nem dar um fim a tudo isso!
Comecei chorar dando pequenos soluços temendo que meu marido me ouvisse, mas em poucos minutos ele acordou e num rápido movimento se virando para mim disse: Raquely! O que houve? O por dessas lágrimas?
André eu não sou digna de meus filhos, de seu amor, não sou útil a ninguém, não faço nada direito! Nem sei se você me ama ainda, por que eu estou aqui? Por que vim a este mundo? Sou uma inútil mesmo! Eu disse.
Para com essas bobagens, eu te amo sim e muito, e seus filhos precisam de você, você é muito útil sim! É uma boa mãe e esposa, cuida de nosso bem estar e sempre se preocupa com todos só precisa se lembrar um pouco mais de si mesma! Disse André.
Eu disse: Não, eu não mereço vocês, eu sou um verdadeiro peso em sua vida! André eu quero morrer, as vezes sinto vontade de acabar com tudo.
Ele me disse: Há, quer se matar agora? Deste jeito vou pensar que é você quem não me ama! Pensa, em tudo o que construímos juntos, sem você nada disto seria possível, nem nosso filhos estariam aqui.
Com isso passaram se uns minutos em que estivemos abraçados e me acalmando, fui ao banheiro lavei meu rosto, para mais um dia de minha vida, onde ninguém nem mesmo eu pude notar que caia no abismo tenebroso que é da depressão.
Indo para a nossa casa e decidida a terminar com o que restava da sua pintura, no caminho vi uma grande movimentação de pessoas que trabalhavam para partidos políticos, pois era época de eleição, passando por algumas mulheres que lá estavam, escutei: "Essa mulher enlouqueceu de vez, hoje ouvi ela dizendo que se mataria..." "É? Então por que não se joga da ponte essa desgraçada?"
E andando mais adiante, me sentindo desolada com o que ouvia, ouvi mais um a vez com o que parecia o som de muitas vozes que diziam: Não tem coragem? Morre sua ridícula! Vai acaba com essa sua vida inútil!
Foi um terrível choque para mim ouvir aquelas vozes ferozes cheias de maldade, que na época eu pensava ser vindas daquelas pessoas, no entanto, hoje sei que não, acredito que eu em minha doença possa ter imaginado tais coisas, como também por minha fraqueza espiritual fui atormentada pelo mal.
Um dia antes da mudança no sábado minha sogra, meu cunhado e Júlia nos ajudavam com os últimos preparativos da mudança. Conversamos na cozinha quando Selma me disse: No que posso te ajudar? Parece que aqui você já encaixotou tudo?
Respondi: Aqui sim, só faltam guardar umas poucas coisas nos quartos, mas o que está mais me preocupando é a outra casa, que está com o piso todo sujo de tinta e mal tiramos as bagunças da reforma lá de dentro.
Então vamos logo pra lá, o que estão esperando? Perguntou Selma.
Passados uns minutos André e Paulinho colocavam algumas das caixas no carro para levar a outra casa e Paulinho disse: Raquely não é melhor que fiquem ai arrumando o que falta?
Não, aqui está quase tudo pronto no entanto, a outra casa tá uma caos. Respondi indo para a sala pegar mais uma caixa.
E Paulinho aos risos disse a André: Nossa, como ela deu conta? Você não tava aqui ontem quem a ajudou?
Há, ela arrumou aos poucos durante essa semana! Respondeu André.
Dando um sorriso sarcástico, perguntou Paulinho: Mas também não foi ela quem pintou a casa? E o que você fez cara?
Paulo, eu trabalho fora, ela não pintou a casa toda sozinha não, e foi eu quem pôs os pisos da cozinha e do quarto! Disse André.
Ouvindo isso eu falei a André: Você me ajudou a pintar? Quando?
Quem pintou as portas? Me perguntou André.
Há, ai sim, você pintou as portas, agora, a casa toda, fui eu que pintei! Eu disse a André.
Paulinho rindo muito, disse: Melhor deixa isso pra lá!Cara você só dá um de Zé Migue!
E todos caíram na rizada.
Eu os disse: Esperem, eu vou pegar alguns produtos de limpeza na lavanderia, já volto!
E Paulinho: Vichi! Saiu a tinta!
André indo até a sala falou: Não tem problema! Depois eu dou outra demão de tinta.
No André voltar a cozinha, começamos conversar sobre algo de que não me lembro agora, nisto Selma, falando num tom baixo cogitou que eu ficaria brava pela tinta removida, Júlia nervosa me ironizou: Era só o que me faltava, além de ajudar, vou ter que ouvir ela dizer... "Que merda, manchou tudo, tá vendo que droga vai ter que pintar tudo de novo!"
Então Paulinho tentando acalma-la disse: Não, ela não é assim, tá tudo tranquilo, agora vocês param com isso e falam mais baixo porque se ela escutar, ai sim a coisa vai ficar preta.
Uma meia hora depois Paulinho passava da sala pra cozinha procurando o pano de chão, André vendo isso me disse: Cadê o pano de chão?
Eu deixei na janela da sala não tá lá? Eu o perguntei.
E Paulinho disse: Não tem um outro mais sedo?
Respondi: Tem sim no varal lá fora!
Na hora que Paulinho saia eu o chamei: Paulinho vem aqui!
Ele disse: Hum...
Falei a ele cuidadosamente num tom baixo: O que houve lá na sala? vocês pareciam preocupados com alguma coisa.
Ele respondeu: É que saiu um pouco da tinta do piso da sala.
Há... Bobagem, diga a Júlia que não tem problema, aquela tinta mais cedo ou mais tarde sairia mesmo, eu falei para o André que não adiantava passar aquilo no chão! Fala pra Júlia ficar sossegada! Judiação!
Paulinho indo a sala com André, disse de forma encabulada a Selma e Júlia: Tá vendo ela ouviu tudo!
E André disse: Como eu já tinha dito não tem problema Júlia!
E ainda ela disse que não é pra você se chatear! Disse Paulinho.
Selma disse: Como ela conseguiu ouvir? Falávamos baixo.
Dando rizadas disse André: Ela faz o serviço dela distraída, mais parece estar antenada, fica esperta mãe!
E Paulinho disse: E o impressionante é que ela não se aborreceu com o que ouviu e ainda até se preocupou com o que Júlia pensava dela!
André riu e Paulinho disse: Tá tirando o sarro né, é porque elas não falavam de você!
A tarde quando terminamos de organizar com o que faltava na casa para mudança, dei uma observadinha no que seria o nosso novo lar.
E pensei: Não é igual aquela casa com piscina que tanto gostei morar, não é aquela linda casa naquela chácara enorme que alugamos e na qual sonhei tanto em comprar, não é no tamanho nem nas medidas e proporções com que sonhávamos, mais fim, não é mais uma casa alugada que iremos morar, é nossa casa, e com uma vantagem maravilhosa, moraremos em torno a um verdadeiro paraíso natural com este.
No dia da mudança deixamos tudo pronto até o fim da tarde e o caminhão terminou de ser carregado com nossos pertences já quase umas seis horas da tarde, chegando a casa, que por sinal, ainda estava sem energia elétrica, foi difícil arrumar com as poucas coisas que se pode organizar para pelo menos termos um espaço para dormir no meio de toda aquela bagunça generalizada, pois havíamos saído de uma casa relativamente grande, para uma casa pequena, onde nem todos nossos pertences cabiam.
Ao acordar me vendo em meio a todas aquelas caixas não sabia nem por onde começar, passadas algumas horas, pouco a pouco consegui organizar a cozinha. E pela tarde dei uma pequena ordem no quarto. Muitos de nossos moveis se deterioram com as várias mudanças que tivemos de fazer num tão curto espaço de tempo. No meu quarto; o guarda-roupa já não tinha mais as portas, a cama por sorte conseguimos montar, quanto as crianças; passaram a dormir na sala pois a casa só possuía um dormitório e já não se tinha mais onde guardar as roupas deles além de uma comoda praticamente destruída, de suas camas montadas na sala uma foi descartada devido ao pouco espaço, da sala; só restou um sofá de dois lugares que não sabia onde por e uma estante onde guardei alguns utensílios de cozinha e a TV, na cozinha; só nós restaram duas partes do que era o armário de cozinha, uma mesa e três cadeiras que foram consertadas com pregos e duas geladeira geladeiras sendo que uma foi utilizada como armário. E o pior foi que com os gastos que tivemos naqueles últimos tempos não se poderia repor nada do que perdemos.
Três dias se passaram, e ainda faltavam muitas caixas a serem desfeitas, roupas a serem guardadas, livros e livros que não sabia onde por, brinquedos, sapatos... Naquela tarde eu me lembro, estava só e com a casa toda fechada, fazia um dia lindo de sol mas nem assim abri as janelas, como já disse me sentia vigiada. Me recordo de estar arrastando a comoda para a parede de onde fica o vitro da sala quando vi de relance o que parecia ser um moleque observando meus movimentos dentro da casa, mas estranhamente não me preocupei de verificar se tinha alguém mesmo la fora, continuei com serviço. Indo ao meu quarto comecei a tirar as roupas de dentro do saco plastico, me sentando no chão comecei a escutar: "Isso fica sentadinha bem ai!..." "Ho, coisa boa..." "Vira pra cá!..."
Assustada me levantei, fui até o vitro da sala e o abrindo olhei e não vendo nada lá fora, pensei: Só pode ser essas almas penadas, que droga, quando vou ter um pouco de sossego?
Retornei ao quarto e mais uma vez escutei: "Vira pra cá!..." "Cara ela me ouve, você viu!..." "Não ela não nos ouve se não já estaria bem assustada!..." "Então observe!
No me levantar escutei várias vozes dizendo tudo quanto eram coisas pervertidas, eu relutei para não me perturbar com aquilo e de forma inútil tentava me concentrar no que estava fazendo, mas foi impossível, pois eu não parava de ouvir aquelas vozes tenebrosas. E no instante que agachei-me pra guardar umas roupas na gaveta da comoda da sala, escutei: "É linda de mais pra tá morando em um casebre deste..." "Ela é muito especial pra ser desse cara!..."
E quando eu ia me levantando, senti um vento gelado soprando sobre minha cabeça e ombros, escutei uma voz assombrosa que dizia: Tá vendo, tudo isso, você deve a mim!
E inesperadamente o vento passou por mim e o senti como se fosse algo que mexesse nos fios de meu cabelo, estando em pé frente ao vitro, vi em um relance mais uma vez a imagem do moleque do lado de fora.
Com o susto me veio a mente, mesmo que relutantemente, de que não dava mais para crer se tratar de um dom espiritual ou de um carma e sim o maligno aprontando sua obra para me desestruturar com suas emboscadas a espreita de um erro para minha perdição.
Olhai, vigiai e orai pois o inimigo é astuto, corrompe não só com sua alma a desencaminhando, como promove conflitos e corrompe com toda a uma família, e se não estiver ligado a Deus, de algum modo, orando, pedindo seu perdão, tudo poderá ser resumido ao seu fim. Se esse fato que conto, for comparado ao que alguém tenha passado, não se perturbe, ore com firme confiança pois Deus é um pai amoroso, que ouve e cerca de cuidados os corações aflitos de seus filhos.
Ao anoitecer, Antony e eu estamos na sala quando as luzes da casa acenderam, a alegria dele foi tanta que comemorou: Mãe, ebá... Não vamos mais ficar no escuro, ligaram a força!
Em fim pudemos ter o conforto da energia elétrica. Ao me deitar para dormir me incomodei com os ruídos vindos da casa vizinha, cuja a nossa parede era a mesma deles e como não tinha forro nem laje nas casas, se ouvia de tudo, principalmente no meu quarto, ouvia-se desde o som da TV ligada a madrugada adentro como o barulho da descarga e do chuveiro. Depois de horas ao pegar no sono fui acordada com o barulho da descarga do vizinho e em seguida ligaram chuveiro, então escutei: "Tá me ouvindo? Estou cheio de amor pra te dá..."
Desligaram o chuveiro, mas aquela voz prosseguia o tempo todo falando, após meia hora, escutei como se batessem na parede e ouvi as ultimas palavras: "Eu sei quem você é e não adianta tentar me enganar! Um dia, mais cedo ou mais tarde, como eu sempre te disse, você vai ser minha!"
Então rapidamente associei o som daquela voz com a do espírito obsessor, foi onde surgiu um estado de confusão mental, não sabia mais o que poderia ser real ou não, se as vozes poderiam ser de pessoas ou espíritos obsessores.
Ao amanhecer, acordando vi que André saia para trabalhar, o sono me pesava ao ponto de eu dormir quase que simultaneamente, algumas horas se passaram e abrindo meus olhos vi que tinha acordado tarde demais, me levantei num pulo e pensei: Meu Deus que horas já devem ser?
Era quase hora do almoço, André estava pra chegar e as crianças iam para escola, precisava fazer o almoçar e logo se não a coisa ia ficar preta para o meu lado. Corri pra cozinha, procurei ao que tinha de mais pratico e rápido de fazer, pegando o pacote de macarrão e o molho pensei: É isso uma macarronada!
Coloquei a água pra ferver na panela preparei os temperos do molho, André chegou e disse: Cadê o almoço?
Logo estará pronto! Respondi.
Você não percebe tenho pouco minutos pra almoçar e esse macarrão nem tá cozido! Ele disse.
Então iniciamos com uma pequena discussão, onde me atrapalhei ainda mais, estava cortando a cebola quando cortei meu dedo, como continuaria a fazer o almoço com o sangue escorrendo de meus dedos? Chamei a Sabrina pra me ajudar mas ela disse: Há... Mãe eu to me arrumando, pedi pra Alice!
Alice tá no banho menina, larga esse batom e vem terminar de cortar a cebola! Eu disse.
André furioso, pegou o estojo de maquiagem das meninas e jogou com toda a força no chão e disse: Vai logo ajudar sua mãe menininha egocêntrica narcisista!
Sabrina assustada, com lágrimas nos olhos disse: Para pai!
Então nervosa pela atitude descabida de meu marido, eu disse: Tenha um pouco mais de paciência seu estupido!
Então começaram se os insultos vindos de toda parte da casa, todos começaram a gritar e se ofender. E colocando um papel no dedo ferido, joguei o pouco de cebola que já tinha cortado e coloquei na panela e em minutos o almoço ficou pronto, todos almoçaram a tempo de irem ao seus destinos. Mas o aborrecimento foi tão grande que mal consegui almoçar.
Após arrumar a cozinha, me veio uma forte sensação de desanimo e preguiça, então me sentei na cama das criança e liguei a TV que por acaso sua imagem chuviscava muito, me deitando cochilei, sentido que alguém estava a velar me sono, me perturbei, pois ouvi: "O que você acha de eu ir ali acordar ela com um beijo?" "Você tá louco, não..."
Abri meus olhos rapidamente olhei em minha volta, olhei no vitro, olhei pra a porta da cozinha e nada. Me deitei e novamente ao fechar meu olhos escutei: "Vou experimentar se ela é boa na cozinha!..." "Tem macarrão na panela?..." "Tem olha..."
Alguns minutos depois minha paciência se esgotou me levantei e fui a cozinha, vi a panela em cima da mesa, pensei: O que houve aqui? Não deixei isso na mesa, será que estou ouvindo coisas ou alguém realmente entrou nesta cozinha?
Ao anoitecer André me chamou para ir ao centro da cidade, as crianças não quiseram ir conosco, ficaram em casa.
Fomos ao uma lanchonete e conversávamos sobre acontecimentos futuros, fazíamos planos e discutíamos sobre a educação de nossos filhos, pois eles estavam se tornando cada vez mais rebeldes. Quando saímos da lanchonete fomos andar próximo ao um belíssimo lago nas proximidades de nossa casa, passamos por uma casa onde parecia rolar um baile de jovens, frente a casa haviam umas pessoas falando e rindo de forma alvoroçada. E andando mais adiante, tive a sensação de que três dos rapazes que estavam naquela festa andavam atrás de nós, parecia nos seguirem. Ao nos sentarmos a beira do lago, percebi que eles pararam uns poucos metros de nós, estávamos observando o lago silenciosamente, quando ouvi em meio a risos: "Há não! Vai me dizer que é ela agora?..." "É sim cara!..." "Além de coroa, casada, é feia meu, e você só vai arranjar problemas!..." "Não vejo problema com idade e se acham ela feia ou não, não me importo!..." "Não meche com a mulher dos outros, isso só vai te arrumar problemas pra cabeça..." "Eu roubo dele fácil fácil..." "Onde você vai?..." "Esse cara piro!..."
Nisto nós nos levantamos indo embora para casa, quando um daqueles homens veio andando a passos largos e se aproximando mais e mais de nós, isso me gerou grande aflição e inquietação.
E André percebendo que eu acelerava meus passos, disse: Por que a pressa Raquely?
Você não viu aquele cara estranho, vindo na nossa direção! Preocupada eu o disse.
E André falou tentando me acalmar: Aqui é interior, é sossegado, não há bandidos como tem nos grandes centros, não igual onde morávamos antes, fique calma!
Horas se passaram em que estava na cama e não conseguia dormir, quando escutei uma terrível discussão, parecia que estavam bem em frente nossa casa, ouvi: "Eu vou te mata seu filho da pu..." "Há é, então vem seu bicho escroto!..."
Assustada, me encolhi na cama abraçando André, pensei: Meu Deus e se estes homens estiverem armados? Senhor tenha piedade!
E a briga não cessava: "Toma seu covarde!..." "Vira homem seu moleque atrevido!... "Eu juro que se você não deixa ela e minha família em paz te dou tiro bem no meio de sua testa!" "Tá então espera pra ver quem tomará o tiro!..."
Angustiada não conseguia dormir, mesmo depois de pararem com a tal briga, que imaginava ser frente minha casa. Horas depois não sei o que houve comigo, na época, mas eu escutava gritos de desespero de uma das casas vizinhas, escutava: "Não, não faz isso com meu filho, não, por favor!" "Eu falo, eu cumpro, vou te mata seu bicho escroto! Quem vai morrer primeiro você ou sua irmãzinha?..." "Espera cara não faça isso..." "Cadê o bagulho?..." "Tá lá de baixo da cama..." "Bom, agora vocês vão todos lá pra fora já, não vai sombrar ninguém pra conta história!..." "Ta vendo tudo culpa de uma vaga... Por que essa ridícula não se matou antes de vir morar aqui!
Nisto minha mente entrou em parafusos, pois a ultima fala que ouvi parecia ser de uma das mulheres que estavam zombando de mim poucos dias antes de me mudar, o pavor me tomou conta e me peguntava: O que eu tenho haver com tudo isso meu Deus? Não permita meu senhor que tudo isso se torne em uma desgraça, se não nunca me perdoarei!
Escutei mais uma vez: "Isso fica ai de joelho!..." "Não! Meu filho não!
Com isso escutei sons como se fosse de vários tiros, apavorada, comecei a imaginar a rua lavada de sangue, corpos na calçada, uma verdadeira sena de horror. Fiquei horas acordada até ser vencida pelo cansaço. Isso se deu acredito, por eu associar, a primeira discussão que talvez nem foi real, com a atribulação espiritual que vinha passando, entrei em choque, mas não passou de uma terrível ilusão de uma mente depressiva que perturbada por espíritos, passou por essas imaginações horrendas!
Dois dias depois, novamente acordei tarde e de novo o almoço foi feito as pressas e mais uma vez tivemos aquela briga, ao servir o prato de André nervoso me disse: Veja bem, que droga é quando você atrasa com o almoço, agora além ter que praticamente engolir comida quente, vou ter que sair correndo para o trabalho e talvez nem conseguirei terminar de comer!
Tá bom, você tem razão, mas da pra fala mais baixo! Eu disse.
Vê se toma consciência de que assim não dá pra fica faça esse almoço mais cedo, seus filhos mal tocaram no prato! Ele me disse.
A tarde eu lavava roupa, quando escutei barulhos de fogos, pensei: Essas pessoas soltam fogos o tempo todo, quase todos os dias, por que será?
Terminando de lavar a roupa fui até o varal estende-la ouvi: "Não, agora é minha vez..." "Mas o que ela tá fazendo?...
Quando eu ia por mais umas roupas de molho, não encontrava o alvejante, pensei alto, falei: Onde foi parar o Alvejante?
Ouvi em meio a risos: "Essa mulher perde tudo, olha lá na cozinha..."
Então desisti de fazer com o que fazia e fui larvar a louça, minutos depois retornei a área de serviço e não achei o bendito alvejante, então fui até a cozinha e vendo que o alvejante estava atrás da porta, fui ao tanque por a roupa de molho e escutei: "Achou! Eu disse que tava na cozinha!..."
Nisto ouvi risos como se zombassem de mim e mais uma vez aquelas vozes: "Para, deixa essa mulher em paz moleque!..."
Após isso fui para dentro de casa fui a sala assistir TV, algum tempo depois eu me deite na cama das crianças e em seguida ouvi: "Tá deitadinha na cama!..." "Deixa eu ver?..." "Tá com soninho..." "Você já viu ela?..." "Vi, é uma..."
Nisto eu me sentei e comecei a perceber que no telhado havia vãos entre as telha e as vigas, veja bem, como funciona a imaginação de uma mente perturbada pela depressão, a pessoa tentando entender o se passa com ela acaba inventa ilusões para si, desejando obter a qualquer custo uma explicação do ocorria comigo, pensei: Será que tem algum engraçadinho bisbilhoteiro, nos observando destes vãos?
Obvio que não tinha ninguém nos observando e não dava para ver o que se passava dentro de minha casa por aqueles vão minúsculos, nem se realmente quisessem, mas na época eu era tão torturada por aquelas vozes, que vivia a procura de uma resposta, ao que não somente o psiquiatra poderia me dar a devida ajuda, como Deus poderia me dar o entendimento.
Era um quinta feira, André havia ido num comício eleitoral em nossa rua, eu não quis acompanha-lo, minutos depois, escutei barulhos no portão de casa e os cachorros latiam muito, indo até a porta vi que dois homens brigavam um deles parecia ter caído no chão e o outro o ameaçava: Dá um jeito nesta situação ou eu te mato seu verme.
E notando que o ameaçador punha sua mão na cintura por debaixo da camisa como se fosse sacar uma arma a qualquer momento, assustada corri para dentro fechando a porta, as crianças queriam sair, eu as disse: Quietos, sente ai no sofá de boca fechada!
Que foi mãe? Disse Sabrina.
Tem dois homens brigando bem ai enfrente, ninguém vai sair agora! Eu disse.
Após isso, fui para a cozinha e no voltar a sala vi que Antony havia saído, preocupadíssima pergunte as meninas: Cadê o Antony?
Ele disse que ia no comício com o pai! Disse Alice.
Meu Deus, meu filho! Pensei.
E porque não o impediram de ir? Eu disse que não pra irem lá fora, que droga, esse menino não me obedece mais e vocês só se fingem de boba, porque não me chamaram?
Para mãe, não tem nada de perigoso, ele foi ali no fim da rua com o pai. Disse Sabrina.
É mãe, para, quando ele saiu eu fui lá no portão e não tinha ninguém brigando! Disse Alice
Fiquem ai, não abram a porta, eu vou buscar ele! Eu as disse.
Quando ia em direção a portão, escutei: "Decidiu saí da toca!"
Abrindo o portão, olhei a movimentação da rua, pensei: Meu Deus é muita gente! Mas se eu não for, como ficarei em paz? Sabendo que meu filho tão pequeno, está ai uma hora desta só e no meio desse rebuliço!
Andando as presas até o tal comício, senti que me olhavam, uns começaram a rir e eu pensava ser de mim e ouvi as vozes sendo que uma não me era estranha, parecia ser de minha antiga vizinha: "Olha a vadia!..." "Nem me fala, quando descobri que essa ridícula ta morando perto de meus pais, morri de raiva!"
Chegando próximo de onde estava o palco vi meu marido na calçada do outro lado da rua e ouvi: "Olha quem veio..." "Ela veio!..." "Me diz pra mim o que esse cara tem, que eu não tenho, pra ele ter tudo aquilo ali e eu não?"
Me aproximando de André o perguntei: Você viu o Antony? Ele saiu sem me avisar!
Não, mas ele deve ai brincando, relaxa! Onde você vai? Disse André.
Procurar nosso filho! Eu disse.
Então ele seguro meu abraço e me disse: Você está se preocupando atoa Raquely! Enquanto esse moleque tá se divertindo!Ele disse.
Nervosa eu disse: Não...
Nisto André apontando para o outro lado da rua, disse: Olha ele lá, deixa desse boba.
Então mais calma, disse: Tá então não o perca de vista!
Fica aqui, porque vai embora? Perguntou André.
Neste instante Antony veio até nós todo sorridente: Mãe, eu fui na casa de meu colega, agora eu vô fica aqui.
E porque fugiu de casa seu malandrinho? Eu disse que não era pra sair! Eu disse a meu filho.
E ele e seus coleguinhas saíram correndo, André disse: Tá vendo, deixa de se preocupar por bobagem!
Então eu fiquei ali com André assistindo o comício, passados uns minutos, me senti incomodada com duas crianças que seguravam uma bandeira que insistentemente esbarravam em mim, olhando calmamente para traz, elas recuaram, então ouvi: "A ridícula se incomodou! Pode deixar, que eu mesmo vou assenta esse mastro na cabeça dela, deixa ela olha de novo..."
Me irritando com o que ouvi olhei e olhei feio, procurando de onde tivera vindo aquela voz, e as crianças retornaram a esbarrar com a bandeira em mim, me afastando, puxando o braço de André o disse: Vem mais pra cá!
E mesmo se afastando aquilo se repetiu mais umas vezes e escutei em meio a risos: "Vai embora ou então fica ai e aguenta sua ridícula!..."
Nervosa, eu disse a meu marido: Vamos pra casa, não tenho mais paciência pra isso!
Por que? O que foi? Perguntou André.
Há! Fica você ai, não vou mais ficar aqui só porque você quer, fui! Eu o disse já indo embora.
E andando mais adiante eu ouvi novamente a voz de um daqueles homens que minutos antes brigavam enfrente de minha casa: "Cara eu dei-lhe um empurrão que o bicho tremeu na base!..." "É!..." "Se ela não largar dele, juro que dou um fim nesse cara!..."
Chegando em casa, assistia a um DVD, vendo que Sabrina e Alice se arrumavam, perguntei: Onde vocês pensam que vão?
A gente vai na casa da minha amiga, de lá vamos para o comício! Disse Alice.
E onde fica a casa desta sua amiga? Eu perguntei.
Próximo a ponte, não é longe! Respondeu Alice.
Mãe se o Antony tá ai de boa na rua, porque você tá implicando conosco agora? Disse Sabrina.
Vê lá os modos com que me dirige suas palavras a mim menina, sou sua mãe me respeite! Eu a disse.
Há, mãe deixa nós irmos, o comício é na nossa rua. Disse Alice.
Tá, mas então não quero que voltem tarde pra casa! Eu disse.
Estando só em casa, escutei: "Ela tá sozinha!..." "Essa mulher tá com um medo de gente!" "É..."
E no mesmo instante passava um carro de som de divulsão eleitoral e em meio a todo aquele barulho ouvi um grito como se me chamassem: "Raquely!..."
Com o susto me levantando olhei pela vitro da sala, pensei: Que será isso meu Deus?
E como não tinha ninguém no portão, voltei a assistir a TV o que estava sendo quase impossível devido ao barulho que vinha da rua, pouco tempo depois ouvi os fogos e logo em seguida escutei barulhos como se tivesse pessoas andando nós fundos de casa, tentei me acalmar, no entanto em seguida passei a ouvir as vozes que julgava ser dos espíritos: "Olha só pra ela!..." "Parece com uma criança assustada!..."
Então ouvi uns risos sinistros e mais uma vez as vozes: "Tá fácil..."
"Quer ver?..."
Minutos depois, senti como se tivesse mesmo alguém no quintal de casa e ouvi: "Você nunca mais vai ser dele, tá me entendendo? Se isso acontecer eu mesmo dou um fim no seu marido!..."
No mesmo instante associei o som daquela voz com a voz do cara agressivo que brigava horas antes perto de casa e como não vi quem era a vitima dele, me veio ideias horrendas a mente, de que a vitima poderia ter sido meu marido, pensei: Será André esconde algo terrível de mim e se deve dinheiro a esse homem? E se ele deve a um agiota assassino? E se... E se...
Então ouvi mais uma vez aquela voz no portão de casa: "Agora tá feito é só esperar pra vê!..." "Fica esperta, seu marido não deve pra mim e sim ele deve para o traficante de Formosa..." "Agora quanto a você esquece ele, ou então já sabe! "Olha ele tá vindo ai..."
Nisto ouvi uma voz com gritos de desespero: "Não! Espera, por favor, não, meu filho não!..." "Eu vô mata você seu filho de uma put..."
Meu pavor foi tal que imaginei meu marido e meu filho na mira de uma arma.
Então escutei a batida do portão de casa e Antony entrou correndo para dentro de casa. Vendo isso falei: Filho cadê seu pai?
Tá no portão mãe! Disse Antony aparentemente calmo.
No eu abrir a porta dei de cara com André, que disse: Que foi Raquelzinha?
Nada, eu só fui ver quem era no portão! Eu o disse e estando mais calma de vê-los bem, pensei: O que está havendo comigo meu Deus? Será que estes espíritos vão mesmo me levar a loucura?
Acredito que a partir deste momento eu estava num tal descontrole emocional que estabeleceu-se uma confusão mental, onde eu não conseguia mais discernir o real do mundo ilusório, que sinceramente, não sei como fui parar lá. Os distúrbios causados a mente pela depressão sem tratamento, já não deixavam minha vida seguir seu curso normal, lendo o texto acima, vocês devem ter notado que eu tirava conclusões completamente erradas e sem discernimento algum desconfiava de tudo e de todos, de um modo estranho sentia que tudo em minha volta parecia estar diretamente ligado a mim. E com o grande abatimento que se deu em minha alma já fragilizada espiritualmente, deixe-me ser levada por tortuosas pertubações proferidas pelo mal, transformando assim minha vida em um verdadeiro inferno. Só tinham uma saída, aceitar que estava doente, que precisa sim de tratamento Psiquiátrico e de confiar no senhor Deus, que é sem duvida um pai amoroso, que ouve e cerca de cuidados os corações aflitos de seus filhos.
Das palavras ditas como a todas situações descritas aqui, podem ter certeza de que 95% são verídicas, obviamente que não me recordo de que forma exatamente se deu a cronologia em que ocorreram os fatos e as palavras podem terem sido substituídas por palavras similares ao eu ouvia, mas tudo aqui eu digo com coração e em verdade.
Quando Sabrina e Alice chegaram, percebendo que Sabrina estava nervosa, a perguntei: Que houve filha? Me diz o por que de toda está braveza?
Mãe, eu odeio neste lugar! Não sei por que o pai nos trouxe pra cá neste fim de mundo, onde as pessoas só me olham torto, me julgam mal sendo que nem mesmo me conhecem, são todos um bando de preconceituosos. Disse Sabrina.
E você não está se precipitando nenhum pouco em julgá-los né? Eu a perguntei.
Sabrina respondeu: É porque você ainda não teve a chance de conviver com eles, é muito difícil pra mim, porque não tem um só dia em que não sou insultada, as meninas sempre me excluem na sala de aula, a molecada vive de zoeira comigo, isso só porque eu não fiquei com um colega deles. Eu não aguento mais sofrer tanto o bullying que sofro e o pior mãe, é que isso já não é só na escola na rua também. Hoje teve uma menina lá no comício que avisou as colegas da Alice que iria me bater, pra você vê a ignorância eu nem a conheço.
Calma filha, é porque você é nova aqui, mas logo fará amizades e isso tudo vai acabar, você vai ver! Eu disse tentando acalmá-la.
Mas as lágrimas eram persistente sobre sua face, o que me cortou o coração. Hoje avaliando bem esta situação, percebo que Sabrina não estava só entrando em uma adolescência conturba pelo bullying que segundo ela, vinha de todos, sei, que ela possa ter tido problemas como qualquer outra menina que no tempo escolar dela possa ter sofrido, mas em suas palavras havia muita insegurança e incertezas como sua autoestima estava baixa, sempre ela dizia... "Acho que..." "Falaram pra mim que..." "Me olham torto..." "Ninguém gosta de mim..." "Sou feia, deve ser por isso..." "Por nasci assim?..."
Acredito que minha filha entrava em uma leve depressão, pois ela de uma forma assustadora também passou por quase toda aquele atribulação espiritual junto a mim.
No outro dia eu estava lavando roupa quando escutei: "Olha ela ai!..." "Eu vou dar jeito de tirar ela desta casa..." "E se ela não quiser?..." "Eu mato!..."
Entrando na cozinha, Antony disse: Mãe eu vô joga bola com meus colegas no campinho.
Não vai não! Eu disse.
Por que? Ele pergunto.
Faltam só duas horas para você ir a escola, vai tomar banho! Eu disse.
Não tem aula hoje mãe, hoje tem reunião do conselho escolar. Disse Antony.
Cadê o bilhete comprovando isso que você diz menino! Eu disse.
O pai viu ontem, fala com ele! Ele disse já correndo para o portão.
Menino volta aqui! Eu disse.
Há, deixa de ser cri cri! Ele disse.
Nervosa com a atitude de meu filho sai em direção a área de serviço, falando sozinha: Esse guri vai ver o que é bom pra tosse, quando chegar vou por ele de castigo, além não me obedecer é malcriado, ele tá querendo umas palmadas.
Então escutei em meio a risadas: "Cara tá falando sozinha agora!..." "Tá nervosinha é?..." "Há se esse pivete fosse meu filho, dava lhe um corretivo..." "Vamos pedi pra molecada tasca-lhe um coro?..."
"É isso ai..."
Desta hora em diante não parava de olhar para o portão e me vinha a mente meu filho chegando todo machucado, minha preocupação era tão grande que andava como uma barata tonta, num instante ia a cozinha pega o pote de arroz largava na mesa, voltava no tanque torcia um ou duas peças de roupa, ia até a porta olhava para o portão, voltava a cozinha...
E assim fiquei até o momento em que ouvi as vozes bem próximas ao vitro da cozinha: "Hoje eu vou mata dois coelhos numa cajadada só, vou pegar os dois e ai nada me impedira!..."
Entrei em panico, senti uma forte dor no peito e comecei a chorar silenciosamente, pois não queria que ninguém visse meu desespero em meio a aquela loucura toda.
Os minutos seguintes foram uns dos mais perturbadores que já havia passado em minha vida até aquele determinado momento, ouvi uns gritos, choro, era como se alguém tivesse sento torturado: "Toma... Não chora, você tá merecendo uns murros nesta tua cara seu pivete folgado!..." "Fica ai, se eu ver você na rua de novo acabo com você..."
Sai no quintal como verdadeira louca, olhava para o muro das casas vizinhas, não vendo nada indo até a cozinha ouvi mais uma vez: "Seu papai tá vindo ai..." "Pega o pilantra também!..."
Passou-se uns cinco minutos e Antony chegou e saiu tão rápido que não deu tempo nem de vê-lo e escutei: "E ai seu pilantra cadê a grana?..." "Você sabe que eu não quero ver mais essa sua fuça, vai pra bem longe ou eu te mato!..."
E então ouvi como se tivessem esmurrando alguém que gritava muito, meu coração acelerou a tal forma que quase enfartei, minhas pernas tremiam como uma vara e no mesmo instante meu marido chegou de fininho me dizendo oi, que tomei o maior susto e ele sorrido disse: Que foi?
Nada André... Nada! Eu o respondi.
Pareci assustada, tá pálida, que foi em? Ele perguntou.
André não sei o que está acontecendo comigo, vivo angustia, não consigo ficar em paz, enquanto vocês estão na rua, sinto que vou perde-los a qualquer momento. Eu disse com as lágrimas rolando sobre minha face.
E o piorar foi ver André fazer uma expressão de quem estava apavorado e muito preocupado, então eu lhe dei um forte abraço e ele disse: Espera Raquely, espera um pouco, para, eu to com dor nas costas Raquely!
O que está acontecendo André? Conta logo e não me esconda nada! Eu disse.
Raquelzinha, você não está nada bem, é isso! Eu vou marcar o psiquiatra. André disse.
Não me chame de louca, para mudar de assunto e conta logo! Eu disse.
Então ele me abraçou disse: Não estou te chamando de louca, eu só quero cuidar de você, porque tudo o que você acabou de me dizer não é normal entende, você parece deprimida, deve ter sindo as muitas mudanças em tão pouco tempo, a compra da casa, nossas brigas.
Não sei, acho que você está exagerando, eu preciso é ir a um centro espírita fazer um tratamento espiritual ou ir a uma igreja, qualquer, que me leva a palavra de Jesus Cristo, assim talvez tudo isso acabe, é isso, eu preciso é de Deus na minha vida! Eu disse.
Não me venha, dizer que está precisando de ser exorcizada, isso sim é loucura! Ele me disse de forma ríspida aos gritos, mesmo que não fosse sua intenção, pois de sua preocupação era evidente como sei que em parte ele estava certo, mas sua ação só fez me sofrer ainda mais.
A visita de meu irmão Luiz e sua família, numa noite de quarta feira eu e André saíamos pra dar uma volta de bicicleta, chegando próximo a esquina escutei um carro buzinando por varias vezes e André disse: Olha Raquelzinha, aquele carro ali, passou buzinando, não é seu irmão?
Então eu olhei para o carro e meu irmão pós a cabeça pra fora e buzinou mais uma vez sorrindo, foi uma grande surpresa e com muita alegria nós os recebemos, passamos um lindo fim de semana em família. Neste dias em que estivemos juntos, escutei aquelas vozes perturbadoras a noite e pela manhã Luiz percebendo que eu estava com uma feição não muito boa, disse: Bom dia!
Respondi de forma desanimada: Bom dia mano!
E Luiz disse: Que foi Raquely? Você parece não estar muito bem.
É, são essas almas penadas que não me deixam dormir em paz! Eu disse.
E minha cunhada vendo isso me falou com uma expressão preocupação: Serio Raquely?
Balançando a cabeça em sinal positivo, ela falou: Ore para Deus com fé, que tudo isso vai embora.
Nos dias que se seguiram após este fim de semana, eu fazia o almoço e ao procurar a caixa de fósforo para acender o fogão, ouvi: "Tá aqui olha!"
Olhando de um lado a outro da cozinha, no armário, no fogão, na pia, na mesa... E não achava a caixa de fósforo, e ouvi mais uma vez: "Do lado do fogão na pia..."
Olhei, e lá do lado do fogão encima da pia estava a caixa de fósforo, com um fósforo já fora da caixa e eu ouvi: "Eu peguei pra você!"
E isso repetiu por mais algumas ocasiões, sendo que em uma delas o que me causou mais estranheza, foi eu ter acabado por a caixa de fósforo na mesa e quase que instantaneamente eu a vi sobre a pia, e ouvi novamente: "Eu peguei pra você!"
E passados uns minutos, sentei na cadeira para escolher o feijão, estava distraída, quando vi de relance, através do canto do olho que uma caixa de remédio parecia ter se movimentado sozinha de um lado ao outro da mesa e por pensar ter sido só um impressão não dei importância aquilo, no entanto instantes depois, de novo, vi e de uma forma mais clara que a caixa remédio fez o mesmo movimento e com mais velocidade foi parar no chão, apavorada me levantei e me afastando da mesa ouvi rizadas de zombaria. Por mais loucura que isso pareça realmente aconteceu, podem dizer que foi uma alucinação causada por minha doença e banalizarem o que conto, mas eu vi, Deus sabe que eu vi, lhes relato esses fatos que podem serem entendidos como loucura ou não, mas os digo que isso me fez entrar em grande panico na época, com tudo hoje tenho consciência, que tirando o ultimo episodio da caixa de remédio cair sozinha, houve alguns momentos que pode ter ocorrido por meu constante esquecimento e falta de atenção e eu mesmo ter mudado a caixa de fósforo de lugar e não lembrar, podendo assim ter relacionado isso com as ardilosas vozes daqueles espíritos magnos.
Era uma noite de sexta feira, eu prepara o café e André me chamava para ir ao comício que se realizaria em nossa rua, de forma desencorajada aceite em ir e no momento em que eu disse sim, num movimento brusco bati no bule e na intenção de evitar que caísse, desastrosamente derramei a água fervente que coava o café sobre meu braço, eu disse: Nossa! Que droga!
E ouvi uma voz de raiva: "Bem feito!"
Em seguida ouvi o que parecia a voz de um anjo protetor: "Não! Pobrezinha, olha o que fazem com ela..."
E André preocupado disse: Caramba Raquely, toma mais cuidado, se queimou?
E nos primeiros segundos só levei um susto com a quetura da água após isso olhei para meu braço e não sentia dor, graças a Deus, só vi uma pequena mancha avermelhada que logo sumiu e respondi a André: Não!
Mas ele insistentemente quis ver meu braço e vendo disse: Parece que não queimou mesmo, mas tome mais cuidado.
Agora vou descrever a roupa que coloquei nesta noite, pois como eu já os disse estava associando, tirando conclusões precipitadas sem sentido algum de tudo e de todos em minha volta pelo mal que vinha sofrendo. Coloquei uma blusa dourada e um brinco prateado, mais a frente em meus relatos vocês poderão entender o porque conto sobre essa blusa e esse brinco.
Chegando ao comício, senti que algumas pessoas nós observavam constantemente, me sentindo incomodada peguei no braço de André o puxando, fomos mais a frente, no entanto parecia que aquelas pessoas andaram junto a nós e novamente senti que nos observavam, e escutei: "É ela!..." "Qual?..." "A de blusa dourada..." "Deixa eu fazer ela perceber que estou aqui..."
Nisto senti que alguém se aproximava sorrateiramente para perto de mim e tive a sensação um sopro em minha nuca, rapidamente olhei para traz e não havia ninguém que pudesse estar tão perto ao ponto de tal feito. E me virando pra frente, escutei: "Você viu?..." "To vendo..." "E o cara é aquele?..." "É!..."
Passados uns instantes o celular tocou e no atender não conseguia ouvir o que diziam, então me afastei do tumulto e de meu marido indo para uma rua ao lado, após conseguir ouvir e o termino da ligação, indo na direção a André veio um forte vendo sobre mim e ouvi: "E como ela tá reagindo?..." "Parece completamente em domínio..." "Joguem o corpo no rio! Vamos dar um fim a tudo isso..."
A sensação agora era de perseguição mortal, sentia que a qualquer momento ou eu ou as pessoas que amo corriam risco de vida. No chegar em casa logo fomos dormir, Sabrina reclamava de dor pela cólica que sentia, passados uns instantes percebendo que ela dormiu, estando mais tranquila eu também dormi.
Pela madrugada fui acordada por uma irritação na garganta e me sentido engasgada tossi muito até que escutei aquelas vozes que pareciam vir do lado de fora na janela de meu quarto, janela essa que não fechava direto sempre ficava com uma pena fresta, ouvi: "Espera ai, é rapidão!..."
Abrindo meus olhos num ligeiro movimento levantei a cabeça, não tive coragem de olhar pela tal fresta, mas continuamente ouvia aquelas vozes e para meu tormento, ouvi: "Tem que ser agora!..." "Tem certeza?" "É cara, vai!..." "Mas ela tá na frente..." "Que droga, sai de perto dele se não você vai junto!..." "Ela já saiu?..." "Acho que agora eu consigo..." "Vai atira, bem na cabeça!..."
Nisto eu me agarrei a meu marido, me colocando sobre ele num ato desesperado em defende-lo do eu achava ser um tiro de uma arma. André acordou dizendo: Que foi Raquelzinha?
Mas com pavor intenso que sentia mal consegui abrir minha boca e ele se virando para mim disse: Dormi, não tá conseguindo dormir?
Então ele me abraçando após umas horas eu dormi de exaustão.
No outro dia, tudo parecia tão real que me via em meio a assassinos mesmo, que a qualquer momento poderiam matar a alguém que amo. Foi um terrível massacrante dia, era a visão de um verdadeiro inferno. Ao anoitecer não foi diferente, Sabrina não se sentia bem, sentia muita dor, já faziam uns quinze dias que seu ciclo menstrual não cessava e dores que ela sentia pareciam muito forte, segundo ela o fluxo de sangue estava aumentando a tal modo que parecia uma hemorragia. No momento em que conseguimos dormir, já de madrugada, acordei com uma voz horrenda, dizendo: "Olha, as asas dos dois anjos já se abriram, é chegada a hora..."
E de repente Sabrina assustada me disse: Mãe... Mãe... Socorro, mãe, tem alguém aqui!
Então eu disse: Dorme menina, você devia estar tendo um pesadelo é isso!
Não mãe, ele tá aqui! Eu sinto a presença dele. Chorando disse Sabrina.
Dele quem? Eu disse.
Ela disse: É aquele espírito... É aquele homem...
E do nada senti algo me tocar na cintura parecia uma mão, olhei para traz e André estava de costas, não era ele que me tocava, de tão apavorada fiquei paralisada, as palavras não me saiam, Sabrina me chamando repetidamente e aquele toque parou em meus quadris e Sabrina gritou: Socorro mãe, ele tá me tocando! Tá doendo, ai, mãe!
Neste instante André acordou e disse: Que foi menina?
Pai, socorro! Ela disse.
André se levantou indo ver Sabrina e disse: Para de estéria e conta logo, o que foi?
Tem um homem aqui pai! Ela disse.
Que homem? Um daqueles fantasma? Ele disse ironizando Sabrina.
Eu vi pai, deixa a luz acesa pai! Ela disse de uma forma apavorada.
Há, vai dormir! E para com essa palhaçada! Ele disse.
Mais calma e não sentindo o toque daquela coisa, me levantei e fui ver Sabrina e André disse: É bobagem desta menina Raquely, não acredite nesta palhaçada! Vê se dorme Menina, foi um pesadelo sua berrona, nem parece ter a idade que já tem, sua medrosa!
E no falar com minha filha, chorando muito ela me contou algo horripilante, disse: Mãe, eu senti a presença dele e depois parecia me tocar e senti algo como se fosse uma mão passando sobre meu corpo e de repente senti que me apertou com uma força brutal o meu quadril, sentindo uma grande dor me saiu muito sangue. O que é isso mãe? O que tá acontecendo com agente?
E André gritou lá do quarto: Vocês estão doente, é isso!
Tá filha, mais você viu alguém ou alguma coisa? Eu disse.
Só uma sombra, foi muito rápido mãe, e em seguida senti que me olhavam e o toque, como se passassem a mão no meu corpo e me dessem um grande apertão que tá me doendo até agora! Disse Sabrina.
A mãe vai orar pra Deus, faça o mesmo e tudo vai ficar bem, não se preocupe filha! Eu a disse.
No entanto quem não ficou bem fui eu, não conseguia mais dormir, só pensando no porque aquilo tudo me acontecia, queria achar um explicação lógica, me perguntava e me punia: O que será isso? O por que de tudo aquilo? Deve ser eu, é sou eu, eu sou um ser humano desprezível e sem honra e esquecida por Deus, por todo os erros que cometi! Perdão senhor!
E no mesmo instante vieram aquelas vozes a janela de meu quarto novamente: "E agora?..." "Como vai ser Raquely?..." "Você ou sua filha?..." "Ou devo matar um por um, até que você decida ser minha!"
Não, meu Deus me ajuda! Chorando sussurrei.
E ouvi: "Acaba com esse cara!..." Se ela não se render? Mate a todos!
Eu em meu grande temor e para o grande prejuízo em minha alma envés de pedir socorro ao Senhor Deus por Cristo me apegando em minha fé, disse, sim, ao que nunca devia ter aceito e minha vida que já passava por todo aquele inferno virou dos avesso. Eu disse: Não... Seja lá o que for, tá então sim, eu faço o que quer...
Nisto ouvi aquela mesma voz, na qual acreditava ser de um anjo protetor dizendo num tom aflito: "Nãoooo... Raquely, meu Deus!"
Então se fez um silêncio e tive a sensação de que eu estava só naquele quarto, em pura solidão e como não se houvesse saída, nem janela, nem porta só as paredes, onde se estabeleceram dor, aflição de espírito e um vazio indescritível que tomou conta de minha alma, fazendo-me entrar no mundo das trevas, somente havia eu e a escuridão daquele quarto.
Cuidado! Inimigo é ardiloso, astuto, não te esqueças do amor de Cristo, o sofrimento não nós afasta de Deus, só prova que Deus está presente, pois, o sofrimento provem de nossos maus atos e Deus em seu infinito amor lhe mostrará a verdade, mas inimigo te fará em oposição a tudo que Deus representa em sua vida, te fará em escarneio, estando vitimado pela crueldade do mal, lembre-se, do que disse Jesus Cristo:“Eu sou o caminho, a verdade e a vida. Ninguém vem ao pai a não ser por mim.” (João 14.6).
http://www.monergismo.com/textos/inferno/inferno_perman.htm ).
Acredito que as vezes precisamos do sofrimento pra ver a verdade de quem somos, onde andamos e que caminho devemos tomar, no capítulo anterior a este eu descrevi uma situação parecida a isso, me sentia perdida e sentia a falta da luz de Cristo nas minhas decisões. Aqui está o trecho deste capítulo, Capítulo X, "Então olhei para o céu e disse com coração transbordando em verdade: Senhor... Senhor Deus, se o senhor está ai e pode me ouvir, não deixa pai, não permita, que eu pense tais coisas, esses pensamentos, não me pertencem, isso não é eu! Me livra desta ideias insanas, corruptoras! Senhor me faz ver a verdade. Mostra me o caminho e que sua vontade se cumpra na minha vida!..."
Retornando aos fatos relatados neste capítulo. Na manhã seguinte, acordei com uma falsa sensação de segurança, não ouvia as vozes, entretanto passadas algumas horas iniciou-se um sentimento de tristeza e me sobreveio pensamentos muito negativos, sentimento de perda, impotência, minha autoestima estava lá embaixo e uma intensa angustia me tomava conta ao ponto de fazer pensar: Pra que continuar vivendo essa vida entediosamente desnecessária? Se não sou nada, além do nada, talvez a solução seja a morte, não suporto mais toda essa mediocridade e todo esse sofrimento pesando sobre mim! Meu Deus por que estou aqui?
Horas mais tarde, na área de serviço, eu colocava a roupa no tanque, notando que o sabão em pó não estava por lá, fui a cozinha onde tinha o visto pela ultima vez e procurei, procurei e nada de achar até que voltei a área de serviço e ouvi as vozes: "Dentro da caixa, ao seu lado está o sabão!..." "Que burra!..."
Ao olhar dentro da caixa onde eu havia guardado alguns produtos de limpeza e lá estava o sabão em pó, que eu jurava ter deixado na cozinha.
Instantes depois ao encher o tanque de água para enxaguar a roupa, não via o amaciante, olhei na tal caixa e não estava, escutei: "A louca além de burra, ficou sega agora!..."
E do nada eu vi o amaciante do lado de fora da caixa de produtos de limpeza, provavelmente eu já havia já o tirado da caixa quando peguei o sabão.
Deixando a roupa de molho fui a cozinha fazer o almoço, pondo o arroz para cozinhar retornei a área de serviço e mais uma vez não encontrei um dos produtos de limpeza, procurava pelo alvejante de roupas que já faziam dois que não o encontrava nervosa eu disse: Quem pegou o alvejante da caixa na ultima vez? Que porcaria, quantas vezes tenho que dizer, usou guarde na caixa!
Não fui eu mãe... Disse Alice.
Nem eu! Há mãe, foi só você quem mexeu neste produtos de limpeza por estes dias, porque culpa agente? Disse Sabrina.
Não senhora, você também pegou para por uma blusa sua de molho estes dias, lembra dona Sabrina?
Tá, mais eu guardei dentro desta droga de caixa, disto eu tenho absoluta certeza! Respondeu Sabrina.
Ironicamente eu as disse: Agora o alvejante criou pernas, ou devo pensar que alguém roubou?
Nisto eu ouvi uma voz que julgava ser de uns de meus vizinhos: "Ho... Essa loca perdeu a noção de senso também, biruta, eu não sou ladra, sua burra, olha direito..."
Minutos depois vi o alvejante no vitro da cozinha, envergonhada, pensei: Que cabeça a minha, por que não vi isso antes?
Então pus algumas roupa no balde de molho no alvejante e comecei a torcer a roupa do tanque, após isso peguei mais roupa suja do sexto para lavar e de novo não vi o sabão em pó, procurei, procurei e não achei, pensei em voz alta: Meu Deus onde foi parar esse sabão agora?
E escutei aquelas vozes zombadoras rindo e dizendo: "Agora eu sou o deus dela!" "Tá ali ó, ali, não vê?..." "Burrinha, atrás do balde!
Dois dias se passaram, eu me sentia um pouco melhor estava penteando os cabelos e olhando no espelho.
Pensei: Como André diz que me ama ainda? Olha só no que eu me transformei, pareço uma velha de 60 anos sendo que nem cheguei nos 40 anos, cheia de perebas. Perdi os momentos mais valiosos de minha vida a procura de uma felicidade que quase não existiu, agora só resta viver esta porcaria de vida sem nenhuma perspectiva de melhorar, pois se nem mesmo tenho uma formação profissional.
No fim da tarde eu tentei me animar e sair um pouco de casa, pensando que assim me sentiria bem, mas infelizmente não foi possível, André estava com dor de cabeça e estressado com seu trabalho.
Então combinamos de sair no dia seguinte. Entretanto no momento que comecei me arrumar naquele dia, ouvia de minuto em minuto aquelas vozes perturbadoras: "Ta mais alegrinha!..." "Olha só, tá até sorrindo!..." "Não, isso não pode acontecer, você é minha!..." Hi... Cara, acho que você perdeu!..." "Há é então observe..."
Neste momento se fez o silêncio só se ouvia o som baixinho da TV na sala, as crianças dormiam, fui do banheiro para o quarto quando ouvi: "Tá pensando que eu vou te deixa é? Não mesmo, antes eu mato ele e acabo com tudo..."
E a angustia que já quase não se apartava de mim, me veio de uma maneira que chorei, parando de me arrumar, me deitei na cama e escutei: "Será que você é o causador de todas aquelas lágrimas, cara?..." "Viu, ela é minha!..." "Quando eu vi que ela se arrumava, bonitona, já sabia... "Eu dei um jeitinho nela rapidinho, viu!"
Neste instante eu me sentei na cama enxuguei as lágrimas e fui ao banheiro lavar o rosto e forçadamente tentava me animar de novo, terminando de me arrumar fui para meu quarto sentei na cama, mais calma, me deitei, minutos depois escutei novamente aquelas vozes ameaçadoras frente de minha casa, como se alguém brigasse com André, diziam: "Ele tá vindo ai!..." "Você não vai tocar nela!..." "Eu te mato, tá me ouvindo seu..."
E ouvi o barulho do portão se abrindo, o latir de nossos cachorros era André que chegava e brincava com os cães e ao mesmo tempo aquela voz parecia acompanha-lo dizendo: "Eu te mato cara!..." "Raquely, não se aproxime dele, eu vô mata esse..."
André entrou em casa dizendo: Ué... Já estão todos na cama dormindo! Raquely...
Estou aqui, André! Eu disse.
Ele vindo ao quarto me perguntou: Que faz na cama? Nós não íamos sair?
Vamos eu só estava te esperando! Eu disse.
Quando fomos para rua, no caminho ouvi: "Deixa, ela não sabe ainda, mas eu vou mostrar quem é ele!"
Algum tempo depois, no momento que voltávamos para casa, vi rapidamente, num relance, dois homens do outro lado da rua, era impossível de ouvi-los, pois já estavam longe, não podia serem eles falando tal coisa, mas escutei: "Se cuida seu pilantra, seu dia tá chegando!" "Do lhe um só tiro e meu problema tá resolvido!"
O medo me invadiu, senti forte dor no peito e André falava algo que eu nem conseguia dar lhe atenção, devido ao o que acabara de ouvir, ele percebendo isso pegou no meu braço e disse: Raquely! Que foi? O por que desta presa?
Então eu lhe abracei já o puxando para que andássemos mais rápido
e ele falou: Pra que correr desse jeito? Para com essa pressa!
Andando mais devagar, ele continuava falar sobre um assunto que me lembro muito vagamente, mas acho que era sobre comprar algo para casa, andamos um longo caminho e eu não abria a boa, permanecia calada observando a tudo em nossa volta, até o instante que chegamos em casa e André começou a reclamar de minha atitude: Tá ai o nosso problema, você não conversa mais comigo, só fica calada, o que está acontecendo com você Raquelzinha?
Há, para André, não é nada, eu não quero papo! Hoje eu não estou afim de conversa!
Depois reclama que não te dou atenção! Ele disse.
Ontem eu queria muito ter saído com você, que disse não estar bem, hoje sou eu, por acaso só você pode não sentir bem, há vê se me entende! Eu disse, nisto começamos a discutir.
E após umas horas depois daquela discussão sem sentido, ele veio ao quarto me pedindo desculpa e me beijando, eu ouvi o barulho do seria uma moto buzinando frente de casa e a voz: "Raquely, eu estou aqui, te esperando, eu vim te buscar!"
E no André se deitar na cama, eu sentei comecei a chorar, antes que ele visse minha lágrimas eu as enxuguei, e ele me abraçando disse: Onde você vai?
Não, não me toca! Eu disse.
Que foi Raquely? Ele disse.
Deixa eu dormir, por favor! Eu disse.
Que droga é essa? Não gosta mais de mim? Você só sabe me evitar agora, se não me ama mais fala logo! Ele disse.
Então eu vi uns vultos pretos no telhado da casa, parecia que tinha alguém nós observando pelos os vão do telhado e eu ali inerte só vivara meus olhos, olhando para aquelas sombras que tampavam a claridade que vinha de fora, amedrontada, empurrei André e me encolhi no canto da cama. E ele chateado me puxou para perto dele e disse: Raquely, não fique assim, olha pra mim... Raquely, você não está bem precisa acreditar em mim, eu só quero seu bem, vê se entende isso de uma vez, você precisa se tratar está depressiva assuma isso!
Dia a dia eu piorava cada vez mais, quase não saía mais na rua a não ser na companhia de alguém de casa e se saía só, era um verdadeiro suplicio pra mim, se não me sentia segura dentro de minha própria casa imagine andando nas ruas. Aqui a doença já tinha tomado conta fisica e espiritualmente. Não podia ouvir os barulhos que vinham das redondezas de minha casa como; os fogos, as motos passando na rua, as buzinas ou os carros parando frente a minha casa, eu ficava tão amedrontada que meu coração parecia que sairia pela boca a qualquer momento. Não podia ouvir as brigas das casas vizinhas ou qualquer discussão na rua, que me tremia de medo, quando sentia o cheiro de querosene e ouvia o barulho de um machado que cortavam lenha vindo das casas que possuíam forno a lenha, pois, aqueles espíritos se aproveitando de minha vulnerabilidade espiritual pela fragilidade de minha doença, a depressão, eles já me levavam literalmente a loucura. Por exemplo, ao ouvir as machadadas que davam na lenha, escutava as vozes daqueles espíritos que antes já eram bem agressivos, se tornavam terrivelmente violentos, ouvia gritos de desespero, choro que pareciam de qualquer um meus filhos, que por sinal não estavam em casa e a voz horrenda do espírito: "Eu disse que ia matar, morre logo, não grita! Eu vou acabar com seu sofrimento, toma!"
Em seguida se fazia um silêncio assustador, em minha mente perturbada, era com grande dor, aterrorizada que tentava dizer a si mesma: Não é real!... Não é verdade, meu Deus socorro, senhor!
E André vendo que não dava mais para adiar a minha ida ao médico psiquiatra, disse: Chega, você vai pra casa de minha mãe, eu vou marcar a consulta com o psiquiatra, vamos ao orelhão ligar para Paulinho vir te buscar neste fim de semana!
No ligarmos para Selma, ela quis falar comigo, ela me disse: Oi Raquely, o que acontece com você? Porque está triste?
André está exagerando Selma, é só preocupação, a mesma que você tem quando alguém demora pra chegar em casa! Eu respondi.
Raquely, a forma com que você vem agindo que me disse André... Só fica calada e chorando quase que o tempo todo, não é normal! Disse Selma.
Eu respondi:Tá, mas eu tenho um monte de coisas para fazer em casa e ainda tenho que ir pintar a outra casa, que prometi a proprietária que pintaria, eu disse a André que no outro fim de semana eu vou...
Neste instante que falava com Selma eu ouvia as vozes daqueles espíritos como se me rodeassem e zombando de mim diziam: "Há, não vai..." "Hooo... Coitada, até lá você não estará mais aqui!..." "Eu não disse, cara tá no papo!"
Então comecei a lembrar das ameaças que me faziam os espíritos e chorei, ela ouvindo, disse: Fique calma filha, não está acontecendo nada de ruim, lembra, quando eu fiquei doente, então filha, está acontecendo o mesmo com você, precisa se tratar...
Nisto André pegou o telefone de minha mão, terminando de falar com sua mãe fomos para casa.
No fim de semana, contra minha vontade, André fez que eu viajasse, para poder ir ao psiquiatra de seu convenio. Minha sogra e meu cunhado que vieram a nossa casa me buscar, Sabrina, que também não se sentia bem foi conosco, ao sairmos no portão de casa eu ouvi a voz do espirito obsessor: "Não chega perto desse cara, não o beije, nem se despeça ou então quando você retornar não terá mais sua família te esperando!"
E ao me despedir de meus dois filhos e marido os beijando, mesmo já tendo consciência que tinha algo de errado comigo, ao mesmo instante sentia uma angustia sem tamanho e entrando no carro, vi um homem passando e olhando fixamente pra mim bem próximo a nós, escutei: "Desta vez eu não a perdoarei!"
No trajeto de minha casa a casa de Selma não foi diferente, eram ameaças e ameaças dos espíritos, de morte: "O que você acha de agente parar esse carro e levar ela agora..." "Desgraçada, ninguém vai te salvar..."
Na semana que estive na casa de minha sogra muitos quiseram me levar a igrejas, orar por mim e eu com crença tinha, quis ir a um centro espírita fazer um tratamento em uma sessão espírita, o que não me ajudou em nada só fez piorar.
Minha sogra foi comigo ao médico do convenio, no entanto não consegui atendimento para o mesmo dia, tive que marcar e aguadar a consulta para um outro dia.
Tia Viviana sabendo de minha atual situação me chamou em sua casa e dizendo estar preocupa com meu tormento, ela que é católica, não muito praticante, diante de meu problema resolveu recorrer a suas amigas que faziam parte uma igreja evangélica, para fazerem uma oração de socorro a mim. Chegando a porta da casa de Viviana, escutei os espíritos zombando absurdamente de todos que estavam ali e fazendo me sentir em um nada, riam e diziam: "Olha ela ai..." "Cade a minha princesa apocalíptica?"
Na hora que conheci as amigas de Viviana, senti uma estranha aversão, era como se o mal tivesse tomado conta e eu sendo manipulada por aqueles espíritos sentisse nelas uma apatia sem precedentes, ao perguntarem a mim se aceitava a oração tive a sensação de que minha própria face se fez involuntariamente em escárnio e ojeriza de uma forma sobrenatural a tudo que elas representavam no devido momento, mas meu coração batia forte em amor e grande temor a Deus, parecia que existia dois seres em um só, pois minha face dizia o oposto do que realmente eu senti no instante em que oravam por mim, foi um sentimento de amor sem tamanho em reconhecimento a verdadeira congregação de Deus. E uma delas pegando em minhas mãos e chamando minha atenção pois eu parecia inerte, distante e ela disse: Filha? Aceita a oração que vamos fazer por ti a nosso senhor Deus, em Cristo Senhor?
E eu continuava calada, mas uma delas de forma insistente me perguntou olhando fixamente em meus olhos e me deu um pequeno movimento balançando minhas mãos e disse: Responda! Aceita?
Senti meu coração acelerar e uma grande dor em temor a Deus sobreveio a mim e de forma inesperada surgiu instantaneamente um amor de irmã por aquelas mulheres respondendo... Sim! Com a mais pura verdade, dizia em meu coração: Abençoa essas minhas irmãs pai, tem misericórdia de mim, me dá tua benção por teu filho amado nosso senhor Jesus Cristo por tua benignidade salva minha pobre alma, amém!
No momento que terminaram de fazer a oração, abrindo os olhos a porta da casa que estava escancarada se fechou em uma forte batida, que assustou a todos e Viviana disse: Olha isso! Parece que não quer ir!
E uma das amigas de Viviana disse: Não parece! Ele não quer mesmo ir!
E Viviana apavorada pediu que fizessem oração por sua casa e família, e vi num relance algo como um vulto, uma imagem de um homem que saísse de minha frente indo a direção dela.
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Mais ou menos como nessa ilustração acima e eu disse: Vi algo indo para direção de Viviana!
Imediatamente Tia Viviana abriu a porta e começamos a orar. Após isso eu e Selma fomos para sua casa.
Muitos iram dizer que foi alucinação de uma mente doentia, muitos outros simplesmente não vão crer em minhas palavras e me chamando de sensacionalista dirão que me baseio neste filmes tolos e de ficção, que sem nenhum senso realidade não teve nada com que comparar ao que realmente vivi. E alguns outros podem comparar com uma possessão demoníaca ou dizer que sou paranormal, médium, no entanto, creio eu que nada disto tem haver inteiramente com o que ocorreu comigo, somente Deus sabe e tem poder sobre as coisas espirituais, antes de julgar qualquer uma destas hipóteses, pense bem nisto.
Digo aqui, já acreditei em mediunidade, mas podem estar certos de que hoje não mais, não só devida a trágica experiencia que vivi mas, pela descoberta sobre a verdadeira fonte de vida, Jesus Cristo, o que é essencial a todos nós e nos dá a força vital para nossas vidas, o Divino Espirito Santo assim nos guiando ao nosso pai Deus, a fonte da vida eterna, Jeová, esse nome tem poder, acredite, não o cito aqui os induzindo a seguir qualquer uma destas religiões que citam seu nome, mas para que seja santificado o nome de nosso Deus por testemunho.
Minha fé está mim e não em um outro lugar, o templo de Deus somos nós e sua Congregação é todos nós juntos unidos numa só unidade, num só amor em caridade. Não importa sua religião, sua raça, sua cor, sua nacionalidade, seu status social, pobreza ou riqueza, todos somos iguais perante o criador e ovelhas de um só pastor, Jesus Cristo. Em verdade eu os digo o que disse nosso salvador Jesus... Ame ao seu próximo como a ti mesmo e a Deus acima de tudo que todo sofrimento desaparecerá!
Ao anoitecer, "ainda crendo ser uma divida espiritual de outras encarnações", fomos num centro espírita de Allan Kardc, em uma "sessão espírita de tratamento espiritual", cuja a ideia era sanar com todo aquele sofrimento doentio e espiritual assim me libertando do que temia ser espíritos obsessores.
Chegando lá fui recepcionada em uma sala parecida ao um consultório médico, a mulher que me atendeu fez uma seri de perguntas que não me recordo agora, mas lembro de ter dito a ela que faziam dezessete anos cuja os espíritos diziam estar próximos a mim, e ela me receitou o tratamento espiritual que se realizaria em uma sala aparte, minha filha Sabrina fez parte disto infelizmente.
E eu entrando na sala sem janelas, na qual possuía uma só saída onde a unica porta ficava fechada e lá haviam três mulheres que me mandaram sentar em uma cadeira e uma delas pôs sua mão sobre minha cabeça, neste instante eu estava só com elas e erguendo a outra mão a ela pôs sobre uma outra mulher que estava sentada ao meu lado e dizendo algumas palavras que não me lembro, até a mulher que estava sentada e de cabeça baixa ergueu sua cabeça com olhos fechados e eu senti como se alguém estivesse me cutucando nas costas e ouvi o espírito: "Fica quietinha ai eu já volto!"
Nisto a mulher sentada na cadeira ao lado, abriu olhos que estavam parados, com as pupilas sem movimento, deu um sorriso estranho como se zombasse de todos ali e disse num tom de voz grosso: Não me diga que, eu não sou eu!
E a mulher que estava em pé com as mãos sobre sua cabeça o disse: Filho você precisa deixar esta mulher e sua família seguirem suas vidas, você já desencarnou precisa de ir pra outro plano espiritual...
Não... Eu não vou! Aquele homem merece ter o mesmo fim...
Eu sei que está sofrendo filho mas, tem que aceitar sua atual condição, quanto a ele terá suas cobranças por seus erros em outras vidas, quando se descarnar e encarnando de novo...
Então ouvi risos de muitas vozes e o espírito que julga estar na mulher começou rir e dum minuto para o outro chorou ardidamente e com muita raiva dizia: Não, eu não quero ir... Me ajuda, eu to me desmanchando, não...
E a mulher lhe dizia: Mais um pouco, essa é sua atual forma, esse outro corpo não existe mais...
E o espírito de uma forma desesperada, aparentemente chorando muito, falou: Eu não vou, antes mato aquele homem e acabo com sua família... Ele tem que pagar pelo que fez! Meu Deus, eu tava sozinho... Indefeso e ninguém pra me ajudar...
Eu sei filho, mas agora você tem que ir, será melhor para você! Disse a mulher e neste momento a terceira mulher que estava parada ao lado ajuntando-se a outra colocou as mãos sobre a cabeça da que estava sentada e o espírito aparentemente havia sumido.
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E os minutos seguintes foram aterrorizantes pra mim, saindo da sala me sentando em um banco ao fundo do salão principal de reuniões, muito rapidamente senti novamente a presença daquele espírito e um cutucão nos rins, parecia que literalmente ele se colava a mim, ligando-se aos meus rins, cheguei a ter a sensação de senti-lo se mexesse e ele dizia: "Raquely! Voltei!"
Neste exato momento vi um homem passando e conversando com um outro disse: Olha a menina não está nada bem, tremia muito e chorava de mais, parecia perturbadíssima!
E esse mesmo homem voltou seus olhos para mim e disse: O que está havendo com vocês? Tá difícil a libertação...
E foi assim que descobri que a pobrezinha de minha filha passava também por uma daquelas sessões espíritas naquela sala fechada. E minha sogra vindo até mim muito assustada, disse: Raquely, não queira ver o que vi, foi horrível nunca vi nada igual! Meu Deus o que é isso, o que acontece com vocês?
Alguns minutos se passaram, nos chamaram na sala onde estava minha filha Sabrina, eu a vi rodeada de pessoas fazendo "preces" para a libertar dos espíritos. E ela sentada de olhos fechados com todas aquelas mãos sobre sua cabeça, fazia um movimento tentando se levantar gritava chorando: Ai... Não... Não...
Em seguida pararam com as preces e uma das mulheres lhe perguntou: Como está se sentindo agora?
Melhor, mas foi muito estranho senti que algo saia de mim e tentava me puxar. Sabrina a respondeu.
Não se preocupe agora tudo ficará bem. Disse a mulher a Sabrina.
Então a mulher mais velha entre elas iniciou com uma especie de interrogatório a mim: Quando você sentiu que isso tudo começou?
Há mais ou menos um ano. Eu respondi.
Então minha sogra disse: Me contaram
Nisto escutei repetitivamente as vozes dos espíritos a gargalhadas zombando de nós: "Obra de macumbaria? Essa foi boa..."
Lembrando de um fato, pensando ter algum sentido com o disse Selma, eu contei a mulher: A uns tempos a traz, onde morávamos, em nossa rua se encontra muito dessas macumbas e meu marido só para tirar o sarro de nós que tínhamos medo de se aproximar dessas coisas, pegava nos pertences deixados lá e dizia aos risos... "Pronto, agora não me digam que a macumba vai pega em mim? Fala serio!"
E a mulher fez um feição de grande preocupação e disse: Como ele pode? Isso não é nada bom, eu já ouvi histórias sobre gente que tocou nestas coisas e muito se arrependeram, uns adoecem ou tornam se miseráveis! Até já vi um homem que tinha uma boa vida e após tocar nisto se viciou na bebida e praticamente foi parar na rua da amargura, na sarjeta alcoolizado...
Enquanto a mulher falava, eu ouvia as rizadas dos espíritos que caçoando de mim diziam: "Olha só pra ela..." "Parece um bichinho acuado!" "É mesmo..." "Eu disse que seria fácil..." "Cara o casamento o deles vai pro beleléu!" "É, ela nem deixa que a toque...
Neste instante a mulher parou falar e como quem estava ouvindo o mesmo que eu, fixou seu olhar em mim e me disse de uma forma repreensiva: Você precisa resolver a situação do relacionamento com seu marido! Se entendam logo! Pois isso tá afetando a pobre de sua filha! Eles estão indo tudo pra menina...
E eu continuava ouvindo aquelas vozes caçoando de nós todos, enquanto ela falava, até que me pediram que sentasse em uma cadeira e novamente iniciou se as preces com todas elas em minha volta erguendo suas mãos sobre minha cabeça, diziam: Senhor emana tua luz sobre a Raquely, trazendo suas boas vibrações sobre ela...
Nisto eu que estava de cabeça baixa, praticamente em uma posição curvada na cadeira, senti como se algo me pusesse em uma postura reta e lentamente levantasse minha cabeça, respirando fundo tive uma visão ou alucinação chamem isso do que quiserem, pois nem eu mesmo não sei como, mas senti que flutuava sobre um campo e vi ao longe meu marido sorrindo e sua aparência era de bem mais velho. E ouvindo as mulheres falarem de um modo mais alto, como se repreendessem aos espíritos para que me deixassem, abri meus olhos e em meio a toda aquela comoção delas, eu ouvi a voz do espírito obsessor zombando de todos e dizendo a mim: "O que acha disso?" "Ho... Pobre coitada, não liga daqui a pouco você nem vai lembrar dessas loucas...
Mais atormentada do antes só me vinham pensamentos horríveis de morte e grande ameaças, escutei: "O carro com seu marido e filhos que estava vindo pra cá, capotou, não sobrou ninguém viu!"
Deste momento em diante, terrorizada por aqueles espíritos de uma forma alucinante, não tinha mais descaço, entrei em pânico, uma confusão mental se estabeleceu, a angustia não se apartava mais de mim e fiquei completamente sem paz de espírito, só me restava o surto psicótico que ocorria logo após está visita ao centro espírita.
No trajeto de volta para casa, ao meu cunhado parar com carro num posto, ouvi um estampido de um tiro, estava tão alucinada que sentia com se o som tampasse meus ouvidos por alguns segundos e escutei a voz do espírito: "O fim de tudo está próximo, eu vou te levar comigo!"
Então eu olhava para todos dentro do carro com seus semblantes calmos e pensava: Será que só eu escutei?
E vi que do lado de nosso carro passou um homem de gorro, igual com um outro que vi em Formosa.
E mais uma vez o estampido de um tiro, assusta, perguntei: Vocês não ouviram isso? Credo...
E meu cunhado já sabendo de meu problema disse: Isso o que Raquely?
Parecia um tiro! Eu disse.
Nossa mãe você tá ouvindo coisas! Disse Sabrina.
É... Para com isso Raquely! Disse Selma.
Ao chegarmos na casa de minha sogra, após o jantar que nem consegui comer direito, Sabrina estava no corredor do prédio, olhando para baixo, no que entrou na sala ela veio em minha direção, vi seu olhar perturbado e estranhamente suas pupilas pareciam estar opacas praticamente sem luz e uma tristeza evidente em seu semblante e ela me disse: Eu não gosto de minha vida, quero morrer! Agora mesmo pensei de me jogar daqui...
Eu disse a Sabrina: Não abra sua boca pra dizer uma sandice dessa! Olha lá bem o que diz, isso não é você, ora para Deus já! Agora menina...
Com isso eu peguei a bíblia e começando a ler, Sabrina disse: Não mãe, é pior, ai que eles não nós deixam em paz!
Então eu a fiz ler o salmo noventa e um, fizemos uma oração com minha sogra e Sabrina parecendo mais calma, começou a ouvir musica em seu celular. Neste momento eu estava lavando a louça e ela vindo até mim disse: Olha mãe, escuta essa musica, é muito bonita!
Então ouvindo aquela musica, emocionada, por ver que Deus não nós abanou, pois ali diziam palavras que vinham a confirmar com que sempre acreditei, Deus se mostra presente em qualquer coração que a ele clamar por seu filho Jesus. E eu disse a Sabrina: Tá vendo filha como Deus é bom! Agora mesmo estávamos angustiadas foi só pedir sua paz, que ele nós trouxe a benção de poder ouvir essa linda musica.
Na manhã seguinte, tentava abrir a meus olhos que pareciam colados, passei a mão no rosto, ao conseguir abrir os olhos tive uma visão perturbadora, vi um rosto colado ao meu, era como se alguém aproximasse seu rosto do meu e não me deixasse ver mais nada além de sua face, onde o olho movimentava a pupila de um lado para o outro até que se fixou num olhar raivoso.
Amedrontada me sentei e desesperadamente passando as mãos em meu rosto e aquilo sumiu. Todos tomavam café, mas eu nem conseguia me sentar junto a eles para se alimentar, André ainda estava em Formosa.
Aquela foi uma terrível manhã, onde ouvia aquelas as vozes de segundo em segundo, continuamente. Me lembro de um momento em que ouvi: "Você não vai se salvar, tudo que há de ruim, todo este mal é sua culpa!..." "Olha a miséria... A fome... A peste..." "Toda maldade e você o que fez pela palavra do senhor?" "Cristo morreu na Cruz..."
E tive outra visão, como se visse a sena de João Batista sendo decapitado. Nisto minhas vistas se tampavam diante de uma outra visão, vi fogo, muito fogo e uma enorme dor e pesar corroeram minha alma, ouvi: "Essa é sua casa, será incendiada, queimará até o pó!..." "Não haverá mais onde se esconder..."
Então chorando muito, me tremia e sentia muito frio, pus um casaco de lã e ouvi as vozes zombando: "E então vestiu-se de lã!" "Isso, agora saía gritando aos quatro ventos quem é você..." "E diga, o fim está próximo... O fim está próximo..." "Cara, isso não vai presta!
Eu não fiz o que as vozes diziam, pois sabia que não se tratava de verdade e sim de mentiras proferidas pelo mal no intuito de se escarnearem de mim os espíritos zombeteiros.
Ao anoitecer meu irmão Luiz e minha cunhada vieram nos buscar, a mim e minha filha Sabrina para ir sua casa.
Minha mãe vendo eu em meio a todo aquele desespero chamando pelo nome de Deus, Jeová, mesmo sendo da congregação Cristã, pegou um livro daqueles de ensino bíblico dos testemunhas de Jeová e disse: Tenta ler, poderá te acalmar se conseguir, ora para Deus filha, acredite ele está conosco, ele é bom e misericordioso.
E aqueles violentos espíritos não paravam de me depreciar e me escarnecer com suas mentiras: Sua vadia, maldita, agora diz que não tem culpa? Ela é Jesus e André é Judas...
Eu pensava: Mentira! Se afasta de mim!
E eu gritava: Senhor olha o que fazem comigo, tem piedade!
Ouvi os espíritos dizerem: De geração em geração a esconderam de nós, mas nós a encontramos, tudo começou com você e Adão agora terminara com você sozinha, maldita...
Eu dizia aos gritos: Não é verdade, cada ser é único, não tive outras vidas além desta vida...
E os espíritos diziam:Vários de nós caímos, e tudo para que? Para você vir aqui e dizer que é nossa culpa, a culpa é só sua, você é uma de nós... Admita!
Eu falava implorando ao senhor que acabasse com aquilo: Não, Meu Deus...
Tem que ser agora Jeová está vindo... Eu escutava.
Vamos admita, se renda a nós... Eu ouvia.
Não! Eu prefiro a morte! Eu gritei.
Ouvia: Você tá sentindo isso?
E senti arder meus pés como se tivesse mesmo fogo, uma verdadeira labareda bem abaixo deles e escutei o espírito: Morrerá queimada sua vagabunda!
Escutei: Sabe, seus irmãos, sua família, todos fazem parte disso...
E eu em meus pesamentos dizia: Eu sei que não, pois somos todos filhos de um só Deus por Cristo.
E escutei um barulho horrível vindo da cozinha, era como se vasculhassem os talheres da gaveta e escutei: Eu provarei que eles são um de nós, ele mesmo, seu irmão vai te matar.
Aqui eu parecia ter começado a recuperar um pouco da consciência sabia, que ninguém de minha família faria tal ato e disse a mim mesma: Deus é o meu pai e só o senhor sabe o que a de ser de mim.
Com isso, as vozes foram gradativamente sumindo.
Minutos depois começou a clarear o dia, minha cunhada passando pelo corredor dos quartos veio até mim e disse com lágrimas nos olhos: Meu Deus, Raquely, tá melhor?
E eu não conseguia responder, queria poder dizer que estava tudo bem mas, só fiquei ali com meu olhar perdido e pensando: Meu Deus nos perdoa, dá paz a nossos corações!
Tentaram fazer com que eu me alimentasse, mas não conseguia nem sentir ao cheiro do café, passei mal do estomago, enjoada, vomitei. E não conseguia falar com ninguém, só ficava em volta a pensamentos ruins e recordando de cada segundo daquela noite de horrores.
Umas duas horas depois a mãe de minha cunhada Clarisse, veio até mim no intuito de me dar paz de espírito, com poucas mais sabias palavras de seu conhecimento aprendido através da bíblia, com a bíblia em mãos, ela me disse: Eu sei que tudo parece estar confuso agora, mas se Deus quer será, deixe que o senhor te guie, leia a bíblia, ela te dará forçar e susto para seguir enfrente, olha aqui, este é o melhor presente que eu posso te dar neste momento.
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Pode sim filha! Respondi.
Em seguida André falou num tom alto lá do quarto: O que? Onde você vai Alice?
André, não vejo problema algum em ela ir com a amiguinha dela em uma igreja! Eu disse.
E não é só ela que vai mãe eu também vou. Disse Sabrina.
Fiquei contente de ver que minhas filhas tinham interesse em ir a casa de Deus, não me importava qual religião era, com tanto que fosse cristã e levasse a palavra do senhor ao coraçãozinho delas.
Instantes depois que elas foram, disse André: Eu não acho bom que nossas filhas passem a ir num lugar desses, onde a manipulação pode as deixar elas alienadas e sem perspectivas fazendo as viver em função de um mito.
André é só uma visita, logo elas estão em casa, é melhor que elas estivessem na rua, você não acha? Eu perguntei e ele se calou.
Uma hora mais tarde Sabrina entrou em casa correndo e muito nervosa, seus olhos pareciam lagrimejando, disse: Que droga! Droga de vida!
Que foi filha? Cade sua irmã? Eu perguntei.
Respondeu Sabrina: Ela tá vindo ai, mãe, eu nunca mais saio com Alice e aquela insonsa da Juliana, falsa! Eu sou uma boba mesmo, o pai tem razão todo o crente não presta, são um bando de ...
Para! Não faça conclusões precipitadas, eu sou crente minha filha, pois eu acredito em Deus você não? Eu a disse.
Acredito! Mais essas igrejas que dizem ser evangélicas julgam as pessoas como se elas fossem melhores que qualquer um que não seja da religião delas. Mãe... A mãe dela e aquele pessoalzinho de um figa da igreja, me acusaram de fumar e a levar pro mal caminho a falsa da Juliana! Sendo que eu tenho nojo dessa droga de cigarro...
Nisto Alice entrou na cozinha e Sabrina olhando pra ela disse: Sua desengonçada, vai lá com aquela falsa e aquele povinho, sua...
Eu não fiz nada, eu até te defendi! Disse Alice.
Percebendo a conversa que tínhamos, André se aproximou de nós e silenciosamente parou na porta entre a sala e a cozinha, quando eu disse: Filha você não experimentou essa porcaria?
Com lágrima rolando em seu rosto disse Sabrina: Nossa até você...
Isso me cortou o coração porque eu sabia que minha filha dizia a verdade, mas o meu medo era maior, de que alguém pudesse ter a oferecido tal coisa e ela na curiosidade aceitasse, perguntei: Essa menina a Juliana fuma?
Não mãe, mas teve um dia que a gente brincava e alguém tava com um cigarro e ela pós na boca, quando alguém viu, e essa mesma pessoa contou que era eu a influenciadora de fazê-las fuma! Disse Sabrina.
Mas você não pós a porcaria do cigarro na boca né? Eu perguntei.
André deu um grande grito: Tá vendo o tipo de gente elas se envolveram!
Eu vendo que Sabrina não parava de chorar, disse: Eu sei filha que você não faria tal coisa, quem foi o mentiroso ousou mencionar que você fumava e deu cigarro as outras?
Não sei mãe, pois quando chegamos elas já estavam com o cigarro, e hoje essa falsa dessa menina, que diz ser amiga de Alice praticamente pós a culpa em mim! Disse Sabrina.
É dessa vez acho que André tem razão mesmo, essas igrejas que se dizem evangélicas se acham melhores que nós e só fazem julgar os outros sem nem mesmo ter certeza da verdade, agora eu me arrependo de tê-las deixando ir a essa igreja. Indignada e sem pensar, generalizei e disse isso, se fosse hoje, jamais diria tais palavras felinas, pois quem sou eu para os julgar, eu, um ser humano que como qualquer outro só sabe errar e errar... Digo de coração, me arrependo amargamente de ter aberto minha boca aos que só fazem procurar a Deus.
André ouvindo essas minhas sandices, ficou mais enfurecido, e jogou toda sua revolta contra aquelas pessoas, disse barbaridades que tenho até medo de repeti-las em palavras neste texto, mas não se precipitem em julga-lo, me perdoem, mas acredito que eu sem notar o excitei a agir daquela forma incoerente.
Depois tentando acalma-lo eu disse: Chega André, isso não se pode nem pensar quanto mais dizer! Eu temo a Deus, pelo menos respeite minha fé!
Agora peço perdão a Deus e a todos irmãos, mas acho que é de meu dever e extrema importância dar esse meu testemunho, acredito piamente que Deus me guia em cada palavra dita ou escrita quando se trata de mostrar o quando Deus é imprescindível em nossas vidas, sem Deus, não a vida. Como um reles ser humano pode ter coragem de repetir uma blasfêmia na qual foi dita por outro reles ser, não teve noção do grande mal que traria para si mesmo, mas infelizmente ele disse, "deus está morto", a partir do mesmo segundo em que ouvi essas palavras, minhas pernas estremeceram, meus braços ficaram sem força, senti grande dor em meu peito, cheguei a ficar paralisada por alguns instantes. A sensação foi de perder o ar, não da pra descrever mais nada além de lhes contar, que no conseguir andar até a pia pegando um copo de água pra beber disse: Misericórdia!
Isso não foi obra de um reles ser humano, acredito que todos somos a cada minuto provados, testados e muitas vezes atormentados até a loucura, se não nos redimirmos de nossos pecados e humildemente pedir a presença de Deus em nossas vidas, quem nos livra do mal que não vai descansar até consumir ao nosso ultimo folego de vida?
Eu já vinha passando pelo que eu acredito ser uma grande provação e na minha fraqueza pela imperfeição encontrada em qual ser humano cai em desgraça, mas Deus é justo e benevolente, é um ser tão maravilhoso que é lento em se irar, deixou que eu mesma visse o mal que nos rondava.
Na manhã seguinte, eu estava procurando um disco vinil para ouvir e revirando de capa em capa vi num dos discos o nome de uma da banda de metal na capa a seguinte palavra, possessed, continuei a procurar o disco no qual queria ouvir, não achando, fui a cozinha, Sabrina falava algo pra mim que lembro, mas lembro com clareza e grande pavor o que ouvi um espírito dizer naquele mesmo momento: Vamos... Está possuída, está possuída...
Senti fraqueza em minhas pernas que tremeram, me segurei na pia. Pensei: Esses espíritos querem me enlouquecer mas não vão conseguir!
Como já os disse em textos anteriores, eu na época acreditava que eram almas de pessoas já falecidas, desencarnadas, perdidas na escuridão. E pensava que talvez eu tinha que ajuda-los a encontrar a luz.
Minutos depois, Sabrina que estava no quarto gritou e ao mesmo tempo senti uma presença espiritual frente a janela a qual nunca tinha sentido ou ouvido antes, dizendo meu nome e de forma apavorante, era como se fosse uma voz desesperada engasgada, Ra... Raaaque... Raquelyyyy...
Neste mesmo instante me virei pra trás e vi Sabrina pálida de tão assustada, dizendo: Mãe... Mãe!
Que foi menina? Eu a perguntei.
Eu tava lá no seu quarto, vi um coisa com capa preta que parecia flutuar passando pela janela no corredor do lado de fora vindo pra cá e ouvi um gemido horrível! Respondeu Sabrina.
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Sim porque? Ela perguntou.
Então a contei sobre o ocorrido e ela me disse algo que me deixou mais impressionada que já estava, ela disse, que a pouco tempo antes de minha ligação, passou por uma situação semelhante, disse que fazia algo quando escutou uma voz estranha chama-la, ela foi a porta e não tinha ninguém lá fora, como ela estava completamente só em sua casa, pensei: Meu Deus o que é isso?
Passados alguns dias pela manhã após tomarmos café, as crianças assistiam TV e eu estava na lavandeira, fazia muito frio, fui até a cozinha e peguei meu casaco que estava na cadeira e voltei a lavanderia, após uns minutos escutei: "Ela tá lavando roupa!"
E novamente escutei: "Essa louca só sabe ficar ouvindo musica..." "Por que chama ela de louca?" "Porque é!..."
Então olhando para a parede que dava para a vizinha pensei: Você não viu a louca ainda!
Nervosa fui até a sala, mandei que as crianças fossem tomar banho para se arrumarem pois logo teriam que ir a escola, peguei o controle do DVD e ligando pus a musica no ultimo volume e cantando do meu jeito desafinado voltei a lavanderia. Logo escutei risos e em seguida ouvi: "Canta cantora!..." "Tá vendo, é louca ou não é?..."
Depois de recolher a roupa que estava no varal fui em direção a janela do quarto jogando as roupas em cima da cama, senti calor tirei o casaco e o joguei na cama também, fazia um sol forte naquela hora, retornando ao tanque, escutei uma voz como vinda do telhado: "Cala a boca sua vadia!..."
Ao eu erguer a cabeça vi algo estranho no telhado da lavanderia e como se fosse um fleche, logo sumiu, como uma silhueta mais ou menos igual a essa imagem a baixo.
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E escutei uma voz como fosse vinda da casa vizinha: Vai atrás de centro espírita, sua louca!
Acabando de lavar a roupa indo até a janela do quarto para por mais umas roupas que tinha recolhido, ouvi: "Quer ver..." "Agora você tá com frio, vamos, sente frio!... "
E subitamente senti um frio gélido em minhas costas, vendo que Alice entrava no quarto, pedi a ela que pegasse meu casaco, no eu por, não passou nem um minuto e me subiu um súbito calor. Bom, estou relatando estes fatos, pois acredito também que depressão já afetava muito meu sistema nervoso, pois até hoje não sei se as vozes vindas da casa vizinha eram realmente dela ou de um dos espíritos ou simplesmente em meu transtorno, imaginei ter ouvido.
A tarde quando as crianças já haviam ido para escola, tentei assistir TV mais a imagem só chuviscava, perdendo a paciência com isso, fui ao computador, abrindo o MSN, Luis me mandou uma mensagem: Oi Luciana!
Digitei: Oi, tudo bem?
Luis digitou: Tudo e você?
Digitei: Estaria ótimo, se não fosse pela má atitude que tive hoje de manhã!
Digitou ele: O que foi?
Digitei: Nada deixa pra lá...
Ele digitou: Agora você me deixou curioso garota, conta...
Digitei: Eu me irritei com algo que ouvi, sabe quando a casa é geminada com a do seu vizinho...
Ele digitou: Hum...
Eu digitei: Muitas vezes se ouve eles falarem, mesmo que não se queira ouvir, ouvimos...
Digitei: E hoje a vizinha falava mal de mim, reclamava, que ouço musica, e me chamava de louca...
Ele digitou: Serio!
Digitei: É mas eu to no meu direito, pois estou em minha casa e só ligo o som no horário limite permitido lei.
Ele digito: Está certa!
Eu digitei: No momento em que ouvi ela falar mal de mim me irritei ao extremo e fiz algo que não devia...
Ele digitou: Você tem o pavio curto né rsrsrskkk...
Digitei: Liguei a musica no ultimo volume e fiquei cantando que nem uma louca mesmo, queria irritar ela assim como fez comigo, mas...
Ele digitou: kkkkk...
Digitei: Me arrependi, eu não gosto de confusão, não sou vingativa, isso foi uma babaquice, devia ter mais consciência, pois talvez eu esteja realmente a incomodado.
Ele digitou: Mas você está no sei direito e se sua vizinha tivesse mais educação ela poderia ter falado com você...
Digitei: Não, eu que fui a sem educação, deveria ter se tocado e posto a o som mais baixo.
Ele digitou: Mas ela não foi estupida?
Eu digitei: Ela devia estar muito brava comigo e com razão... Luis digitou: Você tem o coração bom.
Digitei: Não me acho um ser humano bom, eu vivo errando queria ser uma pessoa melhor.
Ele digitou: Mas você é, pelo pouco que conversamos aqui notei isso!
Ele digitou: As vezes perdemos as estribeiras é normal!
Eu digitei: Não é não, eu tenho fé em Deus, acredito Cristo passou uma grande lição de amor, não sei se você é uma pessoa religiosa, mas vou te dizer, Jesus disse, se alguém lhe der um tapa em sua face, vire o outro lado da face para que se faça o mesmo...
Ele digitou: Mas você não é Cristo, ele é um ser superior a nós!
Digitei: Por isso mesmo, ele nos deu exemplo que deveríamos ter seguido, ame ao teu próximo como a ti mesmo...
Ele digitou: Há... Não é pra tanto foi só uma rincha momentânea com sua vizinha.
Digitei: Não é só por isso, eu as vezes faço coisas que fogem ao meu controle, falo o que não deve e me arrependo tarde de mais.
Ele digitou: Olha nem em tudo perdemos a razão, as vezes tem pessoas que merecem ouvir o que temos a dizer.
Digitei: Temos que medir bem o que vamos falar, já fui bem paciente, mas hoje eu não sou mais assim, me irrito facilmente e outra não devemos julgar os outros.
Ele digitou: E nem se pode julgar a si mesmo e pelo jeito, por tudo o que me disse que passou, você perdoa com facilidade!
Ele digitou: Eu não sou assim, se o sujeito pisou na bola eu lhe dou um pisão maior ainda.
Digitei: Não faça isso com você, perdoar não faz bem só a quem é perdoado, o bem maior é de quem perdoa verdadeiramente.
Luis digitou: Calma moça rsrsrs... Eu estou de brincadeirinha, perdoar eu perdoo, mas depende se a pessoa merece mesmo minha confiança intende?
Respondi: Sei, mas como eu já te disse o perdão é uma dadiva e tem que ser para todos, mesmo que isso não lhe traga um bom retorno, lembre se só Deus sabe o que se passa em nossas mentes é dele o poder de julgar.
Ele digitou: Hoje você está muito sentimental, me sensibilizou viu, poetiza rsrsrs...
Digitou ele: Linda!
Eu digitei: Estou falando serio Luis, não estou de brincadeira.
Luis digitou: Tá eu vou tentar...
Ele digitou: Ser uma pessoa melhor!
Eu digitei: Não estou dizendo que você não é bom. Pelo pouco que te conheço, nas poucas vezes que nos conversamos na net, vi em você um verdadeiro amigo com que posso contar.
Ele digitou: Obrigado, mas você é quem me faz senti bem amiga.
Ele digitou: Pra se ter uma ideia, sempre que conversamos eu fico imaginando o quanto seria bom te conhecer pessoalmente.
Eu digitei: Também, eu queria muito que você conhecesse minha família.
Eu digitei: Se não fosse pelo ciúme de meu marido até te convidaria pra um almoço em casa rsrsrs... Se tivéssemos nos conhecido numa outra ocasião ou situação talvez vocês fossem bons amigos.
Ele digitou: Ele é ciumento é rsrs...
Eu digitei: As vezes parece ser e em outras vezes parece nem me notar, fico pensando... Se ele me ama realmente, se é feliz comigo, não sei?
Ele digitou: Claro que ele é, não tem como ele não gostar, você especial!
Eu digitei: Para com isso, se você me conhecesse de verdade saberia o porque de minha duvida.
Digitei: As vezes me sinto um nada do lado dele.
Ele digitou: Para você de ser boba garota!
Ele digitou: Eu estou num relacionamento complicado, como eu já te disse, as vezes penso em largar tudo, mas se meu relacionamento complicado fosse com alguém como você, não teria duvida alguma de que seria a pessoa certa.
Eu digitei: Melhor pararmos com essa conversa, se meu marido vê, ira interpretar mal, e somos amigo, não quero perder sua amizade.
Nisto coincidência ou não André chegou, era umas quatro horas da tarde ele vinha tomar café, no intervalo que tinha entre as aulas que dava. No ouvir a batida da porta da sala, temendo que ele visse a conversa e a interpretasse de forma errada, fechei rapidamente a conversa, mesmo que nada de mais tenha sido dito, percebia que se fosse comigo não gostaria de ver tais palavras ditas a meu marido por outra, o ciúme me iria falar mais alto.
Indo para a cozinha comecei a arrumar a mesa, e André disse: Você tava no computador?
Sim. Respondi.
Ele disse: O que fazia lá?
O mesmo que você faz quando vem pra casa! Eu respondi.
Então ele olhou pra mim e dando um sorriso sarcástico, disse: Tá de novo, naquelas conversas do MSN.
Há, você não fica, então? E outra arruma essa TV, a tarde fico só não tenho com quem conversar, é um tédio! Eu disse.
Tá Raquely, neste fim de semana arrumarei! Ele disse.
Após tomarmos o café, André voltou para seu trabalho.
E eu retornei ao computador, e vendo que Luis estava online ainda, digitei a ele: Luis me desculpa, tive que sair.
Ele digitou: Me deixou no vaco...
Eu digitei: Desculpa, fui fazer o café pro meu marido.
Ele digitou: Tá, certo!
Neste momento não sei como, mas eu escutei uma falação frente a minha casa, ouvi... "Ela cara!..." "Eu não te disse..." "Te peguei..." "Agora eu sei onde você mora!..."
Então eu digitei a Luis: Espera!
Ele digitou: Onde vai... De novo!
Olhando pela janela do quarto, que dava para o quintal da frente no portão, vi que crianças passavam correndo. Pensei: Bobagem devo estar imaginando coisas.
Voltando ao computador, digitei a Luis: Voltei!
Ele digitou: Não tem mesmo como nos conhecermos?
Eu digitei: Desculpa Luis mas acho que você está levando nossa conversa para um outro nível, que é quase que impossível de ser...
Ele digitou: Por que?
Digitei: Eu sou casada, pensa se fosse sua namorada que fosse conhecer uma amigo da internet o que iria pensar?
Ele digitou: Tá! É com pesar que digo, você tem razão!
Despedindo dele, disse: Vou ter que sair logo as crianças chegam da escola e eu tenho que fazer algumas coisas.
Ele digitou: Se cuida, beijos!
Então eu acessei o orkut, passado uns segundo, Luis mandou uma mensagem: Luciana, está ai?
Respondi: Sim!
Ele digitou: Beijos!!! Até logo amiga!
E seu logo status ficou off.
As crianças chegavam da escola, quando eu fechava as paginas da net, em seguida ouvi aquelas mesmas vozes, que ouvi no portão pouco tempo antes, só que desta vez pareciam estar dentro de casa, escutei... "Quero que seja minha!..." "Sai perto dela você já está morto, deixa ela viver a vida dela!..." "Não, ela vai fica... "Vadia!..." "Eu vou fazer ela excluir este MSN, esse orkut, tudo..."
Então me levantado, olhei para a janela não tinha nada lá fora, saindo do quarto, pensei: O que realmente se passa com esses desencarnados? Que divida tenho? Como posso ajudar?
E mais uma vez ouvi: "Ela vai ver..." "Deixa ela, não sabe o que a aguarda na vila de Florença!..." "É lá agente dá um jeito nela..." "Lá nós conseguiremos!"
Umas horas depois, lembrando da conversa que tive com Luis, sobre o perdão, pensei: É se tem algo que posso fazer de bom, quem sabe não seja isso, talvez estou aqui para pregar a paz no coração das pessoas ou dirigir a palavra de Deus. O que tiver ao me alcance, seja o Deus quiser!
Pensar assim parecia me fazer bem, no entanto sem saber, eu estava muito doente, a depressão não me deixava racionar direito, vivia em torno de ilusões pelos transtornos causados por ela, e o pior que não era só o meu físico que estava mal, o espiritual estava grandemente abalado, me via em trevas, precisava muito de Deus e da medicina. Caminhava num caminho estreito e escuro, sem poder enxergar o que vinha pela frente!
Felizmente meu Deus não me abandonou e mesmo por todo o mal que tive que passar para entender isso, o inacreditável estava para Acontecer!
No dia da prova do concurso público, acordamos bem cedo, pois a prova seria pela manhã e não podia me atrasar, em quanto eu me arrumava pra sair, escutei aquelas mesmas vozes de sempre... "Ela não vai conseguir!..." "Quem sabe eu não a ajude, é só ela pedir..."
Entrando no carro pensei: É acho que não vou conseguir mesmo!
Nisto André me passava uns conselhos: Seja rápida com a leitura, não fique tentando decifrar as questões, caso tenha dificuldade para responder passe para a próxima questão, sempre procurando responder as que sabe de forma rápida e objetiva. E ao acabar, ai sim você pode tentar responder as que deixou em branco.
Há, você fala isso com conta que eu tenho alguma chance, coisa que acredito não ter nem um por cento de chance! Desanimada eu disse a André.
Então ele falou: Deixa de ser pessimista Raquely! Você tem grande chance sim, o povo de hoje são tudo uns perdidos, mal sabem responder a questões simples como as do ensino fundamental, quanto mais ao um concurso como este e...
Para de julgar as pessoas desta maneira, não subestime a quem você não conhece André! Sou eu quem a muito tempo parou de estudar, que não lê nada... Eu o disse.
Eu estou falando sério, Raquely! Falou André, que continuando a me explicar dizia: Eu sou professor e como tal vejo a ignorância e o descaso com que o governo e as próprias pessoas tratam a educação, é de uma ignorância total. Você não, você estudou numa época, ainda que a ditadura tentasse nós segar, os que tinham visão se revoltavam contra ela em prol de seus direitos, como também havia uma certa preocupação pelas pessoas com os estudos, que hoje é quase nula.
Eu o disse: Mesmo assim, não boto fé que será fácil, são muitos concorrentes!
Deixa de ser pessimista Raquelzinha! Disse André.
Ao chegar ao portão de acesso na escola que faria a prova, entrei e passando pelos corredores, vi na porta da sala a monitora, na qual me pediu que assinasse um papel antes de entrar, me abaixando para assinar, nervosa perguntei: Onde eu assino mesmo?
Aqui nesta linha onde pus o X. Ela respondeu.
Então a mulher me observava escrever, coisa que eu não me senti confortável. Ao entrar não vi que as carteiras estavam numeradas, me sentei e logo veio alguém me dizendo que a carteira era sua, envergonhada lhe pedi desculpa, me dirigi a monitora perguntando qual era o numero da carteira que seria minha, após ela me dizer que era seis, na ânsia em me sentar olhei pra carteira de numero nove e novamente cometi uma gafe me sentando nela, então ouvi uma voz irônica: A letrada, a qual se diz possuir curso superior, parece mal saber escrever, olha a carteira que a pobre se sentou!
Percebendo meu erro, rapidamente me corrigi e fui a de numero seis a qual era correto estar.
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E novamente ouvi meio a risos... "To vendo!..." "Então boba, não tenha medo a vaga é sua!"
Me ressentindo com o que acreditava ter ouvido, envergonhada, pensei: Sou uma burra mesmo!
Folhando os papeis da prova, passado uns segundos comecei a responder, vendo que tinha dificuldade em um questão passei a próxima, ouvi a voz do espírito: Quer que eu te ajudo?
Pensei: Não sou trapaceira! Meu Deus me ajuda, nem aqui tenho sossego!
Minutos mais tarde, tentava responder a uma das questões que deixei em branco, quando ouvi a voz do espírito... "Alternativa C!"
De questão em questão não conseguia o mínimo de concentração, passados umas horas pouco tempo para acabar o prazo da entrega do gabarito assinalado. Perdi a paciência e praticamente chutei a quase todas as alternativas restantes. E entregando o cartão de respostas a monitora sai ao encontro de André, que me aguardava frente a escola, ao me ver ele disse: Como foi?
Respondi: Uma perfeita porcaria!
Aposto que nem se esforçou né? Saiu antes de quase todos correntes. Ele me disse.
Há esquece isso vai! Eu o disse, de forma desanimada, desapontada comigo mesma, por saber que realmente não teria um bom resultado naquele concurso.
Entretanto, Deus é bom, é justo, só senhor para saber o que é verdadeiramente bom para mim, talvez passar naquele concurso não seria tão bom assim, não estava nos planos do senhor. Mas neste mesmo dia aconteceu algo surpreendente, no caminho para nossa casa vimos uma pequena casinha a venda, cuja a placa especificava o interesse do dono em troca-la por um carro.
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André que a viu primeiro, me mostrando disse: Olha!
Na placa diz que troca por um carro, vamos a notar o numero? Interessada eu o perguntei.
Não sei não em... E se o documento estiver irregular? Disse André.
Mesmos com todo o negativismo de meu marido anotei o numero do telefone.
Era quinta feira, corria com a organização da casa, pois meus sogros viriam neste fim de semana de pascoa nos visitar. Na hora do almoço discutíamos, sobre aquela casa que estava a venda, dizia eu: Eu vou ligar, não acredito que o valor seja tão alto!
Não ligue, eu não a comprarei! Disse André.
Por que? Eu o perguntei.
Você viu o localidade dela? Eu não gostei nem um pouco, acho melhor esperarmos um pouco mais e acharmos algo melhor. Disse André.
Nossa! Inconformada eu falei, dando uma pausa continuei a lhe dizer: Não foi você quem me disse naquele dia que era uma casinha boa, admirou o tamanho terreno e até disse que se localizava numa avenida, o que achava bom, pois ficava nas proximidades de onde trabalha? Por que não quer que eu ligo agora?
Ele me respondeu rispidamente: Presta atenção, eu não vou comprar uma casa onde se tem que reformar quase toda ela, os gastos nos serão alto e outra foi você quem disse naquela época em que procuramos uma casa pra alugar, que não moraria em Florença por achar ser num local distante de tudo e porque acreditava ser um lugar perigoso!
Eu o disse: E você me falou que não era para eu ter preconceito só por ser um bairro humilde, e disse ainda que pelo pouco tempo em trabalhava lá, gostou de estar naquela escola.
Não ligue! Será inútil, já sabe que não estou de acordo, não comprarei e está acabado! Nervoso disse André.
Ironicamente eu o disse: Há já sei, você está com medo de ficar sem seu lindo carrinho!
Deste modo que nossa discussão passou para uma tremenda briga. E quando ele saiu passou-se horas, até que eu comecei a imaginar, pensei: O quanto seria bom não ter mais preocupação com aluguel, porque não é fácil para nós que temos três filhos viver só com o salário de meu marido, ainda mais estando desemprega, morando em numa cidade pequena interiorana como esta, com a remota possibilidade de emprego, o que mais devo fazer? Tenho sim que convence-lo a comprar aquela casa, por mais que seja pequena e precise de reformas, não podemos perder uma oportunidade como aquela!
Liguei para o dono da casa, ao saber o valor e as condições de pagamento facilitada por ele, não tive duvida que a compraria. Na manhã seguinte em que meus sogros chegaram, contei a Selma sobre a casa, pois sabia que ela me apoiaria de bom ânimo, ao me ouvir, ela me disse: Não devem mesmo perder uma chance desta, o carro praticamente paga pela casa, você está absolutamente certa Raquely! Carro, podem comprar outro futuramente, casa não fácil de se achar no valor ao qual estão pedindo.
É Selma, mas o cabeça dura de seu filho não quer nem fazer uma visita a casa, para vê-la melhor. Eu a disse.
Então saímos de onde estávamos e fomos a sala onde André e Paulinho meu cunhado, conversavam e Selma disse: André porque não vai ver a tal casa que a Raquely me disse ser uma boa casa? E o preço parece estar bem acessível meu filho!
Eu já disse a teimosa da Raquely, que não trocarei meu carro por um barraco como aquele mãe! Disse André.
Pensa bem André, vocês podem reformar depois, é melhor do que pagar aluguel por uma vida inteira! Disse Selma.
André em silencio ouvia sua mãe, que tentava convence-lo, quando meu cunhado se interviu dizendo: Quando um não quer dois não faz, e se André não gostou do lugar e nem da casa é melhor pensar bem Raquely, vocês tem três filhos, não dá pra viver em um local violento, como você mesmo me disse que te contaram que é.
Nisto Júlia disse: Paulinho, mas também é melhor que os dois se entendam, e se Raquely tiver razão? E a casa estiver em um bom lugar, nós mal conhecemos a cidade direito, as vezes as pessoas exageram um pouco demais ao falarem as coisas.
Assim iniciou se uma discussão que felizmente foi bem racional, e brevemente chegamos todos ao consenso, de que ir visitar a tal casa, antes de julgar ser um mal negocio, era o melhor a se fazer.
Minutos depois liguei para dono que se prontificou de mostrar a casa e no mesmo dia após a visita, André que não aceitava fazer a negociação com o carro, mudou de opinião. Pois mesmo que a casa não fosse a dos nossos sonhos, ali vimos a grande oportunidade de uma vida com mais qualidade.
Um tempo depois, a tarde descansava em um sono justo pela corria daqueles dias, quando acordei com o barulho vindo da cozinha, uns minutos se passaram escutei o abrir da porta da geladeira e uma voz que já não me era estranha, no entanto não pertencia a nenhuma das pessoas que estavam em casa só podia ser o espírito que rondava minha vida, ouvi: Você quer? Vai e pergunta pra mamãe se pode comer Alice.
E no mesmo instante Alice veio ao meu quarto dizendo: Mãe eu posso comer o resto do doce que sobrou de ontem?
Pode filha! Eu a respondi.
Aquelas vozes se intensificavam a tal maneira, que pra mim já não fazia sentido me assustar, entretanto, isso afetava grandemente o meu lado emocional e sem que eu percebesse iniciou-se a minha falta de controle sobre minhas próprias atitudes, o que transtornava meu relacionamento com meu marido, que sofria por todas minhas loucuras e impaciência sem sentido algum. Diariamente eu o conturbava com minhas frustrações, tristeza e incontentamento com a vida, e tudo isso num momento em que não havia nada de errado, ao contrario, tudo fluía a uma forma significadamente positiva.
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Obviamente que tudo isso fragilizava nossos sentimentos, André mesmo com toda a paciência que tinha comigo, como ser humano, por algumas vezes perdia as estribeiras, e agia de forma errada. Num fim de semana ao arrumar a mesa para o almoço, servi o prato de Antony e me sentei frente a TV, esperando e todos os outros se servissem. E do nada André ficou alteradíssimo, extremamente nervoso, disse: Cadê meu prato?
Está na mesa, vá se servir! Eu o disse.
Que mulher folgada! Sua mórbida, dá pra me servir? Ele disse.
Você tem mãos, se sirva você! Ressentida com ele eu disse.
Que droga, eu trabalho, faço de tudo aqui, nem pra se ter um pouco de sua atenção, custa servir um prato de comida para seu marido?
Não nos julguem por favor, essa briga se deu devido a todos os transtornos que passávamos por causa de minha depressão, como já os disse, André muitas vezes teve que suportar situações muito desagradáveis, como, meus destemperamentos e a tristeza que me vinha por alguns instantes sem pré aviso, fazendo meu marido pensar coisas nada reais, ele sem entender o que realmente me acontecia, acreditava que minha tristeza se dava por achar que eu não o amava mais. E sem que eu pudesse lhe explicar o real sentido pois nem eu mesma sabia, me vi acoada, sem ter o que dizer, em constantes pertubações alucinantes e preocupações inúteis.
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No dia seguinte, perguntei a meu marido: André acho melhor esperar e pensar um pouco mais antes de assinarmos aquelas documentações!
Sorrido ele perguntou: Por que?
Não tenho certeza de seremos felizes com a compra, ao comprá-la não terá mais volta, perderá seu carro, a casa precisa de ser toda reformada e se não termos condições de arrumá-la? Eu o perguntei.
Para de pessimismo Raquelzinha! Já está tudo certo para comprar! Ele disse.
Melhor não! Eu disse.
Rindo de minha atitude tentando me acalmar, ele disse: Nós dois somos do contra mesmo, se eu não quero você quer, se eu quero você não quer, vamos parar com isso estamos juntos nessa, vai dar tudo certo!
Assinando ao contrato de compra da casa, mais calma e feliz, pensei: Se deu certo, foi porque tinha que ser!
Na mesma semana esperando para liberação da casa, ansiosa, liguei pra meus familiares lhes contando a novidade, eles ficaram felizes por nós. E numa tarde desta semana o tédio me tomava, pois as crianças iam pra escola e da escola iam brincar, André ao chegar do serviço ou corrigia atividades de seus alunos ou ficava no computador, me sobra assistir TV, então naquela tarde solitária decidi ir ao computador ver o que rolava na sala de bate papo, ao adicionar um cara ele começou com uma conversa estranha insinuando que me conhecia, chegou até perguntar a roupa que eu usava, o achando um individuo abusado, entrei no jogo dele e ousei em lhe dizer que eu sabia quem ele era. Pra se ter uma ideia da mania de perseguição que eu tinha, acreditava que seria meu meu próprio vizinho na conversa. Depois de alguns segundos conversando com aquele homem ouvi risos, como se fossem vindos da parede vizinha e em seguida houve um estrondo igual a um murro dado na parede e nos instantes seguintes comecei a ouvir mais risos e vozes sarcásticas... "Que burra cara!..." "É uma perfeita idiota!..." "Ela é sem noção, eu não te disse será fácil..."
Irritada fechei a conversa com o tal cara, quando Luis me mandou uma mensagem: Oi garota!
Eu não o respondi e ele digitou: Oi Luciana! Tudo bem?
Respondi: Oi, Luciana, tudo e você?
Ele digitou:Tudo bem, o que fez de bom no fim de semana?
Digitei: Um passeio com a família a praia e você?
Ele digitou: Fiquei em casa atoa rsrsrs...
Ele digitou: Só com a net pra distração!
Digitei: Nossa você só fica no PC e os amigos... As baladas?
Luis digitou: Eu trabalho a semana toda e no fim de semana não tenho muito ânimo pra balada.
Digitei: Você é jovem curta a vida menino!
Ele digitou: Mudando de assunto, por que demorou a me responder Oi? Não quero te atrapalhar! rsrsrs...
Digitei: Eu já te disse que meu marido gosta de zoar com o MSN e como ele, pode acontecer o mesmo com alguém dai.
Digitei: Você me cumprimentou de maneira diferente rsrs...
Ele digitou: A gente não faz nada de errado, relaxa garota, como você mesmo diz somos amigos. Se alguém duvidar disto será uma bobagem!
Digitei: Meu marido tem acesso as minhas conversas, de vez em quando ele dá uma sondada aqui, ele sabe que não passam de conversas, não a dúvidas por parte de meu marido quanto a isso...
Ele digitou: O que te preocupa então?
Digitei: Ele sabe que meu coração é dele, o que verdadeiramente me preocupa, é que ele lhe diga asneiras se passando por mim e você acredite.
Luis digitou: Para e pensa, eu sei a forma com que você digita e conduz a conversa, ele não me engana...
Ele digitou: Não se preocupe.
Digitei: É porque você não conhece a peça, é esperto, aqui ele leva qualquer um no papo.
Digitou ele: Como assim? Que tipo de asneiras ele fala?
Digitei: Ele começa com uma conversa bem igual a forma conduzo minha, depois parte para uma conversinha de baixo calão...
Digitou ele: kkkk... Mas o que ele diz rsrs...
Digitei: Só sacanagem, desta forma ele sabe que eu não terei mais coragem de conversar com a pessoa na qual ele diz tais coisas...
Ele digitou: Ele não vai me enganar, não deixe de falar comigo amiga, se isso acontecer eu fecho a conversa rsrsrs...
Luis digitou: E quando isso acontecer saberei...
Digitei: Não sei não em... Ou ele pode te levar no papo ou pode te deixar com grande raiva rsrs...
Ele digitou: Nunca que eu ficaria bravo com você...
Ele digitou: Sinto que te conheço, sem nem mesmo tendo a visto pessoalmente.
Ele digitou: Pelo pouco que conversamos, vejo que você não só linda fisicamente, como em seu interior existe uma pessoa maravilhosa.
Digitei: Obrigada mas não é para tanto...
Ele digitou: As vezes acordo e fico pensando o que ela faz a está hora?...
Digitei: Luis tá louco ou o que?
Ele digitou: Calma amiga, deixa eu terminar...
Ele digitou: Ai penso, deve estar preparando o café para o marido, cuidando da casa, dos filhos...
Ele digitou: Luciana não tem como eu me enganar com você!
Eu digitei: Agora você me deixou assustada!
Digitou ele: Não se assuste!
Digitei: E eu não sou esse poço de perfeição que você descreve.
Ele digitou: É sim.
Digitei: E você não se preocupa que sua namorada veja essa conversa e a interprete como uma traição?
Ele digitou: Que namora?
Digitei: Vocês terminaram?
Ele digitou: Ela me abandonou...
Digitei: O que houve?
Ele digitou: Já não nos entendíamos mais...
Ele digitou: Como eu te disse meu relacionamento com ela estava no fim.
Digitei: Você parece estar confuso, terminar um namoro serio como o seu não deve ser fácil.
Ele digitou: Esquece ela, vamos falar de você...
Digitei: Cara, eu sou casada, não estrague nossa amizade!
Ele digitou: Calma gata, não é pra tanto...
Ele digitou: Eu só estou dizendo o quanto gosto e conheço você amiga.
Digitei: Me desculpa amigo, mas acho que você está confuso sim!
Digitei: Espero que você seja feliz, fique com Deus.
Com isso fechei a conversa e bloquei Luis, pensei: O que está havendo com esse cara? Meu Deus, isso já passou dos limites, está errado. Se André ver isso vai encarar como uma traição, preciso excluir ou dizer o houve aqui pra ele.
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Sei que podem pensar, e o que ela faz neste blog, não é se expor? Sim, sei que de maneira oculta, mas posso sim até estar me expondo, só faço isso como a descrição de meu blog mesmo diz... "Este blog tem como objetivo auxiliar aqueles que sofrem ao se depararem com parentes, amigos ou até mesmo conhecidos que tenham depressão..."
Uma semana se passou, após eu ter contado a André de forma cuidadosa o que ocorria em algumas conversas ele me disse: O que você queria? Amizades sinceras...
Eu disse: Eu sei André que muitos ali não me levam a serio...
Dando um curto sorriso de forma irônica, ele disse: Sabe?
Eu disse: Teve um deles agia de forma educada, nunca levou a conversa de maneira inconveniente, mas...
Mas... Você é ingenua ou se faz de boba? Ele me disse com uma expressão seria.
Calma! Eu disse a André e dando uma pausa continuei a falar: Ele não me disse nada de mais, eu só estava percebendo que ele mudou sua forma de fala comigo, disse que queria nós conhecer... Depois disto eu fechei a conversa e o bloquei.
Você tem é que excluir esse cara, já fez isso? Ele disse.
Eu sei que você tem razão, mas também eu sei me cuidar não falarei mais com ele. Eu disse.
Para com essa palhaçada de acreditar que pode ter amigos no seu MSN! Esses caras só procuram azarar mulheres, marcar encontros e porque você não tenta conversar com mulher? Ele perguntou.
Eu sei que tem razão em ficar bravo, mas e você o que me diz de toda safadeza que faz no sei MSN ... Eu o disse.
Você sabe que não faço mais isso, é rará as vezes em que entro nessas conversas e vou te dizer, já estava tão nervoso de te ver neste tipo distração, como você diz, que já tentei até procurar por mulheres, o que é muito difícil, ou estão acompanhadas procurando por outro casal ou são gays se fingindo de mulher. Ele me disse.
Ele disse: Para com essas conversinhas Raquely! Exclua essa conta. Bom, eu não exclui pois ele não fecho a dele também, no entanto eu não tinha mais mesmo tempo para essas bobagens, a minha vida estava muito corrida, faltava um mês para mudança, no pegarmos a chave de nossa casa começamos a arruma-la da maneira que nos foi possível.
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Dias depois, as crianças foram passar uns dias na casa de minha sogra, André e eu tivemos um tempo para nos dois. Além do que, precisamos de um descanso de toda aquela correria para reforma e mudança, que finalmente seria para a nossa, nossa casa própria.
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E no mesmo instante um moço que passava de bicicleta bem próximo a mim, "disse" duas palavras, na qual eu somente havia dito a André e pouco tempo antes de sairmos de casa. Então o medo me tomou. E todas as vezes em que estive só, trancava a toda casa. É obvio que tudo isso se tratava de alucinações causadas por minha doença. Mas a vida fluía, não dava pra parar mesmo com o medo que tinha de sair, eu tinha que ir ao banco, pagar contas, ir a reunião da escola das crianças, ajudar na reforma da casa... Tinha que viver, o que estava cada vez mais difícil para mim.
Num fim de semana, fomos até a casa, pintar as portas, tinha muito ainda a se fazer, André precisava terminar de por os pisos do quarto coisa que na cozinha nem havia começado, a pintura da casa mal havia sido começada, vendo que tudo ali estava muito crú, falei a André: Precisamos acelerar essa reforma, faltam menos de vinte dias para mudança!
É por isso que eu te falei, se não vir aqui adiantar essa pintura durante a semana, vamos acabar entrando aqui sem nem mesmo por o piso da cozinha. Disse me André preocupado.
Mas será que eu darei conta? E se eu não souber e a pintura não ficar da forma que você deseja? Eu o perguntei, tentando convence lo de que eu não seria capaz, mas o que realmente me atrapalhava era o receio de sair nas ruas, como já disse, a mania de perseguirão provocada pela depressão sem tratamento, começava a me impedir de viver normalmente.
André me respondeu: Você sabe sim, não viu ainda como ficou a parede da sala que pintamos aquele dia? Ficou boa a pintura, e você praticamente a pintou sozinha Raquely!
Com isso todas as tardes após as crianças irem a escola, eu ia a casa para fazer o que estava ao meu alcance para a reforma. Houve uma tarde, em que eu fechava o portão indo embora, senti que algumas pessoas na rua me olhavam, pensei: Eu devo estar parecida a uma andarilha, por que ficam me olhando?
Virando a esquina frente ao um campo onde homens jogavam bola, tinha muitas pessoas na rua assistindo ao jogo, pensei: Meu Deus, que faço? Se eu voltar pra trás, vou demorar a chegar em casa, fazer a outro caminho não é uma boa opção...
Neste instante dois homens vinham na mesma calçada que eu em minha direção, desviando deles sem necessidade passei a andar pela bera da rua quando ouvi risos. Em seguida andando um pouco mais a diante vi que a bola vinha a parar próxima a rua, com receio de tomar uma bolada, me desviei para o meio da rua, dando passos mais rápidos, escutei: "Você viu?..." " Ela que tá pintando a casa cara..." "É?..." "E no fim do dia mesmo com toda aquela tinta continua linda!..."
Então no ouvir risos senti minha face esquentar pela vergonha e acelerei os passos. Provavelmente ouvi tais coisas pela precipitação em pensar que alguém poderia me ver daquele jeito e rir de mim, como também o medo que sentia no estar perto a muitas pessoas, eu acreditava em alguns momentos que um daqueles amigos virtuais poderiam estar no meio deles, tudo isso creio que se deu por minha doença e tal vez nem tivessem dito nada daquilo que pensei ter ouvido.
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Quem sou eu? Porque estou aqui? Qual o sentido desta vida inútil? Se nem ao menos consigo comprar algo sem que se faça um fiasco e desastrosamente por minha falta de atenção cometo tolices... Indelicadezas, erros inexplicáveis como a confusão com simples troco, coisa que tempos antes era tão simples pra mim como dois e dois são quatro! O que houve comigo meu Deus? O por que de toda essa lentidão racional? Onde está aquela mulher desembaraçada, cheia de iniciativa, negociante e receptiva que trabalhou com vendas de porta em porta onde lidava com todo tipo de gente e de forma vitoriosa alcançava a metas e metas absurdas impostas por aquela empresa? Onde está a mulher que trabalhou num hipermercado e desempenhava seu cargo sem dificuldades, de bom relacionamento com as várias pessoas atendia? Agora mal consegue sair e andar nas ruas sem que se tenha com medo de gente... Só me restou o desprezo por si mesma!
Esse foi um dos momentos mais difíceis, como recuperaria minha autoestima?
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Sintomas da Depressão!
segundo o livro
"Transtornos mentais e espiritualidade"
O termo depressão costuma ser associado por alguns leigos a várias situações, onde geralmente a doença é ligada a fatores referentes a sentimentos de perda ou de tristeza. É Obvio que a tristeza naturalmente faz parte do sentimento humano em reação as situações que o circundam como: A perda, a derrota ou a decepção e entre outras. Este texto converge no uso do termo "depressão" como um conjunto de sinais que indicam necessidade da atenção profissional médica e psicológica. (Todas as citações abaixo pertencem ao livro Transtornos mentais e espiritualidade).
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"Neste contexto, a depressão pode ser (Del Porto,2000): "
- Um sintoma presente em várias condições clínicas (por exemplo: alcoolismo, pós-infarto do miocárdio, câncer) ou uma forma de reação a uma situação estressante (por exemplo: perda de uma situação financeira instável, rompimento de uma relação afetiva).
- Uma síndrome, constituída primeiramente por alterações do humor, acompanhadas de alterações cognitivas (prejuízo no desempenho intelectual), psicomotoras (lentificação ou inquietação) e vegetativas, com alterações do sono e do apetite. (...)
"Sintomas físicos:"
- Alterações do sono: a insônia intermediária (vários despertares no meio da noite com dificuldade de voltar a dormir) (...)
- Alterações do apetite: anorexia, com perda de peso ou exagero da vontade de comer,especialmente carboidratos e doces.
- Diminuição do interesse sexual.
- Sensação de peso nos braços e nas pernas.
- Dores crônicas: podem mascarar o humor depressivo. As queixas mais comuns são dor lombar, dor de cabeça, tórax, abdômen, ombros...
"Nas diversas classificações dos transtornos depressivos, a distinção mais importante a ser feita é aquela entre o que chamamos de Transtorno Depressivos Maior e a Distimia. As principais diferenças entre os dois quadros clínicos são a intensidade e a duração dos sintomas: mais leve e crônico na distimia, mais intensa e aguda na depressão maior. Abaixo listamos as principais características para o diagnóstico de cada uma dessas condições, de acordo com a classificação da Associação Psiquiátrica Americana (APA,1995)."
"Para depressão maior: "
- Humor deprimido na maior parte do tempo, quase todos os dias (em crianças e adolescentes pode ser humor irritável).
- Diminuição do interesse/prazer por quase todas as atividades, quase todos os dias.
- Alteração do apetite e peso.
- Alteração do sono quase todos os dias.
- Agitação ou lentidão motora.
- Fadiga ou perda de energia quase todos os dias.
- Sentimentos de inutilidade ou culpa excessiva quase todos os dias.
- Diminuição da capacidade de pensar ou de se concentrar/ indecisão quase todos os dias.
- Pensamentos de morte recorrentes/ideação suicida.
- Os sintomas persistem por mais de dois meses.
"Para a distimia:"
- Humor deprimido na maior parte do tempo, quase todos os dias, por pelo menos dois anos (em crianças e adolescentes pode ser o humor irritável e a duração é de pelo menos um ano)
- Alteração do apetite e do peso.
- Alteração do sono.
- Sensação de baixa energia.
- Baixa autoestima.
- Diminuição da capacidade de concentração/diminuição de tomar decisões.
"Resumindo, os principais sinais e sintomas da depressão:"
- Humor depressivo, desânimo, tristeza desproporcional ás circunstancias.
- Insônia ou hipersônia (dormir mais que o habitual)
- Aumento exagerado ou diminuição do apetite.
- Diminuição ou perda do prazer pelas coisas.
- Sentimentos e ideação de culpa exagerados ou irracionais.
- fadiga ou sensação de perda de energia
- diminuição da capacidade de concentração.
- Diminuição da capacidade de tomar decisões.
- Agitação e lentidão motora.
- Pesamentos, planos ou tentativas de suicídio.
Faltavam duas semanas pra mudança, em uma quinta-feira pela manhã, eu me preparava para ir a casa, terminar a pintura externa. No caminho como sempre ouvi dizerem coisas que até hoje não sei eram dirigidas a mim ou se eram os espíritos ou se não passavam de imaginações de minha própria mente depressiva. Chegando lá no começar o serviço não foi diferente, passava quase todo o tempo ouvindo aquelas vozes.
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Ouvi: "Vê o capricho com que ela tem..." "A pintura da casa está ficando boa!"
E ao me levantar vi que tinha uma rachadura na parede, pensei: Onde será que eu coloquei a massa corrida? Preciso tampar essa rachadura.
Minutos se passaram e eu não achava tal massa corrida, desistindo de procurar, comecei a pintar outra parede e quando eu nem mais me lembrava da tal rachadura, escutei: "Quer ver?..." "Raquely!..." "Lá fora, perto do tanque atrás do balde ta lá!
Na curiosidade eu sai em direção a área de serviço, e atrás do balde vi a massa corrida. E no mesmo instante em que peguei a lata, ouvi gargalhadas... Senti que riam de mim, desconfiada olhei para os dois lados nos muros vizinhos, tanto o da direita, quanto o da esquerda de minha casa.
E não vi nada, mas os risos continuavam perturbadoramente, pensei que pudessem ser as crianças na casa vizinha, então fui até a parede onde estava a rachadura para a tampar, terminando, retornei a pintura da parede e um certo silêncio se estabeleceu. Uma hora se passou, quando procurava a lixa de parede que havia comprado naquela mesma tarde, não lembra onde havia posto, de repente escutei em meio a risos: O que será que esta mulher procura agora?
Nervosa, desconfiada que alguém tivesse me observando, desisti da pintura externa e fui para dentro da casa dar as ultimas demãos de tinta na sala. Algumas horas mais tarde, a luz do dia já estava se indo e como não tinha energia elétrica na casa, seria prudente que parasse com o serviço, entretanto teimosamente decida a terminar o que fazia continuei. Ao escurecer parei, olhei para minhas mãos, braços, pés, roupa, pensei: Parece tomei um banho tinta, e agora como vou embora para casa? Mesmo que eu troque de roupa, não terei coragem de sair daqui desta forma deplorável!
Então peguei uma esponja embebecida de removedor e de forma desesperada a esfreguei nos braços e nos pés, depois pegando o detergente pra tirar aquele cheiro insuportável, praticamente tomei banho no tanque, fazia frio e a água era fria obviamente, ao me sentir limpa na medida do possível, olhei meu rosto num espelhinho vendo que havia resquícios de tinta ainda, de forma persistente lavei meu rosto no intuito de tirar manchas, depois fui para dentro da casa, vendo os vidros quebrados dos vitros que ainda não tinha sido trocados, pensei: Como vou trocar de roupa agora? Com o quarto cheio de latas, pisos e com toda aquela bagunça no escuro não dá... Há, estou só aqui, por que me preocupo?
No eu tirar minha blusa, ouvi algo como se fosse passos do lado de fora da cozinha, assustada peguei a camiseta limpa de cima da cadeira e a pus de forma desesperada, sai no quintal não havia nada lá fora com que eu devesse me preocupar.
Então, mais tranquila, voltei pra dentro, terminando de me trocar, saindo para a área de serviço procurando o foco de luz que vinha da rua olhei mais uma vez meu rosto, me sentia horrorosa com o que via, cheguei a me arriscar em passar um pouco de base, quando ouvi em meio rizadas: "O que ela faz por lá ainda?..." "Cara olha só..." "Não..." "Definitivamente ela não sabe se maquiar!"
Com isso sai rapidamente daquela casa, imaginando, mesmo sem saber de onde nem como, mas acreditava, que alguém poderia sim estar me observando e desta vez acreditava no pior que eram realmente pessoas, homens! O medo foi grande, até chegar em casa e me sentir segura.
Umas dez horas da noite, eu arrumava a cama para dormir, André vendo isso me disse: Já vai dormir?
Sim, por que? Eu perguntei.
Tá cedo Raquely, vai passar aquele filme, lembra? Você disse que queria assistir. Disse André.
Respondi: Estou cansada André, preciso dormir, estou com o serviço desta casa todo pra fazer e ainda tenho que ir pintar a outra.
Ele Reclamou: Você não fica mais conosco, só fica se isolando da gente e já faz tempo que noto isso, mal te vejo e não me diga que sua vida ta corrida, pois a minha também está e nem por isso deixei de te dar atenção!
Como me diz isso André? Se ontem mesmo ficamos até tarde conversando, agora me desculpe, estou precisando descansar! Eu disse.
Com isso ele saiu chateado para cozinha, então fui a sala assistir o filme com ele, passados uns minutos ele me disse: Vá dormir se quiser, não se preocupe, está tudo bem!
Então me levantando lhe dei um beijo e fui para o quarto, peguei a bíblia para ler como de costume, quando escutei um barulho muito esquisito vindo da lavanderia, Boby, um dos nossos cachorros que ficava só por lá, parecia acoado, amedrontado andando de um lado para o outro e uivava de forma estranha por alguns instantes. Percebendo isso fui até a porta da cozinha e o chamei, quando ele se aproximou vi bem abaixo de seus olhos sangue escorrendo como se fossem lágrimas de sangue, a principio, preocupada pensei que ele pudesse ter sido envenenado, mas não, não tinha como isso acontecer os muros da casa eram muito altos e ele estava na lavanderia nos fundos da casa e como meus vizinhos tinham cachorros e como tal gostavam de animais, descartei essa hipótese. André e as crianças o viram e também notaram o comportamento estranho do cachorro, André vendo o sangue que escorria no rosto de Boby disse: Nossa, o que será isso? Carrapato, talvez este cachorro tá doente precisamos ver o que é isso!
Uns instantes depois limpando o sangue que parecia ter parado de correr, Boby estava mais tranquilo, fechamos a porta André e as crianças foram pra sala e eu para o quarto dormir quando quase pegava no sono, fui acordada, novamente com o barulho de boby, em seguida escutei aquela mesma voz de sempre, do espirito: "Eu vou mata esse cachorro!... Morre animal estupido!"
O que mais me impressionou foi toda a movimentação que o cachorro fez, após isso, ele parecia mais coado do que antes, correndo de uma maneira desesperada como se fugisse de algo. André vindo para o quarto dormir, eu o contei que Boby parecia assustado e pedi que ele desse uma olhadinha nele. André disse: Não é nada não, ele já parou!
No dia seguinte o cachorro parecia melhor e não vi mais o sangue em seus olhos. Neste dia vieram a minha casa, minha mãe e meu irmão Luiz, que veio nos dar uma ajuda com reforma da casa. Foi um bom fim de semana, Selma e Paulinho também estiveram conosco.
Na segunda-feira André preocupado em acabar de por os pisos, foi naquela tarde a casa, tivemos uma breve discussão, que me deixou extremamente ressentida com ele, muito chateada fui lavar as mãos no tanque da área de serviço, já me preparando para ir embora, ele vindo na porta me disse: Desculpa, mas você sabe como sou, não gosto de palpites, ainda mais quando estou fazendo algo de que não curto fazer!
Continuei calada, lavando as mãos, no que ele entrou na casa, escutei em meio a risos: "Daqui nós a veremos todos os dias!"
Meu nervoso era tanto que nem dei importância ao que escutei. Indo para o portão André me chamou dizendo: Raquelzinha não vá embora, preciso que fique e você já sabe que se eu não acabar com isso hoje, não teremos mais tempo, entraremos nesta casa sem os pisos.
Eu disse: Tá bom, mas me faça um favor, não peça que eu fique o tempo todo ai com você! Eu vou rejuntar os pisos do quarto, se precisar de minha ajuda me chame, entendeu?
Correto! Ele respondeu.
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E não vi nada, mas os risos continuavam perturbadoramente, pensei que pudessem ser as crianças na casa vizinha, então fui até a parede onde estava a rachadura para a tampar, terminando, retornei a pintura da parede e um certo silêncio se estabeleceu. Uma hora se passou, quando procurava a lixa de parede que havia comprado naquela mesma tarde, não lembra onde havia posto, de repente escutei em meio a risos: O que será que esta mulher procura agora?
Nervosa, desconfiada que alguém tivesse me observando, desisti da pintura externa e fui para dentro da casa dar as ultimas demãos de tinta na sala. Algumas horas mais tarde, a luz do dia já estava se indo e como não tinha energia elétrica na casa, seria prudente que parasse com o serviço, entretanto teimosamente decida a terminar o que fazia continuei. Ao escurecer parei, olhei para minhas mãos, braços, pés, roupa, pensei: Parece tomei um banho tinta, e agora como vou embora para casa? Mesmo que eu troque de roupa, não terei coragem de sair daqui desta forma deplorável!
Então peguei uma esponja embebecida de removedor e de forma desesperada a esfreguei nos braços e nos pés, depois pegando o detergente pra tirar aquele cheiro insuportável, praticamente tomei banho no tanque, fazia frio e a água era fria obviamente, ao me sentir limpa na medida do possível, olhei meu rosto num espelhinho vendo que havia resquícios de tinta ainda, de forma persistente lavei meu rosto no intuito de tirar manchas, depois fui para dentro da casa, vendo os vidros quebrados dos vitros que ainda não tinha sido trocados, pensei: Como vou trocar de roupa agora? Com o quarto cheio de latas, pisos e com toda aquela bagunça no escuro não dá... Há, estou só aqui, por que me preocupo?
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No eu tirar minha blusa, ouvi algo como se fosse passos do lado de fora da cozinha, assustada peguei a camiseta limpa de cima da cadeira e a pus de forma desesperada, sai no quintal não havia nada lá fora com que eu devesse me preocupar.
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Então, mais tranquila, voltei pra dentro, terminando de me trocar, saindo para a área de serviço procurando o foco de luz que vinha da rua olhei mais uma vez meu rosto, me sentia horrorosa com o que via, cheguei a me arriscar em passar um pouco de base, quando ouvi em meio rizadas: "O que ela faz por lá ainda?..." "Cara olha só..." "Não..." "Definitivamente ela não sabe se maquiar!"
Com isso sai rapidamente daquela casa, imaginando, mesmo sem saber de onde nem como, mas acreditava, que alguém poderia sim estar me observando e desta vez acreditava no pior que eram realmente pessoas, homens! O medo foi grande, até chegar em casa e me sentir segura.
Umas dez horas da noite, eu arrumava a cama para dormir, André vendo isso me disse: Já vai dormir?
Sim, por que? Eu perguntei.
Tá cedo Raquely, vai passar aquele filme, lembra? Você disse que queria assistir. Disse André.
Respondi: Estou cansada André, preciso dormir, estou com o serviço desta casa todo pra fazer e ainda tenho que ir pintar a outra.
Ele Reclamou: Você não fica mais conosco, só fica se isolando da gente e já faz tempo que noto isso, mal te vejo e não me diga que sua vida ta corrida, pois a minha também está e nem por isso deixei de te dar atenção!
Como me diz isso André? Se ontem mesmo ficamos até tarde conversando, agora me desculpe, estou precisando descansar! Eu disse.
Com isso ele saiu chateado para cozinha, então fui a sala assistir o filme com ele, passados uns minutos ele me disse: Vá dormir se quiser, não se preocupe, está tudo bem!
Então me levantando lhe dei um beijo e fui para o quarto, peguei a bíblia para ler como de costume, quando escutei um barulho muito esquisito vindo da lavanderia, Boby, um dos nossos cachorros que ficava só por lá, parecia acoado, amedrontado andando de um lado para o outro e uivava de forma estranha por alguns instantes. Percebendo isso fui até a porta da cozinha e o chamei, quando ele se aproximou vi bem abaixo de seus olhos sangue escorrendo como se fossem lágrimas de sangue, a principio, preocupada pensei que ele pudesse ter sido envenenado, mas não, não tinha como isso acontecer os muros da casa eram muito altos e ele estava na lavanderia nos fundos da casa e como meus vizinhos tinham cachorros e como tal gostavam de animais, descartei essa hipótese. André e as crianças o viram e também notaram o comportamento estranho do cachorro, André vendo o sangue que escorria no rosto de Boby disse: Nossa, o que será isso? Carrapato, talvez este cachorro tá doente precisamos ver o que é isso!
Uns instantes depois limpando o sangue que parecia ter parado de correr, Boby estava mais tranquilo, fechamos a porta André e as crianças foram pra sala e eu para o quarto dormir quando quase pegava no sono, fui acordada, novamente com o barulho de boby, em seguida escutei aquela mesma voz de sempre, do espirito: "Eu vou mata esse cachorro!... Morre animal estupido!"
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O que mais me impressionou foi toda a movimentação que o cachorro fez, após isso, ele parecia mais coado do que antes, correndo de uma maneira desesperada como se fugisse de algo. André vindo para o quarto dormir, eu o contei que Boby parecia assustado e pedi que ele desse uma olhadinha nele. André disse: Não é nada não, ele já parou!
No dia seguinte o cachorro parecia melhor e não vi mais o sangue em seus olhos. Neste dia vieram a minha casa, minha mãe e meu irmão Luiz, que veio nos dar uma ajuda com reforma da casa. Foi um bom fim de semana, Selma e Paulinho também estiveram conosco.
Na segunda-feira André preocupado em acabar de por os pisos, foi naquela tarde a casa, tivemos uma breve discussão, que me deixou extremamente ressentida com ele, muito chateada fui lavar as mãos no tanque da área de serviço, já me preparando para ir embora, ele vindo na porta me disse: Desculpa, mas você sabe como sou, não gosto de palpites, ainda mais quando estou fazendo algo de que não curto fazer!
Continuei calada, lavando as mãos, no que ele entrou na casa, escutei em meio a risos: "Daqui nós a veremos todos os dias!"
Meu nervoso era tanto que nem dei importância ao que escutei. Indo para o portão André me chamou dizendo: Raquelzinha não vá embora, preciso que fique e você já sabe que se eu não acabar com isso hoje, não teremos mais tempo, entraremos nesta casa sem os pisos.
Eu disse: Tá bom, mas me faça um favor, não peça que eu fique o tempo todo ai com você! Eu vou rejuntar os pisos do quarto, se precisar de minha ajuda me chame, entendeu?
Correto! Ele respondeu.
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Meia hora depois, eu ouvia uma falação em frente a casa, algumas pessoas brigavam e ferozmente se insultavam, triste de ouvir tantas palavras de ódio, me lembrando também do atrito que tivemos em casa, pedi a Deus: Senhor, por favor pare com essa terrível briga, sei que somos todos falhos e não somos merecedores de teu amor, mas é em nome de teu filho amado Jesus Cristo, que te peço, traga a paz a nossos corações... E que se cesse todas as palavras e os sentimentos ruins!
Nisto André me chamou pedindo que pegasse alguns pisos que estavam na sala, chegando a cozinha ele me disse: Olha, falta pouco! Você não está com fome?
Não! Eu respondi.
Raquely, você nem almoçou hoje! Como não está com fome? Ele me perguntou.
Eu lanchei antes de sair de casa amor, não se preocupe! Eu o disse.
André disse: Eu vou no mercado comprar algo pra comermos, o que você quer que eu traga?
Há sei lá, compre o que achar melhor! Respondi.
Tá chateada comigo ainda né? Ele me disse.
Não, está tudo bem, não se preocupe! Respondi.
Quando André saiu, o silêncio se fez e a briga lá de fora parecia ter acabado. No entanto neste mesmo minuto, comecei ouvir as vozes de quem eu acreditava ser de pessoas próximas a minha casa, ouvi: "Você já viu filha dela?..." "Não vi, é bonitinha é?..." "Uma gatinha!..." "E o Fulano, cara, ficou loco quando viu essa mulher, até disse que a tomaria dele!..." "A mulherada daqui tava dizendo que iam bater nela!..." "São um bando de invejosa!..."
Não sei dizer como, mas senti um medo inexplicado, não de apanhar e sim por que temia pela vida de meu marido pois muitas das vezes em que ouvia coisas desse tipo lembrava das ameaças de morte feitas pelos espíritos, como já disse a vocês, acredito que muitas dessas vozes que escutava, como o pânico que nutria por causa da doença e as coisas estranhas que aconteceram em vida neste tempo eram obras do maligno e sendo ou não pessoas que tivesse falado isso, era só para o tormento de minha alma.
Confie na medicina!
Guarde a sua vida nas mãos de Deus!
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No dia seguinte acordamos cedo e fomos casa, restava pouco para acabar com o que havíamos sido combinado de fazer na casa, neste dia as crianças foram conosco. Fazia um lindo dia ensolarado, no caminho vimos um fenômeno inusitado no céu, vimos círculos em volta e próximos ao sol, ao mesmo tempo que me deslumbrei com o que via, senti uma certa estranheza no ver um fenômeno no qual nunca presenciei antes.
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Admirada com o que via eu disse: Olha o que será que é aquilo? Que lindo!
André de forma sarcástica, vendo toda aquela minha admiração, soltou um sorriso e falou: É um aviso, que o mundo pode estar no fim!
Para de chacotas André! Eu disse.
E aos risos ele disse: Brincadeirinha Raquelzinha, mas que vai ter gente dizendo essas bobagens há, isso vai!
Chegando na casa, eu finalizava a pintura externa, André colocava os poucos pisos que restavam na cozinha. Pela tarde eu pintava a frente da casa e André parou e ficou observando meu serviço, então lhe perguntei: Já acabou lá?
Ele disse: Faltam uns cinco pisos acho que vou deixa pra amanhã.
Mas amanhã você não disse que tinha de ir a escola? Eu perguntei.
Então, mas tarde estarei livre. Ele respondeu.
Eu o disse: Hum... Mas não será mais cansativo deixar isso para amanhã? Falta pouco André, porque não termina hoje? Será algo a menos pra se preocupar!
E você tá difícil ai? Ele perguntou.
Por que diz isso? Está tão ruim assim a pintura? Eu perguntei.
Não, tá bom só que você demora muito, não precisa dar tantas demãos de tinta assim, lembre-se que não fizemos a pintura da cozinha ainda e a tinta já está pouca. André falou.
Tá, mas olha só esta parede está toda irregular! Eu o disse.
Nisto André foi pintar a área de serviço e no mesmo momento em fique só ali ouvi: "Sua burra, não tem nada irregular, é só virar o rolo!"
Não era a voz de André, olhei para rua e não vi ninguém parado ali na frente, pensei que pudesse ser que alguém da casa ao lado. E o pior foi que no eu endireitar o rolo, consegui melhor resultado. Pensei: Devo ser uma idiota mesmo!
Algumas horas depois fomos pra casa, no entrar no banheiro pra tomar banho, escutei vozes que pareciam estar longe, como se fossem um coral, cantavam um hino de uma forma estranha, que aos poucos parecia ter um o som mais e mais perto, até que ouvi meu nome na tal musica, diziam: Nãooo... Não tenha medo! Sou eu Raquely!
Ao ouvir isso, me lembrei de uma outra noite onde havia ouvido algo parecido em meu quarto, cheguei a pegar um papel e anotar algumas frases no intuito de entender a mensagem passada pelos espíritos, parecia ser a mesma musica, no entanto não conseguia entender o que diziam as vozes se embaralhavam com sons de instrumentos. Acredito que pode ter sido o cansaço e o stress daqueles dias somados aos sintomas depressivos que tivessem me feito ouvir tal coisa. E diante de tal fraqueza, os espíritos viram uma porta aberta e entraram em sintonia com a minha mente para a deixar mais confusa do realmente já estava. A porta pode ter sido minha curiosidade ao anotar tais frases pra tentar as decifrar. Nunca tente decifrar o além da vida, você não tem controle nenhum sobre isso.
Mais tarde fui para o quarto dormir, no me deitar não conseguia dormir de minuto em minuto ouvia as vozes, até que abri a cortina e comecei a observar o céu e pedi a Deus que se cessasse com aquelas vozes, quando ouvi: "Eu não vou embora? Se é isso que você quer..."
Pensei: O que você quer de mim?
E mais uma vez ouvi: "Você não sabe, mas você sempre foi minha, esse cara não presta!... Ele quis tirar você de mim... Eu não a deixarei... Não a deixarei... "
Pensei: Porque esse espírito não me deixa em paz meu Deus o que eu fiz?
E ouvi vozes de mais um espírito, pareciam discutir: "Eu não vou..." "Porque?..."
Pensei: O que você quer de mim? Deixa eu viver minha vida, siga a luz de Deus. Talvez nos veremos em outras vidas, mas agora me deixa em paz!
Ouvi Risos e neste momento nem havia percebido que André estava entrando no quarto, no ele deitar na cama, escutei a uma voz, só que de uma forma bem mais clara das que já tinha ouvido, era diferente e próximo a cabeceira num tom alto ouvi: Essa mulher não presta André!
E senti como se tivessem passado de um lado para o outro do quarto, e de repente associei a tal voz com a de um falecido amigo de André.
O silêncio se fez e só horas depois que fui conseguir dormir.
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Agora vou retornar a minha história..."
No dia seguinte pela manhã, ao acordar senti uma tristeza sem sentido e só me vinham pesamentos como: "Você não merece estar viva... Você não tem valor algum!" Por que estou aqui ainda? Se não sou útil a ninguém, não faço nada que tenha sua devida importância, não tenho nenhuma profissão, não trabalho em nada a não ser cuidar desastrosamente de meus filhos, mal consigo lhes dar a devida atenção... As pessoas na rua zombam de mim por minhas atitudes descabidas. Meu marido parece não me amar mais... Que faço de mim? Se em minha covardia não consigo nem dar um fim a tudo isso!
Comecei chorar dando pequenos soluços temendo que meu marido me ouvisse, mas em poucos minutos ele acordou e num rápido movimento se virando para mim disse: Raquely! O que houve? O por dessas lágrimas?
André eu não sou digna de meus filhos, de seu amor, não sou útil a ninguém, não faço nada direito! Nem sei se você me ama ainda, por que eu estou aqui? Por que vim a este mundo? Sou uma inútil mesmo! Eu disse.
Para com essas bobagens, eu te amo sim e muito, e seus filhos precisam de você, você é muito útil sim! É uma boa mãe e esposa, cuida de nosso bem estar e sempre se preocupa com todos só precisa se lembrar um pouco mais de si mesma! Disse André.
Eu disse: Não, eu não mereço vocês, eu sou um verdadeiro peso em sua vida! André eu quero morrer, as vezes sinto vontade de acabar com tudo.
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Ele me disse: Há, quer se matar agora? Deste jeito vou pensar que é você quem não me ama! Pensa, em tudo o que construímos juntos, sem você nada disto seria possível, nem nosso filhos estariam aqui.
Com isso passaram se uns minutos em que estivemos abraçados e me acalmando, fui ao banheiro lavei meu rosto, para mais um dia de minha vida, onde ninguém nem mesmo eu pude notar que caia no abismo tenebroso que é da depressão.
Indo para a nossa casa e decidida a terminar com o que restava da sua pintura, no caminho vi uma grande movimentação de pessoas que trabalhavam para partidos políticos, pois era época de eleição, passando por algumas mulheres que lá estavam, escutei: "Essa mulher enlouqueceu de vez, hoje ouvi ela dizendo que se mataria..." "É? Então por que não se joga da ponte essa desgraçada?"
E andando mais adiante, me sentindo desolada com o que ouvia, ouvi mais um a vez com o que parecia o som de muitas vozes que diziam: Não tem coragem? Morre sua ridícula! Vai acaba com essa sua vida inútil!
Foi um terrível choque para mim ouvir aquelas vozes ferozes cheias de maldade, que na época eu pensava ser vindas daquelas pessoas, no entanto, hoje sei que não, acredito que eu em minha doença possa ter imaginado tais coisas, como também por minha fraqueza espiritual fui atormentada pelo mal.
Um dia antes da mudança no sábado minha sogra, meu cunhado e Júlia nos ajudavam com os últimos preparativos da mudança. Conversamos na cozinha quando Selma me disse: No que posso te ajudar? Parece que aqui você já encaixotou tudo?
Respondi: Aqui sim, só faltam guardar umas poucas coisas nos quartos, mas o que está mais me preocupando é a outra casa, que está com o piso todo sujo de tinta e mal tiramos as bagunças da reforma lá de dentro.
Então vamos logo pra lá, o que estão esperando? Perguntou Selma.
Passados uns minutos André e Paulinho colocavam algumas das caixas no carro para levar a outra casa e Paulinho disse: Raquely não é melhor que fiquem ai arrumando o que falta?
Não, aqui está quase tudo pronto no entanto, a outra casa tá uma caos. Respondi indo para a sala pegar mais uma caixa.
E Paulinho aos risos disse a André: Nossa, como ela deu conta? Você não tava aqui ontem quem a ajudou?
Há, ela arrumou aos poucos durante essa semana! Respondeu André.
Dando um sorriso sarcástico, perguntou Paulinho: Mas também não foi ela quem pintou a casa? E o que você fez cara?
Paulo, eu trabalho fora, ela não pintou a casa toda sozinha não, e foi eu quem pôs os pisos da cozinha e do quarto! Disse André.
Ouvindo isso eu falei a André: Você me ajudou a pintar? Quando?
Quem pintou as portas? Me perguntou André.
Há, ai sim, você pintou as portas, agora, a casa toda, fui eu que pintei! Eu disse a André.
Paulinho rindo muito, disse: Melhor deixa isso pra lá!Cara você só dá um de Zé Migue!
E todos caíram na rizada.
Eu os disse: Esperem, eu vou pegar alguns produtos de limpeza na lavanderia, já volto!
No momento em que eu pegava os produtos escutei vozes vindas da casa vizinha: "É hoje que eles vão se mudar?..." "Não sei quando, mas hoje, acho que não! Você não sabe a alegria que sinto, só de saber que não vou mais ouvir essas musicas irritantes dessa mulher... Acho que vou dar até uma festa, quando ver o caminhão de mudança, já até to pensando que musica vou por... E vai rolar a festa, vai rola, que vai rola a festa... Vai rola! Não vejo a hora!"
E quando eu fui ao quarto para pegar a vassoura que estava lá, passado pelo corredor ouvi mais uma vez, a voz que julgava ser da vizinha: Está louca ficava o dia todo ouvido musica, que quase eu, que enlouqueço!
Em seguida ouvi dizerem coisas zombando de mim: "Sua ridícula! Tá me ouvido?..." "Você já viu está ridícula Juana?..." Não?..." "Então precisa ver..."
E eu fiquei tão nervosa que cabei dando um grito olhando para a parede de onde eu achava que ela estava do outro lado, falei: Eu é quem não suporto mais tanta maldade, sua fofoqueira!
E eu fiquei tão nervosa que cabei dando um grito olhando para a parede de onde eu achava que ela estava do outro lado, falei: Eu é quem não suporto mais tanta maldade, sua fofoqueira!
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Nisto escutei risos, muitos risos vindos da casa vizinha, isso era o que eu achava na época o que me deixava muito triste pois nunca quis provocar a irá nas pessoas, e eu acreditava mesmo ser odiada por aquela vizinha.
Paulinho vendo aquela minha atitude de loucura, estranhou e me perguntou: Raquely? O que foi?
Então eu fiz um gesto apontando para a parede, tentando explicar o motivo de meu desequilibro, a vizinha. E Paulinho saiu em direção a sala, notei que ele dizia algo num tom baixo para o André: A Raquely tá estranha cara... Ela deu pra falar sozinha agora? É melhor você ficar atento!
Que... Não nada, ela só tá nervosa com a correria da mudança, não conhece ela não? Falou André.
Minutos depois, chegando a casa, lembrei que faltavam pintar a duas paredes da cozinha. Enquanto Júlia e Paulinho lavavam a sala e o quarto, Selma nos ajudava a terminar a pintura da cozinha. Instantes mais tarde percebi que Júlia chamou Selma na sala, elas cochichavam, ouvi Júlia dizer: Que droga!
Depois ouvi algumas palavras do que dizia Selma: Não tem nada não!Então eu fiz um gesto apontando para a parede, tentando explicar o motivo de meu desequilibro, a vizinha. E Paulinho saiu em direção a sala, notei que ele dizia algo num tom baixo para o André: A Raquely tá estranha cara... Ela deu pra falar sozinha agora? É melhor você ficar atento!
Que... Não nada, ela só tá nervosa com a correria da mudança, não conhece ela não? Falou André.
Minutos depois, chegando a casa, lembrei que faltavam pintar a duas paredes da cozinha. Enquanto Júlia e Paulinho lavavam a sala e o quarto, Selma nos ajudava a terminar a pintura da cozinha. Instantes mais tarde percebi que Júlia chamou Selma na sala, elas cochichavam, ouvi Júlia dizer: Que droga!
E Paulinho: Vichi! Saiu a tinta!
André indo até a sala falou: Não tem problema! Depois eu dou outra demão de tinta.
No André voltar a cozinha, começamos conversar sobre algo de que não me lembro agora, nisto Selma, falando num tom baixo cogitou que eu ficaria brava pela tinta removida, Júlia nervosa me ironizou: Era só o que me faltava, além de ajudar, vou ter que ouvir ela dizer... "Que merda, manchou tudo, tá vendo que droga vai ter que pintar tudo de novo!"
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Uma meia hora depois Paulinho passava da sala pra cozinha procurando o pano de chão, André vendo isso me disse: Cadê o pano de chão?
Eu deixei na janela da sala não tá lá? Eu o perguntei.
E Paulinho disse: Não tem um outro mais sedo?
Respondi: Tem sim no varal lá fora!
Na hora que Paulinho saia eu o chamei: Paulinho vem aqui!
Ele disse: Hum...
Falei a ele cuidadosamente num tom baixo: O que houve lá na sala? vocês pareciam preocupados com alguma coisa.
Ele respondeu: É que saiu um pouco da tinta do piso da sala.
Há... Bobagem, diga a Júlia que não tem problema, aquela tinta mais cedo ou mais tarde sairia mesmo, eu falei para o André que não adiantava passar aquilo no chão! Fala pra Júlia ficar sossegada! Judiação!
Paulinho indo a sala com André, disse de forma encabulada a Selma e Júlia: Tá vendo ela ouviu tudo!
E André disse: Como eu já tinha dito não tem problema Júlia!
E ainda ela disse que não é pra você se chatear! Disse Paulinho.
Selma disse: Como ela conseguiu ouvir? Falávamos baixo.
Dando rizadas disse André: Ela faz o serviço dela distraída, mais parece estar antenada, fica esperta mãe!
E Paulinho disse: E o impressionante é que ela não se aborreceu com o que ouviu e ainda até se preocupou com o que Júlia pensava dela!
André riu e Paulinho disse: Tá tirando o sarro né, é porque elas não falavam de você!
A tarde quando terminamos de organizar com o que faltava na casa para mudança, dei uma observadinha no que seria o nosso novo lar.
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E pensei: Não é igual aquela casa com piscina que tanto gostei morar, não é aquela linda casa naquela chácara enorme que alugamos e na qual sonhei tanto em comprar, não é no tamanho nem nas medidas e proporções com que sonhávamos, mais fim, não é mais uma casa alugada que iremos morar, é nossa casa, e com uma vantagem maravilhosa, moraremos em torno a um verdadeiro paraíso natural com este.
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No dia da mudança deixamos tudo pronto até o fim da tarde e o caminhão terminou de ser carregado com nossos pertences já quase umas seis horas da tarde, chegando a casa, que por sinal, ainda estava sem energia elétrica, foi difícil arrumar com as poucas coisas que se pode organizar para pelo menos termos um espaço para dormir no meio de toda aquela bagunça generalizada, pois havíamos saído de uma casa relativamente grande, para uma casa pequena, onde nem todos nossos pertences cabiam.
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Ao acordar me vendo em meio a todas aquelas caixas não sabia nem por onde começar, passadas algumas horas, pouco a pouco consegui organizar a cozinha. E pela tarde dei uma pequena ordem no quarto. Muitos de nossos moveis se deterioram com as várias mudanças que tivemos de fazer num tão curto espaço de tempo. No meu quarto; o guarda-roupa já não tinha mais as portas, a cama por sorte conseguimos montar, quanto as crianças; passaram a dormir na sala pois a casa só possuía um dormitório e já não se tinha mais onde guardar as roupas deles além de uma comoda praticamente destruída, de suas camas montadas na sala uma foi descartada devido ao pouco espaço, da sala; só restou um sofá de dois lugares que não sabia onde por e uma estante onde guardei alguns utensílios de cozinha e a TV, na cozinha; só nós restaram duas partes do que era o armário de cozinha, uma mesa e três cadeiras que foram consertadas com pregos e duas geladeira geladeiras sendo que uma foi utilizada como armário. E o pior foi que com os gastos que tivemos naqueles últimos tempos não se poderia repor nada do que perdemos.
Três dias se passaram, e ainda faltavam muitas caixas a serem desfeitas, roupas a serem guardadas, livros e livros que não sabia onde por, brinquedos, sapatos... Naquela tarde eu me lembro, estava só e com a casa toda fechada, fazia um dia lindo de sol mas nem assim abri as janelas, como já disse me sentia vigiada. Me recordo de estar arrastando a comoda para a parede de onde fica o vitro da sala quando vi de relance o que parecia ser um moleque observando meus movimentos dentro da casa, mas estranhamente não me preocupei de verificar se tinha alguém mesmo la fora, continuei com serviço. Indo ao meu quarto comecei a tirar as roupas de dentro do saco plastico, me sentando no chão comecei a escutar: "Isso fica sentadinha bem ai!..." "Ho, coisa boa..." "Vira pra cá!..."
Assustada me levantei, fui até o vitro da sala e o abrindo olhei e não vendo nada lá fora, pensei: Só pode ser essas almas penadas, que droga, quando vou ter um pouco de sossego?
Retornei ao quarto e mais uma vez escutei: "Vira pra cá!..." "Cara ela me ouve, você viu!..." "Não ela não nos ouve se não já estaria bem assustada!..." "Então observe!
No me levantar escutei várias vozes dizendo tudo quanto eram coisas pervertidas, eu relutei para não me perturbar com aquilo e de forma inútil tentava me concentrar no que estava fazendo, mas foi impossível, pois eu não parava de ouvir aquelas vozes tenebrosas. E no instante que agachei-me pra guardar umas roupas na gaveta da comoda da sala, escutei: "É linda de mais pra tá morando em um casebre deste..." "Ela é muito especial pra ser desse cara!..."
E quando eu ia me levantando, senti um vento gelado soprando sobre minha cabeça e ombros, escutei uma voz assombrosa que dizia: Tá vendo, tudo isso, você deve a mim!
Youtube / Enviado por Marco Pablo de almeida em 20 de jun de 2010
"Neste trecho do filme o Diabo se revela: vaidade, meu pecado
favorito. Ele (o diabo) sabe usar bem isso!"
Aqui está um trecho do livro que li, Transtornos Metais & Espiritualidade, fica ai um bom motivo para nós revermos nossos conceitos!
"Um dos filmes mais impressionantes que já assisti foi o Advogado do diabo. O filme conta a história de Kevin Lomax, um bem sucedido advogado do interior da Florida, que nunca perdeu uma causa.O seu sucesso atraiu a atenção de um poderoso empresario de Nova York, John Milton ( Al Pacino ) que o convidou para trabalhar em sua empresa com um alto salário e com muita regalias.O fascínio das riquezas e dos bens materiais, com tudo não produzira a felicidade da família do advogado. Sua esposa Mary Ann, oprimida por forças e visões demoníacas é levada ao suicídio. Lomax descobre então que Milton é seu pai. Sua mãe havia sido seduzida por ele durante um congresso evangélico Newyork. No fim da trama, John Milton quer que Lomax possua asua filha, para que o anticristo seja gerado. Desesperado, Lomax se mata com um tiro na cabeça. Este filme traz um retrato da nossa sociedade, sem Deus e sobre a influência espiritual do Diabo. Mostra como o diabo usa a vaidade e a avareza para destruir as pessoas e as famílias. Ele com a sutileza e sedução, explora o orgulho humano. A frase que mais se destaca no filme usada sempre pelo o Diabo é, 'a vaidade, meu pecado predileto.' Logo, este assunto, não pode ser visto apenas como uma ficção ou uma peça peça cinematográfica. Ele é real e afeta a vida das pessoas." ( Pg. 126-127 Transtornos
Metais & Espiritualidade)
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Com o susto me veio a mente, mesmo que relutantemente, de que não dava mais para crer se tratar de um dom espiritual ou de um carma e sim o maligno aprontando sua obra para me desestruturar com suas emboscadas a espreita de um erro para minha perdição.
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Olhai, vigiai e orai pois o inimigo é astuto, corrompe não só com sua alma a desencaminhando, como promove conflitos e corrompe com toda a uma família, e se não estiver ligado a Deus, de algum modo, orando, pedindo seu perdão, tudo poderá ser resumido ao seu fim. Se esse fato que conto, for comparado ao que alguém tenha passado, não se perturbe, ore com firme confiança pois Deus é um pai amoroso, que ouve e cerca de cuidados os corações aflitos de seus filhos.
Ao anoitecer, Antony e eu estamos na sala quando as luzes da casa acenderam, a alegria dele foi tanta que comemorou: Mãe, ebá... Não vamos mais ficar no escuro, ligaram a força!
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Em fim pudemos ter o conforto da energia elétrica. Ao me deitar para dormir me incomodei com os ruídos vindos da casa vizinha, cuja a nossa parede era a mesma deles e como não tinha forro nem laje nas casas, se ouvia de tudo, principalmente no meu quarto, ouvia-se desde o som da TV ligada a madrugada adentro como o barulho da descarga e do chuveiro. Depois de horas ao pegar no sono fui acordada com o barulho da descarga do vizinho e em seguida ligaram chuveiro, então escutei: "Tá me ouvindo? Estou cheio de amor pra te dá..."
Desligaram o chuveiro, mas aquela voz prosseguia o tempo todo falando, após meia hora, escutei como se batessem na parede e ouvi as ultimas palavras: "Eu sei quem você é e não adianta tentar me enganar! Um dia, mais cedo ou mais tarde, como eu sempre te disse, você vai ser minha!"
Então rapidamente associei o som daquela voz com a do espírito obsessor, foi onde surgiu um estado de confusão mental, não sabia mais o que poderia ser real ou não, se as vozes poderiam ser de pessoas ou espíritos obsessores.
Ao amanhecer, acordando vi que André saia para trabalhar, o sono me pesava ao ponto de eu dormir quase que simultaneamente, algumas horas se passaram e abrindo meus olhos vi que tinha acordado tarde demais, me levantei num pulo e pensei: Meu Deus que horas já devem ser?
Era quase hora do almoço, André estava pra chegar e as crianças iam para escola, precisava fazer o almoçar e logo se não a coisa ia ficar preta para o meu lado. Corri pra cozinha, procurei ao que tinha de mais pratico e rápido de fazer, pegando o pacote de macarrão e o molho pensei: É isso uma macarronada!
Coloquei a água pra ferver na panela preparei os temperos do molho, André chegou e disse: Cadê o almoço?
Logo estará pronto! Respondi.
Você não percebe tenho pouco minutos pra almoçar e esse macarrão nem tá cozido! Ele disse.
Então iniciamos com uma pequena discussão, onde me atrapalhei ainda mais, estava cortando a cebola quando cortei meu dedo, como continuaria a fazer o almoço com o sangue escorrendo de meus dedos? Chamei a Sabrina pra me ajudar mas ela disse: Há... Mãe eu to me arrumando, pedi pra Alice!
Alice tá no banho menina, larga esse batom e vem terminar de cortar a cebola! Eu disse.
André furioso, pegou o estojo de maquiagem das meninas e jogou com toda a força no chão e disse: Vai logo ajudar sua mãe menininha egocêntrica narcisista!
Sabrina assustada, com lágrimas nos olhos disse: Para pai!
Então nervosa pela atitude descabida de meu marido, eu disse: Tenha um pouco mais de paciência seu estupido!
Então começaram se os insultos vindos de toda parte da casa, todos começaram a gritar e se ofender. E colocando um papel no dedo ferido, joguei o pouco de cebola que já tinha cortado e coloquei na panela e em minutos o almoço ficou pronto, todos almoçaram a tempo de irem ao seus destinos. Mas o aborrecimento foi tão grande que mal consegui almoçar.
Após arrumar a cozinha, me veio uma forte sensação de desanimo e preguiça, então me sentei na cama das criança e liguei a TV que por acaso sua imagem chuviscava muito, me deitando cochilei, sentido que alguém estava a velar me sono, me perturbei, pois ouvi: "O que você acha de eu ir ali acordar ela com um beijo?" "Você tá louco, não..."
Abri meus olhos rapidamente olhei em minha volta, olhei no vitro, olhei pra a porta da cozinha e nada. Me deitei e novamente ao fechar meu olhos escutei: "Vou experimentar se ela é boa na cozinha!..." "Tem macarrão na panela?..." "Tem olha..."
Alguns minutos depois minha paciência se esgotou me levantei e fui a cozinha, vi a panela em cima da mesa, pensei: O que houve aqui? Não deixei isso na mesa, será que estou ouvindo coisas ou alguém realmente entrou nesta cozinha?
Ao anoitecer André me chamou para ir ao centro da cidade, as crianças não quiseram ir conosco, ficaram em casa.
Fomos ao uma lanchonete e conversávamos sobre acontecimentos futuros, fazíamos planos e discutíamos sobre a educação de nossos filhos, pois eles estavam se tornando cada vez mais rebeldes. Quando saímos da lanchonete fomos andar próximo ao um belíssimo lago nas proximidades de nossa casa, passamos por uma casa onde parecia rolar um baile de jovens, frente a casa haviam umas pessoas falando e rindo de forma alvoroçada. E andando mais adiante, tive a sensação de que três dos rapazes que estavam naquela festa andavam atrás de nós, parecia nos seguirem. Ao nos sentarmos a beira do lago, percebi que eles pararam uns poucos metros de nós, estávamos observando o lago silenciosamente, quando ouvi em meio a risos: "Há não! Vai me dizer que é ela agora?..." "É sim cara!..." "Além de coroa, casada, é feia meu, e você só vai arranjar problemas!..." "Não vejo problema com idade e se acham ela feia ou não, não me importo!..." "Não meche com a mulher dos outros, isso só vai te arrumar problemas pra cabeça..." "Eu roubo dele fácil fácil..." "Onde você vai?..." "Esse cara piro!..."
Nisto nós nos levantamos indo embora para casa, quando um daqueles homens veio andando a passos largos e se aproximando mais e mais de nós, isso me gerou grande aflição e inquietação.
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Você não viu aquele cara estranho, vindo na nossa direção! Preocupada eu o disse.
E André falou tentando me acalmar: Aqui é interior, é sossegado, não há bandidos como tem nos grandes centros, não igual onde morávamos antes, fique calma!
Horas se passaram em que estava na cama e não conseguia dormir, quando escutei uma terrível discussão, parecia que estavam bem em frente nossa casa, ouvi: "Eu vou te mata seu filho da pu..." "Há é, então vem seu bicho escroto!..."
Assustada, me encolhi na cama abraçando André, pensei: Meu Deus e se estes homens estiverem armados? Senhor tenha piedade!
E a briga não cessava: "Toma seu covarde!..." "Vira homem seu moleque atrevido!... "Eu juro que se você não deixa ela e minha família em paz te dou tiro bem no meio de sua testa!" "Tá então espera pra ver quem tomará o tiro!..."
Angustiada não conseguia dormir, mesmo depois de pararem com a tal briga, que imaginava ser frente minha casa. Horas depois não sei o que houve comigo, na época, mas eu escutava gritos de desespero de uma das casas vizinhas, escutava: "Não, não faz isso com meu filho, não, por favor!" "Eu falo, eu cumpro, vou te mata seu bicho escroto! Quem vai morrer primeiro você ou sua irmãzinha?..." "Espera cara não faça isso..." "Cadê o bagulho?..." "Tá lá de baixo da cama..." "Bom, agora vocês vão todos lá pra fora já, não vai sombrar ninguém pra conta história!..." "Ta vendo tudo culpa de uma vaga... Por que essa ridícula não se matou antes de vir morar aqui!
Nisto minha mente entrou em parafusos, pois a ultima fala que ouvi parecia ser de uma das mulheres que estavam zombando de mim poucos dias antes de me mudar, o pavor me tomou conta e me peguntava: O que eu tenho haver com tudo isso meu Deus? Não permita meu senhor que tudo isso se torne em uma desgraça, se não nunca me perdoarei!
Escutei mais uma vez: "Isso fica ai de joelho!..." "Não! Meu filho não!
Com isso escutei sons como se fosse de vários tiros, apavorada, comecei a imaginar a rua lavada de sangue, corpos na calçada, uma verdadeira sena de horror. Fiquei horas acordada até ser vencida pelo cansaço. Isso se deu acredito, por eu associar, a primeira discussão que talvez nem foi real, com a atribulação espiritual que vinha passando, entrei em choque, mas não passou de uma terrível ilusão de uma mente depressiva que perturbada por espíritos, passou por essas imaginações horrendas!
Dois dias depois, novamente acordei tarde e de novo o almoço foi feito as pressas e mais uma vez tivemos aquela briga, ao servir o prato de André nervoso me disse: Veja bem, que droga é quando você atrasa com o almoço, agora além ter que praticamente engolir comida quente, vou ter que sair correndo para o trabalho e talvez nem conseguirei terminar de comer!
Tá bom, você tem razão, mas da pra fala mais baixo! Eu disse.
Vê se toma consciência de que assim não dá pra fica faça esse almoço mais cedo, seus filhos mal tocaram no prato! Ele me disse.
A tarde eu lavava roupa, quando escutei barulhos de fogos, pensei: Essas pessoas soltam fogos o tempo todo, quase todos os dias, por que será?
Terminando de lavar a roupa fui até o varal estende-la ouvi: "Não, agora é minha vez..." "Mas o que ela tá fazendo?...
Quando eu ia por mais umas roupas de molho, não encontrava o alvejante, pensei alto, falei: Onde foi parar o Alvejante?
Ouvi em meio a risos: "Essa mulher perde tudo, olha lá na cozinha..."
Então desisti de fazer com o que fazia e fui larvar a louça, minutos depois retornei a área de serviço e não achei o bendito alvejante, então fui até a cozinha e vendo que o alvejante estava atrás da porta, fui ao tanque por a roupa de molho e escutei: "Achou! Eu disse que tava na cozinha!..."
Nisto ouvi risos como se zombassem de mim e mais uma vez aquelas vozes: "Para, deixa essa mulher em paz moleque!..."
Após isso fui para dentro de casa fui a sala assistir TV, algum tempo depois eu me deite na cama das crianças e em seguida ouvi: "Tá deitadinha na cama!..." "Deixa eu ver?..." "Tá com soninho..." "Você já viu ela?..." "Vi, é uma..."
Nisto eu me sentei e comecei a perceber que no telhado havia vãos entre as telha e as vigas, veja bem, como funciona a imaginação de uma mente perturbada pela depressão, a pessoa tentando entender o se passa com ela acaba inventa ilusões para si, desejando obter a qualquer custo uma explicação do ocorria comigo, pensei: Será que tem algum engraçadinho bisbilhoteiro, nos observando destes vãos?
Obvio que não tinha ninguém nos observando e não dava para ver o que se passava dentro de minha casa por aqueles vão minúsculos, nem se realmente quisessem, mas na época eu era tão torturada por aquelas vozes, que vivia a procura de uma resposta, ao que não somente o psiquiatra poderia me dar a devida ajuda, como Deus poderia me dar o entendimento.
Era um quinta feira, André havia ido num comício eleitoral em nossa rua, eu não quis acompanha-lo, minutos depois, escutei barulhos no portão de casa e os cachorros latiam muito, indo até a porta vi que dois homens brigavam um deles parecia ter caído no chão e o outro o ameaçava: Dá um jeito nesta situação ou eu te mato seu verme.
E notando que o ameaçador punha sua mão na cintura por debaixo da camisa como se fosse sacar uma arma a qualquer momento, assustada corri para dentro fechando a porta, as crianças queriam sair, eu as disse: Quietos, sente ai no sofá de boca fechada!
Que foi mãe? Disse Sabrina.
Tem dois homens brigando bem ai enfrente, ninguém vai sair agora! Eu disse.
Após isso, fui para a cozinha e no voltar a sala vi que Antony havia saído, preocupadíssima pergunte as meninas: Cadê o Antony?
Ele disse que ia no comício com o pai! Disse Alice.
Meu Deus, meu filho! Pensei.
E porque não o impediram de ir? Eu disse que não pra irem lá fora, que droga, esse menino não me obedece mais e vocês só se fingem de boba, porque não me chamaram?
Para mãe, não tem nada de perigoso, ele foi ali no fim da rua com o pai. Disse Sabrina.
É mãe, para, quando ele saiu eu fui lá no portão e não tinha ninguém brigando! Disse Alice
Fiquem ai, não abram a porta, eu vou buscar ele! Eu as disse.
Quando ia em direção a portão, escutei: "Decidiu saí da toca!"
Abrindo o portão, olhei a movimentação da rua, pensei: Meu Deus é muita gente! Mas se eu não for, como ficarei em paz? Sabendo que meu filho tão pequeno, está ai uma hora desta só e no meio desse rebuliço!
Andando as presas até o tal comício, senti que me olhavam, uns começaram a rir e eu pensava ser de mim e ouvi as vozes sendo que uma não me era estranha, parecia ser de minha antiga vizinha: "Olha a vadia!..." "Nem me fala, quando descobri que essa ridícula ta morando perto de meus pais, morri de raiva!"
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Me aproximando de André o perguntei: Você viu o Antony? Ele saiu sem me avisar!
Não, mas ele deve ai brincando, relaxa! Onde você vai? Disse André.
Procurar nosso filho! Eu disse.
Então ele seguro meu abraço e me disse: Você está se preocupando atoa Raquely! Enquanto esse moleque tá se divertindo!Ele disse.
Nervosa eu disse: Não...
Nisto André apontando para o outro lado da rua, disse: Olha ele lá, deixa desse boba.
Então mais calma, disse: Tá então não o perca de vista!
Fica aqui, porque vai embora? Perguntou André.
Neste instante Antony veio até nós todo sorridente: Mãe, eu fui na casa de meu colega, agora eu vô fica aqui.
E porque fugiu de casa seu malandrinho? Eu disse que não era pra sair! Eu disse a meu filho.
E ele e seus coleguinhas saíram correndo, André disse: Tá vendo, deixa de se preocupar por bobagem!
Então eu fiquei ali com André assistindo o comício, passados uns minutos, me senti incomodada com duas crianças que seguravam uma bandeira que insistentemente esbarravam em mim, olhando calmamente para traz, elas recuaram, então ouvi: "A ridícula se incomodou! Pode deixar, que eu mesmo vou assenta esse mastro na cabeça dela, deixa ela olha de novo..."
Me irritando com o que ouvi olhei e olhei feio, procurando de onde tivera vindo aquela voz, e as crianças retornaram a esbarrar com a bandeira em mim, me afastando, puxando o braço de André o disse: Vem mais pra cá!
E mesmo se afastando aquilo se repetiu mais umas vezes e escutei em meio a risos: "Vai embora ou então fica ai e aguenta sua ridícula!..."
Nervosa, eu disse a meu marido: Vamos pra casa, não tenho mais paciência pra isso!
Por que? O que foi? Perguntou André.
Há! Fica você ai, não vou mais ficar aqui só porque você quer, fui! Eu o disse já indo embora.
E andando mais adiante eu ouvi novamente a voz de um daqueles homens que minutos antes brigavam enfrente de minha casa: "Cara eu dei-lhe um empurrão que o bicho tremeu na base!..." "É!..." "Se ela não largar dele, juro que dou um fim nesse cara!..."
Chegando em casa, assistia a um DVD, vendo que Sabrina e Alice se arrumavam, perguntei: Onde vocês pensam que vão?
A gente vai na casa da minha amiga, de lá vamos para o comício! Disse Alice.
E onde fica a casa desta sua amiga? Eu perguntei.
Próximo a ponte, não é longe! Respondeu Alice.
Mãe se o Antony tá ai de boa na rua, porque você tá implicando conosco agora? Disse Sabrina.
Vê lá os modos com que me dirige suas palavras a mim menina, sou sua mãe me respeite! Eu a disse.
Há, mãe deixa nós irmos, o comício é na nossa rua. Disse Alice.
Tá, mas então não quero que voltem tarde pra casa! Eu disse.
Estando só em casa, escutei: "Ela tá sozinha!..." "Essa mulher tá com um medo de gente!" "É..."
E no mesmo instante passava um carro de som de divulsão eleitoral e em meio a todo aquele barulho ouvi um grito como se me chamassem: "Raquely!..."
Com o susto me levantando olhei pela vitro da sala, pensei: Que será isso meu Deus?
E como não tinha ninguém no portão, voltei a assistir a TV o que estava sendo quase impossível devido ao barulho que vinha da rua, pouco tempo depois ouvi os fogos e logo em seguida escutei barulhos como se tivesse pessoas andando nós fundos de casa, tentei me acalmar, no entanto em seguida passei a ouvir as vozes que julgava ser dos espíritos: "Olha só pra ela!..." "Parece com uma criança assustada!..."
Então ouvi uns risos sinistros e mais uma vez as vozes: "Tá fácil..."
"Quer ver?..."
Minutos depois, senti como se tivesse mesmo alguém no quintal de casa e ouvi: "Você nunca mais vai ser dele, tá me entendendo? Se isso acontecer eu mesmo dou um fim no seu marido!..."
No mesmo instante associei o som daquela voz com a voz do cara agressivo que brigava horas antes perto de casa e como não vi quem era a vitima dele, me veio ideias horrendas a mente, de que a vitima poderia ter sido meu marido, pensei: Será André esconde algo terrível de mim e se deve dinheiro a esse homem? E se ele deve a um agiota assassino? E se... E se...
Então ouvi mais uma vez aquela voz no portão de casa: "Agora tá feito é só esperar pra vê!..." "Fica esperta, seu marido não deve pra mim e sim ele deve para o traficante de Formosa..." "Agora quanto a você esquece ele, ou então já sabe! "Olha ele tá vindo ai..."
Nisto ouvi uma voz com gritos de desespero: "Não! Espera, por favor, não, meu filho não!..." "Eu vô mata você seu filho de uma put..."
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Meu pavor foi tal que imaginei meu marido e meu filho na mira de uma arma.
Então escutei a batida do portão de casa e Antony entrou correndo para dentro de casa. Vendo isso falei: Filho cadê seu pai?
Tá no portão mãe! Disse Antony aparentemente calmo.
No eu abrir a porta dei de cara com André, que disse: Que foi Raquelzinha?
Nada, eu só fui ver quem era no portão! Eu o disse e estando mais calma de vê-los bem, pensei: O que está havendo comigo meu Deus? Será que estes espíritos vão mesmo me levar a loucura?
Acredito que a partir deste momento eu estava num tal descontrole emocional que estabeleceu-se uma confusão mental, onde eu não conseguia mais discernir o real do mundo ilusório, que sinceramente, não sei como fui parar lá. Os distúrbios causados a mente pela depressão sem tratamento, já não deixavam minha vida seguir seu curso normal, lendo o texto acima, vocês devem ter notado que eu tirava conclusões completamente erradas e sem discernimento algum desconfiava de tudo e de todos, de um modo estranho sentia que tudo em minha volta parecia estar diretamente ligado a mim. E com o grande abatimento que se deu em minha alma já fragilizada espiritualmente, deixe-me ser levada por tortuosas pertubações proferidas pelo mal, transformando assim minha vida em um verdadeiro inferno. Só tinham uma saída, aceitar que estava doente, que precisa sim de tratamento Psiquiátrico e de confiar no senhor Deus, que é sem duvida um pai amoroso, que ouve e cerca de cuidados os corações aflitos de seus filhos.
Das palavras ditas como a todas situações descritas aqui, podem ter certeza de que 95% são verídicas, obviamente que não me recordo de que forma exatamente se deu a cronologia em que ocorreram os fatos e as palavras podem terem sido substituídas por palavras similares ao eu ouvia, mas tudo aqui eu digo com coração e em verdade.
Quando Sabrina e Alice chegaram, percebendo que Sabrina estava nervosa, a perguntei: Que houve filha? Me diz o por que de toda está braveza?
Mãe, eu odeio neste lugar! Não sei por que o pai nos trouxe pra cá neste fim de mundo, onde as pessoas só me olham torto, me julgam mal sendo que nem mesmo me conhecem, são todos um bando de preconceituosos. Disse Sabrina.
E você não está se precipitando nenhum pouco em julgá-los né? Eu a perguntei.
Sabrina respondeu: É porque você ainda não teve a chance de conviver com eles, é muito difícil pra mim, porque não tem um só dia em que não sou insultada, as meninas sempre me excluem na sala de aula, a molecada vive de zoeira comigo, isso só porque eu não fiquei com um colega deles. Eu não aguento mais sofrer tanto o bullying que sofro e o pior mãe, é que isso já não é só na escola na rua também. Hoje teve uma menina lá no comício que avisou as colegas da Alice que iria me bater, pra você vê a ignorância eu nem a conheço.
Calma filha, é porque você é nova aqui, mas logo fará amizades e isso tudo vai acabar, você vai ver! Eu disse tentando acalmá-la.
Mas as lágrimas eram persistente sobre sua face, o que me cortou o coração. Hoje avaliando bem esta situação, percebo que Sabrina não estava só entrando em uma adolescência conturba pelo bullying que segundo ela, vinha de todos, sei, que ela possa ter tido problemas como qualquer outra menina que no tempo escolar dela possa ter sofrido, mas em suas palavras havia muita insegurança e incertezas como sua autoestima estava baixa, sempre ela dizia... "Acho que..." "Falaram pra mim que..." "Me olham torto..." "Ninguém gosta de mim..." "Sou feia, deve ser por isso..." "Por nasci assim?..."
Acredito que minha filha entrava em uma leve depressão, pois ela de uma forma assustadora também passou por quase toda aquele atribulação espiritual junto a mim.
No outro dia eu estava lavando roupa quando escutei: "Olha ela ai!..." "Eu vou dar jeito de tirar ela desta casa..." "E se ela não quiser?..." "Eu mato!..."
Entrando na cozinha, Antony disse: Mãe eu vô joga bola com meus colegas no campinho.
Não vai não! Eu disse.
Por que? Ele pergunto.
Faltam só duas horas para você ir a escola, vai tomar banho! Eu disse.
Não tem aula hoje mãe, hoje tem reunião do conselho escolar. Disse Antony.
Cadê o bilhete comprovando isso que você diz menino! Eu disse.
O pai viu ontem, fala com ele! Ele disse já correndo para o portão.
Menino volta aqui! Eu disse.
Há, deixa de ser cri cri! Ele disse.
Nervosa com a atitude de meu filho sai em direção a área de serviço, falando sozinha: Esse guri vai ver o que é bom pra tosse, quando chegar vou por ele de castigo, além não me obedecer é malcriado, ele tá querendo umas palmadas.
Então escutei em meio a risadas: "Cara tá falando sozinha agora!..." "Tá nervosinha é?..." "Há se esse pivete fosse meu filho, dava lhe um corretivo..." "Vamos pedi pra molecada tasca-lhe um coro?..."
"É isso ai..."
Desta hora em diante não parava de olhar para o portão e me vinha a mente meu filho chegando todo machucado, minha preocupação era tão grande que andava como uma barata tonta, num instante ia a cozinha pega o pote de arroz largava na mesa, voltava no tanque torcia um ou duas peças de roupa, ia até a porta olhava para o portão, voltava a cozinha...
E assim fiquei até o momento em que ouvi as vozes bem próximas ao vitro da cozinha: "Hoje eu vou mata dois coelhos numa cajadada só, vou pegar os dois e ai nada me impedira!..."
Entrei em panico, senti uma forte dor no peito e comecei a chorar silenciosamente, pois não queria que ninguém visse meu desespero em meio a aquela loucura toda.
Os minutos seguintes foram uns dos mais perturbadores que já havia passado em minha vida até aquele determinado momento, ouvi uns gritos, choro, era como se alguém tivesse sento torturado: "Toma... Não chora, você tá merecendo uns murros nesta tua cara seu pivete folgado!..." "Fica ai, se eu ver você na rua de novo acabo com você..."
Sai no quintal como verdadeira louca, olhava para o muro das casas vizinhas, não vendo nada indo até a cozinha ouvi mais uma vez: "Seu papai tá vindo ai..." "Pega o pilantra também!..."
Passou-se uns cinco minutos e Antony chegou e saiu tão rápido que não deu tempo nem de vê-lo e escutei: "E ai seu pilantra cadê a grana?..." "Você sabe que eu não quero ver mais essa sua fuça, vai pra bem longe ou eu te mato!..."
E então ouvi como se tivessem esmurrando alguém que gritava muito, meu coração acelerou a tal forma que quase enfartei, minhas pernas tremiam como uma vara e no mesmo instante meu marido chegou de fininho me dizendo oi, que tomei o maior susto e ele sorrido disse: Que foi?
Nada André... Nada! Eu o respondi.
Pareci assustada, tá pálida, que foi em? Ele perguntou.
André não sei o que está acontecendo comigo, vivo angustia, não consigo ficar em paz, enquanto vocês estão na rua, sinto que vou perde-los a qualquer momento. Eu disse com as lágrimas rolando sobre minha face.
E o piorar foi ver André fazer uma expressão de quem estava apavorado e muito preocupado, então eu lhe dei um forte abraço e ele disse: Espera Raquely, espera um pouco, para, eu to com dor nas costas Raquely!
O que está acontecendo André? Conta logo e não me esconda nada! Eu disse.
Raquelzinha, você não está nada bem, é isso! Eu vou marcar o psiquiatra. André disse.
Não me chame de louca, para mudar de assunto e conta logo! Eu disse.
Então ele me abraçou disse: Não estou te chamando de louca, eu só quero cuidar de você, porque tudo o que você acabou de me dizer não é normal entende, você parece deprimida, deve ter sindo as muitas mudanças em tão pouco tempo, a compra da casa, nossas brigas.
Não sei, acho que você está exagerando, eu preciso é ir a um centro espírita fazer um tratamento espiritual ou ir a uma igreja, qualquer, que me leva a palavra de Jesus Cristo, assim talvez tudo isso acabe, é isso, eu preciso é de Deus na minha vida! Eu disse.
Não me venha, dizer que está precisando de ser exorcizada, isso sim é loucura! Ele me disse de forma ríspida aos gritos, mesmo que não fosse sua intenção, pois de sua preocupação era evidente como sei que em parte ele estava certo, mas sua ação só fez me sofrer ainda mais.
A visita de meu irmão Luiz e sua família, numa noite de quarta feira eu e André saíamos pra dar uma volta de bicicleta, chegando próximo a esquina escutei um carro buzinando por varias vezes e André disse: Olha Raquelzinha, aquele carro ali, passou buzinando, não é seu irmão?
Então eu olhei para o carro e meu irmão pós a cabeça pra fora e buzinou mais uma vez sorrindo, foi uma grande surpresa e com muita alegria nós os recebemos, passamos um lindo fim de semana em família. Neste dias em que estivemos juntos, escutei aquelas vozes perturbadoras a noite e pela manhã Luiz percebendo que eu estava com uma feição não muito boa, disse: Bom dia!
Respondi de forma desanimada: Bom dia mano!
E Luiz disse: Que foi Raquely? Você parece não estar muito bem.
É, são essas almas penadas que não me deixam dormir em paz! Eu disse.
E minha cunhada vendo isso me falou com uma expressão preocupação: Serio Raquely?
Balançando a cabeça em sinal positivo, ela falou: Ore para Deus com fé, que tudo isso vai embora.
Nos dias que se seguiram após este fim de semana, eu fazia o almoço e ao procurar a caixa de fósforo para acender o fogão, ouvi: "Tá aqui olha!"
Olhando de um lado a outro da cozinha, no armário, no fogão, na pia, na mesa... E não achava a caixa de fósforo, e ouvi mais uma vez: "Do lado do fogão na pia..."
Olhei, e lá do lado do fogão encima da pia estava a caixa de fósforo, com um fósforo já fora da caixa e eu ouvi: "Eu peguei pra você!"
E isso repetiu por mais algumas ocasiões, sendo que em uma delas o que me causou mais estranheza, foi eu ter acabado por a caixa de fósforo na mesa e quase que instantaneamente eu a vi sobre a pia, e ouvi novamente: "Eu peguei pra você!"
E passados uns minutos, sentei na cadeira para escolher o feijão, estava distraída, quando vi de relance, através do canto do olho que uma caixa de remédio parecia ter se movimentado sozinha de um lado ao outro da mesa e por pensar ter sido só um impressão não dei importância aquilo, no entanto instantes depois, de novo, vi e de uma forma mais clara que a caixa remédio fez o mesmo movimento e com mais velocidade foi parar no chão, apavorada me levantei e me afastando da mesa ouvi rizadas de zombaria. Por mais loucura que isso pareça realmente aconteceu, podem dizer que foi uma alucinação causada por minha doença e banalizarem o que conto, mas eu vi, Deus sabe que eu vi, lhes relato esses fatos que podem serem entendidos como loucura ou não, mas os digo que isso me fez entrar em grande panico na época, com tudo hoje tenho consciência, que tirando o ultimo episodio da caixa de remédio cair sozinha, houve alguns momentos que pode ter ocorrido por meu constante esquecimento e falta de atenção e eu mesmo ter mudado a caixa de fósforo de lugar e não lembrar, podendo assim ter relacionado isso com as ardilosas vozes daqueles espíritos magnos.
O pedido de socorro...
A dor... O sofrimento...
O medo... A náusea, em tudo que sou e fui...
O juízo... A culpa... A condenação...
E o amor de Cristo.
Era uma noite de sexta feira, eu prepara o café e André me chamava para ir ao comício que se realizaria em nossa rua, de forma desencorajada aceite em ir e no momento em que eu disse sim, num movimento brusco bati no bule e na intenção de evitar que caísse, desastrosamente derramei a água fervente que coava o café sobre meu braço, eu disse: Nossa! Que droga!
E ouvi uma voz de raiva: "Bem feito!"
Em seguida ouvi o que parecia a voz de um anjo protetor: "Não! Pobrezinha, olha o que fazem com ela..."
E André preocupado disse: Caramba Raquely, toma mais cuidado, se queimou?
E nos primeiros segundos só levei um susto com a quetura da água após isso olhei para meu braço e não sentia dor, graças a Deus, só vi uma pequena mancha avermelhada que logo sumiu e respondi a André: Não!
Mas ele insistentemente quis ver meu braço e vendo disse: Parece que não queimou mesmo, mas tome mais cuidado.
Agora vou descrever a roupa que coloquei nesta noite, pois como eu já os disse estava associando, tirando conclusões precipitadas sem sentido algum de tudo e de todos em minha volta pelo mal que vinha sofrendo. Coloquei uma blusa dourada e um brinco prateado, mais a frente em meus relatos vocês poderão entender o porque conto sobre essa blusa e esse brinco.
Chegando ao comício, senti que algumas pessoas nós observavam constantemente, me sentindo incomodada peguei no braço de André o puxando, fomos mais a frente, no entanto parecia que aquelas pessoas andaram junto a nós e novamente senti que nos observavam, e escutei: "É ela!..." "Qual?..." "A de blusa dourada..." "Deixa eu fazer ela perceber que estou aqui..."
Nisto senti que alguém se aproximava sorrateiramente para perto de mim e tive a sensação um sopro em minha nuca, rapidamente olhei para traz e não havia ninguém que pudesse estar tão perto ao ponto de tal feito. E me virando pra frente, escutei: "Você viu?..." "To vendo..." "E o cara é aquele?..." "É!..."
Passados uns instantes o celular tocou e no atender não conseguia ouvir o que diziam, então me afastei do tumulto e de meu marido indo para uma rua ao lado, após conseguir ouvir e o termino da ligação, indo na direção a André veio um forte vendo sobre mim e ouvi: "E como ela tá reagindo?..." "Parece completamente em domínio..." "Joguem o corpo no rio! Vamos dar um fim a tudo isso..."
A sensação agora era de perseguição mortal, sentia que a qualquer momento ou eu ou as pessoas que amo corriam risco de vida. No chegar em casa logo fomos dormir, Sabrina reclamava de dor pela cólica que sentia, passados uns instantes percebendo que ela dormiu, estando mais tranquila eu também dormi.
Pela madrugada fui acordada por uma irritação na garganta e me sentido engasgada tossi muito até que escutei aquelas vozes que pareciam vir do lado de fora na janela de meu quarto, janela essa que não fechava direto sempre ficava com uma pena fresta, ouvi: "Espera ai, é rapidão!..."
Abrindo meus olhos num ligeiro movimento levantei a cabeça, não tive coragem de olhar pela tal fresta, mas continuamente ouvia aquelas vozes e para meu tormento, ouvi: "Tem que ser agora!..." "Tem certeza?" "É cara, vai!..." "Mas ela tá na frente..." "Que droga, sai de perto dele se não você vai junto!..." "Ela já saiu?..." "Acho que agora eu consigo..." "Vai atira, bem na cabeça!..."
Nisto eu me agarrei a meu marido, me colocando sobre ele num ato desesperado em defende-lo do eu achava ser um tiro de uma arma. André acordou dizendo: Que foi Raquelzinha?
Mas com pavor intenso que sentia mal consegui abrir minha boca e ele se virando para mim disse: Dormi, não tá conseguindo dormir?
Então ele me abraçando após umas horas eu dormi de exaustão.
No outro dia, tudo parecia tão real que me via em meio a assassinos mesmo, que a qualquer momento poderiam matar a alguém que amo. Foi um terrível massacrante dia, era a visão de um verdadeiro inferno. Ao anoitecer não foi diferente, Sabrina não se sentia bem, sentia muita dor, já faziam uns quinze dias que seu ciclo menstrual não cessava e dores que ela sentia pareciam muito forte, segundo ela o fluxo de sangue estava aumentando a tal modo que parecia uma hemorragia. No momento em que conseguimos dormir, já de madrugada, acordei com uma voz horrenda, dizendo: "Olha, as asas dos dois anjos já se abriram, é chegada a hora..."
E de repente Sabrina assustada me disse: Mãe... Mãe... Socorro, mãe, tem alguém aqui!
Então eu disse: Dorme menina, você devia estar tendo um pesadelo é isso!
Não mãe, ele tá aqui! Eu sinto a presença dele. Chorando disse Sabrina.
Dele quem? Eu disse.
Ela disse: É aquele espírito... É aquele homem...
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E do nada senti algo me tocar na cintura parecia uma mão, olhei para traz e André estava de costas, não era ele que me tocava, de tão apavorada fiquei paralisada, as palavras não me saiam, Sabrina me chamando repetidamente e aquele toque parou em meus quadris e Sabrina gritou: Socorro mãe, ele tá me tocando! Tá doendo, ai, mãe!
Neste instante André acordou e disse: Que foi menina?
Pai, socorro! Ela disse.
André se levantou indo ver Sabrina e disse: Para de estéria e conta logo, o que foi?
Tem um homem aqui pai! Ela disse.
Que homem? Um daqueles fantasma? Ele disse ironizando Sabrina.
Eu vi pai, deixa a luz acesa pai! Ela disse de uma forma apavorada.
Há, vai dormir! E para com essa palhaçada! Ele disse.
Mais calma e não sentindo o toque daquela coisa, me levantei e fui ver Sabrina e André disse: É bobagem desta menina Raquely, não acredite nesta palhaçada! Vê se dorme Menina, foi um pesadelo sua berrona, nem parece ter a idade que já tem, sua medrosa!
E no falar com minha filha, chorando muito ela me contou algo horripilante, disse: Mãe, eu senti a presença dele e depois parecia me tocar e senti algo como se fosse uma mão passando sobre meu corpo e de repente senti que me apertou com uma força brutal o meu quadril, sentindo uma grande dor me saiu muito sangue. O que é isso mãe? O que tá acontecendo com agente?
E André gritou lá do quarto: Vocês estão doente, é isso!
Tá filha, mais você viu alguém ou alguma coisa? Eu disse.
Só uma sombra, foi muito rápido mãe, e em seguida senti que me olhavam e o toque, como se passassem a mão no meu corpo e me dessem um grande apertão que tá me doendo até agora! Disse Sabrina.
A mãe vai orar pra Deus, faça o mesmo e tudo vai ficar bem, não se preocupe filha! Eu a disse.
No entanto quem não ficou bem fui eu, não conseguia mais dormir, só pensando no porque aquilo tudo me acontecia, queria achar um explicação lógica, me perguntava e me punia: O que será isso? O por que de tudo aquilo? Deve ser eu, é sou eu, eu sou um ser humano desprezível e sem honra e esquecida por Deus, por todo os erros que cometi! Perdão senhor!
E no mesmo instante vieram aquelas vozes a janela de meu quarto novamente: "E agora?..." "Como vai ser Raquely?..." "Você ou sua filha?..." "Ou devo matar um por um, até que você decida ser minha!"
Não, meu Deus me ajuda! Chorando sussurrei.
E ouvi: "Acaba com esse cara!..." Se ela não se render? Mate a todos!
Eu em meu grande temor e para o grande prejuízo em minha alma envés de pedir socorro ao Senhor Deus por Cristo me apegando em minha fé, disse, sim, ao que nunca devia ter aceito e minha vida que já passava por todo aquele inferno virou dos avesso. Eu disse: Não... Seja lá o que for, tá então sim, eu faço o que quer...
Nisto ouvi aquela mesma voz, na qual acreditava ser de um anjo protetor dizendo num tom aflito: "Nãoooo... Raquely, meu Deus!"
Então se fez um silêncio e tive a sensação de que eu estava só naquele quarto, em pura solidão e como não se houvesse saída, nem janela, nem porta só as paredes, onde se estabeleceram dor, aflição de espírito e um vazio indescritível que tomou conta de minha alma, fazendo-me entrar no mundo das trevas, somente havia eu e a escuridão daquele quarto.
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Cuidado! Inimigo é ardiloso, astuto, não te esqueças do amor de Cristo, o sofrimento não nós afasta de Deus, só prova que Deus está presente, pois, o sofrimento provem de nossos maus atos e Deus em seu infinito amor lhe mostrará a verdade, mas inimigo te fará em oposição a tudo que Deus representa em sua vida, te fará em escarneio, estando vitimado pela crueldade do mal, lembre-se, do que disse Jesus Cristo:“Eu sou o caminho, a verdade e a vida. Ninguém vem ao pai a não ser por mim.” (João 14.6).
"Jesus repetidamente advertiu sobre o inferno. Por exemplo,
veja Mateus 5:21-22, 27-30; 23:15,33. Negar a existência do inferno é, portanto, rejeitar a
autoridade de Jesus. Seria estranhamente inconsistente aceitar Jesus como
Senhor, como se rejeitar um aspecto de seu ensino. Além do mais, isto seria colocar
uma gigantesca falha moral no caráter de Cristo, seria como se ele ensinasse sobre a
realidade do inferno, quando que na verdade o inverno não fosse um perigo para ninguém.
Deve ser entendido, contudo, que Jesus não quer que as pessoas vão para o
inferno. Ele veio para que pudéssemos ser resgatados através da fé nele. O inferno
é a consequência necessária de não aceitar o convite de Cristo para salvação como se alguém recusasse em estar com ele no céu, a única alternativa restante é estar
separado dele no inferno."
( Acredito que as vezes precisamos do sofrimento pra ver a verdade de quem somos, onde andamos e que caminho devemos tomar, no capítulo anterior a este eu descrevi uma situação parecida a isso, me sentia perdida e sentia a falta da luz de Cristo nas minhas decisões. Aqui está o trecho deste capítulo, Capítulo X, "Então olhei para o céu e disse com coração transbordando em verdade: Senhor... Senhor Deus, se o senhor está ai e pode me ouvir, não deixa pai, não permita, que eu pense tais coisas, esses pensamentos, não me pertencem, isso não é eu! Me livra desta ideias insanas, corruptoras! Senhor me faz ver a verdade. Mostra me o caminho e que sua vontade se cumpra na minha vida!..."
Retornando aos fatos relatados neste capítulo. Na manhã seguinte, acordei com uma falsa sensação de segurança, não ouvia as vozes, entretanto passadas algumas horas iniciou-se um sentimento de tristeza e me sobreveio pensamentos muito negativos, sentimento de perda, impotência, minha autoestima estava lá embaixo e uma intensa angustia me tomava conta ao ponto de fazer pensar: Pra que continuar vivendo essa vida entediosamente desnecessária? Se não sou nada, além do nada, talvez a solução seja a morte, não suporto mais toda essa mediocridade e todo esse sofrimento pesando sobre mim! Meu Deus por que estou aqui?
Horas mais tarde, na área de serviço, eu colocava a roupa no tanque, notando que o sabão em pó não estava por lá, fui a cozinha onde tinha o visto pela ultima vez e procurei, procurei e nada de achar até que voltei a área de serviço e ouvi as vozes: "Dentro da caixa, ao seu lado está o sabão!..." "Que burra!..."
Ao olhar dentro da caixa onde eu havia guardado alguns produtos de limpeza e lá estava o sabão em pó, que eu jurava ter deixado na cozinha.
Instantes depois ao encher o tanque de água para enxaguar a roupa, não via o amaciante, olhei na tal caixa e não estava, escutei: "A louca além de burra, ficou sega agora!..."
E do nada eu vi o amaciante do lado de fora da caixa de produtos de limpeza, provavelmente eu já havia já o tirado da caixa quando peguei o sabão.
Deixando a roupa de molho fui a cozinha fazer o almoço, pondo o arroz para cozinhar retornei a área de serviço e mais uma vez não encontrei um dos produtos de limpeza, procurava pelo alvejante de roupas que já faziam dois que não o encontrava nervosa eu disse: Quem pegou o alvejante da caixa na ultima vez? Que porcaria, quantas vezes tenho que dizer, usou guarde na caixa!
Não fui eu mãe... Disse Alice.
Nem eu! Há mãe, foi só você quem mexeu neste produtos de limpeza por estes dias, porque culpa agente? Disse Sabrina.
Não senhora, você também pegou para por uma blusa sua de molho estes dias, lembra dona Sabrina?
Tá, mais eu guardei dentro desta droga de caixa, disto eu tenho absoluta certeza! Respondeu Sabrina.
Ironicamente eu as disse: Agora o alvejante criou pernas, ou devo pensar que alguém roubou?
Nisto eu ouvi uma voz que julgava ser de uns de meus vizinhos: "Ho... Essa loca perdeu a noção de senso também, biruta, eu não sou ladra, sua burra, olha direito..."
Minutos depois vi o alvejante no vitro da cozinha, envergonhada, pensei: Que cabeça a minha, por que não vi isso antes?
Então pus algumas roupa no balde de molho no alvejante e comecei a torcer a roupa do tanque, após isso peguei mais roupa suja do sexto para lavar e de novo não vi o sabão em pó, procurei, procurei e não achei, pensei em voz alta: Meu Deus onde foi parar esse sabão agora?
E escutei aquelas vozes zombadoras rindo e dizendo: "Agora eu sou o deus dela!" "Tá ali ó, ali, não vê?..." "Burrinha, atrás do balde!
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Dois dias se passaram, eu me sentia um pouco melhor estava penteando os cabelos e olhando no espelho.
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Pensei: Como André diz que me ama ainda? Olha só no que eu me transformei, pareço uma velha de 60 anos sendo que nem cheguei nos 40 anos, cheia de perebas. Perdi os momentos mais valiosos de minha vida a procura de uma felicidade que quase não existiu, agora só resta viver esta porcaria de vida sem nenhuma perspectiva de melhorar, pois se nem mesmo tenho uma formação profissional.
No fim da tarde eu tentei me animar e sair um pouco de casa, pensando que assim me sentiria bem, mas infelizmente não foi possível, André estava com dor de cabeça e estressado com seu trabalho.
Então combinamos de sair no dia seguinte. Entretanto no momento que comecei me arrumar naquele dia, ouvia de minuto em minuto aquelas vozes perturbadoras: "Ta mais alegrinha!..." "Olha só, tá até sorrindo!..." "Não, isso não pode acontecer, você é minha!..." Hi... Cara, acho que você perdeu!..." "Há é então observe..."
Neste momento se fez o silêncio só se ouvia o som baixinho da TV na sala, as crianças dormiam, fui do banheiro para o quarto quando ouvi: "Tá pensando que eu vou te deixa é? Não mesmo, antes eu mato ele e acabo com tudo..."
E a angustia que já quase não se apartava de mim, me veio de uma maneira que chorei, parando de me arrumar, me deitei na cama e escutei: "Será que você é o causador de todas aquelas lágrimas, cara?..." "Viu, ela é minha!..." "Quando eu vi que ela se arrumava, bonitona, já sabia... "Eu dei um jeitinho nela rapidinho, viu!"
Neste instante eu me sentei na cama enxuguei as lágrimas e fui ao banheiro lavar o rosto e forçadamente tentava me animar de novo, terminando de me arrumar fui para meu quarto sentei na cama, mais calma, me deitei, minutos depois escutei novamente aquelas vozes ameaçadoras frente de minha casa, como se alguém brigasse com André, diziam: "Ele tá vindo ai!..." "Você não vai tocar nela!..." "Eu te mato, tá me ouvindo seu..."
E ouvi o barulho do portão se abrindo, o latir de nossos cachorros era André que chegava e brincava com os cães e ao mesmo tempo aquela voz parecia acompanha-lo dizendo: "Eu te mato cara!..." "Raquely, não se aproxime dele, eu vô mata esse..."
André entrou em casa dizendo: Ué... Já estão todos na cama dormindo! Raquely...
Estou aqui, André! Eu disse.
Ele vindo ao quarto me perguntou: Que faz na cama? Nós não íamos sair?
Vamos eu só estava te esperando! Eu disse.
Quando fomos para rua, no caminho ouvi: "Deixa, ela não sabe ainda, mas eu vou mostrar quem é ele!"
Algum tempo depois, no momento que voltávamos para casa, vi rapidamente, num relance, dois homens do outro lado da rua, era impossível de ouvi-los, pois já estavam longe, não podia serem eles falando tal coisa, mas escutei: "Se cuida seu pilantra, seu dia tá chegando!" "Do lhe um só tiro e meu problema tá resolvido!"
O medo me invadiu, senti forte dor no peito e André falava algo que eu nem conseguia dar lhe atenção, devido ao o que acabara de ouvir, ele percebendo isso pegou no meu braço e disse: Raquely! Que foi? O por que desta presa?
Então eu lhe abracei já o puxando para que andássemos mais rápido
e ele falou: Pra que correr desse jeito? Para com essa pressa!
Andando mais devagar, ele continuava falar sobre um assunto que me lembro muito vagamente, mas acho que era sobre comprar algo para casa, andamos um longo caminho e eu não abria a boa, permanecia calada observando a tudo em nossa volta, até o instante que chegamos em casa e André começou a reclamar de minha atitude: Tá ai o nosso problema, você não conversa mais comigo, só fica calada, o que está acontecendo com você Raquelzinha?
Há, para André, não é nada, eu não quero papo! Hoje eu não estou afim de conversa!
Depois reclama que não te dou atenção! Ele disse.
Ontem eu queria muito ter saído com você, que disse não estar bem, hoje sou eu, por acaso só você pode não sentir bem, há vê se me entende! Eu disse, nisto começamos a discutir.
E após umas horas depois daquela discussão sem sentido, ele veio ao quarto me pedindo desculpa e me beijando, eu ouvi o barulho do seria uma moto buzinando frente de casa e a voz: "Raquely, eu estou aqui, te esperando, eu vim te buscar!"
E no André se deitar na cama, eu sentei comecei a chorar, antes que ele visse minha lágrimas eu as enxuguei, e ele me abraçando disse: Onde você vai?
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Não, não me toca! Eu disse.
Que foi Raquely? Ele disse.
Deixa eu dormir, por favor! Eu disse.
Que droga é essa? Não gosta mais de mim? Você só sabe me evitar agora, se não me ama mais fala logo! Ele disse.
Então eu vi uns vultos pretos no telhado da casa, parecia que tinha alguém nós observando pelos os vão do telhado e eu ali inerte só vivara meus olhos, olhando para aquelas sombras que tampavam a claridade que vinha de fora, amedrontada, empurrei André e me encolhi no canto da cama. E ele chateado me puxou para perto dele e disse: Raquely, não fique assim, olha pra mim... Raquely, você não está bem precisa acreditar em mim, eu só quero seu bem, vê se entende isso de uma vez, você precisa se tratar está depressiva assuma isso!
Dia a dia eu piorava cada vez mais, quase não saía mais na rua a não ser na companhia de alguém de casa e se saía só, era um verdadeiro suplicio pra mim, se não me sentia segura dentro de minha própria casa imagine andando nas ruas. Aqui a doença já tinha tomado conta fisica e espiritualmente. Não podia ouvir os barulhos que vinham das redondezas de minha casa como; os fogos, as motos passando na rua, as buzinas ou os carros parando frente a minha casa, eu ficava tão amedrontada que meu coração parecia que sairia pela boca a qualquer momento. Não podia ouvir as brigas das casas vizinhas ou qualquer discussão na rua, que me tremia de medo, quando sentia o cheiro de querosene e ouvia o barulho de um machado que cortavam lenha vindo das casas que possuíam forno a lenha, pois, aqueles espíritos se aproveitando de minha vulnerabilidade espiritual pela fragilidade de minha doença, a depressão, eles já me levavam literalmente a loucura. Por exemplo, ao ouvir as machadadas que davam na lenha, escutava as vozes daqueles espíritos que antes já eram bem agressivos, se tornavam terrivelmente violentos, ouvia gritos de desespero, choro que pareciam de qualquer um meus filhos, que por sinal não estavam em casa e a voz horrenda do espírito: "Eu disse que ia matar, morre logo, não grita! Eu vou acabar com seu sofrimento, toma!"
Em seguida se fazia um silêncio assustador, em minha mente perturbada, era com grande dor, aterrorizada que tentava dizer a si mesma: Não é real!... Não é verdade, meu Deus socorro, senhor!
E André vendo que não dava mais para adiar a minha ida ao médico psiquiatra, disse: Chega, você vai pra casa de minha mãe, eu vou marcar a consulta com o psiquiatra, vamos ao orelhão ligar para Paulinho vir te buscar neste fim de semana!
No ligarmos para Selma, ela quis falar comigo, ela me disse: Oi Raquely, o que acontece com você? Porque está triste?
André está exagerando Selma, é só preocupação, a mesma que você tem quando alguém demora pra chegar em casa! Eu respondi.
Raquely, a forma com que você vem agindo que me disse André... Só fica calada e chorando quase que o tempo todo, não é normal! Disse Selma.
Eu respondi:Tá, mas eu tenho um monte de coisas para fazer em casa e ainda tenho que ir pintar a outra casa, que prometi a proprietária que pintaria, eu disse a André que no outro fim de semana eu vou...
Neste instante que falava com Selma eu ouvia as vozes daqueles espíritos como se me rodeassem e zombando de mim diziam: "Há, não vai..." "Hooo... Coitada, até lá você não estará mais aqui!..." "Eu não disse, cara tá no papo!"
Então comecei a lembrar das ameaças que me faziam os espíritos e chorei, ela ouvindo, disse: Fique calma filha, não está acontecendo nada de ruim, lembra, quando eu fiquei doente, então filha, está acontecendo o mesmo com você, precisa se tratar...
Nisto André pegou o telefone de minha mão, terminando de falar com sua mãe fomos para casa.
No fim de semana, contra minha vontade, André fez que eu viajasse, para poder ir ao psiquiatra de seu convenio. Minha sogra e meu cunhado que vieram a nossa casa me buscar, Sabrina, que também não se sentia bem foi conosco, ao sairmos no portão de casa eu ouvi a voz do espirito obsessor: "Não chega perto desse cara, não o beije, nem se despeça ou então quando você retornar não terá mais sua família te esperando!"
E ao me despedir de meus dois filhos e marido os beijando, mesmo já tendo consciência que tinha algo de errado comigo, ao mesmo instante sentia uma angustia sem tamanho e entrando no carro, vi um homem passando e olhando fixamente pra mim bem próximo a nós, escutei: "Desta vez eu não a perdoarei!"
No trajeto de minha casa a casa de Selma não foi diferente, eram ameaças e ameaças dos espíritos, de morte: "O que você acha de agente parar esse carro e levar ela agora..." "Desgraçada, ninguém vai te salvar..."
Na semana que estive na casa de minha sogra muitos quiseram me levar a igrejas, orar por mim e eu com crença tinha, quis ir a um centro espírita fazer um tratamento em uma sessão espírita, o que não me ajudou em nada só fez piorar.
Minha sogra foi comigo ao médico do convenio, no entanto não consegui atendimento para o mesmo dia, tive que marcar e aguadar a consulta para um outro dia.
Deus te mostrará a verdade!
Tia Viviana sabendo de minha atual situação me chamou em sua casa e dizendo estar preocupa com meu tormento, ela que é católica, não muito praticante, diante de meu problema resolveu recorrer a suas amigas que faziam parte uma igreja evangélica, para fazerem uma oração de socorro a mim. Chegando a porta da casa de Viviana, escutei os espíritos zombando absurdamente de todos que estavam ali e fazendo me sentir em um nada, riam e diziam: "Olha ela ai..." "Cade a minha princesa apocalíptica?"
Na hora que conheci as amigas de Viviana, senti uma estranha aversão, era como se o mal tivesse tomado conta e eu sendo manipulada por aqueles espíritos sentisse nelas uma apatia sem precedentes, ao perguntarem a mim se aceitava a oração tive a sensação de que minha própria face se fez involuntariamente em escárnio e ojeriza de uma forma sobrenatural a tudo que elas representavam no devido momento, mas meu coração batia forte em amor e grande temor a Deus, parecia que existia dois seres em um só, pois minha face dizia o oposto do que realmente eu senti no instante em que oravam por mim, foi um sentimento de amor sem tamanho em reconhecimento a verdadeira congregação de Deus. E uma delas pegando em minhas mãos e chamando minha atenção pois eu parecia inerte, distante e ela disse: Filha? Aceita a oração que vamos fazer por ti a nosso senhor Deus, em Cristo Senhor?
E eu continuava calada, mas uma delas de forma insistente me perguntou olhando fixamente em meus olhos e me deu um pequeno movimento balançando minhas mãos e disse: Responda! Aceita?
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Senti meu coração acelerar e uma grande dor em temor a Deus sobreveio a mim e de forma inesperada surgiu instantaneamente um amor de irmã por aquelas mulheres respondendo... Sim! Com a mais pura verdade, dizia em meu coração: Abençoa essas minhas irmãs pai, tem misericórdia de mim, me dá tua benção por teu filho amado nosso senhor Jesus Cristo por tua benignidade salva minha pobre alma, amém!
No momento que terminaram de fazer a oração, abrindo os olhos a porta da casa que estava escancarada se fechou em uma forte batida, que assustou a todos e Viviana disse: Olha isso! Parece que não quer ir!
E uma das amigas de Viviana disse: Não parece! Ele não quer mesmo ir!
E Viviana apavorada pediu que fizessem oração por sua casa e família, e vi num relance algo como um vulto, uma imagem de um homem que saísse de minha frente indo a direção dela.
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Mais ou menos como nessa ilustração acima e eu disse: Vi algo indo para direção de Viviana!
Imediatamente Tia Viviana abriu a porta e começamos a orar. Após isso eu e Selma fomos para sua casa.
Muitos iram dizer que foi alucinação de uma mente doentia, muitos outros simplesmente não vão crer em minhas palavras e me chamando de sensacionalista dirão que me baseio neste filmes tolos e de ficção, que sem nenhum senso realidade não teve nada com que comparar ao que realmente vivi. E alguns outros podem comparar com uma possessão demoníaca ou dizer que sou paranormal, médium, no entanto, creio eu que nada disto tem haver inteiramente com o que ocorreu comigo, somente Deus sabe e tem poder sobre as coisas espirituais, antes de julgar qualquer uma destas hipóteses, pense bem nisto.
Digo aqui, já acreditei em mediunidade, mas podem estar certos de que hoje não mais, não só devida a trágica experiencia que vivi mas, pela descoberta sobre a verdadeira fonte de vida, Jesus Cristo, o que é essencial a todos nós e nos dá a força vital para nossas vidas, o Divino Espirito Santo assim nos guiando ao nosso pai Deus, a fonte da vida eterna, Jeová, esse nome tem poder, acredite, não o cito aqui os induzindo a seguir qualquer uma destas religiões que citam seu nome, mas para que seja santificado o nome de nosso Deus por testemunho.
Minha fé está mim e não em um outro lugar, o templo de Deus somos nós e sua Congregação é todos nós juntos unidos numa só unidade, num só amor em caridade. Não importa sua religião, sua raça, sua cor, sua nacionalidade, seu status social, pobreza ou riqueza, todos somos iguais perante o criador e ovelhas de um só pastor, Jesus Cristo. Em verdade eu os digo o que disse nosso salvador Jesus... Ame ao seu próximo como a ti mesmo e a Deus acima de tudo que todo sofrimento desaparecerá!
Ao anoitecer, "ainda crendo ser uma divida espiritual de outras encarnações", fomos num centro espírita de Allan Kardc, em uma "sessão espírita de tratamento espiritual", cuja a ideia era sanar com todo aquele sofrimento doentio e espiritual assim me libertando do que temia ser espíritos obsessores.
Chegando lá fui recepcionada em uma sala parecida ao um consultório médico, a mulher que me atendeu fez uma seri de perguntas que não me recordo agora, mas lembro de ter dito a ela que faziam dezessete anos cuja os espíritos diziam estar próximos a mim, e ela me receitou o tratamento espiritual que se realizaria em uma sala aparte, minha filha Sabrina fez parte disto infelizmente.
E eu entrando na sala sem janelas, na qual possuía uma só saída onde a unica porta ficava fechada e lá haviam três mulheres que me mandaram sentar em uma cadeira e uma delas pôs sua mão sobre minha cabeça, neste instante eu estava só com elas e erguendo a outra mão a ela pôs sobre uma outra mulher que estava sentada ao meu lado e dizendo algumas palavras que não me lembro, até a mulher que estava sentada e de cabeça baixa ergueu sua cabeça com olhos fechados e eu senti como se alguém estivesse me cutucando nas costas e ouvi o espírito: "Fica quietinha ai eu já volto!"
Nisto a mulher sentada na cadeira ao lado, abriu olhos que estavam parados, com as pupilas sem movimento, deu um sorriso estranho como se zombasse de todos ali e disse num tom de voz grosso: Não me diga que, eu não sou eu!
E a mulher que estava em pé com as mãos sobre sua cabeça o disse: Filho você precisa deixar esta mulher e sua família seguirem suas vidas, você já desencarnou precisa de ir pra outro plano espiritual...
Não... Eu não vou! Aquele homem merece ter o mesmo fim...
Eu sei que está sofrendo filho mas, tem que aceitar sua atual condição, quanto a ele terá suas cobranças por seus erros em outras vidas, quando se descarnar e encarnando de novo...
Então ouvi risos de muitas vozes e o espírito que julga estar na mulher começou rir e dum minuto para o outro chorou ardidamente e com muita raiva dizia: Não, eu não quero ir... Me ajuda, eu to me desmanchando, não...
E a mulher lhe dizia: Mais um pouco, essa é sua atual forma, esse outro corpo não existe mais...
E o espírito de uma forma desesperada, aparentemente chorando muito, falou: Eu não vou, antes mato aquele homem e acabo com sua família... Ele tem que pagar pelo que fez! Meu Deus, eu tava sozinho... Indefeso e ninguém pra me ajudar...
Eu sei filho, mas agora você tem que ir, será melhor para você! Disse a mulher e neste momento a terceira mulher que estava parada ao lado ajuntando-se a outra colocou as mãos sobre a cabeça da que estava sentada e o espírito aparentemente havia sumido.
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E os minutos seguintes foram aterrorizantes pra mim, saindo da sala me sentando em um banco ao fundo do salão principal de reuniões, muito rapidamente senti novamente a presença daquele espírito e um cutucão nos rins, parecia que literalmente ele se colava a mim, ligando-se aos meus rins, cheguei a ter a sensação de senti-lo se mexesse e ele dizia: "Raquely! Voltei!"
Neste exato momento vi um homem passando e conversando com um outro disse: Olha a menina não está nada bem, tremia muito e chorava de mais, parecia perturbadíssima!
E esse mesmo homem voltou seus olhos para mim e disse: O que está havendo com vocês? Tá difícil a libertação...
E foi assim que descobri que a pobrezinha de minha filha passava também por uma daquelas sessões espíritas naquela sala fechada. E minha sogra vindo até mim muito assustada, disse: Raquely, não queira ver o que vi, foi horrível nunca vi nada igual! Meu Deus o que é isso, o que acontece com vocês?
Alguns minutos se passaram, nos chamaram na sala onde estava minha filha Sabrina, eu a vi rodeada de pessoas fazendo "preces" para a libertar dos espíritos. E ela sentada de olhos fechados com todas aquelas mãos sobre sua cabeça, fazia um movimento tentando se levantar gritava chorando: Ai... Não... Não...
Em seguida pararam com as preces e uma das mulheres lhe perguntou: Como está se sentindo agora?
Melhor, mas foi muito estranho senti que algo saia de mim e tentava me puxar. Sabrina a respondeu.
Não se preocupe agora tudo ficará bem. Disse a mulher a Sabrina.
Então a mulher mais velha entre elas iniciou com uma especie de interrogatório a mim: Quando você sentiu que isso tudo começou?
Há mais ou menos um ano. Eu respondi.
Então minha sogra disse: Me contaram
Nisto escutei repetitivamente as vozes dos espíritos a gargalhadas zombando de nós: "Obra de macumbaria? Essa foi boa..."
Lembrando de um fato, pensando ter algum sentido com o disse Selma, eu contei a mulher: A uns tempos a traz, onde morávamos, em nossa rua se encontra muito dessas macumbas e meu marido só para tirar o sarro de nós que tínhamos medo de se aproximar dessas coisas, pegava nos pertences deixados lá e dizia aos risos... "Pronto, agora não me digam que a macumba vai pega em mim? Fala serio!"
E a mulher fez um feição de grande preocupação e disse: Como ele pode? Isso não é nada bom, eu já ouvi histórias sobre gente que tocou nestas coisas e muito se arrependeram, uns adoecem ou tornam se miseráveis! Até já vi um homem que tinha uma boa vida e após tocar nisto se viciou na bebida e praticamente foi parar na rua da amargura, na sarjeta alcoolizado...
Enquanto a mulher falava, eu ouvia as rizadas dos espíritos que caçoando de mim diziam: "Olha só pra ela..." "Parece um bichinho acuado!" "É mesmo..." "Eu disse que seria fácil..." "Cara o casamento o deles vai pro beleléu!" "É, ela nem deixa que a toque...
Neste instante a mulher parou falar e como quem estava ouvindo o mesmo que eu, fixou seu olhar em mim e me disse de uma forma repreensiva: Você precisa resolver a situação do relacionamento com seu marido! Se entendam logo! Pois isso tá afetando a pobre de sua filha! Eles estão indo tudo pra menina...
E eu continuava ouvindo aquelas vozes caçoando de nós todos, enquanto ela falava, até que me pediram que sentasse em uma cadeira e novamente iniciou se as preces com todas elas em minha volta erguendo suas mãos sobre minha cabeça, diziam: Senhor emana tua luz sobre a Raquely, trazendo suas boas vibrações sobre ela...
Nisto eu que estava de cabeça baixa, praticamente em uma posição curvada na cadeira, senti como se algo me pusesse em uma postura reta e lentamente levantasse minha cabeça, respirando fundo tive uma visão ou alucinação chamem isso do que quiserem, pois nem eu mesmo não sei como, mas senti que flutuava sobre um campo e vi ao longe meu marido sorrindo e sua aparência era de bem mais velho. E ouvindo as mulheres falarem de um modo mais alto, como se repreendessem aos espíritos para que me deixassem, abri meus olhos e em meio a toda aquela comoção delas, eu ouvi a voz do espírito obsessor zombando de todos e dizendo a mim: "O que acha disso?" "Ho... Pobre coitada, não liga daqui a pouco você nem vai lembrar dessas loucas...
Mais atormentada do antes só me vinham pensamentos horríveis de morte e grande ameaças, escutei: "O carro com seu marido e filhos que estava vindo pra cá, capotou, não sobrou ninguém viu!"
Deste momento em diante, terrorizada por aqueles espíritos de uma forma alucinante, não tinha mais descaço, entrei em pânico, uma confusão mental se estabeleceu, a angustia não se apartava mais de mim e fiquei completamente sem paz de espírito, só me restava o surto psicótico que ocorria logo após está visita ao centro espírita.
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No trajeto de volta para casa, ao meu cunhado parar com carro num posto, ouvi um estampido de um tiro, estava tão alucinada que sentia com se o som tampasse meus ouvidos por alguns segundos e escutei a voz do espírito: "O fim de tudo está próximo, eu vou te levar comigo!"
Então eu olhava para todos dentro do carro com seus semblantes calmos e pensava: Será que só eu escutei?
E vi que do lado de nosso carro passou um homem de gorro, igual com um outro que vi em Formosa.
E mais uma vez o estampido de um tiro, assusta, perguntei: Vocês não ouviram isso? Credo...
E meu cunhado já sabendo de meu problema disse: Isso o que Raquely?
Parecia um tiro! Eu disse.
Nossa mãe você tá ouvindo coisas! Disse Sabrina.
É... Para com isso Raquely! Disse Selma.
Ao chegarmos na casa de minha sogra, após o jantar que nem consegui comer direito, Sabrina estava no corredor do prédio, olhando para baixo, no que entrou na sala ela veio em minha direção, vi seu olhar perturbado e estranhamente suas pupilas pareciam estar opacas praticamente sem luz e uma tristeza evidente em seu semblante e ela me disse: Eu não gosto de minha vida, quero morrer! Agora mesmo pensei de me jogar daqui...
Eu disse a Sabrina: Não abra sua boca pra dizer uma sandice dessa! Olha lá bem o que diz, isso não é você, ora para Deus já! Agora menina...
Com isso eu peguei a bíblia e começando a ler, Sabrina disse: Não mãe, é pior, ai que eles não nós deixam em paz!
Então eu a fiz ler o salmo noventa e um, fizemos uma oração com minha sogra e Sabrina parecendo mais calma, começou a ouvir musica em seu celular. Neste momento eu estava lavando a louça e ela vindo até mim disse: Olha mãe, escuta essa musica, é muito bonita!
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Então ouvindo aquela musica, emocionada, por ver que Deus não nós abanou, pois ali diziam palavras que vinham a confirmar com que sempre acreditei, Deus se mostra presente em qualquer coração que a ele clamar por seu filho Jesus. E eu disse a Sabrina: Tá vendo filha como Deus é bom! Agora mesmo estávamos angustiadas foi só pedir sua paz, que ele nós trouxe a benção de poder ouvir essa linda musica.
Na manhã seguinte, tentava abrir a meus olhos que pareciam colados, passei a mão no rosto, ao conseguir abrir os olhos tive uma visão perturbadora, vi um rosto colado ao meu, era como se alguém aproximasse seu rosto do meu e não me deixasse ver mais nada além de sua face, onde o olho movimentava a pupila de um lado para o outro até que se fixou num olhar raivoso.
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Amedrontada me sentei e desesperadamente passando as mãos em meu rosto e aquilo sumiu. Todos tomavam café, mas eu nem conseguia me sentar junto a eles para se alimentar, André ainda estava em Formosa.
Aquela foi uma terrível manhã, onde ouvia aquelas as vozes de segundo em segundo, continuamente. Me lembro de um momento em que ouvi: "Você não vai se salvar, tudo que há de ruim, todo este mal é sua culpa!..." "Olha a miséria... A fome... A peste..." "Toda maldade e você o que fez pela palavra do senhor?" "Cristo morreu na Cruz..."
E tive outra visão, como se visse a sena de João Batista sendo decapitado. Nisto minhas vistas se tampavam diante de uma outra visão, vi fogo, muito fogo e uma enorme dor e pesar corroeram minha alma, ouvi: "Essa é sua casa, será incendiada, queimará até o pó!..." "Não haverá mais onde se esconder..."
Então chorando muito, me tremia e sentia muito frio, pus um casaco de lã e ouvi as vozes zombando: "E então vestiu-se de lã!" "Isso, agora saía gritando aos quatro ventos quem é você..." "E diga, o fim está próximo... O fim está próximo..." "Cara, isso não vai presta!
Eu não fiz o que as vozes diziam, pois sabia que não se tratava de verdade e sim de mentiras proferidas pelo mal no intuito de se escarnearem de mim os espíritos zombeteiros.
Ao anoitecer meu irmão Luiz e minha cunhada vieram nos buscar, a mim e minha filha Sabrina para ir sua casa.
O SURTO PSICÓTICO!
Chegando casa de meu irmão, ele pegando a bíblia nos sentamos a mesa, eu lhe contava sobre o mal que vinha sofrendo e ele me disse: Tenha calma mana, tudo irá acabar, se Deus permitiu é porque teve de ser assim nada é por acaso.
Eu não estou mais aguentando mano, está sendo tudo tão difícil de suportar, mas sei que pra tudo se tem um propósito, acredito que tudo isso começou porque eu já vinha sendo atentada a fazer coisas pecaminosas e eu sentindo isso em meu coração, falei a Deus da seguinte forma... (Capitulo X / fatos ocorridos 2005-2008) "Senhor, senhor Deus, se o senhor está ai e pode me ouvir, não deixa pai, não permita, que eu pense tais coisas, esses pensamentos, não me pertencem, isso não é eu! Me livra desta ideias insanas, corruptoras! Senhor me faz ver a verdade, mostra me o caminho e que sua vontade se cumpra na minha vida!" E deste instante em diante tudo a minha volta foi se mostrando as claras, não tinha mais como não acreditar que o mal existe e está ai diante de todos nós, que não queremos admitir, mas, sem Deus ele pode te envolver a tal maneira sórdida que quando você menos espera não te restará nada a não ser a morte. Eu o disse.
Mas você sabe que Deus não se afasta daqueles que o procuram e pedem sua misericórdia né? E foi isso que você fez mana. Disse meu irmão.
Sim sei, o senhor apenas está a me mostrar como o mal me envolve nas suas mentiras, a ponto de me fazer sentir se um nada. Eu o Respondi.
Mana Deus é benevolente, amoroso, se o inimigo está causando todo esse mal, é porque ele sabe que Deus vê em você sua bondade, fieldade a ele e seus propósitos. Disse meu irmão Luiz.
Nisto eu comecei a chorar e disse: Mas acho que não tenho mais o perdão do senhor...
Porque? Não diga isso, o senhor vê seu sofrimento, mas tome cuidado com o que diz, não caia na armadilha do inimigo. Disse Luiz.
Eu disse: Mano eu me sinto um nada, de ontem pra hoje só me vem a mente lembranças de todo mal que fiz em todo esse tempo em que vivi... Das palavras enganosas quando eu não queria magoar, quando na verdade devia dizer a verdade nada mais... Omiti fatos para que não se fizessem desavenças, pensando em si mesma... A minha boca é imunda, pois eu andei insultando muito gravemente a todos só para ter a garantia de estar certa, quando na verdade, deveria ouvir mais e falar menos... Minha paciência que antes se transbordava, secou... Não vou a casa de Deus, não soube educar meus filhos como nossos pais nos educaram na graça de Cristo... Magoei a muitos, principalmente os que amo. Isso não era pra ser eu, meu Deus, o que fiz com minha vida!
Disse meu irmão: Tudo isso é a prova de que Deus está com você e não contra, observa a tudo o que você acabou de me dizer, mana, sua alma está sendo purificada de todo mal que o inimigo te lançou, suas lágrimas são a prova disso, o arrependimento é honroso e digno de perdão sabia?
Nisto Luiz começou a ler trechos da bíblia, até que ele leu partes do livro de apocalipse.
Enquanto Luiz lia este trecho da bíblia, ouvia as vozes dos espíritos que ardilosamente me faziam acreditar que eu era nada mais nada menos que o próprio mal sobre a terra. E tudo de ruim que acontecia as pessoas, o fim de todos, era minha culpa. Meu estoma começou a embrulhar e ouvia as vozes junto a do meu irmão, escutei: Observa isso, olha a nojeira em que você deixou sua alma! Todas almas entraram em perdição, no mundo não há mais espaço para misericórdia, devido ao seu pouco caso, muitos inocentes morreram... Você tem dois dias para livrar este mundo de seu fim, morra! Ou então se una a eles.
Então eu comecei a chorar compulsivamente, nada fazia cessar meu desespero e meu irmão Luiz vendo isso, chamou a nosso irmão Humberto e quando fizeram as orações, nada fazia me acalmar, deste momento em diante entrei num estado de choque e não ouvia a mais ninguém a não ser as vozes dos espíritos. E todos se apavoraram de meu tormento, pediram a Deus que me cobrisse com a misericórdia do santo sangue de Cristo. Mas eu tinha um grande calvário pela frente, pois a tudo Deus me levou ao juízo, se não, como eu entenderia o porque de tudo aquilo?
Eu não estou mais aguentando mano, está sendo tudo tão difícil de suportar, mas sei que pra tudo se tem um propósito, acredito que tudo isso começou porque eu já vinha sendo atentada a fazer coisas pecaminosas e eu sentindo isso em meu coração, falei a Deus da seguinte forma... (Capitulo X / fatos ocorridos 2005-2008) "Senhor, senhor Deus, se o senhor está ai e pode me ouvir, não deixa pai, não permita, que eu pense tais coisas, esses pensamentos, não me pertencem, isso não é eu! Me livra desta ideias insanas, corruptoras! Senhor me faz ver a verdade, mostra me o caminho e que sua vontade se cumpra na minha vida!" E deste instante em diante tudo a minha volta foi se mostrando as claras, não tinha mais como não acreditar que o mal existe e está ai diante de todos nós, que não queremos admitir, mas, sem Deus ele pode te envolver a tal maneira sórdida que quando você menos espera não te restará nada a não ser a morte. Eu o disse.
Mas você sabe que Deus não se afasta daqueles que o procuram e pedem sua misericórdia né? E foi isso que você fez mana. Disse meu irmão.
Sim sei, o senhor apenas está a me mostrar como o mal me envolve nas suas mentiras, a ponto de me fazer sentir se um nada. Eu o Respondi.
Mana Deus é benevolente, amoroso, se o inimigo está causando todo esse mal, é porque ele sabe que Deus vê em você sua bondade, fieldade a ele e seus propósitos. Disse meu irmão Luiz.
Nisto eu comecei a chorar e disse: Mas acho que não tenho mais o perdão do senhor...
Porque? Não diga isso, o senhor vê seu sofrimento, mas tome cuidado com o que diz, não caia na armadilha do inimigo. Disse Luiz.
Eu disse: Mano eu me sinto um nada, de ontem pra hoje só me vem a mente lembranças de todo mal que fiz em todo esse tempo em que vivi... Das palavras enganosas quando eu não queria magoar, quando na verdade devia dizer a verdade nada mais... Omiti fatos para que não se fizessem desavenças, pensando em si mesma... A minha boca é imunda, pois eu andei insultando muito gravemente a todos só para ter a garantia de estar certa, quando na verdade, deveria ouvir mais e falar menos... Minha paciência que antes se transbordava, secou... Não vou a casa de Deus, não soube educar meus filhos como nossos pais nos educaram na graça de Cristo... Magoei a muitos, principalmente os que amo. Isso não era pra ser eu, meu Deus, o que fiz com minha vida!
Disse meu irmão: Tudo isso é a prova de que Deus está com você e não contra, observa a tudo o que você acabou de me dizer, mana, sua alma está sendo purificada de todo mal que o inimigo te lançou, suas lágrimas são a prova disso, o arrependimento é honroso e digno de perdão sabia?
Nisto Luiz começou a ler trechos da bíblia, até que ele leu partes do livro de apocalipse.
Enquanto Luiz lia este trecho da bíblia, ouvia as vozes dos espíritos que ardilosamente me faziam acreditar que eu era nada mais nada menos que o próprio mal sobre a terra. E tudo de ruim que acontecia as pessoas, o fim de todos, era minha culpa. Meu estoma começou a embrulhar e ouvia as vozes junto a do meu irmão, escutei: Observa isso, olha a nojeira em que você deixou sua alma! Todas almas entraram em perdição, no mundo não há mais espaço para misericórdia, devido ao seu pouco caso, muitos inocentes morreram... Você tem dois dias para livrar este mundo de seu fim, morra! Ou então se una a eles.
Então eu comecei a chorar compulsivamente, nada fazia cessar meu desespero e meu irmão Luiz vendo isso, chamou a nosso irmão Humberto e quando fizeram as orações, nada fazia me acalmar, deste momento em diante entrei num estado de choque e não ouvia a mais ninguém a não ser as vozes dos espíritos. E todos se apavoraram de meu tormento, pediram a Deus que me cobrisse com a misericórdia do santo sangue de Cristo. Mas eu tinha um grande calvário pela frente, pois a tudo Deus me levou ao juízo, se não, como eu entenderia o porque de tudo aquilo?
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"Lança fora o escarnecedor, e se irá a contenda; e cessará a questão e a vergonha. O que ama a pureza do coração, e tem graça nos lábios, terá por seu amigo o rei. Os olhos do senhor conservam o que tem conhecimento, mas as palavras do iníquo ele transtornará." Provérbios 22 V. 10-11-12.
Passadas duas horas que meu irmão Humberto havia ido embora e eu estava no mesmo estado, minha mãe arrumou a cama para dormirmos no entanto, ninguém conseguiria dormir naquela casa nesta noite. Me deram calmante, o que foi pior, pois um dia antes os espíritos haviam dito: "Ela não vai aguentar..." "Simples damos o calmante e tudo dará certo!"
Quando meu irmão veio com uma taça vermelha de plástico com água me dar o calmante, eu disse: Não isso não!
Depois de muito insistir ele me convenceu e eu tomei o calmante, passadas três horas e eu estava no mesmo estado, chorando aos gritos, eu as vezes parava por alguns segundos de exaustão e ouvia as vozes: "Ela tá nesta casa!..."
Imaginava eles a minha procura em todas as casas de meus irmãos e a cada casa eu ouvia, vozes de desespero apavorantemente, tiros e as agressivas vozes dos espíritos: "Cadê ela? Vamos, fala onde ela está ou mato?..." "Eu não sei... Por favor, não, meu Deus!"
Então me levantei, fui ao banheiro, e meu irmão preocupado comigo veio até a porta do banheiro e disse: Raquely saia dai, vai mana, não tem nada de ruim acontecendo!
Não quero ver.... Não eu quero ir, não quero ver! Meu Deus misericórdia, me leva, não deixe que isso aconteça a eles, a culpa é só minha. Eu dizia.
Nisto escutei como se fosse um tiroteio frente casa de meu irmão e as vozes: "É hoje, você vai nem que seja amara! Ou vou ter que matar a todos?"
Neste instante imaginava que aquelas vozes eram de verdadeiros demônios encarnados a minha procura, o meu pavor foi tal que meu coração parecia que sairia pela boca a qualquer momento. Após muito insistir, Luiz conseguiu me levar para o quarto, e ele me deu mais calmante homeopático, acho que uns três, e não dormi, os gritos e todo meu tormento prosseguiram noite a toda.
Fui ao banheiro mais uma vez, ouvi tiros e gritos com se fossem dentro da casa, e as vozes: "Mata a todos eles, não deixa um!"
Então eu gritei: Meu Deus socorro! Tem misericórdia...
E ouvia as vozes dos espíritos: Não adianta gritar, você vai e pronto! Não tem mais salvação, a condenação é certa, o que você fez não tem perdão, o que fez pela palavra de Deus? Olha o mal que tu fizeste... Todos morreram, este mundo será destruído e a culpa é só sua!
Misericórdia, Senhor Deus, me leva, eles não tem culpa! Eu dizia.
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Minha mãe vendo eu em meio a todo aquele desespero chamando pelo nome de Deus, Jeová, mesmo sendo da congregação Cristã, pegou um livro daqueles de ensino bíblico dos testemunhas de Jeová e disse: Tenta ler, poderá te acalmar se conseguir, ora para Deus filha, acredite ele está conosco, ele é bom e misericordioso.
E aqueles violentos espíritos não paravam de me depreciar e me escarnecer com suas mentiras: Sua vadia, maldita, agora diz que não tem culpa? Ela é Jesus e André é Judas...
Eu pensava: Mentira! Se afasta de mim!
E eu gritava: Senhor olha o que fazem comigo, tem piedade!
Ouvi os espíritos dizerem: De geração em geração a esconderam de nós, mas nós a encontramos, tudo começou com você e Adão agora terminara com você sozinha, maldita...
Eu dizia aos gritos: Não é verdade, cada ser é único, não tive outras vidas além desta vida...
E os espíritos diziam:Vários de nós caímos, e tudo para que? Para você vir aqui e dizer que é nossa culpa, a culpa é só sua, você é uma de nós... Admita!
Eu falava implorando ao senhor que acabasse com aquilo: Não, Meu Deus...
Tem que ser agora Jeová está vindo... Eu escutava.
Vamos admita, se renda a nós... Eu ouvia.
Não! Eu prefiro a morte! Eu gritei.
Ouvia: Você tá sentindo isso?
E senti arder meus pés como se tivesse mesmo fogo, uma verdadeira labareda bem abaixo deles e escutei o espírito: Morrerá queimada sua vagabunda!
Escutei: Sabe, seus irmãos, sua família, todos fazem parte disso...
E eu em meus pesamentos dizia: Eu sei que não, pois somos todos filhos de um só Deus por Cristo.
E escutei um barulho horrível vindo da cozinha, era como se vasculhassem os talheres da gaveta e escutei: Eu provarei que eles são um de nós, ele mesmo, seu irmão vai te matar.
Aqui eu parecia ter começado a recuperar um pouco da consciência sabia, que ninguém de minha família faria tal ato e disse a mim mesma: Deus é o meu pai e só o senhor sabe o que a de ser de mim.
Com isso, as vozes foram gradativamente sumindo.
Minutos depois começou a clarear o dia, minha cunhada passando pelo corredor dos quartos veio até mim e disse com lágrimas nos olhos: Meu Deus, Raquely, tá melhor?
E eu não conseguia responder, queria poder dizer que estava tudo bem mas, só fiquei ali com meu olhar perdido e pensando: Meu Deus nos perdoa, dá paz a nossos corações!
Tentaram fazer com que eu me alimentasse, mas não conseguia nem sentir ao cheiro do café, passei mal do estomago, enjoada, vomitei. E não conseguia falar com ninguém, só ficava em volta a pensamentos ruins e recordando de cada segundo daquela noite de horrores.
Umas duas horas depois a mãe de minha cunhada Clarisse, veio até mim no intuito de me dar paz de espírito, com poucas mais sabias palavras de seu conhecimento aprendido através da bíblia, com a bíblia em mãos, ela me disse: Eu sei que tudo parece estar confuso agora, mas se Deus quer será, deixe que o senhor te guie, leia a bíblia, ela te dará forçar e susto para seguir enfrente, olha aqui, este é o melhor presente que eu posso te dar neste momento.
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Passada meia hora, meu irmão me levou a um
pronto socorro psiquiátrico, o médico me perguntou: O que você está sentindo,
conta para nós podermos te ajudar?
Muita tristeza, mas você não pode fazer
nada, está tudo acabado, o fim está próximo! Eu respondi.
Então meu irmão contou ao médico sobre a
crise que tive naquela noite, crise está que foi identificada como um surto
psicótico. O médico se aproximando de mim para me examinar, eu disse: Não!
Fique tranquila, eu só quero te
ajudar! Disse o médico.
Eu sei, mas não toque em mim, estou suja,
impura, minha alma caiu em perdição, você não merece tocar na imundice, meus
pecados foram muitos, não me toque, pois tudo que há de ruim pode ir pra você!
Eu disse.
Então o médico se aproximando de mim olhou
bem fixamente nos meus olhos, se afastando ele começou a preparar a
receita médica e advertiu a meu irmão que eu precisava urgente de entrar em
tratamento psiquiátrico.
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Neste instante ouvi risadas olhei para o vitro do consultório,
lá fora parecia ter uma roda de pessoas, eram homens todos usavam gorro e
escutei como se tivessem zombando de mim: "Meu ela tá bem fragilizada..."
"Eu disse que seria fácil..." "É! E foi mesmo, olha só pra ela
parece um bichinho assustado!"
Ao sairmos do pronto socorro fomos ao o
shopping, pois minha cunhada queria comprar roupas para o casamento de nossa
sobrinha que seria a noite naquele mesmo dia. Eles no intuito de me animar
compraram roupas para eu também ir ao casamento.
Na hora em que cheguei à festa do
casamento, André veio ao meu encontro, ele parecia estar bem abatido por meu
problema, me dando um forte abraço, fomos a uma mesa do salão. E ali fiquei até
o fim da festa inerte, sem falar com ninguém, ao fim da festa André quis que eu
fosse com ele para casa de sua mãe, mas eu não acetei quis ficar na casa de meu
irmão Luiz que pediu a André que ficássemos em sua casa pelo menos naquela noite, entrando
em comum acordo, fomos ao carro de Luiz. E ao me despedir de algumas de minhas
irmãs, Moni e Liliam que até aquele determinado momento não sabiam de meu
estado de saúde, chocadas por minha situação me abraçaram, chorando disseram
a mim que me amavam e pediram pra que não as deixassem sem noticias minha."Imagem colhida da Web assim como todas as imagens deste blog"
Após isso no dia seguinte, ao entardecer André foi buscar as crianças na casa de minha sogra para irem a casa de irmão, como também meus irmãos foram a casa de nosso irmão Luiz, houve uma grande discussão entre meus familiares e meu marido devida a minha insistência em não voltar para a cidade onde morávamos, pois eu em minha doença passei
a crer que o mal que viera sobre mim estava sobre ela. Dizia minha cunhada Clarisse:
André sua mulher precisa de cuidados que lá não tem, pense um pouco, não seria
o caso de vocês virem pra cá pelo menos até que tudo isso passe?
Não, isso está completamente fora de questão! Nervoso, respondeu André.
Então todos entraram num consenso
e eu voltei para minha casa naquela mesma tarde. Dois dias se passaram, meu irmão Luiz,
minha cunhada e meus sobrinhos vieram com minha mãe a nossa casa, eles ficaram
conosco até a manhã do dia seguinte, no começo da tarde Clarisse, vendo a várias ligações
perdidas de seus irmãos em seu celular, preocupada, pois não conseguia retornar
as ligações devido ao uma falha no sistema de telefonia, sentiu uma estranha
angustia como se temesse, previsse que algo muito ruim tivesse acontecido e insistentemente pediu a meu irmão que fossem embora naquela mesma hora e eles foram.
Não, isso está completamente fora de questão! Nervoso, respondeu André.
E Danilo, meu irmão disse: Ela
não vai sair daqui! Minha irmã está doente e a prioridade agora é o bem estar dela cara!
Ninguém mais do que eu sabe disto
e nenhum de vocês podem me tirar o direito de cuidar de minha mulher! Disse
André.
E Danilo o disse num tom alto: Cara, a prioridade é ela agora, será que não vê que a saúde de nossa irmã...
Disse André: Não insistam, pois
eu não vou a deixar aqui, somos casados, lembrem-se, nós nos prometemos estarmos juntos saúde e na doença, se vocês acreditam nesta promessa, não me impediram de
estar com ela, como seu marido, eu a cuidarei da melhor forma...
Não me venha com sentimentalismos,
pois não vai nos convencer... Disse Danilo.
Disse André: Bom eu vou fazer valer
meu direito, chamarei a polícia se preciso, vamos ver quem tem mais direito de cuidar
dela...
E todos se exaltaram, onde meu
sofrimento foi maior, porque, se já me sentia culpada por todo mal existente no
mundo, imaginem ouvir a toda essa discussão por minha causa. Mas felizmente todo
esse terrível desentendimento cessou quando Luiz disse: Parem com isso! Nada
desta discussão irá ajuda-la, só vão a deixar ainda mais triste! Danilo, André
está certo.
André pela manhã do dia seguinte quis sair para
fazermos uma caminha, achando ser bom para nós, darmos uma espairecida, tomar
novos ares. No sairmos poucos passos a diante vi uma mulher gritando na esquina,
ela tinha sobre suas costas um grande saco plástico preto todo rasgado e sujo
de terra, sua feição não me era estranha, assim que ela fixou em mim um olhar raivoso
e apontando em minha direção como quem me intimasse com grande fúria e disse:
Vamos... Vamos, vamos... Tem ser já, logo! Eu disse, olha bem... Disse dois dias
nada mais, vamos acabe logo com isso! Morra, ou se una a eles!
Sentindo grande angustia, no
olhar melhor para aquela mulher, lembrei-me da mãe de Clarisse, pois aquela
mulher era totalmente idêntica a sua mãe. Claro que não era a mãe de Clarisse, ela era uma pessoa muito boa com um lindo coração, tudo se tratava do mal querendo me desestruturar, me desencaminhando para perdição. Após nossa caminhada ao retornarmos para casa,
eu não vi mais a tal mulher naquela esquina, no entanto ao entardecer André
quis me levar para outra caminhada. No passarmos por um campo senti um forte
cheiro de fumaça, olhei em volta do campo e não havia nenhum tipo de fogueira
ou algo queimando tão próximo para que eu sentisse aquele forte cheiro de
fumaça. E escutei o espírito: “Não esquenta foi tudo muito rápido, só um
acidente, vai morrer queimada sua vadia, eu disse, dois dias, sente o cheiro da
fumaça, tá queimando...”
Na tarde do dia seguinte, eu
estava só em casa quando recebi uma ligação da escola, disse-me a diretora, que
fosse buscar Sabrina, pois ela havia sido ameaçada com uma faca por um de seus
colegas de classe, o menino que tinha distúrbios mentais num surto por não
estar tomado seus medicamentos de forma correta, mostrando a faca disse a umas
colegas de minha filha que a mataria. Segundos após isso, o menino agrediu a
minha filha com um soco em suas costas, suas colegas temendo o pior comunicaram
à professora, que por sua vez a liberou sair mais cedo e disseram terem chamado
uma ambulância para levassem o menino.
Nisto eu que já não estava bem, entrei
em desespero, liguei para minha cunhada Clarisse para que me ajudasse fazendo
uma oração por nós todos e para que eu tivesse força para suportar a mais esse em
baque sobre nós. Chegando a escola, foi com grande dor e preocupação que vi
minha pobre filha completamente apavorada e chorando muito por tal ato estupido.
Indignada eu disse para darem um jeito naquela situação, porque mesmo sabendo
que o menino não tinha culpa, pois não respondia por seus atos, devido a seu estado
mental, a escola e os pais do garoto deviam cuidar para que se preservasse tanto
a segurança das crianças que com ele estavam quanto pelo próprio menino.
Neste mesmo instante minha
cunhada que dirigia seu carro e pensava no grande mal que nos cercava e em todo
aquele sofrimento que se abateu não só sobre mim, mas a muitas pessoas de seu convívio,
ela que não havia nos contado ainda sobre o motivo daquelas ligações que a
preocuparam no dia em estavam em nossa casa, ligações estas feitas por seus irmãos que queriam lhe comunicar uma tragédia
corrida naquele dia, sua mãe havia sofrido um terrível acidente. Ao pensar
nisto ela ouviu uma voz lhe dizer: Você tem que contar aquela mulher o que
aconteceu a sua mãe, Raquely tem que saber!
Ao chegamos em casa estando mais calmas, fui arrumar o quarto, dobrava umas roupas quando chegaram
André, Alice e Antony. Minutos depois senti um forte cheiro de vela, indo em
direção do guarda roupa guardar umas roupas dobradas senti um forte cheiro de
flor e terra, ouvi a voz do espírito: “Sente o cheiro de enterro...”
Então minha cunhada Clarisse me ligou para dar a triste noticia: Oi Raquely, como estão e Sabrina está melhor?
Respondi já aflita ao atende-la, por ter sentido os cheiros senti e ter ouvido espírito pouco antes de sua ligação, eu disse: Sim está tudo bem, mas...
Ela disse: Raquely, tenho que te contar algo e tem que ser agora, me desculpe te dizer isso assim, mas eu dirigia a meu carro quando, pensava nos problemas que estamos enfrentando e ouvi uma voz dizer... “Você tem que contar aquela mulher o que aconteceu!” Todos disseram que eu devia esperar mas, diante disto acho que tudo tem que ficar as claras e você precisa mesmo saber. Que minha mãe, que nestes dias estava conosco a nos orientar por sua fé para te ajudar, sofreu um terrível acidente de caminhão com meu pai. O caminhão que estava a sessenta por hora, foi acionado seu alarme de forma desnecessária, onde deu uma pane no motor que bruscamente se desligo e o caminhão tombou se incendiando, o caminhão pegou fogo Raquely, meu pai tentou salvar minha mãe, mas ela estava inconsciente e ele não conseguiu a atirar do caminhão em chamas, ela morreu.
Nisto André me vendo transtornada e não falando coisa com coisa, tomou o telefone de minhas mãos, falou umas poucas palavras com com Clarisse e desligando o telefone tentou de toda forma me confortar daquela terrível notícia que recebera.
Ao amanhecer no outro dia, naquelas enfadonhas horas em que
não tinha mais descanso dos perturbadores pensamentos de morte, estava lavando
louça e as lágrimas eram constantes, pensava: Meu Deus tira isso de mim, me de
sua paz porque senão como vou suportar? Não, não vou suportar, preciso acabar
logo com isso, será que devo me jogar da ponte para morrer afogada? Mas como? Se eu me matar sei que o senhor não me perdoará, então
me leve daqui, por favor, sei que não mereço seu perdão, mas tudo o que te peço
é por única exclusividade por seu filho amado, Jesus Cristo...
Neste instante me veio uma infernal
ideia de pegar a faca e cortar meus pulsos e simultaneamente tive à imagem de
muito sangue escorrendo em meus braços, sem me cortar soltei a faca a jogando
sobre a pia, senti uma forte dor no peito, muito repentinamente senti uma
serena luz adentrar pela janela vinda sobre mim...
E veio o pensamento: Não faça o que não te lícito! Observe estas palavras atentamente, pois elas vêm o altíssimo, Deus, e não de um simples pensamento... Serás disciplinada, terás a luz do divino para te guiar, tu tens um longo caminho, desgastantes e dolorosos serão teus passos, mantenha-se firme, pois eu sou contigo, não julgues, pois o que é certo ou errado? Não tens este poder para isso, lembre se, nada é mais temível que o senhor teu Deus, ele é sua rocha, seu abrigo e o seu exclusivo conselheiro! Não há religião certa, há um só Deus e seu templo é o vosso alma, assim como a alma de cada um de vossos irmãos que em Cristo e unidos formam um só corpo. Preserve o que é digno de salvação, não te queixes muito menos não repliques no porque teu Deus te fez assim, tudo tem seu proposito, filha querida, renove suas expectativas quanto a si, Jesus não veio em vão a este mundo. Guarde essas palavras como teu mais precioso bem e diga a seus irmãos sobre o amor de Cristo.
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E veio o pensamento: Não faça o que não te lícito! Observe estas palavras atentamente, pois elas vêm o altíssimo, Deus, e não de um simples pensamento... Serás disciplinada, terás a luz do divino para te guiar, tu tens um longo caminho, desgastantes e dolorosos serão teus passos, mantenha-se firme, pois eu sou contigo, não julgues, pois o que é certo ou errado? Não tens este poder para isso, lembre se, nada é mais temível que o senhor teu Deus, ele é sua rocha, seu abrigo e o seu exclusivo conselheiro! Não há religião certa, há um só Deus e seu templo é o vosso alma, assim como a alma de cada um de vossos irmãos que em Cristo e unidos formam um só corpo. Preserve o que é digno de salvação, não te queixes muito menos não repliques no porque teu Deus te fez assim, tudo tem seu proposito, filha querida, renove suas expectativas quanto a si, Jesus não veio em vão a este mundo. Guarde essas palavras como teu mais precioso bem e diga a seus irmãos sobre o amor de Cristo.
E de repente minha filha Sabrina
disse muito calmamente: Mãe!
Eu a abracei dizendo: Eu te amo,
eu te amo muito filha, assim como nosso senhor Jesus nos ama! Jesus te ama filha e eu também lembre-se disto!
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E senti algo como se a presença
de um espírito bom acompanhasse meus pensamentos e dissesse que a mãe de
Clarisse, minha cunhada, está sobre as mãos do senhor. Com isso aprendi que não basta ser fiel
a igreja e aos princípios de uma doutrina, não basta ser bom enquanto ser
humano tem de ser absolutamente entregue as forças celestiais pelo poder do
Divino Espírito Santo com sua vida pertencendo ao único e verdadeiro Deus,
assim a vitória será concedida por Jesus Cristo o nosso salvador, precisamos
aceitar definitivamente isso e de coração limpo. Religião nenhuma salva, mas é nas
boas palavras de um pastor, padre, pai, mãe, irmão, irmã, filho, filha, amigo, amiga ou até
mesmo um desconhecido que senhor poderá falar com você e também nos seus
pensamentos de forma inexplicável as palavras do senhor penetraram em sua alma,
basta deixar o senhor Deus habitar em ti, ele te mostrará, Cristo é a verdade o
caminho e a vida.
Não digo aqui que seguir a uma
igreja, seja desnecessário, ser religioso nos fortalece, pois é na casa do
senhor que encontramos conforto ao coração, obviamente se de firme confiança,
guardarmos nossa vida a Cristo. É na casa do senhor que encontramos a mais bela
e poderosa união dos filhos do senhor. Mas também vos digo, não devemos nunca
nos sentir superiores a qualquer pessoa, mesmo que está esteja desgarrada dos
princípios do senhor, somente Deus sabe o que se passa no intimo de um ser
humano, isso está completamente fora de nossa compreensão, portanto não cabe de
maneira nenhuma julgarmos, cuidado, pois na mesma medida que julgamos seremos
julgados!
Amar ao seu próximo não é simplesmente
amar a um filho, uma mãe, um pai, um irmão ou um conhecido e sim amarmos de
forma altruísta a qualquer ser humano e de forma amorosa respeitar a qualquer
forma de vida existente na terra, percebendo que o equilíbrio da natureza está
nas mãos do criador e não da criatura. Se o mundo está do jeito que está, foi
por nossa negligencia e falta de respeito ao meio ambiente, por total abandono
de nossa fé no que jamais deveríamos deixar de crer tudo pertence ao criador
sem ele não há vida lembre-se disto.
Mesmo com todo este amoroso
amparo do senhor, eu ainda não estava preparada, tinha um longo caminho a percorrer, minha
alma estava quebrantada pela depressão, na imperfeição de minha alma se
encontrava um dos maiores problemas, a doença, eu expirava de cuidados médicos
urgentemente, tinha que confiar em Deus e na medicina, para que assim fortificasse
minha alma para uma vida espiritual.
Estava tomando os remédios
prescritos pelo médico, mas este ainda não me era o certo, estava muito mal,
com os sintomas da depressão extremamente aflorados, era quase impossível
suportar de viver, se senão fosse por minha fé e pelo amor de minha família não
sei o que seria de mim. André percebendo que eu não me recuperava nem um pouco,
decidiu me levar ao médico do convenio. E mais uma vez passei por avaliação
médica onde foi trocado meu medicamento, chegando em casa, se passaram horas,
anoiteceu, amanheceu e eu não parava de chorar, meu marido preocupado com minha
situação me cercava de cuidados, meus filhos tão jovens ainda, assumiram a
responsabilidades que não cabiam a eles ter. Isso me fazia sentir-se um
verdadeiro peso a eles. Pra se ter uma ideia eu que já era magra, perdi quase
dez quilos em dois meses, teve um dia em que tudo que comia rapidamente punha
pra fora e quando consegui comer uma simples fatia de pão foi uma vitória, eu
realmente achava que morreria em breve, o que na época desejava arduamente.
Mas sempre me vinha a triste e assombrosa dor de ter que deixar meus filhos sem
mãe, meu amor que tanto fez por mim só, minha mãe que amorosamente se sacrificou
pra me criar, meus irmãos, meus sogros, cunhados, meus amigos...
Procurei ajuda espiritual com as
testemunhas de Jeová, pois eu anos antes tive um curto tempo de ensinamento o bíblico
com umas senhoras onde me fazia bem ouvi-las, lembrando-se disto e acreditando
que isso poderia me ajudar de alguma forma, passei a estudar a bíblia com uma
moça, na qual bati a sua porta sem conhecê-la lhe pedindo por ajuda e no mesmo
minuto ela concordou em me ajudar. Mesmo sem o aval de meu marido, as visitas
desta moça que me faziam bem onde sua amizade e as palavras de conforto
espiritual me davam certa segurança, o que facilitou para aceitação de André em
eu ter o ensino bíblico com ela.
E passavam se dias, semanas e não
havia um só dia em que eu não entrasse em desespero, houve uma madruga, onde
fui acordada subitamente pelos gritos de um espirito cruel, aquelas vozes
vinham para me desmontar, ameaçando a mim e minha filha Sabrina. Nesta hora acordei a casa toda, acho que perturbei o sono
até de meus vizinhos, vergonhosamente lembro-me disto, me ajoelhando gritei aos
berros: Não isso não, senhor me leva, eu quero morrer, não quero mais estar
aqui, livra minha família deste mal, acaba com esse sofrimento por favor... Não
aguento mais, eu quero morre...
E minha sogra que estava conosco
naquela noite, disse algo sem pensar que só fez piorar meu desespero, ela disse:
Raquely para como isso menina! Não vê o que está fazendo, não? Está assustando a
todos, para, senão isso vai te levar a loucura! Vai fica louca...
André que havia ido a cozinha
voltava com um copo de água e disse a sua mãe: Para com isso! Nada do que disse vai
ajudar mãe.
E por incrível que pareça André
sendo o séptico que é, um ateu militante por sim dizer, pegou a bíblia abriu no
salmo quarenta e disse: Se você acredita nestas palavras como diz que acredita, ouve, elas devem te acalmar.
E ele leu em voz alta pra mim.
Salmos 40:1-17
"Esperei com paciência no Senhor,
e ele se inclinou para mim, e ouviu o meu clamor.
Tirou-me dum lago horrível, dum
charco de lodo, pôs os meus pés sobre uma rocha, firmou os meus passos.
E pôs um novo cântico na minha
boca, um hino ao nosso Deus; muitos o verão, e temerão, e confiarão no Senhor.
Bem-aventurado o homem que põe no
Senhor a sua confiança, e que não respeita os soberbos nem os que se desviam
para a mentira.
Muitas são, Senhor meu Deus, as
maravilhas que tens operado para conosco, e os teus pensamentos não se podem
contar diante de ti; se eu os quisera anunciar, e deles falar, são mais do que
se podem contar.
Sacrifício e oferta não quiseste;
os meus ouvidos abriste; holocausto e expiação pelo pecado não reclamaste.
Então disse: Eis aqui venho; no
rolo do livro de mim está escrito.
Deleito-me em fazer a tua
vontade, ó Deus meu; sim, a tua lei está dentro do meu coração.
Preguei a justiça na grande
congregação; eis que não retive os meus lábios, Senhor, tu o sabes.
Não escondi a tua justiça dentro
do meu coração; apregoei a tua fidelidade e a tua salvação. Não escondi da
grande congregação a tua benignidade e a tua verdade.
Não retires de mim, Senhor, as
tuas misericórdias; guardem-me continuamente a tua benignidade e a tua verdade.
Porque males sem número me têm
rodeado; as minhas iniquidades me prenderam de modo que não posso olhar para
cima. São mais numerosas do que os cabelos da minha cabeça; assim desfalece o
meu coração.
Digna-te, Senhor, livrar-me:
Senhor, apressa-te em meu auxílio.
Sejam à uma confundidos e
envergonhados os que buscam a minha vida para destruí-la; tornem atrás e
confundam-se os que me querem mal.
Desolados sejam em pago da sua
afronta os que me dizem: Ah! Ah!
Folguem e alegrem-se em ti os que
te buscam; digam constantemente os que amam a tua salvação: Magnificado seja o
Senhor.
Mas eu sou pobre e necessitado;
contudo o Senhor cuida de mim. Tu és o meu auxílio e o meu libertador; não te
detenhas, ó meu Deus."
Me acalmando, tomei o calmante que André me dera e dormi.
Num outro dia, tomava banho quando escutei as vozes dos espíritos rindo e zombando de mim: "Olha para o espelho vê, como está linda!..." Ho, pobre coitada tá seca, ai só se vê osso! Sempre foi ridícula sua vadia!
E de repente escutei um barulho vindo da porta da sala e minhas filhas assutadas correndo até a porta do banheiro disseram: Mãe tem alguém querendo entrar aqui!
E ouvi os espíritos em meio a risos: "Calma! Sou eu mesmo, vim te buscar!" "Cara olha os olhos dela estão esbugalhados" "Ta assustada? É, não viu nada ainda, viu!
Nisto sem desligar o chuveiro e nem sair do banheiro, fiz uma constante oração e ao mesmo tempo ouvia... "Vamos... Apela para as forças divinas, vai... Quem sabe?"
Chorando orei em voz alta e ouvia: "Não adianta! Está tudo acabado, Deus não se lembra de você!"
Passado um minuto em que orava ouvi mais uma vez: "Não! Aqui não há espaço para maldade! Só há vida!..." "Ela tem o dom da vida e da morte!" "Então eu vou destruí-la!..."
E ouvi: "Ninguém tem mais poder que Deus, afaste-te pois a hora é do senhor, sua condenação está próxima, deixe agora a serva do senhor!
Nisto gradativamente as vozes foram sumindo e passou-se cinco minutos de minha aflição, parando de orar, sai do banheiro e minhas filhas estavam sentadas no sofá e falavam baixo, disse Sabrina: Olha eu gravei a voz dela, pouco antes de sair de lá ta normal Alice!
Respondeu Alice: Mas você viu a hora que ela parecia falar tudo de forma enrolada, deu medo não deu? Eu to assustada até agora!
E eu perguntei: Que foi meninas? Desculpem-me, a mãe se descontrolou, mas vocês me deixaram mais assusta do que já estava, eu ouvia esses espíritos que não me dão paz quando foram gritando daquele jeito lá na porta do banheiro!
Disse Alice: Mãe, foi muito estranho, do nada pouco antes de você sair de lá você parecia falar enrolado!
Disse Sabrina: É mãe, parecia que você falava outra linguá, foi muito esquisito!
Eu as falei: Há vocês estão imaginando coisas, talvez foi porque eu me excedi, nervosa, não falei coisa com coisa, a mãe tá doente e precisa de Deus, assim como preciso que me entendam e me perdoem.
Sei que vão dizer que a loucura da mãe já afetava os pobres filhos, mais antes de mais nada, pensem, como seria se você fosse verdadeiramente incomodados por essas vozes, vindas do além ou de sua mente doentia, sem ter noção de como se livrar disto, é um tormento sem fim, só quem passou por uma experiencia dessa pra me entender!
Dias se passaram, minha mãe estava em casa conversávamos sobre o tal ocorrido e ela me disse algo que me deu uma certa esperança, disse: Filha, na minha igreja quando um irmão em oração fala em linguás diferentes, dizem que é a unção divina, é o divino espírito santo falando através dele, principalmente, nos batizados há muitos casos assim.
Bom, eu não sei o que dizer quanto a isso, mas somente Deus sabe o que ocorrera comigo. E não posso ir contra ou a favor do que as pessoas me disseram no tempo em que estive doente, pois todos somos um grãozinho de poeira diante de Deus e sua divindade.
Assim foram meus dias com noites apavorantes, dias tenebrosos, choros constantes, pesamentos de suicidas quase que diariamente e uma aflição sem fim, cheguei a não querer mais sair da cama, o dormir me era como um grande conforto. Estranhamente quando conseguia dormir um pouco tinha sonhos bons como se nada daquilo estivesse acontecendo comigo e minha vida fosse normal como antes e ao acordar não queria nem abrir meus olhos pois minha vida na verdade havia se tornado o pior dos pesadelos. E quando eu via aquele sol radiante bater nas janelas da casa pensava: Senhor, não quero mais viver, nada aqui não me faz sentido algum! As pessoas me viam chorar e me diziam palavras de conforto, mas eu estava tão presa naquele mundo tenebroso, era como eu disse no inicio desse blog naquela primeira postagem, estava presa num quarto escuro sem portas e sem janelas onde só a morte era a saída, mas felizmente, meu Deus não me abandonou assim como todos que eu amo permaneceram a me chamar para a vida.
Seis meses se passaram e eu estava no mesmo estado só que com alguns pequenos pontos positivos os pensamentos suicidas estavam diminuindo e meu apetite voltou. O médico que fazia meu tratamento se afastou e eu passei por um outro médico na clinica psiquiátrica e com uma combinação de remédios que me receitou obtive melhoras significativas e em três meses, já não passava o tempo todo na cama e tentava voltar as atividade da casa, no entanto, a tristeza e os pensamentos ruins não se apartaram de mim. Onde a vida se tornava não só desgastante pra mim como a meu marido e filhos que constantemente ainda eram perturbados com meus descontroles emocionais, umas vezes ficava área, não respondia a nada só fazia chorar, outras acordava batendo em si mesma e puxando meus próprios cabelos, meu tormento era tanto que algumas vezes escrevia cartas de despedida esperando a chance de estar só e tomar todos aqueles remédios de uma só vez, assim me matando. No entanto quando ficava só eu olhava para aqueles comprimidos e imaginava como seria minha família sem mim... "O que seria de meus filhos se eu me matasse? O que pensariam de sua mãe egoísta? Ela nem se lembrou de que precisávamos dela!..." "E meu marido que tanto me ajudou, com muito amor sempre esteve presente me dando toda a assistência de que necessitava e mesmo com todo trabalho que lhe dava, ele nunca me abandonou!..." "Por fim Deus, meu temor foi tão grande a ele que desistia de tal ato.
Umas vezes indo ao salão das testemunhas de Jeová eu sentia que Deus falava comigo através dessas reuniões, assim quando também ia na igreja da congregação, igreja que minha mãe frequenta, sentia que nas palavras do pastor que Deus falava comigo. E assim como também as pessoas de fé ao me dizerem aquelas palavras de conforto espiritual além de esperança, faziam me sentir cada vez mais segura de que poderia melhorar, pois o próprio médico em uma daquelas consultas de rotina percebera que eu havia tido uma melhora significativa.
Mais cinco meses e eu ainda não estava bem, para se ter uma ideia de um a cem eu estava na escala de sessenta por cento bem.
Após um consulta médica ao retornar de viajem para minha casa, pois a clinica psiquiátrica era longe e eu havia passado alguns dias na casas de minha sogra e de meus irmãos, chegando em casa as coisas não estavam nada bem, Sabrina minha filha, teve uma crise de choro e no que perguntei o que havia lhe acontecido ela teve uma reação muito estranha que me deixou muito preocupada. Olhando fixamente para mim seu olhar parecia apagado e distante, eu insistentemente a perguntei: Que houve? Fala menina! O porque dessa tristeza?
Então as lágrimas que já estavam sobre sua face começaram a se multiplicar e ela se arranhando toda começou a dizer: Eu me odeio! Tenho ódio dessa pele branca horrorosa, esse cabelo feio, esse corpo feio... Que raiva, você não devia ter deixado eu nascer!
Então entrei em desespero, a abraçando disse: Não diz isso filha, você é perfeita, linda, todos nós te amamos muito...
E ela começou a se estapear, eu tentei segurar as mãos dela que se levantando se afastou de mim indo para a cozinha dizendo: Que droga de vida! Quero morre!
Fui atrás dela e meu marido disse: Para com essa loucura Sabrina! Não vê que está deixando sua mãe preocupada!
Minha sogra a abraçou, chorando junto a ela e eu disse: Presta atenção filha, seja grata a Deus Menina, não te falta nada! Isso que está dizendo é um pecado!
Pecado? Para de sandices Raquely, que Deus... Disse André.
Então eu disse: E você pare com esse discurso cético, olha para sua filha, essa casa, esta virada de cabeça pra baixo, está tudo errado, nossa vida virou um verdadeiro inferno! André precisamos...
Do que? Eu não preciso desse seu ser imaginário pra nada e para você de dizer tal tolices!
E minha sogra disse: Parem! E você Raquely não vê que só esta piorando com as coisas, fica quieta Raquey! Sabrina filha, não chora!
Eu disse: Eu não admito que me mandem me calar, Sabrina é minha filha, como mãe dela ela precisa me ouvir!
E minha sogra disse num tom irônico: Há é sim, que bonito!
André vendo que Sabrina não parava de chorar, abraçando-a disse: Tá tudo bem filha, para com isso!
Não tá tudo bem não pai! Ela disse.
O que te incomoda então fala? André a perguntou.
Nada pai, esquece! Ela disse.
Disse André: Esquece? Não, fala para o pai...
Nisto eu peguei no braço de Sabrina e disse: Filha vamos lá no quarto gente conversa melhor, a mãe só que te ajudar!
Ela não que Raquely! Para com isso! Disse Selma.
Eu não dei ouvido a minha sogra, e puxando Sabrina fomos para o quarto, André disse: Tudo bem, só para de dizer bobagens pra menina!
Eu o disse: E você pare de blasfemar!
Minha sogra que vinha logo atrás de nós disse: Para Raquely...
Eu disse: Deixa eu conversar com minha filha.
E André disse: Nada do que você diz faz sentido! Eu já sei, você foi naquela igreja de aproveitadores, manipuladores, encheram sua cabeça de ideias tolas, e agora pensa que eu sou o grande casador de seu sofrimento...
Eu disse: Eu tenho fé, então repeite meu modo de ser, por favor!
Estando no quarto, Selma nervosa, se levantou voltando para cozinha, estranhamente senti que podia ouvir seus pesamentos, pois olhei para ela que estava de cara trancada, boca fechada, mas tive a sessação de ter ouvido ela dizer: Há é sim, minha nossa...
Eu disse: Sabrina conta pra mãe...
Ela respondeu: Nada... É esse lugar mãe, tá cheio de gente maldosa!
Perguntei: Não generalize, é alguém da escola ou brigou com suas amigas?
Ela respondeu: É na escola, nas ruas as pessoas só sabem zombar de mim! Não aguento mais!
Filha olha o que você diz, será que todos que passam por você mechem mesmo com você? Eu a perguntei sabendo que não podia ser real, pois Sabrina parecia estar com o mesmo problema que eu e que nem todos aquelas pessoas de fato disseram coisas para a magoar.
Eu não to loca mãe! Nesse lugar só tem maldade! Ela disse.
Não julgue as pessoas, só Deus pode julgar, acredite filha, você precisa acreditar e orar pra isso acabar, só pode ser maldade do inimigo, esses espíritos só vieram para nos destruir. Só Deus pra nos livrar...
E chorando ela disse: Não mãe, são as pessoas mesmo, principalmente na escola todo mundo parece me odiar e eu não fiz nada!
Passaram-se dez minutos em que conversávamos, então olhando para minha filha naquele estado, fiquei transtornada e em pensamento pedia a Deus que nos livra-se daquele mal e nos instantes seguintes passei a ouvir novamente aquela voz, que fazia um bom tempo que não a ouvia, escutei: "Deus não vai te ouvir! Nem você, nem seus filhos vão escapar de mim!"
E em pensamento eu disse algo que nunca deveria ter pensado: Nós deixa em paz! O que você quer?
E ouvi:"Eu nunca vou te deixar!"
Então eu disse em um grito desesperado: Meu Deus, isso não, me leva senhor e livra minha filhinha inocente desta coisa!
Ouvi: "Coisa? Você diz coisa! Você não tem noção ainda de quem sou né?"
Meu marido vindo ao quarto disse: Olha o que você fez com sua menina!
Eu disse: Para André ela não te culpa!
Passados mais uns minutos em que eu orava, senti que aquela voz foi sumindo gradativamente. Sabrina não chorava mais, tive que tomar um calmante, desse modo percebi que não estava ainda totalmente livre de meu problema. Mas lembro que as ultimas palavras que eu disse foram: Senhor meu Deus, não nos abandone, preciso de ti para viver!
Mais alguns meses e meu sofrimento inútil prosseguiu, até uma nova consulta onde o médico fez a seguinte pergunta: Como vão as coisas? Como você realmente se sente com estes medicamentos que esta tomando?
Eu respondi: Não me sinto uma pessoa normal, sinto que não tenho mais personalidade, não vejo alegria em nada, nada faz sentido para mim só tenho pesamentos rins...
Disse médico: Mas que tipo de pensamentos?
Eu disse: Sinto que não deveria estar viva, sinto que sou um verdadeiro peso para todos, fora que não consigo ter um segundo de descanso, acordo lembrando do surto psicótico que tive e durmo pensando nesse surto psicótico, tenho pesamentos muito repetitivos angustiadamente que não da mais pra aguentar, não tenho vontade de viver.
Não está pensando em suicídio, está? Perguntou o médico?
Alguma vez fez planos para isso? Perguntou o médico.
Respondi: Não, não agora, mas há algum tempo atrás, cogitei em fazer sim, mas não tive coragem...
Raquely isso não é nada bom, você precisa se concentrar em alguma atividade, se alimentar direito, lembrar que essas mesmas pessoas que você diz ser um peso a elas, sofreriam muito se fizesse algo contra sua vida, as vezes precisamos nós lembrar que existe um Deus, precisamos ter fé e nunca perder a confiança na recuperação de sua saúde, é normal em um caso como o seu demorar um pouco até o acerto do remédio e mesmo que você não esteja totalmente recuperada, eu devo te dizer que você teve uma melhora significativa desde sua primeira consulta. Bom, pelo que me contou já não ouve aquelas vozes, retornou aos afazeres do dia a dia, então tal vez o que falta é a troca de um de seus remédios, vamos ver... Disse o médico.
Fazendo a receita ele trocou um dos remédios que tomava, me prescreveu um novo, Pondera acompanhado do Seroquel que tomava, me indicou fazer exercícios físicos e atividades que saísse um pouco dou cotidiano.
Passado dois meses e estava no mesmo estado. Numa tarde veio a minha amiga que me dava o ensino bíblico em minha casa dirigir os estudos. Falávamos sobre o estado de minha doença, até ela olhando em meus olhos disse: Raquely o que posso fazer pra te ajudar?
Eu disse: Nada pode me ajudar Luana, sinto isso nunca vai acabar!
Não diga uma coisa dessas Raquely! Acabamos de ler e falar das promessas de Deus para todos nós, o quanto é importante acreditarmos e exercitarmos nossa fé em Cristo. Me diga uma coisa, você acredita e confia que Deus zela por você e sua família? Luana disse.
Fiquei calada olhando pra ela e ela disse: Tem que confiar Raquely! Sinão como poderá ter forças pra seguir com vida, a fé remove montanhas sabia? Tem uma citação na bíblia que diz... "Se tiverdes fé como um grão de mostarda, direis a esta amoreira: Arranca-te e transplanta-te no mar; e ela vos obedecerá" (Lc 17.6). "Pois em verdade vos digo que, se tiverdes fé como um grão de mostarda, direis a este monte: Passa daqui para acolá, e ele passará. Nada vos será impossível" (Mt 17.20).
Eu disse: Se ao menos eu não tivesse lembrança daquele surto horroroso tal vez consegui-se prosseguir com minha vida normalmente.
Disse Luana com uma expressão seria: Não, você não vai esquecer, mas tenha confiança em Deus, enquanto não confiar será difícil mesmo, tem que confiar Raquely!
Ouvido essas sabias palavras de Luana, lembrei de minha irmã que num outro dia havia me dito algo parecido, ela falou que eu precisava acreditar que Deus olhava por mim e ter fé na minha recuperação, precisa perceber o quando eu já havia melhorado, ver que os medicamentos estavam surtindo efeito sim e muito positivos.
Umas horas após Luana ir bora, sentada no sofá da sala remoía a minha tristeza, chorando as mesma lágrimas de sempre, quando, senti uma sessão de que não estava só, lembrei de todas as pessoas que me apoiavam e pensei: O que estou fazendo de minha vida?
Logo me veio um alivio que a muito tempo não sentia os pesamentos ruins foram sumindo, em seguida sobreveio-me um pensamento: "Cade aquela pessoa de quem tando dizia ser fiel a Deus? Não vê porque não quer ver! Saia desse pesadelo construído pelo maligno, de suas más ações Deus não lembra mais, sua alma foi restaurada, o que te falta é ver isso, confie, pois o senhor teu Deus é o mesmo Deus e nunca mudou ou mudará.
Neste instante enxugando minhas lágrimas pensei: Meu Deus, não vou mais chorar e se em algum momento eu cair, de agora em diante me levantarei com mais força, pois sei que estas comigo, confio no senhor pai e no teu filho amado Jesus Cristo, amém!
Então comecei a me lembrar dos afazes de minha casa, arrumando aqui, ali e meu marido chegou, vendo ele que eu estava diferente disse: Como se sente? Esta bem hoje?
Eu disse: Sim.
O quanto se sente bem? Ele perguntou.
Bem na medida do possível André! Respondi e ele me abraçou ar de esperança.
E Assim foram aqueles meus dias de recuperação lenta, mas progressivamente bem. Dias estava razoavelmente bem, outros já não tanto. André e eu começamos a fazer planos para o futuro, pensamos em comprar um carro, em dar uma reforma na casa...
Também surgiu uma boa oportunidade para mim, decidi fazer um curso, fiz inscrição para as provas tentando entrar em uma escola de cursos profissionalizantes.
"Imagem
colhida da Web, assim como todas as imagens deste blog"
Aprendi muito com estes dias de trevas, sim, digo dias de trevas pois a depressão nada mais é, acredito eu, pela experiência vivida por mim, que seja o declínio de nossa alma ao mundo das trevas, que te puxam e te sugam toda a força que possui, toda a fonte de luz e amor próprio te tiram a esperança de uma vida divina através das promessas de Deus num futuro promissor garantido por seu filho amado Jesus Cristo.
Tudo começa com as provações, primeiro o inimigo te engrandece por algum meio te coloca em uma suposta posição de superioridade e falsa beleza, você se sente com uma tenebrosa sensação de poder; poder ter uma vida sem dificuldades, poder fazer com que as pessoas gostem de você a qualquer preço, poder demonstrar suas habilidades sem a menor noção de respeito, poder em discussões altamente debatidas ganhar a razão fazendo assim com que o outro cumpra com sua vontade, em fim te leva a perdição de um dos pecados mais destrutivos em nossa alma a vaidade.
Aqui você já está dominado pela ambição e pelas fraquezas da carne que te consomem em um erro atrás do outro. A falsa beleza te sega assim como a falsa vida feliz.
Muitas vezes eu desprezei o amor verdadeiro vindo das pessoas que mais amo, só por minhas ambições e desejo mundanos. Assim começou minha duvida no amor de meu marido, primeiro ele foi tentado por amigos a ir em festas sem mim, assim fez algo que me magoou profundamente, onde muitas vezes o inimigo me mandou pensamentos do tipo... "Este homem não te ama, ele mente, te trai, sega, ele tem pena de você!..." "Pra que continuar com alguém que não esboça o minimo de desejo por você? Vai, é procura o amor verdadeiro!"
Neste tempo, algo de estranho começou a acontecer comigo, recebia muitas cantas, coisa que antes nunca tive na vida. Até os colegas dele traiçoeiramente me olhavam de uma forma pervertida. Eu sempre tive muito respeito já mais desrespeitei André, que fingindo não ver, se ria de mim. No trabalho um homem muito mais novo que eu se demostrava interessado em mim, nunca lhe dei esperança, ao contrario eu fugia dele e de meu chefe sacana. No entanto eu sentia-me vaidosamente desejada, tal sentimento que até então não conhecia.
Minhas filhas já grandinhas notavam as cantadas e demostravam total aversão do que acontecia a sua mãe. O que é normal, mas eu sempre me lembrava dos maus feitos de meu marido em poucos anos antes, era com grande magoa que pensava porque elas não se zangam com ele.
Teve uma noite que sonhei estar com um outro homem, e foi deste modo que surgiram os pesamentos... "Você tem a chance de ser feliz, vai procura, você consegue! Pra que continuar com alguém que não esboça o minimo de desejo por você? Vai, é procura o amor verdadeiro!"
(Aqui um trecho do CAPÍTULO X - Tempos de alegria... Tempos de sofrimento... Deus me manteve firme e é nele que confio!
Num outro dia, tomava banho quando escutei as vozes dos espíritos rindo e zombando de mim: "Olha para o espelho vê, como está linda!..." Ho, pobre coitada tá seca, ai só se vê osso! Sempre foi ridícula sua vadia!
E de repente escutei um barulho vindo da porta da sala e minhas filhas assutadas correndo até a porta do banheiro disseram: Mãe tem alguém querendo entrar aqui!
E ouvi os espíritos em meio a risos: "Calma! Sou eu mesmo, vim te buscar!" "Cara olha os olhos dela estão esbugalhados" "Ta assustada? É, não viu nada ainda, viu!
Nisto sem desligar o chuveiro e nem sair do banheiro, fiz uma constante oração e ao mesmo tempo ouvia... "Vamos... Apela para as forças divinas, vai... Quem sabe?"
Chorando orei em voz alta e ouvia: "Não adianta! Está tudo acabado, Deus não se lembra de você!"
Passado um minuto em que orava ouvi mais uma vez: "Não! Aqui não há espaço para maldade! Só há vida!..." "Ela tem o dom da vida e da morte!" "Então eu vou destruí-la!..."
E ouvi: "Ninguém tem mais poder que Deus, afaste-te pois a hora é do senhor, sua condenação está próxima, deixe agora a serva do senhor!
Nisto gradativamente as vozes foram sumindo e passou-se cinco minutos de minha aflição, parando de orar, sai do banheiro e minhas filhas estavam sentadas no sofá e falavam baixo, disse Sabrina: Olha eu gravei a voz dela, pouco antes de sair de lá ta normal Alice!
Respondeu Alice: Mas você viu a hora que ela parecia falar tudo de forma enrolada, deu medo não deu? Eu to assustada até agora!
E eu perguntei: Que foi meninas? Desculpem-me, a mãe se descontrolou, mas vocês me deixaram mais assusta do que já estava, eu ouvia esses espíritos que não me dão paz quando foram gritando daquele jeito lá na porta do banheiro!
Disse Alice: Mãe, foi muito estranho, do nada pouco antes de você sair de lá você parecia falar enrolado!
Disse Sabrina: É mãe, parecia que você falava outra linguá, foi muito esquisito!
Eu as falei: Há vocês estão imaginando coisas, talvez foi porque eu me excedi, nervosa, não falei coisa com coisa, a mãe tá doente e precisa de Deus, assim como preciso que me entendam e me perdoem.
Sei que vão dizer que a loucura da mãe já afetava os pobres filhos, mais antes de mais nada, pensem, como seria se você fosse verdadeiramente incomodados por essas vozes, vindas do além ou de sua mente doentia, sem ter noção de como se livrar disto, é um tormento sem fim, só quem passou por uma experiencia dessa pra me entender!
Dias se passaram, minha mãe estava em casa conversávamos sobre o tal ocorrido e ela me disse algo que me deu uma certa esperança, disse: Filha, na minha igreja quando um irmão em oração fala em linguás diferentes, dizem que é a unção divina, é o divino espírito santo falando através dele, principalmente, nos batizados há muitos casos assim.
Bom, eu não sei o que dizer quanto a isso, mas somente Deus sabe o que ocorrera comigo. E não posso ir contra ou a favor do que as pessoas me disseram no tempo em que estive doente, pois todos somos um grãozinho de poeira diante de Deus e sua divindade.
Assim foram meus dias com noites apavorantes, dias tenebrosos, choros constantes, pesamentos de suicidas quase que diariamente e uma aflição sem fim, cheguei a não querer mais sair da cama, o dormir me era como um grande conforto. Estranhamente quando conseguia dormir um pouco tinha sonhos bons como se nada daquilo estivesse acontecendo comigo e minha vida fosse normal como antes e ao acordar não queria nem abrir meus olhos pois minha vida na verdade havia se tornado o pior dos pesadelos. E quando eu via aquele sol radiante bater nas janelas da casa pensava: Senhor, não quero mais viver, nada aqui não me faz sentido algum! As pessoas me viam chorar e me diziam palavras de conforto, mas eu estava tão presa naquele mundo tenebroso, era como eu disse no inicio desse blog naquela primeira postagem, estava presa num quarto escuro sem portas e sem janelas onde só a morte era a saída, mas felizmente, meu Deus não me abandonou assim como todos que eu amo permaneceram a me chamar para a vida.
Seis meses se passaram e eu estava no mesmo estado só que com alguns pequenos pontos positivos os pensamentos suicidas estavam diminuindo e meu apetite voltou. O médico que fazia meu tratamento se afastou e eu passei por um outro médico na clinica psiquiátrica e com uma combinação de remédios que me receitou obtive melhoras significativas e em três meses, já não passava o tempo todo na cama e tentava voltar as atividade da casa, no entanto, a tristeza e os pensamentos ruins não se apartaram de mim. Onde a vida se tornava não só desgastante pra mim como a meu marido e filhos que constantemente ainda eram perturbados com meus descontroles emocionais, umas vezes ficava área, não respondia a nada só fazia chorar, outras acordava batendo em si mesma e puxando meus próprios cabelos, meu tormento era tanto que algumas vezes escrevia cartas de despedida esperando a chance de estar só e tomar todos aqueles remédios de uma só vez, assim me matando. No entanto quando ficava só eu olhava para aqueles comprimidos e imaginava como seria minha família sem mim... "O que seria de meus filhos se eu me matasse? O que pensariam de sua mãe egoísta? Ela nem se lembrou de que precisávamos dela!..." "E meu marido que tanto me ajudou, com muito amor sempre esteve presente me dando toda a assistência de que necessitava e mesmo com todo trabalho que lhe dava, ele nunca me abandonou!..." "Por fim Deus, meu temor foi tão grande a ele que desistia de tal ato.
Umas vezes indo ao salão das testemunhas de Jeová eu sentia que Deus falava comigo através dessas reuniões, assim quando também ia na igreja da congregação, igreja que minha mãe frequenta, sentia que nas palavras do pastor que Deus falava comigo. E assim como também as pessoas de fé ao me dizerem aquelas palavras de conforto espiritual além de esperança, faziam me sentir cada vez mais segura de que poderia melhorar, pois o próprio médico em uma daquelas consultas de rotina percebera que eu havia tido uma melhora significativa.
Mais cinco meses e eu ainda não estava bem, para se ter uma ideia de um a cem eu estava na escala de sessenta por cento bem.
Após um consulta médica ao retornar de viajem para minha casa, pois a clinica psiquiátrica era longe e eu havia passado alguns dias na casas de minha sogra e de meus irmãos, chegando em casa as coisas não estavam nada bem, Sabrina minha filha, teve uma crise de choro e no que perguntei o que havia lhe acontecido ela teve uma reação muito estranha que me deixou muito preocupada. Olhando fixamente para mim seu olhar parecia apagado e distante, eu insistentemente a perguntei: Que houve? Fala menina! O porque dessa tristeza?
Então as lágrimas que já estavam sobre sua face começaram a se multiplicar e ela se arranhando toda começou a dizer: Eu me odeio! Tenho ódio dessa pele branca horrorosa, esse cabelo feio, esse corpo feio... Que raiva, você não devia ter deixado eu nascer!
Então entrei em desespero, a abraçando disse: Não diz isso filha, você é perfeita, linda, todos nós te amamos muito...
E ela começou a se estapear, eu tentei segurar as mãos dela que se levantando se afastou de mim indo para a cozinha dizendo: Que droga de vida! Quero morre!
Fui atrás dela e meu marido disse: Para com essa loucura Sabrina! Não vê que está deixando sua mãe preocupada!
Minha sogra a abraçou, chorando junto a ela e eu disse: Presta atenção filha, seja grata a Deus Menina, não te falta nada! Isso que está dizendo é um pecado!
Pecado? Para de sandices Raquely, que Deus... Disse André.
Então eu disse: E você pare com esse discurso cético, olha para sua filha, essa casa, esta virada de cabeça pra baixo, está tudo errado, nossa vida virou um verdadeiro inferno! André precisamos...
Do que? Eu não preciso desse seu ser imaginário pra nada e para você de dizer tal tolices!
E minha sogra disse: Parem! E você Raquely não vê que só esta piorando com as coisas, fica quieta Raquey! Sabrina filha, não chora!
Eu disse: Eu não admito que me mandem me calar, Sabrina é minha filha, como mãe dela ela precisa me ouvir!
E minha sogra disse num tom irônico: Há é sim, que bonito!
André vendo que Sabrina não parava de chorar, abraçando-a disse: Tá tudo bem filha, para com isso!
Não tá tudo bem não pai! Ela disse.
O que te incomoda então fala? André a perguntou.
Nada pai, esquece! Ela disse.
Disse André: Esquece? Não, fala para o pai...
Nisto eu peguei no braço de Sabrina e disse: Filha vamos lá no quarto gente conversa melhor, a mãe só que te ajudar!
Ela não que Raquely! Para com isso! Disse Selma.
Eu não dei ouvido a minha sogra, e puxando Sabrina fomos para o quarto, André disse: Tudo bem, só para de dizer bobagens pra menina!
Eu o disse: E você pare de blasfemar!
Minha sogra que vinha logo atrás de nós disse: Para Raquely...
Eu disse: Deixa eu conversar com minha filha.
E André disse: Nada do que você diz faz sentido! Eu já sei, você foi naquela igreja de aproveitadores, manipuladores, encheram sua cabeça de ideias tolas, e agora pensa que eu sou o grande casador de seu sofrimento...
Eu disse: Eu tenho fé, então repeite meu modo de ser, por favor!
Estando no quarto, Selma nervosa, se levantou voltando para cozinha, estranhamente senti que podia ouvir seus pesamentos, pois olhei para ela que estava de cara trancada, boca fechada, mas tive a sessação de ter ouvido ela dizer: Há é sim, minha nossa...
Eu disse: Sabrina conta pra mãe...
Ela respondeu: Nada... É esse lugar mãe, tá cheio de gente maldosa!
Perguntei: Não generalize, é alguém da escola ou brigou com suas amigas?
Ela respondeu: É na escola, nas ruas as pessoas só sabem zombar de mim! Não aguento mais!
Filha olha o que você diz, será que todos que passam por você mechem mesmo com você? Eu a perguntei sabendo que não podia ser real, pois Sabrina parecia estar com o mesmo problema que eu e que nem todos aquelas pessoas de fato disseram coisas para a magoar.
Eu não to loca mãe! Nesse lugar só tem maldade! Ela disse.
Não julgue as pessoas, só Deus pode julgar, acredite filha, você precisa acreditar e orar pra isso acabar, só pode ser maldade do inimigo, esses espíritos só vieram para nos destruir. Só Deus pra nos livrar...
E chorando ela disse: Não mãe, são as pessoas mesmo, principalmente na escola todo mundo parece me odiar e eu não fiz nada!
Passaram-se dez minutos em que conversávamos, então olhando para minha filha naquele estado, fiquei transtornada e em pensamento pedia a Deus que nos livra-se daquele mal e nos instantes seguintes passei a ouvir novamente aquela voz, que fazia um bom tempo que não a ouvia, escutei: "Deus não vai te ouvir! Nem você, nem seus filhos vão escapar de mim!"
E em pensamento eu disse algo que nunca deveria ter pensado: Nós deixa em paz! O que você quer?
E ouvi:"Eu nunca vou te deixar!"
Então eu disse em um grito desesperado: Meu Deus, isso não, me leva senhor e livra minha filhinha inocente desta coisa!
Ouvi: "Coisa? Você diz coisa! Você não tem noção ainda de quem sou né?"
Meu marido vindo ao quarto disse: Olha o que você fez com sua menina!
Eu disse: Para André ela não te culpa!
Passados mais uns minutos em que eu orava, senti que aquela voz foi sumindo gradativamente. Sabrina não chorava mais, tive que tomar um calmante, desse modo percebi que não estava ainda totalmente livre de meu problema. Mas lembro que as ultimas palavras que eu disse foram: Senhor meu Deus, não nos abandone, preciso de ti para viver!
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Mais alguns meses e meu sofrimento inútil prosseguiu, até uma nova consulta onde o médico fez a seguinte pergunta: Como vão as coisas? Como você realmente se sente com estes medicamentos que esta tomando?
Eu respondi: Não me sinto uma pessoa normal, sinto que não tenho mais personalidade, não vejo alegria em nada, nada faz sentido para mim só tenho pesamentos rins...
Disse médico: Mas que tipo de pensamentos?
Eu disse: Sinto que não deveria estar viva, sinto que sou um verdadeiro peso para todos, fora que não consigo ter um segundo de descanso, acordo lembrando do surto psicótico que tive e durmo pensando nesse surto psicótico, tenho pesamentos muito repetitivos angustiadamente que não da mais pra aguentar, não tenho vontade de viver.
Não está pensando em suicídio, está? Perguntou o médico?
Alguma vez fez planos para isso? Perguntou o médico.
Respondi: Não, não agora, mas há algum tempo atrás, cogitei em fazer sim, mas não tive coragem...
Raquely isso não é nada bom, você precisa se concentrar em alguma atividade, se alimentar direito, lembrar que essas mesmas pessoas que você diz ser um peso a elas, sofreriam muito se fizesse algo contra sua vida, as vezes precisamos nós lembrar que existe um Deus, precisamos ter fé e nunca perder a confiança na recuperação de sua saúde, é normal em um caso como o seu demorar um pouco até o acerto do remédio e mesmo que você não esteja totalmente recuperada, eu devo te dizer que você teve uma melhora significativa desde sua primeira consulta. Bom, pelo que me contou já não ouve aquelas vozes, retornou aos afazeres do dia a dia, então tal vez o que falta é a troca de um de seus remédios, vamos ver... Disse o médico.
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Fazendo a receita ele trocou um dos remédios que tomava, me prescreveu um novo, Pondera acompanhado do Seroquel que tomava, me indicou fazer exercícios físicos e atividades que saísse um pouco dou cotidiano.
Passado dois meses e estava no mesmo estado. Numa tarde veio a minha amiga que me dava o ensino bíblico em minha casa dirigir os estudos. Falávamos sobre o estado de minha doença, até ela olhando em meus olhos disse: Raquely o que posso fazer pra te ajudar?
Eu disse: Nada pode me ajudar Luana, sinto isso nunca vai acabar!
Não diga uma coisa dessas Raquely! Acabamos de ler e falar das promessas de Deus para todos nós, o quanto é importante acreditarmos e exercitarmos nossa fé em Cristo. Me diga uma coisa, você acredita e confia que Deus zela por você e sua família? Luana disse.
Fiquei calada olhando pra ela e ela disse: Tem que confiar Raquely! Sinão como poderá ter forças pra seguir com vida, a fé remove montanhas sabia? Tem uma citação na bíblia que diz... "Se tiverdes fé como um grão de mostarda, direis a esta amoreira: Arranca-te e transplanta-te no mar; e ela vos obedecerá" (Lc 17.6). "Pois em verdade vos digo que, se tiverdes fé como um grão de mostarda, direis a este monte: Passa daqui para acolá, e ele passará. Nada vos será impossível" (Mt 17.20).
Eu disse: Se ao menos eu não tivesse lembrança daquele surto horroroso tal vez consegui-se prosseguir com minha vida normalmente.
Disse Luana com uma expressão seria: Não, você não vai esquecer, mas tenha confiança em Deus, enquanto não confiar será difícil mesmo, tem que confiar Raquely!
Ouvido essas sabias palavras de Luana, lembrei de minha irmã que num outro dia havia me dito algo parecido, ela falou que eu precisava acreditar que Deus olhava por mim e ter fé na minha recuperação, precisa perceber o quando eu já havia melhorado, ver que os medicamentos estavam surtindo efeito sim e muito positivos.
Umas horas após Luana ir bora, sentada no sofá da sala remoía a minha tristeza, chorando as mesma lágrimas de sempre, quando, senti uma sessão de que não estava só, lembrei de todas as pessoas que me apoiavam e pensei: O que estou fazendo de minha vida?
Logo me veio um alivio que a muito tempo não sentia os pesamentos ruins foram sumindo, em seguida sobreveio-me um pensamento: "Cade aquela pessoa de quem tando dizia ser fiel a Deus? Não vê porque não quer ver! Saia desse pesadelo construído pelo maligno, de suas más ações Deus não lembra mais, sua alma foi restaurada, o que te falta é ver isso, confie, pois o senhor teu Deus é o mesmo Deus e nunca mudou ou mudará.
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Neste instante enxugando minhas lágrimas pensei: Meu Deus, não vou mais chorar e se em algum momento eu cair, de agora em diante me levantarei com mais força, pois sei que estas comigo, confio no senhor pai e no teu filho amado Jesus Cristo, amém!
Então comecei a me lembrar dos afazes de minha casa, arrumando aqui, ali e meu marido chegou, vendo ele que eu estava diferente disse: Como se sente? Esta bem hoje?
Eu disse: Sim.
O quanto se sente bem? Ele perguntou.
Bem na medida do possível André! Respondi e ele me abraçou ar de esperança.
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E Assim foram aqueles meus dias de recuperação lenta, mas progressivamente bem. Dias estava razoavelmente bem, outros já não tanto. André e eu começamos a fazer planos para o futuro, pensamos em comprar um carro, em dar uma reforma na casa...
Também surgiu uma boa oportunidade para mim, decidi fazer um curso, fiz inscrição para as provas tentando entrar em uma escola de cursos profissionalizantes.
Li em especialmente hoje no dia de 16/08 Salmos 57 achei interessante expô-lo aqui a vocês é sempre bom ler a palavra de Deus atentamente!
No dia em que disseres com fé: Senhor, salva-me
por tua benignidade e amor em Cristo!
A tudo Deus te trará ao juízo!!!
Aprendi muito com estes dias de trevas, sim, digo dias de trevas pois a depressão nada mais é, acredito eu, pela experiência vivida por mim, que seja o declínio de nossa alma ao mundo das trevas, que te puxam e te sugam toda a força que possui, toda a fonte de luz e amor próprio te tiram a esperança de uma vida divina através das promessas de Deus num futuro promissor garantido por seu filho amado Jesus Cristo.
Tudo começa com as provações, primeiro o inimigo te engrandece por algum meio te coloca em uma suposta posição de superioridade e falsa beleza, você se sente com uma tenebrosa sensação de poder; poder ter uma vida sem dificuldades, poder fazer com que as pessoas gostem de você a qualquer preço, poder demonstrar suas habilidades sem a menor noção de respeito, poder em discussões altamente debatidas ganhar a razão fazendo assim com que o outro cumpra com sua vontade, em fim te leva a perdição de um dos pecados mais destrutivos em nossa alma a vaidade.
Aqui você já está dominado pela ambição e pelas fraquezas da carne que te consomem em um erro atrás do outro. A falsa beleza te sega assim como a falsa vida feliz.
Muitas vezes eu desprezei o amor verdadeiro vindo das pessoas que mais amo, só por minhas ambições e desejo mundanos. Assim começou minha duvida no amor de meu marido, primeiro ele foi tentado por amigos a ir em festas sem mim, assim fez algo que me magoou profundamente, onde muitas vezes o inimigo me mandou pensamentos do tipo... "Este homem não te ama, ele mente, te trai, sega, ele tem pena de você!..." "Pra que continuar com alguém que não esboça o minimo de desejo por você? Vai, é procura o amor verdadeiro!"
Neste tempo, algo de estranho começou a acontecer comigo, recebia muitas cantas, coisa que antes nunca tive na vida. Até os colegas dele traiçoeiramente me olhavam de uma forma pervertida. Eu sempre tive muito respeito já mais desrespeitei André, que fingindo não ver, se ria de mim. No trabalho um homem muito mais novo que eu se demostrava interessado em mim, nunca lhe dei esperança, ao contrario eu fugia dele e de meu chefe sacana. No entanto eu sentia-me vaidosamente desejada, tal sentimento que até então não conhecia.
Minhas filhas já grandinhas notavam as cantadas e demostravam total aversão do que acontecia a sua mãe. O que é normal, mas eu sempre me lembrava dos maus feitos de meu marido em poucos anos antes, era com grande magoa que pensava porque elas não se zangam com ele.
Teve uma noite que sonhei estar com um outro homem, e foi deste modo que surgiram os pesamentos... "Você tem a chance de ser feliz, vai procura, você consegue! Pra que continuar com alguém que não esboça o minimo de desejo por você? Vai, é procura o amor verdadeiro!"
(Aqui um trecho do CAPÍTULO X - Tempos de alegria... Tempos de sofrimento... Deus me manteve firme e é nele que confio!
"Em meio a tudo isso,
na falta de atenção, na carência, me sentia só, e pensamentos de onde eu jamais
pensei de ter vieram a minha mente, num súbito flagelo mental me sobre veio a
culpa, pensava: Não, como você pode ter ideias tão erradas? Olha o amor não é
algo que se joga fora e se encontra em qualquer pessoa! Se Deus uniu, é por ai,
não dá para separar! Mas dá para ser uma pessoa melhor!
Em seguida me veio as boas lembranças e tudo que já vivi com
meu marido, logo refleti um pouco mais e tudo que fiz de errado me veio atona,
como, as brigas por meu ciume exagerado ou por qualquer outra circunstancia
banal, as brigas por seus pais, os quais sempre nos ajudavam com tanto amor
que nem pediam nada em troca, mesmo que nosso convívio fosse um pouco difícil
as vezes por falta entendimento de ambos. E meus destemperos fúteis, André, sei
que é humano que como eu erra, entretanto está sempre ao meu lado, quem mais
aguentaria tal pessoa como eu? Ha não ser um grande amor, o qual André
provavelmente sentia por mim.
Então olhei para o céu e disse com coração transbordando em
verdade: Senhor... Senhor Deus, se o senhor está ai e pode me ouvir, não deixa
pai, não permita, que eu pense tais coisas, esses pensamentos, não me
pertencem, isso não é eu! Me livra desta ideias insanas, corruptoras! Senhor me
faz ver a verdade... Mostra me o caminho e que sua vontade se cumpra na minha
vida!..."
"Imagem colhida da Web, assim como todas as imagens deste blog"
Foi onde creio eu, que Deus começou a me mostrar a verdade desse mundo, a verdade é tão severa que não pude aguentar, diante da minha recusa em trair com os preceitos de Deus, o verdadeiro inimigo mostrou sua face e foi da forma mais dolorosa que aprendi o que é ser fiel a Deus, o que é o verdadeiro amor. Eu não dava a devida atenção a meus filhos, desconfiava do amor de meu marido, julgava minha sogra uma pessoa estupida e eu vivia a procura de uma vida fútil.
Qual o melhor proveito que podemos tirar dessa vida? Se não o amor que vem das pessoas as retribuindo sem mesmo ver quem elas são, família, uma palavra seletiva e separatista, somos filhos de um só Deus, por tanto irmãos de um só um pai. Amor não é algo que vai te cobrir de riquezas ou te saciar desejos os mundanos, amor refere-se a semelhança que temos com Deus, quando aprendermos isso o Divino Espirito Santo habitará em nós, Deus será nosso porto seguro. E mesmo que nós venham dias os obscuros por nossas imperfeições saberemos que isso não passa de uma emboscada do inimigo e rogaremos, louvaremos o Santo nome de Deus, Jeová, por honra e mérito o seu filho amado Jesus Cristo e tudo ficará as claras, assim seja pra todos.
Fique doente, com depressão, por quase dois anos sem saber, passei por tudo isso e sem nenhum tratamento, ouvia vozes, via vultos quase que constantemente, tudo isso também sem exercer minha fé em Deus, o que a há de mais importante na vida para nós seres humanos, perdi minhas forças para viver e sem direito algum julguei injustamente várias pessoas, que desde de o momento em que entrei no surto psicótico até passar mais quase dois anos se tratando de uma depressão profunda, obtive das mesmas pessoas que julguei, todo o amor possível em caridade elas cuidaram de mim com todo amor em suas almas. Agradeço de coração a todos, devo muito a eles; a meu marido André, a seus pais, a meus filhos, a minha mãe, meus irmãos e cunhados.
Em especial Dona Selma, que se tornou como uma mãe que cuida de sua filha doente, apesar de nossas diferenças descritas aqui neste Blog, para notar o quanto a julguei e a julguei mal minha sogra, hoje, não julgo de maneira nenhuma a mais ninguém, sei que em algumas e muitas de nossas desavenças Selma, você estava corretamente certa, no entanto desaventuradamente no meu orgulho tolo que tinha, não dei valor aos seus concelhos que por mais rígida maneira tenha os dado, sei que foi como você mesmo deve ter aprendido e tentou me ensinar. Hoje sei, temos sinceramente grande afeto uma pela a outra. Deus não podia me dar uma amiga melhor que você, você me ensinou a ser forte e com todo amor me mostrou nesta dura fase de minha vida que não temos conhecimento nenhum do que se passa no coração do outro, mas foi nas atitudes boas nas quais teve comigo, que pude ver o que é amar verdadeiramente o outro sem interesse algum, você esteve me consolando e pacientemente me ouvia dizer todas minhas frustrações causadas pela doença, em vários momentos, deixou seu lar e cuidou de minha casa e de meus filhos, até hoje acompanha-me as consultas com o psiquiatra e todos os meses se dá ao trabalho de ir até lá e pegar meus remédios para os mandar a mim pelo correio, muito obrigada minha amiga Selma. Mesmo que conflitos ainda surjam entre nós, pois somos imperfeitas em quanto ser humano, nunca deixarei de ser grata a você e de te amar.
Agradeço também a Deus todos os dias, por poder estar com a minha mãezinha, o meu irmão Luiz e a minha cunhada Clarisse, no momento mais crítico de minha vida vocês me acolheram, me deram pacientemente toda a assistência necessária e com muito amor fizeram orações a Deus por mim, vocês são minha vida!
André me perdoe por te expor desse jeito, mas eu acredito que minha história sirva de exemplo a outras pessoas, que tal vez por obra do destino, estejam passando pelo mesmo mal, a depressão. Você em absoluto não tem culpa de nada, a unica culpada é a forma como eu regi minha vida, antes da doença eu nunca tentei te entender, só sabia te cobrar e cobrar sua atenção tudo isso sem perceber o quanto era egocêntrica, não via o quanto você me apoiava, você me apoio quando eu quis voltar a estudar, você me fez ver o mundo de uma forma mais real, me tirou do casulo em que vivia. Como um lutador sempre mostrou se preocupado com bem estar da família que formamos. E o mais incrível foi ver o quanto você me amou e ama ficando comigo mesmo com todos os problemas que causei enquanto estive doente. Um verdadeiro amor, só pode ser como o seu por mim, somos como água e vinho ou sol e a lua mais você nunca me deixou, nem quando entrei no mundo da loucura, amavelmente você fez parte dele para estar comigo, te amo, mesmo que tenhamos grandes diferenças é nas grandes diferenças e dificuldades impostas pela vida que conhecemos quem nós ama de verdade, você me completou e completa.
Deus mostrou o quanto sou amada! Tal vez era isso que eu precisava ver, o quanto sou amada e o quanto o devo amar, essa é nossa porção. E o mais enigmatístico e absolutamente incrível valoroso dos aprendizados que obtive neste período, foi ver o quanto é bom, é muito bom, deixar que Deus faça parte de tudo isso e domine nossa existência, pois nossa existência, depende dele. Sem Deus sua vida se tornará um caos, se entregue a Deus pelo ao amor de Cristo e tudo se tornará menos pesado, será como uma criança que andando sobre os olhos cuidadoso de seu pai, ao tropeçar terá a força de suas mãos para segurá-lo e prosseguir passo a passo sua experiência e aprendizado, para uma vida digna do amor de Deus..























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