CAPITULO IX
Um dia de trabalho conturbador, estava eu no caixa fazendo meu serviço, até que me trocaram para um outro caixa que ficava na parte interna do supermercado na fiambreria e lanchonete. Não sei se foi por terrível coincidência, pois, já não estava sendo fácil pra mim de trabalhar com sorriso no rosto e simpatia o que era exigido por minha profissão, agora, ao me levarem para aquela maquina com problemas técnicos, atendendo a clientes extremamente grosseiros e impacientes, me vi em apuros.
A faculdade!!!
FATOS CORRIDOS 2002-2005
O difícil recomeço!
Como reconstituir os pedaços
arrancados de um coração?
Um dia de trabalho conturbador, estava eu no caixa fazendo meu serviço, até que me trocaram para um outro caixa que ficava na parte interna do supermercado na fiambreria e lanchonete. Não sei se foi por terrível coincidência, pois, já não estava sendo fácil pra mim de trabalhar com sorriso no rosto e simpatia o que era exigido por minha profissão, agora, ao me levarem para aquela maquina com problemas técnicos, atendendo a clientes extremamente grosseiros e impacientes, me vi em apuros.
O pior não foi só isso, chamei os ficais de caixa e eles mandaram a assistência técnica que demorou muito mais do devia, além disto, puseram fios esticados para todo canto, onde eu tinha que desviar toda vez que saísse de lá para pesar frios ou salgados que os clientes pediam, isso porque três das funcionarias que faziam este serviço só uma estava comigo atendendo a todo aquele rebuliço havia se formado, pois as outras tinham ido jantar.
Numa distração ao passar pelo emaranhado de fios que ali deixaram eu esbarrei, desta forma derrubando quase todo meu equipamento de trabalho no chão, só não caiu o monitor.
O fiscal que ali passava disse: Nossa, o que está havendo com você?
E eu já debulhada em lágrimas só consegui pedir-lhe desculpa, e é óbvio, meu desespero não era por tal desastroso acidente e sim pelo conjunto de acontecimentos perturbadores que tinha transformado minha vida num pesadelo, naqueles últimos dias.
Então sai de lá e fui trabalhar no setor onde ficavam crianças enquanto seus pais realizavam suas compras. Entretanto antes disso passei por um conversa com uma funcionaria do caixa central, que mais me ouviu do que falou, claro que isso foi com intuito de me acalmar, para que continuasse a exercer meu trabalho normalmente. No entanto no dia seguinte, eu virei a manchete das fofocas que rolavam pelos setores do supermercado, o que me envergonhou grandemente deixando-me mais atribulada e sem capacidade de defesa, em quanto as sórdidas fofocas se espalhavam entre meus colegas de trabalho.
Neste dia quando chegar em casa, percebi que estava só, André e as crianças estavam na casa dos pais dele. No entrar senti que a solidão me invadia a alma, como a um fogaréu queimando meus pensamentos.
Fiquei assim exatos vinte minutos em que estive sozinha, só lembrando de quando namorava André, de suas juras de amor, promessas, que pra mim tinham sido quebradas desde o momento em que ele se propôs ir aquela festa.
Imagem colhida da Web, como todas as imagens deste blog.Neste dia quando chegar em casa, percebi que estava só, André e as crianças estavam na casa dos pais dele. No entrar senti que a solidão me invadia a alma, como a um fogaréu queimando meus pensamentos.
Fiquei assim exatos vinte minutos em que estive sozinha, só lembrando de quando namorava André, de suas juras de amor, promessas, que pra mim tinham sido quebradas desde o momento em que ele se propôs ir aquela festa.
Onde foram realizadas alguma alterações.
Então alguns instantes depois esculto as crianças chegando: Mãe! Cade você? Mãeeee...
E em seguida André me chamou: Raquely, por favor, precisamos conversar, chega disto, eu te amo e não é só você que está sofrendo eu e as crianças também, abra a porta deste quarto, vai?
Eu não tenho nada pra falar com você! Respondi.
Presta atenção Raquely, eu não vou ficar a merce de você, esperando que me perdoe, principalmente por algo que não fiz, cai a na real, eu não vou ficar aqui para sempre, eu to cheio disto tudo, abra essa porta seus filhos precisam de você. André falou.
Eu me levantei e abrindo a porta pedi que as crianças entrassem no quarto e elas vieram correndo, no instante que eu ai fechar a porta André a segurou, dizendo: Não faça isso, da uma chance para que eu possa me explicar?
Tá bom entra, mas espere, vou ver se as crianças querem comer algo. Respondi
Elas já comeram, minha mãe as deu bolo. Disse ele.
Então fui a cozinha arrumei a mesa pus pão, bolachas e o leite, pois elas me pediram e eu percebi que era mais porque elas sentiam falta de um tempo comigo do que fome. Então fiquei com elas até que terminassem de comer, quando vi o interesse delas por um programa de TV fui ao quarto falar com André.
E ele foi logo pegando em minha mão e eu me afastei dizendo: Não! Não ponha suas mãos em mim, isso é uma conversa e não irá passar disto! Entendeu?
Tá! Mas da para parar de gritar comigo! Disse André, que nervoso continuou a falar: Eu sei que você tem toda a razão, de estar chateada comigo, mas não me trata assim, eu não sou o crápula que pensa e tudo isso não se deve só por minha culpa e...
Nervosa eu disse: Para! Agora a culpa é minha? Chega, não venha por a culpa em mim por sua malandragem ou melhor dizendo, a traição foi sua!
Eu não te trai! Raquely... Falou André.
Não, chega, pra mim você não passa de um mentiroso, eu nunca fiz nada que te magoasse como você fez, como pode? Sempre fui fiel, André e é você quem estava agindo errado. Eu falei.
Ele me abraçou pedindo desculpa e dizendo: Não faz isso comigo, eu te amo, para e pensa um pouco!
E eu lhe falei num choro desesperado: Lembra das suas promessas, que fez me em quanto namorávamos?
E ele ficou ali inerte e seus olhos se encheram cheios de lágrimas.
E eu lhe falei: Dizia você, "eu te amo tanto, que acredito, nada nos impedira de sermos felizes". E tempos antes de você por uma aliança de compromisso em meu dedo André, você me prometeu, que iriamos nos casar, seriamos felizes e mesmos nos momentos contraditórios da vida estaríamos juntos, até ficarmos bem velhinhos.
E eu te amo Raquely, como naquele exato momento. Falou André.
Mentira! Não tente me enganar com suas falsas promessas. Eu respondi e continuei a falar: Quando lembro, que você ficou mais de vinte dias sem nem me beijar direito e um dia antes desta tua festinha, seu pilantra, me deu tanta atenção e me encheu carinho, tivemos uma noite de amor André, como a muito tempo não tínhamos, e você estragou tudo, me da uma tristeza, a dor é grande por ter sido inganda de forma tão sórdida. Sabe? Da vontade de fazer o mesmo só pra ver se você sentiria a dor que sinto. Pena que não sou tão ordinária como você é, né André.
E nossos filhinhos? Coitadinhos... Meu Deus, nossos filhos são tão pequenos!... Se meu pai que esteve ausente quase que na minha vida inteira, já foi um grande sofrimento e agora isso André, não posso suportar, vamos nos separar e fazer da vida de meus filhos uma droga! Não, eles não merecem, eu não mereço, meu Deus!
Então André saiu me deixando desolada, não só pelo que ele me disse mas mais ainda por minhas duras palavras, pois eu jamais teria coragem de me separar, meu amor por ele estava vivo e intenso de mais para apagar, e meus filhos, eu precisa pensar nos meus filhos antes de nós. Eles precisam de nós dois juntos.
Mais tarde André voltou, as crianças já dormiam e eu já estava na cama e ele se deitou ao meu lado e começou a passar a mão em meus cabelos, eu fingi estar dormindo profundamente, na intenção de não brigarmos mais uma vez. Ele me deu um beijo na testa e sussurrou: Te amo!
Logo depois se virou para dormir.
Na manhã seguinte ele se levantou primeiro que eu, fez o café e me acordou com um beijo. E eu não o impedi, mas em seguida sai da cama calada tomei café, cuidei dos afazeres de casa e fui trabalhar sem me despedir dele.
No refeitório encontrei uma amiga que a muito tempo não nos falávamos, Fernanda, havia sido transferida para outra sessão, mas calho que naquele dia fomos almoçar juntas, cumprimentando ela disse: Nossa, quanto tempo Raquely, como está?
Respondi: Oi Fernanda tudo bem, na media do possível e você ?
O que houve? Parece abatida... Olha que saber? Vamos falar de coisas boas. Falou Fernanda, se levantado sentou-se ao meu lado e continuou a falar: O dia de seu aniversario está perto, só não sei se é este fim semana ou na próxima segunda-feira, que dia é mesmo?
Há você lembrou, obrigada! É na terça-feira. Respondi.
Pare com esse desanimo, agora é a hora de você ir a luta menina, que tal dar uma repaginada no seu visual, aposto que vai haver uma festa, eu quero ir em? Ou não, você combinou um jantar romântico, com o maridão? Há tá sorrido né! Sua sapeca, isto mesmo...
Não! Eu disse a ela, com um tímido sorriso e concluindo falei: Pare com isso, você sabe que meu relacionamento com ele não vai bem.
Disse Fernanda: Por isso mesmo, deixa de ser boba, eu já os vi juntos num dia em que ele veio te buscar e percebi, desculpa te falar, vocês se amam, quando vi o demorado abraço e o beijo que se deram, pensei, meu Deus, como é difícil ver um casamento hoje, onde o amor se renova há cada momento e pelo que você me diz, Raquely, eu acredito que vocês sejam exatamente assim.
Ai Fernanda, dando concelhos amorosos justo pra Raquely. Disse, uma colega que chegava naquele momento e se sentando continuo a dizer: Não seja boba, não de ouvidos a Fernanda, ela é uma sonhadora e vive fora da realidade. Eu vi seu sofrimento, eu já passei por isso, e pode ter certeza Raquely se ele aprontou agora, irá fazer novamen...
Deixe de pessimismo menina, por acaso já foi casada? Falou Fernanda, impedindo que ela continuasse a falar.
Não, mas eu namorei cinco anos com um calhorda, Fernanda! A menina respondeu.
Namoro não é casamento, deixa essa conversa pra quem intende verdadeiramente do assunto. Disse Fernanda, que continuou a falar: Nenhum casal é igual a outro, nenhum casamento termina se a há amor de ambos e se acabar, fica claro que o sofrimento será duplo, com filhos então, as feridas se tornaram mais profundas. Eu sei disto pois meu exmarido me deixou por outra, na época sofremos muito eu e meus filhos, mas sei também que ele não me amava verdadeiramente. Agora me casei de novo, e uma outra vadia tentou tirá-lo de mim, no entanto desta vez eu tenho um homem que me ama e eu não sou mais aquela inexperiente, boba, ninguém o tomará de mim. E ele Raquely nem é o gato que é seu marido, mas eu amo o meu feiinho. E você? Vai deixar barato Raquely? Lute por seu amor, ele te ama. Ou pretende deixar que outra, mulherzinha qualquer tome seu lugar no coração dele?
Fiquei sem ação, não sabia nem o que dizer, a menina se levantou e calada saiu, em quanto Fernanda falava, conversamos mais uns cinco minutos, até dar a hora de voltar ao trabalho.
Neste dia eu havia sido dispensada mais cedo do serviço, chegando em casa as crianças estavam na escolinha ainda, então fui ao salão cabeleireiro, que era de uma amiga, quando ela começou a lavar meus cabelos disse: Só vai cortar o cabelo mesmo?
Sim! Respondi.
Ela deu um sorriso e disse-me: Olha, hoje vou te dar uma escova de presente!
Não, imagina! Muito Obrigada. Respondi.
Há, que isso... Eu te dou um presente e você o recusa, Raquely! Ela falou.
Tá bom, mas eu pago. Respondi.
Com isso além da escova, ela passou a chapinha, o que eu nem tinha conhecimento que existia na época.
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Ela falou: Ai Raquely, você vai enlouquecer o seu marido, vejo que você caprichou no look também, tá uma gatona.
É! Poço não ser uma gatona, mas hoje ele vai ver o que é bom pra tosse, há isso vai! Eu disse a ela.
E abrindo um grande sorriso ela disse: Nossa, sua cara é de quem vai aprontar! Vê lá hem? Vá com calma!
Ai caímos na rizada e logo após isso, ao sair do salão, eu fui para o supermercado onde trabalhava André, chegando lá ao passar frente aos caixas, pedi informações a uma funcionária sobre um homem, o Rômulo, cujo meu marido disse ser o dono dos tais pertences que encontrei no porta malas do carro, naquela fatídica noite.
E ela me disse: Há, sim o Rômulo trabalha no setor de segurança e monitoramento. Quer falar com ele?
Respondi: Sim, por favor, se for possível?
Então ela pedindo que eu aguardasse por ali e saiu e quando menos eu esperava André surgiu do nada dizendo: Oi, que faz aqui? Porque não foi lá no meu setor me chamar?
Não vim aqui para falar com você e sim com seu amigo Rômulo. Respondi.
Já está chegando a hora de eu sair, me espera, vamos juntos pra casa. Ele disse.
Não vou te esperar, já disse vim falar com o Rômulo. Respondi.
Neste momento a funcionária voltou e me disse: Se você esperar daqui uns vinte minutos ele sairá para a jantar, pois agora não será possível ele atendê-la.
Tudo bem! Eu espero, muito obrigada. Falei pra ela.
Pra que isso Raquely? Que bobagem, se eu já te contei toda a real veracidade dos fatos. Falou André.
Permaneci calada e ele disse: Espera ele ali na lanchonete, vou ver se consigo que ele venha agora pra falar com você.
Que foi? Está com medo que ele me diga algo de que eu não saiba ainda. Eu Falei.
E ele saiu e foi chamar o Rômulo, o que nem precisou, pois ele já se encontrava na lanchonete.
E André voltou e pediu-me que o acompanhasse, então eu lhe perguntei: Já pediu pra seu coleguinha mentir pra sua mulher?
Nisto ele disse: Vai lá então, pergunte isso a ele, porque nós não conseguimos nos falar, nem nos encontramos desde aquele dia.
Há, acredito! Falei num tom irônico.
E no instante que fomos para lanchonete e notei que alguns funcionários riram desfardadamente da nossa inusitada situação situação. No chegar a lanchonete Rômulo havia saído, mas em seguida retornou e se sentando a mesa em que eu estava disse: Oi! Eu sou Rômulo!
Com Seriedade eu o olhei e respondi: Boa tarde, acho que você sabe porque estou aqui te esperando, né?
Não muito, mas sei que você veio me perguntar o que aconteceu no dia em que fomos a festa. Ele respondeu.
Então Rômulo, você é casado? Perguntei.
Não sou noivo. Respondeu.
Pois eu sou casada com André e nossas vidas estão incertas, pelo que eu acredito, ser um duro golpe de uma pessoa que até pouco tempo me persuadia acreditar piamente em quase tudo que me dizia. No entanto, neste momento eu o tenho como um exímio mentiroso, que jogou fora nove anos de casamento, percebe o ato desvairado que ele teve? Temos três filhos, tínhamos uma vida já construída, e agora? O que você me diz?
Enquanto eu dizia isso percebi em seu rosto um curto sorriso que puxava um dos cantos de seu lábio e suas sobrancelhas inclinavam, ele tinha a postura de quem estava ali para ajudar um amigo, mas ao mesmo tempo me olhava com um olhar contraditório a tudo aquilo e disse-me: As coisas que estavam no porta malas do carro eram minhas.
Certo! Mais que coisas eram essas? Lhe Perguntei.
Os preservativos e o cepacol, eram meus. Ele Respondeu.
E eu lhe disse com um olhar duvidoso: Bom, eu espero que esteja me dizendo a verdade, pois mentira tem perna curta. Mesmo assim, muito obrigada por sua atenção.
Após isso fui em direção a porta de saída e André, vendo que eu estava indo embora veio atrás de mim, dizendo: Hei, dá pra você esperar mais uns minutinhos, eu já vó sai, estou com o carro, vamos juntos.
Não, eu não vou esperar ninguém, pode deixar está um fim de tarde lindo e eu vou caminhando mesmo.
Não, espera tá! Falou ele insistentemente, voltando a seu trabalho.
Eu não o esperei, fui embora para minha casa.
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Cheguei no exato momento em que Selma vinha com as criança da escola, eu à agradeci por seu apoio enquanto subíamos as escadas e ela aceitando meu agradecimento foi para sua casa enquanto eu abria a porta de casa, em seguida escultei uma falação das crianças vinda da rua: Pai! Mãe o pai chego! Eh! Ebá chocolate! O pai compro chocolate!
Notei que eles vinham subindo as escadas e imaginei que meus filhos viriam juntos ele, no entanto ao ouvir a porta se abrir, o silêncio, mostrava que ele entra só em casa. Permaneci arrumando a mesa, até ele veio em minha direção e disse: Por que não me esperou? Podia ter vindo comigo sua boba, já esclareceu suas duvidas?
Respondi: Olha pra mim! Você acha que eu acreditei nele?
Então André me pós contra a parede e olhando nos meus olhos me deixou completamente desprovida de palavras e disse: Para, hoje não vamos brigar! E outra você sabe, eu não fiz nada do que pensou você, eu ter feito!
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Ele no intento de me beijar se aproximou lentamente e ficamos face a face olhando um nos olhos outro, eu podia sentir sua respiração e seu coração acelerando. No sentir que minhas emoções poderiam se revelar, entregando-me ao calor daquele momento, disse: Chega! Você sabe que um beijo não irá acabar com minha desconfiança e magoa.
Encostando seu nariz no meu ele disse: O que eu sei, é que isso, não vai durar por muito tempo.
Então ele se afastou e perguntou: Quando será sua folga?
E eu fiquei ali na parede sem ação, só olhando pra ele e ouvindo o que ele dizia e pensando: Meu Deus, como eu amo este homem, não consigo nem ficar perto dele sem desejar o seu beijo, mesmo depois de tudo isso. Não, não posso deixar que me engane mais uma vez!
Então sai em direção ao fogão e ele segurou o meu braço, responde, que dia é sua folga?
Não sei. Respondi.
Neste momento fui salva de fazer ou dizer algo que não queria dizer, meus filhos entraram. Nós jantamos, assistimos TV e fomos dormir. Tornava cada vez mais óbvio que minha magoa estava se acabando e mais cedo ou mais tarde eu o perdoaria, mesmo que o fato ocorrido naquele dia fosse contra todos meus princípios, meu amor era maior que tudo aquilo.
No dia seguinte, quando eu sai do serviço sentia um enorme cansaço, pois o movimento no supermercado havia sindo intenso o dia todo e ao sentar no banco do ônibus veio uma angustia que envolvia-me nas lembranças do que fez André naquela noite, será que realmente não esteve com outra mulher na festa? E se estiver me enganado? Ou pior ainda, ele poderia também ter um caso com uma de suas funcionárias.
Entretanto recordava-me o quanto seus olhos demonstravam amor e preocupação ao falar veementemente que não me traiu e de forma metódica se expressava dizendo o quanto me amava olhando fixamente nos meus olhos. Eu acredito que o olhos são o espelho da alma. E no mentir, eu percebo, que seus olhos se tornam contrários aos meus, simplesmente ele não olha para mim.
A duvida, sempre irá me acompanhar, ninguém está isento de cair em uma mentira, mais também sei que a voz da consciência é viva naqueles que amam verdadeiramente.
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Então olhei pela janela do ônibus que estava parado pelo transito lendo e lá fora vi as pessoas e comecei a observá-las, umas andavam com suas cabeças baixas, outras pareciam altivas e algumas outras em um ponto de ônibus estavam completamente inertes, caladas e desatentos ao que acontecia em sua volta, ali também estava um outro alguém completamente desorientado, andava maltrapilho e descalço carregando um saco de latinhas em suas mãos. E ninguém, exatamente ninguém o viu passar, a sensação era de que ele poderia gritar ou simplesmente cair que nenhuma daquelas pessoas o viriam. Pensei meu Deus, me perdoe, pois eu não sou digna de suas bençãos, eu aqui julgando o que nem tenho ideia do que seja verdadeiro e reclamando das minhas amarguras e tudo inutilmente por pura vaidade do meu ser, em quanto muitos estão sem um teto, mortos de fome, outros doentes, milhares em prantos por seus mortos e outros em uma solidão sem tamanho. Pai se o senhor pode me perdoar ousa, que posso fazer meu pai? Não quero mais ficar a margem de minha obrigação com o senhor. Mostra-me o caminho, pois agora meu sofrimento não é mais por mim ou minha família, mas por todos estes irmãos, perdidos neste mundo, estamos como órfãs e carentes sem ti, meu senhor... Eu queria poder aliviar essa dor, mas não tenho esse poder tão pouco possuo dons para isso. Somente tu meu Deus pode.
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Ao abrir a porta de casa, André e Selma conversavam na sala, eu a cumprimentei e em seguida as crianças que brincavam no quarto correram pra me abraçar. André ficou parado a me olhar, e as crianças disseram que queriam ir na casa da tia Viviana porque era aniversario da prima Camile. E Selma disse: É Raquely, vamos lá, Viviana nos convidou, ela fez um bolinho para Camile.
Antes que eu respondesse, André se aproximou de mim na intenção de me dar beijo, eu olhava para Selma completamente distraída sentada na cadeira tomando café, no perceber as mãos dele sobre meus ombros, disse: O que está fazendo?
Você cumprimentou a todos menos a mim. Ele respondeu.
E Selma disse: Estou indo com as crianças lá, apareçam para dar pelo menos um beijo na menina se não ficara chato.
Tá bom Selma, nos vamos. Respondi.
Saindo Selma, Sabrina e Antony correram atrás dela e Alice foi no quarto pegar um brinquedo. Dizendo: Espera! Mãe você não vai?
Nos vamos filha, deixa só eu tomar o café. Respondi.
E Sabrina e Antony voltaram chamando Alice.
Nisto André disse: Me da o beijo que você não me deu hoje?
Então eu me aproximei e só encostei meu lábios nos dele e rapidamente me afastei, dizendo: Você não é aquele mesmo homem que conheci no Front. Quando tudo parecia nos seus devidos lugares, tomei um susto André! Eu vi naquela noite que vivia uma mentira, como quer que eu reaja? Se no momento em você decidiu se divertir sem mim, senti a prova do seu desamor por mim. Eu acordei para realidade André, você não me valoriza, muito menos apoia as minhas decisões, vejo que não me da acredito em nada. As vezes penso, porque está comigo ainda?
Ele disse: Eu não suporto mais essa situação Raquely e...
Eu que não suporto mais André! Respondi.
E continuei a falar: É como eu dizia antes e você me cortou, não é só a questão da festa, eu te amo e jamais conseguirei te deixar, no entanto não quero mais viver uma vidinha mediocreira, você e eu acordamos, mal nos olhamos, trabalhamos, voltamos pra casa, cada um no seu lado, pois quase sempre você vai para a casa seus pais e volta quando já durmo. Ou então está assistindo jogo ou estudando, em nove anos de casados só fizemos um viagem a sós e nas...
Retrucou André: Pare e pense, qual foi a ultima vez que você me deu ouvidos?
E ele continuou falando: Sou eu quem chega em casa e você está vidrada nesta bosta de TV ou está na companhia de uma vizinha jogando conversa fora.
Com lágrimas no olhos eu perguntei: Tá, sei que devo mudar, mas como posso fazer você me amar de novo?
Após uma silenciosa pausa, eu continuei a dizer: Não sei se você, notou, mas de quanto em quanto tempo, conseguimos estarmos juntos de verdade? Eu tenho feito de tudo para ter você mais próximo de mim nem que fosse por alguns minutos de atenção, mas você parece nem me notar!
Por que está dizendo estas coisas, se é você quem está me evitando? Perguntou ele.
Agora né, André, e com razão, porque antes da sua escapadinha sórdida era eu quem corria e fazia de tudo pra ganhar sua atenção ou um misero bejinho de boa noite.
Então ele me abraçou e disse: Eu te amo e sempre vou te amar, não sou só eu que tem que mudar, você sempre me pareceu fria, desculpa, mas desde o inicio imaginei que isso era o seu normal, o que me entristecia em alguns momentos. Mas fique ciente, de que não foi esse o motivo que me levou aquela festa sem você, foi só uma tola vontade de descontração, vontade essa na qual me arrependo amargamente, pois desde o momento que sai do meu serviço para aquele lugar era em você que eu pensava e não me senti em nenhum minuto confortável sem você. Eu desejei muito que você estivesse comigo naquela noite.
Então ficamos ali abraçados como quem não se vê a muito tempo de forma terna nos perdoamos, assim começamos a nos entender um pouco mais.
Alguns dias depois, André foi me buscar, já era fim de expediente quando vi que André passava no sétimo caixa a frente do meu. E Ele me olhava fixamente e eu também, até que abrimos o sorriso um para outro.
Meu coração parecia um tambor de tanta palpitação, parecíamos aqueles mesmos jovens, lembrei, de quando nos conhecemos, entre aquela noite e o fim de tarde do dia seguinte, quando vi que ele veio me buscar na creche onde eu trabalha naquela época, eu senti aquela mesmas sensações, o friozinho na boca do estomago e o mesmo medo de fazer algum fiasco, devia ser nítido, eu ansiava por saber o porque ele estava ali.
No sair do serviço, fomos a pizzaria e depois para o parque, então ficamos ali admirando, aquela linda noite onde as estrelas brilhavam como pedras de diamante e lua se mostrava mais bela do que nunca. Assim se inicio nossa nova maneira viver, para um rumo cheio de alegria e desafios pois nada é tão perfeito, principalmente falando de pessoas como eu e meu marido, "a lua e o sol", mas o mais importante aprendemos... Aprendemos a nos ouvir!
Eu não tenho nada pra falar com você! Respondi.
Presta atenção Raquely, eu não vou ficar a merce de você, esperando que me perdoe, principalmente por algo que não fiz, cai a na real, eu não vou ficar aqui para sempre, eu to cheio disto tudo, abra essa porta seus filhos precisam de você. André falou.
Eu me levantei e abrindo a porta pedi que as crianças entrassem no quarto e elas vieram correndo, no instante que eu ai fechar a porta André a segurou, dizendo: Não faça isso, da uma chance para que eu possa me explicar?
Tá bom entra, mas espere, vou ver se as crianças querem comer algo. Respondi
Elas já comeram, minha mãe as deu bolo. Disse ele.
Então fui a cozinha arrumei a mesa pus pão, bolachas e o leite, pois elas me pediram e eu percebi que era mais porque elas sentiam falta de um tempo comigo do que fome. Então fiquei com elas até que terminassem de comer, quando vi o interesse delas por um programa de TV fui ao quarto falar com André.
E ele foi logo pegando em minha mão e eu me afastei dizendo: Não! Não ponha suas mãos em mim, isso é uma conversa e não irá passar disto! Entendeu?
Tá! Mas da para parar de gritar comigo! Disse André, que nervoso continuou a falar: Eu sei que você tem toda a razão, de estar chateada comigo, mas não me trata assim, eu não sou o crápula que pensa e tudo isso não se deve só por minha culpa e...
Nervosa eu disse: Para! Agora a culpa é minha? Chega, não venha por a culpa em mim por sua malandragem ou melhor dizendo, a traição foi sua!
Eu não te trai! Raquely... Falou André.
Não, chega, pra mim você não passa de um mentiroso, eu nunca fiz nada que te magoasse como você fez, como pode? Sempre fui fiel, André e é você quem estava agindo errado. Eu falei.
Ele me abraçou pedindo desculpa e dizendo: Não faz isso comigo, eu te amo, para e pensa um pouco!
E eu lhe falei num choro desesperado: Lembra das suas promessas, que fez me em quanto namorávamos?
E ele ficou ali inerte e seus olhos se encheram cheios de lágrimas.
E eu lhe falei: Dizia você, "eu te amo tanto, que acredito, nada nos impedira de sermos felizes". E tempos antes de você por uma aliança de compromisso em meu dedo André, você me prometeu, que iriamos nos casar, seriamos felizes e mesmos nos momentos contraditórios da vida estaríamos juntos, até ficarmos bem velhinhos.
E eu te amo Raquely, como naquele exato momento. Falou André.
Mentira! Não tente me enganar com suas falsas promessas. Eu respondi e continuei a falar: Quando lembro, que você ficou mais de vinte dias sem nem me beijar direito e um dia antes desta tua festinha, seu pilantra, me deu tanta atenção e me encheu carinho, tivemos uma noite de amor André, como a muito tempo não tínhamos, e você estragou tudo, me da uma tristeza, a dor é grande por ter sido inganda de forma tão sórdida. Sabe? Da vontade de fazer o mesmo só pra ver se você sentiria a dor que sinto. Pena que não sou tão ordinária como você é, né André.
E nossos filhinhos? Coitadinhos... Meu Deus, nossos filhos são tão pequenos!... Se meu pai que esteve ausente quase que na minha vida inteira, já foi um grande sofrimento e agora isso André, não posso suportar, vamos nos separar e fazer da vida de meus filhos uma droga! Não, eles não merecem, eu não mereço, meu Deus!
Então André saiu me deixando desolada, não só pelo que ele me disse mas mais ainda por minhas duras palavras, pois eu jamais teria coragem de me separar, meu amor por ele estava vivo e intenso de mais para apagar, e meus filhos, eu precisa pensar nos meus filhos antes de nós. Eles precisam de nós dois juntos.
Mais tarde André voltou, as crianças já dormiam e eu já estava na cama e ele se deitou ao meu lado e começou a passar a mão em meus cabelos, eu fingi estar dormindo profundamente, na intenção de não brigarmos mais uma vez. Ele me deu um beijo na testa e sussurrou: Te amo!
Logo depois se virou para dormir.
Na manhã seguinte ele se levantou primeiro que eu, fez o café e me acordou com um beijo. E eu não o impedi, mas em seguida sai da cama calada tomei café, cuidei dos afazeres de casa e fui trabalhar sem me despedir dele.
No refeitório encontrei uma amiga que a muito tempo não nos falávamos, Fernanda, havia sido transferida para outra sessão, mas calho que naquele dia fomos almoçar juntas, cumprimentando ela disse: Nossa, quanto tempo Raquely, como está?
Respondi: Oi Fernanda tudo bem, na media do possível e você ?
O que houve? Parece abatida... Olha que saber? Vamos falar de coisas boas. Falou Fernanda, se levantado sentou-se ao meu lado e continuou a falar: O dia de seu aniversario está perto, só não sei se é este fim semana ou na próxima segunda-feira, que dia é mesmo?
Há você lembrou, obrigada! É na terça-feira. Respondi.
Pare com esse desanimo, agora é a hora de você ir a luta menina, que tal dar uma repaginada no seu visual, aposto que vai haver uma festa, eu quero ir em? Ou não, você combinou um jantar romântico, com o maridão? Há tá sorrido né! Sua sapeca, isto mesmo...
Não! Eu disse a ela, com um tímido sorriso e concluindo falei: Pare com isso, você sabe que meu relacionamento com ele não vai bem.
Disse Fernanda: Por isso mesmo, deixa de ser boba, eu já os vi juntos num dia em que ele veio te buscar e percebi, desculpa te falar, vocês se amam, quando vi o demorado abraço e o beijo que se deram, pensei, meu Deus, como é difícil ver um casamento hoje, onde o amor se renova há cada momento e pelo que você me diz, Raquely, eu acredito que vocês sejam exatamente assim.
Ai Fernanda, dando concelhos amorosos justo pra Raquely. Disse, uma colega que chegava naquele momento e se sentando continuo a dizer: Não seja boba, não de ouvidos a Fernanda, ela é uma sonhadora e vive fora da realidade. Eu vi seu sofrimento, eu já passei por isso, e pode ter certeza Raquely se ele aprontou agora, irá fazer novamen...
Deixe de pessimismo menina, por acaso já foi casada? Falou Fernanda, impedindo que ela continuasse a falar.
Não, mas eu namorei cinco anos com um calhorda, Fernanda! A menina respondeu.
Namoro não é casamento, deixa essa conversa pra quem intende verdadeiramente do assunto. Disse Fernanda, que continuou a falar: Nenhum casal é igual a outro, nenhum casamento termina se a há amor de ambos e se acabar, fica claro que o sofrimento será duplo, com filhos então, as feridas se tornaram mais profundas. Eu sei disto pois meu exmarido me deixou por outra, na época sofremos muito eu e meus filhos, mas sei também que ele não me amava verdadeiramente. Agora me casei de novo, e uma outra vadia tentou tirá-lo de mim, no entanto desta vez eu tenho um homem que me ama e eu não sou mais aquela inexperiente, boba, ninguém o tomará de mim. E ele Raquely nem é o gato que é seu marido, mas eu amo o meu feiinho. E você? Vai deixar barato Raquely? Lute por seu amor, ele te ama. Ou pretende deixar que outra, mulherzinha qualquer tome seu lugar no coração dele?
Fiquei sem ação, não sabia nem o que dizer, a menina se levantou e calada saiu, em quanto Fernanda falava, conversamos mais uns cinco minutos, até dar a hora de voltar ao trabalho.
Neste dia eu havia sido dispensada mais cedo do serviço, chegando em casa as crianças estavam na escolinha ainda, então fui ao salão cabeleireiro, que era de uma amiga, quando ela começou a lavar meus cabelos disse: Só vai cortar o cabelo mesmo?
Sim! Respondi.
Ela deu um sorriso e disse-me: Olha, hoje vou te dar uma escova de presente!
Não, imagina! Muito Obrigada. Respondi.
Há, que isso... Eu te dou um presente e você o recusa, Raquely! Ela falou.
Tá bom, mas eu pago. Respondi.
Com isso além da escova, ela passou a chapinha, o que eu nem tinha conhecimento que existia na época.
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É! Poço não ser uma gatona, mas hoje ele vai ver o que é bom pra tosse, há isso vai! Eu disse a ela.
E abrindo um grande sorriso ela disse: Nossa, sua cara é de quem vai aprontar! Vê lá hem? Vá com calma!
Ai caímos na rizada e logo após isso, ao sair do salão, eu fui para o supermercado onde trabalhava André, chegando lá ao passar frente aos caixas, pedi informações a uma funcionária sobre um homem, o Rômulo, cujo meu marido disse ser o dono dos tais pertences que encontrei no porta malas do carro, naquela fatídica noite.
E ela me disse: Há, sim o Rômulo trabalha no setor de segurança e monitoramento. Quer falar com ele?
Respondi: Sim, por favor, se for possível?
Então ela pedindo que eu aguardasse por ali e saiu e quando menos eu esperava André surgiu do nada dizendo: Oi, que faz aqui? Porque não foi lá no meu setor me chamar?
Não vim aqui para falar com você e sim com seu amigo Rômulo. Respondi.
Já está chegando a hora de eu sair, me espera, vamos juntos pra casa. Ele disse.
Não vou te esperar, já disse vim falar com o Rômulo. Respondi.
Neste momento a funcionária voltou e me disse: Se você esperar daqui uns vinte minutos ele sairá para a jantar, pois agora não será possível ele atendê-la.
Tudo bem! Eu espero, muito obrigada. Falei pra ela.
Pra que isso Raquely? Que bobagem, se eu já te contei toda a real veracidade dos fatos. Falou André.
Permaneci calada e ele disse: Espera ele ali na lanchonete, vou ver se consigo que ele venha agora pra falar com você.
Que foi? Está com medo que ele me diga algo de que eu não saiba ainda. Eu Falei.
E ele saiu e foi chamar o Rômulo, o que nem precisou, pois ele já se encontrava na lanchonete.
E André voltou e pediu-me que o acompanhasse, então eu lhe perguntei: Já pediu pra seu coleguinha mentir pra sua mulher?
Nisto ele disse: Vai lá então, pergunte isso a ele, porque nós não conseguimos nos falar, nem nos encontramos desde aquele dia.
Há, acredito! Falei num tom irônico.
E no instante que fomos para lanchonete e notei que alguns funcionários riram desfardadamente da nossa inusitada situação situação. No chegar a lanchonete Rômulo havia saído, mas em seguida retornou e se sentando a mesa em que eu estava disse: Oi! Eu sou Rômulo!
Com Seriedade eu o olhei e respondi: Boa tarde, acho que você sabe porque estou aqui te esperando, né?
Não muito, mas sei que você veio me perguntar o que aconteceu no dia em que fomos a festa. Ele respondeu.
Então Rômulo, você é casado? Perguntei.
Não sou noivo. Respondeu.
Pois eu sou casada com André e nossas vidas estão incertas, pelo que eu acredito, ser um duro golpe de uma pessoa que até pouco tempo me persuadia acreditar piamente em quase tudo que me dizia. No entanto, neste momento eu o tenho como um exímio mentiroso, que jogou fora nove anos de casamento, percebe o ato desvairado que ele teve? Temos três filhos, tínhamos uma vida já construída, e agora? O que você me diz?
Enquanto eu dizia isso percebi em seu rosto um curto sorriso que puxava um dos cantos de seu lábio e suas sobrancelhas inclinavam, ele tinha a postura de quem estava ali para ajudar um amigo, mas ao mesmo tempo me olhava com um olhar contraditório a tudo aquilo e disse-me: As coisas que estavam no porta malas do carro eram minhas.
Certo! Mais que coisas eram essas? Lhe Perguntei.
Os preservativos e o cepacol, eram meus. Ele Respondeu.
E eu lhe disse com um olhar duvidoso: Bom, eu espero que esteja me dizendo a verdade, pois mentira tem perna curta. Mesmo assim, muito obrigada por sua atenção.
Após isso fui em direção a porta de saída e André, vendo que eu estava indo embora veio atrás de mim, dizendo: Hei, dá pra você esperar mais uns minutinhos, eu já vó sai, estou com o carro, vamos juntos.
Não, eu não vou esperar ninguém, pode deixar está um fim de tarde lindo e eu vou caminhando mesmo.
Não, espera tá! Falou ele insistentemente, voltando a seu trabalho.
Eu não o esperei, fui embora para minha casa.
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Cheguei no exato momento em que Selma vinha com as criança da escola, eu à agradeci por seu apoio enquanto subíamos as escadas e ela aceitando meu agradecimento foi para sua casa enquanto eu abria a porta de casa, em seguida escultei uma falação das crianças vinda da rua: Pai! Mãe o pai chego! Eh! Ebá chocolate! O pai compro chocolate!
Notei que eles vinham subindo as escadas e imaginei que meus filhos viriam juntos ele, no entanto ao ouvir a porta se abrir, o silêncio, mostrava que ele entra só em casa. Permaneci arrumando a mesa, até ele veio em minha direção e disse: Por que não me esperou? Podia ter vindo comigo sua boba, já esclareceu suas duvidas?
Respondi: Olha pra mim! Você acha que eu acreditei nele?
Então André me pós contra a parede e olhando nos meus olhos me deixou completamente desprovida de palavras e disse: Para, hoje não vamos brigar! E outra você sabe, eu não fiz nada do que pensou você, eu ter feito!
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Ele no intento de me beijar se aproximou lentamente e ficamos face a face olhando um nos olhos outro, eu podia sentir sua respiração e seu coração acelerando. No sentir que minhas emoções poderiam se revelar, entregando-me ao calor daquele momento, disse: Chega! Você sabe que um beijo não irá acabar com minha desconfiança e magoa.
Encostando seu nariz no meu ele disse: O que eu sei, é que isso, não vai durar por muito tempo.
Então ele se afastou e perguntou: Quando será sua folga?
E eu fiquei ali na parede sem ação, só olhando pra ele e ouvindo o que ele dizia e pensando: Meu Deus, como eu amo este homem, não consigo nem ficar perto dele sem desejar o seu beijo, mesmo depois de tudo isso. Não, não posso deixar que me engane mais uma vez!
Então sai em direção ao fogão e ele segurou o meu braço, responde, que dia é sua folga?
Não sei. Respondi.
Neste momento fui salva de fazer ou dizer algo que não queria dizer, meus filhos entraram. Nós jantamos, assistimos TV e fomos dormir. Tornava cada vez mais óbvio que minha magoa estava se acabando e mais cedo ou mais tarde eu o perdoaria, mesmo que o fato ocorrido naquele dia fosse contra todos meus princípios, meu amor era maior que tudo aquilo.
No dia seguinte, quando eu sai do serviço sentia um enorme cansaço, pois o movimento no supermercado havia sindo intenso o dia todo e ao sentar no banco do ônibus veio uma angustia que envolvia-me nas lembranças do que fez André naquela noite, será que realmente não esteve com outra mulher na festa? E se estiver me enganado? Ou pior ainda, ele poderia também ter um caso com uma de suas funcionárias.
Entretanto recordava-me o quanto seus olhos demonstravam amor e preocupação ao falar veementemente que não me traiu e de forma metódica se expressava dizendo o quanto me amava olhando fixamente nos meus olhos. Eu acredito que o olhos são o espelho da alma. E no mentir, eu percebo, que seus olhos se tornam contrários aos meus, simplesmente ele não olha para mim.
A duvida, sempre irá me acompanhar, ninguém está isento de cair em uma mentira, mais também sei que a voz da consciência é viva naqueles que amam verdadeiramente.
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Então olhei pela janela do ônibus que estava parado pelo transito lendo e lá fora vi as pessoas e comecei a observá-las, umas andavam com suas cabeças baixas, outras pareciam altivas e algumas outras em um ponto de ônibus estavam completamente inertes, caladas e desatentos ao que acontecia em sua volta, ali também estava um outro alguém completamente desorientado, andava maltrapilho e descalço carregando um saco de latinhas em suas mãos. E ninguém, exatamente ninguém o viu passar, a sensação era de que ele poderia gritar ou simplesmente cair que nenhuma daquelas pessoas o viriam. Pensei meu Deus, me perdoe, pois eu não sou digna de suas bençãos, eu aqui julgando o que nem tenho ideia do que seja verdadeiro e reclamando das minhas amarguras e tudo inutilmente por pura vaidade do meu ser, em quanto muitos estão sem um teto, mortos de fome, outros doentes, milhares em prantos por seus mortos e outros em uma solidão sem tamanho. Pai se o senhor pode me perdoar ousa, que posso fazer meu pai? Não quero mais ficar a margem de minha obrigação com o senhor. Mostra-me o caminho, pois agora meu sofrimento não é mais por mim ou minha família, mas por todos estes irmãos, perdidos neste mundo, estamos como órfãs e carentes sem ti, meu senhor... Eu queria poder aliviar essa dor, mas não tenho esse poder tão pouco possuo dons para isso. Somente tu meu Deus pode.
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Ao abrir a porta de casa, André e Selma conversavam na sala, eu a cumprimentei e em seguida as crianças que brincavam no quarto correram pra me abraçar. André ficou parado a me olhar, e as crianças disseram que queriam ir na casa da tia Viviana porque era aniversario da prima Camile. E Selma disse: É Raquely, vamos lá, Viviana nos convidou, ela fez um bolinho para Camile.
Antes que eu respondesse, André se aproximou de mim na intenção de me dar beijo, eu olhava para Selma completamente distraída sentada na cadeira tomando café, no perceber as mãos dele sobre meus ombros, disse: O que está fazendo?
Você cumprimentou a todos menos a mim. Ele respondeu.
E Selma disse: Estou indo com as crianças lá, apareçam para dar pelo menos um beijo na menina se não ficara chato.
Tá bom Selma, nos vamos. Respondi.
Saindo Selma, Sabrina e Antony correram atrás dela e Alice foi no quarto pegar um brinquedo. Dizendo: Espera! Mãe você não vai?
Nos vamos filha, deixa só eu tomar o café. Respondi.
E Sabrina e Antony voltaram chamando Alice.
Nisto André disse: Me da o beijo que você não me deu hoje?
Então eu me aproximei e só encostei meu lábios nos dele e rapidamente me afastei, dizendo: Você não é aquele mesmo homem que conheci no Front. Quando tudo parecia nos seus devidos lugares, tomei um susto André! Eu vi naquela noite que vivia uma mentira, como quer que eu reaja? Se no momento em você decidiu se divertir sem mim, senti a prova do seu desamor por mim. Eu acordei para realidade André, você não me valoriza, muito menos apoia as minhas decisões, vejo que não me da acredito em nada. As vezes penso, porque está comigo ainda?
Ele disse: Eu não suporto mais essa situação Raquely e...
Eu que não suporto mais André! Respondi.
E continuei a falar: É como eu dizia antes e você me cortou, não é só a questão da festa, eu te amo e jamais conseguirei te deixar, no entanto não quero mais viver uma vidinha mediocreira, você e eu acordamos, mal nos olhamos, trabalhamos, voltamos pra casa, cada um no seu lado, pois quase sempre você vai para a casa seus pais e volta quando já durmo. Ou então está assistindo jogo ou estudando, em nove anos de casados só fizemos um viagem a sós e nas...
Retrucou André: Pare e pense, qual foi a ultima vez que você me deu ouvidos?
E ele continuou falando: Sou eu quem chega em casa e você está vidrada nesta bosta de TV ou está na companhia de uma vizinha jogando conversa fora.
Com lágrimas no olhos eu perguntei: Tá, sei que devo mudar, mas como posso fazer você me amar de novo?
Após uma silenciosa pausa, eu continuei a dizer: Não sei se você, notou, mas de quanto em quanto tempo, conseguimos estarmos juntos de verdade? Eu tenho feito de tudo para ter você mais próximo de mim nem que fosse por alguns minutos de atenção, mas você parece nem me notar!
Por que está dizendo estas coisas, se é você quem está me evitando? Perguntou ele.
Agora né, André, e com razão, porque antes da sua escapadinha sórdida era eu quem corria e fazia de tudo pra ganhar sua atenção ou um misero bejinho de boa noite.
Então ele me abraçou e disse: Eu te amo e sempre vou te amar, não sou só eu que tem que mudar, você sempre me pareceu fria, desculpa, mas desde o inicio imaginei que isso era o seu normal, o que me entristecia em alguns momentos. Mas fique ciente, de que não foi esse o motivo que me levou aquela festa sem você, foi só uma tola vontade de descontração, vontade essa na qual me arrependo amargamente, pois desde o momento que sai do meu serviço para aquele lugar era em você que eu pensava e não me senti em nenhum minuto confortável sem você. Eu desejei muito que você estivesse comigo naquela noite.
Então ficamos ali abraçados como quem não se vê a muito tempo de forma terna nos perdoamos, assim começamos a nos entender um pouco mais.
Alguns dias depois, André foi me buscar, já era fim de expediente quando vi que André passava no sétimo caixa a frente do meu. E Ele me olhava fixamente e eu também, até que abrimos o sorriso um para outro.
Meu coração parecia um tambor de tanta palpitação, parecíamos aqueles mesmos jovens, lembrei, de quando nos conhecemos, entre aquela noite e o fim de tarde do dia seguinte, quando vi que ele veio me buscar na creche onde eu trabalha naquela época, eu senti aquela mesmas sensações, o friozinho na boca do estomago e o mesmo medo de fazer algum fiasco, devia ser nítido, eu ansiava por saber o porque ele estava ali.
No sair do serviço, fomos a pizzaria e depois para o parque, então ficamos ali admirando, aquela linda noite onde as estrelas brilhavam como pedras de diamante e lua se mostrava mais bela do que nunca. Assim se inicio nossa nova maneira viver, para um rumo cheio de alegria e desafios pois nada é tão perfeito, principalmente falando de pessoas como eu e meu marido, "a lua e o sol", mas o mais importante aprendemos... Aprendemos a nos ouvir!
A faculdade!!!
Passado alguns meses, estava tudo fluindo bem, até haver uma quebra no caixa em que eu trabalha. Devido ao movimento ter sido muito grande naquele dia e a várias trocas de caixa, eu me atrapalhei e cometi uma imprudência, deixei o dinheiro que o cliente acabava de pagar suas compras fora da gaveta do caixa, com a correria para que a fila andasse e não aumentasse, pois isso era cobrado categoricamente a todos os caixas pelos ficais, coloquei o dinheiro perto impressora e atendi ao próximo cliente. Ao abrir-se a gaveta eu peguei o dinheiro, mas nisto o fiscal veio falar sobre a troca de um produto e eu acabei fechando a gaveta deixando novamente o dinheiro fora e tive que passar mais uma compra, e o cliente ficou falando comigo quase que o tempo todo e no fiscal retornar com o produto de troca ele viu o dinheiro e me alertou apontando em direção a impressora dizendo: Olha, cuidado!
Neste momento a gaveta se abriu eu peguei o dinheiro para guardar, e o cliente falador me confundiu dando o seu dinheiro antes que eu pudesse guardar, o que estava fora, ai se fez a confusão, fiquei perdida, não sei foi esse cliente falador ou se foi no passar o próximo cliente que dizia-se apressado e tomou o dinheiro do troco de minhas mãos antes que o verificasse, fazendo assim com que eu desse uma quantia maior em dinheiro do realmente era seu troco, o que me resultou em um dia de suspensão.
Minha sorte foi que meu desempenho no serviço estava indo muito bem, até esse incidente, se não fosse por isso com certeza seria demitida. Pois estava havendo todo inicio de mês cortes de funcionários no meu setor.
Com o passar do tempo, tornei alvo perseguição, notei não só os ficais, como alguns colegas de trabalho vinham brigando comigo por motivos banais quase que frequentemente, recordo-me de uma dessas vezes na qual a mais me marcou, era fim de expediente quando uma fiscal veio até mim e disse: Você não pode vir com esse tipo de calça, temos um padrão e você tem que segui-lo.
Eu disse: Desculpa, mas não sou somente eu que usa calça capri aqui, tem muitas meninas que estão usando por isso vim assim. Mas tudo bem, isso não irá se repetir.
Minutos depois, Luciana, uma outra fiscal, veio e pegou no meu braço o puxando estupidamente e dando me um apertão e falando de forma arrogante comigo, disse, que não queria mais me ver trabalhando com tal roupa. Seu olhar chegava a ser raivoso, isso pra mim foi um abuso e uma falta de ética total .
Então eu não lhe disse nada, somente olhei fixamente em seus olhos e me posicionei de lado olhando seriamente para suas mãos em meus braços, de tal forma que ela não me disse mais nada, me soltando e saiu sem olhar para trás.
No fechar meu caixa fui para casa pensando, o porque de toda aquela violência e grosseria de Luciana, se desde que a conheci sempre me foi paciente e amigável, será que, aquelas fofocas que rolam por lá é verdade? Recordei-me de um outro momento em que eu estava saindo pra almoçar e estava havendo uma falação entre o pessoal no vestiário: Há, a fulana, tá se achando só porque passou a ser fiscal, acha que pode pisar nos outros... Só que ganha o mesmo que nos coitada! kkkkk... Nossa, é mesmo e o pior é o que estão dizendo... Que só está lá por ter saído com encarregado...
Eu achei que tudo aquilo era de uma extrema ignorância, pois não devemos julgar as pessoas, principalmente quando nos convêm, dizer algo só para ir a forra. Então pensei: Talvez, seja por isso, como trabalhar em um ambiente desses em paz, se não te dão paz.
No entanto sua ação comigo naquele dia foi completamente errada, porque, embora sem perceber, eu tenha quebrado um regulamento, que direito tinha ela de me agredir? E eu no meu descontrole agi daquela maneira, fiquei tão nervosa que se ela não tirasse suas mãos de mim, não sei o que eu faria.
Dias se passaram, numa tarde em que eu olha um jornal e vi alguns anúncios de vendas de casas em Ribeirão Pires, com valores bem acessíveis que me empolguei. Conversei muito com meu marido até convence-lo de ir ver as tais casas, pois eu tinha convicção de que ali estava nossa grande chance de termos nossa casa. Onde começou minha busca a cada pedacinho daquele município para realizar meu sonho de ter a nossa casa própria, sempre que podia lá estava eu a procura.
E como já havia indícios de que aconteceria um grande corte de funcionários no fim daquele ano e eu já também não estava contente com meu emprego, comecei a planejar coisas que me poderiam ser possíveis, como, pagar nossas dividas, comprar uma casa por financiamento e talvez até realizar um antigo desejo fazer uma faculdade.
Meses se passaram, um dia antes da véspera de reveion, eu trabalhava, quando aconteceu o corte dos funcionários no meu setor, onde veio minha demissão. No receber todos meus direitos, fui atrás de pagar exatamente tudo o que devíamos não restou muito do meu dinheiro, mas em fim podíamos investir naqueles sonhos que até pouco tempo nos pareciam impossíveis.
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Quando tudo parecia estar indo bem encaminhado na compra de uma casa, seus documentos estavam irregulares, foi onde vi que esse sonho estava longe de se realizar, entretanto fiz o vestibular para o curso de história, na faculdade que André estudava e passei.
Então comecei a estudar minha faculdade tão sonhada, eu nunca acreditei que teria essa grande chance, sempre me sentia incapaz de passar num vestibular, mas como havia feito o ensino médio a pouco e minhas notas eram boas, sinto que isso me ajudou e muito a passar na prova do vestibular.
A principio tive um pouco de dificuldade pra entender os textos nos quais eram para ser lidos antes da aula. E André que estava no ultimo semestre de seu curso me auxilou, me dava o maior apoio e incentivo.
Fui muito bem nas primeiras provas, mesmo com todas minhas dificuldades de adaptação e como podia me relacionar com meus novos colegas de classe? Se por causa de minha timidez eu ficava sempre de cara trancada, como André mesmo diz que fico no falar com desconhecidos, isso me prejudicou um pouco nas horas de um trabalho em grupo, entretanto logo duas simpáticas meninas se enturmaram comigo, após fazermos um trabalho juntas ficamos muito amigas.
Houve momentos também em que quase desisti, como sempre eu não sei porque, mas tem que ter alguém que não vai com minha cara, e esse alguém começou a me zuar, fazendo uma pergunta consecutiva a outra na hora da apresentação de um seminário o que me deixou muito embaraçada ao responder. E não foi só desta vez, também tinha um professor, no qual eu tinha muito receio de lhe perguntar as coisas quando me surgiam as duvidas, porque me sentia uma idiota, pelo seu modo de me explicar as coisas. Era mais ou menos assim, ele me chamava na sua mesa após a aula e rodeava em volto de assuntos que eu já sabia até concluir o assunto daquele dia. Isso me deixava totalmente sem graça, não sou burra a ponto de não entender uma questão me dando respostas obvias e eu lhe fiz uma pergunta não lhe pedi aula particular.
Entre todos os desafios que tive naquele primeiro bimestre, obtive bons resultados. E André sabendo disso decidiu comemorar, no intervalo ele veio a minha sala, fomos a lanchonete tomar um café, e combinamos que após as aulas de iríamos a um bar que ficava próximo a faculdade. Quando retornamos a porta da sala, André me abraçou, e eu disse: Melhor parar com isso, estamos numa faculdade não em casa ou no bar.
Olhando seriamente pra mim disse: Que foi? Tá com vergonha de mim? Alguém daqui não pode me ver te abraçando?
Não, você sabe que eu te amo seu bobo, mas fica chato e outra não somos mais dois adolescentes para ficar de abraços nos corredores da escola. Eu lhe disse sorrido.
Nisto o cara que fez zuera naquele dia do seminário passou por nós junto a outro rapaz, minutos antes do André sair escutei eles dizerem lá de dentro sala: Você viu? O que? Aqueles dois ali, que melação! Em seguida ouvi risos e a voz de uma amiga dizendo: Isso para mim é inveja!
Entrei na sala e as meninas me disseram: Muito lindo de se ver como vocês se amam, parabéns, viu!
Num sorriso tímido respondi: Obrigada, eu disse pra ele que não temos idade pra ficar de abraços por aqui mas...
Não existe idade para um gesto de carinho, isso é amor! Não de atenção ao que os outros digam ou pensão.
No termino das aulas fomos ao bar, lá nos descontraímos falando sobre os temas aprendidos naquela semana e André como ateu me influenciava com suas observações relacionadas as igreja, ter fé ou não. Falávamos sobre manipulação das massas através da fé e da mídia, tudo aquilo pra mim era muita informação valiosa e em tão curto espaço de tempo, me maravilhava com tanta sabedoria e eu também já não estava mais a parte destes assuntos, havia apreendido muito com aulas empolgantes de filosofia.
Neste tempo André e eu nos tornamos mais companheiros, cúmplices, conversarmos com mais frequência, isso fez um bem enorme para nossa relação. Só havia um problema, eu já começava ter indícios de depressão, indícios que começaram creio eu, com alguns instantes de uma profunda tristeza que vinha do nada e sumiam de uma hora pra outra, uma desconfiança exagerada de todos, sentimentos de impotência pra resolver problemas e uma irritabilidade fora do comum, pensamentos pessimistas como, "não vou viver muito"... "O mundo é um droga, não existe respeito"... "Se Deus existe, porque tanto sofrimento? Perdão, pai!"
A uns dois anos antes disso eu havia passado pelo médico neurologista, por não sentia me bem, pois, quando eu passava por qualquer tipo stress me vinha uma enorme tristeza acompanhada de dores no peito. O neurologista me deu o encaminhamento para psiquiatria, para tratar a depressão, o que não aceitei de maneira alguma, por extrema ignorância minha na época, e também pelo pouco caso com que o médico tratou no dia do retorno, ao não me atender em seu consultório e me enviar o receituário por uma das atendentes que o me entregou na recepção da clinica, era meu o direito de ser atendida por ele, pois, eu havia marcado retorno após os exames, isso me irritou muito ao ponto de sair rasgando o encaminhamento em pedaços. Naquele momento eu pensei: Que isso? Eu não estou louca ou com problemas mentais pra precisar de psiquiatra! Eu não mereço isso... Nem me tratar dos nervos posso agora!
Também me sentia excluída por algumas pessoas, que hoje sei, nem todas me excluíam realmente. E para mim, aquela linha de raciocínio historiográfica de que a existência partiu da evolução das especies segundo a teoria Charles Darwin, um biólogo e cientista, se opunha a tudo que eu tinha na mais perfeita exatidão de que era real, Deus! Isso me deixou em parafusos, completamente perdida, por sim dizer.
Tudo isso pode ter me enfraquecido espiritualmente mas não balou minha fé em nenhum momento! Mesmo que em algumas vezes eu me preocupasse se Deus realmente me ouvia e desse respostas as atividades da faculdade onde entrava em concordância com aquilo, não me passavam de mera palavras a serem escritas num papel pra obtenção de boas notas.
Bom aqui vou dizer algo que nunca cheguei a falar a ninguém, alguns dizem que a fé em Deus provem dos pais para os filhos e se não fosse por isso as mesmas nem teriam conhecimento de tal crença, tá, isso pode até acontecer, mas comigo não foi assim, apesar de ter uma família fervorosa na sua fé, eles nunca exigiram ou passaram sua crença pra mim. E minha frequência as igrejas quando criança além pouca, foi muito confusa, de tempos em tempos, quando íamos, dificilmente era a mesma igreja ou religião. A unica vaga lembrança que tenho de alguém de minha família ler algo bibliótico pra mim quando criança, é de meu pai, e eu era muito pequena.
E por mais que minha mãe tenha me educado com fundamentos religiosos, não acredito que foi simplesmente isso que me fez ser o que sou hoje, como também o meio interno e externo que vivi. Eu credito, que há um mundo incrédulo no real Amor de Deus, o qual amor, creio eu, que deveríamos crer veementemente, embora sinta eu que existam os que creiam exatamente assim, nem todos são ou pensão assim.
Mesmo com todos prós, os contras e todos os dilemas lançados pela vida e mundo sobre a existência de Deus, eu credito porque credito e o sinto como sempre o senti verdadeiramente em todos momentos de minha vida e pra mim o seu amor é intenso por todos nós, tenho provas na minha vida pra isso, é tudo o que posso dizer, mesmo que não creiam em minhas palavras.
Com passar do tempo, eu fiquei instável com relação aos pensamentos pessimistas e tudo parecia fluir normal novamente. Meses se passaram e eu estava na ultima semana de provas do primeiro semestre do meu curso. Foram dias que terríveis pra mim, houve momentos em que me doía a cabeça de tanto ler... Ler... E ler, eram enumeras apostilas e livros, muitos livros que não eram só para as provas como também para o Projeto de TCC que deveria estar pronto naquela mesma semana. Tudo isso com filhos pra cuidar, casa pra arrumar, marido nervoso e com razão, porque no caso dele era muito pior. Seu trabalho ocupava muito de seu precioso tempo e ele fazia o ultimo semestre do seu curso onde terminava sua faculdade, imagina, atenção que se tornou nossas vidas naqueles dias.
Semanas depois me veio a recompensa, que de tão imensa surpresa, mal pudi acreditar no ver todos aqueles bons resultados em minhas notas, nas quais foram ótimas a ponto de até superar quem eu jamais pensava de superar, eu mesma, por não crer minha capacidade. Fiquei extremamente feliz, por poder acreditar um pouco mais em mim. Sendo assim, tive a sensação de que seria capaz, que de terminaria aquele curso sem dificuldade alguma, no entanto o que se tornou difícil foi o dinheiro para pagar o restante do meu curso.
Dias depois estava de recesso do curso e eu aproveitava pra por minha casa em ordem, quando achei um jornal de anúncios que já fazia tempo havia deixando guardado numa gaveta para consultar os valores de casas estavam venda, no pegá-lo meus olhos saltaram a cara, num súbito relance me pondo diante daquele anúncio onde dizia:"Casa terreá para venda ou locação, com 3 dormitórios, sala dois ambientes, WC, piscina, churrasqueira, garagem ampla. Ribeirão Pires - SP."( locação 250,00 R$).
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Não pensei duas vezes, liguei no mesmo instante para o telefone do anúncio, onde uma simpática moça me atendeu confirmando o valor do aluguel e localização, o que era bom, apesar de distante do centro, tinha seu devido comércio local e escola bem próximo a casa, o que era muito bom para as crianças.
Fiquei muito feliz e ansiosa para contar a André, pois ali via a grande chance de podermos ter, além de mais conforto e lazer alugando a tal casa, também talvez surgisse num futuro a oportunidade a comprarmos. No momento em que contei a meu marido, percebi em sua feição total desinteresse e desconfiança ao me falar que não acreditava no real valor do aluguel, por ser acessível de mais sendo casa que era.
E alguns dias depois após muita persistência e falar repetitivamente com meu marido que precisávamos ir ver a casa pois se tratava de uma oportunidade inédita que jamais encontraríamos de novo, ele finalmente aceitou que fossemos vê-la. Com isso não precisei de mais nenhum esforço pra convence-lo de que eu estava certa. Porque ambos gostamos muito da casa ao vê-la e o valor do aluguel estava realmente de acordo com nossas possibilidades como também o seu contrato de locação.
Desta forma foi onde tive que abrir mão de meu sonho, meu curso na faculdade, porque entre o valor da casa e o valor do curso, a casa
era mais certo de que conseguiríamos pagar e também, como já havia dito era ali que via possibilidade de ter meu pedaço de chão, outro sonho meu, a casa própria.
E assim que aconteceu nossa primeira e verdadeira atitude de independência, digo isso pois nem minha família e nem os pais de André que nos ajudavam quase sempre em tudo, acreditaram que conseguiríamos tal feito sem seu apoio, sua mãe muito menos, ela era totalmente contra a principio. Pois tinham real preocupação por nós, morando em um outro lugar onde não haveria nenhum deles por perto. Mais enfim, tudo deu certo, lá estávamos nos de mudança novamente, só que desta vez para um outro município.
No fechar meu caixa fui para casa pensando, o porque de toda aquela violência e grosseria de Luciana, se desde que a conheci sempre me foi paciente e amigável, será que, aquelas fofocas que rolam por lá é verdade? Recordei-me de um outro momento em que eu estava saindo pra almoçar e estava havendo uma falação entre o pessoal no vestiário: Há, a fulana, tá se achando só porque passou a ser fiscal, acha que pode pisar nos outros... Só que ganha o mesmo que nos coitada! kkkkk... Nossa, é mesmo e o pior é o que estão dizendo... Que só está lá por ter saído com encarregado...
Eu achei que tudo aquilo era de uma extrema ignorância, pois não devemos julgar as pessoas, principalmente quando nos convêm, dizer algo só para ir a forra. Então pensei: Talvez, seja por isso, como trabalhar em um ambiente desses em paz, se não te dão paz.
No entanto sua ação comigo naquele dia foi completamente errada, porque, embora sem perceber, eu tenha quebrado um regulamento, que direito tinha ela de me agredir? E eu no meu descontrole agi daquela maneira, fiquei tão nervosa que se ela não tirasse suas mãos de mim, não sei o que eu faria.
Dias se passaram, numa tarde em que eu olha um jornal e vi alguns anúncios de vendas de casas em Ribeirão Pires, com valores bem acessíveis que me empolguei. Conversei muito com meu marido até convence-lo de ir ver as tais casas, pois eu tinha convicção de que ali estava nossa grande chance de termos nossa casa. Onde começou minha busca a cada pedacinho daquele município para realizar meu sonho de ter a nossa casa própria, sempre que podia lá estava eu a procura.
E como já havia indícios de que aconteceria um grande corte de funcionários no fim daquele ano e eu já também não estava contente com meu emprego, comecei a planejar coisas que me poderiam ser possíveis, como, pagar nossas dividas, comprar uma casa por financiamento e talvez até realizar um antigo desejo fazer uma faculdade.
Meses se passaram, um dia antes da véspera de reveion, eu trabalhava, quando aconteceu o corte dos funcionários no meu setor, onde veio minha demissão. No receber todos meus direitos, fui atrás de pagar exatamente tudo o que devíamos não restou muito do meu dinheiro, mas em fim podíamos investir naqueles sonhos que até pouco tempo nos pareciam impossíveis.
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Quando tudo parecia estar indo bem encaminhado na compra de uma casa, seus documentos estavam irregulares, foi onde vi que esse sonho estava longe de se realizar, entretanto fiz o vestibular para o curso de história, na faculdade que André estudava e passei.
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Então comecei a estudar minha faculdade tão sonhada, eu nunca acreditei que teria essa grande chance, sempre me sentia incapaz de passar num vestibular, mas como havia feito o ensino médio a pouco e minhas notas eram boas, sinto que isso me ajudou e muito a passar na prova do vestibular.
A principio tive um pouco de dificuldade pra entender os textos nos quais eram para ser lidos antes da aula. E André que estava no ultimo semestre de seu curso me auxilou, me dava o maior apoio e incentivo.
Fui muito bem nas primeiras provas, mesmo com todas minhas dificuldades de adaptação e como podia me relacionar com meus novos colegas de classe? Se por causa de minha timidez eu ficava sempre de cara trancada, como André mesmo diz que fico no falar com desconhecidos, isso me prejudicou um pouco nas horas de um trabalho em grupo, entretanto logo duas simpáticas meninas se enturmaram comigo, após fazermos um trabalho juntas ficamos muito amigas.
Houve momentos também em que quase desisti, como sempre eu não sei porque, mas tem que ter alguém que não vai com minha cara, e esse alguém começou a me zuar, fazendo uma pergunta consecutiva a outra na hora da apresentação de um seminário o que me deixou muito embaraçada ao responder. E não foi só desta vez, também tinha um professor, no qual eu tinha muito receio de lhe perguntar as coisas quando me surgiam as duvidas, porque me sentia uma idiota, pelo seu modo de me explicar as coisas. Era mais ou menos assim, ele me chamava na sua mesa após a aula e rodeava em volto de assuntos que eu já sabia até concluir o assunto daquele dia. Isso me deixava totalmente sem graça, não sou burra a ponto de não entender uma questão me dando respostas obvias e eu lhe fiz uma pergunta não lhe pedi aula particular.
Entre todos os desafios que tive naquele primeiro bimestre, obtive bons resultados. E André sabendo disso decidiu comemorar, no intervalo ele veio a minha sala, fomos a lanchonete tomar um café, e combinamos que após as aulas de iríamos a um bar que ficava próximo a faculdade. Quando retornamos a porta da sala, André me abraçou, e eu disse: Melhor parar com isso, estamos numa faculdade não em casa ou no bar.
Olhando seriamente pra mim disse: Que foi? Tá com vergonha de mim? Alguém daqui não pode me ver te abraçando?
Não, você sabe que eu te amo seu bobo, mas fica chato e outra não somos mais dois adolescentes para ficar de abraços nos corredores da escola. Eu lhe disse sorrido.
Nisto o cara que fez zuera naquele dia do seminário passou por nós junto a outro rapaz, minutos antes do André sair escutei eles dizerem lá de dentro sala: Você viu? O que? Aqueles dois ali, que melação! Em seguida ouvi risos e a voz de uma amiga dizendo: Isso para mim é inveja!
Entrei na sala e as meninas me disseram: Muito lindo de se ver como vocês se amam, parabéns, viu!
Num sorriso tímido respondi: Obrigada, eu disse pra ele que não temos idade pra ficar de abraços por aqui mas...
Não existe idade para um gesto de carinho, isso é amor! Não de atenção ao que os outros digam ou pensão.
No termino das aulas fomos ao bar, lá nos descontraímos falando sobre os temas aprendidos naquela semana e André como ateu me influenciava com suas observações relacionadas as igreja, ter fé ou não. Falávamos sobre manipulação das massas através da fé e da mídia, tudo aquilo pra mim era muita informação valiosa e em tão curto espaço de tempo, me maravilhava com tanta sabedoria e eu também já não estava mais a parte destes assuntos, havia apreendido muito com aulas empolgantes de filosofia.
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A uns dois anos antes disso eu havia passado pelo médico neurologista, por não sentia me bem, pois, quando eu passava por qualquer tipo stress me vinha uma enorme tristeza acompanhada de dores no peito. O neurologista me deu o encaminhamento para psiquiatria, para tratar a depressão, o que não aceitei de maneira alguma, por extrema ignorância minha na época, e também pelo pouco caso com que o médico tratou no dia do retorno, ao não me atender em seu consultório e me enviar o receituário por uma das atendentes que o me entregou na recepção da clinica, era meu o direito de ser atendida por ele, pois, eu havia marcado retorno após os exames, isso me irritou muito ao ponto de sair rasgando o encaminhamento em pedaços. Naquele momento eu pensei: Que isso? Eu não estou louca ou com problemas mentais pra precisar de psiquiatra! Eu não mereço isso... Nem me tratar dos nervos posso agora!
Também me sentia excluída por algumas pessoas, que hoje sei, nem todas me excluíam realmente. E para mim, aquela linha de raciocínio historiográfica de que a existência partiu da evolução das especies segundo a teoria Charles Darwin, um biólogo e cientista, se opunha a tudo que eu tinha na mais perfeita exatidão de que era real, Deus! Isso me deixou em parafusos, completamente perdida, por sim dizer.
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Tudo isso pode ter me enfraquecido espiritualmente mas não balou minha fé em nenhum momento! Mesmo que em algumas vezes eu me preocupasse se Deus realmente me ouvia e desse respostas as atividades da faculdade onde entrava em concordância com aquilo, não me passavam de mera palavras a serem escritas num papel pra obtenção de boas notas.
Bom aqui vou dizer algo que nunca cheguei a falar a ninguém, alguns dizem que a fé em Deus provem dos pais para os filhos e se não fosse por isso as mesmas nem teriam conhecimento de tal crença, tá, isso pode até acontecer, mas comigo não foi assim, apesar de ter uma família fervorosa na sua fé, eles nunca exigiram ou passaram sua crença pra mim. E minha frequência as igrejas quando criança além pouca, foi muito confusa, de tempos em tempos, quando íamos, dificilmente era a mesma igreja ou religião. A unica vaga lembrança que tenho de alguém de minha família ler algo bibliótico pra mim quando criança, é de meu pai, e eu era muito pequena.
E por mais que minha mãe tenha me educado com fundamentos religiosos, não acredito que foi simplesmente isso que me fez ser o que sou hoje, como também o meio interno e externo que vivi. Eu credito, que há um mundo incrédulo no real Amor de Deus, o qual amor, creio eu, que deveríamos crer veementemente, embora sinta eu que existam os que creiam exatamente assim, nem todos são ou pensão assim.
Mesmo com todos prós, os contras e todos os dilemas lançados pela vida e mundo sobre a existência de Deus, eu credito porque credito e o sinto como sempre o senti verdadeiramente em todos momentos de minha vida e pra mim o seu amor é intenso por todos nós, tenho provas na minha vida pra isso, é tudo o que posso dizer, mesmo que não creiam em minhas palavras.
Com passar do tempo, eu fiquei instável com relação aos pensamentos pessimistas e tudo parecia fluir normal novamente. Meses se passaram e eu estava na ultima semana de provas do primeiro semestre do meu curso. Foram dias que terríveis pra mim, houve momentos em que me doía a cabeça de tanto ler... Ler... E ler, eram enumeras apostilas e livros, muitos livros que não eram só para as provas como também para o Projeto de TCC que deveria estar pronto naquela mesma semana. Tudo isso com filhos pra cuidar, casa pra arrumar, marido nervoso e com razão, porque no caso dele era muito pior. Seu trabalho ocupava muito de seu precioso tempo e ele fazia o ultimo semestre do seu curso onde terminava sua faculdade, imagina, atenção que se tornou nossas vidas naqueles dias.
Semanas depois me veio a recompensa, que de tão imensa surpresa, mal pudi acreditar no ver todos aqueles bons resultados em minhas notas, nas quais foram ótimas a ponto de até superar quem eu jamais pensava de superar, eu mesma, por não crer minha capacidade. Fiquei extremamente feliz, por poder acreditar um pouco mais em mim. Sendo assim, tive a sensação de que seria capaz, que de terminaria aquele curso sem dificuldade alguma, no entanto o que se tornou difícil foi o dinheiro para pagar o restante do meu curso.
Dias depois estava de recesso do curso e eu aproveitava pra por minha casa em ordem, quando achei um jornal de anúncios que já fazia tempo havia deixando guardado numa gaveta para consultar os valores de casas estavam venda, no pegá-lo meus olhos saltaram a cara, num súbito relance me pondo diante daquele anúncio onde dizia:"Casa terreá para venda ou locação, com 3 dormitórios, sala dois ambientes, WC, piscina, churrasqueira, garagem ampla. Ribeirão Pires - SP."( locação 250,00 R$).
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Fiquei muito feliz e ansiosa para contar a André, pois ali via a grande chance de podermos ter, além de mais conforto e lazer alugando a tal casa, também talvez surgisse num futuro a oportunidade a comprarmos. No momento em que contei a meu marido, percebi em sua feição total desinteresse e desconfiança ao me falar que não acreditava no real valor do aluguel, por ser acessível de mais sendo casa que era.
E alguns dias depois após muita persistência e falar repetitivamente com meu marido que precisávamos ir ver a casa pois se tratava de uma oportunidade inédita que jamais encontraríamos de novo, ele finalmente aceitou que fossemos vê-la. Com isso não precisei de mais nenhum esforço pra convence-lo de que eu estava certa. Porque ambos gostamos muito da casa ao vê-la e o valor do aluguel estava realmente de acordo com nossas possibilidades como também o seu contrato de locação.
Desta forma foi onde tive que abrir mão de meu sonho, meu curso na faculdade, porque entre o valor da casa e o valor do curso, a casa
era mais certo de que conseguiríamos pagar e também, como já havia dito era ali que via possibilidade de ter meu pedaço de chão, outro sonho meu, a casa própria.
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Os primeiros dias foram como uma grande novidade para todos nós, eu senti imensa alegria como a muito tempo não sentia, tinha momentos em que nem me acreditava, estar morando em um lugar lindo como aquele, rodeado pela natureza e a casa apesar de alugada era tudo o que eu sempre quis, ressarcia a todos aqueles dilemas que a vida havia me imposto por tanto tempo.
A primeira visita de meus sogros a nossa nova casa foi após quinze dias da mudança, nós os recebemos com grande alegria e minha sogra se encantou com o lugar. Eu notei que todo o mal entendido entre nós duas havia ficado no passado e pois sempre gostei muito dos pais de André mesmo com todas nossas diferenças
e adversidades que ambos lados sofreu, eu reconheço de todo o meu coração o apoio dado a nós por eles desde o inicio.
Neste blog estou expondo alguns mal-momentos que passei desde minha infância até determinado momento, eu inclui, é claro, aos capítulo anteriores alguns mal-entendidos que tive com parentes como também meu marido, declaro que de maneira alguma nunca foi minha intensão julgar ou culpar alguém por minha doença, mas quando me recordo de determinadas situações que vivi, penso, é obvio, é normal surgirem conflitos entre familiares principalmente se moram tão perto um do outro, ainda mais se há dependência nos seus relacionamentos. Entretanto devido ao objetivo do blog não poderia deixar de citar tais fatos ocorridos, eu acredito que após algum tempo de casada, eu passei a me irritar com facilidade e a interpretar as coisas da vida de modo muito negativo, onde pode ter se desencadeado o principio dos sintomas depressivos, por isso dei relevância em contar os tais fatos de desentendimentos.
Voltando ao dia da visita foi um fim de semana perfeito em que eles passaram conosco e quando eles foram embora percebi o silêncio no qual ficou na casa, estava fazendo aquela noite fria, logo nos deitamos e ao acordar no chegar a cozinha para fazer o café, olhei para o vitrô e vi adentrar a luz radiante do sol daquela linda manhã.
E assim se prosseguia minha vida, naqueles primeiros meses em que morei naquela casa.
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Passavam se seis meses, tudo corria bem, até vir as férias escolar das crianças e minha sogra querer as levar para sua casa, me desesperei totalmente, só que sem demostrar isso a ninguém, foi ai que surgiram alguns conflitos momentâneos entre nós, que se resolveram rapidamente quando Paulinho, meu cunhado, deu a ideia de levar uma criança a cada vez, por uma semana, eu concordei com um grande aperto em meu coração. Pois meus filhos eram minha unica companhia, André, que tempos antes havia se tornando um marido atencioso, já não me dava tal atenção e isso me fazia sentir se desprezada em alguns instantes. Muitas vezes ao chegar do serviço ou ele dormia ou assistia jogo ou ficava no computador.
Raramente conversava comigo, falávamos somente o necessário e quando eu puxava assunto ele respondia; O que?... Há, tá! Tá bom!... Não!... Sim!... Depois eu vejo!... Tá certo, amanhã eu compro!... Deixa de falar isso, eu já disse amanhã agente vê! Agora não Raquely, to vendo o jogo!
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Isso me deixa muito triste, que em alguns momentos discutia com ele, mas não resolvia muito. Até que o dia em que meu cunhado conversava com André, lhe explicando: É sim, e já fez orkut, é muito melhor cara, tem bem mais privacidade, para com essa de adicionar pessoas que você não conhece no seu messenger, pode entrar um vírus no seu computador ai você vai ver!
Então eu me intervi dizendo: É isso mesmo Paulo e outra, não sei pra que ele insiste em ficar brincado nestes bate-papo, quando ferrar o computador ele vai ver o que é bom pra tosse!
Saindo eu pra sala, eles começaram a instalar o tal orkut no qual eu nem tinha conhecimento do que era, muito mesmo o messenger que André, danado, já tinha feito a tempos sem me comunicar. Neste mesmo dia Alice e Antony foram com tio Paulinho pra casa de seus avós e Selma, insistiu ao telefone antes deles irem, dizendo: Há, por que não deixa vir os três? É só agora, nas férias Raquely, você não quer ter uns dias de descanso e André também logo estará de férias no serviço.
André? A respondi num tom irônico e continuei lhe dizer: Ele, só pensa em ficar naquela maldita internet ou vendo jogo, isso quando não fica dormindo. E eu te digo, meus filhos são minha companhia eu os amo muito, eles não me incomodam.
Nossa, calma Raquely, eles só vão passar duas semanas aqui, não vão morar comigo não! Respondeu Selma as gargalhadas!
Ai eu disse a ela que levasse Alice e Antony naquela primeira semana, que na próxima André os buscaria e levaria Sabrina pra ficar com ela, entrando em acordo comigo disse me Selma: Tá bom então!
Passadas duas horas que eles tinham ido embora, Sabrina assistia TV comigo, quando começou um programa infantil no qual ela gostava, nisto escutei risos vindo do quarto de Antony, onde ficava o computador, fui ver que acontecia pra tanta euforia e vi, André no bendito bate-papo.
Muito nervosa, eu disse a ele: Caramba André!... Você gostou de ficar nesta sala de Bate-papo, já arranjou uma paquera ou está de caso mais sério, como uma amante por exemplo!
Deixa de ser boba Raquelzinha! É zuera, tudo aqui é brincadeira. Meu, eu to rindo tanto, que chega a doer minha barriga, você precisa ver, cada palhaçada que aparece! Respondeu André com grande sorriso e continuou a falar: Senta aqui, vem ver! Olha, essa tal Florzinha, diz ter dezoito anos e que mora no Espirito Santo com seus pais... Mas depois de algumas perguntas descobri, é um viado essa porr...
Credo! André, você mal falou com ela como sabe?Eu perguntei.
Espera ai! Disse ele que logo maximizou a janela do tal bendito MSN no qual, ele tinha e eu não.
Então perguntei por que não fez esse MSN pra mim também? Se você tem, porque não faz um pra mim?
Há outra hora agente vê, mais, é melhor o orkut eu vou fazer um pra você amanhã, agora, deixa eu te mostrar a ultima coisa que Florzinha disse...
Mas quero fazer o MSN, não ver essa bobagem André! Respondi.
Espera, você não quer ver o que estou fazendo aqui? Perguntou ele.
Tá bom, então vamos ver! Respondi.
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No ver a conversa fiquei abismada com tudo aquilo e disse: André isso ai está mais parecendo safadeza! Olha só, cada sacanagem que vocês dois dizem!
Não é Raquely, quer ver? Essa Andressa é o homem, quer ver? Disse André se estrebuchando de rir.
Então ele se fez de interessado e foi mais a fundo, pediu que a menina colocasse uma foto pra vê-la, ela não pois, mas convidou pra abrir a áudio-conferência, foi onde se confirmou era um homem a procura de parceiros. No entanto, como nada realmente é consistente neste tipo de comunicação, é claro que poderia também se tratar de um outro engraçadinho procurando ver ou fazer palhaçadas. A partir desse momento foram só risos, ele abriu mais conversas com outras pessoas, nossa, era só zueira, cada assunto absurdo que surgia, chegava a ser cômico realmente, rimos muito verdadeiramente.
Depois de algumas horas, voltei a insistir no pedido que lhe fizera antes: Bom, agora faz o MSN pra mim.
Tá, então vamos lá! Disse André com uma cara de insatisfeito.
Nossa, que cara André! Poxa, porque faz o que quer aqui e eu não posso ter esse simples meio de comunicação? Se você tem, horas bola. Ai também vou poder falar com meus irmãos. Eu falei a ele.
No tentar me explicar, ele disse: Você tem que abrir uma conta...
Como assim? Tem que paga pra ter esse programa no computador? Perguntei.
Nãooo... Raquely! Respondeu ele.
Me diz como fazer isso que eu faço vai! Impaciente eu falei a ele.
Calma, eu vou fazer, mas não sei se pode ter duas contas num PC só. Disse ele.
Sério isso? Falei.
E ele com um sorriso bem sínico me disse: É!
Tá bom André, então vou usar o seu mesmo me de a senha e e-mail. Eu disse, conformada com que ele havia falado.
Nisto eu fechei e abri novamente o MSN, pra entender como funcionava e ver se a senha e o e-mail eram compatíveis ao que ele havia me dado.
Depois eu perguntei a ele: Tem como por o meu nome junto ao seu aqui?
Ele disse: Vamos ver... Pronto! "André&Raquely", gostou?
Nãooo!... Põe Raquel, vc sabe que eu não gosto de ser chamada de Raquely.
Tá! Pronto, aqui hó, "André&Raquel"!
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"Onde foram feitas algumas alterações"
E assim terminou nossa noite. E o começo daquela semana não foi fácil, porque eu sentia muita falta de meus filhos e Sabrina, também sentia falta de seus irmãos, no entanto com decorrer tempo, eu comecei a fazer companhia a André no PC, quando minha filha ia dormir, eu ficava lá com ele e era como sempre uma palhaçada atrás da outra e risos, muito risos. Também começamos a fazer caminhadas pela manhã, Sabrina aproveitava pra andar de bicicleta, isso nos fez muito bem, era nestas horas onde nos descontraímos, conversamos e contemplávamos a natureza de onde morávamos.
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No fim de Semana André não precisou buscar as crianças, porque meus sogros, meu cunhado e sua namorada vieram para nossa casa com as crianças, eles passaram o fim de semana conosco. Na noite de sábado o quarto de Antony parecia uma danceteria era musica e muita falação, todos se reuniram frente ao computador, o que já não era uma novidade pra nós, mas o que nos instigava a curiosidade eram os novos meios de comunicação, onde o entretenimento era de ultima geração pra todos nós.
Eu estava na cozinha preparando a janta quando André me chamou:
Raquely... Vem aqui, só um instante vem!
Tem um cara se fingindo de mulher e meu nick é de mulher também, senta ai eu vô ligar a CAM, vamos ver qual é desse cara!
Eu, por que eu? Não da pra ser a Júlia ela é mais nova! Mal havia terminado de falar e todos caíram na rizada.
Deixa de ser boba é pro cara acreditar que é uma mulher lésbica! Eles disseram.
Há!... Eu falei, com olhar de indignação pra André: E eu tenho cara de lésbica agora?
Não precisa ficar brava, agente só tá brincando Raquely. Falou Selma.
É brincadeira Raquelzinha, ninguém aqui disse isso! E a Júlia não quis. Disse André.
É isso mesmo Raquely, mas eu também não a deixei fazer isso. André, você tá abusando de mais cara, lembre-se que está falando com estranhos, é gente de todo tipo! Disse Paulo.
Não tem nada não! É só ela não mostrar o rosto, é um minutinho vai Raquely. Disse André.
Então eu sentei na cadeira frente a CAM, todos os outros se esquivaram para que não os vissem. E Quando o homem me viu, digitou: "Desculpa, mas eu menti sou um homem e você parece ser bem feminina pra ser lésbica, não é né?"
E André digitou: "Porque diz isso? Quem mentiu aqui foi você!"
Nisto o homem respondeu: "Linda de mais pra ser lésbica!"
Então todos caíram na gargalhada e André desligou a câmera!
Ai eu ri muito, daquela situação e olhando pra ele eu disse: Então quer mesmo que eu fique aqui?
E ele dando um sorriso sem graça disse: Tá bom, agora esse panaca pensa que se trata de uma mulher mesmo.
Enquanto eu saia de lá, só eram só gargalhadas e gargalhadas.
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"Onde foram feitas algumas alterações"
Quero deixar claro que só expus tais conversas do MSN, pois acredito eu, que grande parte de minha sensação de perseguição, enquanto estive doente com depressão e sem nenhuma assistência médica, foram por essas e muitas outras mais conversas nas quais tive pelo messenger com pessoas que pra mim, eram totalmente estranhas. Tudo começou meio que na inocência, sem noção do grau de gravidade, pelo mal que isso poderia me casar. Saibam que não culpo exatamente ninguém pelo o que me ocorreu, nem meu marido ou qualquer outra pessoa que eu tenha conversado pela internet.
Também espero que me entendam, não estou querendo me engrandecer pela aparência, como já eu disse não me achava bonita, não gostava nem um pouco de meu físico, mas posso disser que hoje, aprendi a gostar um pouco mais de mim, não me sinto nem mais nem menos que ninguém, me sinto uma pessoa comum como as outras. Já tive sim, bastante vaidade, em uma determina parte de minha vida e isso só me prejudicou afetivamente e pessoalmente, era a forma que eu encontrava pra esconder minha falta de amor próprio! Que graças a Deus agora não é mais assim, gosto de mim pelo que eu sou e não pelo acham, pois Deus me fez assim e sim sou, sou muito grata, pois tenho ótima audição, visão, posso falar... Em fim não me falta nada!
Naquele fim de semana quando eles aiam embora todos persistiram dizendo que não teria nada de mais em levar meus três filhos, pra ficar aquela semana com a vovó Selma, então pediram... Pediram e Pediram até que Sabrina em um pedido quase que desesperado me convenceu e foram os três embora com eles. Sofri muito com a ausência deles e Sabrina que já era um pouco mais matura chegava a ser precoce no seu modo de agir preferia ficar com os adultos do que com as crianças, era ela quem me fazia companhia, onde quer que eu fosse ou fizesse lá estava ela sempre que podia, já Alice e Antony gostavam muito de brincarem com seu novos coleguinhas.
Com passar do tempo percebi que podia ter um MSN meu e que aquilo de que o PC não podia ter mais de uma conta era lorota do meu marido. Fiquei quase que um dia inteiro tentando fazer um até me cadastrei no site e abri uma conta em meu nome. André não ficou muito satisfeito com isso, entretanto teve que se conformar a final ele já tinha duas contas cadastradas, uma de seu uso pessoal e outra fake, por que eu não haveria de ter uma conta pessoal só minha?
Num final de semana antes das crianças voltarem as aulas, fomos a casa de meu irmão Luiz, que já era casado com a Clarisse e eles tinham dois filhos. Quase sempre que podíamos nós íamos vê-los e neste dia ficamos em sua casa até no Domingo.
Foi tudo muito bom, até chegarmos em casa e ver que dois dos cinco, animaizinhos de estimação nosso haviam morrido. A Juju, a hamster simplesmente morreu, agora a Esperta, a gatinha não, segundo uma vizinha ao vê-la disse a mim, que era provável ter sido envenenada pois seus olhos ficaram tão esbugalhados que pareciam de vidro e abaixo de sua boca tinha uma possa de sangue, ela disse pra mim tomar cuidado pois acreditava que havia alguém matando animais na vila. Isso nos deixou muito chateados, pois se tratava de bichos indefessos, como pode alguém ter coragem de fazer tal maldade.
Dias se passaram, Alice chegava da escola com Antony e os dois correram pra por suas roupas de banho para brincarem na piscina, quando, Alice subiu as escadas da piscina, eu escutei sua voz tremula, de tão apavorada ela ficou paralisada olhando para água, foi um susto muito grande e ao escutar ela dizendo: Mãeee... Mãeee... Meu Deuuus... Meu...
Eu estava na porta da lavanderia a observando e ao ver tudo aquilo meu coração disparou, corri até ela e pondo a mão em sua costas eu disse: Que foi Alice? Que foi filha?
E ao olhar para onde ela olhava, eu vi!...
E ela começou aos gritos chorar dizendo: Meu gato, mãe, meu gato tá morto! Não! O Pítico nãoooo...
Foi muito triste ver que mais um de nossos animais morreu, ainda mais naquelas circunstancias, me senti muito culpada, como eu não vi isso antes? Eu pensei, lembrando de que ao levantar naquela manhã, eu passei do lado da piscina... E na madrugada daquele dia, eu havia escutado um barulho estranho vindo na piscina, os cachorros latiam muito, chamei meu marido, mas ele com muito sono disse: Não é nada, volte a dormir!
E eu disse: Tá muito estranho esse barulho André! Vamos ver?
Há, não é nada Raquely! Vai lá você então, me deixa dormir. Disse ele.
Como eu sou muito medrosa não fui ver, mal sabia eu que poderia ter salvo a vida daquele pobre animalzinho que morria afogado naquele exato momento. Chorrei muito, junto a minha filha, e lhe pedia desculpa, mais claro que isso não amenizava a sua dor e minha culpa. Conto estes fatos, porque neste tempo aconteceram coisas muito estranhas em minha casa, dias antes a essas mortes, eu tive pesadelos horrorosos, as crianças começaram a sentir muito medo de ficarem em seus quartos, diziam escutar vozes vindo lá de fora, é obvio que devia ser pessoas passando na rua pois o local era muito pacato e de longe se ouvia qualquer ruido ou também podia ser fruto de imaginação deles, pensei eu, até os proibi de assistirem TV sozinhas, achando que assistiam a filmes de terror.
Neste tempo, era verão fazia muito calor, mas todos as vezes que ia na cozinha, que ficava ao lado do quarto das crianças, sentia que um vento frio me envolvia, coincidência ou não, o quarto tinha a janela para o quintal dos fundos onde ficava a piscina. As vezes quando ia na cozinha, eu tinha a impressão de que alguém me chama, numa destas ocasiões recordo-me, de ter me virado para o vitro na intensão de abri-lo pra ver se alguém realmente me chamava, antes que eu fizesse isso, vi um vulto, que parecia ser de um homem passando rapidamente do lado de fora, corri até a porta que dava na lavandeira achando ser André que chegava, ao abri-la vi o vulto novamente só dessa vez vi uma capa com capuz preta que parecia flutuar sozinha, rapidamente fechei a porta sentindo grande dor no peito pelo o susto.
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Passado alguns minutos recuperei o folego e decidi abrir a porta de novo e não tinha exatamente nada. E sem que eu falasse nada a Sabrina ao chegar da escola ela me disse: Mãe, tem alguma coisa nesta quarto, eu não durmo mais nele, hoje eu vou dormir na sala.
Eu disse a ela: Não há nada de errado filha, porque diz isso?
Toda noite eu escuto passos de gente perto da janela e tenho a impressão de ter alguém me olhando da porta da cozinha. Disse Sabrina.
E eu tentei acalma-la, dizendo: Esse passos devem ser dos vizinhos, o lugar aqui é muito silencioso filha, que escutamos qualquer barulho que os vizinhos façam a noite, principalmente ser for no quintal deles. E quanto a alguém estar te vendo da porta, é a mãe ou o pai, as vezes nós vamos até a porta do seus quartos pra ver se não estão descobertos, você sabe como seus irmãos são né? Se mechem a noite toda, já os pegamos dormindo no chão até.
Então ela falou: Mãe, eu sei quando são vocês, eu vejo, agora igual a essa semana, quando senti que tinha alguém passando pela a porta eu chamei você duas vezes e ninguém me respondeu, quando me levantei fui na cozinha e não tinha ninguém lá.
Há... Disse eu sorrindo e concluindo: Você devia estar sonhando!
Mesmo tendo visto o que vi, eu não a contei, para que não se assustasse ainda mais, eu acreditava que com tempo tudo aquilo ai parar, pois sempre tive muita confiança em Deus. Até isso acontecer, meus animais de estimação morriam um atrás do outro, eu tinha muitos pesadelos e quase sempre eram com uma senhora que pedia que eu fosse embora dali, seu olhar raivoso me era assustador, teve uma vez que de tão nervosa ao acordar deste pesadelo meus os olhos estavam cheios de lágrimas, não sei porque, mais sentia que alguma coisa de ruim acontecia com minha mãe.
E Fiquei mais atormenta ainda quando ouvi uma história de outra vizinha na qual já eramos amigas, a Jack. Ela me disse: Nossa, estou de queixo caído Raquely, aqui morava uma senhora, a mãe dos donos desta casa, que antes dela morrer ela suplicou aos filhos que não vendessem está casa.
No decorrer do tempo como eu já previa parei de ter os tais pesadelos e as crianças não se queixavam mais daquelas coisas.
Alguns meses depois, tivemos grande alegria quando a Rafaela, tia de André, veio morar numa casa que ficava próxima a nossa. E ela como sempre muito brincalhona todas as vezes que nos reuníamos eram só risos. Apesar de nos darmos muito bem, no passado quando morávamos naquele prédio tivemos alguns atritos com Rafaela, e eu temendo que tais brigas tornassem a acontecer, evitava de ir em sua casa com frequência, eu tinha convicção que algumas formas diferentes de pensar entre nós, poderiam afetar nosso convívio. O que eu não desejava e de todo o coração, mesmo sendo tia de meu marido, não tendo o mesmo sangue familiar, sempre tive muito apreço por ela e seus filhos. Rafaela é como se fosse minha irmã querida, sempre torci para que tudo desse certo pra eles, no que eu pudesse ajudar, ajudava como, auxilia-la com arrumação de sua casa quando chegou de mudança, cuidar de sua filha, pois seu trabalho ficava longe de sua casa, o que tivesse ao meu alcance fazia de bom grado.
Mas como nem tudo é um mar de rosas, quando chegou o natal decidiram fazer o amigo secreto, por um descuido deixamos os papeis com os nomes nas mãos das crianças o que gerou uma tremenda confusão na hora da entrega.
Rafaela passou a ficar meio estranha comigo, já fazia um bom tempo que não me dirigia a palavra e toda vez que eu puxava conversa, ela me respondia seco e de forma indiferente como se tivesse muito chateada comigo.
Teve dia em que Selma estava em casa e teve um momento onde eu fui lavar a louça sem notar que ela e Rafaela estavam no quintal acabei sem querer escutando umas poucas palavras de uma conversa entre elas, que falavam sobre seus descontentamentos comigo e reclamavam dos meus descompassos. Diziam: ... é, mas você devia dar a gafara pra ela, eu sei que as vezes perdemos a paciência, mas você está certa... Olha a arvore de natal, tá ai hó, tivemos o maior trabalho pra pegar na estrada lembra? Ela a rumou, pois os enfeites, não né!...
Como vi que aquilo se tratava de um desabafo, me afastei, fui pra sala. Fiquei triste, pois não havia enfeitado a árvore de natal não por pouco caso e sim pela loucura que havia sido de tanta correria na arrumação para aquela noite de véspera no natal.
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E é obvio que ninguém quer ser contrariado, magoado ou constrangido por algo que tenha feito sem notar mal algum, mas eu penso assim, se não estou de acordo com as ideias de alguém e este alguém está muito chateado, eu começo pensando no que eu possa ter feito para gerar tal confusão, não digo pelos papeis do amigo secreto, eles não tem relação aos descontentamentos, pois isso foi em comum acordo entre todos de deixarem que as crianças os fizessem.
Como um relâmpago abriu-se um clarão em minha mente, lembrei, de que um dia antes da entrega dos presentes, estávamos eu e André fazendo as compras de natal, passávamos dentre algumas lojas a procurar dos presentes, e eu num súbito nervoso comecei a dizer: A Isabela quer muito, você não acha? Poxa se o presente é de apenas dez reais por que a menina pedi um perfume que custa muito mais caro? E outra não gostei do jeito que ela tratou a Sabrina ontem.
E neste exato momento sem que nós percebêssemos, seus pais, Rafaela e seu marido vinham ao nosso encontro. Ela com certeza deve ter ouvido algo. E por uma certa infantilidade minha causei isso a mim mesma, o desagrado de Rafaela no dia de natal, me arrependi profundamente, mesmo não sabendo se fora isso que realmente que a fez me tratar de tal forma.
Eu havia dito isso pois nossa situação não era das melhores naquele tempo, é lógico que se pudesse lhe daria com prazer o perfume de bom grado, mais infelizmente no momento não dava. Claro que mãe é mãe e Isabela é a filha de Rafaela como ela não se chatearia? Não tenho nada contra Isabela, apesar de espoleta quando criança e de ela e minha filha não se darem muito bem na época, sempre a considerei muito, gosto de coração dessa menina que hoje é mulher e uma mãe atenciosa que deve me intender muito bem agora. Também acredito que as crianças não tenham culpa dos descontroles dos adultos, nós é que temos o dever de plantarmos a paz nos corações dos nossos filhos.
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E Selma não se dava muito bem com a menina, mas hoje eu sei porque, não era por ela e Sabrina brigarem com uma certa frequência, o que é normal se tratando de crianças. Minha sogra teve o mesmo problema que eu, ela tinha mania de perseguição e tomava remédios pra depressão.
E suas desconfianças com relação a essa menina, as vezes me perturbava, mais mesmo assim sempre tentei estabelecer a paz, o que por muitas vezes deixava minha filha triste por pensar que eu defendia os outros e não a ela, mais na verdade eu queria que ela aprendesse a ceder, por algumas vezes temos que fechar os olhos e não ver se este ou aquele esta certo, para obtermos paz.
Pra mim sempre foi muito difícil pregar a paz pois também sou um ser humano que como qualquer outro, que cheia de imperfeições não tem total controle sobre suas próprias emoções. Nas famílias são comuns existirem aqueles que gostam de dar preferencias ou a este ou aquele, já em minha concepção isso me impõe a coisas que sinceramente não concordo. Como mãe posso ter errado por muitas vezes, mais se um filho meu estava sendo descartado era do lado deste que eu ficava como também se sentia a injustiça de meus filhos com outra criança optava por ensinar o certo pra eles. Era onde eu era julgada por alguns que não têm a mesma opinião que a minha, era ai surgiam os atritos e muitas lágrimas. Com o tempo Rafaela por ter um bom coração, se demonstrou ser possuidora de um sentimento raro que é o de não guardar rancor com absoluto esquecimento de meus erros, me perdoo.
No começo do ano a volta as aulas das crianças, André como sempre trabalhando muito, minha amiga que morava frente minha casa começou trabalhar e pouco nos víamos. Novamente sentia-me só, mesmo tendo tia Rafaela por perto, neste tempo ela também trabalhava e era raro os momentos em que nos víamos.
Bom aqui vou revelar algo, mesmo tendo total confiança tanto nestas pessoas que citei, como em muitos outros parentes e amigos, eu nunca tive a coragem de lhes expor meus conflitos internos que de tão intensos, eram ocultados e existentes por anos em minha vida. Isso me incomodava profundamente, pensava em contar a meu marido o que ocorrera em minha infância, não queria mentir, mas a vergonha da real história que embalava os fatos em si me travava, só de pensar, ficava alucinada e sentia-me antecipadamente repudiada. Como eu já os contei tais fatos em capítulos anteriores, já sabem que se trata de assuntos muito delicados, íntimos mesmo, por mais que sejam considerados fatos irrelevantes e bobos pela sociedade de hoje, pra mim não. Numa tarde que estávamos em casa somente eu e Sabrina, ela estudava para suas provas escolares, pensei: Há, estou cheia disso, preciso conversar com alguém se não vou enlouquecer!
Então fui até o computador e decidi ir numas daquelas salas de bate papo, pensava eu, se André pode ficar por horas aqui porque eu não. No começar a abrir o site, procurei por pessoas da região norte. E lá estava eu na sala de pessoas vinte a trinta anos.
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Optei por um nick que fosse de acordo com o que procurava, "Amizade.20-SP", não encontrei ninguém que conversasse comigo, resolvi mudar o nick para, "M-25.Amizade" e logo apareceram alguns que se interessaram. Ali só encontrei homens pois mulher geralmente não conversa com mulher, a menos que fosse lésbica, dificilmente eu encontrai uma amizade com alguém que simplesmente conversasse comigo, mas mesmo assim, tentei. Até que...
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"Onde foram feitas algumas alterações"
Comecei a teclar com um tal de Lúcio, no inicio da conversa foram só perguntas onde surgiu a pergunta, se eu tinha CAM, eu lhe falei que tinha, mas não havia sindo instalada ainda e ele insistiu em me ajudar instalá-la, ai eu desconversei do assunto e não adiantou o tal Lúcio insistiu e pra não perder a conversa que me distraia, o convidei pra falar pelo áudio e em poucas palavras e desliguei, lhe disse: Oi não sou dessas pessoas que procuram namoro, só quero conversar mesmo.
E ele aceitou, no entanto com passar de alguns minutos percebi que com aquele cara amizade estava difícil então desisti e procurei por outra pessoa. E assim foram varias vezes até o dia que encontrei um moço educado chamado Rogério, que morava no interior de SP. Conversamos sobre as músicas na qual tínhamos os mesmos gostos, ele chegou a me mandar por e-mail algumas de MPB. Num deste finais de Semana em que meu cunhado estava em casa, ao me conversando com ele no messenger, olhou de modo desconfiado e me disse: Que isso Raquely? Tá conversando com quem?
É um colega virtual Paulinho, não tem nada demais. Respondi.
Mas André sabe disso? Perguntou Paulinho.
Claro se ele pode ter colegas virtuais porque eu não? Eu falei
Nisto percebi que desde aquele dia André passou a bisbilhotar tudo o que eu fazia na internet e eu o deixei pois não fazia nada que fosse prejudicar nosso relacionamento e também era contrário ao que ele fazia, mesmo que fosse por brincadeira em algumas momentos me incomodava vê-lo ali fingindo ser de solteiro principalmente se fosse mulher, o que era raro acontecer, mais eu o entendo era só curiosidade dele pelo novo meio de comunicação.
Houve uma noite em que André conversou com o meu colega virtual o Rogério, como se fosse eu, então pedi a ele que não zoasse, pois eu não queria as bagunças que fazia no seu messenger fake, mas não adiantou logo André começou a falar asneiras, onde me deixou completamente encabula e muito chateada. Disse André: Que foi? Porque está assim? Tem algo acontecendo que eu não saiba Raquely?
André este não é um fake, é meu messenger você está zoando com minha imagem, está sujando com minha reputação! Respondi.
Agora é que eu vó ver qualé a desse cara com você? Disse ele esbravejando comigo.
Nossa, você pode ter amigos virtuais, namoras de mentira e ter todo o tipo de conversa no messenger, e eu não posso ter nem um colega virtual sem que você zoe com tudo?
Eu não crio vínculos em nenhuma de minhas conversas virtuais Raquelzinha! Disse ele.
Então eu lhe pedi desculpa e disse que não conversaria mais com o tal de Rogério.
Ai nos conversamos por mais alguns minutos e ele deixou que eu continuasse a conversar, com a condição de que ele estivesse junto, no entanto já não havia mais como continuar tal amizade, com os absurdos que ele havia falado para o homem.
Foi ai que perdi a primeira chance de descarregar o mal que sentia, onde se esvaiu a minha unica possibilidade de ter um amigo, mesmo que fosse virtual, eu achava que me faria bem conversar com alguém. Pois ele não saberia onde morava e nem minha real identidade, era a amizade perfeita. Nesta mesma semana André adicionou o meu colega virtual, Rogério, em seu fake. Sem que eu soubesse ele conversou muito com o tal rapaz.
Onde me vi no direito de usufruir de seu fake, a ideia mais tola que eu pudia ter feito, pois ali só rolavam zoeiras, azarações, mentiras e pessoas a procura de promiscuidade. Brincadeiras por brincadeiras aparte, mais o que sinceramente eu não tolerava e não tolero até hoje, era ver que meu marido conversar com pessoas promiscuas, isso pra mim passava dos limites da ética, da moral e dos bons costumes. No entanto não pensei quanto mal iria causar a mim no conversar com tais pessoas, que na real, não levavam nada a serio por ali e tudo era levado para rumos insertos ou a termos sexuais ou simplesmente a ações de sacanear com os outros. Pudi perceber isso ao conversar com uma dessas pessoas e André só tirava o sarro de mim ao ver me mexer no seu fake, dizia: Raquelzinha ai você não vai encontrar quem te leve a serio, são bobagens atrás de bobagens que essas pessoas dizem.
Eu sei disso André, mais será que eu não posso adicionar uma amizade sem que você sacanear com ela? Como adicionar um novo contato, por exemplo. Eu disse.
Vamos ver, mais tarde quando eu voltar do serviço, gente vê isso, mas eu não quero te ver criando vínculos por aqui, porque não procura suas amigas? Disse André.
Deixa de ser dominador, cimento, caramba, você não vê que só quero me distrair um pouco, eu não estou fazendo o que você faz por aqui. E pode deixar, eu mesmo procuro alguém que possa adicionar por amizade! Respondi a ele.
Bom mais eu não vou deixar de ver suas conversas, hoje mesmo eu quero ver quem você adicionou. Disse André.
A noite André estava lá no messenger fake, como sempre de zoiera enviando fotos fake, houve grande interesse do homem, que logo desconfiou do trambique, mas André contornou a situação ao abrir audioconferência, onde ele me chamou pra dizer poucas palavras e a fechou rapidamente.
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"Onde foram feitas algumas alterações"
Nesta hora eu li algumas coisas que escreveu meu marido para esse homem, o "Luar da Noite", então eu falei: Credo, André como você me chama pra falar com um cara que você só teclou coisas, como essa baixaria?
Disse André: Há, ele está aqui pra zoar, foi ai que então zoei, primeiro ele disse ser mulher, mandou fotos, pedi que abrisse a CAM e eu vi que se tratava de um casal, foi onde mandei as fotos, mas ele quis ver se era mulher. Foi então que te chamei, mas agora, já foi.
Tá ficando muito pesada essas suas brincadeiras e que história é essa de você ver a mulher do cara? Eu disse a ele.
Hooo... Não nada de mais, era só pra ver se tem uma mulher mesmo com ele, agora já sei olha lá. Respondeu André.
Nisto eu sai e fui pra sala e André só caia na rizada, parecia estar vendo um filme de comedia.
Semanas depois, eu nem me lembrava direito desse tal "Luar da Noite" do messenger fake. E numa manhã de sábado em que eu estava abrindo o messenger, quando esse homem iniciou uma conversa. No inicio eu o achei desbocado e fechei a conversa, passado alguns minuto lá veio o cara, "Luar da Noite" novamente só que desta vez mais educado e simpático, é claro que eu percebi que ele queria mesmo era ver quem sou, até que ele me fez o pedido de videoconferência, eu recusei, e o homem insistiu teclando: Só quero te conhecer, qual o problema?
Neste momento eu disse que teria que sair quando ele, me envolveu num assunto que me despertou a curiosidade, dizia: Você não lembra de mim, mas eu lembro de você, é casada, mora em SP,tem dois filhos e tem vinte três anos.
Perguntei: Como sabe tudo isso sobre mim?
Daniela não foi você que falou comigo a duas semanas naquela audioconferência? Perguntou "Luar da Noite" que continuando a teclar dizendo: Você disse me ser morena dos olhos cor de mel, que pretendia cursar a faculdade de letras. Você me pareceu ser bem legal, como seu marido tem coragem de te expor dessa maneira?
Como assim? O que ele te disse? Perguntei, sabendo que só podia se tratar das bobagens que André inventava.
Há aquelas suas fotos que ele me enviou. Disse o homem.
Tudo bobagem, não era eu nas fotos, é zoeira não liga, desculpa mais era brincadeira dele mesmo. Respondi.
Então iniciamos a conversa do zero. Onde só falamos sobre nossos nomes, idade e onde morávamos, obvio que eu lhe inventei o nome e o local de onde eu marava, como provavelmente ele também deve ter feito. Em seguida sai do PC, porque tive de sair com as crianças.
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Ele chegou do serviço e com seu sorriso que me encanta me dando um lindo buquê de rosas e me beijou como a muito tempo não me beijava. E após Jantarmos, as crianças foram dormir e nós permanecemos na sala, ouvíamos música, quando André se aproximou lentamente de mim e disse: Eu gosto quando você fica assim!
Assim como? Eu Perguntei.
Carinhosa, estando você feliz fica mais bonita do já é! Disse ele.
Nossa amor, obrigada, mais o que está havendo contigo? Você nunca foi de me dizer palavras tão cheias de carinho. Perguntei a ele.
Então ele me beijou e disse: Não houve nada Raquelzinha. Sabe ontem enquanto você se arrumava, eu a olhei e lembrei da primeira vez em que te vi...
Ele falou sobre alguns momentos nossos de quando começamos a namorávamos até lembrar de um dia que brigamos muito por causa de um diário que eu tinha quando solteira, diário este que já nem existia mais, pois André, com meu consentimento, na época havia se encarregado de destruí-lo. No ele tocar neste assunto surgiu uma questão atrás da outra, vindas dele que dizia: Raquely, você não me amava né? Naquela época eu fui um trouxa!
Como pode dizer tais bobagens André, eu sempre te amei, você sabe que é o único amor e homem em minha vida. Eu falei a ele.
Não sei não! Disse André.
Meus olhos se encheram de lágrimas de tão desapontada que fiquei com suas acusações e disse: Como pode me acusar de maneira tão vil, se você próprio me convenceu a fazer algo que sinceramente, queria que tivesse feito após o casamento.
Por isso mesmo! Você demorou pra ser minha de verdade, agora me diz, você esqueceu aquele cara? Falou ele.
Para de me tratar dessa maneira eu não mereço isso!Eu disse.
O que vocês dois fizeram enquanto ficaram juntos?Disse André.
Nada que prejudicasse nosso relacionamento André, eu nunca senti desejo por nenhum homem que não fosse você. Respondi.
E assim ficamos por horas nos alfinetando, até ele se acalmar e voltar a me dizer aquelas palavras doces tentando me acalmar.
Tudo isso me soava como uma grande maldade, pois não havia nada que me acusasse realmente. Então lembrei daquela tolice que o disse quanto a virgindade, de tão leiga, não pensei que fosse nos afetar no futuro, eu queria ser honesta na época mas como lhe contaria o que realmente aconteceu em minha infância, não dava, não tinha estomago pra isso, o constrangimento ia ser grande de mais, o que eu faria então? Minha mente entrou em parafusos e tudo por um capricho bobo de meu marido, digo bobo, de tão fútil como realmente é.
Nada nem ninguém pode acusar me desta forma, eu pensava, passei por tortuosos pensamentos desde minha infância até eu conhece-lo, de que modo diria isso a ele, meu marido, mesmo que não tivesse relevância nenhuma, afinal eu não fiz nada com ninguém antes de André, agora ele me questionava de tempos onde não tinha nada a haver comigo. Paquera toda a adolescente tem e posso dizer que não passou de inocentes beijos, claro teve a tentativa de um sem noção de me levar no papo? Teve, teve momentos em que fui quase forçada por este a fazer o que não queria? Teve, mas exatamente com nenhum destes cheguei ao ato sexual, que droga, como ele pode me acusar desta maneira, do que adiantou eu me preservar pra um homem que não me valoriza pelo o que eu sou? Que ainda tem a coragem de me dizer, "se tivesse me contato antes talvez eu teria a chance de escolha". E no dia seguinte eu pensava nisto amargurosamente, por tão ardilosas acusações. Foi onde fui ao computador e entrei no messenger fake e o primeiro que iniciou a conversa comigo despejei tudo o que me incomodava, era o "Luar da Noite", que disse: Oi Daniela como vai?
Não estou muito bem, desculpe mas hoje não sou a melhor pessoa pra conversar! Respondi.
Então ele digitou: O que houve?... Desculpe, não estou querendo especular sua vida, mas se você quiser contar estou aqui. Pode confiar, você sabe que não tem como eu saber quem realmente você é, mas eu me sinto realmente um amigo seu, sinto que você é uma pessoa muito legal e não merece ficar assim.
Deixa pra lá vai! Como você está? Digitei.
Tudo bem, estou em casa, sai mais sedo do serviço.
E sua mulher não entra no messenger? Perguntei, só pra ver se ele estava só.
Que mulher? Teclou o "Luar da Noite".
Ué... quem estava com você na primeira vez em você conversou com meu marido? Teclei, perguntando a ele.
Há, era uma ficante, nada sério, sabe algumas vezes ficamos, mas não passa disto.
E você não leva a pobre a serio não é mesmo? Teclei.
Não, ela que não me leva a serio, eu já a pedi em namoro mas ela me disse que agora quer viver a vida dela e curtir o momento! Disse ele.
Há você está mentindo né! Você só pode tá de brincadeira! São os homens que gostam de curtir o momento, nós mulheres queremos alguém pra compartilhar a vida, alguém que possamos amar sem medo de perde-lo. Respondi.
Não é verdade, você está ultrapassada neste assunto, não percebe não, que as moças de hoje não pensam como nós.
Tá bom então você a leva a sério e ela não te dá a minima. Vamos mudar de assunto.
Sério, sem brincadeira, eu tenho trinta e cinco anos, já fui noivo de uma outra mulher, ela me corneou! Teclou o "Luar da Noite".
Há, para vai conta outra!Eu teclei.
Tá vamos mudar de assunto, já falei muito sobre mim, desculpa de voltar na questão de seu mal estar, mas, não quer dizer nada é bom desabafar!
Bom, eu hoje estou muito triste e não tenho sinceramente com que falar, sei que você pode estar sendo sincero no dizer que quer me ajudar mais... Eu teclei.
Para, se não confia é melhor não dizer mesmo! Disse "Luar da Noite".
Tá bom então, eu vivo uma vida que sinceramente, não tenho contentamento nenhum... Digitei.
Hum... "Luar da Noite" teclou.
Não consegui me formar na faculdade que fazia, meu marido não tem confiança em minhas palavras. E as pessoas parecem não me levar a serio. Contei ao "Luar da noite".
Nossa, você não está bem mesmo, não fique assim e seus filhos? Ele digitou.
Eu amo meus filhos e se não fosse por eles não sei o que seria de mim. Respondi e continuando a digitar disse: Desde criança, sinto que as pessoas que encontro não vão com minha cara, dificilmente arrumo amizades...
Não, é verdade deve estar equivocada você me parece ser uma pessoa muito agradável. Disse ele teclando.
Verdade, eu não sou muito boa com as palavras, você deve pensar isso porque aqui eu me solto mais e acabo me expressando melhor, sou muito tímida.
Não parece! Disse ele, que continuou a digitar:Você se desenvolve bem com as palavras, se expressa perfeitamente.
Escrever é fácil, falar é que é o difícil. Respondi, e continuei a dizer: Por que disse isso, que não pareço ser tímida, não está me comparando, com as palhaçadas que meu marido digitou pra você, tá?
Não!... Mas, você não estava com ele aquele dia em que conversamos naquela primeira vez? Teclou o "Luar da Noite".
Não!... Eu só estive aqui naquela hora em que abriu a áudio conferência onde lhe falei aquelas poucas palavras . Eu Digitei.
Mas vocês sacanearam legal conosco. "Luar da Noite" digitou e continuou a digitar: Seu marido é um malandro, poxa ele viu minha ficante, como você concorda com isso?
O que? Como assim? Ele viu sua namorada? Perguntei.
Calma, eu estou dizendo que ele a viu somente isso, ela não estava pelada. Ele respondeu e continuou a digitar: Pensa, ele a viu e eu não te vi e você nem se quer estava por perto.
Há tá!... Respondi e continuei a teclar: Mas, eu sei que vocês estavam de palhaçada também, você não disse para meu marido que era mulher e lésbica? Eu vi que vocês estavam de zoeira, por isso concordei com tal bobagem, eu acredito que tudo seja apenas uma brincadeira, agora se está rolando algo mais sério pode dizer agora... Eu não sou trouxa!
Nossa você é brava! "Luar da Noite" digitou.
André, fica aqui dando as gargalhadas dele... Digitei e continuei a dizer: Ele fica inventando as estorinhas dele e me diz que não passam de brincadeiras inocentes. Eu já até passei um tempo aqui com ele por algumas vezes, mas nunca vi nada de mais e nunca fiz nada de tão degradante quanto estou pensando que vocês fizeram agora... São só bobagens mesmo? Se meu marido está de safadeza, conta logo!
Calma, eu só estou chateado porque eu queria ter te conhecido só isso, não fizemos nada de mais. Teclou "Luar da Noite".
Há, que sabe, fui!... Essas foram as ultimas palavras que teclei e sai.
Fique mais perturbada do já estava, pensei: Meu Deus, o que este homem está fazendo? Será que naquele dia, quando eu entrei novamente no quarto aquela hora, a bosta da câmera estava ligada? Ele me garantiu que não! Não, André não seria capaz!
Isto infernizou minha vida e grande parte de meus problemas por perseguição foram por pensar nisto. Para mim tudo não havia passado de simples brincadeiras, agora aquilo, era demais. Nunca me sujeitaria a tal imundice, meu Deus tem misericórdia, pensava.
Quando André chegou eu o perguntei seriamente e por várias vezes se a câmera ficou ligada enquanto estávamos juntos naquela noite e ele muito chateado comigo disse: Que isso! Está ficando paranoica agora? Claro que não! Pra que, que eu ia fazer isso? Deixa de ser tonta!
Mesmo assim, não sei se era coisa de minha imaginação fértil de mais, mas eu não acreditei, fique muito abalada com aquilo. Passei bom tempo sem acessar a internet, até que entrou um vírus no PC e nem meu marido conseguia acessar la mais.
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Meses se passaram, estando mais tranquila com relação aos últimos acontecimentos, já não lembrava mais daquela discussão que tive com André e nem de tão perturbadora duvida. Era um fim de tarde eu estava no centro da cidade fazendo compras e vi dois rapazes que vinham conversando num tom auto e rindo, estavam em sentido oposto ao meu na saída da loja, quando um deles olhou pra mim e no passar por eles escultei: Cara se não for ela, é muito parecida!... Não é não cara...
Pensei: Será que falavam de mim? Não, não pode ser, devo estar com paranoia mesmo!
Dias se passaram, fazia um dia lindo de sol, Rafaela estava em casa, eu havia a convida para almoçar. Ela e as crianças estavam na piscina, só não entrei com elas na pisciana, porque logo André viria e eu precisava preparar o almoço. Minha ansiedade era tanta para estar lá com elas que fiz tudo bem rapidinho, deixei tudo pronto cedo e fui dar um mergulho rápido, antes que André chegasse. Bem na hora que pus meus pés na água ele chegou e disse: Raquelzinha, você ai e o almoço?
Está pronto André é só você se servir! Respondi.
E ele num súbito nervoso gritou: Vai fazer isso comigo mesmo? Deixa de ser sem consideração mulher!
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Você tem o almoço pronto, mesa arrumada o que mais você quer? Perguntei.
Para com essa tolice, não vê que estou cansado! Chego exausto do serviço em casa e minha mulher nem se preocupa de me atender. Disse André.
Para você de ser dengoso André, está tudo pronto, não custa nada se servir, está tudo na mesa. Eu disse.
Nisto ele se exalto ao extremo e me disse um monte de palavras de baixo calão, como eu já havia me habituado com esses maus modos de meu marido acabei lhe ofendendo de forma igual. E todos saíram da piscina, Rafaela tentando acalmar os ânimos disse: Calma gente, vem Raquely, coitado ele tem razão!
Não vou, pois esse ai só usa da ignorância para me pedir algo, ele não merece meu respeito! Eu disse.
Nisto ele entrou em casa falando: Respeito, é você que não tem educação!
Por mais que seja irrelevante tal fato, eu os conto, porque André vinha se comportando de uma forma agressiva, na qual estava fora do normal, ele sempre foi muito calmo, paciente até de mais, tinha seus dias de mau humor como qualquer pessoa, mais naqueles dias em especial ele se irritava com muita facilidade. Houve um fim de semana, em estavam todos em casa, André drenava a piscina, quando escutei seus gritos, sai a porta da lavanderia e vi sua ignorância com todos em sua volta, a pobre da minha sogra que estava ao seu lado chegou a tomar um banho pelo jato de água que espirou por um murro que dera André na água. Eu me indignei por tal ato e irritadiça fui até ele e disse: Monstro, olha o que você fez com sua mãe, a molhou toda...
Selma com seus olhos arregalados de assutada disse: Deixa, não foi nada não!
Por que não vem você limpar essa droga de piscina, já que foi você quem deu essa ideia idiota de fazer isso hoje! Disse Ele.
Tá deixa ai, esquece, outra hora eu faço isso! Só para com essa ignorância por favor! Eu o respondi.
Agora que fala isso sua lesa, eu já joguei os produtos, agora não dá pra desperdiçar. Ele disse.
Então eu entrei na cozinha, passado alguns minutos escultei mais gritos de André, só que deste vez vindos da sala. Dizia: Ela fica pondo essas porcarias junto aos meus livros, eu vou quebra com essa bosta!
Corri para sala e o vi com um das taças em sua mão, calmamente eu disse: Não faz isso!
Meu cunhado veio ao encontro dele e disse: Para com isso cara, se está estressado melhor que não faça nada hoje! Não desconte nos outros caramba!
Ele estava tão alterado que antes disso havia quebrado o gatilho da mangueira, ele pôs as taças sobre a mesa e me disse: Guarda essas suas tranqueiras em outro lugar! Ta vendo essa porcaria de gatilho para mangueira que você me fez comprar? Hó...
Ele bateu com toda força a mangueira no parapeito da janela e disse: Não vale nada!
É imbecil ou o que? Depois diz que sou eu a esbanjadora! Eu disse.
É você Raquely faz essas asneiras e eu levo a culpa!
Além de muito nervosa, sentia me muito triste por vê-lo daquele jeito. Mas tudo aquilo tinha uma razão de ser, passávamos por grande dificuldade, André havia pedido as contas do seu serviço para ingressar na profissão a qual havia se formado naquele ano, professor, o que é muito difícil pra um iniciante, ele já havia passado no concurso público, no entanto, teve que aguardar a sua convocação. Com grande esforço conseguiu umas poucas aulas de eventual e o pouco que recebia por elas mal dava pra nos manter. Tivemos que recorrer tanto a família de André quanto a minha, o que eu jamais quis, pois pensava, que críticas, poderiam surgir de ambos os lados, mas o que digo hoje sobre isso, é que sou muito grata por toda aquela ajuda!
Para se ter uma ideia, teve dias que não tínhamos nem gás do fogão pra cozer os alimentos. O leite, que antes era em abundancia para as crianças, estava racionado. Foram longos e penosos tempos até surgir me uma oferta de emprego numa fábrica no centro da cidade. No saber disto, fiquei em polvorosa, não tinha dinheiro para ir agência que contratava, o trajeto até lá era longo demais pra ir a pé. Decidi chamar Rafaela que também passava por apuros, despregada estava a procura de emprego, mesmo que fossemos a pé, eu tinha a esperança de que chegaria a tempo, no convidá-la eu disse: Vamos Rafaela, a Jack foi lá ontem e já conseguiu a vaga, me disse que estão contratando mais gente, é uma grande oportunidade, vamos?
Ela respondeu: Você está louca menina, ir a pé de Ribeirão Pires até uma agência de emprego no centro de Santo André, é muito longe Raquely, nós iriamos levar umas quatro horas ou mais pra chegar lá! Eu não vou não! Nem é garantido que vamos conseguir, se pelo menos fosse contrata direto da fabrica, nem isso é!
Com isso fui para casa e no quintal num quarto de bugigangas, onde mantinha o lixo reciclável, onde vi a chance de conseguirmos pagar as passagens de ônibus, pois em frente a minha casa tinha um deposito de ferro velho e vendi tudo. Por pouco não dava para pagar a passagem de Rafaela também, infelizmente o dinheiro só foi o suficiente pra pagar minha passagem. Chegando lá graças a Deus, foi tudo tão rápido e simples, que mal eu entrei na agencia já fui atendida, pediram meus documentos e quando sai de lá, nem acreditava já estava praticamente empregada, após a entrevista, que seria no dia seguinte, naquela mesma semana começaria trabalhar na fábrica de bolacha que ficava próximo ao centro de Ribeirão Pires, município no qual eu morava.
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e adversidades que ambos lados sofreu, eu reconheço de todo o meu coração o apoio dado a nós por eles desde o inicio.
Neste blog estou expondo alguns mal-momentos que passei desde minha infância até determinado momento, eu inclui, é claro, aos capítulo anteriores alguns mal-entendidos que tive com parentes como também meu marido, declaro que de maneira alguma nunca foi minha intensão julgar ou culpar alguém por minha doença, mas quando me recordo de determinadas situações que vivi, penso, é obvio, é normal surgirem conflitos entre familiares principalmente se moram tão perto um do outro, ainda mais se há dependência nos seus relacionamentos. Entretanto devido ao objetivo do blog não poderia deixar de citar tais fatos ocorridos, eu acredito que após algum tempo de casada, eu passei a me irritar com facilidade e a interpretar as coisas da vida de modo muito negativo, onde pode ter se desencadeado o principio dos sintomas depressivos, por isso dei relevância em contar os tais fatos de desentendimentos.
Voltando ao dia da visita foi um fim de semana perfeito em que eles passaram conosco e quando eles foram embora percebi o silêncio no qual ficou na casa, estava fazendo aquela noite fria, logo nos deitamos e ao acordar no chegar a cozinha para fazer o café, olhei para o vitrô e vi adentrar a luz radiante do sol daquela linda manhã.
E assim se prosseguia minha vida, naqueles primeiros meses em que morei naquela casa.
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Passavam se seis meses, tudo corria bem, até vir as férias escolar das crianças e minha sogra querer as levar para sua casa, me desesperei totalmente, só que sem demostrar isso a ninguém, foi ai que surgiram alguns conflitos momentâneos entre nós, que se resolveram rapidamente quando Paulinho, meu cunhado, deu a ideia de levar uma criança a cada vez, por uma semana, eu concordei com um grande aperto em meu coração. Pois meus filhos eram minha unica companhia, André, que tempos antes havia se tornando um marido atencioso, já não me dava tal atenção e isso me fazia sentir se desprezada em alguns instantes. Muitas vezes ao chegar do serviço ou ele dormia ou assistia jogo ou ficava no computador.
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Raramente conversava comigo, falávamos somente o necessário e quando eu puxava assunto ele respondia; O que?... Há, tá! Tá bom!... Não!... Sim!... Depois eu vejo!... Tá certo, amanhã eu compro!... Deixa de falar isso, eu já disse amanhã agente vê! Agora não Raquely, to vendo o jogo!
Isso me deixa muito triste, que em alguns momentos discutia com ele, mas não resolvia muito. Até que o dia em que meu cunhado conversava com André, lhe explicando: É sim, e já fez orkut, é muito melhor cara, tem bem mais privacidade, para com essa de adicionar pessoas que você não conhece no seu messenger, pode entrar um vírus no seu computador ai você vai ver!
Então eu me intervi dizendo: É isso mesmo Paulo e outra, não sei pra que ele insiste em ficar brincado nestes bate-papo, quando ferrar o computador ele vai ver o que é bom pra tosse!
Saindo eu pra sala, eles começaram a instalar o tal orkut no qual eu nem tinha conhecimento do que era, muito mesmo o messenger que André, danado, já tinha feito a tempos sem me comunicar. Neste mesmo dia Alice e Antony foram com tio Paulinho pra casa de seus avós e Selma, insistiu ao telefone antes deles irem, dizendo: Há, por que não deixa vir os três? É só agora, nas férias Raquely, você não quer ter uns dias de descanso e André também logo estará de férias no serviço.
André? A respondi num tom irônico e continuei lhe dizer: Ele, só pensa em ficar naquela maldita internet ou vendo jogo, isso quando não fica dormindo. E eu te digo, meus filhos são minha companhia eu os amo muito, eles não me incomodam.
Nossa, calma Raquely, eles só vão passar duas semanas aqui, não vão morar comigo não! Respondeu Selma as gargalhadas!
Ai eu disse a ela que levasse Alice e Antony naquela primeira semana, que na próxima André os buscaria e levaria Sabrina pra ficar com ela, entrando em acordo comigo disse me Selma: Tá bom então!
Passadas duas horas que eles tinham ido embora, Sabrina assistia TV comigo, quando começou um programa infantil no qual ela gostava, nisto escutei risos vindo do quarto de Antony, onde ficava o computador, fui ver que acontecia pra tanta euforia e vi, André no bendito bate-papo.
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Muito nervosa, eu disse a ele: Caramba André!... Você gostou de ficar nesta sala de Bate-papo, já arranjou uma paquera ou está de caso mais sério, como uma amante por exemplo!
Deixa de ser boba Raquelzinha! É zuera, tudo aqui é brincadeira. Meu, eu to rindo tanto, que chega a doer minha barriga, você precisa ver, cada palhaçada que aparece! Respondeu André com grande sorriso e continuou a falar: Senta aqui, vem ver! Olha, essa tal Florzinha, diz ter dezoito anos e que mora no Espirito Santo com seus pais... Mas depois de algumas perguntas descobri, é um viado essa porr...
Credo! André, você mal falou com ela como sabe?Eu perguntei.
Espera ai! Disse ele que logo maximizou a janela do tal bendito MSN no qual, ele tinha e eu não.
Então perguntei por que não fez esse MSN pra mim também? Se você tem, porque não faz um pra mim?
Há outra hora agente vê, mais, é melhor o orkut eu vou fazer um pra você amanhã, agora, deixa eu te mostrar a ultima coisa que Florzinha disse...
Mas quero fazer o MSN, não ver essa bobagem André! Respondi.
Espera, você não quer ver o que estou fazendo aqui? Perguntou ele.
Tá bom, então vamos ver! Respondi.
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No ver a conversa fiquei abismada com tudo aquilo e disse: André isso ai está mais parecendo safadeza! Olha só, cada sacanagem que vocês dois dizem!
Não é Raquely, quer ver? Essa Andressa é o homem, quer ver? Disse André se estrebuchando de rir.
Então ele se fez de interessado e foi mais a fundo, pediu que a menina colocasse uma foto pra vê-la, ela não pois, mas convidou pra abrir a áudio-conferência, foi onde se confirmou era um homem a procura de parceiros. No entanto, como nada realmente é consistente neste tipo de comunicação, é claro que poderia também se tratar de um outro engraçadinho procurando ver ou fazer palhaçadas. A partir desse momento foram só risos, ele abriu mais conversas com outras pessoas, nossa, era só zueira, cada assunto absurdo que surgia, chegava a ser cômico realmente, rimos muito verdadeiramente.
Depois de algumas horas, voltei a insistir no pedido que lhe fizera antes: Bom, agora faz o MSN pra mim.
Tá, então vamos lá! Disse André com uma cara de insatisfeito.
Nossa, que cara André! Poxa, porque faz o que quer aqui e eu não posso ter esse simples meio de comunicação? Se você tem, horas bola. Ai também vou poder falar com meus irmãos. Eu falei a ele.
No tentar me explicar, ele disse: Você tem que abrir uma conta...
Como assim? Tem que paga pra ter esse programa no computador? Perguntei.
Nãooo... Raquely! Respondeu ele.
Me diz como fazer isso que eu faço vai! Impaciente eu falei a ele.
Calma, eu vou fazer, mas não sei se pode ter duas contas num PC só. Disse ele.
Sério isso? Falei.
E ele com um sorriso bem sínico me disse: É!
Tá bom André, então vou usar o seu mesmo me de a senha e e-mail. Eu disse, conformada com que ele havia falado.
Nisto eu fechei e abri novamente o MSN, pra entender como funcionava e ver se a senha e o e-mail eram compatíveis ao que ele havia me dado.
Depois eu perguntei a ele: Tem como por o meu nome junto ao seu aqui?
Ele disse: Vamos ver... Pronto! "André&Raquely", gostou?
Nãooo!... Põe Raquel, vc sabe que eu não gosto de ser chamada de Raquely.
Tá! Pronto, aqui hó, "André&Raquel"!
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"Onde foram feitas algumas alterações"
E assim terminou nossa noite. E o começo daquela semana não foi fácil, porque eu sentia muita falta de meus filhos e Sabrina, também sentia falta de seus irmãos, no entanto com decorrer tempo, eu comecei a fazer companhia a André no PC, quando minha filha ia dormir, eu ficava lá com ele e era como sempre uma palhaçada atrás da outra e risos, muito risos. Também começamos a fazer caminhadas pela manhã, Sabrina aproveitava pra andar de bicicleta, isso nos fez muito bem, era nestas horas onde nos descontraímos, conversamos e contemplávamos a natureza de onde morávamos.
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No fim de Semana André não precisou buscar as crianças, porque meus sogros, meu cunhado e sua namorada vieram para nossa casa com as crianças, eles passaram o fim de semana conosco. Na noite de sábado o quarto de Antony parecia uma danceteria era musica e muita falação, todos se reuniram frente ao computador, o que já não era uma novidade pra nós, mas o que nos instigava a curiosidade eram os novos meios de comunicação, onde o entretenimento era de ultima geração pra todos nós.
Eu estava na cozinha preparando a janta quando André me chamou:
Raquely... Vem aqui, só um instante vem!
Tem um cara se fingindo de mulher e meu nick é de mulher também, senta ai eu vô ligar a CAM, vamos ver qual é desse cara!
Eu, por que eu? Não da pra ser a Júlia ela é mais nova! Mal havia terminado de falar e todos caíram na rizada.
Deixa de ser boba é pro cara acreditar que é uma mulher lésbica! Eles disseram.
Há!... Eu falei, com olhar de indignação pra André: E eu tenho cara de lésbica agora?
Não precisa ficar brava, agente só tá brincando Raquely. Falou Selma.
É brincadeira Raquelzinha, ninguém aqui disse isso! E a Júlia não quis. Disse André.
É isso mesmo Raquely, mas eu também não a deixei fazer isso. André, você tá abusando de mais cara, lembre-se que está falando com estranhos, é gente de todo tipo! Disse Paulo.
Não tem nada não! É só ela não mostrar o rosto, é um minutinho vai Raquely. Disse André.
Então eu sentei na cadeira frente a CAM, todos os outros se esquivaram para que não os vissem. E Quando o homem me viu, digitou: "Desculpa, mas eu menti sou um homem e você parece ser bem feminina pra ser lésbica, não é né?"
E André digitou: "Porque diz isso? Quem mentiu aqui foi você!"
Nisto o homem respondeu: "Linda de mais pra ser lésbica!"
Então todos caíram na gargalhada e André desligou a câmera!
Ai eu ri muito, daquela situação e olhando pra ele eu disse: Então quer mesmo que eu fique aqui?
E ele dando um sorriso sem graça disse: Tá bom, agora esse panaca pensa que se trata de uma mulher mesmo.
Enquanto eu saia de lá, só eram só gargalhadas e gargalhadas.
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"Onde foram feitas algumas alterações"
Também espero que me entendam, não estou querendo me engrandecer pela aparência, como já eu disse não me achava bonita, não gostava nem um pouco de meu físico, mas posso disser que hoje, aprendi a gostar um pouco mais de mim, não me sinto nem mais nem menos que ninguém, me sinto uma pessoa comum como as outras. Já tive sim, bastante vaidade, em uma determina parte de minha vida e isso só me prejudicou afetivamente e pessoalmente, era a forma que eu encontrava pra esconder minha falta de amor próprio! Que graças a Deus agora não é mais assim, gosto de mim pelo que eu sou e não pelo acham, pois Deus me fez assim e sim sou, sou muito grata, pois tenho ótima audição, visão, posso falar... Em fim não me falta nada!
Naquele fim de semana quando eles aiam embora todos persistiram dizendo que não teria nada de mais em levar meus três filhos, pra ficar aquela semana com a vovó Selma, então pediram... Pediram e Pediram até que Sabrina em um pedido quase que desesperado me convenceu e foram os três embora com eles. Sofri muito com a ausência deles e Sabrina que já era um pouco mais matura chegava a ser precoce no seu modo de agir preferia ficar com os adultos do que com as crianças, era ela quem me fazia companhia, onde quer que eu fosse ou fizesse lá estava ela sempre que podia, já Alice e Antony gostavam muito de brincarem com seu novos coleguinhas.
Com passar do tempo percebi que podia ter um MSN meu e que aquilo de que o PC não podia ter mais de uma conta era lorota do meu marido. Fiquei quase que um dia inteiro tentando fazer um até me cadastrei no site e abri uma conta em meu nome. André não ficou muito satisfeito com isso, entretanto teve que se conformar a final ele já tinha duas contas cadastradas, uma de seu uso pessoal e outra fake, por que eu não haveria de ter uma conta pessoal só minha?
Num final de semana antes das crianças voltarem as aulas, fomos a casa de meu irmão Luiz, que já era casado com a Clarisse e eles tinham dois filhos. Quase sempre que podíamos nós íamos vê-los e neste dia ficamos em sua casa até no Domingo.
Foi tudo muito bom, até chegarmos em casa e ver que dois dos cinco, animaizinhos de estimação nosso haviam morrido. A Juju, a hamster simplesmente morreu, agora a Esperta, a gatinha não, segundo uma vizinha ao vê-la disse a mim, que era provável ter sido envenenada pois seus olhos ficaram tão esbugalhados que pareciam de vidro e abaixo de sua boca tinha uma possa de sangue, ela disse pra mim tomar cuidado pois acreditava que havia alguém matando animais na vila. Isso nos deixou muito chateados, pois se tratava de bichos indefessos, como pode alguém ter coragem de fazer tal maldade.
Dias se passaram, Alice chegava da escola com Antony e os dois correram pra por suas roupas de banho para brincarem na piscina, quando, Alice subiu as escadas da piscina, eu escutei sua voz tremula, de tão apavorada ela ficou paralisada olhando para água, foi um susto muito grande e ao escutar ela dizendo: Mãeee... Mãeee... Meu Deuuus... Meu...
Eu estava na porta da lavanderia a observando e ao ver tudo aquilo meu coração disparou, corri até ela e pondo a mão em sua costas eu disse: Que foi Alice? Que foi filha?
E ao olhar para onde ela olhava, eu vi!...
E ela começou aos gritos chorar dizendo: Meu gato, mãe, meu gato tá morto! Não! O Pítico nãoooo...
Foi muito triste ver que mais um de nossos animais morreu, ainda mais naquelas circunstancias, me senti muito culpada, como eu não vi isso antes? Eu pensei, lembrando de que ao levantar naquela manhã, eu passei do lado da piscina... E na madrugada daquele dia, eu havia escutado um barulho estranho vindo na piscina, os cachorros latiam muito, chamei meu marido, mas ele com muito sono disse: Não é nada, volte a dormir!
E eu disse: Tá muito estranho esse barulho André! Vamos ver?
Há, não é nada Raquely! Vai lá você então, me deixa dormir. Disse ele.
Como eu sou muito medrosa não fui ver, mal sabia eu que poderia ter salvo a vida daquele pobre animalzinho que morria afogado naquele exato momento. Chorrei muito, junto a minha filha, e lhe pedia desculpa, mais claro que isso não amenizava a sua dor e minha culpa. Conto estes fatos, porque neste tempo aconteceram coisas muito estranhas em minha casa, dias antes a essas mortes, eu tive pesadelos horrorosos, as crianças começaram a sentir muito medo de ficarem em seus quartos, diziam escutar vozes vindo lá de fora, é obvio que devia ser pessoas passando na rua pois o local era muito pacato e de longe se ouvia qualquer ruido ou também podia ser fruto de imaginação deles, pensei eu, até os proibi de assistirem TV sozinhas, achando que assistiam a filmes de terror.
Neste tempo, era verão fazia muito calor, mas todos as vezes que ia na cozinha, que ficava ao lado do quarto das crianças, sentia que um vento frio me envolvia, coincidência ou não, o quarto tinha a janela para o quintal dos fundos onde ficava a piscina. As vezes quando ia na cozinha, eu tinha a impressão de que alguém me chama, numa destas ocasiões recordo-me, de ter me virado para o vitro na intensão de abri-lo pra ver se alguém realmente me chamava, antes que eu fizesse isso, vi um vulto, que parecia ser de um homem passando rapidamente do lado de fora, corri até a porta que dava na lavandeira achando ser André que chegava, ao abri-la vi o vulto novamente só dessa vez vi uma capa com capuz preta que parecia flutuar sozinha, rapidamente fechei a porta sentindo grande dor no peito pelo o susto.
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Eu disse a ela: Não há nada de errado filha, porque diz isso?
Toda noite eu escuto passos de gente perto da janela e tenho a impressão de ter alguém me olhando da porta da cozinha. Disse Sabrina.
E eu tentei acalma-la, dizendo: Esse passos devem ser dos vizinhos, o lugar aqui é muito silencioso filha, que escutamos qualquer barulho que os vizinhos façam a noite, principalmente ser for no quintal deles. E quanto a alguém estar te vendo da porta, é a mãe ou o pai, as vezes nós vamos até a porta do seus quartos pra ver se não estão descobertos, você sabe como seus irmãos são né? Se mechem a noite toda, já os pegamos dormindo no chão até.
Então ela falou: Mãe, eu sei quando são vocês, eu vejo, agora igual a essa semana, quando senti que tinha alguém passando pela a porta eu chamei você duas vezes e ninguém me respondeu, quando me levantei fui na cozinha e não tinha ninguém lá.
Há... Disse eu sorrindo e concluindo: Você devia estar sonhando!
Mesmo tendo visto o que vi, eu não a contei, para que não se assustasse ainda mais, eu acreditava que com tempo tudo aquilo ai parar, pois sempre tive muita confiança em Deus. Até isso acontecer, meus animais de estimação morriam um atrás do outro, eu tinha muitos pesadelos e quase sempre eram com uma senhora que pedia que eu fosse embora dali, seu olhar raivoso me era assustador, teve uma vez que de tão nervosa ao acordar deste pesadelo meus os olhos estavam cheios de lágrimas, não sei porque, mais sentia que alguma coisa de ruim acontecia com minha mãe.
E Fiquei mais atormenta ainda quando ouvi uma história de outra vizinha na qual já eramos amigas, a Jack. Ela me disse: Nossa, estou de queixo caído Raquely, aqui morava uma senhora, a mãe dos donos desta casa, que antes dela morrer ela suplicou aos filhos que não vendessem está casa.
No decorrer do tempo como eu já previa parei de ter os tais pesadelos e as crianças não se queixavam mais daquelas coisas.
Alguns meses depois, tivemos grande alegria quando a Rafaela, tia de André, veio morar numa casa que ficava próxima a nossa. E ela como sempre muito brincalhona todas as vezes que nos reuníamos eram só risos. Apesar de nos darmos muito bem, no passado quando morávamos naquele prédio tivemos alguns atritos com Rafaela, e eu temendo que tais brigas tornassem a acontecer, evitava de ir em sua casa com frequência, eu tinha convicção que algumas formas diferentes de pensar entre nós, poderiam afetar nosso convívio. O que eu não desejava e de todo o coração, mesmo sendo tia de meu marido, não tendo o mesmo sangue familiar, sempre tive muito apreço por ela e seus filhos. Rafaela é como se fosse minha irmã querida, sempre torci para que tudo desse certo pra eles, no que eu pudesse ajudar, ajudava como, auxilia-la com arrumação de sua casa quando chegou de mudança, cuidar de sua filha, pois seu trabalho ficava longe de sua casa, o que tivesse ao meu alcance fazia de bom grado.
Mas como nem tudo é um mar de rosas, quando chegou o natal decidiram fazer o amigo secreto, por um descuido deixamos os papeis com os nomes nas mãos das crianças o que gerou uma tremenda confusão na hora da entrega.
Rafaela passou a ficar meio estranha comigo, já fazia um bom tempo que não me dirigia a palavra e toda vez que eu puxava conversa, ela me respondia seco e de forma indiferente como se tivesse muito chateada comigo.
Teve dia em que Selma estava em casa e teve um momento onde eu fui lavar a louça sem notar que ela e Rafaela estavam no quintal acabei sem querer escutando umas poucas palavras de uma conversa entre elas, que falavam sobre seus descontentamentos comigo e reclamavam dos meus descompassos. Diziam: ... é, mas você devia dar a gafara pra ela, eu sei que as vezes perdemos a paciência, mas você está certa... Olha a arvore de natal, tá ai hó, tivemos o maior trabalho pra pegar na estrada lembra? Ela a rumou, pois os enfeites, não né!...
Como vi que aquilo se tratava de um desabafo, me afastei, fui pra sala. Fiquei triste, pois não havia enfeitado a árvore de natal não por pouco caso e sim pela loucura que havia sido de tanta correria na arrumação para aquela noite de véspera no natal.
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E é obvio que ninguém quer ser contrariado, magoado ou constrangido por algo que tenha feito sem notar mal algum, mas eu penso assim, se não estou de acordo com as ideias de alguém e este alguém está muito chateado, eu começo pensando no que eu possa ter feito para gerar tal confusão, não digo pelos papeis do amigo secreto, eles não tem relação aos descontentamentos, pois isso foi em comum acordo entre todos de deixarem que as crianças os fizessem.
Como um relâmpago abriu-se um clarão em minha mente, lembrei, de que um dia antes da entrega dos presentes, estávamos eu e André fazendo as compras de natal, passávamos dentre algumas lojas a procurar dos presentes, e eu num súbito nervoso comecei a dizer: A Isabela quer muito, você não acha? Poxa se o presente é de apenas dez reais por que a menina pedi um perfume que custa muito mais caro? E outra não gostei do jeito que ela tratou a Sabrina ontem.
E neste exato momento sem que nós percebêssemos, seus pais, Rafaela e seu marido vinham ao nosso encontro. Ela com certeza deve ter ouvido algo. E por uma certa infantilidade minha causei isso a mim mesma, o desagrado de Rafaela no dia de natal, me arrependi profundamente, mesmo não sabendo se fora isso que realmente que a fez me tratar de tal forma.
Eu havia dito isso pois nossa situação não era das melhores naquele tempo, é lógico que se pudesse lhe daria com prazer o perfume de bom grado, mais infelizmente no momento não dava. Claro que mãe é mãe e Isabela é a filha de Rafaela como ela não se chatearia? Não tenho nada contra Isabela, apesar de espoleta quando criança e de ela e minha filha não se darem muito bem na época, sempre a considerei muito, gosto de coração dessa menina que hoje é mulher e uma mãe atenciosa que deve me intender muito bem agora. Também acredito que as crianças não tenham culpa dos descontroles dos adultos, nós é que temos o dever de plantarmos a paz nos corações dos nossos filhos.
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E suas desconfianças com relação a essa menina, as vezes me perturbava, mais mesmo assim sempre tentei estabelecer a paz, o que por muitas vezes deixava minha filha triste por pensar que eu defendia os outros e não a ela, mais na verdade eu queria que ela aprendesse a ceder, por algumas vezes temos que fechar os olhos e não ver se este ou aquele esta certo, para obtermos paz.
Pra mim sempre foi muito difícil pregar a paz pois também sou um ser humano que como qualquer outro, que cheia de imperfeições não tem total controle sobre suas próprias emoções. Nas famílias são comuns existirem aqueles que gostam de dar preferencias ou a este ou aquele, já em minha concepção isso me impõe a coisas que sinceramente não concordo. Como mãe posso ter errado por muitas vezes, mais se um filho meu estava sendo descartado era do lado deste que eu ficava como também se sentia a injustiça de meus filhos com outra criança optava por ensinar o certo pra eles. Era onde eu era julgada por alguns que não têm a mesma opinião que a minha, era ai surgiam os atritos e muitas lágrimas. Com o tempo Rafaela por ter um bom coração, se demonstrou ser possuidora de um sentimento raro que é o de não guardar rancor com absoluto esquecimento de meus erros, me perdoo.
No começo do ano a volta as aulas das crianças, André como sempre trabalhando muito, minha amiga que morava frente minha casa começou trabalhar e pouco nos víamos. Novamente sentia-me só, mesmo tendo tia Rafaela por perto, neste tempo ela também trabalhava e era raro os momentos em que nos víamos.
Bom aqui vou revelar algo, mesmo tendo total confiança tanto nestas pessoas que citei, como em muitos outros parentes e amigos, eu nunca tive a coragem de lhes expor meus conflitos internos que de tão intensos, eram ocultados e existentes por anos em minha vida. Isso me incomodava profundamente, pensava em contar a meu marido o que ocorrera em minha infância, não queria mentir, mas a vergonha da real história que embalava os fatos em si me travava, só de pensar, ficava alucinada e sentia-me antecipadamente repudiada. Como eu já os contei tais fatos em capítulos anteriores, já sabem que se trata de assuntos muito delicados, íntimos mesmo, por mais que sejam considerados fatos irrelevantes e bobos pela sociedade de hoje, pra mim não. Numa tarde que estávamos em casa somente eu e Sabrina, ela estudava para suas provas escolares, pensei: Há, estou cheia disso, preciso conversar com alguém se não vou enlouquecer!
Então fui até o computador e decidi ir numas daquelas salas de bate papo, pensava eu, se André pode ficar por horas aqui porque eu não. No começar a abrir o site, procurei por pessoas da região norte. E lá estava eu na sala de pessoas vinte a trinta anos.
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Optei por um nick que fosse de acordo com o que procurava, "Amizade.20-SP", não encontrei ninguém que conversasse comigo, resolvi mudar o nick para, "M-25.Amizade" e logo apareceram alguns que se interessaram. Ali só encontrei homens pois mulher geralmente não conversa com mulher, a menos que fosse lésbica, dificilmente eu encontrai uma amizade com alguém que simplesmente conversasse comigo, mas mesmo assim, tentei. Até que...
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"Onde foram feitas algumas alterações"
Comecei a teclar com um tal de Lúcio, no inicio da conversa foram só perguntas onde surgiu a pergunta, se eu tinha CAM, eu lhe falei que tinha, mas não havia sindo instalada ainda e ele insistiu em me ajudar instalá-la, ai eu desconversei do assunto e não adiantou o tal Lúcio insistiu e pra não perder a conversa que me distraia, o convidei pra falar pelo áudio e em poucas palavras e desliguei, lhe disse: Oi não sou dessas pessoas que procuram namoro, só quero conversar mesmo.
E ele aceitou, no entanto com passar de alguns minutos percebi que com aquele cara amizade estava difícil então desisti e procurei por outra pessoa. E assim foram varias vezes até o dia que encontrei um moço educado chamado Rogério, que morava no interior de SP. Conversamos sobre as músicas na qual tínhamos os mesmos gostos, ele chegou a me mandar por e-mail algumas de MPB. Num deste finais de Semana em que meu cunhado estava em casa, ao me conversando com ele no messenger, olhou de modo desconfiado e me disse: Que isso Raquely? Tá conversando com quem?
É um colega virtual Paulinho, não tem nada demais. Respondi.
Mas André sabe disso? Perguntou Paulinho.
Claro se ele pode ter colegas virtuais porque eu não? Eu falei
Nisto percebi que desde aquele dia André passou a bisbilhotar tudo o que eu fazia na internet e eu o deixei pois não fazia nada que fosse prejudicar nosso relacionamento e também era contrário ao que ele fazia, mesmo que fosse por brincadeira em algumas momentos me incomodava vê-lo ali fingindo ser de solteiro principalmente se fosse mulher, o que era raro acontecer, mais eu o entendo era só curiosidade dele pelo novo meio de comunicação.
Houve uma noite em que André conversou com o meu colega virtual o Rogério, como se fosse eu, então pedi a ele que não zoasse, pois eu não queria as bagunças que fazia no seu messenger fake, mas não adiantou logo André começou a falar asneiras, onde me deixou completamente encabula e muito chateada. Disse André: Que foi? Porque está assim? Tem algo acontecendo que eu não saiba Raquely?
André este não é um fake, é meu messenger você está zoando com minha imagem, está sujando com minha reputação! Respondi.
Agora é que eu vó ver qualé a desse cara com você? Disse ele esbravejando comigo.
Nossa, você pode ter amigos virtuais, namoras de mentira e ter todo o tipo de conversa no messenger, e eu não posso ter nem um colega virtual sem que você zoe com tudo?
Eu não crio vínculos em nenhuma de minhas conversas virtuais Raquelzinha! Disse ele.
Então eu lhe pedi desculpa e disse que não conversaria mais com o tal de Rogério.
Ai nos conversamos por mais alguns minutos e ele deixou que eu continuasse a conversar, com a condição de que ele estivesse junto, no entanto já não havia mais como continuar tal amizade, com os absurdos que ele havia falado para o homem.
Foi ai que perdi a primeira chance de descarregar o mal que sentia, onde se esvaiu a minha unica possibilidade de ter um amigo, mesmo que fosse virtual, eu achava que me faria bem conversar com alguém. Pois ele não saberia onde morava e nem minha real identidade, era a amizade perfeita. Nesta mesma semana André adicionou o meu colega virtual, Rogério, em seu fake. Sem que eu soubesse ele conversou muito com o tal rapaz.
Onde me vi no direito de usufruir de seu fake, a ideia mais tola que eu pudia ter feito, pois ali só rolavam zoeiras, azarações, mentiras e pessoas a procura de promiscuidade. Brincadeiras por brincadeiras aparte, mais o que sinceramente eu não tolerava e não tolero até hoje, era ver que meu marido conversar com pessoas promiscuas, isso pra mim passava dos limites da ética, da moral e dos bons costumes. No entanto não pensei quanto mal iria causar a mim no conversar com tais pessoas, que na real, não levavam nada a serio por ali e tudo era levado para rumos insertos ou a termos sexuais ou simplesmente a ações de sacanear com os outros. Pudi perceber isso ao conversar com uma dessas pessoas e André só tirava o sarro de mim ao ver me mexer no seu fake, dizia: Raquelzinha ai você não vai encontrar quem te leve a serio, são bobagens atrás de bobagens que essas pessoas dizem.
Eu sei disso André, mais será que eu não posso adicionar uma amizade sem que você sacanear com ela? Como adicionar um novo contato, por exemplo. Eu disse.
Vamos ver, mais tarde quando eu voltar do serviço, gente vê isso, mas eu não quero te ver criando vínculos por aqui, porque não procura suas amigas? Disse André.
Deixa de ser dominador, cimento, caramba, você não vê que só quero me distrair um pouco, eu não estou fazendo o que você faz por aqui. E pode deixar, eu mesmo procuro alguém que possa adicionar por amizade! Respondi a ele.
Bom mais eu não vou deixar de ver suas conversas, hoje mesmo eu quero ver quem você adicionou. Disse André.
A noite André estava lá no messenger fake, como sempre de zoiera enviando fotos fake, houve grande interesse do homem, que logo desconfiou do trambique, mas André contornou a situação ao abrir audioconferência, onde ele me chamou pra dizer poucas palavras e a fechou rapidamente.
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"Onde foram feitas algumas alterações"
Disse André: Há, ele está aqui pra zoar, foi ai que então zoei, primeiro ele disse ser mulher, mandou fotos, pedi que abrisse a CAM e eu vi que se tratava de um casal, foi onde mandei as fotos, mas ele quis ver se era mulher. Foi então que te chamei, mas agora, já foi.
Tá ficando muito pesada essas suas brincadeiras e que história é essa de você ver a mulher do cara? Eu disse a ele.
Hooo... Não nada de mais, era só pra ver se tem uma mulher mesmo com ele, agora já sei olha lá. Respondeu André.
Nisto eu sai e fui pra sala e André só caia na rizada, parecia estar vendo um filme de comedia.
Semanas depois, eu nem me lembrava direito desse tal "Luar da Noite" do messenger fake. E numa manhã de sábado em que eu estava abrindo o messenger, quando esse homem iniciou uma conversa. No inicio eu o achei desbocado e fechei a conversa, passado alguns minuto lá veio o cara, "Luar da Noite" novamente só que desta vez mais educado e simpático, é claro que eu percebi que ele queria mesmo era ver quem sou, até que ele me fez o pedido de videoconferência, eu recusei, e o homem insistiu teclando: Só quero te conhecer, qual o problema?
Neste momento eu disse que teria que sair quando ele, me envolveu num assunto que me despertou a curiosidade, dizia: Você não lembra de mim, mas eu lembro de você, é casada, mora em SP,tem dois filhos e tem vinte três anos.
Perguntei: Como sabe tudo isso sobre mim?
Daniela não foi você que falou comigo a duas semanas naquela audioconferência? Perguntou "Luar da Noite" que continuando a teclar dizendo: Você disse me ser morena dos olhos cor de mel, que pretendia cursar a faculdade de letras. Você me pareceu ser bem legal, como seu marido tem coragem de te expor dessa maneira?
Como assim? O que ele te disse? Perguntei, sabendo que só podia se tratar das bobagens que André inventava.
Há aquelas suas fotos que ele me enviou. Disse o homem.
Tudo bobagem, não era eu nas fotos, é zoeira não liga, desculpa mais era brincadeira dele mesmo. Respondi.
Então iniciamos a conversa do zero. Onde só falamos sobre nossos nomes, idade e onde morávamos, obvio que eu lhe inventei o nome e o local de onde eu marava, como provavelmente ele também deve ter feito. Em seguida sai do PC, porque tive de sair com as crianças.
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Naquela tarde do mesmo dia, depois do almoço eu
retornei ao computador, conheci mais algumas pessoas na sala de bate papo tendo
adicionado as no fake, as achei tão bacanas que as adicionei no em meu Orkut, coisa que se fosse hoje eu não faria de modo algum. Por se tratar de pessoas ocultas, onde para quem se envolve são completamente estranhas, hoje tenho mais consciência disto, tanto podemos fazer boas amizades como não, é muito mais provável encontrarmos aqueles cuja suas intenções não são do bem e sim entram neste meio de comunicação na maioria das vezes para práticas obscuras.
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Tendo passado alguns dias, numa sexta feira, eu estava só em casa e sentia me muito angustiada. André havia começado a me questionar meu passado onde eu nem o conhecia. Tudo começou, com uma conversa que tivemos na noite de segunda feira daquela semana, posso dizer que nem o reconheci, meu marido estava muito amoroso, me enchia de carinho e atenção, agia como um verdadeiro gentleman, coisa que era muito raro acontecer, por mais amoroso que fosse, ele sempre julgou cafona certas posturas romanticista, arcaicas por sim dizer.Imagem colhida da Web, como todas as imagens deste blog.
Ele chegou do serviço e com seu sorriso que me encanta me dando um lindo buquê de rosas e me beijou como a muito tempo não me beijava. E após Jantarmos, as crianças foram dormir e nós permanecemos na sala, ouvíamos música, quando André se aproximou lentamente de mim e disse: Eu gosto quando você fica assim!
Assim como? Eu Perguntei.
Carinhosa, estando você feliz fica mais bonita do já é! Disse ele.
Nossa amor, obrigada, mais o que está havendo contigo? Você nunca foi de me dizer palavras tão cheias de carinho. Perguntei a ele.
Então ele me beijou e disse: Não houve nada Raquelzinha. Sabe ontem enquanto você se arrumava, eu a olhei e lembrei da primeira vez em que te vi...
Ele falou sobre alguns momentos nossos de quando começamos a namorávamos até lembrar de um dia que brigamos muito por causa de um diário que eu tinha quando solteira, diário este que já nem existia mais, pois André, com meu consentimento, na época havia se encarregado de destruí-lo. No ele tocar neste assunto surgiu uma questão atrás da outra, vindas dele que dizia: Raquely, você não me amava né? Naquela época eu fui um trouxa!
Como pode dizer tais bobagens André, eu sempre te amei, você sabe que é o único amor e homem em minha vida. Eu falei a ele.
Não sei não! Disse André.
Meus olhos se encheram de lágrimas de tão desapontada que fiquei com suas acusações e disse: Como pode me acusar de maneira tão vil, se você próprio me convenceu a fazer algo que sinceramente, queria que tivesse feito após o casamento.
Por isso mesmo! Você demorou pra ser minha de verdade, agora me diz, você esqueceu aquele cara? Falou ele.
Para de me tratar dessa maneira eu não mereço isso!Eu disse.
O que vocês dois fizeram enquanto ficaram juntos?Disse André.
Nada que prejudicasse nosso relacionamento André, eu nunca senti desejo por nenhum homem que não fosse você. Respondi.
E assim ficamos por horas nos alfinetando, até ele se acalmar e voltar a me dizer aquelas palavras doces tentando me acalmar.
Tudo isso me soava como uma grande maldade, pois não havia nada que me acusasse realmente. Então lembrei daquela tolice que o disse quanto a virgindade, de tão leiga, não pensei que fosse nos afetar no futuro, eu queria ser honesta na época mas como lhe contaria o que realmente aconteceu em minha infância, não dava, não tinha estomago pra isso, o constrangimento ia ser grande de mais, o que eu faria então? Minha mente entrou em parafusos e tudo por um capricho bobo de meu marido, digo bobo, de tão fútil como realmente é.
Nada nem ninguém pode acusar me desta forma, eu pensava, passei por tortuosos pensamentos desde minha infância até eu conhece-lo, de que modo diria isso a ele, meu marido, mesmo que não tivesse relevância nenhuma, afinal eu não fiz nada com ninguém antes de André, agora ele me questionava de tempos onde não tinha nada a haver comigo. Paquera toda a adolescente tem e posso dizer que não passou de inocentes beijos, claro teve a tentativa de um sem noção de me levar no papo? Teve, teve momentos em que fui quase forçada por este a fazer o que não queria? Teve, mas exatamente com nenhum destes cheguei ao ato sexual, que droga, como ele pode me acusar desta maneira, do que adiantou eu me preservar pra um homem que não me valoriza pelo o que eu sou? Que ainda tem a coragem de me dizer, "se tivesse me contato antes talvez eu teria a chance de escolha". E no dia seguinte eu pensava nisto amargurosamente, por tão ardilosas acusações. Foi onde fui ao computador e entrei no messenger fake e o primeiro que iniciou a conversa comigo despejei tudo o que me incomodava, era o "Luar da Noite", que disse: Oi Daniela como vai?
Não estou muito bem, desculpe mas hoje não sou a melhor pessoa pra conversar! Respondi.
Então ele digitou: O que houve?... Desculpe, não estou querendo especular sua vida, mas se você quiser contar estou aqui. Pode confiar, você sabe que não tem como eu saber quem realmente você é, mas eu me sinto realmente um amigo seu, sinto que você é uma pessoa muito legal e não merece ficar assim.
Deixa pra lá vai! Como você está? Digitei.
Tudo bem, estou em casa, sai mais sedo do serviço.
E sua mulher não entra no messenger? Perguntei, só pra ver se ele estava só.
Que mulher? Teclou o "Luar da Noite".
Ué... quem estava com você na primeira vez em você conversou com meu marido? Teclei, perguntando a ele.
Há, era uma ficante, nada sério, sabe algumas vezes ficamos, mas não passa disto.
E você não leva a pobre a serio não é mesmo? Teclei.
Não, ela que não me leva a serio, eu já a pedi em namoro mas ela me disse que agora quer viver a vida dela e curtir o momento! Disse ele.
Há você está mentindo né! Você só pode tá de brincadeira! São os homens que gostam de curtir o momento, nós mulheres queremos alguém pra compartilhar a vida, alguém que possamos amar sem medo de perde-lo. Respondi.
Não é verdade, você está ultrapassada neste assunto, não percebe não, que as moças de hoje não pensam como nós.
Tá bom então você a leva a sério e ela não te dá a minima. Vamos mudar de assunto.
Sério, sem brincadeira, eu tenho trinta e cinco anos, já fui noivo de uma outra mulher, ela me corneou! Teclou o "Luar da Noite".
Há, para vai conta outra!Eu teclei.
Tá vamos mudar de assunto, já falei muito sobre mim, desculpa de voltar na questão de seu mal estar, mas, não quer dizer nada é bom desabafar!
Bom, eu hoje estou muito triste e não tenho sinceramente com que falar, sei que você pode estar sendo sincero no dizer que quer me ajudar mais... Eu teclei.
Para, se não confia é melhor não dizer mesmo! Disse "Luar da Noite".
Tá bom então, eu vivo uma vida que sinceramente, não tenho contentamento nenhum... Digitei.
Hum... "Luar da Noite" teclou.
Não consegui me formar na faculdade que fazia, meu marido não tem confiança em minhas palavras. E as pessoas parecem não me levar a serio. Contei ao "Luar da noite".
Nossa, você não está bem mesmo, não fique assim e seus filhos? Ele digitou.
Eu amo meus filhos e se não fosse por eles não sei o que seria de mim. Respondi e continuando a digitar disse: Desde criança, sinto que as pessoas que encontro não vão com minha cara, dificilmente arrumo amizades...
Não, é verdade deve estar equivocada você me parece ser uma pessoa muito agradável. Disse ele teclando.
Verdade, eu não sou muito boa com as palavras, você deve pensar isso porque aqui eu me solto mais e acabo me expressando melhor, sou muito tímida.
Não parece! Disse ele, que continuou a digitar:Você se desenvolve bem com as palavras, se expressa perfeitamente.
Escrever é fácil, falar é que é o difícil. Respondi, e continuei a dizer: Por que disse isso, que não pareço ser tímida, não está me comparando, com as palhaçadas que meu marido digitou pra você, tá?
Não!... Mas, você não estava com ele aquele dia em que conversamos naquela primeira vez? Teclou o "Luar da Noite".
Não!... Eu só estive aqui naquela hora em que abriu a áudio conferência onde lhe falei aquelas poucas palavras . Eu Digitei.
Mas vocês sacanearam legal conosco. "Luar da Noite" digitou e continuou a digitar: Seu marido é um malandro, poxa ele viu minha ficante, como você concorda com isso?
O que? Como assim? Ele viu sua namorada? Perguntei.
Calma, eu estou dizendo que ele a viu somente isso, ela não estava pelada. Ele respondeu e continuou a digitar: Pensa, ele a viu e eu não te vi e você nem se quer estava por perto.
Há tá!... Respondi e continuei a teclar: Mas, eu sei que vocês estavam de palhaçada também, você não disse para meu marido que era mulher e lésbica? Eu vi que vocês estavam de zoeira, por isso concordei com tal bobagem, eu acredito que tudo seja apenas uma brincadeira, agora se está rolando algo mais sério pode dizer agora... Eu não sou trouxa!
Nossa você é brava! "Luar da Noite" digitou.
André, fica aqui dando as gargalhadas dele... Digitei e continuei a dizer: Ele fica inventando as estorinhas dele e me diz que não passam de brincadeiras inocentes. Eu já até passei um tempo aqui com ele por algumas vezes, mas nunca vi nada de mais e nunca fiz nada de tão degradante quanto estou pensando que vocês fizeram agora... São só bobagens mesmo? Se meu marido está de safadeza, conta logo!
Calma, eu só estou chateado porque eu queria ter te conhecido só isso, não fizemos nada de mais. Teclou "Luar da Noite".
Há, que sabe, fui!... Essas foram as ultimas palavras que teclei e sai.
Fique mais perturbada do já estava, pensei: Meu Deus, o que este homem está fazendo? Será que naquele dia, quando eu entrei novamente no quarto aquela hora, a bosta da câmera estava ligada? Ele me garantiu que não! Não, André não seria capaz!
Isto infernizou minha vida e grande parte de meus problemas por perseguição foram por pensar nisto. Para mim tudo não havia passado de simples brincadeiras, agora aquilo, era demais. Nunca me sujeitaria a tal imundice, meu Deus tem misericórdia, pensava.
Quando André chegou eu o perguntei seriamente e por várias vezes se a câmera ficou ligada enquanto estávamos juntos naquela noite e ele muito chateado comigo disse: Que isso! Está ficando paranoica agora? Claro que não! Pra que, que eu ia fazer isso? Deixa de ser tonta!
Mesmo assim, não sei se era coisa de minha imaginação fértil de mais, mas eu não acreditei, fique muito abalada com aquilo. Passei bom tempo sem acessar a internet, até que entrou um vírus no PC e nem meu marido conseguia acessar la mais.
"Imagem colhida da Web, como todas as imagens deste blog"
Meses se passaram, estando mais tranquila com relação aos últimos acontecimentos, já não lembrava mais daquela discussão que tive com André e nem de tão perturbadora duvida. Era um fim de tarde eu estava no centro da cidade fazendo compras e vi dois rapazes que vinham conversando num tom auto e rindo, estavam em sentido oposto ao meu na saída da loja, quando um deles olhou pra mim e no passar por eles escultei: Cara se não for ela, é muito parecida!... Não é não cara...
Pensei: Será que falavam de mim? Não, não pode ser, devo estar com paranoia mesmo!
Dias se passaram, fazia um dia lindo de sol, Rafaela estava em casa, eu havia a convida para almoçar. Ela e as crianças estavam na piscina, só não entrei com elas na pisciana, porque logo André viria e eu precisava preparar o almoço. Minha ansiedade era tanta para estar lá com elas que fiz tudo bem rapidinho, deixei tudo pronto cedo e fui dar um mergulho rápido, antes que André chegasse. Bem na hora que pus meus pés na água ele chegou e disse: Raquelzinha, você ai e o almoço?
Está pronto André é só você se servir! Respondi.
E ele num súbito nervoso gritou: Vai fazer isso comigo mesmo? Deixa de ser sem consideração mulher!
"Imagem colhida da Web, como todas as imagens deste blog."
Você tem o almoço pronto, mesa arrumada o que mais você quer? Perguntei.
Para com essa tolice, não vê que estou cansado! Chego exausto do serviço em casa e minha mulher nem se preocupa de me atender. Disse André.
Para você de ser dengoso André, está tudo pronto, não custa nada se servir, está tudo na mesa. Eu disse.
Nisto ele se exalto ao extremo e me disse um monte de palavras de baixo calão, como eu já havia me habituado com esses maus modos de meu marido acabei lhe ofendendo de forma igual. E todos saíram da piscina, Rafaela tentando acalmar os ânimos disse: Calma gente, vem Raquely, coitado ele tem razão!
Não vou, pois esse ai só usa da ignorância para me pedir algo, ele não merece meu respeito! Eu disse.
Nisto ele entrou em casa falando: Respeito, é você que não tem educação!
Por mais que seja irrelevante tal fato, eu os conto, porque André vinha se comportando de uma forma agressiva, na qual estava fora do normal, ele sempre foi muito calmo, paciente até de mais, tinha seus dias de mau humor como qualquer pessoa, mais naqueles dias em especial ele se irritava com muita facilidade. Houve um fim de semana, em estavam todos em casa, André drenava a piscina, quando escutei seus gritos, sai a porta da lavanderia e vi sua ignorância com todos em sua volta, a pobre da minha sogra que estava ao seu lado chegou a tomar um banho pelo jato de água que espirou por um murro que dera André na água. Eu me indignei por tal ato e irritadiça fui até ele e disse: Monstro, olha o que você fez com sua mãe, a molhou toda...
Selma com seus olhos arregalados de assutada disse: Deixa, não foi nada não!
Por que não vem você limpar essa droga de piscina, já que foi você quem deu essa ideia idiota de fazer isso hoje! Disse Ele.
Tá deixa ai, esquece, outra hora eu faço isso! Só para com essa ignorância por favor! Eu o respondi.
Agora que fala isso sua lesa, eu já joguei os produtos, agora não dá pra desperdiçar. Ele disse.
Então eu entrei na cozinha, passado alguns minutos escultei mais gritos de André, só que deste vez vindos da sala. Dizia: Ela fica pondo essas porcarias junto aos meus livros, eu vou quebra com essa bosta!
Corri para sala e o vi com um das taças em sua mão, calmamente eu disse: Não faz isso!
Meu cunhado veio ao encontro dele e disse: Para com isso cara, se está estressado melhor que não faça nada hoje! Não desconte nos outros caramba!
Ele estava tão alterado que antes disso havia quebrado o gatilho da mangueira, ele pôs as taças sobre a mesa e me disse: Guarda essas suas tranqueiras em outro lugar! Ta vendo essa porcaria de gatilho para mangueira que você me fez comprar? Hó...
Ele bateu com toda força a mangueira no parapeito da janela e disse: Não vale nada!
É imbecil ou o que? Depois diz que sou eu a esbanjadora! Eu disse.
É você Raquely faz essas asneiras e eu levo a culpa!
Além de muito nervosa, sentia me muito triste por vê-lo daquele jeito. Mas tudo aquilo tinha uma razão de ser, passávamos por grande dificuldade, André havia pedido as contas do seu serviço para ingressar na profissão a qual havia se formado naquele ano, professor, o que é muito difícil pra um iniciante, ele já havia passado no concurso público, no entanto, teve que aguardar a sua convocação. Com grande esforço conseguiu umas poucas aulas de eventual e o pouco que recebia por elas mal dava pra nos manter. Tivemos que recorrer tanto a família de André quanto a minha, o que eu jamais quis, pois pensava, que críticas, poderiam surgir de ambos os lados, mas o que digo hoje sobre isso, é que sou muito grata por toda aquela ajuda!
Para se ter uma ideia, teve dias que não tínhamos nem gás do fogão pra cozer os alimentos. O leite, que antes era em abundancia para as crianças, estava racionado. Foram longos e penosos tempos até surgir me uma oferta de emprego numa fábrica no centro da cidade. No saber disto, fiquei em polvorosa, não tinha dinheiro para ir agência que contratava, o trajeto até lá era longo demais pra ir a pé. Decidi chamar Rafaela que também passava por apuros, despregada estava a procura de emprego, mesmo que fossemos a pé, eu tinha a esperança de que chegaria a tempo, no convidá-la eu disse: Vamos Rafaela, a Jack foi lá ontem e já conseguiu a vaga, me disse que estão contratando mais gente, é uma grande oportunidade, vamos?
Ela respondeu: Você está louca menina, ir a pé de Ribeirão Pires até uma agência de emprego no centro de Santo André, é muito longe Raquely, nós iriamos levar umas quatro horas ou mais pra chegar lá! Eu não vou não! Nem é garantido que vamos conseguir, se pelo menos fosse contrata direto da fabrica, nem isso é!
Com isso fui para casa e no quintal num quarto de bugigangas, onde mantinha o lixo reciclável, onde vi a chance de conseguirmos pagar as passagens de ônibus, pois em frente a minha casa tinha um deposito de ferro velho e vendi tudo. Por pouco não dava para pagar a passagem de Rafaela também, infelizmente o dinheiro só foi o suficiente pra pagar minha passagem. Chegando lá graças a Deus, foi tudo tão rápido e simples, que mal eu entrei na agencia já fui atendida, pediram meus documentos e quando sai de lá, nem acreditava já estava praticamente empregada, após a entrevista, que seria no dia seguinte, naquela mesma semana começaria trabalhar na fábrica de bolacha que ficava próximo ao centro de Ribeirão Pires, município no qual eu morava.








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